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História The failure of fate - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Nossas relações - parte I


Fanfic / Fanfiction The failure of fate - Capítulo 9 - Nossas relações - parte I

 

O batuque do salto alto de Karin já começava a me irritar enquanto ela caminhava, relativamente, rápido pelo corredor da UT. A ruiva bufava atrás de mim, e mesmo sem a olhar eu facilmente imaginava sua bochecha inflada, o bico nos lábios e as sobrancelhas juntas. 

Ela estava irritada, e toda sua irritação passava para mim, como se fosse algo contagioso. Quando ela suspirou pela vigésima vez, eu parei abruptamente fazendo seu corpo se chocar ao meu. 

— Aí caralho, por que parou? — Bradou. Me virei para ela assistindo suas mãos pentearem os fios ruivos.  

— Posso saber o porquê de estar tão irritada? 

Arrumou a armação vermelha em cima do nariz fino. 

— Estou irritada a semana inteira, mas só notou agora?  

— Seria meio difícil não ter notado antes, não é?  —  Abusei da ironia. Trocávamos olhares raivosos no meio do corredor, alguns dos demais alunos eram direcionados a nós duas, e justamente por não querer atenção desnecessária a puxei até o campus. Mesmo contragosto, Karin andou comigo até a grama verde alcançar nossos pés. 

— E então? — Tornei a perguntar, cruzando os braços abaixo do seio. Ela mordeu a parte interna da bochecha, desviando o olhar até a área aberta, antes de se voltar a mim. 

— Você está me ignorando a semana inteira, eu te chamei para sair esse fim de semana e você disse que não poderia, tentei te arrastar até o café e você não quis, e como se já não fosse o suficiente — Ergueu o dedo apontando-o para cima — Está mentindo para mim! 

Tentei segurar o riso, mas foi impossível. Karin revirou os olhos irritada enquanto eu ria, a olhando desacreditada. 

— Sabe que estamos entrando de férias, eu estou ocupada com os trabalhos e provas. — Busquei cessar a risada tocando em seu ombro — E eu não estou mentindo para você, de onde tirou isso?  

— Esta entranha, inquieta, estala os dedos o tempo inteiro, e quando eu te perguntei sobre sábado, você fugiu do assunto dizendo coisas nada a ver. Isso você só faz quando está mentindo — Pontuou convicta. Revirei os olhos e me sentei de forma confortável na grama, a puxando para se sentar também. 

— Não estou mentindo, Karin. — Na verdade... eu estava sim. 

Desde domingo, onde tive meu querido encontro com Konan, eu evitei um pouco a Uzumaki, tudo por saber que ela me bombardearia com perguntas referentes a sábado, e bem, eu não estava com paciência para lidar com os chiliques dela.  

Decidi me manter focada em estudar e tive êxito nisso. Minhas notas nas últimas provas foram altíssimas, tudo porque me tranquei em casa e estudei o suficiente para fingir que nada lá fora era real. Talvez, fosse infantil de minha parte não a contar sobre o beijo e sobre o convite, mas por Odin, estamos falando de Karin Uzumaki, ela não deixaria o assunto de lado com facilidade e possivelmente me influenciaria até eu telefonar para Konan e cancelar minha ida ao seu aniversário. 

Logo, minha brilhante ideia para essa semana foi: não abrir a boca. 

Só que, Karin era uma pessoa que beirava drama e imaturidade quando desejava algo que possivelmente não teria, e usou disso para me importunar nessa manhã de sexta. 

— Se não está mentindo, me fala para onde vai amanhã.  

Suspirei — Vou comprar um negócio para minha mãe e levar no domingo. — Karin semicerrou os olhos assentindo em um manear. 

— Posso ir junto? 

— Deixa de ser possesiva, Karin!  

— Amiga, meus tios vão sair e o Naruto vai trabalhar, eu não quero ficar em casa! — Choramingou.  

— Sai com o seu namorado, sei lá. 

