História The Devil and I - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Haikyuu!!
Personagens Hajime Iwaizumi, Kenma Kozume, Tetsurou Kuroo, Tooru Oikawa
Tags Iwaizumi Hajime, Iwaoi, Kozume Kenma, Kuroken, Kuroo Tetsurou, Oikawa Tooru, Shirabu Kenjirou, Tendou Satori, Ushijima Wakatoshi, Ushishira
Visualizações 94
Palavras 2.833
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Chapter X


A clarividência é uma habilidade concebida apenas para um grupo específico, sendo necessário a disposição genética e um grande conhecimento para adquirir o seu controle. A probabilidade de se encontrar alguém com tal individualidade é muito pequena e apenas uma pessoa naquele salão a possuía. Essa habilidade permite ver além do tempo e espaço, da barreira do material e com melhor clareza o espiritual. O que dispensava o acesso a qualquer memória ou a mente dos outros, era apenas preciso estar próximo que todo o histórico de vida podia se abrir para o possuidor deste dom. Uma habilidade fantástica demais para um simples humano sem descendência mágica em sua linhagem, mas que as gerações passadas o ensinou a controlar. Nem mesmo demônio conseguiam adquirir esta habilidade, a tornando rara e preciosa.

O que Oikawa sentia pelo humano não poderia ser considerado inveja. O domínio dessa habilidade iria requerer anos de treinamento, anos sendo perturbado com visões aleatórias, anos tentando controlar o que desconhecia. Se aquele humano havia conseguido ter total controle sobre sua clarividência então ótimo, dedicou seus anos de vida corretamente, mas aquele era um poder nem um pouco atrativo para o demônio. Tinha os seus pontos positivos, todo poder raro tinha, e as responsabilidades por trás deles eram muito maiores e os seus sacrifícios para mantê-los também. Estava feliz por ter vindo ao mundo como um demônio, compreender melhor os poderes que tinha e por esse não ser um deles, parecia muito problemático ao seu ver.

Naquele imenso salão, em sua extensa mesa com cadeiras dispostas ao seu redor, estavam os quatro habitantes daquela terra distante. Ushijima estava na ponta, lugar normalmente ocupado por quem tem a posição mais importante, a sua direita tinha Oikawa e Kuroo, como seus subordinados prontos para acatar qualquer ordem que lhe fossem dada, e a esquerda o humano invasor que pouco parecia se importar de estar entre os outros três. Enquanto Kuroo e Oikawa se mantinham atentos para qualquer possível ameaça que o humano pudesse apresentar, Ushijima mantinha o seu trabalho como mediador do conflito existe entre eles.

A tensão pairava no ar e era quase palpável, os dois mais novos desprezavam a presença do humano ali e por estarem sob ordens teriam que aceitar pois o mais poderoso deles o permitiu entrar em seu castelo como seu convidado. Já que o humano tinha um poder tão excepcional e apresentava informações verídicas sobre eles, deixou a curiosidade aflorar pois a questão mais intrigante era a dele estar ali e falar sobre um tal portal. Para Oikawa e Kuroo aquilo não significava nada, mas a mera menção dele fez Ushijima ser menos hostil com o convidado.

Assim que chegaram ao castelo o humano fez questão de se apresentar, pois ele sabia tudo sobre os seus anfitriões e eles tão pouco a respeito de si. Ele se apresentou sendo Tendou Satori, vindo de uma terra longínqua, vagando por entre os reinos por ter um integrante de sua família amaldiçoado. A maldição envolvia mutações aos quais desfigurava o afetado e as gerações seguintes continuaram a ser afetadas, porém em um grau menor. Sendo ele a quarta geração a receber a maldição, seu único efeito era a tonalidade avermelhada nos olhos. Graças a essa mutação, seus ancestrais foram impedidos de viver harmonicamente em sociedade e foram expulsos de seu grupo. A vida já era complicada por pertencerem à sociedade cigana e com o bônus da maldição tornava tudo pior, forçando-os a se afastar do convívio humano. Os laços familiares era a única coisa que mantinha-os unidos e conforme se passava o tempo ia se separando devido às fatalidades da vida, sobrando por fim apenas Tendou e seu pai. Quando eram obrigados a ter que entrar em algum vilarejo, o mais novo brincava e assustava quem chegasse perto usando todas as diversidades que lhe foram herdadas. Aprendeu desde cedo a desconfiar dos outros e usar suas habilidades para sobreviver. Logo após a morte de seu último familiar, ele vagou pelas florestas, às vezes se aproximando de qualquer aglomerado populacional e adquirindo algum bem através de suas visões. Em sua perambulação pelos reinos notou a aproximação de perigo, a abertura de um portal. Dele sabia que saiu um demônio e, como muitos outros, suas intenções não eram nada boas. Como procurar refúgio em um dos reinos estava fora de cogitação, usou sua lógica e concluiu que o mais seguro seria ficar entre outros demônios que sabia que não fariam mal algum a ele. Foi assim que ele acabou encontrando aquele lugar.

