História The Divorce (Jikook) - Capítulo 9


Escrita por: ~ e ~Mozomi_Chan

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Bangtan Boys, Bangtan Sonyeondam, Beyond The Scenes, Bts, Chimchim, Hopemin, Jihope, Jikook, Jimin, Jungkook, Kook, Kookmin, Kpop, Park Jimin, Taekook, Vkook
Visualizações 561
Palavras 3.483
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - IX


Fanfic / Fanfiction The Divorce (Jikook) - Capítulo 9 - IX

Jungkook entrou no quarto com uma leve batida à porta para anunciar sua chegada. Jimin virou-se para o espelho para dar uma última olhada e não conseguiu decidir se gostava ou não do que via.

Mãos nervosas alisavam a calça do moderno terno pelo qual optara. Era de seda e descia sensual pela figura esbelta, sem marcar muito as formas. O rosto  estava límpido e natural, os sapatos social combinando com a cor da roupa.

- O que acha? - perguntou a Jungkook.

Jungkook não respondeu. Assim, Jimin se voltou para olhá-lo e levou um susto quando deparou com o homem dos sonhos desejado por muitos. Jungkook descartara o terno preto convencional em favor de um paletó branco, calça de microfibra preta e gravata-borboleta no mesmo tom. Magnífico. Esse era o termo.

Jungkook o fitou de cima abaixo.

- Impressionante. Perfeito.

"E você também", Jimin ia dizer, mas, quando ele se aproximou, Jimin notou que Jungkook segurava a caixinha de jóia de veludo, que reconheceu-a de imediato.

- Então... você trouxe de volta - balbuciou, nervoso.

- As relíquias de família? - Sorriu. - Sim, amor. Com um rápido movimento do dedo, Jungkook abriu a tampa e deu a Jimin alguns segundos para observar o relógio de ouro, salpicado com cristais de safira , que Jimin achara tão lindo da primeira vez em que vira. Mas aquilo fora antes de Hyunji ridicularizá-lo, dizendo que a peça era uma preciosidade, que seria desperdiçada em Jimin.

- Me de o pulso - comandou Jungkook.

- Eu... o devolvi para você. Não quero...

- Hoje foi um dia preenchido com muitas segundas chances, Jimin. Por isso estou aqui, devolvendo-o a você. Ficará incrível com esse traje, não acha?

Talvez ficasse.

- Mas...

Jimin olhou-o e teve vontade de dizer: "Vamos voltar para a cama, para o lugar onde me sinto seguro com você".

- Não acha que usar essa peça hoje seria como atirar no rosto de sua família o fato de que estou de volta?

- Acontece que está de volta, amor. Você é meu esposo. Eu lhe dei esse relógio e quero que use. Portando, me de o pulso.

Sem alternativa, Jimin obedeceu. O relógio circulou o pulso como se tivesse sido feito especialmente para estar ali.

- Um novo começo para nós dois significa um recomeço para todos, amor. - Jungkook beijou-lhe de leve a mão.

Jimin olhou por inteiro mirando-se no espelho. O marido estava certo sobre como a peça ficaria bem com aquele traje, concedeu, relutante.

- Ainda acho que usá-lo pode significar uma tentativa de agredi-los, Jungkook.

Estendendo a mão, ele passou o dedo sobre o relógio. - Acho que vou me divertir muito, de hoje em diante.

Jungkook estava falando sobre sexo com Jimin, insinuando que ele mais tarde usaria nada além do relógio de ouro. Deu-lhe um beijo no pescoço, e Jimin se arrepiou.

Desceram a escadaria de mãos dadas e encontraram Eunbi no hall, parecendo tão bonita em seu vestido prateado que Jimin parou para admirá-la.

- Oh, mamãe...

O nervoso retornou quando pararam no estacionamento de visitantes da mansão dos Jeon. Eunbi recusou-se a usar a cadeira de rodas, embora não pudesse dispensar o uso do andador. De qualquer forma, mostra-se alegre e determinada a se divertir.

