História The Essence Of Pain - Capítulo 13


Escrita por: e Thamiyyi

Postado
Categorias A Origem dos Guardiões, Como Treinar o seu Dragão
Personagens Astrid, Bocão, Cabeçadura Thorston, Cabeçaquente Thorston, Jack Frost, Melequento, Perna-de-Peixe, Soluço, Stoico
Tags Dragão Jack Frost, Drama, Fofuras, Gêmeos, Hijack, Jaccup, Jackxhiccup
Visualizações 403
Palavras 7.374
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shounen, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA EU TO RINDO E EU NEM SEI PQ
Oi gente, tudo bem com vocês ? Ah, eu ? Eu to ótima mesmo. To ainda melhor com esse capítulo que foi muito bom de escrever, sério
Prestem atenção nele
AVISO: as partes da Sophia vão te fazer sofrer
Espero que gostem !! ~ Thamiyyi

Tia Soph: OI LINDAS E LINDOS
Espero q gostem do cap :3
Foi um dos melhores na minha concepção
Os dialogos tão lindos
E as partes da Thammy estão INCRIVEIS SZ
Tá mt lindo ;u;
Boa leitura :3

Capítulo 13 - A new home


A casa de Old Wrinkly era afastada de quase todo o lugar do vilarejo. Poucas vezes era possível encontrar algum viking vagueando por perto. Por tal motivo, Hiccup pensou que aquele seria um ótimo lugar para ter seus encontros secretos com Jack. A casa estava abandonada desde a morte do avô e ninguém entrava no local.  

Provavelmente deveria estar repleta de poeira, mas nada o que uma boa faxina não daria conta.  

— Tem certeza que é um lugar seguro? — perguntou Jack pela milionésima vez desde que estavam andando por entre a floresta — o modo mais seguro de chegarem lá, sem que ninguém os vissem — em direção a pequena residência.  

— Se você perguntar de novo, eu juro que vou te bater.  — respondeu o baixinho, irritado. Jack controlou a risada que escaparia de seus lábios, se ele não soubesse o quão irritado o ruivo ficaria por isso e provavelmente faria além de sua promessa e o mataria.  

— Que agressividade, Hic. — zombou um pouquinho, porque ele não seria Jack Frost se não tivesse uma língua ferina pronta para revidar. E claro que isso lhe custou um tapa ardido no braço. Hiccup era pequeno e franzino, mas era mais forte do que esperava. — Aí! Era brincadeira! Tá na TPM? — murmurou baixinho e amuado, fazendo mais drama do que qualquer outra coisa.  

E pelo olhar afiado do dono de olhos esmeraldas, ele talvez estivesse.  

Jack calou-se no mesmo segundo. Não planejava ter uma morte prematura.  

Quando estavam perto dos limites da vila, avistaram uma casa perdida no horizonte. Apesar da aparência antiga e de que precisava urgentemente de uma limpeza, tinha uma boa estrutura e parecia longe o bastante do centro principal da vila para ser um bom esconderijo.  

— Por que tem uma casa aqui? — perguntou Jack, curioso.  

Hiccup tinha um olhar perdido em seu rosto. Não ia ali fazia muito tempo, desde que seu avô morrera. Não tivera coragem de voltar, as lembranças ainda eram muito fortes e o laço que compartilhavam era muito intenso, afinal Old Wrinkly parecia ser o único capaz de compreender Hiccup naquela vila.  

O ruivo mordeu o lábio inferior, tocando a madeira da casa levemente e passando a mão pela camada de poeira que parecia encobrir tanto o interior quanto o exterior. Lembranças profundas invadiram sua memória e explodiram em seu âmago, causando um mesclar de sentimentos confusos e tristes.  

Ver a casa que tinha todas as melhores lembranças da sua vida, abandonada daquela forma, causava um sentimento ruim de culpa. Como se não estivesse protegendo o legado de seu avô da forma que deveria. Será que ainda assim, tinha o direito de voltar àquela casa? Mordeu o lábio inferior, sentindo-se para baixo.  

— Hic? — Frost disse em um tom de voz suave, preocupado com a reação do ruivo. Colocou uma mão em um dos ombros do menor e com isso, pareceu despertá-lo de um transe.  

— Hm? Ah. Oi. — disse um pouco perdido, mas parecendo se encontrar poucos segundos depois. Por algum tempo, prendeu-se nas memórias e em uma realidade passada onde seu avô estava vivo. Percebendo que Jack anteriormente o fez uma pergunta, buscou a reminiscência da mesma e pôs-se a responder. — Era do meu avô. — virou-se na direção do platinado, um sorriso de vidro nos lábios.  

— Se não estiver bem por você usarmos essa casa aqui, podemos tentar arranjar outro lugar. — o par de írises safiras olhavam de forma preocupada para o Haddock.  

Mas Hiccup não queria ser fraco por culpa das lembranças e ele sabia bem que não existiria lugar melhor para encontrar-se com Jack, do que aquele. Respirando fundo e tentando estabilizar-se um pouco mais, manteve-se firme a sua decisão.  

— Tá tudo bem, Jack. — sorriu, um pouco envergonhado. — Eu só espero que você não se importe em limpar toda essa poeira. — riu, o som era um tanto quanto falso aos ouvidos de ambos.  

— Hic-- — diria algo, mas o ruivo o interrompeu.  

— Eu tô bem, prometo. — disse firme, e pela certeza nos olhos verdes, Jack nem se viu como poderia tentar indicar qualquer outra coisa. Recuou, prometendo mentalmente que se Hiccup se sentisse minimamente mal, ele interviria e procurariam outro lugar. 

O Haddock merecia estar sempre com um sorriso em lábios e Jack faria o que fosse possível para mantê-lo.  

Abrindo a porta de entrada da casa, um ambiente um pouco escuro e repleto de poeira foi revelado. Era um lugar simples, repleto de estantes cheias de livros em várias línguas, com anotações e mapas espelhados por todos os cantos. Hiccup se lembrava do local ser um pouco maior e mais organizado que isso, mas isso não impediu que outra onda de lembranças o atingisse.  

Dessa vez, sorriu.  

