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História The Drug of Love - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Catorze, XIV.


Fanfic / Fanfiction The Drug of Love - Capítulo 15 - Catorze, XIV.

 Davina Griffin.

         Lucian pegou as duas pontas da corda e nos entregou, Henry enrolou a sua na palma da mão e começou a se afastar devagar. Charlie continuou se exercitando com polichinelos e depois abdominais.

 - Você precisa se alongar primeiro, pelo que percebi você não teve problemas com o seu veneno. – Comentou.

 - Nada além de choro e dor de cabeça por enquanto. – Afirmei com uma careta.

 - Alonga os braços e pernas, depois vai fazer uma pequena caminhada com o Charles e quando voltar vamos começar o treino com corda. – Explicou com calma.

 - Tudo bem. – Murmurei.

         Comecei a me alongar e as vezes Lucian me ajudava a segurar os membros por mais tempo, me dizendo como eu deveria fazer para alongar melhor.

 - Lucian, você trabalha? – Me arrependi de ter feito aquela pergunta tão de repente, ele apenas sorriu e voltou as suas flexões.

 - Sou professor de educação física. – Ele fez uma pausa para recuperar o fôlego e depois voltou – Dou aula a tarde, mas normalmente sempre tem alguém para me cobrir caso eu decida ficar em casa.

 - Por que?

 - Nós não precisamos trabalhar, temos dinheiro suficiente para muitos anos sem servir ninguém. – Disse com a respiração entrecortada – Trabalhamos para não chamar atenção no mundo humano. E para não morrer de tédio em casa.

 - Deve ser bem fácil conhecer o mundo todo sendo rico. – Comentei com sarcasmo.

 - Até parece que você não sabe. – Retrucou.

 - Não sei. – Murmurei chateada.

         Depois dessa pequena conversa sai de perto do Lucian e me encontrei debaixo de uma árvore com o Charles. Ele estava sentado com as pernas cruzadas e olhos fechados.

 - Você está meditando? – Perguntei curiosa.

         Charles continuou respirando de olhos fechados, me curvei um pouco e cheguei perto dele, passei a mão na frente do seu rosto algumas vezes e então ele abriu os olhos, me encarando furioso.

  Havia uma cor amarelada ali, não chegava ser como o meu ou o do lobo que vi na outra noite, mas um tom claro muito bonito e único.

 - Que susto! – Gritei e me afastei num pulo.

 - Não deveria chegar tão perto sem ter certeza de que eu não vou atacar. – Me repreendeu friamente.

         Não reconheci de primeira aquele Charles, parecia outra pessoa. Ele ainda respirava fundo e eu podia jurar que ouvi uma batida opaca do seu coração quando seus olhos piscaram lentamente para mim.

         Aquele parecia um Charles agressivo e fechado. Seus olhos continuavam em mim, mas por algum motivo eles não me intimidavam, pelo contrário, eu queria continuar olhando para eles. O amarelo parecia cintilar na minha frente, queria chegar mais perto de novo, porém ele se levantou.

 - Você me atacaria? – Essa pergunta quase saiu como um sussurro para mim mesma.

 - Sim. – Me senti cortada ao meio quando sua voz engrossou e saiu uma resposta tão ríspida.

         O que aconteceu com o Charles jovem, inteligente e alto astral?

  Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa ele saiu correndo num ritmo constante, foi fácil acompanha-lo. Aos poucos fomos entrando mais na floresta e até passamos pela clareira onde conversei com Lucian, ficamos correndo numa trilha estreita entre algumas árvores por bastante tempo. Logo meus pulmões começaram a falhar quando chegamos perto de um pequeno lago no final da mesma trilha.  

  Me sentia fraca, minha garganta estava seca, meus pulmões pareciam querer estourar e meus joelhos não aguentavam mais correr, mesmo que devagar e até caminhar estava sendo difícil. Parei e me apoiei em uma árvore para conseguir recuperar o fôlego.

 Entretanto, Charles continuou correndo e posso afirmar que o vi acelerar o passo quando chegou a uma trilha mais aberta entre duas samambaias. Não tinha forças para gritar, minha garganta iria rasgar se tentasse fazer aquilo. Com muito esforço, dei alguns passos na direção da trilha em que ele entrou, mas me desequilibrei e cai.

         Tropecei em um enorme galho que estava à beira da água e cai no lago. No susto tentei gritar, e como consequência quase explodi meus pulmões de verdade. A água entrou rápido e com força nas minhas narinas e boca, eu bati os braços lutando contra a pressão, sem muito sucesso tentei me empurrar para cima apoiando em uma pedra.

         Uma pequena parte do meu rosto saiu para fora da água, porém logo me afoguei de novo. Eu conseguia ver a luz sumindo conforme afundava mais até o meio do lago.