Mesmo que alegasse estar dando informações totalmente verdadeiras, Oikawa ainda não confiava nele. A forma como o tratava, o provocava, tudo atrás de um tom brincalhão era o que mais irritava. Queria expulsá-lo de suas terras e manda-lo procurar abrigo em outro lugar, não era digno de estar ali entre eles. Sabendo que sua sugestão seria descartada por seu mestre, fez o máximo para não contrariá-lo e aceitar o convidado. Ao menos Kuroo poderia sair dali a hora que quisesse e voltar para o pântano que pertencia, aquele foi o momento em que mais o invejou.

- Você mencionou um portal, hm? - Ushijima questionou o ruivo ao seu lado vendo-o acenar em concordância.

- Isso mesmo. - Tendou confirmou. - Faz pouco tempo, consegui sentir a energia emanada dele. Acredito que foi aberto nas próximas do reino de Aoba Johsai e Datekou.

Assim que ouviu o nome de seu lar natal, Oikawa passou a se atentar a conversar. Algo poderia ter acontecido com seu antigo reino, ou pior, com Iwaizumi. Seu coração apertava diante a possibilidade de algo ruim ter ocorrido com a abertura do portal e a presença de um novo demônio.

- Como pode ter certeza de que era um portal? - Dessa vez Oikawa interveio, ele não conseguia acreditar em uma única palavra dita pelo humano.

- Eu consigo ver, sabe? - Oikawa agora tinha sobre si os olhos avermelhados do humano, o analisando, o julgando. - Não só no momento como também no futuro e o futuro não era nada harmonioso.

- Viu o demônio que saiu de lá? - Ushijima mantinha a sua postura e seguia com um interrogatório mais ameno.

- Foi muito para mim descobrir o que aquela energia significativa. - Tendou admitiu. - Não sei quem foi ou como era, sinto muito.

- Isso é besteira! - Oikawa se irritou com a falta de detalhes, elevando o tom vocal e batendo com ambas as mãos sobre a superfície empoeirada da mesa, recebendo a atenção dos outros três ocupantes do recinto. - Você não passa de um mentiroso interesseiro. - Rosnou por fim, dando as costas para os outros ali presentes.

Oikawa saiu do salão, vagou pelos corredores, se sua mente estivesse em pleno estado então teria consciência de onde iria, mas esse não era o caso. Apenas sentia a necessidade urgente de deixar aquele lugar, de parar de ouvir aquele humano desprezível. Seu sangue fervia e seu coração batia cada vez mais rápido, estava fora de si. Não pela presença do invasor no castelo, não pela confiança extrema que seu mestre mostrou por ele, mas sim por suas palavras. Tendou, ou como assim se denominava, mostrou uma verdadeira habilidade quando expos os medos e segredos dos dois demônios nos limites do reino e, por mais que custasse a aceitar, acreditou em suas palavras. Estava a se detestar por isso, mas acreditou. O que levou a perdeu todo o seu autocontrole foi a informação em si.

Aprendeu muito com Ushijima nos últimos anos, tinha mais conhecimento de si, de seus poderes e de seus semelhantes, talvez por isso tivesse ficado tão incomodado. Sabia agora que não era qualquer demônio que tinha intenções de ter uma relação harmoniosa com os humanos ou qualquer outra criatura viva, os que ainda existiam não tentavam se aproximar e quando o fazia os resultados não eram bons. Depois de tanto tempo deu a entender que finalmente tinham encontrado uma maneira de coexistir, de mudar os conceitos impregnados na mente humana de que todos eles estavam ali para criar o caos, a chegada de outro poderia mudar as coisas afinal aquele equilíbrio era muito delicado.

O mais importante era o fato do novo demônio ter surgido muito próximo do reino em que cresceu, de seu lar, de seu Iwaizumi. Este detalhe era enlouquecedor. Sentia em seu peito o desespero crescer, a vontade de deixar tudo para trás e ir em busca de seu amigo apenas para saber se ele estava bem, se ele ainda estava vivo. Era angustiante ficar naquela dúvida. Precisava dar um jeito de sair dali, de voltar ao reino de Aoba Johsai, de encontrar o seu amigo. Sabia muito bem que não era um escravo preso naquele lugar, que tinha a liberdade de ir e vir, Ushijima não se importava contanto que fosse informado sobre os planos de seu aprendiz.