Sentira tantas saudades daquele local que sempre fora seu refúgio, onde podia encontrar seu avô complacente, um abraço aconchegante, uma voz suave pronta para lhe ensinar e um bom chocolate quente. A ideia de não ter vindo aqui antes, pareceu-lhe completamente errônea, dado ao bem-estar que o lugar inteiro lhe causava.  

Então quando se virou em direção ao platinado, com um enorme sorriso no rosto, Jack não pôde deixar de pensar de como o ruivo ficava incrivelmente adorável daquela forma. Estava certo em querer proteger aquele sorriso.  

— Esse é o nosso esconderijo. — o tom animado do pequeno era contagiante.  

— Acho que sou capaz de chamá-lo assim depois que a gente se livrar de toda essa poeira. Sabia que meus sentidos são mais sensíveis que de humanos? — fez uma careta e como que para pontuar a frase, espirrou.  

— Fresco. — o Haddock revirou os olhos, zombando, mesmo que estivesse um pouquinho preocupado. — Vem, vamos limpar essa casa.  

Frost gemeu em desgosto, infeliz e fazendo biquinho. Aqueles dias seriam longos se teriam que realmente fazer aquilo. Dando-se por vencido, acompanhou Hiccup na caçada por achar material de limpeza na casa de seu avô.

Era engraçado o fato de conseguirem se entender tão bem. Quer dizer, trocaram pouquíssimas palavras sobre o assunto — para não dizer nenhuma sequer —, mas estavam ali, ambos um tanto empenhados em se livrar de toda sujeira do local. Local esse que seria campo de muitas conversas importantes, que seria o ponto de encontro, onde eles planejariam um futuro e, como esse futuro lhes era imprevisível! Chegava a ser doloroso.

Não precisavam verbalizar terem o mesmo desejo. O fato de se empenhar tanto para encontrar um esconderijo já dizia por si só que os dois queriam fazer acontecer a paz entre humanos e dragões e, terem um ao outro em algo tão grande como aquilo, simplesmente era um alívio. E todo o medo e angústia que poderiam ter de estarem sozinhos em uma situação como essa, começava a diminuir. 

—Hiccup.- Jack chamou o ruivo concentrado em seu trabalho de limpar uma estante. Parecia longe novamente, mesmo quando desviou seus olhos ao rosto do Frost.- Eu me considero muito inteligente, e eu sou — gesticulou com a mão que segurava um trapo úmido, ao que assim como o Haddock, o platinado também tirava a poeira dos móveis —, claro. Mas eu ainda não aprendi a ler mentes.

—E o que eu 'to deixando de te falar exatamente?- se virou totalmente em sua direção, completamente interessado pelo assunto confuso, embora tivesse vontade de rodar os olhos com o ego terrivelmente grande que Jack Frost podia ter em certos momentos.

—Quando é que isso tudo começou, por exemplo.- indicou o ruivo.

—Mas você 'ta apontando pra eu todo.- disse costumeiramente, ainda que tivesse conseguido entender as entrelinhas.- Qual é, Jack? Você quer que eu seja mais claro do que eu já sou? Quer dizer, você não deve ter percebido, mas eu não te matei na primeira vez que te vi. Nem na segunda, nem na terceira. E mesmo antes de você, eu sabia que não precisava ser do jeito que é, porque só a ideia de matar um dragão me dava arrepios. 

—Wow... Isso é deveras interessante.- Jack escutava suas palavras atentamente, bastante maravilhado com seus motivos para querer se juntar a ele com toda sua perigosíssima missão. E, no fim, Hiccup conseguia ser mais corajoso do que Jack pensava que ele era. 

—Aí você decidiu cair na nossa floresta, me dando a certeza que dragões podem ser mais do que são...- disse, sarcástico demais pro gosto do platinado.- Então, por que não uma trégua entre humanos e dragões, huh? 

—De nada.- Jack respondeu enfático.- E você fala como se fosse fácil.

Ambos voltaram aos afazeres, embora ainda envoltos no assunto.

—Você acha que foi?- Hiccup o perguntou.- Com certeza não foi fácil querer ir contra todos os costumes da vila. Cara, eu nem mesmo sei como vou conseguir olhar pro meu pai direito agora.- Hiccup murmurou sincero, passando a mão pelos fios ruivos.

—Eu te entendo. The Man in the Moon também não facilitou comigo. Por bastante tempo, eu quis muito não ser quem eu sou agora, e... me senti solitário por tantos anos com tudo isso, que...- não conseguiu terminar sua frase.

—Que bom que estamos juntos nessa, então...

Os dois trocaram olhares cúmplices, não sentindo necessidade de continuar com as falas, pelo menos por hora.

Jack se sentia diferente em relação ao ruivo. Quer dizer, ele sempre sentiu algo incerto quando Hiccup aparecia na floresta depois do treino, ou quando os dois conversavam sobre lendas; com o Haddock, desde o começo era dessa forma. Era um jeito de lembrar para Jack que não se tratava de alguém qualquer e, ele gostava disso, porque era verdade.

Mas ele sabia que as coisas mudavam constantemente entre eles e, não podia o negar, ainda mais depois do dia em que estavam. Provavelmente era um dos dias mais importantes em sua vida, onde sentiu tantas coisas em um curtíssimo período de tempo, isso por simplesmente não querer perder o que tinha com Hiccup. Ele realmente não saberia o que fazer, caso o ruivo não o perdoasse.

E, ali, Jack estava grato. Hiccup simplesmente agia como se o passado não tivesse existido. Agia como se tivesse esquecido totalmente dos feitos do platinado, como se os dois tivessem voltado do zero e, ter esse tipo de sensação no ar era muito bom e confortável, mesmo que Frost soubesse da mínima, mas ainda existente relutância do ruivo a sua pessoa. 

Mas tudo bem. Tinha ferido a confiança de Haddock da pior maneira que alguém podia fazer. Ele era paciente e entendia seus motivos.

Continuaram a limpar os cômodos. Aos poucos, a casa ganhava uma outra impressão, quase como se ainda morasse gente ali e ninguém tivesse esquecido da sua existência. O ambiente, antes já acolhedor, agora com alguns móveis limpos, tinha o ar mais reconfortante ainda. Hiccup pensou que só faltava o cheiro de chocolate quente para ficar mais perfeito.

