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História The deal - Jortini - Capítulo 12


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Notas do Autor


OOOOOOOOIIIII amores da titia, como estão?
Voltei com mais um capitulozinho especial pra vocêsss.
Tenham uma boa leitura e até maisss! xoxo sz

Capítulo 12 - Ser inatingível


JORGE BLANCO

Adoro aquele momento logo antes de acordar, quando as finas teias de aranha em meu cérebro se tecem para formar um novelo coerente de consciência. É o cúmulo do “Onde estou?”. Aquele momento desorientado e nebuloso em que metade dos meus neurônios ainda estão perdidos em seja qual for o sonho que estou tendo. Mas, esta manhã, tem alguma coisa diferente. Meu corpo está mais quente do que o normal, e me dou conta de um cheiro adocicado. Morango, talvez? Não, cereja. Definitivamente cereja. E algo pinicando embaixo do queixo, algo macio e duro ao mesmo tempo. Uma cabeça? É, tem uma cabeça aninhada na curva do meu pescoço. E um braço fino por cima da minha barriga. Uma perna quente enganchada na minha coxa, e um seio macio descansando no lado esquerdo do meu peitoral. Abro os olhos lentamente e encontro Martina aconchegada em mim. Estou deitado de costas, os braços em volta dela, segurando-a com força junto ao meu corpo. Não admira que meus músculos estejam tão rígidos. Será que passamos a noite inteira assim? Lembro de estarmos em lados opostos da cama quando peguei no sono, tão distantes que até esperava encontrá-la no chão ao acordar. Mas, agora, estamos emaranhados nos braços um do outro. É gostoso. Estou ficando mais desperto. Desperto o suficiente para assimilar este último pensamento. É gostoso? O que está acontecendo comigo? Dormir abraçadinho é exclusividade de namoradas. E não tenho namoradas. Mas também não a solto.

Estou completamente acordado agora, respirando o cheiro dela e desfrutando do calor do seu corpo. Olho para o despertador, que vai tocar em cinco minutos. Sempre acordo antes do alarme, como se meu corpo soubesse que é hora de se levantar, mas ainda ligo o despertador por precaução. São sete da manhã. Só tive quatro horas de sono, mas me sinto estranhamente descansado. Em paz. Não estou pronto para deixar esse sentimento ir embora ainda, então fico ali, deitado, com Martina em meus braços, ouvindo sua respiração estável.

- Você está duro? - A voz horrorizada de Martina corta o silêncio sereno. Ela senta num sobressalto, e logo cai de volta no colchão.

É isso aí, a srta. Piadista se desequilibra deitada, porque ainda está com a perna enganchada nas minhas coxas. E sim, definitivamente tem algo acontecendo lá nos países baixos.

- Relaxa. - digo numa voz sonolenta e grave. - É só uma meiabomba matinal.

- Meia-bomba matinal? - repete ela. - Ai, meu Deus. Você é tão…

- Homem? - sugiro, secamente. - Sou sim, e é isso que acontece com os homens de manhã. Pura biologia, Stoesselzinha. Acordamos duros. Se isso faz você se sentir melhor, não estou com o menor tesão neste momento.

- Tudo bem, vou aceitar sua justificativa biológica. Agora pode me explicar por que decidiu me abraçar no meio da noite?

- Eu não decidi nada. Estava dormindo. Até onde sei, foi você que se arrastou para cima de mim.

- Jamais. Nem em sonho. Meu inconsciente me conhece melhor do que isso. - Ela enfia o indicador no centro do meu peito e pula para fora da cama num movimento rápido. Assim que se afasta, sinto uma sensação de perda. Já não estou quente e aconchegado, mas frio e sozinho. Enquanto sento e espreguiço os braços por cima da cabeça, seus olhos verdes se fixam no meu peito nu, e ela torce o nariz de desgosto. - Não acredito que a minha cabeça estava nessa coisa a noite toda.

