História The Edge Of Never - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Laura Prepon, Orange Is the New Black, Taylor Schilling
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Visualizações 191
Palavras 6.623
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hoje é dia! 😈

Capítulo 18 - Experiences Never Lived.


Não sei o porquê, mas estou tremendo ao olhar para ela.

— Deve ter sido alguma coisa bem grave — Alex insiste, se aproximando —, e quero que você me conte.

Bem grave? Que legal, agora ela complicou a situação; mesmo se eu contasse, pelo menos antes não achava que ele esperava ouvir algo terrível. Agora que sei que ele espera, sinto que deveria inventar alguma coisa.

Não invento, é claro.

Sinto a cama se mexer quando Alex se senta ao meu lado. Ainda não consigo olhar para elas; meus olhos continuam grudados na TV. Meu estômago está revirado pela culpa e também por alguma outra coisa, um formigamento, quando penso no quanto ela está próximo. Mas sobretudo pela culpa.

— Já deixei você ficar sem me contar nada faz um bom tempo — ela argumenta. Apoia os cotovelos nas coxas de novo e se senta como havia se sentado na espreguiçadeira, com as mãos unidas no meio das pernas. — Uma hora você precisa me contar.

Olho para ela e digo:

— Não é nada comparado com o que você está passando. — E paro por aí, me virando para a TV de novo.

Por favor, não pergunta mais nada, Alex. Contar é o que eu mais quero, porque de alguma forma sei que você vai conseguir entender tudo, que você pode resolver tudo. Droga. O que é que eu estou dizendo? Por favor, não me pergunta mais nada...

— Você está comparando? — ela diz, despertando minha curiosidade. — Então você acha que, como meu pai está morrendo, os motivos que levaram você a fazer o que fez não são importantes? — ela fala como se essa simples ideia já fosse absurda.

— Isso mesmo — digo —, é exatamente o que eu acho.

Um de suas sobrancelhas se erguem e ela olha um pouco para a TV antes de se virar para mim.

— Bom, isso é uma puta babaquice — afirma com convicção. 

Viro a cabeça bruscamente.

Alex continua:

— Sabe, sempre detestei esta frase: Tem gente em situação pior que a sua; se você encarar como uma competição, claro, é sempre melhor viver de seguro-desemprego do que ficar cega, mas não é a porra de um concurso. Certo?

Ela está me perguntando porque quer saber o que eu acho? Ou é o jeito dela de me dizer como as coisas são, esperando que eu entenda?

Apenas balanço a cabeça.

— Dor é dor, gata. — Cada vez que Alex me chama de “gata”, presto mais atenção nisso do que em qualquer outra coisa que ela diz. — Só porque o problema de uma pessoa é menos traumático que o de outra, não significa que deva doer menos.

Acho que é um bom argumento, mas me sinto egoísta mesmo assim.

Alex toca o meu pulso e eu olho para ela, para o modo como seus dedos longos se fecham sobre o osso na base da minha mão. Quero beijá-la; a vontade dentro de mim chegou à superfície, mas engulo em seco e a forço para o fundo do meu estômago, que está tremendo por conta própria há vários segundos.

Tiro minha mão e me levanto da cama.

— Piper, olha, eu não quis dizer nada com isso. Só estava tentando...

— Eu sei — murmuro, cruzando os braços e ficando de costas para ela. Com certeza é um daqueles momentos “não é você, sou eu”, mas não vou jogar esse chavão no colo dela.

Sinto que ela fica de pé novamente, e então me viro devagar e a vejo pegando suas mochilas e o violão encostado na parede. Ela vai até a porta. Quero segurá-la aqui, mas não consigo.

— Vou te deixar dormir um pouco — ela diz baixinho.

Balanço a cabeça, mas não digo nada enquanto a assisto partir, porque temo que, se eu falar, minha mente vai trair minha boca e vou me afundar mais ainda nesta situação perigosa com Alex, que está ficando mais evidente a cada dia que passamos juntas.

Eu me odeio por ter deixado Alex sair por aquela porta, mas era necessário. Não posso fazer isso. Não posso me deixar cair no mundo que é Alex Vause, embora tudo no meu coração e nos meus desejos me peça isso. Não é só questão de ter medo de sofrer de novo; todos passam por essa fase, e talvez eu ainda não a tenha superado completamente, mas são tantas outras coisas.

Eu não me conheço.

Não sei o que quero, como me sinto ou como deveria me sentir, e acho que nunca soube, na verdade. Seria uma vaca egoísta se deixasse Alex entrar na minha vida. E se ela se apaixonar, ou quiser algo de mim que não posso dar? E se eu acrescentar um coração partido à morte do pai dela? Não quero a dor dela na minha consciência.

Me viro de repente e olho para a porta outra vez, lembrando a expressão de Alex antes que saísse. Talvez essa nem seja a questão. Quanta pretensão minha até considerar a ideia de ela se apaixonar por mim. Talvez ela queira apenas uma amizade colorida ou uma simples transa que nunca experimentei.

