História The Dog - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Naruto, Sakura, Sasuke
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Palavras 2.340
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Terceiro Capítulo


O som estridente do despertador penetrou seus ouvidos a fazendo dar um pulo na cama, ela pousou a mão sobre o peito tentando acalmar o coração.

Mal havia dado sete da manhã e já estava alarmada.

-Merda. –Resmungou jogando a coberta para longe, enrolou seu futom o guardando dentro do armário. Sua cara estava amassada quando se encarou no espelho do banheiro e desejou mais cinco minutos de sono.

Tomou um banho quente, botou o uniforme marrom esverdeado com o nome da floricultura Yamanaka e amarrou o cabelo curto num rabo de cavalo. Ayumi choramingou quando abriu a geladeira e encontrou alguns ovos e uma garrafa d’água, tinha comido o último pedaço de peixe na noite anterior e ainda por cima dividido com o gatinho preto.

Ela bateu as palmas da mão e fechou os olhos rezando para que sua geladeira começasse a brotar comida, mas os deuses deveriam estar muito ocupados para ouvir suas preces.

A campainha de sua casa soou a deixando em alerta, o correio ficava no térreo e ninguém a visitaria, ainda mais tão cedo.

Ayumi olhou pelo olho mágico encontrando o vizinho. Abriu uma fresta da porta esboçando um olhar de desconfiança e ficou surpresa quando viu a bandeja com uma tigela cheia de arroz fumegante, um ovo quebrado em cima e uma xícara de chá verde.

-Agradecimento por você ter alimentado o gato ontem.

Sua boca formou um grande ‘o’ e seus olhos marejaram, Sasuke soergueu as sobrancelhas não sabendo o que fazer quando uma lágrima escorregou pela bochecha.

-Você está chorando?

Ayumi limpou o rosto, desajeitada. Abriu a porta e o convidou dando espaço para que entrasse, Sasuke teve um vislumbre do apartamento, era tão simples e mal tinha móveis.

-Por favor.

-Eu só vim entregar, tenho que ir para a konbini render o Naruto.

Ela assentiu e pegou a bandeja.

-Eu não sei como agradecer.

Disse genuinamente emocionada, nunca alguém tinha sido tão gentil com ela.

-Agradeça entregando minha tigela.

Ela riu e concordou.

-Pode deixar Uchiha-san.

Aquilo o deixou desconcertado, mas disfarçou com um grunhido no qual ela entendeu como um ‘até mais’.

Sasuke caminhou até a escadaria e parou quando a ouviu chamá-lo.

-Tenha um bom dia!

Ele acenou com a mão e desceu as escadas.

***

-Fui demitido da pizzaria.

Sasuke não estava surpreso.

-Aquele babaca do Izawa queria que eu limpasse até a merda do banheiro, eu fui gente boa em dar uma mão para fazer as massas e preparar os ingredientes. –Ele continuou reclamando. –Você dá a mão e o maldito já quer o braço.

-Aa.

-Da pra você prestar atenção?

Sasuke rolou os olhos e voltou a etiquetar umas bolachas.

-Você quer que eu diga o que?

-Sei lá, podia me dar um apoio moral, to há anos naquele cortiço e ele me chuta igual a um cachorro.

-Se você quiser eu posso arrancar uns três dedos dele ou...

Naruto arrepiou-se e ergueu as mãos.

-A gente não resolve as coisas assim.

-Vocês não.

-Deixa à senhora Kushina ficar sabendo desses seus maus hábitos.

-Não me ameace usuratonkachi.

-Você mudou muito desde que eu te conheci, mas de alguma forma você continua assustador.

-É meu charme. –Ele retorquiu ouvindo a risada de Naruto.

-Viu, até adquiriu certo humor.

-Tanto faz.

-Bom, vamos ter mais tempo juntos.

-Turnos Naruto. Nós não precisamos conviver por tanto tempo.

-Credo Sasuke-teme, como você pode ser tão cruel.

-Realidade. Mal tem paciência com esses clientes.

