História The Eighties - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 3.801
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


eai tudo bem eu estou de volta depois de muito drama rs
como sempre capitulo escrito de madrugada e provavelmente irei fazer algumas alterações
entao eh isto
boa leitura

Capítulo 6 - Can't Fight This Feeling I


Fanfic / Fanfiction The Eighties - Capítulo 6 - Can't Fight This Feeling I

“Essa não tá pronta ainda, nem tenho um refrão, mas os primeiros trechos estão e, como todas as outras músicas, eu escrevi essa pra você… aqui vai a canção sem nome número três.”

Leia apenas conseguiu dormir com a voz de Noah nos fones de ouvido de seu Walkman, que tinha sido comprado por ela mesma, depois de passar quase um ano inteiro trabalhando como garçonete numa lanchonete perto de casa, já que seu tio nunca compraria nada além de comida e roupas baratas pra ela. E por incrível que pareça, ao escutar as faixas incrivelmente lindas de Noah, ela conseguiu esquecer parte do que estava acontecendo – em maior parte, se distraiu de toda a confusão que havia tido com seu tio mais cedo.
Na fita, eram 15 faixas ao todo. Algumas completas, com título e até mesmo gravadas pelo Duran Duran, provavelmente nos ensaios, e outras, não tinham refrão ou título, apenas alguns trechos. A maioria delas era em Inglês, coisa que Leia conseguia manjar um pouco, graças a suas “aulas” com Camila.

Quando tirou os fones de ouvido, percebeu que a casa estava estranhamente silenciosa, ela não conseguia ouvir o barulho abafado da televisão se espalhar gradativamente pelo quarto, algo que era normal de se ouvir quando acordava e pelo resto do dia. Os seus tios só podiam estar fora, provavelmente, indo pro trabalho ou algo do tipo. Ela se esquecia que, agora que estava fora da escola, as suas férias poderiam ser algo próximo de permanente. Sem faculdade, sem emprego bom, e sem um bom emprego, sem respeito dos seus tios.
Não é como se ela odiasse o tio Joaquim e tia Maria, muito ao contrário, gostava deles. Porém nunca chegou a amá-los como uma criança amaria os pais, era apenas grata por eles terem a acolhido e aturarem os erros incontáveis cometidos por ela, até porque, sem eles, seu Joaquim nunca encostaria um dedo nela. Pelo menos, é isso que ela acredita.

Se espreguiçou, enquanto a sua boca se abria para dar um pesado e demorado bocejo. O som abafado que vinha do Walkman podia ser ouvido, e o violão de uma das faixas favoritas de Leia, também. A música não tinha um refrão, muito menos um nome, era apenas conhecida pelos dois como “faixa sem nome número cinco”, mas tirando isso, era uma boa canção.

Ao se sentar na cama, seus olhos pararam no imenso pôster do Morrissey que havia colado acima de sua cômoda branca desgastada. Ela não trocava os móveis daquele quarto desde que tinha nove anos, a idade que perdeu os pais e foi morar naquela casa, tudo bem que quando chegou ali tudo estava novo como folha, mas agora a situação era caótica, e, a não ser que tivesse o próprio dinheiro – coisa que não teria tão rápido e tão do nada assim – ela não poderia pedir para seu tio, e também não tinha habilidade suficiente pra construir móveis, então apenas ficaria com o que estivesse ali até virarem restos.
A vitrola de Leia ficava encima dessa mesma cômoda, que guardava todas as roupas da menina. Ao lado desse mesmo móvel, existia um espelho grande, utilizado por ela para experimentar roupas quando fosse sair, e nada mais. Ela não gostava muito de ver seu rosto, ainda mais quando sua tia a dizia que ela tinha sobrancelhas muito peludas, que quase se juntam para formar uma, além disso, tia Maria a convenceu que ela tinha o corpo de um menino, sem curva nenhuma e ombros largos, que não combinavam nem um pouco com seus quadris. E é por isso que Leia odeia se olhar no espelho, ela não gosta de ver sua “estrutura masculina”, e sempre se lembra das palavras um tanto cruéis da tia quando vai se vestir ou vê o seu reflexo. Era algo difícil, mas sempre conviveu com isso.