Karin bufou e fez uma careta de nojo. 

— Suigetsu e eu nunca vamos dar em nada, ele é todo na dele, só abre a boca pra me encher o saco, e eu sou muita areia para aquele caminhãozinho — Sua voz soava firme, eu maneei a cabeça soltando um riso baixo. 

— Eu não disse o nome dele, mas é bom saber que o entende como seu namorado. — A provoquei recebendo um leve tapa em minha coxa.  

— Credo, a partir de hoje será diferente. Serei mais seletiva.  

— Oh claro — murmurei enquanto brincava com a nova pulseira de prata em meu pulso.  

— Agora sério — Ergui o olhar — Foi mal ficar agindo que nem criança, mas poxa fiquei curiosa. — Tombei a cabeça para o lado e sorri para ela. Karin era até fofa quando queria. 

Ficamos ali por mais um tempo, eu não a contei sobre os meus reais planos para o fim de semana, e ela pareceu acreditar na minha versão de filha prestativa. Entretanto, é importante ressaltar que eu jamais mentiria para ela, se não fosse para evitar conflitos e discussões cansativas. 

Eu era muito apegada a frase “se está fazendo algo que não pode contar para o seu melhor amigo, é porque provavelmente não deveria estar fazendo” logo, eu definitivamente não estava a contando por uma única razão: não aborrecer nenhuma das duas. 

Quem sabe na segunda feira, eu não a contaria? 

Depois de passar mais de vinte minutos a ouvindo falar sobre seu plano infalível de esquecer o ex ficante/namorado/amigo e seguir em frente com sua ideia de seletividade, eu fui embora para casa. 

Não precisava me apressar para o hospital, e poderia muito bem tomar um banho quente e me agasalhar melhor. 

Diferente do dia de sexta, sábado fora um pouco mais corrido e dolorido para mim. Por ser um aniversário — de alguém extremamente importante — de forma alguma eu chegaria de mãos vazias.  

Por isso, logo de manhã vasculhei preços de roupas, calçados e acessórios na internet, e busquei tudo que se assemelhasse a Konan. Eu até encontrei peças de roupas bonitas, mas todas demorariam cinco dias para entrega, e faltando menos de um dia para a festa isso estava fora de cogitação, o que me restou uma única alternativa: sair para comprar. 

O centro estava movimentado, já o shopping nem tanto. Corri para lojas mais famosas e busquei desesperadamente achar o rosto de Konan em uma delas, só que me faltava senso de moda, e bem, a futura Uchiha era muito estilosa. 

Na realidade, eu preferia dizer que nossos estilos não se cruzavam, enquanto eu gostava do básico e confortável, Konan apreciava moda vintage. Ela sempre usava camisetas estampadas, saias longas e todo tipo de roupa que se aproximasse do estilo mais antigo. 

Depois de rodar o local por mais de uma hora, me dei por vencida de achar uma roupa para ela, e comecei a procurar uma para mim. Logo, meu dia de sábado se resumiu em procurar roupa e presentes, sendo esse o famoso sacrifício do ofício que eu fazia por Konan. 

 

[...] 

Arfei enquanto olhava para o meu reflexo no espelho. Domingo havia finalmente chegado, e eu acreditava estar pronta para lidar com o incrível almoço em família e amigos que me aguardava; a peça amarela que havia escolhido no dia anterior, me coube perfeitamente, era um vestido longo, justo na cintura e busto e que já se soltava no quadril até alcançar meus pés, nos próprios havia um all star novo que me dava um ar mais despojado. Domingo havia amanhecido quente, o céu estava azul sem resquícios de nuvens, o que me fazia concluir que ou Konan tinha muita sorte ou isso já fora esquematizado por ela. 

Afinal, estávamos entrando no inverno, os dias estavam cada vez mais frios e justamente no aniversário dela, a friagem havia decidido dar uma trégua. 

