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História The Doctor - Sasunaru - Capítulo 26


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Notas do Autor


Eu estava viajando, perdão pela demora.
Eu nem tento mais interagir então bom dia🤡❤🙌

Capítulo 26 - Chapter twenty six - chocolate syrup


Sua boca se queimou por conta das faíscas que o fio soltou. A bomba não explodiu por sua sorte. Ele havia conseguido. E aquilo o deixou mais tranquilo. Ele se amaldiçoou por não ter pego a tesoura, agora sua boca doía e sangrava.

— Ah meu Deus! Eu consegui! Da próxima vez que alguém vier com uma bomba para qualquer lugar aonde eu estiver, eu mesmo mato essa pessoa. – o loiro passou seus dedos sobre seus lábios queimados e molhados.

— Ele conseguiu, Naruto é um herói! – Hannah se levantou do chão estampando um sorriso em seu rosto.

— É mocinho, hoje você nos arrumou um grande problema. Vai responder a tudo isso na delegacia. Tem direito a um advogado. – o policial Pitt se levantou do chão se sentindo mais aliviado. Ele sacou as algemas de seu bolso olhando para o jovem que ainda mantinha o olhar na bunda do mais velho.

— Mais cinco minutinhos e eu vou até o inferno se você quiser. – a voz saiu hipnotizada, pouco se importando se seu plano havia dado errado. – Sua pele tem cheirinho de baunilha com um toque de laranja.

— Eu agradeço. – Naruto se levantou puxando sua calça um pouco para cima. Vamos, se levante, não temos a noite toda.

— Com prazer. Victor vai adorar saber sobre você, pode ser até que ele te peça um favor em troca de outro. – aquele nome o fez entrar em um estado de nostalgia, se lembrava do cabelo cinza e o sorriso psicopata.

— Victor? – aquilo saiu mais como um espanto do que uma pergunta.

— Victor Nikiforov. – ele sussurrou baixinho enquanto descia os pequenos degraus do trem. — Bom agora eu tenho que ir meu amorzinho, nos vemos depois. Valeu por ter salvado todo mundo, dá próxima eu invado a NASA. – o tom de sarcasmo não foi notado, e aquilo o preocupou. Josh desceu do trem sendo recebido pelo o olhar fuzilante de Sasuke.

— Josh né? Chega aqui rapidinho. – o Uchiha o chamou com o indicador percebendo os olhares de curiosidade dos policiais e bombeiros. O jovem chegou perto do médico com um sorriso debochado e a postura ereta. – Bom, Josh, eu sei que você é um adolescente com nervos à flor da pele, e que você não vai me escutar se eu falar de uma maneira educada com você, mas da próxima vez que você ousar olhar para a bunda do Naruto, fique sabendo que eu arranco o que você tem no meio das pernas com um alicate. Você não o conhece direito para o chamar de amorzinho e isso é considerado assédio. Ou seja, não fale com ele, não olhe para ele e não toque nele.

— Senão você vai fazer o que? – Josh riu alto revirando seus olhos. Seu corpo leve foi brutalmente jogado sobre os trilhos. Sasuke empurrou seus dedos médio e anelar para dentro da garganta do jovem o impedindo de falar e forçando sua cabeça para baixo.

— Escuta aqui meu parceiro, aqui a gente não tem essa parada de “senão” você só tem duas opções, ou você me escuta e mete o pé, ou você já pode se acostumar a viver sem um pênis. Na minha família ele vale bem mais do que o número na nossa conta bancaria, papai iria te caçar, te encontrar e te executar. Então eu acho melhor você ouvir o meu conselho e baixar a bola porque você não é tudo isso que pensa. Eu não quero que tu olhes assim nem para o seu animal de estimação, ele merece respeito, assim como todos que estão trabalhando aqui desde as cinco da tarde. – o moreno retirou seu dois dedos da garganta úmida deixando com que ele falasse a resposta.

— Você se acha, mas você não é porra nenhuma, não é o dono do Naruto, não é o pai dele, muito menos o namorado, então toma vergonha nessa tua cara branca. – a resposta saiu afiada, só não muito para causar um estrago no Uchiha.

— É, você tem razão, eu não sou porra nenhuma. Mas eu posso ser alguém que foi preso por ter cometido um terrível crime horrível com esse seu corpinho de grilo que não aguenta uma rodada de sexo sem antes gozar nos primeiros quatro minutos. – Sasuke se levantou pisando com seu tênis perfeitamente limpo no rosto manchado.

