História The End - Fillie - Capítulo 2


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Categorias It: A Coisa, Stranger Things, Zombieland
Personagens Beverly "Bev" Marsh, Dustin Henderson, Edward "Eddie" Kaspbrak, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Will Byers
Tags Apocalipse, Aventura, Ficção, Fillie, It - A Coisa, Romance, Stranger Things, Zumbis
Visualizações 232
Palavras 2.879
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Canibalismo, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sei o que vocês devem estar pensado: Ah, ela mal voltou e já chega com esses textões dos quais não tenho nada a ver. Realmente, mas vocês já ouviram falar que os grandes feitos históricos vieram de um coletivo.
E hoje eu vim falar, de novo, sobre o assédio. Esse é um assunto que jamais pensei que teria que colocar aqui para vocês duas vezes, depois de What is love. Com o quase estupro da Millie, recebi mensagens que até hoje estão guardadas em minha memória, mensagens carregadas de dor e vergonha por admitirem passar por algo assim.
E ontem, eu estava conversando com uma amiga minha até que ela confessou que não aguentava mais seus pesadelos, quando perguntei sobre o que eram, ela disse que foi assediada, e que o imundo que fez isso vivia atormentando seu sono. Vocês tem noção? Minha amiga de 13 anos foi assediada DUAS VEZES.
Sabem o sentimento de impotência que me dá? O pior foi a mãe dela, que na primeira vez viu quando o desconhecido a assediou em um ponto de ônibus e não pode fazer nada, como essa mãe deve ter se sentido?
E minha amiga, ela confessou sentir muita vergonha falar disso, se expor tão abertamente. Mas sabem, acho que nunca admirei uma pessoa quanto ela, que passou por isso duas vezes e carrega o sentimento nas costas. Ela disse que se sentiu quebrada, e isso de certa forma me quebrou também, alguém passar a mão em você sem seu consentimento é como poluir o céu, o oceano, que antes eram puros. Mas para mim ela é a pessoa de alma mais pura que eu conheço.
Meu medo é de chegar o futuro e quando reencontrarmos uma amiga ou uma conhecida, ter de perguntar quantas vezes ela foi assediada, e não com quantos filhos está. Então pelo amor de Deus, de Einsten, do universo ou seja lá no que acreditam, se alguém que você conhece passou por isso, SE VOCÊ passou por isso, não hesitem em denunciar, em se manifestar, em soltar sua voz e liberar esse buraco negro de seu peito.
Bom, é isso. É doloroso.
MÚSICA SUGERIDA: WHATEVER IT TAKES ou NEXT TO ME – AS DUAS DE IMAGINE DRAGONS (Essa é para você Rafa)

Capítulo 2 - Six idiots against the world


Eu sabia que ele viria até a mim, era uma conexão inexplicável, mas eu simplesmente soube.

 Sadie havia dormido, em volta de pesadelos eu imaginava. Então eu decidi pela sorte dos garotos, desceríamos no ponto em que eles parassem, afinal, não sobrou nada para nós mesmo.

       Gaten estava com o volante dessa vez, Caleb dormia nos bancos da frente e eu podia ouvir a respiração de Noah no banco próximo ao meu.

        Eu só estava deitada, observando o céu estrelado passar pela janela.

         E então ele veio. Finn era silencioso como um gato, eu só o vi quando ergui os olhos, aquele rosto sardento me observando do banco de trás.

- Droga. – Respirei fundo, me recuperando do susto ao vê-lo. – Há quanto tempo está aí?

- Acabei de chegar. – Ele deu de ombros, relaxando no banco de trás, mas ainda com os olhos colados aos meus.

- Costuma espionar muito as pessoas? – Fiz uma careta e acabei me levantando, ficando com as costas apoiadas na janela e as pernas esticadas sobre o banco.

         Ele riu como se eu fosse uma piadista, o fim do mundo deixava as pessoas muito estranhas.

- Não estava espionando ninguém. – Ele disse pouco convincente, mas então mudou de assunto. – Sinto muito pela sua amiga.

- Acontece. – Respirei fundo. – Aconteceu e acontecerá com todos nós.

         Ficamos em um silêncio constrangedor, apenas sentindo o tranco do ônibus, Gaten não parecia ter notado que estávamos conversando, dirigia distraidamente.

          Mas aquele garoto queria alguma coisa de mim, e eu não fazia ideia do que era. Finn parecia vazio de certa forma, a expressão fria e séria, mas os olhos escuros eram carregados de sentimentos.