- Meu peito não é uma coisa. - Faço uma cara feia para ela. - Outras mulheres parecem não ter o menor problema com ele.

- Não sou ‘outras mulheres’. - Não, ela não é. Porque “outras mulheres” não me divertem tanto quanto Martina.

De repente, me pergunto como passei a vida inteira sem os comentários sarcásticos e os resmungos irritados de Martina Stoessel.

- Para de sorrir. - exige ela. Estou sorrindo? Nem percebi. Martina estreita os olhos enquanto cata as roupas no chão. Minha camiseta bate em seus joelhos, enfatizando o quanto ela é pequena. - Não se atreva a contar a ninguém sobre isso. - ameaça.

- Por que não? Só vai aumentar a sua credibilidade nas ruas.

- Não quero ser mais uma de suas maria-patins, e não quero que as pessoas pensem que sou, entendeu?

Seu uso do termo me faz sorrir ainda mais. Gosto que esteja pegando o jargão do hóquei. Talvez, um dia desses, até consiga convencê-la a assistir a um jogo. Tenho a sensação de que iria vaiar bastante o outro time, o que é sempre uma vantagem em jogos em casa. Mas, conhecendo a peça, provavelmente ela vaiaria a gente, o que daria a vantagem ao outro time.

- Bom, se você não quer mesmo que ninguém pense isso, melhor se vestir depressa. - Arqueio a sobrancelha. - A menos que você queira meus colegas de time testemunhando a sua caminhada da vergonha. E eles vão, porque temos treino em trinta minutos. - O pânico brilha em seus olhos.

- Merda. -  Preciso admitir, esta é a primeira vez que uma garota se preocupa em ser pega no meu quarto. Em geral, elas saem daqui como se tivessem acabado de fisgar o Brad Pitt. Martina respira fundo. - A gente estudou. Assistiu TV. Fui pra casa tarde. Foi isso que aconteceu. Entendido? - Luto contra o riso.

- Como quiser.

- Nem venha com essa de A princesa prometida para cima de mim, ouviu?

- Nossa, essa veio do fundo do baú! - Ela me olha furiosa; em seguida, aponta um dedo na minha direção.

- Quando sair do banheiro, quero ver você vestido e pronto para ir embora. Você vai me deixar em casa antes de os seus amigos acordarem. - Uma risada contida me escapa, enquanto ela vai pisando duro na direção do banheiro e bate a porta.
 

MARTINA STOESSEL

Estou funcionando com quatro horas de sono. Por favor, alguém me mate. O lado bom é que ninguém viu Jorge me deixar na porta do alojamento hoje cedo, então pelo menos minha honra ainda está intacta. As aulas da manhã não acabam nunca. Tenho uma de teoria seguida de um seminário sobre história da música — e ambas exigem minha atenção, o que é difícil, quando mal consigo manter os olhos abertos. Já bebi três cafés, mas, em vez de me dar energia, a cafeína só está drenando os resquícios da que eu tinha. Vou almoçar tarde, num dos refeitórios do campus, escolho uma mesa bem no fundo e fico enviando vibrações de “Me deixem em paz”, porque estou cansada demais para jogar conversa fora.

A comida me acorda um pouco, e passo pelas portas de carvalho do edifício de filosofia com tempo sobrando para a aula seguinte. Aproximo-me do auditório de ética e paro, num sobressalto. Ninguém menos que Justin está caminhando pelo corredor largo, as sobrancelhas escuras franzidas, enquanto digita no celular. Mesmo tendo tomado banho e trocado de roupa no alojamento, me sinto uma completa idiota. Estou de calças de ginástica, um moletom verde e botas de borracha vermelhas. A previsão do tempo tinha dito que ia chover, o que não aconteceu, então agora me sinto ridícula por ter escolhido esse sapato. Justin, por outro lado, é pura perfeição. A calça jeans escura abraça suas pernas compridas e musculosas, e o suéter preto se estica sobre os ombros largos de um jeito que me faz tremer nas bases. Meu coração bate mais rápido à medida que me aproximo. Estou tentando decidir se deveria dizer “oi” ou só cumprimentar com um aceno, mas ele resolve o dilema, falando primeiro.