Minha cabeça está rodando com um turbilhão caótico de pensamentos, nenhum dos quais acho certo, e sei que todos são possíveis. Ando até o espelho e me olho nele, olho nos olhos de uma garota que sinto que conheço, mas da qual nunca me tornei verdadeiramente íntima. Me sinto realmente separada de mim mesma, de tudo.

Foda-se!

Cerro os dentes e bato com as mãos abertas na mesinha da TV. Depois pego o novo short preto, minha nova camiseta branca com je t’aime escrito em letra cursiva ao redor da Torre Eiffel, e vou para o chuveiro. Fico uma eternidade debaixo do jato d’água, não porque me sinto suja, mas porque me sinto uma merda. Só consigo pensar em Alex. E em Larry. E em por quê, afinal, sinto essa necessidade estranha e provocante de pensar em Alex de maneira promiscua.

Depois que a água quente parece ter arrancado minha primeira camada de pele, saio e me enxugo, ensopando a toalha com meu cabelo. Uso o secador nua, na frente do espelho, e depois volto para o quarto para me vestir, porque não levei uma calcinha limpa para o banheiro. Finalmente, penteio meu cabelo ainda úmido e o deixo terminar de secar naturalmente, passando-o atrás das orelhas para que não caia no rosto.

Ouço Alex tocando violão através da parede de novo. A TV continua tagarelando e aquilo me irrita, por isso me levanto, pisando duro, e desligo o aparelho para ouvi-la melhor. Fico ali por alguns segundos, absorvendo as notas que atravessam a parede e chegam dolorosamente aos meus ouvidos. Não é uma música triste, mas por algum motivo acho doloroso mesmo assim.

Finalmente, pego minha chave, enfio os pés nos chinelos e saio do quarto. Passando nervosamente a língua nos lábios ressecados, respiro fundo, engulo em seco e levanto a mão para bater de leve em sua porta.

O som do violão se interrompe, e alguns segundos depois a porta se abre com um estalo. Ela também tomou banho. Seu cabelo ainda está molhado; tem uns fios bagunçados na testa. Ela me olha, vestindo um sutiã e um short curto de lona preta. Tento não olhar para sua barriga lisa, nem para seus seios fartos e de certa forma parecem mais pronunciados, como o resto de sua pálida pele à mostra.

Oh, meu Deus! Talvez seja melhor eu voltar... Não, eu vim para conversar com ela e é isso que vou fazer.

Vejo pela primeira vez a tatuagem do lado esquerdo do seu corpo e quero perguntar sobre ela, mas vou deixar para depois.

Ela sorri delicadamente para mim.

— Tudo começou mais ou menos há um ano e meio — começo a contar sem rodeios —, uma semana antes da formatura. Meu namorado morreu num acidente de carro.

Seu sorriso suave desaparece e seus olhos ficam mais meigos, só o suficiente para mostrar que ela lamenta por mim, sem que isso pareça falso ou exagerado.

Alex termina de abrir a porta e eu entro. A primeira coisa que ela faz, mesmo antes que eu me sente no pé da cama, é vestir uma regata escura. Talvez não queira que eu pense que está tentando me distrair ou me paquerar, especialmente quando fui lá para contar algo obviamente doloroso. Eu a respeito ainda mais por isso. Esse gesto pequeno e aparentemente insignificante vale por mil palavras, e por mais que seja uma pena vê-la esconder aquele corpo, eu aceito. Não foi para isso que vim.

Eu acho...

Há uma espécie de tristeza genuína em seus olhos verdes, misturada com algo de consideração. Alex desliga a TV e se senta ao meu lado, do mesmo jeito que se sentou na minha cama, e me olha, esperando pacientemente que eu continue.

— Nós nos apaixonamos com 16 anos — continuo, olhando para a frente —, mas Larry esperou dois anos... dois anos — olho para ela para enfatizar —, até que eu dormisse com ele. Não sei de nenhum adolescente que esperaria tanto tempo para transar com uma garota.

Alex faz cara de quem concorda.

— Tive uns namoros curtos antes de Larry, mas os garotos eram tão... — olho para cima, procurando a palavra certa — mundanos. Para dizer a verdade, com 12 anos eu já tinha começado a achar que um monte de gente era mundana.

Alex parece refletir, com o cenho levemente franzido.

— Mas Larry era diferente. A primeira coisa que ele me disse, depois que a gente se conheceu e conversou de verdade, foi: “Eu queria saber se o oceano tem um cheiro diferente do outro lado do mundo.” Primeiro eu ri, porque achei que era uma coisa esquisita pra se falar, mas depois percebi que aquela simples frase o diferenciava de todo mundo que eu conhecia. Larry era um cara que estava do lado de fora, olhando para todos nós correndo pra lá e pra cá, fazendo as mesmas coisas todo dia, seguindo os mesmos caminhos, feito formigas num formigueiro de vidro. E eu sempre soube que queria algo mais da vida, algo diferente, mas foi quando conheci Larry que as coisas começaram a ficar claras para mim. 

