História The D.U.F.F. - Capítulo 3


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Categorias Os Artifícios Das Trevas (The Dark Artifices), Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Clary Fairchild, Emma Carstairs, Isabelle Lightwood, Jace Herondale, Jocelyn Fairchild, Magnus Bane, Sebastian Verlac, Simon Lewis, Valentim Morgenstern
Tags Clace
Visualizações 76
Palavras 2.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HEY DIVAS 💜
Olha quem voltoooo
BOA LEITURA!!

Capítulo 3 - Capítulo 3


 A turma de organização política avançada do sr. Chaucer tinha apenas nove alunos, e sete deles já estavam na classe no momento em que entrei pela porta.

O professor me olhou feio através dos olhos semicerrados, para deixar claro que o sinal soaria a qualquer momento. Estar atrasado era um delito grave na opinião do sr. Chaucer, e estar quase atrasado também era, ainda que menor. Mas não fui a última a aparecer, o que ajudou um pouco.

Ocupei meu lugar no fundo da sala e abri o caderno, pedindo a Deus que o sr. Chaucer não me desse uma bronca enorme pelo meu quase atraso. Do jeito que estava nervosa, eram grandes as chances de que eu o xingasse. Mas ele não gritou comigo, o que poupou um bocado de drama.

O último aluno da turma entrou exatamente no mesmo instante em que o sinal soou.

— Desculpe, sr. Chaucer. Eu estava pregando os cartazes da cerimônia de inauguração da próxima semana. O senhor ainda não começou a aula, começou?

Meu coração pulou quando ergui os olhos e vi o garoto que tinha acabado de entrar.

Tudo bem, não é segredo algum que odeio os adolescentes que namoram no ensino médio e vivem em estado delirante, falando sem parar sobre o quanto amam seus namorados ou suas namoradas. Admito honestamente que odeio as garotas que dizem que amam alguém antes mesmo do primeiro encontro. Não escondo minha opinião: o amor leva anos — cinco ou dez, no mínimo — para se desenvolver, e, para mim, relacionamentos do ensino médio são totalmente idiotas. Todo mundo sabia que eu pensava assim… Mas o que ninguém sabia é que eu era quase uma hipócrita.

Bom, tudo bem, Isabelle e Emma sabiam, mas elas não contavam.

Mark Blackthorn. Se deixássemos de lado a trágica aliteração, Mark era perfeito em todos os sentidos. Não era um jogador de futebol imerso em testosterona.

Não era um hippie-meigo-tocador-de-violão. Não escrevia poesia, nem usava lápis de olho. Claramente Mark não poderia ser considerado uma beleza, mas isso era uma vantagem para mim, certo? Os esportistas, membros de bandas e garotos emo não olhavam duas vezes — como Jace tinha afirmado com tanta gentileza — para uma Duff. Era mais provável que eu tivesse uma chance com caras inteligentes, politicamente ativos e, como o Mark, de algum modo socialmente inadequados. Certo?

Errado, errado, errado.

Mark Blackthorn era o cara perfeito para mim. Infelizmente, ele desconhecia esse fato. Isso se devia, em grande parte, à minha incapacidade em formar frases coerentes cada vez que ele se aproximava. Eram grandes as chances de Mark acreditar que eu era muda ou alguma coisa do tipo. Ele jamais me olhou ou falou comigo, nem sequer pareceu reconhecer minha existência no fundo da sala de aula. Para uma garota com uma bunda grande, eu me sentia completamente invisível.

Mas eu percebi a presença de Mark. Notei seu antiquado, mas encantador, cabelo loiro na altura das orelhas e sua pele pálida, cor de marfim. Notei seus olhos verde-mar escondidos sob as lentes de óculos ovais. Notei que ele usava um casaco que combinava com tudo, e notei a forma comovente como mordia o lábio inferior enquanto pensava muito em alguma coisa. Eu estava… bem, não apaixonada, mas certamente gostando dele. Eu estava gostando bastante de Mark Blackthorn.

— Ah, tudo bem… — murmurou o sr. Chaucer. — Trate de ficar de olho no relógio amanhã, sr. Blacktorn.

— Pode deixar, senhor.