- Você tem sotaque. – Ele observou depois de um certo tempo. – Era de algum lugar?

- Nasci em Ohio. – Murmurei o olhando de esguelha. – E vocês, onde pretendem ir?

       Finn me olhou surpreso, como se eu já soubesse do itinerário completo que faríamos, então ele franziu as sobrancelhas e perguntou confuso:

- Você não ficou sabendo? Não sabe da Cidade Luz?

- Cidade Luz? – Perguntei confusa, me aprumando sobre o banco, curiosa.

- Não foi contaminada, pelo que sabemos é como se o mundo tivesse parado nela, todos vivem normalmente. Fica no México.

      Ele me olhou como se esperasse que eu soltasse balões e fogos de artificio, ao invés disso, esbocei um sorrisinho desdenhoso.

- Mito.

- Pode ser. – Ele deu de ombros. – Mas esses garotos tem esperança, então é o que importa para mim.

        Me senti derreter com esse pensamento, Finn falava deles como se fossem sua família, embora não fossem nada parecidos.

- Você já os conhecia antes da infestação?

- Noah sim, éramos vizinhos... – Ele sorriu. – E nos odiávamos, hoje eu daria minha vida por ele.

        Sorri também, feliz que sobrou um pouco de humanidade dentro de cada um de nós. Mais uma vez o silêncio se colocou entre a gente.

        Finn me observava, e dessa vez o observei de volta sem hesitar, a luz da lua entrando pela janela fazendo seus olhos negros brilharem mais ainda. Eu só gostaria de saber o que se passava na cabeça daquele garoto, até que ele respondeu:

- Você é bonita.

       Ri antes de pensar qualquer coisa, completamente indignada, mas o nervosismo superou isso, por isso ri mais ainda. Ele me observava sorrindo, orgulhoso de ter me tirado um pouco de humor. Mas então me levantei do banco e me dirigi até os fundos do ônibus.

       E ele me seguiu, é claro.

- Te ofendi? – Perguntou culpado, se sentando ao meu lado no banco.

- Não pense que vou levar aquela história de procriação adiante. – Respondi ríspida.

        Isso o fez arregalar os olhos, as sardas sendo encobertas pela vermelhidão do rosto.

- Minha nossa Millie, eu nunca pensaria...Gaten é um idiota, não leve o que ele disse a sério.

- Então o que está tentando fazer? – Perguntei curiosa de verdade.

        Isso o deixou sem fala, ele abriu a boca para responder, mas nada saiu. Suspirei, não estava a fim de jogar, os tempos de colegial já haviam se passado, e uma história de amor não era possível, não nesse cenário, não nesse contexto.

- É bom que tenha aproveitado as garotas no colegial. – Alertei. – Porque conosco não vai rolar. Só porque nos ofereceu carona no meio da estrada não significa que somos donzelas delicadas.

- Longe disso. – Ele me cortou. – Já vi que vocês duas são osso duro de roer, me desculpe se eu...dei a entender algo errado.

        Acabei desculpando com um dar de ombros. Finn se afastou, voltando para o meio do ônibus. Passei um tempo me perguntando se fui grossa demais, provavelmente, mas só fiz isso porque aquele garoto era perigoso, pelo menos para mim, ele representava uma ameaça maior do que os mortos-vivos lá fora.

         Era impressionante como o mundo havia se tornado cinzento, a ausência das pessoas o deixou, literalmente, morto em todos os sentidos. Eu sentia o calor dentro do ônibus, eu via emoções e via cores, lá fora...era um enorme vazio.

        Adentramos nesse vazio quando tivemos que parar para abastecer no posto de gasolina. 

           Desci do ônibus junto com Noah, Gaten e Finn para esticar as pernas, Caleb e Sadie continuaram dormindo. Enquanto Gaten abastecia ônibus, Finn foi verificar algo na traseira do automóvel.

- Alguém pode fazer uma limpa na loja de conveniência? – Gaten perguntou sútil enquanto ainda enchia o tanque.

- Eu vou. – Noah se ofereceu primeiro que eu, indo em direção a loja de portas estilhaçadas.

      Fiquei observando a beira da estrada, de braços cruzados, me perguntando como havia parado aqui, por que as coisas eram como eram e por que tudo mudava de uma hora para outra.