- Oi. - Seus lábios se curvam num meio-sorriso. - Belas galochas. - Suspiro.

- Ia chover.

- Não foi sarcasmo. Gosto de galochas. Me fazem lembrar de casa. - Ele percebe meu olhar interrogativo e explica depressa: - Sou de Seattle.

- Ah. Foi de lá que você pediu transferência?

- Foi. E, vai por mim, se não estiver chovendo em Seattle, é porque tem alguma coisa errada. Botas de chuva são um item de sobrevivência quando se vive em Seattle. - Ele enfia o smartphone no bolso, adotando um tom casual. - Então, o que aconteceu com você na quarta-feira? - Franzo o cenho.

- Como assim?

- A festa. Procurei por você depois da sinuca, mas já tinha ido. - Ai, meu Deus. Ele me procurou?

- É, saí cedo. - respondo, torcendo para parecer casual também. - Tinha aula às nove no dia seguinte. - Justin deita a cabeça de lado.

- Ouvi dizer que foi embora com Jorge Blanco. - Isso me pega desprevenida. Não achei que alguém nos tivesse visto saindo juntos, mas é claro que estava enganada. Aparentemente, os boatos circulam mais rápido que a velocidade da luz, na Briar.

- Ele me deu uma carona para casa. - respondo, dando de ombros.

- Ah. Não sabia que eram amigos. - Abro um sorriso travesso.

- Tem muita coisa ao meu respeito que você não sabe. - Deus do céu. Estou flertando com ele. Ele também sorri, e a covinha mais sensual que já vi aparece em seu queixo.

- Acho que você tem razão. - Faz uma pausa significativa. - Talvez devêssemos mudar isso. - Deus do céu. Ele está flertando de volta. Por mais que odeie admitir, estou começando a achar que a teoria de Jorge de dar uma de difícil realmente faz sentido. Justin parece curiosamente fixado no fato de que saí da festa com Jorge. - Então…- Seus olhos brilham, alegres. - O que você vai fazer depois da…

- Stoesselzinha! - Engulo um gemido exasperado diante da interrupção alegre de — quem mais? — Jorge. Ele caminha na nossa direção, e Justin fecha o rosto ligeiramente, mas logo em seguida sorri e cumprimenta o intruso indesejável com a cabeça. Jorge está trazendo dois copos de isopor e passa um para mim com um sorriso no rosto. - Trouxe um café. Achei que estaria precisando. - Não deixo de notar o olhar estranho que Justin lança em nossa direção, ou o brilho de desagrado em seus olhos, mas aceito o café com gratidão e abro a tampa, soprando o líquido quente, antes de dar um pequeno gole.

- Salvou minha vida. - suspiro. Jorge acena para Justin e o cumprimenta:

- Kohl. - Os dois trocam uma espécie de tapa viril, que não chega a ser um aperto de mãos, mas também não é bem um soco com os punhos.

- Blanco. - devolve Justin. - Ouvi dizer que vocês destruíram o St. Anthony. Bela vitória.

- Obrigado. - Jorge ri. - Ouvi dizer que vocês foram destruídos pelo Brown. Que merda.

- Lá se vai nossa temporada perfeita, né? - lamenta-se Justin. Jorge dá de ombros.

- Vocês vão se recuperar. Maxwell tem um braço do outro mundo.

- Nem me fale. - Como considero que conversas sobre esportes estão no mesmo grau de chatice das de política e jardinagem, dou um passo em direção à porta.

- Vou entrar. Obrigada pelo café, Jorge. - Meus batimentos cardíacos continuam acelerando enquanto caminho pelo auditório.

