História The Dove Keeper - Capítulo 27


Escrita por:

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Categorias My Chemical Romance
Tags Frerard
Visualizações 27
Palavras 4.078
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 27 - I - The Art Of Sex


Capítulo 20 – The Art Of Sex  

Part One – Names  

Durante toda a segunda feira na escola, eu senti que havia algo preso em meu peito. Havia um ranger constante e esvoaçante de algo tentando escapar. Parecia que o pombo de Gerard estava lá, asas farfalhando e batendo em meus órgãos sensíveis, tentando se libertar e voar de verdade. Eu me senti tão confinado na sala de aula. O professor zumbia alguma coisa sobre princípios de matemática, e eu tentei com todo meu ser não subir em cima da mesa e gritar em plenos pulmões que matemática era inútil, e que deveríamos estar mais preocupados com o período cubista de Picasso do que encontrar a área de um cubo em si. Números não podia me ajudar, números não podia me libertar – a não ser que fossem os números no ponteiro do relógio, lentamente contando até que eu pudesse finalmente libertar o pássaro em meu peito. 

No início, o sentimento dentro de mim era uma mistura de ansiedade e felicidade. Pouco tempo depois e minhas algemas quebrariam e eu poderia ir para a casa do artista e ver a pomba de verdade. Eu me perguntava se ela ainda estava voando fora da gaiola, e o quão longe ela tinha explorado o apartamento. Eu sabia que havia lugares que ela provavelmente nunca viu antes. Havia lugares que Gerard não tenha visto antes, e eu me perguntava se ele estava aprendendo com ela. Se ele estava vestindo roupas ou não... eu não conseguia acreditar quando tive uma fantasia sexual de Gerard em aula. Isso me pegou completamente de surpresa. Minha mente tinha escorregado, e por isso tive meus pensamentos em seu apartamento na noite quando tudo aconteceu. Eu jurava que podia sentir todas as sensações novamente, ele entrando em mim. Felizmente eu não conseguia sentir tudo, ou eu teria problemas explicando minha ereção no meio da aula de informática. A fantasia só havia durado alguns minutos, mas ainda me deixou sorrindo, meu peito inchando com algo que eu nunca experimentei antes. Eu me alegrava com tudo.  

Porém, no lanche, eu encontrei com Sam e Travis novamente. Foi quando a energia nervosa se tornou desespero. As primeiras palavras que saíram da boca de Sam foram ‘onde diabos esteve durante o fim de semana inteiro?’ Aparentemente, ele e Travis tinham estado ‘constantemente’ ligando para minha casa. Eu senti meu sangue ficar gelado quando ele mencionou, imagens das mentiras que eu só tinha começado a contar colidindo em minha frente e meu pombo sendo empurrado com mãos asfixiantes de volta para sua gaiola. Eu não disse ou fiz nada – eu não conseguia. Eu não sabia como acobertar meus vestígios porque eu não tinha pensado tão longe. 

Felizmente, Travis me trouxe de volta para a realidade me informando que toda vez que ligavam, meu pai atendia e eles não queriam ter que lidar com ele. Ninguém nunca quis ter de lidar com meu pai, na verdade. Até mesmo algum de seus colegas de trabalho evitavam ligar para casa e optavam por visitar em vez. Eu não podia lhes culpar. A voz do meu pai era alta na vida real, mas no telefone tudo era maximizado. Ele não tinha um conceito de volume, ou o quão perto ele deveria segurar o telefone em seus lábios. Na maioria das vezes quando eu ligava para casa para pedir uma carona, eu segurava ele há trinta centímetros de distância do meu rosto, esperando ouvir seus latidos. Mesmo se fosse há essa distância, eu ainda podia ouvir ele e sua respiração distintamente pesada. Estava otimista que essa fosse a razão pela qual minha mãe geralmente atenda ligações, mas por qualquer que seja o motivo, ela tinha se ocupado esse fim de semana e não se incomodou em atender. Graças a Deus. 