— Sasuke para, você está machucando ele! – Naruto interviu colocando a mão sobre o ombro do Uchiha. Seu rosto manchado pela pólvora deixavam seu aspecto menos jovem.

— Ah não enche Naruto! – Sasuke desviou saindo dali. Preferia esfriar sua cabeça com um outro caso estranho.

O loiro suspirou caminhando para longe do Uchiha. Iria deixar Josh com os policiais e largar sua vontade de voltar para casa e se abraçar sobre as cobertas enquanto assiste algum filme de romance clichê. Uma pequena voz chamou sua atenção. Um homem de aparência jovial e roupas queimadas que estava preso entre os dois trilhos, reunia todas as suas forças para tentar gritar e ser retirado dali antes que seu filho nascesse.

Naruto chegou mais perto percebendo que o homem estava grávido. Sua barriga queimada era o motivo de suas lágrimas. Seu coração se partiu só de ver o estado do jovem.

— Eu vou achar alguém para te ajudar. Aguenta ai moço, eu prometo voltar, eu não vou te deixar sozinho. – Naruto se desesperou olhando para os lados em busca de achar alguém no qual o pudesse ajudar. Só que ele estava sozinho. A maiorias dos médicos havia voltado com novos pacientes em ambulâncias e os bombeiros estavam apagando as chamas quente dos incêndio, ou procurando outros sobreviventes. Aquilo o deixava frustrado. Teria que se virar para tentar tirar o homem dali.

— Por favor, o meu filho já vai nascer, eu estou sentindo muita dor. – a voz doce saiu fraca e quase inaudível. O loiro entrou no das ferrovias ainda quente.

— Como assim? Você está de quantos meses? – Uzumaki percebeu que a perna do homem estava presa. Hoje o destino tirou o dia de folga para acabar com a vida do interno.

— Faço quarenta semanas depois de amanhã. Minha bolsa já estourou faz algum tempo e ninguém passa por aqui. E as contrações só pioram. – os olhos verdes e brilhantes eram quase ofuscados pela noite. O suor descia sobre sua testa.

— Precisamos de ir para o hospital. – Naruto encarou seu relógio fazendo um calculo mentalmente. – A próxima ambulância vem daqui a trinta minutos. Será que aguenta até lá?

— Não. Estou sentindo muita dor, o Henry está chutando todos os meus órgãos.

— Droga, já vai nascer. Só que eu nunca fiz um parto masculino. – Naruto andou em círculos pensando o que poderia fazer. Havia um bisturi em sua bolsa de primeiros socorros, só precisava tentar não matar o seu novo paciente inesperado. – Olha, eu vou te aplicar vinte ml de fentanil, vou fazer um corte na sua barriga e vamos iniciar o parto, eu vou precisar que você confie em mim.

— Tanto faz, eu só preciso que meu filho nasça bem. Foda-se como eu vou estar. – o homem limpou seu suor sentindo as contrações só pioravam.

— Aguenta aqui, eu já volto. – o interno correu para perto do local aonde esteve a poucos minutos pegando sua bolsa que estava jogada por ali. Não havia mais ninguém, estava tudo vazio. As chamas foram contidas e o trem agora parecia ser um local mais escuro e mais frio. Suas mãos apanharam a bolsa e voltaram para o local se ajoelhando no chão e sacando seu bisturi. Tinha que confiar em todo seu aprendizado a um ano atrás. – Tem medo de agulhas?

— Nem um pouco. Eu sou Jass, Jass Tichy. – Jass respirou fundo novamente, querendo morrer ali mesmo, qualquer morte seria melhor do que aquela dor insuportável.

— Então Jass, vamos começar. Eu vou conversar com você e quero que você me fale qualquer sintoma que você sentir além das contrações. Eu sou um interno do hospital Seattle Grace. – Naruto aplicou a anestesia sem pressa começando a vestir seu par de luvas azuis. Havia errado o tamanho de sua luva, a GG era a única que tinha ali, tinha que se virar, como sempre fez. Pegou o bisturi com uma mão enquanto com a outra levantava a blusa do pujante. Sua tremedeira indicava o nervosismo a flor da pele.  – Você trabalha com que?

O corte no hipogástrico foi feito e o sangue vermelho desceu sujando sua mão e a calça branca. Precisava cortar as sete camadas até chegar o útero.