         Mais uma vez, tentei me levantar ali e nadar, mas meu corpo se negou e tive câimbra na perna, foi o fim. Não conseguia mais manter minha boca fechada ou prender o pouco de oxigênio que capturei, a água entrou com tudo mais uma vez e mais forte, meu coração doeu a cada batida.

  Consegui sentir o meu desespero em aceitar que eu iria morrer ali, no meio de uma floresta, no fundo de um lago e com câimbra. Tentei me motivar a me mexer mais uma vez, porém não tive sucesso. Fechei os olhos e deixei as águas tranquilas me levarem mais fundo.

 

         O ar puro e fresco torturou o meu pulmão que pareceu quebrar minhas costelas de dentro para fora. Oxigênio, finalmente.

         Seria o meu inferno? Eu já estava morta?

  Alguns ruídos me rodeavam, mas eu tentava respirar primeiro, senti toda a água que invadiu o meu corpo subir pela minha garganta e a coloquei para fora. Aos poucos, conforme tudo saia do meu corpo e o ar completava as lacunas, os ruídos se tornaram vozes.

 - Por favor, abre os olhos. – Implorou em prantos.

         Abri meus olhos devagar e vi a luz do sol ao fundo, as folhas numa dança, os pássaros voando e as nuvens de aquarela clara.

  E ele.

         Henry parecia aliviado e com um mini sorriso no rosto, tentei me sentar para confirmar o que eu realmente estava vendo. Me apoiei em um cascalho que estava embaixo de mim e nos braços dele, que me recebeu com cuidado.

 - Vou levar você para dentro. – Avisou.

         Em seguida fui levantada. Estava indefesa em seus enormes braços, enroscada no seu tórax, não percebi que estava ventando muito e eu tremia de frio.

         Deveria ter sido enviada para o inferno por estar me agarrando aos músculos quentes e aconchegantes do Henry sem camisa. Me encolhi imaginando a loucura que seria se aquilo fosse real. Não é?

         Sem perceber eu tinha fechado os olhos, os abri mais uma vez e encarei o meu herói malhado. Levei um susto tão grande que me senti dentro do lago de novo. A cicatriz estava ali, o olhar, o maxilar desenhado perfeitamente, o que era aquilo?

         Ele me deitou numa cama sozinha e depois voltou com uma toalha branca enorme. Henry me encarava com cuidado, notando cada movimento que eu fizesse. Porém, no estado em que eu me encontrava, praticamente anestesiada pela dor, não conseguia falar ou reagir muito além de tosse seca e grunhidos.

 - Você me deu um susto. – Explicou enquanto acariciava meus cabelos.

 - O que? – Finalmente uma pergunta saiu. Se bem que mais parecia um ganso com raiva falando.

 - Você caiu no lago e se afogou. – Isso eu já sabia, Sherlock – Charles continuou correndo achando que você o alcançaria logo, foi ele quem te tirou de lá. Ele só não conseguiu reanimar você, então...

         Isso explicava a pressão que senti quando vomitei. Retribui com uma expressão de dor ao sorriso culpado do Charles. Ele surgiu de fininho pela porta atrás do Henry.

 - Me perdoa, eu não sabia que você ia...

 - Eu não morri. – Afirmei perplexa encarando-os – Ainda...

         Me senti envergonhada. Minhas bochechas pareciam estar em chamas no momento em que percebi que eu tinha me agarrado ao Henry de verdade. Cobri meu rosto com as mãos.

 - Você está envergonhada? – Charles perguntou perplexo.

- Ah sim, ela está. – Respondeu cheio de convencimento.

         Tirei as mãos do rosto para ver aquele sorriso maldoso e sedutor me tirar um suspiro. Henry mostrava com orgulho seu peitoral, seu sorriso e conjunto de corpo modelo para as minhas bochechas incendiarias, no entanto, não era mais apenas as minhas bochechas que pegavam fogo. Fiquei ainda mais envergonhada, abracei minhas pernas e tentei esconder meu rosto lá.

 

 

         Mais tarde naquele dia, meu corpo voltou ao normal, porém não pude treinar. Lucian me disse que o cansaço repentino e a fraqueza foram um belo presente dado pelo meu veneno, explicou também que talvez o processo para que ele se espalhe em mim seja mais lento e por isso só fez efeito algum tempo depois.

Lucian foi para o trabalho, Charles ficou trancado no escritório perto da cozinha o dia todo, Thais voltou quase no final da tarde com a Maya. Ela me contou que era enfermeira e que trabalhava em turnos alternados a noite, Henry trabalhava a noite também, junto com o Oliver na empresa de transporte da família. Helena continuou longe de mim mesmo depois do afogamento, Maya me fez companhia a noite até a hora em que Charles a levou embora.