As paredes do quarto eram revestidas por um papel de parede rosa, com um desenho florido discreto, fazendo com que a cor, que também não era tão forte, ganhasse mais destaque. O papel de parede foi a única coisa que seu tio se ofereceu para mudar, isso mesmo, ele a perguntou se gostaria de trocar. Era seu aniversário de 18 anos, tudo bem, mas o importante foi que essa pergunta valeu como seu presente, mas foi relutantemente recusado por ela. Os tons e a estampa a lembravam de sua mãe, já que a lembrava de seu nome, Rosa. Simples, curto e muito comum, mas as lembranças não conseguiam entrar em nenhum desses adjetivos, todos os momentos que passou com a mãe foram alegres e tão bons que fazem com que o peito de Leia se aqueça por ter memórias tão gostosas como essas.
Sentia falta da mãe, e até hoje, não sabia se ela estava viva ou não, mas preferia apenas viver com as lembranças. Era melhor desse jeito.

Como todos os dias em que não era acordada pelo tio, ela se levantou desajeitadamente da cama, tropeçando em seus próprios pés por conta do sono. Quando chegou na sala, ligou a televisão e a imagem da Turma do Pica-Pau tomou conta da tela. Eram dez da manhã, provavelmente, já que era apenas nesse horário que Pica-Pau passava na tevê, e era apenas no Clube do Bozo. Sua tia já lhe disse milhares de vezes que toda essa programação era pra criança, e que ela já tinha quase dezenove anos na cara. Não que precisasse da tia pra dizer o quão velha era ela, mas tia Maria sempre dava um jeito de não deixar com que Leia assistisse televisão e sempre a colocava para fazer alguma atividade doméstica.

E é por isso que ela amava todos os minutos que passava sem tio Joaquim e tia Maria ao seu lado.

***

Leia se sentia nojenta, e eram apenas três da tarde, mas ela não poderia esperar menos, já que tinha ficado até agora arrumando a casa.   E ao arrumar os pratos dentro do armário, quase os deixou cair quando ouviu batidas frenéticas na porta de entrada. Gritou um “já vai” e terminou de colocar as louças no lugar rapidamente, indo quase correndo atender a quem fosse.

Ao abrir a porta, deu de cara com uma Camila que estava quase explodindo de felicidade a sua frente, enquanto abraçava um disco que Leia não conseguiu descobrir de quem era.
– Você não tem ideia do que eu tenho aqui! – a garota ruiva deu um gritinho no final, fazendo com que a amiga fechasse os olhos por conta do barulho.
– Não sei mesmo não, gata. – Leia disse, andando para o sofá da sala, sendo acompanhada pela amiga, que fechou a porta atrás dela e foi em direção a grande vitrola que tinha encostada na parede. Tirou o disco de dentro da capa e o colocou debaixo da agulha, deixando com que ele começasse a tocar.
Blitz 3. – respondeu quase no mesmo momento em que a primeira faixa, que mais tarde Leia reconheceria como “Eugênio” começou a tocar.
– Porra eles têm merda na cabeça? Eles lançam um álbum agora, em pleno dezembro?
– As pessoas podem comprar como presente de Natal, meu bem. – Camila deu de ombros, se sentando ao lado da amiga no sofá, e começou a balançar os pés conforme a batida animada da música. – Em falar em Natal, sua tia vai fazer ceia de novo?
– Infelizmente. Acho que ela vai convidar o resto da família dessa vez, ou seja, vou ter que ficar tomando conta dos meus primos.
– Olha, você sabe que eu te amo demais, mas por favor, não me convida dessa vez, tá bem? – Leia riu e olhou para a amiga, que estava de olhos fechados e com um sorriso brincalhão no rosto. Camila sempre ficava assim ao ouvir um disco novo, ela apenas gostava de fechar os olhos e aproveitar a melodia ou a letra das músicas, era estranho para quem visse de fora, mas Leia estava acostumada, mas continuava achando engraçado. – Eu tô falando sério, cara. Seu tio só me deu fora na última ceia, e vamos combinar que a comida da tia Maria não é nem um pouco boa, não sei como você consegue ingerir o que ela faz.
– Esse é o meu segredo, eu não como a comida dela. Sou uma menina muito prendada, esqueceu?
– É prendada porque eles te obrigam a fazer a sua comida. – Mila abriu um olho, enquanto Leia ria novamente, dando de ombros. – Fico feliz que você tenha pelo menos o dom de fazer comida realmente comestível.