— Vai se foder. – Jass gritou com seus olhos comprimidos em pequenos riscos. – Eu sou técnico de informática.

— Nossa, que legal Jass. O que você ia fazer antes de ficar preso aqui? – o bisturi já transpassava o peritônio visceral, estava se aproximando do útero. Seu coração estava agitado, era como se ele visse seu crush de infância pela primeira vez depois de anos.

— Eu sai da cabine e ia para dentro de uma ambulância que estava estacionada ali na frente só que, meu pé ficou preso. As contrações começaram e eu não via ninguém. – o homem falava entre suspiros. A noite estrelada deixavam sua visão um pouco ocupada.

— Essa nunca é uma boa hora. Meu sonho era ter pelo menos dois filhos, sempre foi meu sonho, eu gosto de crianças. Mas depois que eu estiver formado e encontrado alguém descente. Quando eu era pequenininho, tipo uns sete ou oito anos de idade eu ficava pensando se eu tive a sorte de ter entrado para os trinta por cento da população masculina que começaram a desenvolver um útero ou se eu iria achar uma mulher estrangeira e que me amasse, claramente. Mas eu tive um útero, me descobri gay e sofri desilusões amorosas. Talvez caso eu ainda não tenha achado alguém eu quero ir no banco de esperma e escolher um doador. – Naruto atingiu o útero largando o bisturi. – Agora eu vou precisar que você coloque toda a sua força, o seu pequeno Henry já vai nascer.

— Mas que inferno! – Jass botava toda a sua força em sua barriga, apenas para que pudesse ver seu filho e se livrar daquela dor capaz de o matar.

Já se podia ver a cabeça com fios castanhos e molhados com sangue. E em menos de trinta minutos o corpo pequeno e frágil pode ser pego com facilidade. O cordão umbilical foi cortado. Naruto colocou o recém-nascido sobre suas pernas enquanto tirava sua única blusa enrolando no bebê. Agora tinha que suturar e acompanha-lo até a ambulância.

O choro estridente ecoava em seu ouvido, deixando Jass aliviado. Suas mãos trêmulas limparam as lágrimas quentes e insistentes da dor.

— Ele não é mais o Henry, agora ele é o Naruto Tichy. Combina mais. – o sorriso satisfeito surgiu após o interno colocar a pequena criança sobre seus braços acalmando o choro.

— Quê? Não, que isso. Pode colocar Henry, eu não me importo. – Naruto sorriu tímido enquanto preparava a linha e a agulha. Não passava ninguém ali. Como ele poderia tirar a perna do homem de voz angelical com um recém-nascido ali?

— É uma homenagem, simples, porém com um grande significado. Você foi meu herói Naruto, o que seria de mim sem você? Nada! O meu bebê já estaria morto se eu ficasse aqui e esperasse alguém aparecer. Eu devo minha vida a você.

— Não é nada demais, estava no meu juramento da faculdade, dar tudo de mim para ajudar os necessitados. Eu poderia fazer mais por você, conseguir algo mais descente para cobri o... Naruto... ou até achar um local mais confortável para você se apoiar. Mas no local aonde estamos, não da para fazer muito.  – o loiro começou a sutura com um ponto cruz adequado para aquele tipo de corte.

— Pode não ser nada demais para você, mas para mim foi tudo.

— Eu fico feliz então Jass. – Naruto cortou a linha com seus dentes amarelados pelo café forte que havia tomado. Sua atenção voltou para a perna presa entre os trilhos. Era preciso ter duas pessoas ali para fazer o que ele estava pensando. Seu cérebro trabalhava para arrumar uma solução mais viável.

— Eu acho que a outra ambulância já chegou, aguenta firme. – Naruto sentia o vento gelado beijar seu peitoral nu, mas preferiu ignorar aquele fato congelante. O carro com cores chamativas estava se preparando para sair com apenas dois pacientes com poucas queimaduras. Ele pediu para que esperassem até que ele chegasse com Jass. Seu pedido foi aceito e Naruto voltou para perto dos trilhos aonde pode ver uma assombração na escuridão do local caminhando lentamente. Era Sasuke, trazendo com si um anel dourado e brilhante.

— Ei! Sas, vem aqui! – o loiro o chamou tendo uma ideia um pouco maluca. – Caralho, não me faça te gritar.

— Eu já estou indo inferno, parece até minha mãe. – Sasuke guardou o anel alargando seus passos até o interno. Seus olhos negros se pousaram no peitoral moreninho descoberto. – Mas por que você está sem camisa?