Sua mente se perdia diante de todas as informações e possibilidades, era como um tornado que o devastou deixando um rastro de destruição. Agora sentia seus olhos arderem e o fôlego faltar, obrigando-o a diminuir o ritmo de sua fuga. Acabou por notar que havia chegado do outro lado do castelo, escuro e sombrio, o silêncio macabro sendo destruído pelo som de seus passos, a escuridão tomando cada canto com o avançar da noite. Por um instante invejou aquele lugar, talvez fosse a primeira vez que o fizesse, desejando que seu interior fosse tão vazio e tranquilo quanto ali era. Se dirigiu para uma das portas, caídas e podres, não aguentariam permanecer ali com uma tempestade mais forte, saindo do interior do castelo e chegando à sacada. Aos poucos sua corrida virou uma caminhada, sua respiração desregulada se encontrava com o ar fresco, as estrelas espalhadas pelo céu começavam a aparecer na escuridão. Suas mãos se apoiaram no parapeito, dali sua visão alcançava as copas das árvores mais longínquas, tudo ali trazia um pouco de paz para Oikawa.

Com um pouco de controle em sua respiração e foco, conseguia aos poucos se recuperar. Ainda sentia que tinha recebido muitas informações, mais do que gostaria e poderia aguentar, mas elas eram essenciais para ele. Sabendo o quanto antes sobre um outro demônio poderia então criar um plano de ataque ou encontrar um método de proteger Iwaizumi. Aquele novo demônio também não deveria ter conhecimento de si ou de Kuroo ou de Ushijima. Os três poderiam ser uma combinação forte o suficiente para derrotá-lo. Se aquele era um iguais a eles? Isso nem se passou pela mente atormentada de Oikawa. Ele tinha conhecimento de que seu mestre tinha saído do mesmo buraco que aquele e, durante todo o tempo que esteve ali, Ushijima jamais mencionar uma palavra sobre o lugar a qual pertencia. Uma vez sua curiosidade o fez questionar e sua resposta foi uma advertência para nunca tentar descobrir. Deveria ser no mínimo horrível, concluiu.

Oikawa não sabia se em algum momento de seu passado estivera lá, suas memórias sempre foram de viver pela floresta, de estar naquele mundo, de fazer parte deste lugar. Talvez tivesse nascido ali, ser um fruto daquele ambiente como as árvores, os animais e até mesmo os humanos. Talvez por ser uma criatura crescida nestas condições nunca tivera um pensamento ruim ou cruel conforme todos os aldeões e cavaleiros pensavam. Era um pouco triste não saber de onde veio ou quem eram seus familiares e ancestrais, mas em um momento como aquele nada disso importava. Quisessem os habitantes do reino de Aoba Johsai ou não, ele era um deles e iria proteger o seu lar e a pessoa mais importante que tinha lá.

Saiu de seus devaneios apenas quando escutou passos a se aproximar. Percebeu então que agora tinha anoitecido por completo, não tinha sentido o passar do tempo, fora tão rápido, deveria ser mais tarde do que pensava. Oikawa não precisava se virar para saber quem era, apenas sua presença tranquilizadora o fez saber. Os passos ficavam cada vez mais altos indicando a diminuição da distância entre eles, parando quando o outro se encontrava ao seu lado. Oikawa levantou o rosto, virando-o para encontrar com a figura de seu mestre. Ushijima estava a observar o horizonte, ele transmitia calma e compreensão sendo assim desnecessário que falasse algo. Era tudo questão de tempo para o juízo retornar a si e sua mente se acalmasse.

- Como pode confiar tanto nele? - Foi Oikawa quem quebrou o silêncio, sua voz delatava a sua mágoa pelo outro ter sido solícito com o humano.

- Ele não deu motivos para o contrário. - Ushijima mantinha a calma ao falar e aquilo irritou seu aprendiz.

- É tudo besteira. - A frase não passou de um sussurro indignado, o que não passou despercebido por ambos.

- Não tem como você saber. - Ushijima mantinha seu controle, sempre o fazia quando falava com seu aprendiz. A verdade era que Oikawa nunca viu seu mestre perder a calma durante todo o tempo que esteve ali e ele já havia dado motivos suficientes para tal. - Ele tem uma poderosa barreira mental, fora do comum para um humano, mas lhe dá acesso se pedir e então pode verificar a veracidade de suas palavras.

