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História The Detective - Historia originais - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


A muito comecei uma história, algo que me instigou, mas acabou se tornando algo diferente do que eu desejava desde o primeiro capítulo, por isso, nunca a continuei, então, espero fazer diferente desta vez.

Espero que gostem! 💕

Capítulo 1 - Piloto



5 de maio de 2009.

Um garotinho perambulava pelas florestas que circundavam a casa de campo de seus avós, a neve caia rala e singela, banhando o verde musgo das plantas com uma fina camada de branco perolado pela luz do fim de tarde.

Ele começou a correr afoito, sentindo o ar frio como pequenas agulhas contra sua pele, se sentia livre, feliz ao ganhar mais e mais velocidade, ele não prestava atenção no caminho que seguia ou na estrada de terra que suavemente se inclinava para virar uma ladeira, que a essa altura já estava branca pela camada superficial de gelo.

A própria distração infantil foi sua perdição.

Um piso em falso em uma pedra já coberta pela neve fez com que o menino escorregasse, ele deslizou impiedosamente, identificando, em seu desespero, a estrada se tornando uma rampa, que ficava cada vez mais íngreme.

Por sorte, ou azar, o fim da ladeira fez o garotinho pousar em um lago, a água, extremamente gélida devido ao começo de inverno, acabou por amortecer sua queda. Logo, ele percebeu que o lago se tratava na verdade de um rio, rio cujo seu avô lhe contara mais cedo, através de uma canção que ele mesmo escreveu, ele possuía uma correnteza fortíssima, forte demais, quase extraordinária, que levava as águas por um longo percurso até se transformar em uma bela queda d'água.

Uma cachoeira, que em poucos minutos, levaria o garoto ao seu fim.

Era profundo e cobria o menino com facilidade, rapidamente ele sentia suas articulações amortecerem devido ao frio. Suas habilidades com o nado eram limitadas, e sua pele, sensível demais para aguentar a temperatura por muito tempo.

Ele sentiu que sua respiração pesava, tentava ao máximo bater seus braços ou boiar em direção da borda, porém com o tempo ele desistiu, percebendo que o esforço excessivo apenas o deixaria mais e mais esgotado.

Quando ele achava que não teria mais escapatória ouviu um barulho alto ao seu lado, um "splash", um fio de esperança, ou talvez, um caminho mais curto para a morte eminente. A água respingou por cima de si e ele sentiu braços esguios ao seu redor.

- eu peguei você - uma voz feminina, ofegante, murmurou perto de seu ouvido, ela parecia ter corrido uma maratona antes de tê-lo encontrado se afogando.

A criança queria agradecer, mas seus olhos pesavam e era estranhamente difícil puxar o ar até seus pulmões, eles pareciam congelados e por um momento ele pensou ter esquecido de como se respirava.

A garota, ou mulher, o jogou para fora do rio, subindo logo depois, o choque não o permitia falar, mas ele tentava manter seus olhos bem abertos, se assustou ao ver finalmente o rosto de sua salvadora. Sua aparência era duvidosa, animalesca, mas ao mesmo tempo bela.

Ele usava os farrapos do que algum dia já havia sido uma vestido branco, suas bochechas e nariz estavam extremamente vermelhos por causa do frio arrebatador, os cabelos, de um louro dourado, emaranhados em um nó, e os olhos azuis arregalados e lacrimejando, e ela sangrava, percebeu o garoto, sagrava muito.

Possuía cortes por todo o corpo, e um grande hematoma que começava em sua testa e terminava abaixo de seu olho esquerdo, era surpreendentemente semelhante a uma queimadura recém adquirida.

- tudo be... - a garota não terminou a pergunta, soltou um grunhido ruidoso e caiu com os joelhos e cotovelos no chão ao lado do garoto.

A neve adquiriu um tom pegajoso de escarlate quando a mulher cuspiu no chão, desesperada para reaver a respiração.

O menino arregalou os olhos, só então percebendo a presença de um homem no local, "ele havia chutado a mulher?!" O garoto se perguntou silenciosamente, sem controle de seus próprios movimentos, só percebeu que se afastava quando suas costas bateram contra o tronco de uma árvore.