Travis sendo sempre muito sensível a ruídos, sons e luzes (um efeito colateral de ficar chapado o tempo todo), tinha quase jogado o telefone quando meu pai atendeu. Aquilo havia sido o fim das ligações. Sam tinha assumido as funções mais tarde, mas quando meu pai continuou a atender as ligações, Sam nunca se incomodou em dizer uma palavra. Ele odiava figuras autoritárias, especialmente meu pai, e queria os evitar tanto quanto irritá-los. Não valia a pena irritar meu pai, e ele desistiu em ligar depois da terceira tentativa. Essa era a definição de ‘constante’ para Sam. Eu me senti abençoado por cada pequena falha de meus amigos e meu pai, pois essas acabaram de salvar a minha bunda. Eu tinha certeza que nunca amei tanto o meu pai naquele momento. Eu costumava amaldiçoar aquela voz alta e obstrutiva, mas ela tinha me salvado da condenação. 

Eu não conseguia imaginar o que teria acontecido se minhas mentiras fossem descobertas. Minha mãe ficaria arrasada; ela já estava tão desgastada e cansada, e isso tinha acontecido quando ela pensava que eu estava passando um tempo com meus amigos. E meu pai, bem, eu sabia que ele iria me matar. Eu estava salvo por hora, por qualquer que seja o motivo. Eu ainda tinha tempo para moldar mentiras nas quais quase me engasgou. 

Sam, Travis, e eu sentamos para lancharmos, mas mal trocamos palavras. Travis estava viajando em seu próprio mundo, e Sam ficou me enviando olhares maldosos do outro lado da mesa. Eu fiquei olhando para o meu sanduíche, quando disse a mim mesmo para levantar a cabeça, em vez. Eu olhei para Sam, para Travis, para tudo no refeitório e me senti um milhão de vezes melhor. A pomba dentro do meu peito começava a voar novamente. 

Eu fiquei realmente chocado com o fato de que eles tinham me convidado para sair durante o fim de semana, em primeiro lugar. Eles não convidaram semana passada, ou a anterior desta. Eu me perguntava o que tinha de tão especial agora, mas quando perguntei a Travis, ele estava meio sonolento da noite anterior e me deu poucas explicações. Sam estava tão puto comigo por não atender o telefone e ‘desaparecer’ que ele não estava para dar explicações. Eu achei isso irônico que eles me acusassem por desaparecer, quando eles tinham se tornado transparentes para mim há um bom tempo. Mas, é claro, era tudo a minha culpa, de acordo com Sam. Mesmo que tenhamos nos conhecidos desde quando tínhamos cinco anos, ele ainda podia ficar puto comigo sem nenhum problema. Talvez fosse porque nos conhecêssemos por um bom tempo. Estávamos cansados um do outro. Tínhamos nos vistos crescer (ou não, no caso de Sam), tínhamos visto os erros um do outro, e agora estávamos percebendo que não nos gostávamos tanto assim. Nós tínhamos sido forçados a ficar junto no colégio, mas o colégio estava quase acabando. Estávamos os dois percebendo que tínhamos outras opiniões. Melhores opiniões, mesmo que não pudéssemos as preencher inteiramente ainda. Portanto, a ira foi provocada mais rápido. Havíamos ultrapassado esse nível de ser legal quando estávamos ainda nos conhecendo. Nós conhecíamos um ao outro. E agora, não gostávamos de um ao outro. 

Eu e ele tivemos nossos momentos, no entanto, quando ele ria e brincava como nos velhos tempos. Ele ainda me convidaria para sua casa – mas só quando ele queria e, provavelmente, na maior parte fora da história que havíamos compartilhado. Era impossível rasgar fora a nossa história juntos do texto que estávamos escrevendo; sempre haveria bordas desgastadas das páginas do tempo que compartilhávamos juntos. No momento, eu era só o amigo alternativo, arrastado junto com quando estava tudo bem em ter uma terceira roda. Travis era o melhor amigo de Sam agora. Normalmente, eu ficaria puto com isso, mas eu ainda estava vagando sobre os pensamentos da noite anterior. Gerard era o meu melhor amigo agora – ele era mais do que eles nunca foram ou poderiam ser se eles me quisessem de volta. E eu percebi que eles iriam me querer de volta. Eles precisavam de mim. Eles precisavam de mim para estar lá quando eles não se aguentassem mais. Quando Travis tinha que ser muito esquisito para Sam e Sam muito furioso para Travis, eu seria enviado para ficar no meio. Eu me lembrava quando isso costumava a ser o trabalho de Travis. Eu me perguntava quando foi que essa mudança tinha acontecido, e quando aconteceu de novo, só que com outra pessoa. Sam trocava de amigos bem rápido, mas eu sabia que não seria jogado tão longe para trás. Eu iria sair durante o dia, mas então eu me afastaria, livre de minhas algemas.  