- Ele te permitiu que visse? - Oikawa conhecia aquela técnica, foi assim que pode descobrir alguns pontos do passado de seu mestre assim como ele descobriu sobre o seu. Viu então Ushijima acenar em concordância antes de retomar a fala.

- No caminho para o castelo.

Não tinha como Oikawa se sentir mais ofendido com aquele fato. Passou o percurso todo entre a saída do reino até a chegada ao castelo seguindo Ushijima e Tendou que andavam mais à frente e não viu em momento algum uma única troca de palavras ou olhares entre os dois. Quando estivesse novamente com Kuroo iria verificar se ele tinha percebido algo.

- Continuo não confiando nele. - Oikawa sussurrou outra vez, ainda indignado.

- Um portal não é algo simples de abrir. Não é algo que qualquer um poderia criar ou passar. - Ushijima explicou ao seu discípulo esperando que ele compreendesse a delicadeza da situação. - Tendou mostrou com tanta clareza que é impossível dizer que foi uma mera criação de sua mente.

Aquela era a primeira vez que Oikawa ouvia falar de um portal. Sabia que demônios vinham de algum lugar, que não eram naturais daquelas terras, mas de onde eram, mais especificamente, não tinha a mínima ideia. Parte disso vinha de sua falta de vontade em descobrir, era maciçamente sobrecarregado de informações sobre seus poderes e suas capacidades que o interesse de saber da onde vieram acabou se perdendo. Aquele também parecia com um assunto que Ushijima não estava muito disposto a falar já que o tópico nunca surgirá em uma de suas conversas. Algo dentro de si o deixou intrigado, talvez tivesse passado tempo demais com seu mestre e o fez adquirir essa nova característica, e quis entender melhor a funcionalidade, mas não por agora. Agora tinha preocupações, tinha o que temer e precisava calcular atentamente os seus próximos passos.

- Eu tenho que saber se Iwaizumi está bem. - A mente de Oikawa só se voltava a isso, precisava a todo custo saber se seu amigo estava seguro.

- Você é livre para ir.

Nunca houve de fato um acordo entre eles para Oikawa estar ali. Ele chegou em um dia, cansado e esperançoso de encontrar algum semelhante depois de tantos dias de viagem. Ushijima não o questionou, muito possivelmente lera a sua mente como se fosse um livro aberto, o que de fato era na época, e permitiu que ficasse. Na verdade fez muito mais, o instruiu e o aconselhou, tornando o que era hoje. Se quisesse ir tinha a permissão, mas por todo o respeito que passou a ter pelo outro, o mínimo que poderia fazer era informá-lo.

Teria agora que pensar no que fazer a seguir. Tinha alguém muito mais poderoso que ele a solta e também tinha muito o que perder. Seria uma longa viagem de volta às suas origens, de volta ao reino de Aoba Johsai. Aparecer por lá depois de tanto tempo longe seria imprudente, ainda mais se lhe faltasse um plano. Sabia que não poderia contar com Ushijima, seu mestre não saia de suas terras e não iria entrar em uma briga com outro demônio sem conhecê-lo previamente. Suas opções estavam com Kuroo, o controle de seus poderes era superior e suas habilidades de batalhas eram boas, precisava dele.

Oikawa não era ingênuo ao ponto de achar que escaparia de alguma disputa apenas para garantir a segurança de Iwaizumi. Podia não saber dos objetivos daquele demônio invasor, mas estava certo de que não eram das melhores. Caso contrário aquele irritante humano não estaria ali. Teria que agir, teria que estar bem preparado. A partir desse momento o tempo estava a correr contra ele e o seu instinto o dizia que era melhor estar pronto porque quando chegasse teria que lidar com alguém bem mais poderoso.


Notas Finais


Eu tenho um pequeno defeito que é querer dar backstory para todos os meus personagens. Como não posso meter tudo na fic fica a difícil missão de encaixar o que posso da história q
Outro pequeno defeito é que comecei a pesquisar um monte de coisa sobre RPG para me ajudar a desenvolver melhor alguns elementos e acredito que foi um erro. Essa fic é um erro q
Toda vez que revisei esse capítulo acabei por mudar algo e no fim não sei se o resultado final está coerente com o que eu queria mas se eu ficasse nessa de continuar a revisar até o resultado final me agradar nunca que ia postar. But anyway, não achei divertido deixar uns mistérios e vocês conseguirem decifra-lo, vou trabalhar mais para manter as coisas mais enigmatísticas hehehe n
Espero que gostem e nos vemos em breve (?) <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...