        Lembro que no início qualquer som nos assustava. Sophia era a mais destemida, Sadie era a mais durona com as criaturas, e eu...eu as observava curiosa, os zumbis corriam em minha direção, e eu só pensava como eram suas vida antes de se contaminarem. E então as irmãs ruivas explodiam a cabeça deles com balas antes que chegassem até a mim.

        Estava presa nessas lembranças assustadoras. Mas então ouvi um tiro dentro da loja de conveniência. Corremos rapidamente, mas antes que chegássemos até lá, Noah saiu, arma na mão, rosto assustado.

- Tinha...um deles, aqui dentro. – Gaguejou, o rosto pálido de susto.

- Está tudo bem? – Finn perguntou preocupado.

- Tudo. – Noah deu meio sorriso. – Bem, tem bastante comida lá dentro.

         Sadie e Caleb haviam despertado com o tiro, e observavam tudo perto do ônibus. Não demoramos muito, logo pegamos todo o estoque de besteiras da loja e matamos a fome.

       Éramos ratos atrás de restos no fim do mundo.

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Foram cinco dias de estrada até chegarmos em uma montanha, daríamos um tempo em meio a natureza e o céu noturno. Sabem aquela frase? “Se algo der errado, fuja para as montanhas”, devíamos ter pensado nisso antes.

     Sadie havia ganhado mais cor no rosto, e por incrível que pareça, a presença de Caleb parecia estar animando ela, os dois contavam até piadas. Gaten era idiota como sempre com suas sugestões e Noah estava quieto, só observava tudo com um sorriso no rosto.

      Finn e eu estamos em um jogo, bem, eu não sabia que estava jogando propositalmente, mas acontece que eu precisava revidar as provocações dele. Enquanto estávamos na estrada, ele me lançava olhares toda hora, e não desviava facilmente.

       Eu o encarava com a mesma intensidade, esperando que ele dissesse o que estava fazendo e o porquê. Mas mais do que isso, eu estava completamente vidrada na presença dele.

        Finn não facilitava nem um pouco, encostando em mim sempre que podia e me lançando piscadelas quando ninguém olhava. Até que um dia eu vi algo por trás daquela barreira de deboche que ele tinha, e soube que Finn Wolfhard não era só flerte e postura de aço.

- Ei, Noah, se lembra quando a Íris cozinhou aquele coelho?! – Gaten perguntou do volante.

        Observei a reação de Finn antes de tudo, ele havia ficado pálido, os olhos perderam o brilho e o rosto endureceu como pedra.

         Caleb cutucou Gaten com força, eu estava próxima, por isso eu ouvi dizendo:

- É assunto proibido, cara!

         Sadie, com sua curiosidade atiçada, se debruçou sobre o banco de Caleb e perguntou:

- Quem é Íris?

          Ele fingiu não ouvi-la, mas eu estava sentada atrás de Noah, e ele me contava tudo. Ao ver que Finn se distraia com a paisagem no fundo do ônibus, sussurrei:

- Íris era alguma coisa do Finn?

- Namorada. – Ele respondeu baixinho. – Ela ficou conosco no início, fazia um monte de coisas, nos ajudava para caramba.

- O que houve?

- O vírus a pegou. – Ele disse como se fosse óbvio, uma careta de reprovação. – Ela pediu para o Finn matá-la quando aconteceu. Íris era uma garota romântica, queria morrer nos braços do primeiro e grande amor.

       Olhei para trás, pela primeira vez, vendo algo por trás do verdadeiro Finn Wolfhard, ele fazia de questão de manter os olhos colados na janela. Noah continuou a falar:

- Íris era incrível, mas ela não parou para pensar no que isso significaria para Finn.

- E ele a matou? – Perguntei descrente.

        Noah confirmou com um gesto de cabeça rápido Então entendi as palavras de Finn no supermercado:

“- Você fez? – Lembro de ter perguntado. – Você vomitou ao ver alguém próximo ser pego?

        O sorriso dele sumiu, substituído por um semblante sério.

- Eu fiz pior.”

 

 

   Passei o resto do caminho pensando no verdadeiro Finn, em Íris e em Sophia, mas acima de tudo, pensava em como tudo aquilo era uma droga.        

  Quando chegamos no topo da montanha, fiquei surpresa ao sentir paz, ouvir os grilos na mata nunca me foi tão prazeroso. Estávamos distantes de tudo, cidade, zumbis, caos.

         Foi como se tudo voltasse ao normal, um bando de idiotas acampando. E foi isso que fizemos, de noite nos sentamos ao redor de uma fogueira que Caleb acendeu e cantamos velhas músicas.