Nunca descobri o que tinha de tão importante naquele fim de semana, mas assumi que tinha relação com droga. Eles me convidaram para fazer alguma coisa de novo depois do colégio naquele dia. Eu disse não quase que imediatamente, pensando no tempo que estava planejando com Gerard de novo. E honestamente, eu tinha confiança em mim mesmo para dizer não, independente da presença de Gerard agora. Eu não queria mais sair com eles além dos limites da escola. Eles nunca me trataram tão bem assim, de qualquer forma. Eu estava começando a perceber, lenta e certamente, que meus amigos não eram quem diziam que eram. Aparentemente, eu não era quem eles diziam que eu era. Não mais, pelo menos. 

“Você mudou, cara,” Sam cuspiu em mim estranhamente, depois de ouvir minha recusa. Ele torceu o rosto em um sorriso de escárnio e se afastou da mesa do refeitório, deixando seu lixo para trás. Ele jogou a mochila sobre seu ombro abruptamente e sinalizou para que Travis o seguisse. Travis só balançou a cabeça para mim, fechando seu casaco no caminho antes de seguir Sam no final do corredor. 

Isso costumava a ser eu, pensei comigo, observando o garoto magricelo o seguindo logo atrás. Eu estava feliz que não era mais.  

Meus dois amigos não falaram comigo pelo resto do dia, mas isso não importava mais. Talvez eu tenha mudado, mas não era minha culpa. Era a vida morta e opaca que me cercava que me mudou, e sua apatia em sua direção. Não era minha culpa se eu tinha mudado, quando eles não tinham. Suas desaprovações, com certeza, não iriam me parar. 

 

*** 

Quando finalmente consegui fazer meu caminho para o apartamento de Gerard, eu não perdi tempo em remover minhas roupas. Eu tinha batido na porta para lhe deixar saber que eu tinha chego, mas encaixei as chaves ao mesmo tempo, tão rápido que quase as quebrei. Eu estava tão animado e ansioso para vê-lo, especialmente depois do dia que eu tinha tido. Não foi necessariamente um dia ruim, foi só diferente. Não algo que eu queira. 

Quando finalmente entrei na casa coberta de tinta, o lugar onde eu queria estar, eu vi Gerard andando até mim de uma pequena parte onde ele tinha trabalhado por dias. Ele tinha o maior sorriso em seu rosto, um gesto não fora do comum para ele. Eu chutei a porta a fechando atrás de mim ao que me lancei nele. Ele me envolveu num grande abraço, me puxando para perto como ele tinha feito na noite anterior quando eu tinha ido embora. 

“Eu senti a sua falta,” ele disse contra meu pescoço.  

Senti minhas entranhas esquentarem e pularem dentro de mim, como se fossem crianças brincando numa cama elástica em meu estômago. Eu o abracei com força, pulando um pouco e envolvendo minhas pernas em sua volta. Ele era surpreendentemente forte, e conseguia me segurar com facilidade. 

“Só foi um dia,” eu brinquei com ele, mesmo que estivesse me sentindo da exata mesma maneira. Havia tantos sentimentos intensos em nosso relacionamento que precisavam ser contrastados com pura felicidade para fazer um equilíbrio perfeito. 

“Às vezes um dia é muito longo, e às vezes uma noite nunca é o suficiente,” ele me informou galantemente, me apertando de volta. “E não deveríamos ter que esperar. Você sabe como eu me sinto sobre o tempo.” 

Ele riu contra meu pescoço, as rajadas de ar quente me fazendo cócegas junto com suas vibrações vocais. Nós nos separamos do abraço um pouco, apenas o suficiente para meus pés tocarem o chão novamente, e nossos lábios se conectarem em um beijo apaixonado. Estávamos agindo como casais velhos dos filmes dos anos cinquenta que tinha acabado de voltar da guerra e não tinham se vistos por anos. Teria sido cômico, se não tivesse sido lindo ao mesmo tempo. 