Joguei uma bolsa de alça longa por meu ombro e caminhei até a cozinha, parando em frente ao espelho do corredor para avaliar melhor minha aparência. Os fios curtos estavam presos por uma presilha, enquanto a franja solta emoldurava meu rosto; a maquiagem leve e o brinco delicado harmonizavam perfeitamente com os outros. O casaco preto de botões descansava em meu braço, para qualquer eventualidade mais tarde; sorri pela minha aparência, mas por dentro uma agitação descomunal inundava meu corpo. O presente de Konan estava dentro da bolsa, esse que me custou horas até o encontrar. Era um presente relativamente caro, e eu esperava sua aprovação para ele; Konan era arquiteta, por isso a primeira coisa que me veio em mente depois de falhar na busca por roupas, foi: uma lapiseira. Eu sabia que materiais de arquitetura eram caros, mas não imaginava que fosse tanto assim, por isso quase cai para trás ao ver o preço da Lapiseira Meisterstück na prateleira da loja, mesmo com o rim doendo, paguei pelo presente e pedi um embrulho bonito. De todo jeito, Konan merecia.  

Já se passava das onze quando deixei o apartamento e desci para esperar o taxi, o endereço no convite marcava o sítio de Mikoto, aproximadamente uns vinte minutos dali.  

A casa, na realidade, era bem contemporânea, pelo o que eu me recordava; ainda que a temática fosse mais rural, a aparência urbana era bem predominante.  

Quando o carro amarelo apareceu em minha visão eu suspirei, havia realmente chegado a hora. 

O motorista de meia idade e eu fomos em silêncio o trajeto todo, uma música baixa tocava no rádio e as vezes era possível o ver batendo os dedos ao ritmo dela no volante.  

Descansei a cabeça na janela, assistindo as casas e prédios se tornarem borrões. Eu, genuinamente, esperava não ser um incômodo para a família Uchiha, assim como esperava que minha ida não fosse uma surpresa.  

Quando o carro virou a esquina repleta de árvores e o asfalto deu lugar a terra e pedregulhos, eu soube que havia finalmente chegado; notei o olhar do motorista pelo retrovisor e indiquei a casa bege mais à frente. Havia uma quantidade de carros absurda estacionados ali, junto a uma pequena aglomeração de pessoas.  

Quando o taxi estacionou um pouco mais atrás devido a facilidade para manobrar, o agradeci e saí sentindo minha mão trêmula apertar a bolsa preta; a fachada da casa estava exatamente do mesmo jeito de alguns meses atrás, a cor bege e branca predominava e era notória a quantidade de mato que havia ao redor, indo de pinheiros a lianas. Como eu disse, urbano e rural.  

Caminhei pelos pedregulhos me aproximando cada vez mais do grupo de pessoas, minha visão antes borrada deu lugar a uma nítida, agora sendo possível reconhecer alguns rostos, como o de Yahiko, um amigo de longa data de Konan que frequentava e muito a casa dos Uchihas, já que também possuía laços fortes com Itachi, e se eu não me enganava era um forte candidato a ser o padrinho deles. Ao seu lado estava Deidara, outro amigo do casal, e a esquerda o famígero rosto que eu reconheceria a quilômetros de distância. A camiseta laranja e a garrafa de cerveja foram minhas duas principais formas de o reconhecer, Obito ria enquanto gesticulava para Deidara, que o acompanhava empolgado; eu sorri e tomei coragem para me aproximar deles. 

Antes de, de fato os alcançar, Deidara me olhou com olhos arregalados, o lancei um sorriso gentil vendo-o sorrir junto. 

— Mas nem ferrando — Disse alto — Sakura?! — Os outros dois também me olharam e de imediato, Obito abriu um sorriso divertido e surpreso. 

— Eu mesma — Me aproximei e recebi um abraço educado de Deidara. O Uchiha ao seu lado gargalhou como se não acreditasse que eu estava ali. 

— Sakura do céu, eu não acredito que veio — Comentou. 

