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História The Destiny - Capítulo 17


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 17 - Capítulo 17 - Coroação part 1



Dormitório B

     

       POV Victoria 



– Eu estou calma, Enguerrand! – disse furiosa, sentindo como se meu corpo inteiro estivesse em chamas. – Mas é claro que estou calma! Não é como se não estivesse de bem com isso, não é mesmo?! – eu o olhava com um sorriso sarcástico e ao mesmo tempo desesperador.

Depois do acontecimento no estábulo, Enguerrand me explicou a situação antes que eu surtasse por conta do desespero e o olhar preocupado em seus olhos. Mas como podem ver, eu surtei do mesmo jeito. Quando chegamos no meu quarto ele resumiu mais a situação e então eu entrei em desespero, mas logo fiquei enfurecida porque ele sabia o que estava acontecendo e não tinha me dito antes.

E aqui estamos nós, uma Victoria prestes a esganar seu mais velho e único irmão enquanto o mesmo está tentando me acalmar e salvar sua pele.

– Vick, quanto mais suas emoções ficam intensas mais isso te consome, principalmente quando você está em um estado de pura raiva. – respondeu com um tom baixo enquanto se aproximava cautelosamente de mim, suas palavras não surtiram efeito nenhum já que ainda sentia minha pele queimar. – Olhe pra si, você quer ser controlada por isso? – foi então que eu olhei para baixo, percebi... Isso... está saindo de mim? Pequenas faíscas negras podiam ser vistas saindo de meu corpo, como se eu estivesse a um passo da combustão. – Olhe para mim. – e assim eu fiz, o olhei como se estivesse pedindo ajuda com os olhos, eu realmente estava desesperada e a sensação que queimação apenas aumentava meu desespero. Eu já senti isso muitas vezes, não posso negar, mas foi quando eu estava em uma situação de adrenalina ou até em que eu necessitava de atenção, então a queimação era a de menos.

Mas agora, que eu estou dando total atenção a isso, parece que a queimação fica o triplo, como se tivessem me jogado em um mar de chamas e essa chamas estivesse me consumindo. Eu sentia meu corpo de dentro para fora queimar e não era uma sensação muito agradável. 

 – Eu posso te ajudar, minha irmã, posso te ajudar a controlar isso. E para isso, preciso primeiro que acalme-se. – disse olhando no fundo dos meus olhos, eu então os fechei em seguida e tentei regular minha respiração, essa que estava ofegante. Apertei minhas mãos com força e então venho em mente duas orbes azuis que me transmitiam tranquilidade, um sorriso que aquecia meu coração mas de um jeito bom, o conforto de seus braços... Até que senti uma mão fria em meu rosto, me obrigando a olhá-lo. – Já passou. – disse com um ar gentil, foi então que olhei para baixo e percebi que não saíam mais faíscas e a queimação tinha ido embora. 

Eu senti seus braços hesitantes me envolverem em um abraço, eu fiquei em estado de choque por alguns segundos mas logo tratei de retribuir, afinal, fazia anos que eu não sentia como era o seu abraço. Era até estranho, abraçar uma pessoa que você pensou que tinha lhe abandonado por anos e saber que não tinha lhe abandonado completamente, mas isso não tem muita diferença. Ele não estava completamente presente lá, não estava lá ao meu lado, me acolhendo e me protegendo de qualquer coisa que estivesse prestes a vir.

Isso não combina nem um pouco com o Enguerrand Sullivan atual, parece que estou falando de outra pessoa, mas então notei que o tempo realmente muda as pessoas. Antes eu era apenas uma garotinha assustada que apenas precisava da ajuda e proteção de seu irmão mais velho, hoje não consigo contar as milhares de mortes que já causei oferecendo proteção ao povo o qual fiz um juramento. Mesmo isso fazendo parte do juramento, é difícil se convencer de que minhas mãos estão sujas de sangue por um bem maior e conseguir tirar os corpos de cada um dos homens que carrego em minhas costas.

Afinal, eles também estavam lutando para proteger seu povo ou até suas famílias. 