Alex sorri com ternura e diz:

— Resolvida e madura antes dos 20 anos... Isso é raro.

— É, acho que sim — concordo, sorrindo para ela, e continuo, soltando uma risadinha: — Você nem acreditaria o quanto Damon, Polly ou até minha mãe e meu irmão, Cal, ficavam me enchendo por eu ser tão “cabeça”. — Faço aspas com os dedos ao dizer a palavra e reviro os olhos.

— Ser cabeça é bom — Alex afirma, e olho disfarçadamente, porque detecto a atração, embora ela a esteja domando muito bem, em nome da conversa. Mas então seu sorriso desaparece e sua voz fica um pouco mais baixa. — Então, quando você perdeu Larry, perdeu seu parceiro no crime.

Meu sorriso também desaparece e eu apoio as mãos na beirada da cama, deixando meu corpo afundar entre os ombros.

— Sim. Nós íamos mochilar pelo mundo depois da formatura, ou talvez só pela Europa, mas estava decidido; isso já tava planejado, pelo menos. — Olho diretamente para Alex, agora. — Nós sabiamos que não queríamos fazer uma faculdade e acabar trabalhando 40 anos no mesmo emprego, queriamos trabalhar em todo lugar, tentar tudo, botar o pé na estrada!

Alex ri.

— Na verdade, é uma ideia muito legal — ela observa. — Uma semana você está de garçonete num bar, juntando gorjetas, e na seguinte, em outra cidade, fazendo dança do ventre numa esquina e os turistas passando e jogando moedas num pote.

Meus ombros caídos balançam um pouco com o riso e fico vermelha, olhando para ela.

— Garçonete, tudo bem, mas dança do ventre? — Balanço a cabeça. — Menos. Bem menos.

Ela abre um sorriso e protesta:

— Ah, você conseguiria.

Ainda com o rosto quente e vermelho, olho para a frente e espero voltar ao normal.

— Seis meses depois que Larry morreu — continuo —, meu irmão, Cal, matou um sujeito num acidente ao dirigir bêbado, e agora está na prisão. E depois disso, meu pai traiu minha mãe e eles se divorciaram. Meu novo namorado, Christian, me traiu. E, claro, você já sabe o que aconteceu com Polly.

Isso é tudo. Contei todas as coisas que, juntas, me fizeram querer fugir. Mas não consigo olhar para ela porque sinto que não deveria ser só isso, como se ela estivesse pensando: Okay, e cadê o resto?

— É muita coisa caindo no colo de uma pessoa só — Alex diz, e volto a erguer o olhar quando sinto que ela está se ajeitando na cama perto de mim. Sinto seu hálito de hortelã, agora que ela virou o corpo completamente para o meu lado. — Você tem todo o direito de estar magoada, Piper.

Não digo nada, mas agradeço com os olhos.

— Acho que agora entendi por que não foi difícil te convencer a fazer esta viagem comigo — ela continua.

Seu rosto é indecifrável. Espero que ela não pense que a estou usando para fazer uma imitação daquela parte da minha vida que planejei com Larry. Toda a situação de cair na estrada é parecida, até para mim, agora que penso a respeito, mas o que me levou a partir com ela não poderia ser mais diferente. Estou com Alex agora porque quero estar.

É nesse momento que me dou conta de que não penso tanto em Larry e Alex por estar tentando achar Larry em Alex, o que é impossível. Acho que é a culpa... talvez eu esteja tentando substituir Larry completamente.

Levanto da cama e tiro essas ideias da cabeça.

— E o que você vai fazer? — Alex pergunta atrás de mim. — Depois que esta viagem acabar, o que planeja fazer da vida?

Meu coração endurece no peito. Nem uma vez durante a viagem com Alex, ou mesmo antes de conhecê-la, depois que saí da Carolina do Norte, pensei além do presente. Não foi nem questão de tentar não pensar no que viria; simplesmente não pensei e pronto. A pergunta dela me acorda e agora me sinto em pânico. Nunca quis uma dose dessa realidade; estava satisfeita com minha ilusão.

Eu me viro, com os braços cruzados sobre o peito. Os lindos olhos de Alex me fitam intensamente.

— Eu... na verdade, não sei.

Ela parece um pouco surpresa, seu olhar se torna mais contemplativo e seus olhos vagam.

— Você ainda pode fazer faculdade — ela sugere, oferecendo ideias para que eu me sinta melhor, acho —, e isso não significa que você vai precisar arranjar um emprego em seguida e trabalhar nele até morrer. Porra, você ainda pode mochilar pela Europa, se quiser.