Camila soltou uma risadinha nasalada e as duas ficaram em silêncio enquanto ouviam o disco. Blitz era uma das bandas favoritas de Leia, e ela havia se apaixonado pelas faixas animadas deles desde que Você Não Soube Me Amar foi lançada, e as pessoas aceitando ou não, eles foram a primeira banda propriamente dita de rock, e basicamente abriu as portas do mainstream para outras bandas, como os Titãs e o Barão Vermelho. Não é como se Leia entendesse alguma coisa do mercado de música, ou de música em si, mas ela conversa – ou pelo menos tenta conversar – com Camila sobre essas coisas, mesmo que não entenda parte ou absolutamente nada do que a amiga diz.
Quando a voz de Evandro Mesquita tomou conta do ambiente de novo, dando início a terceira faixa do álbum, a voz de Camila se sobressaiu ao perguntar:
– E o Noah?

Os olhos de Leia se arregalaram. E só pela menção do nome do menino, seu coração imediatamente se transformou num tambor, batendo tão forte e com tanta rapidez em seu peito que ela o sentia pulsar em suas orelhas. A sua face esquentou, e ela deveria estar mais vermelha do que nunca, já que Camila a olhou com uma sobrancelha arqueada, e um sorriso nos lábios, achando a situação engraçada.

– O que aconteceu?
– Ele apareceu aqui ontem, bêbado, e me entregou uma fita com músicas que escreveu sobre mim, e também explicou toda a situação da loja de discos, me fazendo entender que eu sou mais idiota do que a maior parte da população brasileira.
– Caralho, eu te falei que você devia ter o deixado se explicar! – Camila exclamou, se virando em um pulo na direção de Leia, que revirava os olhos. – Mas o que ele dizia nas músicas? E o que ele disse sobre a garota?
– Bem, pelo o que eu entendi das músicas, todas elas são de amor, e pra mim! Você tem noção disso, Mila? Canções de amor para Leia Lopes. Eu nunca pensei que alguém gostaria de mim algum dia, e muito menos que escreveria músicas pra mim! – a garota respondeu, animada. Seus lábios caíram para formar um sorriso bobo, enquanto ela olhava para a parede da sala, suspirando ao se lembrar de todas aquelas faixas que teve o prazer de ouvir. E em questão de segundos, todo o encanto foi embora, a deixando com uma expressão séria no rosto. – A garota se chama Cindy, e é irmã do melhor amigo dele. Noah disse que ela tem uma paixão por ele, e faz literalmente de tudo para tentar ficar com ele pelo menos uma vez. Eu acho isso doentio.
– Porque é doentio. Ele não ficou com ela uma vezinha só? Isso poderia acabar de um jeito tão simples.
– É, se não fosse o fato de que ela fez com que a ex-namorada no Noah terminasse com ele, dizendo que eles tinham dormido juntos ou algo do tipo. Essa menina é louca. – Leia respondeu, se encostando no sofá, enquanto respirava fundo. A música chegou ao seu fim, e nesse pequeno intervalo silencioso, as duas garotas conseguiram ouvir o barulho de motor, e imediatamente, se levantaram, Camila foi correndo pegar o disco da vitrola, o colocando dentro da capa e pegou sua bolsa, pronta pra sair correndo, mas o que aconteceu depois surpreendeu as duas: elas ouviram batidas na porta, e seus tios nunca batiam na porta.