- Ei, se lembra dos velhos tempos? – Sadie me cutucou sorridente. – Sua mãe nos levava para o meio do mato e voltávamos todas picadas de mosquitos.

       Sorri tristemente, feliz com a lembrança, com saudades da mamãe e suas loucuras hippies.

      Fiquei muito satisfeita ao ver Sadie cantando alegremente as canções. Pela primeira vez em muito tempo eu me sentia completa, diante de uma fogueira idiota, cantando com um bando de idiotas no fim do mundo.

         Riamos de tudo, culpa das bebidas é claro, para minha surpresa, os meninos tinham um estoque de bebidas no porta-malas do ônibus. Acabamos com a metade em uma única noite.

         Isso me fez ficar sensível, toda vez que eu erguia os olhos do fogo, eles encontravam Finn. Parte minha estava decidida a se afastar do meu anjo da morte. Mas acabei decidindo cair na perdição de bom grado.

- Aonde você vai? – Perguntaram assim que me levantei da roda.

- Pegar mais bebida...no ônibus. – Disse isso especialmente a Finn.

       Me afastei a passos largos, eles continuaram a cantoria. Encostei do outro lado do ônibus, esperando enquanto encarava mata escura, ouvindo apenas o som de corujas e cigarras entre as árvores.

        E como sempre, ele veio.

 - Me esperando? – Perguntou cheio de malícia ao me ver encostada no ônibus.

- Quanta presunção. – Sorri de volta.

        Ele ficou de frente para mim, como se já esperasse que eu me atirasse no pescoço dele.

- Então? – Ele me esperou dizer algo, apoiando o braço no ônibus ao lado do meu ombro.

- Quero saber o que você quer. – Digo determinada.

        Finn me olha surpreso, mas então, com o rosto ainda contorcido de surpresa, respondeu:

- Eu quero você.

        Senti o ar prender na garganta, não esperava essa resposta tão direta. Na verdade, pensei que ele diria que queria um relacionamento rápido até nos separarmos, algo para aliviar a solidão. Mas Finn foi bem mais profundo do que isso.

        Ele me olhava nos olhos, por isso acreditei.

- Eu te quero desde o momento em que você apontou a arma na minha cara.

       Sorri, e ele se aproximou um passo, agora seus dois braços me cercavam contra o ônibus, seu rosto estava mais próximo do que nunca esteve.

- Te quero desde o momento em que ouvi seus passos no corredor do mercado. – Ele sussurrou sério. – Eu vaguei esses meses todos procurando alguma coisa, me sentindo vazio, eu te queria antes mesmo de te conhecer.

          Eu não conseguia pensar em nada, a não ser que as palavras dele estavam me envolvendo em uma espiral de emoções. E que talvez Finn Wolfhard não fosse só um passatempo de apocalipse.

          Agora eu sabia. Finn não era o começo do meu fim, ele era o começo de algo muito maior.

        Mas tudo o que saiu da minha boca foi:

- Só nos conhecemos há cinco dias.

- O vírus se espalhou por toda a América em apenas cinco dias. – Ele sorriu enigmático. – Impressionante como um curto período de tempo pode causar um estrago tão grande, não é?

        Ele me esperou dizer algo, dar a permissão acho. Foi só então que me atirei no pescoço dele.

      Suas mãos cravaram em minha cintura com força enquanto seus lábios atacaram os meus. Enrosquei os dedos por entre seus cachos e senti seu aroma amadeirado entrando em cada um dos meus poros.

        Fazia tempo que eu não beijava alguém, quase havia esquecido a sensação que era. A ardência no peito e no ventre, a sensação de calor subindo ao mesmo tempo em que um calafrio me fazia arrepiar na base da coluna.

        Nos separamos para tomar um pouco de fôlego, ele sorria contra meus lábios.

- Pensei que tinha dito que não rolaria nada com você.

- Isso é culpa sua. – Murmurei de volta. – Tudo culpa sua.

- Nesse caso, o réu pode ser condenado como você achar melhor.

        Acabei dando risada, Finn me atacou novamente, me pressionando contra a lataria fria do ônibus enquanto beijava meu pescoço, me fazendo ofegar.

- Ei, acharam as bebidas?!

        Congelamos com a voz acusatória de Gaten, Finn continuou com os beijos, mas o afastei pelos ombros.

- Vamos voltar.