Alex se levanta comigo. Posso ver que as engrenagens estão girando na sua cabeça enquanto ela anda descalça pelo carpete verde-escuro.

— Você é linda — diz, e meu coração palpita —, é inteligente, e obviamente mais determinada do que a média das garotas; acho que poderia fazer o que você quisesse; porra, sei que parece um lugar-comum, mas não pode ser mais verdadeiro no teu caso.

Dou de ombros.

— Acho que sim — reflito —, mas não tenho a menor ideia do que eu quero, a não ser que não quero voltar pra casa para ficar pensando nisso. Acho que meu medo de voltar para lá é me afundar na mesma bosta da qual saí quando subi no ônibus naquele dia.

— Me diz uma coisa — Alex pergunta de repente, e meus olhos voltam para ela —, qual é a coisa mais frustrante para você na convivência com o resto do mundo?

Mais frustrante?

Penso nisso por um segundo, meu olhar fixo no abajur de cobre preso à parede ao lado da cama.

— Eu... não tenho certeza.

Alex se aproxima de mim e apoia dois dedos no meu braço, me guiando para sentar novamente com ela, e eu obedeço.

— Pensa um pouco — ela continua —, baseada no que você já me contou, qual a diferença entre você e eles?

Odeio saber que estou demorando para entender alguma coisa que ela parece já ter pensado. Olho para minhas mãos no meu colo e penso muito, profundamente, até que me vem a única resposta que sinto que pode ser a certa, mas ainda não estou totalmente convencida.

— Expectativas?

— Isso é uma pergunta ou a sua resposta?

Desisto.

— Não sei direito; tipo, me sinto... limitada perto de qualquer pessoa, a não ser de Larry, claro.

Ela balança a cabeça e me ouve, me deixando falar sem interromper enquanto a resposta está se formando na minha mente.

E então, do nada, as respostas vêm:

— Ninguém quer fazer as mesmas coisas que eu — começo, e minha explicação sai mais rapidamente, agora que tenho mais confiança na resposta. — Como esse lance de viver livre e não seguir o caminho normal, sabe? Ninguém quer sair da sua zona de conforto para fazer isso comigo, porque não é o que a maioria das pessoas fazem. Eu tinha medo de contar para os meus pais que não queria ir para faculdade, porque era isso que eles esperavam que eu fizesse. Aceitei um emprego numa loja de departamentos porque minha mãe esperava que ele fosse me realizar de alguma forma. Ia com a minha mãe todo sábado visitar meu irmão na prisão porque ela esperava que eu fosse, porque ele é meu irmão e eu deveria querer vê-lo, embora não quisesse. Polly tentava incansavelmente me arrumar um cara porque achava anormal eu não ter ninguém. 

“Acho que tive medo de ser eu mesma a maior parte da minha vida.” 

Viro a cabeça na direção de Alex.

— De certa forma, era assim até com Larry.

Desvio o olhar rapidamente porque essa última parte não era algo que eu realmente esperava dizer em voz alta. Escapou enquanto a revelação se formava tão rápido na minha mente.

Alex parece curiosa, mas ao mesmo tempo sem saber se deve perguntar mais. Não sei bem se devo entrar em detalhes.

Ela assente com a cabeça. Pelo jeito, decidiu que não tem o direito de avançar nesse assunto específico.

Alex morde a bochecha por dentro. Eu a observo por um momento, sempre tentando aplacar a atração óbvia que sinto, mas está ficando mais difícil. Olho para seus lábios e me pergunto que sabor teriam. E então me obrigo a desviar os olhos — estou fazendo isso de novo. Agora mesmo. Estou com medo de lhe dizer o que quero. Ou ao menos o que acho que quero.

— Alex — digo, e seu rosto reage silenciosamente à minha voz pronunciando o seu nome.

Pensa nisso, Piper, digo a mim mesma. Tem certeza que é isso que você quer?

— Sim? — ela pergunta.

— Você já teve uma transa de uma noite só?

É como se eu deixasse escapar o maior segredo que já me contaram, diante de um microfone, numa sala cheia de pessoas. Mas agora já foi. Ainda nem tenho certeza absoluta de que é o que quero, mas está na minha cabeça já há algum tempo. Lembro vagamente que pensei nisso enquanto estava naquele teto com Blake.

O rosto de Alex perde toda a emoção e ela parece não conseguir encontrar palavras para dizer. Instantaneamente, meu coração para e chego a sentir náuseas.

Sabia que não devia ter dito isso!

Me levanto da cama num pulo.

— Desculpa; meu Deus, você deve...

Ela estende a mão e me segura pelo pulso.

— Senta, Piper.

Relutantemente, me sento, mas não consigo olhar para ela. Estou com uma puta vergonha.

— Qual é o seu problema? — Alex pergunta.

— Hã?

Olho para ela.