Leia olhou para a amiga desconfiada, e Mila fez a gentileza de atender a porta em seu lugar. Quem seria senão seu tio? Ninguém nunca os visitava em dias de semana pois sabiam que a única que fica em casa é a sobrinha.
A garota ruiva foi até a porta, a abrindo e encarando a pessoa que estava lá fora. Como Leia estava perto do balcão da cozinha, e não fez a mínima questão de andar até a entrada, já que sua amiga não tinha a chamado, não conseguia ouvir nada da conversa.
Camila virou o rosto em sua direção, murmurando um “tchau” e acenando em despedida, fazendo com que Leia ficasse confusa, por que caralhos ela tá indo embora?, pensou.

– Eu senti sua falta, princesa Leia.

Por um segundo, antes de ouvir a frase completa, a garota realmente imaginou que Noah apareceria ali na sua frente em toda a sua glória para sair com ela ou simplesmente sentar e conversar, mas não foi bem assim. No fundo, não sabia se queria o garoto que estava ali na porta, sorridente e animado, realmente tivesse voltado. Mas isso não impediu que seu coração batesse forte no peito, e que ela saísse correndo para encontrar os braços dele.
– Por que voltou? – ela sussurrou com o rosto enterrado no pescoço do menino, fazendo com que sua voz saísse ainda mais baixa.
– Eu voltei por você, Leia. Como prometi que faria.
– Você é louco, Nando.
– Uma das minhas melhores qualidades. – ele deixou um beijo na bochecha da menina, que sorriu em sua direção. Aquele era o seu melhor amigo, acima de tudo, e ele a conhecia melhor do que ninguém. – Seu tio chega em casa quando?
– Em breve, eu acho, mas espero que ele demore bastante. – respondeu, depois de olhar para o relógio que fica na parede do corredor.
– Ele continua na mesma?
– Nunca saiu. – ela respondeu, dando de ombros, sentando-se no sofá. Bateu com a mão para o lugar ao lado dela, indicando para que o amigo se sentasse. – Me conta como foi lá em Brasília.
– Definitivamente, não como o Rio de Janeiro. É policial metendo a porrada na gente toda hora, Leia, e ainda mais em quem for visto dentro de baile punk. – e então, Fernando começou a contar sobre todas as personalidades excêntricas que conheceu lá, e disse que existiam bandas muito boas na capital do Brasil, uma delas se chama Aborto Elétrico, que é sua favorita. Terminou a história acrescentando: – E acima de tudo, eu senti sua falta. Eu fui embora depois de ter feito algo terrível com você, e nem pedi desculpas por isso, mas você continua sendo a pessoa que eu mais confio, e que eu mais amo, também. Ainda somos amigos?

A mão do garoto procurou pela dela, e a segurou, fazendo com que os dois entrelaçassem os dedos. Leia deu um sorriso fraco em sua direção, lembrando-se de todas as memórias que os dois construíram juntos, e analisou bem o rosto do garoto. Era como se ele fosse um modelo, seus cabelos de tom castanho claros eram moldados em um topete perfeito, que ela sabia que o jovem havia passado horas na frente do espelho aperfeiçoando cada vez mais. As sobrancelhas cheias deixavam seus olhos ainda mais bonitos, destacando o tom castanho, tão claro que pareciam ser verdes. Ele não havia mudado nada, e Leia também não, já que os dois continuavam apenas dois pirralhos no corpo de adolescentes de dezoito anos.
– Nós somos amigos. Os melhores.
– Os melhores. – Nando repetiu, apertando de leve a mão da garota. E os dois foram interrompidos pela porta se abrindo, revelando os tios de Leia, que acabaram de chegar. Tio Joaquim, deixou de lado a carranca e abriu um sorriso ao ver o menino ao lado da sobrinha, e o mesmo aconteceu com o rosto de tia Maria. Era tão incomum para a menina ver os tios sorrirem, e ainda mais sorrirem nessa intensidade. Era claro que eles estavam mais do que felizes ao ver Fernando.
A garota nunca conseguiu explicar o efeito que o amigo tinha nos tios, mas o importante é que ele sempre tirava o foco dos adultos, e os deixava felizes, então isso era suficiente.