—Como ele era?- Jack se viu curioso, torcendo sinceramente para que não tivesse estragado tudo.

O platinado observou de perto a expressão do ruivo e, se ele demonstrasse não querer falar sobre o assunto, procurou na mente algo para o distrair, depois que pedisse desculpa.

—Como ele era?- era repentino, mas soube de quem o outro estava falando. Abriu um sorriso, nostálgico.- Ele era a melhor pessoa da minha vida.- nunca havia sido tão honesto como naquele momento.- Eu lembro que quando eu tinha uns cinco anos, ele sempre me colocava para dormir. Foi com ele que eu aprendi tudo o que eu sei hoje. É por causa dele que sou quem sou. 

Jack gostava de como Hiccup falava. As palavras que saíam de sua boca, às vezes tão simples, mas cheias de significado, ou, outras vezes, complexas e difíceis, que o influenciava na hora de entender o significado. Ele gostava.

Os próximos dias se resumiram a isso. Um clima agradável onde após os treinos de Hiccup, os dois se reuniam para limpar a antiga casa de Old Wrinkly e conversavam um pouco sobre tudo.  

— Como foi seu primeiro voo? — o ruivo perguntou, curioso, limpando o chão do cômodo central da casa. Jack estava limpando a outra extremidade do chão do mesmo cômodo.  

— Eu não sabia voar. — riu encabulado, pensando em como havia sido um desastre. Se aranhara todo. — Eu cai em uma floresta e fiquei preso nos galhos de uma árvore alta. — se fez de indiferente, mas a verdade é que essa história o constrangia. Nem sabia porque estava contando a verdade.  

— Sério? — gargalhou alto. Jack lhe jogou uma esponja molhada no rosto, assustando o ruivo. — Ei! Minha roupa! — fez careta de nojo para o objeto sujo e sua roupa encharcada.  

— Tava merecendo. — desdenhou, emburrado.  

— Desculpa, desculpa. — tentou controlar a risada. Não deu muito certo, voltou a rir, fazendo Jack bufar, frustrado. — Mas... quanto tempo você ficou preso na sua forma de dragão? — aquilo era um assunto um pouco mais delicado.  

E tal coisa era perceptível pela postura séria de Jack.  

— Eu não sei na verdade. — mordeu o lábio inferior. — Eu perdi a conta depois de dois meses. Eu não tenho ideia de quantas luas se passaram por todo esse tempo. Eu saí voando por todo o lugar que podia encontrar, já que nunca era bem-vindo em algum. Não sendo dragão. Eu nem lembro mais de qual terra eu vim, nem sei se estou distante ou não. — passando as mãos pelo cabelo platinados e rindo com amargura, respondeu.  

— Eu sinto muito por isso, Jack. — respondeu com sinceridade, querendo se aproximar do Frost e abraçá-lo. Conteve-se. Nem sequer sabia porque o pensamento intrusivo rondara sua cabeça.  

— É por isso que eu não tenho casa, sabe? Quando eu consegui me transformar pela primeira vez em humano, apesar deu ter corrido para o estabelecimento de comida mais próximo... — Hiccup lhe mandou um olhar de ultraje e surpresa. — O quê? Sabe o quão ruim é comer peixe cru esse tempo todo?  

— Você podia ter comido uma ovelha. Ou sei lá. — falou como se fosse obvio.  

— Dragões não comem ovelhas, Hiccup. — revirou os olhos.  

— O quê?! Então por que sempre roubam as ovelhas daqui? 

— Reformulando. Só os alfas comem ovelhas e essas coisas. Os outros comem peixes. — o tom de voz era como se estivesse explicando algo a uma criança. Hiccup se sentiu particularmente ofendido, mas não disse nada.  

— Alfas? — nunca ouvira falar sobre isso.  

— Yeap. São dragões enormes, do tamanho de montanhas. Dominam todos os outros dragões menores por perto. Pode ser por medo, ou chamado.  

— Chamado? — franziu o cenho.  

— Como se estivessem rugindo. Acaba hipnotizando todos os dragões para fazerem o que o alfa quer. — explicou mais ou menos como aquilo abalava dragões com dominância menor. — Por eu ser metade humano, acabo não sendo afetado muito. Mas se for muito mais forte que eu... — mordeu o lábio inferior.  

Já ficara preso por um tempo no comando de um alfa. Não foi uma experiência agradável, toda a perda do seu livre-arbítrio.  

— Tem algum alfa por aqui, então? — apesar de toda a curiosidade de uma nova espécie, se admitisse não estar com medo, estaria mentindo.  

— Tem. Mas ela domina pelo medo. É agressiva e come dragões menores que falham. Eu a odeio. — foi a primeira vez que Hiccup percebeu como Jack falava sobre dragões da mesma forma que falava de humanos. Se não soubesse que ele estava falando de um dragão, podia imaginar que estava falando de uma mulher ruim e impiedosa. Odin, sabia que ele estava falando de um dragão alfa e mesmo assim conseguia imaginar uma mulher com aparência velha, nariz pontudo e uma verruga.  

Não foi agradável a imaginação. Mas ter a ideia de como Jack humanizava seus companheiros de hibridização, era surpreendente e fazia Hiccup começar a enxergar as coisas por esse lado.  

— Temos que derrotá-la então! — disse o óbvio. Jack bufou.  

— O que você acha que eu tenho tentado fazer até agora, Sr. Óbvio? — suas palavras escorriam sarcasmo. — Mas precisamos de um plano primeiro. Não adianta chegar só com coragem. — e gentilmente, deu um soquinho na testa de Hiccup. — Então seria uma ótima hora de colocar essa cabeça gigante pra pensar. — brincou. 

— Ei! — o ruivo se afastou, um pouco corado e surpreso.  

— Mas um passo de cada vez, okay? Vamos terminar de limpar aqui. — sorriu complacente, o Haddock soltou alguns resmungos baixos, antes de concordar e continuar a limpar.  

O trabalho fora embalado pelo tom da suave voz de Jack que contava para Hiccup tudo o que já havia aprontado como dragão e algumas poucas coisas que fizera com outros dragões que aparentavam ter sua idade — uma dessas coisas era espantar humanos e assustá-los com chuvas de peixes.  