      Ele fechou a expressão e foi para o ônibus, voltando com uma caixa de cerveja nas mãos. Ao passar por mim, me deu mais um beijo rápido.

- Não conseguiu pegar todas as cervejas, Mills? – Caleb perguntou malicioso ao me ver de mãos vazias.

- Finn foi muito gentil ao me ajudar. – Murmurei enquanto corava.

        É óbvio que ninguém acreditou, Sadie até ergueu as sobrancelhas quando me sentei ao lado dela novamente, em um gesto sugestivo.

- Mal chegamos e você já está atacando o líder da alcateia? – Sussurrou sorridente.

- E você pretende ir embora? – Perguntei baixinho, de volta. – Você quer se separar deles?

- Acho que... – Seus olhos se dirigiram ao Caleb, que abriu sua lata de cerveja distraído. – Acho que não.

        Abri um sorriso imenso, achamos um lar para chamar de nosso, e era aquele ônibus escolar velho, com esses quatro mosqueteiros.

         Depois de mais algumas cervejas, já estávamos contando sobre o passado, sobre nossas antigas vidas.

- Eu...odiava o Finn! – Noah confessou na terceira cerveja. – Sempre tão certinho, o garoto dos sonhos de todo mundo. – Ele riu. – E então o mundo acabou e sobrou nós dois, dois manés vagando pelas ruas com tacos de baseball, sem saber para onde ir.

      Riamos por coisas bestas, ainda que estivesse influenciada pelo álcool, tive a certeza de ver os olhares que Sadie trocava com Caleb, que acabei descobrindo, seria um famoso jogador de basquete se o vírus não tivesse destruído seu futuro.

- Sempre gostei de piadas. – Gaten confessou, sentimental. – Mas minha vida não é engraçada.

        Isso lhe rendeu batidinhas nas costas por Noah. Logo era Sadie que soltou a língua, contando nossas desventuras no colegial. Sobre o quanto fomos imprudentes, o quanto matamos aula e quantas vezes fomos para a diretoria.

     Sadie, Millie e Sophia. O trio de ouro.  

- Bem, agora somos só nós. – A ruiva deu de ombros, como se não fosse grande coisa. – Duas idiotas contra o mundo.

- Seis idiotas contra o mundo. – Finn corrigiu, me olhando nos olhos.

      Entendi aquilo como uma promessa, ele não me deixaria partir, agora éramos um grupo.

- Na verdade, cinco idiotas contra o mundo. – Todos nos viramos para olhar Noah, que sorria tristemente para a fogueira. – Estou fora da jogada.

     O clima esfriou instantaneamente.

- O que? – Todos perguntamos confusos.

- Para de falar besteiras. – Finn revirou os olhos impacientes.

         Mas todos olhávamos para Noah, todos curiosos com o que ele queria dizer. O garoto olhou para cada um de nós antes de confessar:

- Ele me pegou. O zumbi do posto. Ele...ele me pegou.

        Ficamos sem reação, apenas o olhando, à espera de explicações. Menos Finn, ele largou sua lata de cerveja e rapidamente ficou ao lado de seu melhor amigo, desesperado com a hipótese de perde-lo, como se ele fosse sumir de uma hora para a outra.

         Noah estava pálido, havia manchas escuras em seus olhos. Me xinguei de idiota por só perceber isso agora.

- Eu sinto muito. – Ele disse a Finn. – Eu não tinha visto aquele monstro no chão, só percebi quando ele me segurou.

         Então Noah levantou a barra da calça, expondo uma marca de dentes que apodrecia e arroxeava sua perna pálida. 


Notas Finais


RIP Íris
RIP Noah? Será? (Desculpa o susto Kamila)
Será que nosso bebê vai mesmo virar Zumbie Boy, ou um milagre vai fazer eles encontrarem uma cura para salvar o Noah?
Querem recomendações? Porque eu tenho maravilhas a compartilhar.
A GAROTA DOS MEUS SONHOS, da SrtaFinnie (E meu xodó), é uma maravilha pura. Leiam.
https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-garota-dos-meus-sonhos--fillie-13022058
Vamos ouvir a palavra de Nessie Fox hoje?
https://www.spiritfanfiction.com/historia/corrupted--fillie-12944309
E meu anjo na terra Ly com seu talento puríssimo
https://www.spiritfanfiction.com/historia/furao--fillie--12826826

E muito obrigada Aly sua diva, por divulgar The End no wpp S2


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