— Você está fazendo isso agora mesmo. — Ela mexe as mãos para enfatizar o “agora mesmo”; seu cenho está franzido.

— Fazendo o quê?

Ela passa a língua nos lábios, suspira como se estivesse decepcionada e finalmente explica:

— Piper, você começou a me contar algo que deve ter considerado uma ou duas vezes, e quando enfim tomou coragem para dizer o que tinha em mente, deu meia-volta e se arrependeu. — Alex me olha fundo nos olhos, os dela cheios de intensidade e conhecimento e mais alguma coisa que ainda não consigo decifrar. — Faz a pergunta de novo e, desta vez, espera a minha resposta.

Fico em silêncio, analisando aquela expressão incerta em seu rosto, me sentindo insegura por causa dela. Ou talvez esteja apenas insegura comigo mesma.

Engulo em seco e digo:

— Você já teve uma transa de uma noite só?

Sua expressão não muda e nem desanima.

— Sim, já tive algumas.

Ela está esperando por mim, agora, embora eu ainda não saiba ao certo como ficar à vontade nessa conversa cada vez mais embaraçosa. É como se Alex soubesse que estou me retorcendo por dentro, mas, para me ensinar uma lição, vai me obrigar a falar, em vez de bancar minha analista, como fez desde que entrei no seu quarto.

Suas sobrancelhas se erguem um pouco, como que para dizer: E então?

— Bom, eu só estava querendo saber... porque nunca fiz nada assim.

— Por que não? — ela pergunta, tão casualmente.

Olho para baixo, depois levanto os olhos novamente para que ela não me repreenda por isso.

— Bom, acho que é meio coisa de vadia, só isso.

Alex ri e isso me surpreende.

Finalmente, ela alivia um pouco minha tortura.

— Se uma garota faz muito isso — ela encomprida a palavra “muito”, com um sorriso enojado —, aí vira coisa de vadia, claro. Uma vez ou outra, não sei... — ela mexe as mãos na altura dos ombros, como que pensando em números, indecisa — não tem nada de errado.

Por que ela não se aproveita disso totalmente agora mesmo? Começo a sentir um pouco de pânico, me perguntando por que ela ainda está bancando a analista em vez de partir para a sedução e ir logo ao que interessa.

— Okay, então...

Não consigo dizer. Simplesmente não é minha cara conseguir falar casualmente sobre qualquer coisa sexual minha. Só consigo vagamente com Polly.

Alex suspira e seus ombros afundam.

— Você quer dormir comigo, quer ter uma transa de uma noite só comigo? — Ela sabia que eu não ia ter coragem de falar, então cedeu e falou por mim.

A pergunta, embora óbvia para ambas, tira meu fôlego. Partindo dela, é tão embaraçosa e constrangedora quanto se tivesse partido de mim, ou mais até.

— Talvez...

Ela se levanta, olha para mim e diz:

— Desculpa, mas não estou interessada em você dessa forma.

O maior soco do mundo acaba de me atingir em cheio no estômago. Minhas mãos ficam rígidas, agarrando a borda do colchão, deixando meus braços completamente imóveis até os ombros. Tudo o que quero agora é sair correndo por aquela porta, me trancar no meu quarto e nunca mais ver Alex. Não porque não queira vê-la, mas porque não quero que ela me veja.

Nunca fiquei tão envergonhada em toda a minha vida. E é isso que eu ganho por dizer o que penso! Não sei se devo aceitar como uma lição ou odiar Alex por ter me colocado nessa posição. 

Numa fração de segundos, pulo da cama e vou o mais rápido possível até a porta.

— Piper, para.

Continuo andando, até mais rápido quando sinto que Alex está vindo atrás de mim, viro a maçaneta e desabalo pelo corredor.

— Por favor, espera um momento, porra! — ela diz, me seguindo, e posso sentir a ira aumentando em sua voz.

Eu a ignoro, ponho a mão no bolsinho de trás do short e tiro minha chave-cartão, enfiando-a na minha porta. Entro e me viro para fechar a porta, mas Alex já entrou atrás de mim.

A porta se fecha atrás dela.

— Quer me escutar? — ela tenta mais uma vez, exasperada.

Não quero olhar para ela, mas olho mesmo assim. Seus olhos estão arregalados, ferozes e sinceros quando finalmente me viro. 

Ela se aproxima de mim e me segura delicadamente pelos braços. E então se curva e aperta suavemente seus lábios contra os meus. Me derreto toda, mas ainda estou confusa demais para reagir adequadamente. Confusa, atordoada e com o coração disparado.

Ela se afasta e olha para mim, com o rosto totalmente sincero, e inclina a cabeça para o lado... sorrindo.

— Qual é a graça? — pergunto com voz áspera, e tento me desvencilhar dela.

Alex me segura pelos braços e me força a lhe dirigir meu olhar humilhado, que está começando a refletir ressentimento.