Aquilo não fazia nenhum sentido, mas Jack sempre caía na gargalhada quando contava sobre algum peixe qualquer que acertava a cara de um humano desprevenido e começava a se debater. E mesmo que o ruivo não visse tanta graça nas histórias, a risada de Jack era o suficiente para fazê-lo rir junto.  

*** 

— The Man in the Moon! — Hiccup exclamou surpreso quando pegou um dos livros de seu avô. Era um livro antigo e na língua latina, que parecia contar sua história e tudo o que havia feito. Por sorte, Hiccup conhecia a língua. — Meu avô conhecia 'ele, mas nunca falou. — passando um pano levemente úmido e com cuidado na capa do livro, avaliou-o.  

Depois de quase uma semana e meia limpando a casa, esta estava quase pronta. Agora somente faltava tirar pó de todos os objetos e colocá-los em seus devidos lugares.  

— Parece que esse não era o único livro sobre ele. — Jack pegou outro, limpando a capa e mostrando a imagem de um homenzinho sentado na sua com sua vara de pescar. — Acho que seu avô sabia muita coisa sobre ele. — porque aqueles dois livros não eram os únicos sobre The Man in the Moon. Havia mais.  

— Ele nunca me disse nada sobre. — murmurou um pouco cabisbaixo, imaginando quantas lendas e mitos não teria perdido por causa da morte prematura de seu avô.  

— Talvez ele fosse te contar depois. — sugeriu Jack. Hiccup mordeu o lábio inferior, hesitante.  

— Talvez. — suspirou por fim, fitando a capa com aparência mística do livro em suas mãos. — Acho que no fim, só me dá mais certeza de que esse é o lugar certo para planejarmos nossa proposta de paz. — abrindo em uma página aleatória, começou a passar os olhos rapidamente pelas palavras em língua estrangeira.  

— Informação sobre ele é que não vai faltar. — disse o platinado por fim, quando terminou de contar quantos livros individuais havia sobre The Man in the Moon. Haviam dez. — Vamos ter que ler todos esses livros, não é? — gemeu, desgostoso. Sempre fora hiperativo demais para ler, gostava mais de ouvir.  

— Vamos, mas não vamos pensar nisso agora. — com o olhar esmeraldino distante, começou a colocar a cabeça para funcionar e pensar sobre o que poderiam fazer.  

— Quê? Como não? Ele é uma peça importante de todo esse quebra-cabeça! — exclamou, como se o ruivo tivesse dito um absurdo.  

— Um passo de cada vez, lembra? — sorriu cúmplice na direção de Jack. — Acho que primeiro temos que descobrir um jeito de evitar que o melhor aluno na academia mate um dragão esse ano. — e ele tinha quase certeza que seria ele, dado ao fato que todos estavam o cobrindo de elogios e ele se sobressaía sobre qualquer outro viking. — E eu acho que já estou começando a bolar um.  

Compartilhou com Jack um sorriso malicioso que prometia causar.

—E como 'cê sabe que vai ser você?- Jack perguntou, pensando à respeito daquilo direito pela primeira vez.

—Não está claro o quão habilidoso eu sou?- perguntou irônico, embora estivesse procurando por algo com o olhar.

—'Ta cristalino.- Jack sorriu de lado.

Hiccup acabou rindo minimamente.

—Meu pai é mais sutil que um Monstrous Nightmare, então...- continuou na sua procura, explicando para o platinado o fato de ter tanta segurança sobre ser ele o escolhido para aquele evento tão importante.

—O que você 'ta procurando, hein?- Jack notou pela primeira vez a inquietação do ruivo com o que estava fazendo. Ele abria gavetas, vasculhava por entre os livros, ia em outros cômodos, nunca parecendo encontrar o que procurava.

—Vovô tinha um rolo de pergaminho por aqui em algum lugar — falou mais alto, por estarem em diferentes cômodos —, me ajuda!

—E o que você vai fazer?

—Você vai ver. Tipo, depois de umas duas semanas.

—E por que tem que ser depois de duas semanas?- Jack estava mais confuso ainda.

—Você vai ver, Jack.

Mesmo não concordando com a falta de informação, Jack apenas tentou se contentar enquanto começava a imitar o Haddock e passava a buscar pelo rolo. 

Algumas coisas ainda estavam sujas ou empoeiradas e isso o incomodava de verdade, quase o fazendo espirrar. Mas se esforçou para continuar com a procura, ainda que não tenha valido de quase nada, já que o pergaminho não estava nem perto de onde Jack se encontrava. Hiccup havia achado.

O Haddock murmurou algumas palavras sem sentido, algo como grilar e cerimônia. Jack fingiu entender, ao que se aproximou do mais novo, sentando ao seu lado na mesa. Hiccup parecia nervoso, enquanto escrevia naquele pergaminho e Frost odiou o uso da língua desconhecida.

O ruivo estava tão concentrado, que o outro podia jurar ver seu cérebro quase queimando. Por mais que estivesse morrendo de curiosidade e entendesse quase nada do que estava acontecendo, se conteve no lugar, esperando-o terminar. Mas não foi tão fácil como pensou.

Hiccup demorou. Ele escrevia, olhava para o nada, pensando, levantava e andava de um lado para o outro, até pegou um livro como auxílio para o conteúdo escrito. Foi agonizante para o mais velho, que por vezes tentou um assunto com o viking, que o mandava ficar quieto quase que imediatamente. Como poderia ficar quieto? 

Quando estava para reclamar novamente a situação, seus sentidos se aguçaram para o lado de fora. A sensação de não estar sozinho na ilha o atingiu em cheio e, como ironia, o primeiro tiro de fogo começou com sucesso o ataque daquela noite. 

—Fica aqui, eu vou ver o que está acontecendo.- Hiccup deixou tudo de lado, quando escutou os barulhos e gritos de vikings se preparando para o cenário que estava por vir, se direcionando ao Frost com aquela frase. Seria muito peridoso a sua descoberta, caso os dois decidissem sair da casa.