- você conseguiu chegar longe desta vez... - o homem proferiu, a voz baixa; fria; rouca; assombrosa, sem nenhum sentimento ou remorso nas palavras.

O homem a levantou com os braços, deixando-a suspensa no ar contra seu próprio corpo, a mulher olhou nos olhos do menino, vendo nele suas últimas esperanças.- fUJA! - gritou com a voz esganiçada - diga a polícia que ele nos mantêm em... - a mulher parou de falar, puxando o ar sem sucesso, e logo depois caindo de cara no chão.

A neve ao seu redor ganhou uma coloração rubra em segundos, o homem havia cortado sua garganta com uma faquinha de caça, o menino gritou, os olhos alternando entre a mulher desfalecendo a sua frente, o rosto do homem e a sua mão, pendendo com o canivete ensanguentado.

Ele tinha uma tatuagem de uma rosa na punho que segurava a arma, uma barba grande e com aparência pútrida, os olhos extremamente acinzentados e arregalados em direção da criança, ele apertou a faca na mão e andou a passos curtos e lentos em direção do garoto, mas antes que ele pudesse abria a boca outra voz se fez presente, uma voz conhecida pelo menino, e que o fez voltar a respirar por um momento.

- Daniel?! - era seu pai, gritando por ele, indo ao seu socorro, indo salva-lo, ele pensou aliviado.

O homem se ajoelhou a sua frente e o encarou nos olhos.

- corra... - ciciou - e não pense em abrir a boca sobre nada do que viu aqui, ou eu vou atrás de você - apontou para o cadáver da mulher - e você terá o mesmo destino que a pequena Elizabeth... - O menino se levantou e deu uma última olhada no corpo a sua frente, as lágrimas esquentando-lhe o rosto em seu percurso, logo depois correndo ao encontro da voz de seu pai que ainda o chamava, ele correu como nunca havia feito antes, a adrenalina impregnando sua circulação sanguínea, até que, finalmente, ele estava de volta aos braços aconchegantes de seu pai.



11 anos depois.



Daniel's p.o.v

Um murmúrio, e ela estava lá novamente, seu rosto cálido e belo porém esguio e sôfrego, e de um momento para o outro ela não estava mais lá. Havia sangue, neve e sangue, o tom de rulge manchava minhas mãos, eu não havia cortado sua garganta, mas eu era o culpado.

Um garoto estupido que achou que correr na neve do topo de uma ladeira ao córrego era uma ideia coerente, minha imprudência causou a morte de uma jovem garota, ela poderia ter conseguido fugir se não fosse por meu erro, mas agora, brilhava cintilante, como um anjo a minha frente.

Da minha própria boca saia a voz inconfundível do homem que cortou sua garganta, ela gritava de joelhos me implorando por misericórdia, e eu queria dar-lhe, mas meu corpo não me devia a obediência.

De um momento para o outra ela já estava morta, me ajoelhei ao lado de seu corpo aos prantos, uma mão acariciando seus cabelos dourados, a outra tentando estancar seu sangramento, mas já era tarde demais, senti um toque em meu ombro e gritei.

Gritei o mais alto que pude.

- caralho, Dan...! - virei minha cabeça em direção a voz que havia gritado assustada, finalmente abrindo os olhos, eu suava feito um porco e minha respiração era superficial e descompassada. - o quê foi, garoto?

A frente, Munique me encarava como se eu fosse um divindade, os olhos castanhos, quase negros, arregalados.

Arfei, joguei minhas costas contra a cadeira em que estava sentado e cobri meus rosto com as mãos, não era a primeira vez que eu dormia no trabalho durantes esta semana, e muito menos a primeira delas em que acordava gritando.

Por sorte, apenas minha parceira estava na delegacia durante a minha crise de hoje, chacoalhei minha cabeça de um lado para o outro como um animal molhado e soltei um leve rosnado involuntário.