— O meu moletom ficou dentro daquele trem e queimou e eu tive que usar minha blusa para enrolar um recém-nascido, mas isso agora não importa. Eu preciso de uma ajuda sua.

— Ah, vai falando que eu estou te ouvindo. – Sasuke retirava seu casaco azul com uma faixa laranja neon revelando seus braços com falta de melanina. Ele esticou o braço do loiro começando a vestir sua blusa no interno.

— Um homem ficou com a perna presa naqueles negócios – Ele apontou precisando ser um pouco especifico - o que claramente você sabe o que é. Ai eu tive uma pequena ideia de eu puxar o ferro e você tirar a perna dele. Pode ser. – as enormes safiras acompanhavam as mãos subindo fechando o zíper até o final.

— Você só pode estar achando que é o super-homem, já está com a boca machucada e ainda quer perder suas duas mãos. Você tira ele e eu puxo o ferro.

— Eu só não chuto sua barriga porque eu tenho tempo ou você acha que eu quero andar seis quilômetros até o hospital com uma pessoa e uma criança no colo.

Naruto revirou seus olhos voltando para perto de Jass que segurava seu bebê com um brilho no olhar.

— Que fofinho ele! Como se chama? – Sasuke colocou suas mãos gélidas no ferro se preparando para puxar.

— Ele se chama Naruto. – Jass sorriu encarando a criança enrolada na blusa azul do interno.

— Eu acho que o mundo gira em torno do Naruto. Você acredita que meu pai comprou um cavalo branquinho que tem uma marca de sol na testa e ele nomeou de Naruto, o cavalo chega mês que vem para o estábulo. Vou cagar e nomear também de Naruto. Meu pai te conhece ele te ama, minha mãe te conhece ela te ama, meus irmãos te conhecem eles te amam, metade do mundo te conhece e já te amam. – podia se notar a ironia na voz do Uchiha.

— Deixa de ser invejoso Sas, eu sei que seu pai me ama, mas não fique triste, pelo menos seus cachorros te ama. Não é minha culpa ser tão perfeitinho. – Naruto riu se preparado para puxar a perna grossa e torneada.

— É capaz dos cachorros te conhecer e nem voltar mais lá em casa porque foram morar com você. A robô do meu carro te conhece e quer que você more lá em casa. Daqui a pouco o Naruto vai fazer uma visita lá em casa e papai me tira do meu quarto para colocar ele sendo que tem quartos de hóspedes. – Sasuke puxou o ferro dando um passo para trás.

— Eu não me importaria de dormir no seu quarto, a vista de lá é bem bonita. – Naruto falou sem pensar percebendo o olhar desconfiado de Sasuke no mesmo instante em que falou.

— Você já entrou no meu quarto? Quando?

— Não, eu já fui na tua casa quando eu estava “namorando” o seu irmão e ele me apresentou a casa. Puxa logo isso Sasuke, para de falar besteira. Às vezes eu te acho um babaca – seu sangue congelou. Odiava situações como aquela.

— Ata. Itachi nunca comentou sobre você lá em casa. Que estranho. – o Uchiha deu de ombros puxando o ferro para trás novamente finalmente livrando a perna do homem.

— Esquece isso. Agora pega ele no colo enquanto eu levo a criança, seus pés devem estar dormentes. Seja cavalheiro pelo menos uma vez nessa tua vida, palhaço.

— Se eu sou palhaço eu posso te contratar como elefante, porque você está igualzinho um. – a risada veio repleta de humor. Sasuke pegou o homem em seus braços antes que o loiro o jogasse no chão.

— Nossa então você pode ocupar o lugar do boi na fazenda porque o chifre está igualzinho. – dar respostas afiadas era um dos pontos fortes do interno.

— Uou, pegou pesado nessa. Então já que é assim a Barbie já pode ser contratado como a primeira maior baleia do mundo porque a baleia orca chora perto de você.

Naruto abriu sua boca porém não saia nada.

— Engraçado que no naufrágio do Titanic citou o iceberg, mas eu acho que foi essa tua testa de arromba navio.

— Melhor ter uma testa grande do que uma bunda igual essa tua. Vai sentar no banco e ocupa dois lugares. – Sasuke colocou o homem na ambulância enquanto respondia Naruto.