Senti meu estômago revirar ao ter em mente que matei inúmeras pessoas que faziam parte de uma família, que essas pessoas poderiam ter filhos as esperando em sua casa.

Apertei mais o corpo de meu irmão ao ter esses pensamentos vagando pela minha cabeça.

– Eu não quero controlar isso, Enguerrand... Eu quero não ter mais isso. – disse com os olhos marejados enterrando meu rosto em seu peito, o escutei suspirar e me apertar ainda mais.

Percebi que era impossível ele cumprir aquilo, sabia que era. Ele passou anos tentando descobrir quando percebeu essa coisa em mim, ele me falaria se tivesse descoberto um jeito para me ajudar... Não falaria?

– Acha que os outros devem saber? – indagou depois de alguns minutos em silêncio, ele estava sendo cauteloso e até gentil. Mas sabia que era pela situação que nos encontrava

– Não, não quero os preocupar. A coroação de Scarlet está se aproximando assim como a invasão ao Reino do Norte. – respondi limpando algumas lágrimas fugitivas, me afastei de si e o olhei com seriedade. – Nesse meio tempo, tente descobrir mais sobre isso e essa marca. É capaz de Samantha descobrir por ser uma bruxa, ela vai sentir algo estranho na minha aura, nada passa despercebido por ela. – suspirei frustrada em seguida, ela ia insistir nisso e ia ser difícil tirar essa desconfiança dela. 

Sentei na beira de minha cama para tentar pensar em algo, mas nada vinha em mente por mais que eu me esforçasse, toda essa situação me deixava... Angustiada.

Levei minha mão até minha nuca e passei a ponta dos meus dedos naquele local, logo senti uma certa elevação por ali. 

– Pelo menos é discreto... – disse baixinho para mim mesma, mas sabia que não podia dar mole.

Senti um peso ao meu lado e olhei para Enguerrand que acabara de sentar-se.

Logo como se tivesse clareado tudo, uma ideia venho a minha cabeça, mesmo que essa ideia fosse péssima, ele ia ter que concordar comigo, aliás, não temos muitas escolhas agora.

– Enguerrand... – o olhei e antes que eu pudesse terminar, ele me interrompeu.

– Entendi, eu vou me arrepender por não ter feito um plano antes. – disse de forma sarcástica e eu apenas revirei os olhos.

Como eu disse, ele só estava com toda aquela gentileza por causa da situação. Ele é um bom ator às vezes, admito.

– Cale a boca e deixe eu terminar de falar. – respondi de forma rude o ouvindo reclamar em seguida, mas ficando calado. – Vai ser assim...



{...}


 2 semanas depois


                 POV Scarlet



– Droga, por que esses vestidos precisam ser tão apertados? – indaguei para mim mesma me remexendo enquanto Cássia arrumava meus cabelos.

Enfim minha coroação chegou, a sensação era tão estranha, saber que daqui a algumas horas eu irei ser Rainha.

Eu sentia como se ainda não fosse a hora, como se ainda era pra mamãe estar aqui e continuar o seu legado. Mas sei que isso era impossível agora... Queria tanto que ela estivesse aqui e quando eu fosse entrar naquele grande salão cheio de pessoas que acham ser superiores, ela iria me acalmar com aquele seu sorriso acolhedor enquanto papai iria fazer palhaçadas.

Acho que entendi o porquê dessa sensação ser estranha... talvez seja porque agora eu tenha que os deixar partir. Sei que estariam com sorrisos orgulhosos agora, sei também que não iriam me querer ver desse jeito por terem partido, por mais difícil que seja.

Toquei com a ponta de meus dedos na pequena pedra quebrada ao meio como se formasse uma meia lua que possuía no colar, por um momento pude ver seus sorrisos.

"Amo vocês." pensei apertando levemente o colar em minha mão e voltando a olhar para o espelho a minha frente.

Argh, que droga de vestido. 

– Senhorita, não se mexa muito. – soltei um suspiro frustrado ao perceber que o aperto não ia diminuir, ouvindo a mulher mais velha rir divertida em seguida.