— Falei que não estou interessada em você dessa forma, Piper, porque... — ela faz uma pausa, observando meu rosto, olhando para os meus lábios por um momento, como se estivesse tentando decidir se deve ou não beijá-los novamente. — Porque você não é uma garota com a qual eu conseguiria dormir só uma vez.

Suas palavras arrancam os pensamentos de mim, e meu coração disparado treme dentro do peito. Não consigo entender o que ela acabou de falar e, em vez de tentar decifrar exatamente o que ela quis dizer, organizo minha mente o melhor que posso e tento recuperar um pouco da compostura que perdi ao me precipitar para fora do quarto.

— Olha — ela diz, indo para o meu lado e passando a mão na minha cintura por trás. Só sentir seus dedos roçando minha pele causa arrepios naquele lado do meu corpo. Que diabos está acontecendo comigo? Eu quero Alex. No momento sinto que não tem mais volta, que eu me obrigaria a ser uma vadia só esta noite para mantê-la no quarto. Mas o que não entendo é por que sinto que quero dela mais do que sexo...

— Piper? — Sua voz me faz voltar ao que ela estava tentando dizer momentos atrás. Me fazendo sentar na cama, Alex agacha na minha frente no chão, me olhando nos olhos. — Não vou ter uma transa de uma noite só com você, mas vou te fazer gozar, se você deixar.

Um pequeno impulso elétrico acaba de atravessar o meu ventre, indo até o meio das minhas pernas.

— Quê? — Não consigo dizer mais nada, na verdade.

Ela sorri, fazendo suas covinhas ficarem só um pouco mais fundas, e encosta os braços dos lados das minhas coxas nuas, segurando minhas ancas com as mãos.

— Sem compromisso — diz. — Te faço gozar e, amanhã de manhã, quando nós acordarmos, estarei no meu quarto aqui ao lado, me preparando para ir com você ao nosso próximo destino. Nada vai mudar entre a gente, não vou falar do que aconteceu, nem por brincadeira. Vai ser como se nunca tivesse acontecido.

Mal consigo respirar. Ela acaba de fazer o ponto mais sensível no meio das minhas pernas latejar, só com algumas palavras.

— Mas... E você? — consigo balbuciar.

— Eu o quê?

Ela aperta minhas ancas um pouco mais com as pontas dos dedos. Finjo não notar.

— Isso não... parece justo.

Nem sei mais o que estou dizendo. Ainda estou em choque só por isso estar acontecendo.

Alex apenas sorri para mim, nem um pouco abalada pelo meu comentário, e então, de repente, fica de pé e entra no meio das minhas pernas, me fazendo deslizar um pouco para trás na cama. Ela se senta na minha frente e me puxa para o seu colo, com uma perna de cada lado da sua cintura. Meus olhos estão arregalados e estou praticamente mordendo meu lábio inferior. Ela está agindo tão casualmente que só a surpresa de tudo isso me deixa mais molhada.

Ela passa os braços firmes nas minhas costas e se curva, roçando o meu queixo com a boca. Calafrios tomam conta de mim, dos pés à cabeça. Então ela me puxa para mais perto do seu corpo e sussurra perto da minha boca:

— É justo. Eu quero te fazer gozar e, pode acreditar, com certeza também vou ganhar alguma coisa com isso. — Sinto o sorriso em sua voz, olho nos seus olhos e não consigo resistir. Se Alex me mandasse virar e ficar de quatro para ela, eu obedeceria sem hesitação.

Ela roça o outro lado do meu rosto com os lábios.

— Então por que você não dorme comigo e pronto? — pergunto baixinho, mas depois tento escolher melhor as palavras. — Tipo, se você quiser fazer... mais alguma coisa comigo...

Ela afasta o rosto e põe um dedo sobre meus lábios para me calar.

— Vou dizer isso só uma vez — ela começa, e seus olhos parecem abismos agitados pela intensidade. — Mas não quero que você faça nenhum comentário quando eu disser, okay?

Balanço a cabeça nervosamente.

Ela para, molha os lábios com a língua e então diz:

— Se você me deixasse transar com você, teria que me deixar possuí-la e me possuir de corpo e alma.

Uma onda de prazer irrestrito estremece meu corpo todo. O choque de suas palavras me põe em submissão na hora. Meu coração está mandando dizer uma coisa. Minha mente está mandando dizer outra. Mas eu não consigo ouvir porra nenhuma que os dois estão dizendo por causa dessa sensação no meio das minhas pernas que está ficando cada vez mais impossível de ignorar.

Engulo com força, procurando desesperadamente alguma saliva. Parece que toda parte do meu corpo que normalmente produz líquidos parou de funcionar, porque todo o líquido foi redirecionado para aquele lugar no meio do meu corpo. Ainda não consigo respirar.

Meu Deus, ela ainda nem me tocou e eu já me sinto assim? Estou sonhando?