É engraçado, mas minha vida de repente parece estar se movendo na velocidade da luz. Antes da festa, o máximo de contato que tive com Justin foi um aceno a míseros três metros de distância — e isso em dois meses. Agora, em menos de uma semana, tivemos duas conversas, e, a menos que esteja imaginando coisas, ele estava prestes a me convidar para sair, antes de Jorge interromper. Sento na cadeira de sempre, ao lado de Nell, que me cumprimenta com um sorriso.

- Oi. - diz ela.

- Oi. - Abro a bolsa e pego um caderno e uma caneta.

- Como foi o fim de semana?

- Um inferno. Tive uma prova de química bizarra hoje de manhã e virei a noite estudando.

- E como foi?

- Ah, moleza. - Ela sorri feliz, mas a alegria desaparece depressa. - Agora só preciso me sair melhor na segunda chamada de sexta, e tudo vai ficar bem no mundo de novo.

- Você recebeu meu e-mail, não recebeu? - Tinha mandado uma cópia da minha prova para ela, no início da semana, mas Nell não chegou a responder.

- Recebi. Desculpa não ter escrito, precisava me concentrar em química. Estou pensando em dar uma olhada nas suas respostas hoje à noite. - Uma sombra cai sobre nós, e quando me dou conta, Jorge ocupa a cadeira ao meu lado.

- Stoesselzinha, tem uma caneta sobrando? - As sobrancelhas de Nell quase batem no teto, e ela me encara como se, nos últimos três segundos, tivesse brotado um cavanhaque na minha cara.

Não a culpo. Sentamos uma do lado da outra desde o início do semestre, e não lancei um olhar sequer na direção de Jorge  Blanco, muito menos falei com ele. Nell não é a única que está fascinada por esta nova disposição dos lugares. Quando olho pelo corredor, noto Justin nos observando com uma expressão indecifrável no rosto.

- Stoesselzinha? Caneta? - Volto-me para Jorge. - Você veio para a aula despreparado? Que surpresa. - Abro a bolsa de novo e procuro uma caneta; em seguida, enfio-a em sua mão.

- Obrigado. - Ele me oferece aquele sorriso arrogante antes de abrir seu caderno numa página limpa. Em seguida, inclina-se para a
frente e dirige-se a Nell. - Prazer, Jorge. - Ela fita, boquiaberta, a mão estendida dele e, enfim, a aperta.

- Nell. - responde. - Prazer. - Tolbert chega logo em seguida, e, enquanto Jorge volta sua atenção para o tablado, Nell me lança outro olhar de “o que foi isso”. Levo os lábios bem perto de seu ouvido e sussurro:

- Somos meio que amigos agora.

- Ouvi isso. - se intromete Jorge. - E não tem nada de ‘meio’ nessa história. Somos melhores amigos, Nelly. Não deixe a Stoesselzinha dizer o contrário. - Nell ri baixinho. Só consigo deixar escapar um suspiro

(....)

A aula de hoje se concentra em algumas questões bem pesadas. Sobretudo, o conflito entre a consciência de um indivíduo diante de sua responsabilidade com a sociedade. Tolbert dá os nazistas como exemplo. Não preciso nem dizer que a próxima hora e meia é bem deprimente. Depois da aula, estou morrendo de vontade de terminar a conversa com Justin, mas Jorge tem outros planos. Em vez de me deixar ficar, ou melhor, de disparar em linha reta até meu jogador de futebol preferido, segura meu braço com firmeza e me ajuda a levantar. Dou uma olhadinha na direção de Justin, que está descendo o corredor depressa, como se quisesse nos alcançar.

- Ignore o cara. - A voz de Jorge é quase inaudível ao me conduzir pela porta.