         Nesse dia não jantei e nem almocei, na verdade, acho que ninguém comeu depois do café da manhã. Fiquei trancafiada no meu quarto depois de tudo, me arrumei e desabei sob a cama. Maya trazia pelúcias para tentar me animar e me falava os nomes de cada um, a cor preferida e que chá gostavam. Antes de ir embora ela deixou um pequeno coelhinho branco em cima da minha cama ao meu lado, o Sr. Pineaplle e seu chá preferido eram todos com bastante mel.

         O abracei a noite toda e tentei apagar as memórias daquele dia.

   Os dias que se seguiram depois desse foram estranhos, Thais me acompanhava na caminhada e nos alongamentos, Henry sempre tentava me provocar com o charme e sobrava para o casal mais velho nos impedir de nos matar e isso me divertia muito. A maioria dos exercícios eram fáceis, alongar, exercitar e correr, não foi muito difícil depois que peguei o jeito, demorou e doeu, mas fez efeito.

         Notei que Charles não estava mais treinando com os outros, eu mal o via dentro de casa, pela manhã quando eu chegava já estava tudo pronto e ele já tinha saído. Não gostava daquele clima estranho entre nós pois eu o tinha perdoado, Thais dizia que logo ele voltaria ao normal.

         Foram duas semanas na tortura de ser evitada dentro da casa, Helena nem olhava nos meus olhos e Charles mal chegava perto de mim, embora me cumprimentasse e agisse normalmente quando os outros estavam por perto.

  Em uma tarde de verão, Aurora me ligou, já fazia muito tempo que eu não ligava ou mandava notícias, estava focada nas coisas que aconteciam na casa que me desliguei de tudo fora dela. Ficamos quase duas horas conversando, eu tinha algumas tardes livres já que agora era a Thais quem me levava ao escritório para ler os livros proibidos e eu ficava lá por apenas duas horas, o que não era muito tempo.

         Depois de muitos comentários, muita fofoca e explicação, Aurora me convenceu a sair com ela para beber ou comer algo. Antes de começar a me arrumar, avisei a Aurora que levaria a Thais comigo.

         Eu gostava da companhia dela e da Maya, elas eram amigáveis comigo e nunca me perguntavam nada muito extremo ou invasivo.

         Thais aceitou sair com a gente, mas disse que iria deixar a Maya na casa dos pais dela antes. Contente com a minha vitória fui me arrumar mais animada aquele dia. Vesti um vestido branco soltinho, ele era liso e simples, com mangas finas e uma saia longa, amarrei o cabelo num rabo de cavalo alto e calcei um escarpam vinho para combinar com o meu batom.

  Nos encontramos na sala de estar, Thais usava um vestido colado cáqui, um salto médio preto com o cabelo ondulado e batom nude. Ela estava linda e parecia uma modelo, suas curvas de violão acentuavam a sua beleza.

         Maya estava agarrada ao Henry no sofá, parecia estar quase adormecendo e quanto a ele, estava com olhos atentos e rápidos na minha direção.

 - Aonde vocês estão indo? – Perguntou enquanto entregava a garota nos braços da mãe.

 - A um bar do outro lado da cidade. – Respondi enquanto pegava as bolsas e a chave do carro da Thais – Noite de garotas! – Balancei as chaves na direção dele e saímos.

         Maya parecia ter entre sete ou oito anos, porém todos a pegavam no colo e a tratavam como uma criança mais nova. Quando chegamos ao Chevrolet preto abri a porta atrás no motorista e logo a garotinha estava na cadeirinha de segurança, entreguei as chaves a Thais e fui para o banco do passageiro.

         Uma música ambiente e instrumental tocava baixinho, quase nenhum som entrava ou saia e a Thais não tirava os olhos da estrada, Maya estava dormindo agarrada a uma pelúcia de pássaro.

 - Posso fazer algumas perguntas? – Quebrei o gelo.

 - Você sempre tem perguntas. – Retrucou com ironia – Responderei todas.

 - Quantos anos a Maya tem?

 - Cinco, semana que vem é o aniversário dela. – Respondeu com um pequeno sorriso.

 - Uau, eu jurava que ela tinha uns sete ou mais. – Comentei assustada.

 - Ninguém acerta de primeira, é normal. – Brincou – O crescimento dela é sem precedentes embora tenha desacelerado a um ano.

 - Ela se parece com você. – Murmurei enquanto tentava por a ideia de que ela era mais nova do que aparentava.

 - Mas tem os olhos dele. – Me virei mais uma vez e ela estava com uma careta tristonha.

 - Por que a tratam como um bebê? – Minha pergunta saiu com um tom a mais de ofensa do que eu imaginei.

 - Porque para nós ela ainda é um. – Explicou séria – Não tivemos muito tempo com ela quando era um bebê, queremos aproveitar cada momento com ela agora.