Jimin desejou poder encontrar a mesma motivação. A mão de Jungkook envolvia-lhe sua mão, conferindo-lhe um pouco de segurança.

Foi apresentado ao sr. e à sra. Lee e a Chohee, filha deles, que era uma jovem adorável de cabelos escuros e olhos sorridentes. Os três receberam Jimin com polidez, mas com evidente curiosidade, independente do quanto estivessem tentando esconder o fato.

O sorriso de Junghyun foi simpático quando o cumprimentou:

- Que bom vê-lo aqui, Jimin! - E beijou-lhe o rosto. Aquilo ajudou-o a enfrentar o próximo momento, quando teve de encarar a mãe de Jungkook.

Jeon Eunsook parecia tensa e sem graça ao cumprimentar o genro. Foi amável com Eunbi, e demostrou uma preocupação genuína, sobre o acidente, prometendo passar mais tempo com ela depois, para saber os detalhes do que ocorrera.

- Viu? Ela não é tão má assim - sussurrou Jungkook, quando eles se afastaram de Eunsook.

- Só porque você a preveniu.

Jungkook não respondeu, mas irritado soltou a mão dele.

Sentindo-se de repente renegado ao acaso quando entraram na enorme sala de recepção, Jimin teve de lidar sozinho com uma centena de rostos virando em sua direção.

Jungkook podia ter prevenido os familiares, mas não conseguira avisar a todos, Jimin decidiu, quando um burburinho de repente chegou-lhe aos ouvidos.

Foi horrível. Ele experimentou aquela velha sensação e teve vontade de desaparecer.

Eunbi chegou do outro lado de Jungkook, chamando-lhe a atenção;

- É nosso momento de fama, Jungkook? - Eunbi não era tola, sabia muito bem o que estava acontecendo ali.

Uma das mãos de Jungkook cobriu a da sogra, que se segurava no andador, a outra foi para a mão de Jimin outra vez. Então, Jungkook empinou a cabeça e encarou a multidão, o que silenciou os murmúrios no mesmo instante.

Foi um choque para Jimin ver quão forte era o comando que seu marido exercia sobre aquela ilustre assembleia. Jungkook não era respeitado daquela maneira da última vez que Jimin estivera ali. Aqueles três anos de separação deram a ele alguma coisa extra.

Sem uma palavra, Jungkook os guiou em direção a um dos sofás próximos e convidou Eunbi a se acomodar. Ela meneou a cabeça. Tal mãe, tal filho, pensou Jimin. Nenhum dos dois iria permitir-se recuar ali.

Um garçom apareceu com taças de champanhe. Jimin aceitou uma.

- Tudo bem? - Jungkook indagou.

- Sim...

- Jimin!

O som de seu nome o fez virar-se e emitir o primeiro sorriso sincero até então. Yunmi estava se aproximando, entre seu avô gigante e um outro homem que Jimin presumiu ser o novo marido dela.

- Isso é bom demais para ser verdade! - exclamou Yunmi. Jimin e Yunmi trocaram um abraço caloroso e sincero. Jungkook cumprimentava seu tio, Jackson, e apresentou-o a Eunbi. Então, Yunmi puxou o marido e o apresentou a Jimin com orgulho. Akira Sato  sorriu, com simpatia, enlaçando sua mulher.

A tensão começou a se dispersar quando as apresentações foram completadas.

- Estou muito feliz em revê-lo - afirmou Jackson, cumprimentando com um aperto de mão.

Alguém mais juntou-se ao círculo seletivo. Era a bela irmã de Jungkook, Hyunji. O cumprimento que ofereceu a Jimin foi tão frio quanto o de Eunsook. Hyunji era a caçula dos três filhos. Por toda a vida fora adorada e mimada pelos irmãos, o que a estragara e a tornara egoísta.

Jungkook via a irmã de uma maneira diferente. Mimada e egoísta ela fora, sem dúvida, três anos atrás, e sofrera demais com a morte do pai. Ela o idolatrara, e perdê-lo deixara um imenso vazio em seu coração, que esperara que Junghyun e Jungkook pudessem preencher. Quando Jungkook se casara com Jimin, Hyunji tomara aquilo como outra perda devastadora e ressentira-se de Jimin por ser o causador.