A sineta soou, era como se ele tivesse convocado o demônio através das palavras. Naruto deu uma corridinha e cumprimentou o cliente.

-Hey teme, Kakashi está aqui.

-E daí?

O homem de cabelos cinzentos e roupas casuais encontrou Sasuke sentado num banquinho arrumando e etiquetando algumas mercadorias, era uma cena engraçada de se ver, apesar de ter passado tanto tempo desde que o Uchiha começou a trabalhar naquela konbini.

-Eu não me acostumo a isso.

Sasuke não fez questão de cumprimentá-lo, era nove da manhã e já estava explodindo de mal humor.

-O garoto que você espancou está na UTI.

-Devo me sentir culpado? –Ele ergueu uma sobrancelha e encarou Kakashi.

O grisalho não fez muita questão.

-Só informando, espero que não esteja voltando à ativa.

-Ele tentou roubar a konbini, te contei toda a história.

-Sim, eu vi a fita e engraçado como você esqueceu-se de mencionar que tinha uma pessoa a mais.

-Aa. - Ele resmungou sem interesse.

-Você sabe que deveria ter relatado isso.

Sasuke deu de ombros.

-A propósito, o pivete faz parte de uma gangue, acionei uns colegas e eles vão começar a fazer algumas rondas pelo bairro.

-Isso é preocupação? –Sasuke soou irônico. –Estou tocado.

Kakashi riu tocando o próprio peito e fechando os olhos dramaticamente.

-Não há de que.

-Era só isso?

Kakashi assentiu.

-Sim e também queria pegar uma bentō, saudades da comida da demônia vermelha.

-A deixe escutar você a chamando assim.

-Prezo pelo meu pescoço.

-KAKASHI, O TEME LEVOU UM COCÃO ESSES DIAS. –Naruto gritou do balcão em meio a uma gargalhada. –FICOU UM CALOMBO!

Kakashi riu, lembrando-se de tempos distantes onde trabalhava com o pai de Naruto e sempre acabava presenciando Kushina puxando a orelha de Minato, o xingando e o ameaçando de morte quando algo grave acontecia.

-Como está Minato-sama?

-Viajando por uns dias com o pervertido do Jiraya.

-Jiraya voltou? – Os olhos cinzentos brilharam. –Não me diga que ele está escrevendo outro livro?

-Alguma coisa de “Perdidos não sei o que no paraíso”, mas não prestei muita atenção.

Kakashi o puxou pela gola da camisa o obrigando a se levantar.

-“ICHA ICHA: PERDIDOS NA TENTAÇÃO DO PARAÍSO”, MEU DEUS COMO VOCÊ OUSA NÃO PRESTAR A ATENÇÃO NO MESTRE DO ROMANCE?

-Você é outro pervertido viciado.

Sasuke retorquiu se soltando do enlace e voltando para frente da loja.

-Naruto você sabe de algo sobre o livro? –O Hatake perguntou eufórico. –Já tem previsão?

-Ainda não, mas ele disse que te mandaria uma copia antes do lançamento.

-Como você não me informa algo assim?

Naruto coçou a cabeça e sorriu.

-Desculpe, eu esqueci.

-Nunca conte com o desmiolado.

-HEY! –Ele replicou claramente ofendido. – Eu sou um homem ocupado com dois empregos.

-Um. –Sasuke o corrigiu. –Você foi demitido.

-Demitido? –Kakashi achou aquilo estranho. –Como assim?

-Discuti com aquele escroto.

-Bem que eu achei estranho, pedi uma pizza ontem e veio um garoto novo.

-Nunca mais coma de lá Kakashi, você está proibido!

-Aqui geralmente é quieto, tenho paz. –Sasuke massageou as temporãs. –Adorava quando você passava o dia dormindo e depois ia pra pizzaria.

-Você é muito grosso, estou aqui te dando uma moral e você me trata assim.

-Volte para a pizzaria dobe.

-Nem fodendo, vou juntar dinheiro de outro jeito, logo arranjo outra coisa.