- Mas quero falar com ele. - reclamo. - Tenho certeza de que ia me convidar para sair antes. - Jorge simplesmente segue em frente, a mão parecendo um torno de ferro em volta do meu antebraço. Preciso correr para acompanhar seus passos largos e estou morrendo de raiva quando saímos no ar fresco de outubro. Me sinto tentada a olhar por cima do ombro para ver se Justin está atrás de nós, mas sei que Jorge vai brigar comigo se o fizer, então resisto. - O que foi isso? - exijo saber, tirando a mão dele de cima de mim.

- Você deveria ser inatingível, lembra? Tá facilitando muito as coisas pra ele. - A raiva borbulha dentro de mim.

- A questão toda era fazer com que ele me notasse. Bem, ele está me notando. Por que não posso parar de fazer joguinhos?

- Você despertou o interesse dele. - diz Jorge, enquanto caminhamos pela trilha de paralelepípedos em direção ao pátio. - Mas se você quiser manter esse interesse, precisa fazê-lo trabalhar por isso. Homens gostam de desafios. - Quero argumentar, mas talvez ele tenha razão. - Segure a onda até a festa de Maxwell. - aconselha.

- Sim, senhor. - resmungo. - Ah, por falar nisso, vou ter que desmarcar a nossa aula de hoje. Estou exausta da maratona de ontem e, se não dormir um pouco, vou ficar um zumbi pelo resto da semana. - Jorge não parece feliz.

- Mas a gente ia começar a parte pesada hoje.

- Sabe o que a gente pode fazer? Vou enviar um e-mail com um exemplo de pergunta para você fazer uma redação, algo que a Tolbert inventaria. Você tem duas horas para escrever alguma coisa, e amanhã a gente repassa juntos. Assim, vou ter uma noção do que precisamos trabalhar.

- Certo. - aceita ele. - Tenho treino de manhã e aula depois. Pode vir ao meio-dia?

- Claro, mas tenho que sair às três, por causa do ensaio.

- Legal. Vejo você amanhã, então. -  Ele bagunça meu cabelo como se eu fosse uma criança de cinco anos de idade e vai embora, caminhando descontraído.

Meus lábios se curvam num sorriso irônico ao vê-lo se afastar, o casaco do time de hóquei preto e prata se colando ao peito ao andar na direção do vento. Não sou a única a observá-lo — várias mulheres também voltam a cabeça em sua direção, e quase posso ver suas calcinhas derretendo quando ele exibe aquele sorriso canalha para todo mundo ver. Revirando os olhos, vou na direção oposta. Não quero chegar atrasada ao ensaio, principalmente porque Cass e eu ainda não chegamos a um acordo sobre a sua ideia ridícula de incluir um coral. Mas, quando entro na sala de música, não vejo Cass em lugar nenhum.

- Oi. - cumprimento M.J., que está ao piano, estudando as partituras. Ela ergue a cabeça loura, com um sorriso desconfortável no rosto.

- Ah, oi. - Faz uma pausa. - Cass não vem hoje. - Sinto a irritação aflorando em meu estômago.

- Como assim ele não vem?

- Mandou uma mensagem agorinha. Tá com enxaqueca. - Tudo bem. Sei que um monte dos nossos colegas de turma, entre eles Cass, saiu para beber na noite passada, porque um deles me mandou uma mensagem me convidando quando estava assistindo a Breaking Bad com Jorge. Não é muito difícil de deduzir: Cass está de ressaca, e é por isso que não vem. - Mas ainda podemos ensaiar. - diz M.J. Desta vez, o sorriso transparece em seus olhos. - Pode ser bom repassar a música inteira sem parar para discutir a cada cinco segundos.

- Pode, só que tudo o que fizermos hoje ele vai vetar amanhã. - Sento numa cadeira perto do piano e lanço um olhar severo na direção dela. - Essa ideia de coral é besteira, M.J. Você sabe que é. -  Ela concorda com a cabeça.

 - Eu sei.

- Então por que não me apoia? - indago, incapaz de mascarar o ressentimento. Um rubor aparece em seu rosto pálido.