Mas Hyunji mudara naquele período. Amadurecera, e não era mais uma adolescente cheia de exigências. Embora Jungkook entendesse que Jimin não tinha obrigação de saber daquilo, motivo pelo qual Jimin agarrou-lhe os dedos quando Hyunji olhou-o e disse:

- Seja bem-vindo, Jimin. - E concluiu o cumprimento com um aperto de mão.

Quando afastou a mão, Hyunji observou o relógio brilhando no pulso do cunhado.

- Que lindo! - comentou Hyunji. - É antigo ou novo?

- Novo - respondeu Jungkook, rápido. - Eu o mandei fazer para Jimin logo depois que nos casamos. E, pelo que me recordo, ele o usou uma única vez. Não foi, amor?

- Eu... sim.

- Nós gostamos de chamar essa peça de relíquia de família. "Como sou cruel", Jungkook disse a si mesmo, com um sorriso de satisfação, quando tranquilizou Jimin com um sorriso largo, vendo os olhos arregalados da irmã. Hyunji compreendeu que estaria em apuros na próxima vez em que seu irmão a pegasse a sós.

O jantar foi anunciado. Os convidados começaram a se movimentar, e uma leve agitação tomou conta do ambiente.

Hyunji desapareceu num instante. Yunmi afastou-se com o marido. Jackson, gentil, ofereceu-se para acompanhar Eunbi.

O que deixou Jimin e Jungkook sozinhos.

- Acho que Jackson se interessou por sua mãe, Jimin.

- Não diga nada. Estou muito bravo com você para ouvi-lo - respondeu.

Jungkook fitou os olhos negros brilhantes.

- O que foi que eu fiz? - indagou, inocente.

- Não precisa fazer nada para ser uma pessoa horrível! Isso deve estar em seus genes.

Jungkook achou graça. Jimin começava a ficar zangado. E Jungkook adorava vê-lo assim. Conduziu-o para a tumultuada mesa de bufe, e a noite se seguiu.

Com uma tranquila determinação, Jungkook levou Jimim de grupo em grupo e o introduziu nas conversas de modo que ele poderia apenas descrever como uma declaração sobre a solidez do casamento deles. Enquanto fazia aquilo, também expunha outro segredo, sempre certificando-se de fazer comentários em gírias e sotaques de seul com ele.

E assim, após algumas horas, não havia uma pessoa presente que o conhecera antes que não soubesse agora que ele entendia o que eles falavam.

E Jungkook fizera aquilo com um propósito. Estava certificando-se de que todos pensassem duas vezes antes de discutir seu esposo na presença dele. Alguns pareceram desconfortáveis com a descoberta, outros simplesmente aceitavam o fato com prazer e surpresa. Outros ainda preferiram manter certa distância, o que dizia até mesmo mais o que lhes ia no íntimo.

Kim Woobin era um deles. Hyunji, claro, também. Jimin podia entender as razões de Hyunji para se manter distante, mas a atitude do advogado o confundiu.

E havia Kim Taehyung, sempre próximo a Hyunji ou a Eunsook. Jimin quase chegou a se apiedar do moço, porque não deveria ter sido fácil para ele voltar lá naquela noite, ciente de que todos iriam saber que aqueles rumores sobre Jungkook querer divorciar-se de Jimin para casar-se com ele eram falsos.

- Não acha que deveríamos ir até lá e falar com Taehyung? - sugeriu Jimin quando flagrou Jungkook olhando na direção de Taehyung.

- Para quê?

- Ele deve estar se sentindo desconfortável, Jungkook. Os boatos o afetaram muito mais do que a você.

- Taehyung parece que tem minha irmã e minha mãe para oferecer-lhe todo o conforto necessário.

O que dizia, mais ou menos, o que Jimin estivera tentando não pensar. A preferência da família não podia ser mais óbvia. Isso foi Yunmi que contou em absoluto sigilo quando se juntou a Jimin na varanda, onde tinham ido tomar um ar fresco.