         Alguns minutos passaram e mudamos de assunto. Thais me contava como era trabalhar em um hospital, como ela vivia entre duas casas.

 - Como seus pais reagiram? – Perguntei quando as luzes da cidade invadiram o interior do carro – Digo, sua filha cresceu da noite pro dia e seu marido é bem... Peculiar?

  Gargalhamos bem alto e a Maya quase acordou com a nossa euforia.

 - Meus pais são humanos, mas as minhas avós eram bruxas, então meio que eles já sabiam que outros universos existiam. – Explicou – Só acho que eles não estavam preparados para uma família de lobos.

 - Quem estaria? – Brinquei.

         O carro entrou em algumas ruas, depois de várias curvas seguimos por uma estrada de terra e estacionamos em uma enorme área rodeada de árvores altas e camufladas pelo final de tarde. No meio do lugar havia uma pequena casa de dois andares, era simples, madeira clara, janelas guilhotinas e uma enorme porta branca seguida por uma mini escada.

  Logo que o carro parou, uma luz acendeu na porta da casa e uma senhora saiu, ela era baixinha, cabelos escuros e usava um vestido coberto por um cardigan azul marinho.

         Desci do carro para cumprimenta-la.

 - Mama, esta é a Davina, noiva do Henry. – Lancei um olhar desaprovador por cima do ombro para a Thais e me virei mais uma vez – Davina, esta é a minha mãe, Paola.

 - Olá, é um prazer conhece-la. – Um aperto de mão rápido e um sorriso amigável foi o que recebi como resposta.

 - Mama, a Maya estava dormindo então não a deixe ficar acordada vendo desenhos, tudo bem? – A senhora assentiu e pegou a mão da menina, as duas caminharam devagar até a porta.

         Entramos no carro mais uma vez, agora a playlist havia mudado. Thais colocou uma música pop animada e parecia cantarolar o refrão as vezes. Não demorou muito e chegamos ao bar.

 - Noiva do Henry? – Resmunguei.

 - Eu não menti.

 Caí na realidade mais uma vez e me lembrei do porque estava ali afinal.

         Tentei pensar em outra coisa enquanto saiamos do carro e caminhávamos até o lugar. Me lembrei da mãe da Thais a poucos minutos, cabelos escuros, pele avermelhada, olhos pequenos e sorriso amigável, eram bem parecidas.

         Não estava muito lotado, mas poderia ver de longe que muitas mesas já estavam ocupadas. 

         Encontramos a Aurora do outro lado da pista. Ela usava um macacão florido e jaqueta preta, seus óculos e um tênis preto.

 - Olha só! Para quem estava sofrendo tanto você até que parece estar bem. – Ironizou quando chegamos mais perto – E você deve ser a minha nova amiga, prazer. – As duas se cumprimentaram.

 - Parece cheio, vamos para outro lugar. – Sugeri.

 - É verdade, estou morrendo de fome, que tal jantarmos primeiro? – Thais barganhava melhor do que eu aparentemente, já que foi o comentário dela que convenceu a Aurora a ir ao restaurante na outra rua.

         O lugar não estava muito movimentado, era clássico e meio colonial, mesas e cadeiras de madeira escura com verniz, quadros antigos, uma enorme bancada com banquinhos forrados de veludo vinho e alguns ventiladores de teto.

   Pedimos coisas diferentes e bastante vinho para esperar. Thais e Aurora não paravam de contar sobre suas vidas e as vezes me introduziam para um comentário ou outro. A comida chegou depois de meia hora, a minha sopa e os acompanhamentos estavam ótimos. Parecia ser uma noite feliz, não falamos sobre nada além do que estava ali na frente dos nossos olhos.

 - E então, senhora noiva de um baita gostosão? Como está se sentindo? – Aurora perguntou com um tom acusador.

 - Sabia. – Retruquei.

 - A qual é! Ele é muito gato. – Insistiu.

 - Ela te falou isso, Aurora? – Thais sorria achando graça dos comentários.

 - Eu mesma vi uma vez, mas parece que ele andou malhando. – Respondeu.

 - Como assim?! – Thais ficou assustada com a resposta e confesso que eu também.

 - Você não me respondeu quanto à pergunta que fiz sobre como se conheceram Aurora, agora parece uma ótima hora. – A coloquei contra a parede e ela não pareceu gostar muito.

 - Okay, eu conto! Foi uns três anos depois que ele se separou da Annabeth, eu ainda fazia meio turno no submundo e nos vimos por acaso num dia em que eu estava na balada, trocamos nossos números e marcamos de sair. – Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dela – Logo de cara eu percebi que ele tinha muitos problemas no passado e alguns no presente, depois de alguns encontros percebemos que não ia dar certo então viramos colegas, pesquisei um pouco sobre ele no trabalho e descobri a verdade. Simples, fim!