Assim que concluiu que sim, estavam em um ataque de dragão, passou a correr em direção ao núcleo de mais casas, sabendo seu costumeiro trabalho em uma situação daquelas. Só esperava que Gobber não o recebesse com broncas por talvez estar demorando.

Esse não foi o caso, porque assim que chegou na ferraria, o professor o dispensou de imediato.

—Vá ajudar no combate com os outros guerreiros. Estou com tudo sob controle.

—O que?! Mas e as espadas? Você odeia afiar armas!- suplicou aos deuses que fosse um argumento válido. Odin, não queria ajudar nenhum guerreiro a matar dragões.

—Hiccup, está na hora.- Gobber se virou em sua direção, falando sério.- Não vou te deixar aqui, com tanta habilidade pra usar lá fora. 

—Ma-

—Mas nada, Haddock! Vá logo!- empurrou em sua direção um martelo e um escudo, logo se ocupando com um outro viking à procura de armamentos.

Hiccup se virou para o caos de casas pegando fogo, vikings golpeando Deadly Nadder's, dragões roubando ovelhas e, ele nunca sentiu tanto desespero em seu curto período de vida. E agora? Agora ele tinha que ajudar naquilo tudo e, principalmente não ajudar ao mesmo tempo. Não podia levantar uma arma para qualquer dragão que fosse. Não conseguira fazer isso.

Mesmo não sabendo o que fazer, começou a correr, percebendo segurar a espada e o escudo que Gobber o entregou, logo pensando que não usaria nada daquilo. Ele combateria as feras da forma que sabia combater. Por isso, assim que se encontrou de frente para um Gronckle, levantou ambas as mãos, querendo informá-lo que não era um perigo para si. Mesmo com o seu rosnado e dentes pra fora, o ruivo deu passos em sua direção, até que estivesse o tocando no focinho.

—Sai daqui, amigão.- empurrou seu corpo demasiadamente, assim que o acalmou.

O dragão o obedeceu, mesmo parecendo estar agindo no modo automático e, na hora, Hiccup pensou na conversa de mais cedo com Frost sobre alfas. Agora tudo fazia mais sentido.

Continuou fazendo aquilo ou auxiliando quanto ao fogo nas casas. Algumas vezes, vikings o perguntavam o que estava fazendo ali, ou ainda os que sabiam de seu desenvolvimento na academia, questionavam o paradeiro de suas armas. Hiccup os respondia dizendo que estava indo buscar novas na ferraria. Até parece...

Algum tempo depois desde que chegara e fazia o que conseguia para finalizar aquela situação, escutou a conversa de alguns guerreiros. Eles diziam que disseram pra eles que o ataque estava tão intenso, que até viram um Snow Fury.

—Merda, Jack.- Hiccup abandonou um incêndio, começando a correr sem um determinado rumo. Seus olhos passavam por todos os cantos e, sem querer, Haddock foi parar na rua principal da vila, onde o combate era mais constante e perigoso.

Ele viu o contraste do chão. Os vikings ali foram atacados tanto por rajadas de fogo quanto por rajadas de... gelo. Ele não devia estar muito longe e, Hiccup podia jurar que, quando o encontrasse não seria dono de seus atos.

—Snow Fury!- alguém qualquer gritou.

—Abaixem-se! 

Hiccup, ao contrário de muitos, apenas parou no lugar, direcionando os olhos ao céu. Estava escuro, já que a noite caía, ainda que soubesse que conseguiria enxergar as escamas de Toothless — ou Jack — em qualquer horário do dia. 

O som do seu tiro de gelo se fez presente, ao que sua mira acertara uma casa. Ainda com os olhos verdes o avistando, Hiccup correu. Já estava cansado, mas corria, perseguindo indiretamente o Snow Fury voando. 

Só foi engraçado o fato de ter conseguido segui-lo enquanto o dragão estava no ar, mas assim que o mesmo pousou, o perdeu. 

—Jack, eu te mato.- sussurrou, apesar de não ter ninguém por perto.

Estava em um lugar afastado da ilha. Não era a floresta. Hiccup se encontrava em algum tipo de espaço grande, com grama verdinha e rala; ele já esteve ali com seu avô quando era mais novo. O mais velho o contara histórias, enquanto ambos observavam as estrelas. 

A lembrança o distraiu, fazendo-o quase cessar os passos, isso até escutar:

—Ele está aqui! Eu peguei o Snow Fury! Venham rápido!

As falas vinham de algum lugar a esquerda e, ao ouvir cada sílaba, Hiccup sentiu o medo preenchê-lo aos poucos. Tinham machucado Jack? Matado-o?

Correu novamente com todas as forças que possuía. Ele chegou, respirando forte, e encarou o único viking o cercando. Sua arma apontada em sua direção tão firmemente, que o deixava sem saídas, quase não podendo voar também.

Ele quis gritar para que o deixasse em paz. Quis lhe dar um murro, ou atingí-lo com sua própria espada por estar sendo tão estúpido, mas a única coisa que fez foi andar com passos pesados na direção dos dois.

—Ele é grandão.- fingiu entusiasmo.

O viking se assustou com sua presença, mas abriu um sorriso, entendendo exatamente o que ele dissera. 

—Sim! Um prêmio!

O Haddock jurou que podia vomitar. O enjoava aquele tipo de pensamento sobre as feras. 

—Já chamou reforços?- perguntou com o sorriso falso.

Ele só queria distraí-lo o suficiente, para que a brecha fosse concedida ao dragão, fazendo com que este pudesse voar para longe e, como previa, sua atenção se voltou ao seu rosto, sendo aquilo o motivo perfeito para que Toothless desse o fora dali.

—Sim. Daqui ele não escapa.- sorriu maior, mesmo que isso tenha mudado quando voltou a olhar o espaço que antes o Snow Fury ocupava.

—Deixa comigo!- Hiccup arrancou a espada de sua mão, voltando a perseguir Jack pela segunda vez no dia, enquanto ouvia o viking praguejando aos deuses atrás de si.

Ele, percebendo ser a floresta o foco de Jack, correu entre as árvores até julgar ser longe o suficiente para poder gritar o nome do platinado.

—Jack!