A área ivestigativa estava fechada hoje, e por isso apenas os lunáticos pelo trabalho estavam na sede agora, isso inclui uma cota limitada de pessoas, que se resume a mim e a Munique, dois solitários que não tem lugar melhor para ir durante o feriado.

- eu te fiz uma pergunta, williams! - me levantei para poder encara-la de cima, o que apenas a fez estufar o peito, sorrindo sarcasticamente, em um sinal claro de que não iria se dar por vencida tão fácil.

Bufei desistindo de fazê-la recuar pela intimidação.

- não enche... - murmurei e segui em direção a sala de arquivos, não sem antes esbarrar meu ombro em Munique, propositalmente, durante o percurso.

Ela apenas riu com ironia, revirei os olhos, por algum motivo extremamente irritante ela tem um prazer assumido em desafiar-me.

Eu era o detetive chefe da grande Scotland Yard, e não devia explicações sobre meus demônios pessoais para nenhum dos meus subordinados, mas apenas pelo simples motivo de trata-los com o devido respeito, sempre acabava com minha autoridade minada por algumas raras exceções, Munique sendo uma parte significativa dessas, obviamente.

Entrei na sala de arquivos e tranquei a porta, juntei toda a ira guardada pela semana e esmurrei uma das prateleira de metal a minha frente, logo depois apoiando minhas testa no mesmo local, sentindo o cheiro metálico do sangue que agora escorria pela minha mão direita.

Eu estava ficando louco, podia sentir, estava a um passo de descobrir o que exatamente aconteceu naquela floresta... por que aconteceu.

Mas sempre que estava quase lá algo me fazia empacar, uma prova faltando, uma peça que não se encaixava, uma foto que fazia tudo se invalidar, um novo caso urgente que meu chefe me passava, meus arquivos literalmente sumindo de meu computador, tudo, tudo parecia ruir para a desgraça desta operação, o caso de minha vida.

Não só por eu ter a sensação de que seria o maior caso que eu poderia resolver durante minha carreira, ou por quê eu poderia ganhar uma promoção gorda ao solucionar-lo, mas sim por quê eu tinha que descobri o que aquilo havia significado.

Estava ligado a mim, cravado em meu peito como uma faca ensanguentada que não deixou minha pele, e agora estava cicatrizando junto a meu corpo.

O diálogo estava claro como cristal em minha mente, "você conseguiu chegar loges dessa vez.." E "diga a polícia que eles nos mantêm em...".

Aquilo não havia sido apenas mais um homicídio, aquilo era algo muito maior, e isso estava me consumindo por dentro.

Mas o "eles nos mantêm" era o que mais me incomodava, quem eram "eles"? e "nos mantêm", haviam mais do tipo de Elizabeth? E qual era o tipo de Elizabeth? Ela fazia parte de algo, mas o que? Droga, O QUE??

- pense! - rosnei para mim mesmo enquanto batia minha cabeça na estante repetidas vezes, mas não adiantava, quanto mais eu tentava, mais parecia inútil.



◇◇◇



Enquanto isso, a centenas de quilômetros da delegacia de polícia metropolitana de Londres, uma garota gritava - clamava - por socorro, por uma salvação.

Uma tapa foi depositada em seu rosto, ela sabia que aquilo deixaria uma marca quando até sua próprias lágrimas contribuiam com o ardor.

- você estava tentando fugir, não estava?! - ele gritou e outro tapa foi depositado em seu rosto, dessa vez com mais força, mais precisão - ASSIM COMO A PUTA DA SUA MÃE FEZ, NÃO É?!

ela apenas conseguia chorar em resposta, tentou correr, mas suas estúpidas pernas fraquejaram e ela caiu novamente sobre o chão de madeira vermelha.

Em um movimento ela estava de pé novamente, sendo segurada pelas repugnantes mãos do líder, ele a empurrou contra a parede amadeirada da cabana, a segurando pelo pescoço.

- eu vou lhe ensinar uma lição, vadia. E você nunca mais vai esquecer... - ela fechou os olhos, e relutantemente aceitou seu destino.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, e até o próximo!💕


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