— Minha presença é tão indesejada assim? — Fingi drama levando a mão ao peito.  

— De jeito nenhum! Eu estava morrendo de saudade. — Me puxou para um abraço apertado. Obito e eu tínhamos uma relação de amizade engraçada, que se constituía em brincadeiras de mal gosto e piadas internas durante os almoços de família.  

Deus, eu sentia muita falta dele.  

Depois de soltar o abraço, cumprimentei o ruivo ao lado deles gentilmente. Obito e Deidara ainda estavam risonhos enquanto me olhavam. 

— Então, você e o Sasuke estão se ajeitando, não é? — Olhei para o loiro prendendo o lábio entre os dentes. Deidara me olhava esperançoso, assim como os outros dois homens. 

— Não, na verdade não. Vim pela Konan. 

— Oh — Sua voz saiu um tanto quanto decepcionada e o forcei um sorriso.  

— Bom, já que veio só pela Konan — Começou Obito dramático, fazendo-me revirar os olhos e sorrir — Vou te levar até ela.  

Assenti e me pus ao seu lado. 

— Com licença, cavalheiros — Pediu. Sua mão segurou meu ombro me guiando para a casa. — Ah, a cara de Mikoto quando te ver será imperdível. — comentou dando mais um gole na bebida. — Sentimos sua falta, Sakura, não deveria ter sumido  

— Você sabe como é, não havia uma maneira natural de me manter próxima 

— Sim, eu entendo isso, mas sabe, eu senti mais sua falta do que de Sasuke — Sussurrou arrancando uma gargalhada minha.  

Adentramos a casa, na sala havia diversas pessoas, porém poucos rostos conhecidos; Obito disse que a aniversariante estava com os demais Uchihas no quintal dos fundos, e antes que pudesse o responder, ele já me guiava por entre as pessoas. 

Atravessamos a sala, até passarmos pela porta francesa branca. A grama verde se estendia por toda a área; havia várias cadeiras pelo local, a maioria estando ocupadas, uma grande mesa estava ao meio repleta de comida que era posta por outras duas mulheres. Havia também, um frigobar junto a churrasqueira, onde várias pessoas estavam reunidas, todas com suas bebidas em mãos.  

Fomos juntos até a pequena escada, caminhando até a mesa onde mesmo de costas pude reconhecer Konan e a mulher ao seu lado. Por sorte, a aniversariante fora a primeira a me ver e de imediato largou a travessa de vidro que segurava correndo até mim, e saltando em meu pescoço me abraçando de maneira calorosa. 

— Feliz aniversário! 

— Você veio!  

— Eu disse que viria — Konan se afastou e intercalou o olhar entre mim e Obito. 

— Gostou da surpresa? — Perguntou presunçosa. 

— Não tem nem como não gostar. —  Disse, ainda sorrindo — Vou deixar vocês agora e ir atrás do velho — Seu tom de voz soava casual, o que não evitou que eu o olhasse curiosa, sem entender sobre quem se referia. 

— Quem? 

Os dois riram levemente negando com a cabeça. 

— Madara. Ele me mata se ouvir eu o chamando assim — Ri também e me despedi do moreno, voltando minha atenção para ela. 

— Comprei um presente para você — Disse enquanto vasculhava minha bolsa. Konan levou a mão até a cintura e só então notei o quão linda ela estava. O macacão preto cabia perfeitamente no corpo magro e baixo, delimitando suas curvas proporcionais, os fios curtos estavam enrolados a dando um ar gracioso, e a argola chamativa combinava perfeitamente com o resto do look. Ela, definitivamente, estava maravilhosa.   

Voltei a minha atenção ao presente e não precisei fazer muito esforço para o achar, já que a caixa de mais de quinze centímetros estava bem visível em minha bolsa; tirei a embalagem escarlate e a entreguei, um sorriso desconfiado surgiu no rosto dela. 

— Ui, o que é? — Perguntou segurando a caixa de veludo. 