Parou, olhando para todos os lados. Não obteve resposta, o que o fez reclamar mentalmente, voltando a correr. Pretendia chegar ao lago, rezando a Odin para que Jack tivesse parado por lá e, para sua sorte, o deus decidiu atender as suas preces.

Assim que o viu, agora em forma humana, passou a andar com mais determinação que antes em sua direção, deixando que a espada que ainda carregava caísse no chão de qualquer jeito. Jack notou suas intenções, porém, e seu primeiro instinto foi dar passos para trás, rendido.

Hiccup o empurrou pelos ombros assim que o alcançou.

—Eu mandei você ficar lá! Qual é o seu problema pra sair num ataque desses?!

—E qual é o seu problema também?- Jack também o empurrou.- Você foi primeiro!

—Eu não conto, Jack!- levantou as mãos no ar, não acreditando no argumento usado.- Eu sei o que fazer numa situação dessas. Sem contar que é o meu povo todo contra você e, em teoria, eu estou incluso!- deu mais ênfase que antes na última frase.- E se aquele filho de troll tivesse te matado, hein? 

—Eu só saí, porque pensei que você corria perigo, mas não! Você 'ta muito bem, 'né?- sarcasmo vinha de seu tom e sua expressão, embora sentisse tanta raiva quanto o baixinho.

Jack deu meia volta, passando a mão pelo cabelo. Talvez merecesse a bronca, mas isso não significava que estava super disposto a ouvi-la. Por isso, pretendendo sair dali, seus passos não cessaram quando ele deu ombros ao ruivo. 

—Ok, Jack.- Hiccup não acreditou que ele o deixaria falando sozinho, por isso tratou de se dirigir ao platinado, antes que ele fosse embora realmente. Sua voz estava mais contida que antes e ele tentava parar sua raiva.- Você estava pensando na minha proteção, mas entenda que aqui fora, quem precisa de proteção é você. Você não viu, mas um bando de homem lá — apontou para a rua principal — mataria e morreria pra te capturar.

Jack suspirou, abaixando a guarda também. 

—Me desculpe.

— Tudo bem. Me desculpe também. Pela coisa toda da raiva. — suspirou, não conseguindo ficar bravo quando o platinado parecia realmente estar magoado. — Agora me machuca. — pediu, suspirando.  

Jack o olhou como se ele fosse a insanidade reencarnada.  

— Desculpa, quê?! — exclamou, em um misto de surpresa e nervosismo. Soltou um riso trêmulo. — Olha, eu não sei se curto esses fetiches não, cara. A gente também tem que combinar uma palavra de seguran-- — antes que o Frost pudesse divagar muito mais, Hiccup o interrompeu.  

— Jack! — repreendeu, chamando a atenção do mesmo de volta para si. — Eles precisam acreditar que você fugiu. Entendeu? Agora eu preciso que você congele algumas árvores e arbustos pra mim, pra fingir que lutamos e depois me acerte com a cauda, sei lá, no estômago. — pediu sério, implorando-o com os olhos esmeraldinos. Aquilo era questão de vida ou morte.  

O platinado hesitou um segundo, antes de sua face mostrar a pura frustração e desgosto que estava sentindo com a situação e transformou-se no Snow Fury. A imagem, a primeiro momento, era linda. Hiccup sempre ficava encantado toda vez que via o dragão, com suas escamas brilhantes e aqueles olhos incrivelmente azuis, tão análogos aos de Jack.  

O Snow Fury então virou-se em direção ao Haddock e com uma rajada de gelo, congelou algumas partes do cenário, parecendo demorar mais que o necessário, somente para procrastinar a ação de ter que machucar o ruivo. Ele não queria ter que fazer aquilo, não queria machucar a única pessoa que se importava nesse momento.  

Respirando fundo, olhou uma última vez nos olhos esmeraldinos, sentindo receio do que faria a seguir. Hiccup estava completamente vulnerável. Desviando o olhar, balançou a cauda em direção ao menor e só ouviu o barulho do estalo de escama contra pele e um grito desesperado chamando por Hiccup, enquanto o Haddock gemia de dor, caindo no chão.   

Não podendo mais ficar no local, porque era sua chance perfeita de escapar, nem sequer lançou um último olhar para o ruivo, içando voo em direção aos céus e deixando para trás o ruivo machucado, com o sentimento no peito de que era a pior pessoa do mundo.  

— Não era para ser tão forte, filho de troll. — Hiccup gemeu baixinho, colocando a mão na boca de seu estômago, exatamente onde a cauda lhe acertou com força. Jack a essa altura, estava muito distante para ouvir qualquer uma de suas reclamações de dor.  

A dor era tanta, que nem percebeu que seu pai e Kristen haviam chegado.  

— Você tá bem? Aquilo era um Snow Fury? Você é louco de lutar sozinho contra um Snow Fury?! — a voz de Kristen soava preocupada e ao mesmo tempo irritada, a euforia era tanta que o mais novo não tinha a menor ideia de como proceder.  

Por sorte, Stoick estava lá para ajudar seu filho mais velho a pôr-se de pé.  

— Tudo bem, filho? — perguntou menos desesperado, já acostumado com as pessoas se ferindo nessa guerra. Mas isso não queria dizer que estava menos preocupado. Iria matar o viking que deixou seu filho sozinho com uma besta feroz como aquela.  

— Acho que sim. — usando seu pai de apoio, colocou-se de pé. — Deve ficar roxo, mas nada que eu não possa lidar. — disse, gemendo um pouquinho de dor. Esperava que não tivesse quebrado nada.  

— Tem certeza? — Kristen perguntou de novo, parecendo menos preocupado, mesmo que ainda seu rosto todo estivesse franzindo em inquietude.  

Hiccup somente balançou a cabeça, sem conseguir dizer muito.  

— Kristen, leva seu irmão pra casa. Eu vou matar o desgraçado que te deixou sozinho com essa besta! — Stoick parecia pronto para arrebentar um homem na base dos punhos. Hiccup se sentiu meio mal pelo viking enganado.  

— Papai, fui eu quem pedi isso. — mordeu o lábio inferior. — Acho que me deixei levar pela adrenalina, desculpa. — riu meio nervoso, esperando que aquilo não acabasse completamente com suas chances de ser o primeiro da sua turma a matar um dragão.  