Ele estava vestindo roupas, surpreendentemente, mas ao que nós nos afastamos ainda mais, começamos a tirá-las pouco a pouco. Em pouco tempo, estávamos nus e um no dos braços do outro, beijando qualquer região da pele nua que víamos. Ele estava deitado de barriga para cima no chão, murmurando ao que eu começava a traçar meu caminho para baixo em seu corpo com minha boca e provocando sua entrada com meus dedos. Eu estava em cima dele, mas minha posição mudava constantemente enquanto suas mãos se mantinha fortes e imóveis em minhas laterais. 

Me surpreendia quanta confiança eu tinha desde a noite anterior. A tarefa não parecia mais tão assustadora, o corpo de Gerard não era mais uma paisagem misteriosa, mas ainda tão novo que eu podia explorar e encontrar novos lugares que nós dois gostássemos. E era isso o que fizemos nos primeiros momentos. Não havíamos feito sexo de forma imediata, embora estivéssemos ambos nus, e o lubrificante sobre e em nossas mãos. Ele tinha trazido o que aquecia de seu quarto, e eu levei tempo para passa-lo em seu peito como ele tinha feito em mim no sábado. Seus olhos estavam fechados na maior parte do ato, mas quando ele os abriu, estavam semicerrados e cheios de desejo. Eventualmente, eu encontrei o caminho para sua entrada, espalhando o lubrificante copiosamente, e entrando tão lentamente quanto poderia. Gerard trouxe algumas das almofadas do sofá para perto para se sustentar sobre elas, o piso de madeira sendo muito inadequado para nossa pele sensível. Eu fodi ele dessa vez, como na noite anterior, mas ele estava sendo bem mais responsivo. Ele conseguiu gozar, pouco depois de mim, nossas mãos nos trazendo para o ponto final.  

Eu me deitei em cima dele depois, muito cansado para me mover e realmente não querendo me mover. Era difícil ficar dentro dele por muito tempo depois do sexo, tanto para o fator de conforto quanto para as condições de mudanças. Tentei saborear a sensação que não consegui ter na noite anterior ao menos que possível antes de finalmente precisar puxar para fora. Era uma questão de segurança querer estar dentro dele, eu percebi, apenas para ficar muito próximo. Nós nos beijamos com línguas lentas uma vez que livres, essa ação de sexo a mais rápido que já participamos. Gerard se moveu e foi para sua cama, mas em vez de nos puxar para lá, ele arrastou cobertores de volta para nosso lugar.  

“O que nós somos?” encontrei meus lábios formando a pergunta que ainda martelava em minha cabeça. Nós ainda estávamos aquecidos com a radiação do sexo, nossos corpos nus, mas parcialmente escondidos debaixo do lençol. Ele tinha me colocado debaixo de seus braços como um pacote precioso, o nível de meus olhos em seu pescoço e peito. Eu fiquei traçando meus dedos em sua pele, enrolando seus cabelos, e traçando uma rota alternativa quando a pergunta veio até mim, e agora eu levei meus olhos para os seus próprios. 

“Estamos vivendo,” ele respondeu, seus olhos olhando para o teto e seus dedos dançando sobre meus cabelos. 

Essa não era bem a resposta que eu queria, embora eu nem tivesse certeza do que eu estava perguntando. Eu sabia que estávamos num relacionamento – nós tínhamos que estar – mas eu não fazia ideia do que nos chamar. Namorado era muito jovem e imaturo, embora eu não soubesse de nada que pudesse colocar no lugar. Se eu não tinha um nome para nosso status, então eu não tinha ideia do que estávamos fazendo todos os dias, dia após dia. 

“Digo,” eu continuei, tentando esclarecer meus pensamentos para ele e para mim mesmo. “O que nós somos, juntos? Do que eu te chamo?” 

Eu olhei para ele inseguro, enquanto ele ainda encarava o teto, vendo alguma beleza que eu ainda não conseguia bem absorver.  

“Você me chama de Gerard,” ele disse seriamente. “E eu te chamo de Frank.” 

Eu suspirei. Ele estava brincando comigo de novo e eu não estava no humor para isso. 

“Sim, mas o que isso significa, Gerard?” Eu enfatizei o seu nome, para provoca-lo em seu ponto anterior. Ele sorriu, percebendo o que eu tinha feito, muito orgulhoso. 