Mark se sentou na primeira fila, ao lado de Tessa Gray. Como uma stalker, prestei atenção na conversa deles, enquanto o sr. Chaucer escrevia os pontos principais da aula no quadro-negro. Não costumo me comportar de forma tão esquisita, mas bem… gostar de alguém leva as pessoas a fazer umas coisas malucas. Pelo menos essa é a desculpa que se ouve por aí.

— Como foi seu fim de semana, Mark ? — perguntou Tessa que estava sempre com aquele sorriso perfeito. — Algum programa emocionante?

— Foi bom — disse Mark. — Meu pai levou Cristina e eu para fora do estado. Fomos visitar a Universidade Southern Illinois. Foi bem divertido.

— Cristina é a sua irmã? — perguntou Tessa.

— Não. É a minha namorada. Ela estuda na escola Oak Hill. Nunca falei dela? Bom, fomos aceitos lá, então quisemos dar uma olhada. Estou visitando outras universidades, mas estamos juntos há um ano e meio e queremos ir para o mesmo lugar para evitar o problema do namoro a distância.

— Que amor! — exclamou Tessa. — Eu, na verdade, estou pensando em fazer apenas alguns cursos na FCOH antes de decidir para qual universidade ir.

Minha pele não estava mais formigando, mas agora meu estômago dava cambalhotas idiotas. Pensei que ia vomitar, e precisei lutar contra o impulso de sair correndo da sala de aula com a mão na boca. Por fim, acabei vencendo a batalha para manter o meu café da manhã no lugar devido, mas ainda me sentia péssima.

Mark tinha uma namorada? Já fazia um ano e meio? Ai meu Deus! Como nunca soube disso? E eles iam para a universidade juntos? Isso significava que ele era um desses românticos estúpidos e cafonas de quem eu vivia zombando?

Esperava muito mais de Mark Blackthorn. Esperava que ele fosse tão cético quanto eu sobre a natureza do amor adolescente. Esperava que encarasse a universidade como uma decisão muito importante, e não como alguma coisa a ser escolhida de comum acordo com o namorado ou a namorada. Esperava que ele fosse… bem, esperto!

Mas de qualquer forma, ele jamais namoraria com você, sussurrou uma vozinha dentro da minha cabeça, aflitivamente parecida com a voz de Jace Herondale. Você é a Duff , lembra? A namorada dele é provavelmente mais magra do que você e tem peitos grandes.

Ainda nem era a hora do almoço, e eu já queria pular de um precipício. Ah, tá, tudo bem, sou meio que chegada a um drama. Mas, definitivamente, queria voltar para casa e ir para a cama. Queria esquecer que Mark tinha namorada.

Queria limpar a sensação das mãos de Jace em minha pele. Mas queria, mais do que tudo, apagar a palavra Duff da minha mente.

                        

                         °°°°°°°°°°


Ah, sim, e as coisas conseguiram piorar nesse dia.

Lá pelas seis da tarde, o cara do telejornal começou a falar de uma tempestade de neve que aconteceria “no começo da manhã”. Acho que o Conselho Escolar teve pena de nós, já que não tínhamos enfrentado nenhum dia de neve até então, porque suspendeu as aulas do dia seguinte antes mesmo de a tempestade chegar. Por isso, Izzy me ligou às sete e meia da noite e insistiu para irmos ao Pandemônio, já que não teríamos de levantar cedo no dia seguinte.

— Não sei, não, Izzy — falei. — E se as ruas estiverem ruins? — Eu admito. Estava procurando qualquer razão que servisse como desculpa para não ir. Meu dia tinha sido bem ruim até ali. Não sabia se conseguiria suportar mais algumas horas naquele lugar infernal.

— Clary, a tempestade não deve chegar antes de, tipo, três da manhã por aí. Desde que estejamos em casa até essa hora, vai ficar tudo bem.

— Tenho um monte de lição de casa.

— Mas você não precisa entregar nada até quarta-feira. Pode fazer amanhã, pode passar o dia todo fazendo lição se quiser.

Eu dei um suspiro.

— Você e a Emma não conseguem outra carona? Realmente não estou a fim. Foi um dia péssimo, Izzy.

Eu sempre podia contar com Isabelle se adiantando ao menor sinal de problemas.

— O que houve? — perguntou. — Você está bem? Você não parecia muito bem no almoço. É alguma coisa sobre a sua mãe?

— Isabelle…

— Conte o que aconteceu.