— Um viking impulsivo exatamente como seu pai. — o patriarca exibiu um sorriso, orgulhoso. — Você está destinado a grandes coisas, filho. Tente não se matar antes da hora! — pediu, bagunçando o cabelo do seu primogênito. — Mas eu ainda vou matar o cara que te deixou sozinho aqui. — nunca diga que Stoick não ama sua família. A fúria que brilhava nos olhos verdes era enorme.  

— Se ele não fosse te chamar, estaria nós dois mortos, papai. — tentou argumentar mais uma vez.  

— ... só tente não morrer, filho. — cedendo e meio relutante, o mais velho suspirou, olhando-o um pouco preocupado e repleto de afeição por debaixo de toda a camada de virilidade.  

— Vou tentar. — sorriu em resposta, fraco, se sentindo meio mal com tudo o que acontecera nos últimos minutos.  

— Agora, Kristen, leva seu irmão pra casa. — pediu. — Eu ainda tenho muito o que arrumar por aqui, esses ataques causam sempre uma bagunça por todo o lugar.  

Kristen só concordou com a cabeça, arrastando Hiccup dali.  

Quando estavam distantes o suficiente de Stoick, o mais novo começou um sermão.  

— Você está se tornando inconsequente como qualquer outro viking! — repreendeu. — Justo você que vivia se gabando de ser tão inteligente! Tem minhoca no seu cérebro por acaso? — a sua vontade era de bater no menor, tamanha a preocupação.  

— Desculpa, desculpa. — pediu, se sentindo extremamente mal por ter feito sua família se preocupar dessa forma quando não estava em real perigo.  

— Tente não me matar de preocupação e se matar por inconsequência. — resmungou, em um tom de voz baixinho e amuado.  

— Vou tentar. — prometeu.  

— Eu deveria te bater. — voltou a murmurar, irritadinho.  

— Tá parecendo o Gobber agora, só reclamando dessa forma. — revirou os olhos, tentando descontrair o clima. Estava ficando cada vez pior com toda aquela preocupação.  

Por sorte, já estavam chegando em casa e ele podia morrer um pouco sozinho em seu quarto.  

— Eu não pareço o Gobber! — exclamou em ultraje, se sentindo ofendido.  

— Parece sim. Só reclama. E reclama. E reclama. Falando sem parar por todos os cantos. — botou a língua para fora em um ato infantil, arrancando uma risada de Kristen.  

— E você que parece a Gothi? Com todos os seus livros, falando coisas que ninguém entende e escrevendo coisas ainda mais complicadas pelo canto? — provocou, vendo o menor semicerrar os olhos, parecendo querer assassinar Kristen pela comparação.  

— Eu não pareço com ela. — respondeu em um tom baixo e perigoso, que seu irmão mais novo definitivamente não levava a sério.  

— Parece sim. E ainda é baixinho como ela. — riu, fazendo o menor suspirar desgostoso com tamanha afronta.  

— Você é insuportável. — resmungou, mal-humorado. Kristen riu alto, parecendo muito divertido com a situação.  

— Também te amo, irmãozinho. — riu um pouco mais, divertido.  

Mas aquelas palavras tiveram um efeito contrário em Hiccup. O menor arregalou os olhos, assustado, perguntando-se mentalmente quando tinha ouvido seu gêmeo falar aquilo para ele — nunca.  

Aquilo o dividiu. Não sabia se sorria de felicidade pela proximidade que estavam adquirindo, ou se simplesmente sentia remorso em aquilo vir de uma situação falsa.  

Tentando não pensar muito sobre isso, tentou se concentrar na dor enquanto ouvia Kristen falar, ao mesmo tempo que caminhavam em direção a casa que compartilhavam, com Hiccup usando o mais novo como apoio.  

Mas sendo sincero, a culpa não deixara de acompanhá-lo em momento algum. 

*** 

Caçar grilos com o abdômen enfaixado e dolorido não fora nada fácil. Apesar de não ter quebrado nenhum osso e só ter formado um enorme hematoma roxo em seu corpo, Gothi ainda assim colocou algumas ervas medicinais no lugar machucado e enfaixou-o. Diria que o faria melhorar mais rápido.  

Tinha levado uma caixinha de madeira para o meio da floresta e passara mais de duas horas tentando caçar os bichinhos que seriam muito importantes para o seu plano. Quando tinha pelo menos uns três, achou que era o suficiente e resolveu ir para a antiga casa de seu avô.  

A experiência de caçar insetos não havia sido nem um pouco agradável, principalmente quando eles pulavam em sua cara e ele sempre soltava um gritinho muito — duvidosamente — másculo.  

Assim que chegou à casa de Old Wrinkly, Jack já o esperava lá.  

— Chegou cedo. — franziu o cenho, preocupado. Não tinham se visto desde a noite anterior que machucara o ruivo. Estava morrendo de preocupação.  

— Papai achou melhor que eu não fosse ao treino hoje, então aqui estou. — sorriu, colocando a caixinha de madeira fechada em cima da mesa. — Então passei na floresta antes pra catar grilos e foi uma péssima experiência.  

— Grilos? — será que tinha batido na cabeça de Hiccup e o dado uma concussão? Ele não estava falando nada com nada.  

— Eu já disse, você vai descobrir daqui a duas semanas. — sorriu, voltando a pegar o pergaminho quase completamente escrito e uma pena com tinta.  

Ficaram em silêncio por tempo o suficiente para o Haddock terminar de escrevê-lo e guardá-lo cuidadosamente na caixinha com grilos e pô-la em uma estante já limpa. Durante todo esse tempo, Jack ficava balançando a perna de um lado para o outro, sem saber como começar o assunto da noite passada.  

Mordia o lábio inferior, preocupado, um pouco histérico e hiperativo.  

— Jack, eu estou bem. — o ruivo disse, parecendo saber exatamente o que afligia tanto o platinado.  

— Se você estivesse bem, não teria faltado ao treino. — disse, como se fosse um ponto óbvio.  