— Pois saiba que minha bunda não influencia em nada. Quem tá comendo não está reclamando, idiota! – Naruto colocou a criança sobre os braços do pai entrando para se sentar no fundo. Jass apenas ria baixinho se lembrando de seu namorado.

— Eu espero que você tenha um câncer nesse teu cu de tanto dar. – Sasuke se sentou de frente para o interno achando estar levando vantagem.

— Até lá eu vou continuar dando de graça. Inclusive amanhã eu vou dar meu cu até não querer mais.

— Pois faça isso. Eu também vou transar até meu pau começar a falar.

— Isso se você pode chamar essa tua caneta bic de pau porque não é possível. – ele teve que mentir, não podia falar o que havia pensado.

— Quem eu como não está reclamando. E vira a bunda ai pra tu ver a caneta bic, babaca.

— É porque se elas falassem na cara você sairá chorando. E cai fora, meu cu tem dono.

— Cachorro de rua agora tem dono? Interessante. – Sasuke cruzou seus braços na altura do peito mirando seu olhar em Jass e em outros dois pacientes que pareciam querer rir com a briguinha besta.

— Se você tem porque eu não poderia? – Naruto queria o espanca-lo até a morte.

— Ai Naruto, não começa pelo amor de Deus. Eu sou um cachorro de raça.

Um paramédico entregou um pequeno algodão com soro para o interno passar sobre sua boca avermelhada.

— Às vezes minha vontade é te matar e esconder seu corpo em qualquer matagal. Ou então arrancar cada fio do seu corpo com uma pinça. – Naruto pegou o algodão limpando seus lábios.

— Pois temos uma coisa em comum.

~23/07 08:00~

Sasuke tomou mais um gole de seu suco de morango. Estava sozinho no dia do seu aniversário. Seus irmãos preferiam deixar um post—it de feliz aniversário do que estarem lá. Pelo menos havia ganhado um novo celular, um bolo de chocolate, um livro de poemas e uma caneta tinteiro. Nada que ele realmente gostasse, tirando o bolo, foi sua mãe que fez e estava magnífico.

Havia recebido uma mensagem de Itachi o desejando feliz aniversário, e falando que estava ocupado com entrevistas porém iria voltar para casa no fim de semana.

— É Alana, além de ser humilhado por não ser o filho perfeito e não estar em uma entrevista mostrando o quanto eu sou inteligente. Papai até agora não me mandou um oi e mamãe está estranha a semana toda. Eu fui no banheiro dela procurar alguma aspirina ou dipirona e só tinha cabelo, no ralo, na pia, no chão, ai eu avisei sobre ela estar estressada e por isso o cabelo dela está caindo e você acredita que ela me xingou e ainda me expulsou do quarto dela? Impossível essa velha.

— Mas não fique triste Sasuke, pelo menos você não está passando seu aniversário em baixo de um caixão sem respirar e no escuro.

— Você e seu senso de humor sombrio. Sem trabalho e sem porra nenhuma, você acha que eu chamo a Kassie para sair? Tipo, eu sei lá, ela realmente é incrível.

— Não, isso só demonstraria que você está carente. Vocês jantaram ontem no restaurante italiano. Chame—a semana que vem, eu separei ótimos restaurantes para vocês, porém... – Alana foi interrompida pela campainha que soou pela enorme casa.

— Pode deixar que eu atendo, pode ser minha encomenda da Amazon. – Sasuke se levantou dando um último gole em seu suco antes de se levantar e ir olhar quem era.

Seu cérebro mentalizava a imagem do entregador com uma caixa de papelão em suas mãos. Mas assim que abriu a porta alta e larga tomou um susto.

— Feliz aniversário Sas! – Naruto sorriu erguendo suas mãos com dois presentes bem embrulhados.

— Como você sabe? – Sasuke deu espaço para que o loiro entrasse em sua residência.

— Sakura me contou. Então, vinte e seis aninhos, que velho! – o loiro entrou já indo direto para a cozinha, colocando as duas embalagens grandes e bonitas em cima da mesa.

— E você acha que não vai chegar nos vinte e seis? Ata, só sonhando. – o Uchiha se sentou de volta ao seu lugar encarando os olhos atlânticos.

— Por enquanto eu prefiro me iludir até os vinte e quatro. E então, não vai abrir?