— Nada — garanti. — Mas hoje o dia foi uma droga, entende? Não aconteceu nada importante ou coisa assim. Só não estou com paciência para ir para a farra com vocês esta noite.

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha. Finalmente, Isabelle disse:

— Clarissa, você sabe que pode contar qualquer coisa pra mim, né? Sabe que pode conversar comigo se precisar. Não fique guardando as coisas pra você. Isso não é saudável.

— Isabelle, estou be…

— Você está bem — ela me interrompeu. — Certo, sei disso. Só estou dizendo que, se tiver um problema, estou aqui pra ajudar.

— Eu sei — murmurei. E me senti culpada por deixá-la aflita com algo tão estúpido. Eu tinha o péssimo hábito de esconder as minhas emoções, e Izzy sabia disso muito bem. Ela sempre estava tentando cuidar de mim. Sempre tentando fazer com que eu compartilhasse meus sentimentos para que depois eles não explodissem na minha cara. Aquela intromissão podia ser bem irritante, mas saber que alguém se preocupava comigo… bem, era bacana. Não podia me irritar de verdade com isso.

— Eu sei, Izzy. Mas estou bem. É só que… hoje eu descobri que Mark tem namorada e fiquei meio desanimada. Só isso.

— Ah, Clary — murmurou ela. — Que droga! Sinto muito. Talvez, se você vier com a gente esta noite, Emma e eu conseguimos animar você. Sabe, com duas bolas de sorvete e tudo o mais.

Dei uma risadinha.

— Obrigada, mesmo assim, não. Acho que vou ficar em casa esta noite.

Desliguei o telefone e fui para o andar de baixo, onde encontrei meu pai usando o telefone sem fio na cozinha. Eu o ouvi antes mesmo de vê-lo. Ele estava gritando. Fiquei parada na porta, achando que ele me veria e imediatamente falaria mais baixo. Pensei que algum atendente de telemarketing estivesse levando uma bronca de Valentim Morgenstern, mas aí meu nome foi citado.

— Pense na Clarissa e no que você está fazendo com sua filha! — Os gritos de meu pai, imagino que de raiva, soavam mais como uma súplica. — Isso não faz bem para uma garota de dezessete anos. Ela precisa de você em casa, Jocelyn. Nós precisamos de você aqui.

Escapuli para a sala de estar, surpresa em vê-lo falar assim com mamãe.

Para ser sincera, não sabia como deveria me sentir a respeito das coisas que ele dissera. Quer dizer, claro que sentia falta da minha mãe. Se ela estivesse sempre em casa, a vida seria muito legal, mas àquela altura já estávamos acostumados a ficar sem ela.

Minha mãe era palestrante motivacional. Quando eu era pequena, ela escreveu um livro de autoajuda, inspiracional, desses que ensinam você a fortalecer sua autoestima. Não tinha vendido muito bem, mas ela recebia convites para falar em universidades, grupos de apoio e formaturas por todo o país. E, como o livro não era um campeão de vendas, as palestras dela não eram tão caras. 

Durante um tempo, minha mãe aceitou apenas palestras na região. Das que podia fazer e voltar para casa dirigindo, assim que terminasse de ensinar as pessoas a se amarem. Mas depois da morte da minha avó, quando eu tinha doze anos, mamãe ficou meio deprimida. E meu pai veio com a ideia de ela tirar umas férias. Queria que ela desse uma escapadela por umas duas semanas.

Quando mamãe voltou, contou sobre os lugares que tinha visto e as pessoas que tinha conhecido. Acho que talvez tenha sido isso que instigou sua mania de viajar. Porque, depois de suas primeiras férias, minha mãe começou a agendar palestras em todo canto. No Colorado e em New Hampshire. Eram verdadeiras turnês de palestras motivacionais.

Só que a turnê em que estava agora tinha sido a mais longa. Ela estava longe de casa havia quase dois meses, e eu nem sabia mais por onde ela andava.

Obviamente era por isso que o meu pai estava tão irritado. Porque ela estava ausente havia muito, muito tempo.

— Droga, Jocelyn! Quando você vai deixar de se comportar como uma criança e voltar pra casa? Quando você volta para nós… para ficar? — A forma como meu pai hesitou para pedir aquilo quase me fez chorar. — Jocelyn… — murmurou ele. — Jocelyn, nós amamos você. Clarissa e eu sentimos sua falta e queremos que volte.