- Eu…- Ela engole em seco, visivelmente. - Pode guardar um segredo? - Merda. Tenho medo de onde isso vai dar.

- Claro…

- Cass me convidou para sair.

- Ah. - Tento não parecer surpresa, mas é difícil esconder.

M.J. é uma menina gentil e, sem dúvida, não é pouco atraente, mas também é a última pessoa que considero o tipo de Cass Donovan. Por mais que o deteste, Cass é lindo de morrer. Tem o tipo de rostinho bonito de capa de disco que, um dia, vai vender horrores, disso não há dúvida. E, olha, não estou dizendo que uma garota comum não possa sair com um cara gostoso. Tenho certeza de que acontece o tempo todo. Mas Cass é um sujeito pomposo e obcecado pela imagem. Alguém tão superficial nunca se deixaria ser flagrado ao lado de uma moça tão tímida como Mary Jane, não importa o quão doce ela seja.

- Tudo bem. - acrescenta, com uma risada. - Sei que você está surpresa. Também fiquei. Ele me perguntou antes do ensaio naquele dia. - Ela suspira. - Você sabe, o dia do coral. - E…- todas as peças do quebra-cabeça de repente se encaixam.

Sei exatamente o que Cass está tramando e tenho de fazer um esforço sério para engolir a raiva. Uma coisa é persuadir M.J. a apoiá-lo durante nossas brigas, outra é dar falsas esperanças à pobre menina. Mas o que vou dizer a ela? Ele só a convidou para sair para você apoiá-lo em todas as suas ideias malucas para a apresentação? Me recuso a ser esse tipo de pessoa, então abro o sorriso mais educado que posso e pergunto:

- Você quer sair com ele? - Suas bochechas ficam ainda mais vermelhas, e ela faz que sim com a cabeça. - Sério? - confirmo, sem acreditar. - Mas ele é uma diva. Do tipo que deixa a Mariah Carey no chinelo. Você sabe disso, não sabe?

- Sei. - Parece envergonhada agora. - Mas isso é só porque é apaixonado demais pela música. Ele pode ser um cara legal quando quer. - Quando quer? Ela diz isso como se fosse uma grande qualidade, mas, na minha cabeça, as pessoas deveriam ser boas porque são, e não como uma jogada calculada da parte delas. No entanto, também mantenho essa opinião para mim. Adoto um tom diplomático.

- Você tem medo de que, se discordar das ideias dele, Cass vai desmarcar o encontro? - Ela estremece.

- Soa patético quando você fala assim.- Hmm, de que outra forma ela quer que eu fale? - Só não quero criar caso, sabe? - murmura, parecendo desconfortável.

Não, não sei. Não sei mesmo.

- M.J., é a sua música. E você não precisa conter suas opiniões só para deixar Cass feliz. Se você odeia a ideia do coral tanto quanto eu, então diga a ele. Confia em mim, homens gostam de mulheres que falam o que pensam. - No entanto, no instante em que digo essas palavras, sei que Mary Jane Harper não é esse tipo de mulher.

É tímida, desajeitada e passa a maior parte do tempo se escondendo atrás de um piano ou deitada em seu quarto no alojamento escrevendo canções de amor sobre meninos que não correspondem aos seus sentimentos. Ah, merda. De repente algo me ocorre. A nossa música é sobre Cass? Fico enojada pela ideia de que os versos emotivos que venho cantando há meses possam mesmo ser sobre um cara que detesto.

- Não odeio a ideia de um coral. - se esquiva ela. - Também não amo, mas não acho que seja terrível. - E, nesse momento, sei, sem sombra de dúvida, que haverá uma porcaria de um coral de três andares atrás de mim e de Cass no festival de inverno.


Notas Finais


O jeito que o Jorge sente ciúmes é diferente kkkkkk
Até logo amoresss! xoxo sz


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