E, aproveitando a deixa que lhe foi dada, Leia andou até o corredor, pronta para fazer o que estava planejando o dia todo: ligar para Noah. Não sabia como se sentiria ao falar com ele, provavelmente ficaria com muita vergonha por não ter o deixado falar naquele fatídico dia, mas as coisas foram esclarecidas agora, certo? Tudo está bem. Por enquanto.

Ela pegou o papelzinho com o número do garoto debaixo do aparelho amarelo, o discando atrapalhadamente, e colocou o telefone no ouvido, escutando o tão familiar barulho do telefone, esperando o menino atendê-la. Encostou-se na parede, batendo com o pé ansiosamente no chão, enquanto sua cabeça estava baixa.
– Alô?
– Oi, Noah? É a Leia!
– Aqui não é o Noah não, gata, é o Lucas. Quer que eu deixe uma mensagem pra ele? No momento, ele tá lá naquela sala estranha de fotografia dele.
– Lucas? O Lucas bêbado da festa?
– Ah, então você é a Leia por quem o Noah tá apaixonado! – a voz de Lucas soou animada, e a sentença fez com que a garota ficasse envergonhada, soltando uma risada nervosa.
– Você pode dizer a ele que eu liguei? E pede pra ele me ligar de volta, também. Tem como anotar meu número aí?
– Ah, claro, boneca. Só deixa eu pegar papel, um minutinho. – O telefone ficou silencioso, e ela voltou a encarar os pés, com um sorriso bobo nos lábios. – Pode falar, Leia.

Então, ela disse o número para Lucas, que foi o repetindo para ver se estava escrevendo certo, ela também o avisou para ligar de tarde, nos dias de semana. Não queria pensar no que o seu tio faria caso descobrisse que um garoto estava ligando para ela.
Os dois se despediram, com Lucas dizendo que contava com a presença dela em um dos ensaios da banda, segundo ele, a presença da garota ali faria com que Noah tocasse melhor, já que nos últimos dias, ele anda sendo uma bagunça. Ela apenas disse que veria o que poderia fazer, dizendo tchau.