Eu me espremi contra a parede que me separava de meu pai, mordendo o lábio. Deus, aquilo estava ficando patético. Quero dizer, por que eles simplesmente não pediam o divórcio? Eu era a única que enxergava que as coisas não iam bem? Por que continuavam casados se mamãe estava sempre indo embora?

— Jocelyn… — disse papai, e pareceu que ele ia cair no choro a qualquer instante. Então o ouvi desligar o telefone. A conversa tinha acabado.

Dei a ele alguns minutos antes de entrar na cozinha.

— Oi, papai. Tudo bem?

— Sim — respondeu ele. Deus, ele mentia muito mal. — Ah, está tudo bem, Ariel. Acabo de falar com a mamãe e… ela mandou dizer que ama você.

— Onde ela está agora?

— Ah… em Orange County — disse ele. — Visitando a sua tia Leah enquanto dá palestras em uma escola de ensino médio de lá. Bacana, né? Você pode dizer aos seus amigos que a sua mãe está lá em O. C. Você gosta dessa série, não?

— Sim — concordei. — Bem, gostava… mas foi cancelada há alguns anos.

— Ah, bem… parece que estou atrasado, Ariel. — Segui o olhar dele para o balcão, onde ele tinha deixado as chaves do carro. Ele notou e desviou o olhar no mesmo momento, antes que eu pudesse dizer alguma coisa. — Quais são seus planos pra hoje à noite? — perguntou meu pai.

— Bom, eu poderia fazer alguma coisa, mas… — Limpei a garganta, sem saber como continuar. Papai e eu não estávamos realmente acostumados a conversar. — Eu poderia ficar em casa também. Quer que eu fique e, tipo, assista televisão com você ou alguma coisa assim?

— Ah, não, Ariel — disse ele com um sorriso nada convincente. — Vá, divirta-se com as suas amigas. Até porque acho que hoje vou dormir bem cedo.

Olhei dentro dos olhos dele, esperando que mudasse de opinião. Meu pai sempre ficava muito triste depois das brigas com mamãe. Eu estava preocupada com ele, mas não sabia muito bem como dizer isso.

E, lá no fundo, eu tinha medo. Era bobagem, na verdade, mas não conseguia apenas esquecer. Meu pai era um alcoólatra em recuperação. Quero dizer, ele tinha parado de beber antes de eu nascer e não tinha bebido sequer uma gota desde então… mas às vezes, quando as brigas com a minha mãe ficavam feias, eu realmente me assustava. Tinha medo de que ele pegasse o carro e fosse direto para a loja de bebidas ou qualquer coisa desse tipo. Eu disse que era bobagem, mas era um medo do qual não conseguia me livrar.

Papai interrompeu nosso contato visual, parecia desconfortável. Deu as costas para mim e foi até a pia lavar o prato no qual tinha comido espaguete. Eu queria ir até lá, tirar o prato da mão dele — sua desculpa patética para evitar uma conversa — e jogá-lo no chão. Queria lhe dizer que toda essa história com a mamãe era estupidez. Queria que ele percebesse que enorme perda de tempo eram todas essas brigas e discussões idiotas, que ele só precisava admitir que as coisas não iam bem.

Mas, é claro, não podia fazer isso. Tudo o que consegui dizer foi:

— Pai…

Ele me encarou, balançando a cabeça, com um pano úmido na mão.

— Saia daqui, vá se divertir — disse ele. — Falo sério, quero que vá. Só se é jovem uma vez.

Não tinha como discutir. Aquela era a maneira sutil de meu pai me informar que ele queria ficar sozinho.

— Tudo bem… — respondi. — Se você tem certeza… Vou telefonar pra Isabelle.

Subi a escada para o meu quarto. Apanhei meu celular em cima da cômoda e chamei o número de Izzy. Depois de dois toques, ela atendeu.

— Oi, Izzy. Mudei de ideia sobre irmos ao Pandemônio… E… você acha que estaria tudo bem se eu dormisse na sua casa esta noite? Conto tudo mais tarde, mas… é que não quero ficar em casa hoje.

Dobrei novamente as roupas limpas do chão antes de sair, mas isso não me ajudou tanto quanto costumava ajudar.


Notas Finais


ABSOLUTAMENTE NADA A DECLARAR!!
Comentem 💜
Até o próximo sábado
Beijos DIVAS 💜


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