 - Você o beijou? – Senti uma pontada no peito e me assustei com o ciúme repentino ali.

 - Eu tentei, mas na época ele era mais difícil do que hoje em dia, parece que ele está bem mais aberto a novas coisas e amizades do que antes. – Explicou meio receosa.

 - Entendi. – Murmurei chateada. Eu não teria a resenha de ninguém sobre o beijo dele.

 - Não se preocupa, você vai beijar ele. – Assegurou com sarcasmo.

 - Para de ler o meu futuro! – Arremessei um pequeno pedaço de pão nela

 - Você quer beijar ele? – Thais pareceu chocada com a nova informação.

 - Ele é atraente e eu estou a meses sem ficar com ninguém, apenas isso. – Garanti a mim mesma, porque elas duas trocaram olhares significativos e sorriram.

 - Sei. – Falaram em coro.

 - Aurora você sabe que eu não tenho esses tipos de pensamentos, okay?! – Senti minhas bochechas subirem alguns graus de temperatura quando menti.

 - Não até agora. – Retrucou.

         Foi a gota d’água. Minhas bochechas ferveram e todas sorrimos daquilo.

 - Então você nunca transou? – Perguntou intrigada deixando sua comida de lado.

 - Ela quase foi uma vez com um cara, mas ele era uma pedra e não rolou. – Aurora respondeu por mim entediada.

 - Ele não sabia como fazer... – Tentei responder, mas a cena veio a minha cabeça e eu não aguentei, cobri meu rosto com as mãos.

 - Ela disse que foi horrível! – Zombou – Disse que ele mal conseguia por uma camisinha e que ela desistiu depois da décima tentativa.

         As duas não paravam de rir enquanto eu tentava espantar as memórias da minha cabeça.

 - Isso aconteceu quando? – Perguntou para mim quando a Aurora foi ao banheiro.

 - Um ano depois que terminamos o ensino médio. – Depois de alguns goles de vinho a vergonha sumiu – Eu tinha uma queda por ele, era bonito, atleta e engraçado. Bom, engraçado até demais...

 - Acho que você não tem sorte para o amor. – Gargalhamos um pouco e a situação parecia uma piada para mim naquele momento.

 

         Voltamos ao bar que agora parecia lotado, Aurora como uma boa amiga nos fez ir mesmo assim. Por sorte, conseguimos bancos num canto da bancada do bar. O barman conhecia a Aurora e eu, nos fez as nossas bebidas favoritas rapidamente e depois se ocupou ajudando a Thais a escolher uma.

         Várias pessoas passavam de um lado para o outro no pequeno corredor que separava o bar da pista de dança e de algumas mesas. Um grupo de mulheres nos chamou a atenção, Aurora não conseguia segurar a risada. Haviam duas louras altas com vestidos combinando, três morenas com tons diferentes de azul e uma ruiva com vestido colado muito curto, percebemos que todas sensualizavam umas com as outras para outro grupo de pessoas que estavam sentadas em uma mesa no canto. Alguns homens, não consegui ver suas aparências, mas mais tarde ambos os grupos sumiram juntos do bar.

 - Meu Deus, a gente fazia aquilo? – Perguntei.

 - Você não, só quando exagerava muito. – Respondeu animada.

         Depois de vários xotes, Thais e Aurora foram para a pista de dança. Fiquei sentada no meu lugar, aos poucos o lugar foi esvaziando e me vi presa ali conversando com o barman.

 - Você tinha sumido, onde esteve? – Perguntou enquanto fazia um drink todo chamativo para um homem.

 - Sofri um acidente em casa, depois fiquei noiva e agora estou me preparando para o casamento? – Me questionei no final, o álcool estava começando a fazer efeito em mim, palavras saiam sem controle agora.

 - Ficou noiva? E isso é uma despedida de solteira? – Brincou.

 - Acho que não vou ter uma, mas adoraria te ver se elas decidirem fazer algo do tipo. – Respondi.

 - Vamos parar por hoje. – Repreendeu e pegou a taça que estava cheia na minha frente, saiu e voltou com um enorme copo de água.

 - Por que cuida tanto de mim? – O questionei.

 - Você fica incontrolável bêbada. – Me rebateu e saiu para atender um pequeno grupo de pessoas do outro lado do bar.

         A noite foi longa, depois de alguns copos de água fui ao banheiro e me senti quase sem efeito nenhum do álcool, me recompus e fui para a pista. Aurora me recebeu aos gritos se sobressaindo a musica chiclete, Thais estava solta e livre dançando perto de nós. Dançamos até os calcanhares da Aurora pedirem socorro dentro dos tênis.