“Isso significa o que quiser que signifique, Frank,” ele respondeu, a provocação em sua voz desiquilibrando a seriedade. Eu sorri com a provocação ao que deixava a informação processar. Baixei os olhos de volta para seu peito liso e comecei a girar meu polegar sobre enquanto refletia. 

“O que isso significa para você?” eu finalmente perguntei, sem encontrar com seus olhos. Ele respirou fundo e parou de acariciar meus cabelos. Ele colocou sua mão em minhas costas nua, em vez. 

“Significa um monte de coisas para mim,” ele começou, refletindo e ainda olhando para cima. Ele franziu a testa, procurando por algo no fundo de sua mente. “Nós nos damos um ao outro, em mais do que só corpos. Eu te mostrei minha arte, e você me mostrou a sua. É mais profundo do que acabamos de fazer bem aqui. E honestamente, eu não sei se tem uma palavra para isso.”  

Ele fez uma pausa, esfregando uma mão no queixo enquanto pensava. “Suponho que possa nos chamar de amantes. Artistas usam esse termo um monte. E eles tem um monte de amantes, às vezes ao mesmo tempo.” 

Eu fiquei ouvindo atentamente o que ele estava dizendo, curtindo e concordando com tudo que ele dizia. Até ele chegar na última parte. O que ele queria dizer quando disse que eles tinham um monte? Ele tinha outra pessoa além de mim? Eu havia só assumido que eu era o único com quem ele ficava nu todos os dias. Eu nunca pensei que havia necessidade de pergunta-lo. 

Levantei minha cabeça rapidamente e olhei para ele, minhas sobrancelhas moldadas em preocupação. Ele me viu, seu rosto caindo ao que se inclinava e depositava um pequeno beijo em meus lábios ainda torcidos. 

“Mas eu só tenho um amante,” afirmou depois, acariciando meus cabelos novamente para me acalmar. “Nunca precisei de mais nada. Você é o pacote completo.”  

Ele sorriu, tentando aliviar minha tensão. Eu ainda estava com um pouco de medo, mas não por causa dele mais. Era a minha reação com uma frase simples e honesta. Meu estômago tinha pulado e uma onda de pânico tinha me dominado. A intensidade de meus sentimentos me assustava, e o quanto de ciúmes e medo infiltrava-se em meu sistema quando havia apenas o pensamento, a mera implicação de alguém. E só tinha sido um fim de semana. 

Com Gerard, paixão e intensidade eram louvados, não temidos. Eu tinha que me acostumar com isso. Ele inclinou meu queixo para cima onde repousava contra meu peito, e me beijou com força. Eu estava mais do que disposto a tentar.  

“E você, Frank?” ele me perguntou, quando o beijo acabou. “O que isso significa para você?” 

“Umm...” eu disse, pensando muito e tentando processar meus pensamentos dispersos. As memórias de todos os momentos que passamos juntos voltando para mim, mesmo antes de começarmos a fazer sexo. Eu pensei no encontro no parque, nele jogando tinta em mim, e então, me ensinando com aquela mesma lata de tinta. E então, minha boca se abriu e eu comecei a falar, despejando os sentimentos como o líquido frio. 

“Você é o meu mentor, eu acho. Meu artista. Meu professor. Meu amigo. E agora, acho que meu amante, também.”  

Eu meio que dei de ombros, tentando tirar a atenção de mim. Era meio esquisito usar o termo amante. Parecia que eu estava em um romance dos anos oitenta quando eu o usei; era esquisito contra minha língua. Talvez fosse uma daquelas coisas que eu tinha que me acostumar. O vinho era amargo no começo, também. 

“Isso é bastante,” Gerard disse, me cortando de minha divagação. Ele estava sorrindo, radiante com os elogios que eu o dava. “Mas isso não é o que significa para você. Isso é o que eu significo. O que nós juntos significamos para você, Frank? Como chamaria isso?” 

Mordi meu lábio, pensativo, me sentindo inadequado devido a minha resposta. Então, ao que meu cérebro vasculhava por mais memórias, uma saltou para frente. 