- Palavra de amiga - começou Yunmi. - Tome cuidado com Kim Taehyung. Ele parece meigo e amigável, mas esconde talentos debaixo do doce sorriso. E tem um jeito de manipular as pessoas sem que elas se dêem conta. Algumas semanas atrás, convenceu Hyunji a ficar aqui para ajudar Eunsook com os preparativos para o matrimonio de Junghyun e mandá-lo em seu lugar para Hangzhou, a fim de auxiliar Jungkook com a festa de comemoração de Hangzhou. Ele quer seu marido, Jimin. E Woobin, o tio dele, quer muito essa união.

- Woobin e Taehyung são parentes? -  Aquilo era novidade para Jimin. Yunmi assentiu.

- Eles têm laços de união muito fortes, aqueles que só alguns entendem. - Sobre o que vocês estão falando? -  interrompeu Jungkook, que apareceu de repente. Um par de mãos envolveu Jimin e seus lábios aqueceram-lhe o pescoço.

- Conversa  particular é só para pessoas que estão na conversa, Jungkook. E você, querido primo, teve sorte em escapar de minha opinião. - Com aquela provocação, Yunmi deixou-os.

Ambos viraram-se para vê-la partir, uma linda criatura vestida de rosa, indo em direção ao marido, que sorriu, feliz, ao vê-la.

- Yunmi o conquistou contra a vontade dele - confidenciou Jungkook.

- Bem, acho que Akira é uma pessoa de muita sorte.

- Eu também sou.

- Não, você não é - murmurou, quando o marido começou a baixar a cabeça para tentar excitá-lo. 

- Não aqui. Você vai arruinar o pouquinho de dignidade que consegui manter até agora.

Jungkook virou-o contra a grade, para que sua enorme figura escondesse Jimin da visão dos demais.

- Está bonito com essa roupa. - Jimin correu os dedos sob a lapela do paletó branco.

- Diga-me que pareço um garçom e jogarei você daqui de cima!

O sorriso de Jimin desapareceu quando rememorou a ocasião em que dissera aquilo para ele, numa tentativa de pisar em seu ego gigantesco.

- Eu fui muito malvado...

- Não. Você me assegurou na época que tinha um fetiche todo especial por garçons. Acho que eu deveria ter me sentido lisonjeado.

Jimin o fitou com imenso carinho.

- Eu te amo.

Os ombros de Jungkook tencionaram, o corpo todo recuou, o aperto na cintura de Jimin tornou-se mais forte.

Jimin começou a tremer, porque aquilo fora algo muito perigoso para ter sito dito em voz alta, porque o comprometia demais. Colocava-o tão vulnerável para ser ferido de novo que a garganta se fechou num misto de emoções que ameaçavam transformar-se em lágrimas. Jimin podia sentir o esforço que Jungkook fazia para não responder aquilo de maneira apaixonada. Um simples "eu também amo você" o teria ajudado naquela situação.

- Retirarei o que disse, se você quiser!

- Não, Jimin. Apenas não fale de novo enquanto eu...

"...lido com isso", Jimin finalizou consigo mesmo. Aquilo era tolo, era estúpido. Eles eram adultos e não havia razão para se torturarem em público. Não aguentou ver o olhar reluzente no rosto de Jungkook e desviou-se. Uma onda de sensações parecia ter desequilibrado a ambos.

Bem que podiam estar sozinhos. Deviam estar sozinhos. Jimin respirou fundo. Jungkook o puxou de encontro ao peito.

- Não me beije, Jungkook!

- A grade ainda está muito tentadora.

Um intenso calor percorria o corpo de Jimin. A chocante evidência de que Jungkook estava em brasas tirava-lhe o bom senso. A música, as risadas e o rumor das conversas continuavam ao redor deles. Em um minuto, suspeitou Jimin, iria encontrar-se estendido no chão com aquele homem grande, doce e sofisticado em cima dele.