***

Depois de uma janta cheia de perguntas direcionadas a Fernando e quase nenhum olhar em direção a Leia – que estava mais do que agradecida por isso –, tio Joaquim e tia Maria subiram para o quarto, deixando os dois amigos na sala, assistindo televisão. Os dois assistiam Chico Anysio Show, e as gargalhadas eram incontáveis. Esse era um dos programas favoritos de Leia, e ela simplesmente amava cada um dos personagens criados por Chico, nenhum episódio a decepcionava.
Em um dos intervalos, ela decidiu buscar algo para comer na cozinha, e também, checar se ainda haviam biscoitos suficiente para sobreviver durante a semana. Puxou um pacote de Passatempo do armário, que quase deixou cair pelo susto que tomou ao ouvir a voz de Nando perguntar:
– Com quem você tava falando no telefone?
Ninguém.
– Você não vai mesmo me contar?
– Ah, pra você abrir a porra da sua boca pro meu tio mais uma vez? Ele quase me matou quando você fez isso, Fernando. – Leia passou pelo garoto, voltando ao sofá da sala. Mesmo que você não visse a expressão em seu rosto, poderia notar que o tom de voz dela transbordava raiva.
– Olha, eu pensei que eu ia te ajudar fazendo aquilo. Aquele garoto não era bom suficiente pra você!
– Você acha isso de todos os garotos, cara. Saiba que contar pro meu tio não vai fazer o garoto dos seus sonhos vir correndo atrás de mim. – ela respondeu, abrindo o pacote, e depois o encarou. Seu rosto estava vermelho, suas sobrancelhas, completamente caídas sobre seus olhos e Fernando podia jurar que seus dentes estavam rangendo.
– Eu já disse que queria te ajudar. E eu-
– Se você sabia que meu tio me enche de porrada por toda e qualquer coisa que eu faço, por que caralhos você decidiu contar a ele, e justamente a ele, que eu estava transando com um garoto naquele exato segundo?
– Você pode me deixar falar, por favor?
– Não, eu não posso, porque você está errado.
– Caralho, Leia, para de ser escrota. Eu estava tentando te ajudar porra! Eu me importo com você, e eu pensei que fosse a coisa certa a se fazer, eu pensei que seu tio bateria nele, não em você.
– Pelo visto, você pensou errado. E por que você queria que meu tio batesse no garoto? Isso não faz sentido nenhum, Fernando.
– Porque ele iria te magoar, isso tava na cara, já. Eu te avisei que ele tava dormindo com outra garota, também, e você, como sempre, decidiu me ignorar.
– É, Fernando, mas acontece que eu só queria dormir com ele. – Leia respondeu, puxando um biscoito de dentro do pacote. – Ele não precisava ser bom o suficiente em nada além da cama. Se ele não era bom o suficiente, então, quem é?
Eu. Eu sou bom o suficiente pra você.
– Ah, você só pode estar de sacanagem, né? Você fez a porra desse fuzuê todo só pra falar isso? Caralho, era só você chegar em mim e falar “nossa, Leia, você é um brotinho, eu gosto de você”, e não fazer com que eu ficasse puta da cara contigo!
– Mas do que adianta, Leia? Você nunca gostou de mim, pelo menos, não do jeito que eu gosto de você.
– Bem, isso é verdade, eu não posso negar, mas você reconhece que realmente acabou com todas as chances de eu pelo menos cogitar gostar de você, não é? – ela perguntou, mordendo um pedaço do biscoito. Agora, Leia se sentia mais calma, ela havia perguntado e gritado tudo o que queria desde que o amigo fez a merda que fez. E quando Nando foi retrucar algo, o programa voltou ao ar, e ela foi mais rápida, dizendo: – Agora, senta a sua bunda aqui, e sem mais uma palavra sobre o assunto.

***

Leia tinha acabado de se sentar na cama, suspirando alto. Hoje foi um dia e tanto, e ela se sentia cansada, não fisicamente. Ao deitar-se, seu corpo relaxou, agradecendo ao colchão por abraçá-la tão suavemente assim.
Ela pegou seu Walkman, que ainda estava com a fita que Noah lhe entregou. Colocou em uma faixa qualquer, já que estava com preguiça de rebobinar a fita até o começo, e seu corpo relaxou ainda mais ao ouvir o violão e a voz tão suave do garoto, mas essa sensação de tranquilidade não durou muito tempo, já que ouviu algumas batidas, que pareciam vir do vidro da sua janela. Então, ela se sentou na cama, cegamente pegando um livro que estava no chão e caminhou até a janela. E a visão que teve, fez com que seu coração pulsasse com alegria em seu peito. Era quase como ver a porra do paraíso. Sua respiração ficou eufórica, e suas mãos, trêmulas.

– Eu posso entrar?

 


Notas Finais


hmmm quem sera hein rs
o que achastes??????????? me diz ai nos comentarios ou pode ser no twitter eu deixo https://twitter.com/ringcstarrs
beijao na teta esquerda eh nozes carai


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