— Claro que vou. – Sasuke pegou a embalagem grande, leve e perfumada. Ele não perdeu tempo, curioso como estava havia rasgado o papel de presente fofinho revelando um enorme urso de pelúcia branco e de olhos marcantes carregando uma carta vermelha em suas mãos peludas. – Você só pode estar de Sacanagem.

— Não, eu não estou de sacanagem. Eu achei esse urso no parque da Cidade e me lembrei de você. E olha, trazer um urso de pelúcia de um metro e cinquenta centímetros até aqui não foi fácil, eu deveria ter cobrado frete.

— Eu vou colocar no meu quarto e dormir com ele, que fofinho mano. – Sasuke sorriu sentindo o cheiro de baunilha no urso. Era o cheirinho do loiro.

— Agora vê o outro. Esse eu mandei fazer especialmente para você. – Naruto falava enquanto mexia em seu celular.

— O que que foi que tu estás com essa cara feia justo em um dia tão bonito?

— Alguém depositou dez mil na minha conta, e eu estou metido em problema com o banco porque eles não querem devolver para quem depositou sem querer. Talvez a outra pessoa que iria receber esse dinheiro esteja precisando para comprar um remédio ou comprar algo para se alimentar. Por mais que seja tentador eu não posso ficar com esse dinheiro.

— Esquece isso, vamos ter o foco em mim okay? Hoje é o meu aniversário. E a Alana é chata. – o moreno trincou seus dentes tentando mudar de assunto.

— Okay, hoje, dia vinte e três do mês sete, vai ser considerado um feriado mundial. Todos deverão enviar presentes para a sua casa e fazer festas em seu nome, quem falar que odeia o Sasu-day deverá ser punido com a morte ou a castração. – o loiro largou o celular em cima da mesa. Estava contente por poder presentear o Uchiha.

— Finalmente um presente que preste. – Sasuke pegou a outra embalagem longa porém fina. O laço vermelho chamava sua atenção de tal forma que o deixava aflito.

Suas mãos pálidas rasgaram o papel revelando o instrumento musical em tons azuis, preto e branco. Entre as cordas podia ser vista a paleta, usada por músicos para atingir uma nota mais alta.

— Hoje só pode ser meu dia de sorte, uma guitarra, jura? – seus olhos ônix brilhavam contente com o presente.

— É algo simples Sas, é só para seu aniversário não ser passado em branco por um amigo da família. A Sakura, o Lee e o Kakashi enviaram cartinhas e disse que estava ótimo e que se você não quisesse era para enfia-las no cu. – Naruto retirou as cartas coloridas de sua bolsa jogando—as na mesa.

— Nossa tudo isso é melhor do que um celular que eu nem vou usar, um livro que eu pouco me importo e uma caneta tinteiro que eu vou usar para fazer rabiscos enquanto converso com uns amigos. Muito obrigado Naruto, você é um ótimo amigo.

— Eu sei, eu sei, não precisa dizer algo que eu já sei. —  o loiro deu um sorriso mínimo se sentando na bancada de mármore escura. – Vai fazer o meu café da manhã porque eu mereço.

— A cafeteira está ali, faça você mesmo. E eu não sei cozinhar, pega qualquer coisa na geladeira ou pede no IFood, sei lá, se vira, a casa é sua. – o moreno pegou a guitarra posicionando sobre seu colo, sabia tocar, e como.

— O que você comeu?

— Um resto de pizza que tinha na geladeira de semana passada. Ainda estava bom.

— Vai vomitar tudo isso daí. Eu vou preparar algo comestível para você. – Naruto pegou o copo no qual Sasuke bebia o líquido vermelho dando um enorme gole matando sua sede.

— Você está que nem minha mãe, credo! A pizza não estava estragada, e mesmo que estivesse, o que não mata engorda

— E se reclamar te deixo sem celular por uma semana, vai arriscar? – Naruto abriu a geladeira de quatro portas pegando tudo que precisava. 

— Não, mamãe. E então Naruto, vai passar o dia comigo? Porque se for, eu não me importo nem um pouquinho, eu ia passar sozinho mesmo. E entre nós, a Alana é meio sem graça, — ele apoiou seu rosto em seu punho deixando sua guitarra em cima da bancada.

— Se minha presença não for um incomodo eu aceito. Porém as seis eu tenho que ir embora.

— O que você vai fazer depois que sair daqui? Matar um urso? Beber sangue de cabra? O que? – Sua curiosidade ia além daquilo.