-Ah sim, seu currículo é maravilhoso.

-Melhor que o seu teme, quem é louco de contratar um ex-membro da yakusa?

Sasuke parou e pensou um pouco.

-Você.

Kakashi riu em meio à discussão.

-Quais bentō vocês tem hoje?

-Tonkatsu, Umeboshi. –Sasuke respondeu, dando uma ênfase com uma careta ao último. – E Nattō.

-Você está de folga. –Naruto lhe questionou.

-Sim. –Kakashi ciciou. –Estou louco para aposentar.

-Achei que você fosse tentar recobrar a sua patente.

-Minha ficha está tão suja que sinceramente estou surpreso de não ter sido exonerado.

Sasuke sentiu uma pontada de culpa, mas não havia nada que pudesse fazer agora. Kakashi era um homem muito perceptivo e não escapou a sombra dos fantasmas do passado que tomaram a feição de Sasuke.

-Eu não ligo, fiz o que tinha que fazer.

O Uchiha assentiu e foi pegar algo no fundo da loja, voltou rapidamente com o bentō Tonkatsu, sabia a predileção do Hatake.

-Por conta da casa.

Kakashi agradeceu, mas tirou o dinheiro da carteira.

-Não posso aceitar presentes por cumprir com o meu trabalho. Além de que poderiam me acusar de estar recebendo propina.

Os três riram.

-Que merda de propina heim. –Naruto comentou. –Sexta-feira vai ter dango e meu pai vai estar de volta, passe lá em casa.

-Pode deixar.

Sasuke entregou o bentō dentro de uma sacola e pegou o dinheiro. Kakashi havia dado a conta certa em moedas o que o deixou com um sorriso nos lábios.

-Você às vezes me assusta.

Naruto concordou.

-Esse sorriso de psicopata dele é horrível, mas coitado, é a cara com que Deus deu pra ele ne.

-Eu não tenho paciência pra essa merda.

***

-Eu estou saindo, não devo demorar.

-Não precisa ter pressa, eu não tenho mais nada a fazer.

-Ah é, você foi demitido.

-Não precisa ficar me lembrando disso.

-Até o anoitecer estou de volta, desempregado.

Naruto arremessou a primeira coisa que viu na frente, mas Sasuke foi mais rápido e pegou a barra de chocolate, devolvendo em seguida.

-Odeio doces.

-Quem disse que eu estava te dando?

Ele despediu-se do amigo e rumou para a floricultura. Foi divertido assistir Ayumi atendendo um cliente, ela fez um buque misturando umas flores cor-de-rosa e amarelas com algo que parecia um galho com matinhos. Ela era extremamente atenciosa com as flores e tinha muito cuidado ao manusea-las.

Ao chegar a sua vez foi recebido com um sorriso.

-Bem vindo, Uchiha-san.

Ele a cumprimentou com um aceno, não era do tipo que falava muito.

-Quero lírios brancos.

Ayumi pareceu surpresa, uma pontada de curiosidade a acometeu e teve que morder os lábios para não questioná-lo, viu que ele tinha uma sacola em mãos o que a deixou ainda mais interessada. Uma mulher loira saiu do fundo da loja, como se tivesse um radar que captou a presença do Uchiha, ela estava extremamente animada e sorridente quando o agarrou pelo braço sentindo os músculos rijos e definidos.

-SASUKE-KUN! Há quanto tempo, meu Deus, que bíceps.

Sasuke a afastou com um grunhido.

-Você não muda nunca Ino.

Ela riu melodicamente.

-Lírios brancos?

-Aa.

-Ayumi-chan, você prepara, por favor? –Ela voltou-se para Sasuke, Ayumi estava sem jeito ao ver tanta intimidade em sua frente. –Então Sasuke-kun quando podemos sair de novo?

Ino disse brincalhona.

-Você quer mesmo que eu responda?

A loira exibiu um biquinho e fez um som manhoso.

-Porque tão mal?

Ayumi ignorou aquela conversa e foi fazer o seu serviço, ela preparou um lindo buque com lírios frescos e entregou a Sasuke.