— O que foi bom, porque me deu tempo para caçar grilos. Papai só estava um pouco assustado com o que aconteceu, mas logo passa. Logo o hematoma sara. — disse, tentando tranquilizar o maior.  

— Hematoma?! — seu tom subiu uma oitava em surpresa.  

— Nada demais, você só bateu um pouquinho forte. — usou de eufemismo, aquilo havia doído e muito. Fora muito violento, mas não queria fazer Frost se sentir ainda pior.  

— Eu bati o mais fraco que pude! — exclamou, arregalando os olhos e quase, começando a ter um leve ataque de pânico. Os olhos safiras arregalados e a culpa o corroendo. A respiração do de cabelos prateados tornou-se pesada e seu rosto vermelho por não conseguir respirar direito.  

— Jack! — Hiccup o chamou, prendendo o rosto do maior entre suas mãos. Uma de cada lado das bochechas de Frost. — Eu estou bem. — disse, preocupado, olhando profundamente nos olhos azuis. Esmeraldas contra safiras. — Eu estou bem, Jack. — disse mais uma vez, parecendo ser o suficiente para deixar o mais velho mais relaxado.  

— Me desculpe. — pediu baixinho, abaixando o olhar.  

— Não tem o que se desculpar. Agimos de acordo com a situação. — disse, sorrindo. Jack parecia querer rebatê-lo, mas acabou engolindo o que quer que tinha a dizer, aceitando as palavras de Hiccup. — Além do mais, com isso, eu não consigo limpar a casa... Então você vai ter que se virar sozinho por um tempo. — sorriu, prepotente.  

Jack gemeu em desgosto. Ele odiava poeira e odiava ainda mais limpar as coisas.  

Hiccup só riu da careta de derrota do amigo. 

*** 

Duas semanas depois, Hiccup tira o pergaminho da caixinha de madeira, olhando orgulhoso para Jack assim que tivera o resultado que desejara. Um papel com aparência envelhecida.  

— Como...? — o platinado perguntou, surpreso. Parecia muito legítimo e se não soubesse que Hiccup havia feito aquilo há quinze dias, podia acreditar que o papel tinha décadas.  

— Se chama grilagem. Os grilos liberam certas substâncias que dão essa aparência ao papel. — sorriu maior, muito satisfeito com o resultado.  

— Eu sabia que você era inteligente! — o platinado também sorriu.  

Hiccup riu, meio eufórico. Pegou a caixinha com os grilos e os liberou pela janela, deixando-os serem livres.  

— Mas você acha que vão acreditar? — perguntou Frost.  

— Não teriam porque não. Vikings são um povo com muitas superstições. — deu de ombros.  

— Bem, de qualquer forma, boa sorte. — desejou. Aquela era uma parte muito importante do plano que tinham.  

— Obrigado. — sorriu.  

Tinha que dar tudo certo.  

*** 

Hiccup inventou uma história qualquer de que achara o pergaminho perdido em um livro no que deveria ser a biblioteca de Berk. Contou para seu pai, e logo a história havia se espalhado por toda a vila, que tornou a situação extremamente barulhenta, ao ponto de que Gothi iria avaliar a veracidade daquele suposto documento.  

Mas o que mais surpreendeu Hiccup naquela situação toda, foram os vários vikings surpresos por realmente haver uma biblioteca em Berk. O ruivo não tinha ideia se ficava espantado com a ignorância de seu povo ou se simplesmente aceitava-a. Suspirou, resolvendo fazer o último. 

Gothi tinha o papel em mãos, avaliando com cuidado. Analisou cada pequena letrinha e consultou alguns livros — era tão bom saber que mais pessoas na vila sabiam o que eram livros! —, tentando descobrir sobre o papel.  

Por fim, ela pegou a bengala e começou a escrever runas no chão, para que Gobber pudesse ler o veredito se o papel era verdade ou não. Enquanto escrevia, a senhora idosa lançou um olhar para Hiccup, como se pudesse ler toda a sua alma e sabia de todas as suas verdades e mentiras. Aquilo fez o coração do ruivo acelerar no peito, enquanto ele suava frio, sem ter ideia se ela havia acreditado ou não.  

Quando ela acabou, abaixando a bengala e olhando mais uma vez para Hiccup, o Haddock congelou inteiro. Nem percebeu que Gobber havia se aproximado para ler as runas.  

— Ela diz que é legitmo. — disse, em um tom surpreso, o ferreiro.  

Aquilo fez Hiccup soltar um suspiro que nem sabia que estava segurando e fez com que Gothi o olhasse com mais intensidade. Mas o ruivo resolveu ignorar aquilo, tentando reprimir o sorriso em seu rosto por saber que a primeira parte de seu plano dera certo.  

E o que havia no pergaminho, era que o próximo líder da vila, para dar sorte e prosperidade a Berk, só poderia matar seu primeiro dragão na cerimônia que o tornaria o próximo chefe de Berk. E considerando que ele quem seria o escolhido da sua turma para matar o primeiro dragão, ele não poderia, já que só poderia fazer tal ação quando completasse dezoito anos.  

E ninguém poderia tomar seu lugar na cerimônia de encerramento de sua turma, já que só o melhor poderia fazer isso. Caso essa oferenda fosse feita por outras mãos, os deuses ficariam revoltados e lançariam sua ira.  

Em outras palavras, aquilo dava tempo a Hiccup. Muito tempo. Ele teria anos para planejar o plano perfeito com Jack antes de ter que se preocupar em matar seu primeiro dragão.  

Se soubessem o quão feliz ele estava com isso, ninguém chegaria perto dele, dizendo que sentia muito por ter que esperar tanto tempo antes de ter sua primeira glória.  

Primeira parte: concluída.


Notas Finais


Se eu estou bem depois desse cap ? Já disse que sim MENTIRA EU AMEI AS FALAS DEMAIS
Eu realmente espero que estejam gostando da fic 😊 Amo vocês ~ Thamiyyi

Tia Soph: Oiiii
E ent? Gostaram? :3
Espero q sim ^^

E ah!
A gente fez o grupo de WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/0iafcLzs0mVIyJ6MmY0KoK
Esse é o link do grupo, é só clicarem pelo celular q vcs entram nele :3
Espero q gostem sz

Kissus amores
Já'né


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