- Toda a docilidade e luz. Todos os sorrisos e respostas calmas para todos os demais. Os cabelos estão lindos e arrumados. Desde quando você cedeu a essa convenção? Os convidados olharam diversas vezes a versão refinada do belo Jimin, mas tenho de ter o atormentador feiticeiro!

- Continue falando - Jimin o encorajava, mas começava a ficar com raiva.

- Desde o momento em que o vi pela primeira vez, com essas suas pernas sensacionais, vivo excitado como uma pessoa perdida de amor.

- Você então ousa usar a palavra "amor"?

- Sempre amei você! Desde que flertamos sobre o teto da Ferrari, e continuei amando-o depois de você ter me deixado, consumindo-me por esses três longos anos.

- Três anos consumindo-se... Não vi nenhuma evidência disso.

- Nós já conversamos sobre o assunto.

- Trouxe-me de volta aqui para se divorciar de mim, Jungkook.

- Aquilo foi um pretexto.

- Já tinha até escolhido seu próximo esposo

- Sou arrogante, lembra-se?

Antes que Jimin pudesse responder, um som atrás deles os fez se virar ao mesmo tempo. O coração de Jimin quase parou de bater quando viu a sogra a alguns passos deles. Que impressão eles estavam dando? De duas pessoas travando uma batalha? 

"Deus, ajude-me!", pediu em silêncio.

- Desculpem-me a intromissão. - Muito séria, Eunsook se dirigiu ao genro: - Estou preocupada com sua mãe, Jimin. Jackson está dançando com ela e tenho medo de que o entusiasmo de ambos a prejudique.

Um único olhar através das portas duplas para dentro da mansão foi o necessário para confirmar que a preocupação de Eunsook tinha fundamento. Jackson, o senhor de setenta anos, estava usando o andador como suporte. O homem flertava descaradamente. Eunbi ria, muito divertida, mas até mesmo dali de fora, Jimin podia ver o esforço começando a refletir no semblante da mãe.

- Irei até lá... - Começou a andar, mas Jungkook o deteve.

- Não, deixe que eu vou.

Sem dar-lhe tempo para reagir, Jungkook beijou-o nos lábios e saiu, parando apenas para dar um beijo no rosto da mãe.

E num minuto Jimin se viu a sós com uma mulher que não gostava dele nem um pouco, O desconforto tornou-se uma coisa tangível que manteve os dois imóveis e calados.

- Meu filho admira demais sua mãe - Eunsook quebrou o gelo com a pequena observação.

- Sim. E mamãe o quer muito bem, também.

Ele não quis dizer aquilo para censurar seu próprio relacionamento com a sogra, mas pelo visto Eunsook entendera assim, pois ficou tensa e virou-se para sair.

- Não, não vá, por favor - murmurou Jimin, num impulso.

A sogra estacou.

Uma dor profunda atingiu o peito de Jimin. Aquilo era para ser tempo de descobertas novas e, para salvar seu casamento com Jungkook, ele sabia que tinha de tentar estender a mão da amizade.

- Vocês estavam brigando de novo.

- A senhora entendeu mal o que viu. - Jimin ofereceu um sorriso cauteloso. - Estávamos, na verdade, nos acariciando. Isso sempre foi assim entre nós. Causamos faíscas um no outro. Às vezes acho que poderíamos acender o mundo todo com a energia que podemos gerar. Embora eu entenda por que a senhora não tenha visto dessa maneira.

Eunsook levou alguns segundos para absorver tudo aquilo. Em seguida, suspirou, e um pouco do nervoso desapareceu.

- Entendi que você aprendeu um pouco de nosso linguístico durante o período em que esteve aqui, da última vez.

- Sim.

- Nesse caso deve ter ouvido coisas que não deveriam ter sido ditas.

Baixando o olhar, Jimin assentiu.

Eunsook deu alguns passos e encostou-se na grade ao lado dele.

- Meu filho o ama, Jimin. E a felicidade de Jungkook é tudo o que me importa. Porém, as brigas de vocês... costumam me esgotar.

"Não tanto quanto a mim." Jimin recordava quando as faíscas não eram mais de amor apaixonado.