– Ah, Cas, às vezes eu apenas queria algumas horas de uma vida normal. Me aventurar por aí, viajar pelos Reinos, viajar para fora, ter um amor sem precisar que as pessoas nos julgassem... – disse olhando-me no espelho a nossa frente, podia ver Cássia parando de fazer o que estava fazendo e apoiando suas mãos em meus ombros e me olhando através do espelho com um sorrisinho acolhedor.

– Fala sobre a garota Victoria, senhorita? – assim que escutei o nome senti as minhas bochechas esquentarem e um risinho da mulher mais velha em seguida.

"É tão óbvio assim?" pensei querendo me enfiar em algum buraco. 

– A senhorita puxou a sua mãe. – respondeu fazendo com que eu a olhasse pelo o espelho, ela sorriu gentilmente e continuou. – Antes dela casar-se com o seu pai, ela falava as mesma coisas e depois também. "Eu adoraria tanto poder tirar eu e o Frederick por algumas horas desse mundo e irmos para um mundo apenas nosso, sem todo esse caos, inúmeros afazeres, guerras...". – um sorriso triste enfeitava seus lábios fazendo meu coração apertar, coloquei minha mão sobre a sua e então de triste foi para gentil, ela continuou. – Quando eu não servia a realeza, eu sempre pensei que ser uma rainha ou uma princesa era a melhor coisa que uma mulher poderia ser, uma grande mesa cheia de culinárias incríveis, vestidos lindos, ser amada por seu povo, riquezas. Mas, então, quando vim para cá percebi que não era muito bem assim. – disse olhando-me nos olhos através do espelho com o seu tão conhecido sorriso gentil. – Assim como nós e qualquer outra pessoa, Vossa Alteza possuía vários afazeres, cerimônias que às vezes nem gostava de participar, casamentos arranjados, vestidos apertados que muitas vezes a Rainha Ayla não gostava de usar, reuniões tediosas. – disse a última parte com uma careta fazendo-me rir. – Ela sempre desabafava sobre, o que todos achávamos que eram as mil maravilhas, a deixava exausta e sem tempo para si mesma. – terminou deixando um breve beijo em minha cabeça me fazendo sorrir.

– E o que a senhora quer dizer com isso? – indaguei a olhando ainda pelo o espelho.

– Viva, minha querida. Assim como sua mãe queria e assim como eu quero, viva. Realize as aventuras que deseja, viage pelos cantos, encontre ou caso já tenha encotrado, case com o seu amor e tenham uma vida feliz. – disse com sinceridade fazendo meu coração aquecer. – Não deixe que seus afazeres a interrompam, assim como todos, vocês têm o direito de terem suas próprias vidas, por mais difícil que isso pareça ser. Não deixe que os julgamentos a impeçam de ser quem você deseja ser, querida. – terminou fazendo um leve carinho em minha bochecha e com aquele seu tão conhecido sorriso gentil e carinhoso.

Cássia era como uma segunda mãe para mim, sempre cuidou de mim desde pequena quando mamãe ocupava-se com seus afazeres, a mulher era como se fosse uma grande amiga para a minha mãe também. Sempre nos aconselhou, nos consolou e esteve ao nosso lado. Cas é realmente uma mulher de bom coração. 

Escutei leves batidas na porta, respondi um "entre" em seguida vendo a garota de olhos esverdeados com um sorriso animado nos lábios. 

Cássia despediu-se e ficamos apenas nós duas.

– Quis vir aqui para ver se já estava pronta. – falou Samantha sorrindo, depois de todos nossos mal entendido e depois de passar algum tempo com Arthur nessas semanas, acabamos nos aproximando.

– Estou, só nervosa e sem ar. – disse mexendo minhas mão enquanto via a garota soltar um risinho divertido.

A garota realmente estava linda, com um vestido preto, leve e de mangas curtas. Seus cabelos castanhos sedosos e com uma leve maquiagem em seu rosto.