— Nenhuma dessas coisas, eu vou sair com o Sai. Ele me convidou para ir no cinema e como hoje é uma sexta feira eu não recusei. Vai passar um filme muito bom.

— O Gasparzinho dos quintos dos infernos é mais importante que eu? E nossa amizade de... um...dois... três... dezoito anos? Enfiou ela no cu? Eu não deixo você sair daqui nem se me pagaram. Ele é uma má influência entendeu? Ah se eu pego aquele zé gotinha de satanás.

— Eu até hoje não entendo do porque essa briguinha entre vocês. Ele é uma pessoa carinhosa e muito gentil, até hoje não vi nenhum problema nele. – o interno fazia algumas panquecas com pedaços de morango iguais o que a Tsunade havia lhe ensinado.

— O que? Aquele menino é o próprio acompanhante de satanás, igual a ele eu nunca vi igual. Ele me bateu você acredita? Me deu um soco no meu rostinho lindo. Eu achei que eu ia entrar em coma com aquele soco. – Mentir? Não, ele preferia dizer omitir.

— O Sai te bateu? Quando? Pelo que eu saiba é você que implica com ele. – o loiro sorriu despejando a massa sobre a frigideira quente.

— Se eu impliquei com aquele cosplay de capeta eu quero que minha mãe morra. Eu nunca dei uma mordida nele. Nunca nem falei com ele.

— Olhe bem suas palavras Sas. Gostas de panquecas com ou sem calda de chocolate? – Naruto abriu o armário pegando a garrafinha preenchida pelo liquido escuro e cheiroso.

— Com muita calda, a ponto de me dar uma diabetes tipo dois. Mas eu não estou mentindo. – ele estava feliz naquele dia, se sentia bem com a presença do loiro, mas preferia manter aquele fato guardado as sete chaves.

— Panquecas com muita calda e morango acabando de sair para a mesa zero cinco. Alguma preferência de café?

— Me vê um café cubano por favor, hoje é um dia muito especial.

— Aposto minha vida que tu não chegas aos trinta, café alcoólico e cigarros pela manhã? – Naruto pegou uma xicara de café misturando rum, café, creme de leite e suco de limão misturando os ingredientes para o aniversariante.

— Aposto duzentos dólares que se você cuidasse da sua vida talvez não estaria com tantos problemas. E para sua informação, eu deixei de fumar trinta cigarros por dia, agora eu só fumo vinte e nome, olha que grande passo.

— Eu vou fingir que isso é um grande passo apenas para você não ficar triste. – Naruto colocou a xicara na frente do Uchiha pegando o prato com uma pilha de panquecas. — Aguenta a bunda que falta apenas a calda e os morangos.

— Muito obrigado mesmo Naruto por não ter me deixado sozinho no meu aniversário e ainda me presentear. Eu não sou a pessoa mais fácil de lidar nesse mundo mas fico feliz que você veio aqui pessoalmente e ainda me deu presentes que eu nunca nem imaginava ganhar. – as simples palavras veio direto do coração do Uchiha, foram sinceras e carregadas de emoções que nem ele mesmo sabia catalogar e diferenciar.

— Você é um lobo em pele de cordeiro, porém deixe para você falar que me ama depois.  – O loiro puxou a tampa amarela abrindo a garrafinha completa pelo liquido escuro e adocicado.

— Assim você me ofende. E não, eu não te amo, e mesmo se amasse não contaria. Eu sou uma caixa de segredos. – Sasuke pegou a xícara dando um gole no café amargo.

— Eu sei que você tem um pôster meu no teu quarto. Eu sei bem no fundo que você me ama a ponto de ter tatuado meu nome no seu bumbum. – Naruto se moveu para o outro lado da bancada apertando a garrafa em cima das panquecas. O líquido escuro não saia, parecia que algo estava entupindo a garrafa. – Desgraça, porquê não vai.

A pequena garrafinha se explodiu em sua mão a sujando com a calda.

— Que bagunça Naru. – Sasuke pegou a mão do loiro começando a passar sua língua sobre a pele quente limpando todo o chocolate. A boca quente se fechou entre os dedos finos sugando todo o chocolate.

Naruto corou de cima a baixo sentindo a língua quente e molhada rodear todos os seus dedos. Sasuke lambeu a palma quente limpando finalmente toda a calda de chocolate.


Notas Finais


Olha, a decepção desse Spirit chegou!
Se tiver algo errado me avisem, é que eu não revisei pq meus olhos doem de tanto chorar


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