“Tudo.” Minha voz esclareceu, minhas emoções se firmaram. Eu olhei para cima, para Gerard, e sorri, e eu vi o flash em seus olhos, recordando da mesma coisa que eu estava recordando. “Nós somos tudo. Assim como na noite em que fodemos – ” 

“Nós não fodemos, Frank,” Gerard me cortou, estragando o clima. Ele fechou seus olhos e balançou a cabeça ligeiramente, me confundindo.  

“O que nós fazemos, então?” eu perguntei um pouco áspero, o tom no qual ele ignorou. 

“Nós com certeza não fodemos,” ele repetiu, fazendo a palavra sair firme e violentamente de sua língua. Ele ergueu as sobrancelhas para enfatizar seu ponto. “Foder é o natural desejo animal de apenas foder. De penetrar, estocar e gozar tudo de uma vez. De obter o prazer e se deliciar. Nossa relação é definitivamente focado no prazer,” acrescentou com um sorriso modesto, sua mão massageando meu corpo ainda mais. “Mas obtemos prazer de outras maneiras além de só foder. Como tocar e beijar.”  

Ao que Gerard afirmou a última frase lenta e sedutoramente, ele começou a aproximar nossas bocas, a abrindo e deslizando sua língua em minha própria, aprofundando o beijo. Eu sorri e ri ao que ele o fez, o puxando para mais perto. O ato não durou muito, só existiu para provar um ponto de uma forma divertida. 

“Você poderia dizer que estávamos fazendo sexo,” ele continuou, acenando com uma mão livre que não estava envolvendo meu ombro. “Mas é muito técnico. Fazer sexo é o termo biológico. Você faz sexo para procriar e para vincular casamentos. De alguma forma eu nem ao menos acho que conseguiríamos fazer bebês.” Ele sorriu para mim antes de adicionar com um tom um pouco sombrio, “ou nos casar.” 

Eu encontrei e apertei sua mão grande em minha própria, o fazendo sorrir de novo. Ficamos em silêncio por um tempo, antes de eu perceber que ele não havia respondido a minha pergunta. 

“O que nós somos, então?” 

Ele balançou a cabeça, como se ele estivesse esperando por mim. “Nós não fodemos ou fazemos sexo. Nós fazemos – ” 

“Amor?” eu finalizei para ele, esperando e orando que essa fosse a resposta que ele queria. Era clichê, e eu já tinha ouvido isso num programa de televisão, e de novo, mais romances dos anos oitenta. Mas se o termo amante funcionava, por que não isso? 

“Não!” Gerard disse, quase que imediatamente e enviando meu coração para o fundo do meu peito.  

“Oh...” eu proferi, olhando para baixo, envergonhado por ter até mesmo sugerido isso. De repente, eu senti sua mão livre em mim novamente, seu dedo correndo em minha linha da mandíbula e trazendo meu rosto para encontrar com o seu. 

“Nós não fazemos amor,” ele enfatizou e repetiu. “Nós fazemos arte.” 

Em um movimento rápido, antes que eu pudesse fazer qualquer pronunciamento, ele trouxe nossos lábios juntos em um beijo. Ele me virou um pouco, pressionando minhas costas no lençol de modo que ele pudesse se encaixar em cima de mim. Nossos quadris e áreas conectadas, e apesar de suas palavras, gestos e sorrisos maliciosos irradiando sexo, estávamos longe disso. Ele se inclinou e me beijou de leve, e nós fizemos arte novamente. 

Nós continuamos nessa pose, nessa posição, nesse lugar, pelo resto da noite, suas palavras ecoando em minha cabeça. Ele sempre encontrou as palavras certas para tudo. Ele sempre sabia como descrever as coisas e seus significados. Claro que fizemos arte, eu disse para mim severamente. Nós fazemos arte todos os dias com nossos corpos, nossas mentes, e com todo o resto, mesmo que não tivéssemos tocado as latas de tinta por um tempo. Eu deveria ter sabido disso. 

Ao que eu olhei para Gerard e para seu sorriso astucioso, eu o invejava. Ele possuía algo que eu nunca imaginei, nunca pensei que fosse possível. Ele tinha um talento para descobrir a beleza descarada, e eu ainda estava muito atrás, embora já tendo em conta os materiais nos quais usar. Eu fiquei satisfeito com o fato de que, pelo menos, eu podia ver a imagem que estávamos pintando. 

 



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