  Voltamos a bancada, pagamos a conta e fomos para o carro. Aurora se equilibrava cuidadosamente nos pés enquanto a Thais parecia estar intacta aos efeitos alcoólicos. Aurora se aconchegou no banco de trás e Thais deu partida no carro.

 - Isso não é meio errado? – Interrompi a cantoria dela com o rádio.

 - O que? – Abaixou o volume da música.

 - Dirigir bêbada? – Expliquei.

 - Eu não estou bêbada, Davina. – Me assegurou sorrindo – Tomei uma poção por precaução, o álcool só tem efeito em mim por mais ou menos dez minutos e depois passa quando vou ao banheiro.

 - Por que não me deu uma também? – Resmunguei.

 - Queria que aproveitasse a noite sem limites, você se saiu bem comparada a Aurora. – Sorrimos ao ouvir um grunhido de repreensão dela – Desculpa.

         A guiei até a casa da Aurora, a colocamos no sofá e fizemos ela se recuperar o suficiente para trancar a porta quando saímos.

         Voltamos a estrada saindo da cidade, a noite parecia brilhar e as árvores estavam tão escuras e repetitivas que nem a música pop da Thais me fez continuar acordada. Adormeci lentamente observando a paisagem pela janela do carro.

 

         O frio me pegou desprevenida, me arrepiei e tentei me encolher, porém não consegui. Braços e pele quente me impediram, abri os olhos assustada com o toque momentâneo.

         Charles estava sério me encarando de perto, muito perto.

         Eu estava em seus braços, encolhida e envergonhada. Ele continuou andando devagar e tirou os olhos de mim, reconheci o lustre da sala de jantar quando passamos pela porta. Me livrei de seus braços e fiquei de pé. Para a minha surpresa, Charles estava sem camisa, de calça para pijama e descalço. Uma bela forma, um pouco menos malhado que o Henry.

         Desviei daquele ponto de vista e me virei para a escada. Thais subia a escada devagar sem olhar para trás.

 - Consegue andar até o quarto? – Indagou impaciente.

 - Claro. – Assegurei a nós dois.

         Ele deu alguns passos até a escada e assim que tentei fazer o mesmo tropecei. Cai de lado e bati o rosto na quina da mesa, minha cabeça foi protegida pelos meus braços quando tentei atravessar o chão em seguida.

 - Sério? – Reclamou quando se aproximou de mim.

 - Ai! – Me sentei no chão e senti uma ardência na bochecha, passei os dedos no lugar e percebi que estava sangrando.

 - Você se cortou. – Me repreendeu e depois tirou a minha mão do lugar – Vem. – Ele estendeu sua mão para que eu me apoiasse e levantasse, mas não consegui.

         Fiquei tonta e mal percebi que estava de novo nos braços dele, longe do chão. Charles parecia incomodado por eu estar tão perto dele assim, o sangue começou a pingar sem parar e algumas gostas caíram no braço dele.

         E lá estava nós dois no enorme escritório. Ele me deixou em cima da mesa no centro e saiu para um pequeno corredor atrás de uma prateleira de livros, voltou com uma caixa branca e a abriu. Aos poucos ele limpou o sangue do meu rosto e pôs um curativo em cima, ele ainda parecia incomodado com isso, depois sumiu mais uma vez pelo corredor.

  Encarei o meu vestido que agora não era mais branco, várias manchas de sangue estavam espalhadas. Balancei a cabeça bem rápido para garantir que conseguiria andar e sair dali sem estar nos braços dele novamente.

         Tentei sair de cima da mesa e falhei, meus pés não estavam ligados à minha coordenação motora porque quase me fizeram cair de novo, quase. Sem perceber ele já havia voltado, estávamos colados um no outro. As mãos grandes e quentes seguravam a minha cintura com firmeza, os olhos quentes me fuzilavam em fúria, pude sentir um calor saindo dos seus lábios.

 - O que está fazendo? – Murmurou.

         Nós estávamos muito próximos ali. Eu podia sentir todo o corpo dele colado ao meu, meus braços se entrelaçaram ao redor do pescoço dele e vi mais uma vez a cor amarelada aparecer em seus olhos. Brilhava e fazia o meu corpo estremecer, ficar quente, o álcool fez meu estômago revirar algumas vezes e me coloquei na ponta dos pés. O beijei.

         Charles não retribuiu no início. Depois que me toquei do que estava fazendo e tentei me afastar ele me puxou de novo num movimento rápido. E nos beijamos, calorento, preciso, faminto. Não sabia se conseguiria parar aquela junção incrível, a explosão de sensações, o fogo, todo o calor dele parecia queimar e atiçar a minha língua que não deixava espaços entre nós. As mãos dele me apertavam de leve, eu tentava segurar seu rosto, meus dedos passeavam pelo maxilar, descia pelo seu pescoço, dançava pelos seus ombros e paravam no tórax, repetidas e lentas vezes.