-Aqui está.

-É por conta da casa. –Ino se interpôs. –Forma de agradecimento.

Ele assentiu e saiu da loja com uma breve despedida.

-Ele tem... Namorada?

Ino sorriu maliciosa.

-Porque quer saber?

-Na-Nada. –Ayumi retorquiu constrangida. –Ele é meu vizinho.

-Sério?

Ino tomou as mãos dela para si.

-Ai meu Deus, você é vizinha desse Deus Grego? Que inveja!

Ela riu sem jeito querendo fugir daquilo, mas já era tarde demais quando a Yamanaka começou a fazer diversas perguntas nas quais ela não tinha noção de como responder.

***

As folhas estavam ressecadas e os lírios entristecidos, faziam mais de uma semana que Naruto havia ido até ali. Sasuke notou que a frequência das visitas do amigo estava diminuindo conforme o aniversário de morte dela estava chegando.

Era difícil encarar aquela lápide.

Mesmo depois de tanto tempo.

A ferida não estava nem perto de fechar.

Ele trocou os lírios, encheu uma pequena dose de saquê e acendeu um incenso, bateu as palmas das mãos duas vezes e fechou os olhos contemplando apenas o som do vento e de alguns pássaros que cantavam ali por perto.

-Sentimos a sua falta. –Ele confessou tomando um gole do saque. –Naruto foi despedido da pizzaria, aquela maldita pizzaria. –O riso saiu amargurado de seus lábios úmidos de álcool. –Se não fosse aquele emprego idiota, vocês nunca teriam se conhecido. Eu fico pensando se tudo teria sido diferente se eu tivesse te impedido, mas no fundo algo me diz que mesmo que eu tentasse me interpor, você teria feito tudo de novo sem se arrepender do resultado final.

Sasuke ciciou angustiado e tomou outra golada.

-Eu queria desistir, mas sei que você ficaria puta ai do outro lado e eu não quero decepcioná-la de novo. –A lágrima rompeu seus olhos apesar da força que Sasuke fazia para não chorar. –Eu ainda tenho dificuldade em sentir, em me permitir a isso, mas tento cumprir aquela promessa que te fiz. Eu nasci com uma família e fui tirado tão rapidamente que às vezes tenho que forçar minha memória para lembrar-me do rosto da minha mãe, meu irmão, meu pai... Sabe, eu me vi tão sozinho, e tive que lutar dia após dias para sobreviver, meu instinto gritava em meus ouvidos e beirei a loucura quando era moleque. Ensinaram-me a matar usando desde as minhas mãos até hashis descartáveis, eu era tão miserável e fedia a sangue seco e lágrimas, você apareceu como uma luz tão forte que quase não acreditei quando a sua bondade me alcançou.

Sasuke mordeu o próprio lábio sentindo o gosto metálico encher a sua boca, ele abriu a garrafa de saque bebendo metade do líquido e sentindo a garganta arder.

-Eu estou vivo, eu estou vivo, porra. Mas às vezes é tão difícil e olhar para a cara do idiota do Naruto só piora tudo. Eu sei... Deus, eu sei que sou eu quem deveria estar enterrado a sete palmos de terra. Você tinha que estar com seus ranhentos, correndo pela casa e fazendo miso lámen para o dobe, eu sei o quanto você ficava feliz quando ele elogiava a sua comida, eu sei o quanto você o amava e o quanto ansiava por casar-se com ele. Eu estraguei tudo.  Não fui forte, não fui rápido, não fui o suficiente.

Você está ai e eu aqui e não há nada que eu possa fazer para mudar essa merda desse fato. Eu queria te encontrar uma última vez e pedir perdão, te entregar uma faca e me estirar em sua frente. Eu não mereço e apesar de você acreditar em mim, eu sei que eu não mereço.

Ele virou o resto do saque e soluçou como uma criança encarando a lápide de sua melhor amiga.

Não havia mais como dizer adeus, lhe restava apenas conviver com aquela falta.



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