- Quando você partiu, fiquei aliviada. Mas Jungkook não sentiu o mesmo. Parecia tão infeliz aqui que resolveu ir para a China numa viagem de negócios e não retornou. Sentia muito sua falta.

- Também senti saudade dele.

- Eu sei. Meu filho quer que sejamos amigos. E também quero muito isso, Jimin.

Entretanto o tom de Eunsook evidenciasse que ela ia ter de trabalhar duro para conseguir aquilo.

Jimin sorriu, o que mais poderia fazer? Sua sogra era uma mulher orgulhosa. E estava descendo alguns degraus ali, rebaixando-se perante sua altivez.

- Eu era muito jovem, quatro anos atrás, sra. Eunsook. Senti-me sobrepujado pelo estilo de vida de vocês. E também era rebelde demais para aceitar conselhos de como deveria me comportar ou me vestir. - Fitando a mãe de Jungkook, prometeu: - Desta vez será diferente.

Eunsook não disse nada. Ambos sabiam que tinham feito um tipo de pacto. Quando a sogra de Jimin se virou para retornar à festa, fez uma parada.

- Sinto muito pelo bebê. Lamento por não termos feito nada para ajudá-lo a superar sua perda. E trate-me por Eunsook, sim?

Era muito verdade que ali não havia resposta ideal a ser dada. Sua sogra parecia se dar conta disso e, após uma nova hesitação, entrou na casa.

Jungkook apareceu segundos depois, e Jimin se perguntava se ele não agira de propósito ao deixar os dois sozinhos para conversarem.

- Tudo bem, amor?

Jimin fez que sim e deu um passo na direção dele. Escorregando os braços por baixo do paletó até as costas, pressionou-se contra o corpo másculo.

- Nunca mais me deixe partir, Jungkook.

- Não deixarei. Isso é uma promessa.

Deixaram logo a comemoração, fazendo o trajeto para a residência sem conversar muito. A conversa foi deixada para trás.

Eunbi, tagarelava sobre Jackson e os planos que fizeram de sair no dia seguinte.

- Não posso acreditar - dizia Jimin para Jungkook, quando se preparavam para ir para cama. - Mamãe encantou os olhos do homem mais poderoso da Coréia!

- Meu tio tem uma tendência a conquistador, - Mas tem setenta anos! Evidente que não pode estar olhando para minha mãe e vendo...

Jungkook arqueou as sobrancelhas pretas.

- Sou do mesmo sangue. - Começou a encará-lo com aquele brilho sedutor no olhar.

Jimin não estava usando nada além da relíquia de família.

- Acha que estará disposto a permanecer comigo quando eu estiver com setenta anos, e você com...

Não se atreva a dizer com quantos anos estarei! Mas quanto ao resto, bem... Jimin estava mais que disposto a tudo por ele.

~

O novo dia trouxe um sol ainda mais brilhante, e o desjejum fora servido na varanda para os dois, Eunbi tomara café em seu quarto e se aprontava para o encontro. Quando chegou a hora de Jungkook sair e passar algumas horas essenciais no escritório, Jungkook o deixou com uma relutância que o fez sorrir.

Jackson chegou. O homem enorme, de cabelos grisalhos foi amável com Jimin, flertou com sua mãe e, de alguma maneira, conseguiu convencer Eunbi de que a cadeira de rodas não seria útil naquele dia, o que o fez ganhar um sorriso amplo de Jimin.

Enfim sozinho, Jimin pediu a Lise um segundo bule de chá, tentando decidir o que fazer com as poucas horas que tinha enquanto Jungkook não retornasse.

Quando Lise chegou com o chá, trazia um envelope a ser entregue em mãos, dizendo que acabara de chegar, com o nome de Jimin datilografado no centro. Abriu o lacre, e o conteúdo o fez empalidecer.

As fotografias que segurava foram atiradas para longe como se fossem uma cobra venenosa, e ele recuou, levantando-se com violência o bastante para fazer a cadeira cair no chão. O coração estava disparado, o corpo todo tremia.

Soltou um grito desesperado e saiu correndo.



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