Já que era minha coroação, pude convidar algumas outra pessoas, como Samantha, Arthur, Enguerrand para que pudesse ficar de olho no mesmo e então Victoria.

– Céus, você consegue respirar aí dentro? – indagou divertida me fazendo revirar os olhos e rir em seguida. – Bom, ainda bem que eu trouxe uma surpresa pra você, mas temos que sermos rápidas. Vamos, vamos. – disse fazendo-me fica confusa, mas não conseguindo lutar contra a mesma.

Deuses, espero que eu não chegue atrasada para a coroação. 


 

{...}     



        POV Victoria


– Por que raios eu aceitei fazer isso mesmo? – indaguei irritada em tom elevado.

– Porque você me prometeu, ora! Você não é uma mulher de palavras? – disse abafado o futuro e esganado do meu irmão fora do quarto.

– Enguerrand, eu estou ridícula! – respondi ainda irritada em tom elevado, eu sabia que aquele, urgh, estava com um sorriso zombando de mim agora. 

– Vamos, irei entrar. – antes que eu pudesse o impedir, ele entrou. Me olhou de cima a baixo, sabia que estava prendendo uma risada.

– Pode rir. – disse e então o escutei soltar uma gargalhada alta, o odeio.

– Não está tão ruim como você diz estar. – ele cruzou seus braços e então se apoiou na parede, ainda com um sorriso de zombação. 

Naquele momento eu estava com um terno azul que continha uma enorme gravata branca em meu pescoço, como se fosse um príncipezinho. Estava ridículo. 

– Deixe-me trocar, por favor. – implorei, esperando que o mesmo tivesse piedade de mim.

Ele fingiu pensar um pouco e então abriu um sorriso maldoso, droga.

– Bom... então acho que você vai ter que ir de vestido. – disse segurando outro riso que provavelmente queria escapar, por Zeus, por que eu tenho um irmão?

O olhei séria e cruzei meus braços, esperando que o mesmo me dessee logo permissão para me trocar, escutei o mesmo resmungar baixo e sorri vitoriosa internamente.

– Argh, você é irritante. Adiante logo. – respondeu fechando a porta irritado, permitindo que eu me trocasse. Pude sorrir vitoriosa já que o mesmo tinha saído e então tirei aquele terno ridículo. 

Coloquei uma camisa preta com mangas que possuía alguns botões na gola e nos finais da manga, e mais uma parte do traje de couro que protegia meu peito.

Me olhei no espelho, e... É não tava tão ruim quanto o terno com a gravata gigante. Eu estava de camisa preta mais uma parte do traje que parecia um colete de terno, calça preta e sapatos da mesma cor.

Suspirei e então fechei os olhos. 

A coroação chegou rápido, pensei que fosse passar mais devagar.

Deslizei minha mão para a minha nuca e senti o desenho da meia lua com a ponta de meus dedos.

Nessas semanas Enguerrand estava me ajudando a controlar minhas emoções, principalmente a raiva. O principal objetivo? Me irritar obviamente, às vezes íamos pra Área de Treinamento onde eu tinha que me esforçar ainda mais para não me expor, o que era bastante  difícil. 

Mas até que era bom poder acertar uns socos nele de vez  enquando. 

Ri com o meu pensamento e neguei com a cabeça, até que não era ruim ter ele de volta.

– Vamos logo, príncepezinho. – chamou em tom elevado e sarcástico. – Sua princesa o  aguarda, oh, grande príncipe. – disse ainda em tom sarcástico, sabia que tinha um sorriso nos seus lábios.

Quer saber? Retirem o que eu disse.

– Eu já vou e dá pra calar a boca?! – indaguei irritada colocando o compartimento da minha espada em minhas costas.

Respirei fundo e então saí do quarto, vi meu irmão com um sorriso sarcástico e então esbarrei meu corpo propositalmente no seu, o  escutando rir e o ouvindo falar em seguida "Vamos, carrancuda."

Pelos deuses, eu vou esganá-lo.





Notas Finais


Espero que tenham gostado!! 😉💜


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