— Mas e se eu acariciá-la ou algo assim? — Admito; essa ideia está fazendo com que eu me sinta culpada.

Ela inclina a cabeça para um lado, sorrindo, e fico com vontade de beijá-la sofregamente.

— Eu falei para você não comentar.

— Eu-eu... bom, não comentei o que você falou, na verdade, só... — Ela enfia os dedos por baixo do tecido fino da minha calcinha e me toca. Gemo e esqueço o que tinha começado a dizer.

— Quieta — Alex ordena delicadamente, embora esteja falando completamente a sério. Meus lábios ficam selados e solto um segundo gemido quando ela enfia dois dedos dentro de mim e os mantém lá, com o polegar apertando meu osso da pélvis por fora. — Vai ficar quieta, Piper?

Eu balbucio a palavra s-sim e mordo o lábio inferior. Então seus dedos saem de dentro de mim. Quero implorar para que não os tire, mas ela me mandou ficar quieta de uma maneira que me deixa totalmente louca por ela e igualmente submissa, por isso não digo nada. 

Abro os olhos cuidadosamente quando ela passa os dedos molhados nos meus lábios, e instintivamente os lambo, só um pouco, até que ela os aproxima de seus próprios lábios e sorve o resto de mim com sua língua. 

Eu me curvo para ela, tocando sua boca com a minha, fechando os olhos devagar, só querendo sentir seu sabor e o meu nela. Sua língua serpenteia para tocar a minha, mas então ela me empurra delicadamente de volta para a cama, em vez de ceder ao beijo afoito que quero tão desesperadamente.

Alex enfia as duas mãos no tecido ao redor da minha cintura e tira meu short e minha calcinha, largando-os em algum lugar no chão. Depois sobe na cama e se deita ao meu lado, passando um braço sobre o meu corpo e enfiando a mão por baixo da minha camiseta. Não pus o sutiã mais cedo. Ela aperta suavemente um mamilo, depois o outro, e beija o meu queixo de novo. Cada pelinho da minha nuca fica de pé quando sua língua contorna a curva da minha orelha.

— Quer que eu toque nela? — Seu hálito é quente no lado do meu rosto.

— Sim — gemo.

Ela prende o lóbulo da minha orelha entre os dentes e sua mão começa a descer pela minha barriga, mas para na altura do meu umbigo.

— Me diz que você quer que eu toque — Alex suspira no meu ouvido.

Mal consigo abrir os olhos.

— Eu quero que você toque...

Ela desliza mais a mão e meu coração começa a pular ferozmente no peito, mas quando acho que ela vai me tocar, sua mão vai para a parte de dentro da minha coxa.

— Abre as pernas pra mim. — Deixo minhas pernas caírem devagar, mas ela as abre mais com a mão, seus dedos forçando minha carne até me deixar completamente exposta.

Ela se ergue do meu lado e se curva sobre meu corpo, puxando minha camiseta para expor meus seios, e então prende meus mamilos entre os dentes, um depois do outro. Depois passa a ponta da língua úmida sobre os dois e põe a boca neles, beijando sofregamente um de cada vez. Enfio os dedos no seu cabelo, querendo agarrá-la e puxá-la, mas não faço isso. 

Alex segue pelo meu tórax, descendo pelas costelas, traçando cada uma com a língua antes de chegar ao umbigo. Ela olha para mim com olhos semicerrados e dominantes e diz, com os lábios pressionados de leve contra a minha barriga:

— Você precisa me dizer o que quer, Piper. — Ela lambe minha barriga uma vez, tão lentamente que minha pele fica ondulada com os tremores. — Não vai ganhar nada se não me disser e não me fizer acreditar em você.

Inspiro sem forças, sentindo meu peito literalmente chocalhar.

— Por favor, por favor, me toca...

— Não acredito em você — Alex diz provocativamente, e lambe meu clitóris uma vez. Só uma vez. Ela para e me olha por cima da paisagem do meu corpo, esperando por mim.

Como tenho medo de dizer a palavra, sussurro tão baixinho:

— Por favor... quero que você chupe minha boceta — que Alex finge que não ouviu.

— Como? — ela pergunta e lambe meu clitóris de novo, desta vez demorando um pouco mais, e sinto uma onda de calafrios lá embaixo. — Não ouvi direito.

Digo de novo, levantando a voz só um pouco, ainda constrangida em dizer aquela palavra proibida, que sempre achei suja, errada e digna só dos filmes pornôs.

Alex enfia a mão entre minhas pernas e abre meus lábios com dois dedos. Ela me lambe uma vez. Só uma vez. Minhas coxas estão começando a tremer mais. Não sei quanto tempo mais posso esperar.

— Uma mulher que sabe o que quer no sexo — ela me lambe de novo, sempre me olhando nos olhos —, e não tem medo de dizer, dá um puto tesão, Piper... Diz. O. Que. Você. Quer. Senão eu não dou. — Ela me lambe de novo e eu não aguento mais.