         Paramos quando ambos não conseguiam mais respirar. Charles não tirou suas mãos de mim e decidi fazer o mesmo. Os olhos, aqueles malditos olhos hipnotizantes que me faziam querer ficar cada vez mais perto. Como o efeito que ele tinha sobre mim era maior que o do Henry com todas aquelas brincadeiras?

  Estava ofegante, as partes do meu corpo pareciam eletrizadas demais, quase dormentes de tanto desejo. Entretanto, ele se afastou e me obrigou a volta para a mesa, o encarando com segundas intenções. Não conseguia mais decifrar o que passava pelos olhos dele, seus lábios de retraiam as vezes. Charles apagou a luz e voltou como um vulto até onde eu estava, mais uma vez em seus braços, subimos as escadas.

         Eu estava sentada na cama, ele estava agachado a minha frente, me encarando. O efeito do álcool estava quase acabando pois comecei a me senti envergonhada pelo que fiz. A luz foi apagada, não ficou tudo totalmente escuro, uma luz noturna dada pela lua entrou pelas janelas e me deram uma visão única. Charles veio na minha direção.

   Aquela cor me fez saltitar de dentro para fora, faminto, disse a mim mesma. Mais beijos calorosos, mais liberdade. As mãos se aventuravam mais longe e num passe de mágica eu não mais enxergava o meu vestido ali. Aos poucos ambos ficavam ofegantes e trocavam o beijo por pequenas trilhas pelo corpo, selinhos eram distribuídos aos montes.  

  Um gemido abafado escapou dos lábios dele quando trocamos de posição. O som me fez acordar. Me afastei dele abruptamente, pois se não fosse de uma vez eu poderia não querer sair dali. Me sentei no canto da cama e me encolhi abraçando as minhas pernas. Ele estava ofegante assim como eu, podia vê-lo respirar pela boca e fazer seu peito se mover rápido, mas não era isso que me fazia querer voltar imediatamente. Charles me encarava boquiaberto, olhos transbordando num desejo mutuo, brilhando. Depois de alguns minutos, ele se levantou, sem respiração ofegante, mais calmo e andou lentamente até estar atrás de mim, senti uma das suas mãos ferventes tocar as minhas costas. Soltei minhas pernas, seu rosto estava perto. Seu nariz e boca encostaram cuidadosamente no meu pescoço.

         E então não havia mais nada. A porta bateu e eu estava sozinha na minha cama bagunçada, embriagada, seminua e muito perdida.

     O que eu fiz?

 

 

No outro dia acordei com uma ressaca horrível. Parecia que minha cabeça estava prestes a explodir, Thais me deu alguns chás e remédio, disse que eu teria o dia livre para me recuperar de ontem.

 - Thais... – Murmurei – Preciso te contar uma coisa.

 - O que foi? – Ela parecia curiosa.

 - Acho melhor eu escrever. – Expliquei.

         Ela se levantou, saiu do quarto e voltou com um caderninho e uma caneta. Me entregou.

 - O que aconteceu com o seu rosto? – Perguntou apontando para o curativo.

 - Eu caí e me cortei na quina da mesa.

         Eu acho que fiz algo muito ruim

         Escrevi no papel e entreguei pra ela.

 - Hum. O que? – Murmurou e me devolveu o papel.

         Beijei o Charles

                            Beijei e ficamos meio

  Meu rosto todo fervia de excitação e vergonha, Thais tomou o papel da minha mão e leu. Sua boca se escancarou, ela estava em choque, piscava várias vezes me encarando incrédula. Ela apontou para a caneta e eu a entreguei, depois de alguns segundos ela me devolveu o papel.

                   Vocês?

 - Quase... – Sussurrei arrependida.

         Cobri meu rosto com a coberta de tão incomodada. Não conseguiria esconder aquilo dela, mas sabia que não poderia falar em voz alta, grande problema de morar numa casa de lobos, paredes com ouvidos. Thais puxou a coberta do meu rosto e ainda tinha aquela expressão.

 - Vamos ver como a Aurora está? – Indagou e algo no tom de voz dela me fez entender que eu deveria concordar.

 - Okay, vou ligar para ter certeza que ela acordou. – Disse.

  Me virei para o móvel ao meu lado e peguei o celular, Thais saiu do quarto com o papel e a caneta. Tocou algumas vezes e ela atendeu.

 - Oi? O que foi? – Fiquei em silêncio pensando no que dizer, meu coração parecia querer fugir de mim – Davina, aconteceu alguma coisa?

 - Oi. - Respondi – Que bom que já acordou, eu e a Thais vamos aí ver como você está...

 - Aí que bom, peça algo para ressaca! Eu estou morrendo... – Ela começou a tagarelar.

 - Tudo bem, já vamos. – A cortei e desliguei.