Estendo as mãos e a seguro pelo cabelo, empurrando seu rosto para o meio das minhas pernas, o quanto ela me permite, e digo, olhando nos seus olhos:

— Chupa a minha boceta, Alex; puta que pariu, chupa a droga da minha boceta!

Percebo o sorriso mais sinistro que já vi em seu rosto, pouco antes que minhas pálpebras se fechem e minha cabeça cair para trás quando ela começa a me lamber, sem parar desta vez. Ela chupa com força o meu clitóris e tira e põe os dedos em mim ao mesmo tempo, e penso que vou desmaiar. Não consigo abrir os olhos; parecem ébrios de prazer. 

Levanto os quadris na direção dela e quase arranco seu cabelo, mas ela não perde o ritmo. Me lambe com força e rápido e de vez em quando diminuindo a velocidade para me chupar e passar o polegar no meu clitóris intumescido, antes de mergulhar a língua novamente. E quando começo a sentir que não vou aguentar mais e tento deslizar para longe do seu rosto, ela agarra minhas coxas e me força a ficar parada até que eu gozo com violência, minhas pernas tremendo incontrolavelmente, minhas mãos segurando sua cabeça com todas as forças. 

Um gemido escapa dos meus lábios e eu ergo os dois braços acima da cabeça, agarrando a cabeceira da cama com as pontas dos dedos, tentando me apoiar para fugir da língua implacável de Alex. Mas ela me segura com mais força, com as mãos fechadas em volta das minhas coxas, acima dos quadris; faz tanta pressão que dói as unhas cravando na minha pele, mas eu gosto. E quando meu corpo trêmulo principia a se acalmar e minha respiração ofegante vai ficando mais lenta, embora ainda irregular, Alex também começa a me lamber mais suavemente. 

Quando meu corpo para de se mexer, ela beija o lado de dentro das minhas coxas e a região logo abaixo do meu umbigo, antes de se esgueirar para cima rumo à minha boca, apoiando os braços no colchão de cada lado do meu corpo. Seus lábios macios e úmidos pousam no meu pescoço e nos dois lados do meu maxilar primeiro, depois na minha testa. Por último, ela me olha nos olhos por um longo momento e depois se curva e beija meus lábios de de maneira tão sensual. 

E então ela se levanta da cama.

Não consigo me mexer. 

Quero esticar os braços, agarrá-la e puxá-la para cima de mim, mas não consigo me mexer. Não só ainda estou atordoada pelo orgasmo que ela acaba de me proporcionar, mas minha mente ainda está atordoada por toda a experiência. Fico só olhando para ela, mal erguendo a cabeça do travesseiro, vendo-a ir até a porta. 

Ela me olha uma vez depois de pôr a mão na maçaneta. Mas sou eu que falo primeiro:

— Aonde você vai?

Sei aonde ela está indo, mas foi a única coisa em que consegui pensar para segurá-la mais um pouco.

Ela sorri.

— Para o meu quarto — responde, como se eu já devesse saber.

A porta se abre e a luz do corredor inunda o espaço ao redor dela, iluminando sua silhueta nas sombras. Quero dizer alguma coisa, mas não sei bem o quê. Ergo as costas da cama e me sento; meus dedos mexem no lençol no meu colo, nervosos.

— Bom, a gente se vê de manhã — Alex diz, e dá um último sorriso significativo antes de fechar a porta atrás de si, fazendo a luz do corredor desaparecer. Mas meu quarto está bem iluminado; deixei o abajur ao lado da cama aceso. 

Olho para o lado, pensando na lâmpada. Estava acesa o tempo todo. Sempre fui meio tímida na cama, e mesmo com Larry, o máximo de luz com a qual fiz sexo foi de uma tela de TV, mas nunca uma luz forte. Nem pensei nisso, desta vez. E as palavras que saíram da minha boca... nunca falei nada parecido antes. Aquela palavra que começa com B não. Não consigo dizer nem agora. Claro que já falei para Larry “me fode” ou “me fode mais forte”, mas essa era toda a extensão do meu vocabulário pornográfico.

O que Alex Vause está fazendo comigo?

Seja o que for... acho que não quero que pare.

Me levanto da cama, visto a calcinha e o short e ando até a porta, determinada a ir até lá e... não sei o que mais. Paro na porta antes de abri-la e olho para meus pés descalços sobre o carpete verde. Não sei o que eu ia dizer se fosse lá, porque não sei nem o que quero ou o que não quero. Então deixo meus braços caírem dos lados do corpo, e um suspiro profundo me escapa dos lábios.

— Como se nunca tivesse acontecido — digo secamente, imitando-a. — Sei. Você não é boa o bastante para conseguir isso.


Notas Finais


Vou terminar backstage por primeiro, depois dou continuidade a essa. Não vai demorar, prometo. 😘


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