         Perdi o fôlego quando vi o Charles parado na porta do quarto, me encarando calmamente. Ele veio na minha direção e se sentou na beira da cama, cruzou os braços e jogou a cabeça para trás, descontraído.

 - Vim conferir se está inteira. – Comentou.

         Seus olhos me fitaram de lado e lá estava aquela cor, aquele desejo. Pisquei e desviei do seu encanto, me levantei meio zonza e abri a porta do armário.

 - Sim, Thais me ajudou com a ressaca. – Respondi de costas.

  Ouvi as molas do colchão fazerem barulho, me virei e ele estava ali, na minha frente.

 - Que bom, parece que não precisa mais ser salva. – Murmurou.

 - Obriga por me ajudar ontem, alias. – Disse envergonhada.

         Não conseguia olhar para o rosto dele, me virei de novo e fingi procurar uma roupa nos cabides. Fui pega sem aviso, seus braços me cercaram e não havia muito espaço ali para nós dois. Charles levantou uma das mãos e a colocou na minha testa de leve.

 - Está com febre, vou avisar a Thais.

         Podia sentir sua respiração perto de mim, mas eu continuava sem olhar para cima, para os olhos.

 - Não precisa, já estou ciente. – A voz de um anjo o fez me soltar devagar.

         Thais estava na porta do quarto, segurando uma mochila preta. Me aproveitei e sai de perto dele.

 - Pode ir agora, Charles. – Assegurou ríspida.

         O homem andou em passos rápidos e saiu do quarto. Desabei e me sentei no chão pasma.

         O modo como a Thais o respondeu, olhou e agiu com ele mostrava que ela com certeza desaprovava o que tinha acontecido ali e ele provavelmente sentiu aquilo também já que a situação parecia dois melhores amigos brigados. Ela se abaixou ao meu lado e acariciou meu rosto com cuidado.

 - Troca de roupa, vou preparar algumas coisas para a Aurora e volto em cinco minutos. – Instruiu e depois saiu do quarto me deixando sozinha de novo.

 

         Tomei banho, não melhor, me molhei para tentar acordar e pensar que tudo aquilo não passava de um pesadelo, entretanto não funcionou. Vesti uma calça jeans escura, moletom e uma bota. Meu rosto estava inchado e com olheiras enormes, não tive coragem de me maquiar, soltei o cabelo e me joguei na cama vencida pelo cansaço.

         Alguns minutos se passaram e a Thais voltou, agora ela segurava duas mochilas, uma era rosa com desenhos de arco íris.

 - Vamos. – Me levantei e quando passei pela porta ela me entregou a mochila preta – Leva essa, não balança muito porque tem os remédios para a Aurora.

         Já era quase meio dia, porém a casa estava vazia, pela primeira vez desde que fui morar ali. Nem o Lucian, nem o Henry e mais ninguém estava na casa, até o Charles parecia ter desaparecido dali.

         Entramos no carro e ela acelerou para sairmos logo dali, antes de entrarmos na estrada olhei uma ultima vez para a casa e vi um par de olhos na janela no segundo andar, Charles nos vigiava atento.

         Thais acelerava mais e mais. O rádio estava desligado e só conseguíamos ouvir o som do motor trabalhando para correr.

 - Como você fez isso?! – Gritou quando passamos pela placa de entrada da cidade.

 - Eu não sei, tá bom? – Ela não desviava a atenção da estrada e parecia furiosa – Para de acelerar, nós vamos ser presas.

         O carro parou de correr e entramos nas ruas.

 - Eu acho que estava hipnotizada, eu não sei porque fiz aquilo, eu juro. – Tentei explicar.

 - Hipnotizada? – Perguntou curiosa e eu assenti rápido – Ele fez de novo, droga.

 - Fez o quê? – Questionei.

 - É difícil explicar. – Ficamos em silêncio por um tempo e ela continuou – Lucian é o inteligente, Henry o mais forte e o Charles é... Controlador?

 - Tá dizendo que ele me controlou? – Me senti ofendida.

 - O que ele fez pra você desejar aquilo? Sei lá, disse alguma coisa, tocou em você...

 - Os olhos dele. – Interrompi – No dia em que eu me afoguei, os olhos deles estavam brilhando na cor amarela, sabe como um farol e ontem também estava assim. Eu só sei que queria ver de perto, era como um imã, eu tentei parar...

 - Mas não funcionou. – Completou.

 - Ele me controlou? – Perguntei.

 - Ele te atraiu. – Me corrigiu – Não sei se era aquilo que ele queria, porém foi o que conseguiu. Quer dizer, eu não sei como isso funciona, ele muda muito rápido e não é impossível de acompanhar... Isso não faz sentido.

 - O que não faz sentido? – Thais parou o carro.

         Chegamos.



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