— Abre. 

Konan ergueu a tampa enquanto sorria, eu realmente aguardava sua aprovação para o presente. Quando a tampa de veludo fora arrancada, Konan entreabriu a boca analisando o conteúdo, um suspiro escapou de sua boca e quando seu olhar se ergueu até mim, pude jurar o ver brilhando. 

— Gostou? 

Ela riu incrédula — Sakura? Você tem noção do quanto isso custa?  

— Eu meio que comprei, né — Ri nervosa — Então acredito que tenho sim. 

Konan retirou a lapiseira de dentro da caixa, a analisando minuciosamente. Era preta com detalhes em rose, até eu própria a achava linda.  

— Eu amei, eu amei e eu amei — Deixou um casto beijo em minha bochecha, ainda segurando a lapiseira — Muito obrigada, de verdade.  

— Não precisa agradecer — Konan ainda analisava o objeto, e fiquei satisfeita comigo mesma ao constatar que ela realmente havia gostado.  

— Vem, vamos enturmar você e esnobar minha nova lapiseira para o Itachi — Eu ri em descrença enquanto ela falava. Fui arrastada até a mesa, onde anteriormente ela estava; notei a presença de alguns bancos e cadeiras ao lado da mesma, e grunhi internamente ao notar não só a presença de Mikoto, como também de todos os outros Uchihas, sendo eles: Seu marido, Obito ao lado de Madara e os seus filhos que conversavam com os outros dois.  

Konan chegou saltitante, o que resultou nos pares de olhos escuros voltados a nós, todos esses, exceto o de Obito,  indo de naturalidade a surpresa. 

A roxeada prendeu o braço junto ao meu, me aproximando da roda em que eles estavam. Forcei um sorriso tímido e nervoso enquanto assistia as expressões confusas e sorridentes deles. Mikoto largou o pano de prato no colo de Obito e sorriu se aproximando de mim, de forma involuntária meu olhar percorreu a todos sentados, indo diretamente até o mais novo da família, que me olhava com uma leve feição curiosa; Sasuke arqueou uma de suas sobrancelhas, possivelmente se questionando o que diabos eu fazia ali. Enquanto analisávamos a expressão um do outro, um toque gentil em meu braço me despertou. 

A matriarca Uchiha tinha um sorriso gentil nos lábios, Mikoto era a mulher mais linda que eu já havia conhecido, e eu não dizia apenas por fora, pois além da beleza estarrecedora, ela também portava uma elegância e gentiliza surreais. 

Busquei em minha mente qualquer cumprimento elaborado que fosse, mas tudo que saiu de minha boca foi: 

— Oi, dona Mikoto  

— Sakura, querida. Que surpresa agradável — Eu sorri para ela, agora um sorriso sincero e de alívio. Apesar dos olhares de todos eles sendo voltado a nós duas, eu me tranquilizei por saber que Mikoto estava contente com minha ida, afinal, ela é a dona da casa e a mãe, só a opinião dela realmente importava. 

Konan sorriu satisfeita e saltitou até o noivo, deixando um selinho rápido em seus lábios. Itachi a olhou divertido, como se já soubesse que eu havia sido arrastada para lá graças a ela. 

— Posso te dar um abraço? — Perguntou gentil, fazendo meu coração se amolecer.  

— Claro que sim — Disse aceitando o aperto suave dela, junto ao cheiro maravilhoso dos longos fios escuros. Mikoto me lembrava a casa. 

Quando ela me soltou, eu tomei a iniciativa de cumprimentar a todos, Fugaku, mesmo sendo um homem extremamente sério, sorriu ao apertar minha mão dizendo que eu havia crescido muito em pouco tempo.  

Madara era mais ranzinza ainda, porém era um homem sábio e que sempre me dava conselhos sobre o mundo a fora, afinal alguém que beirava os sessenta anos, já apresentava muito mais conhecimento do que eu, de vinte e dois. Obito me olhou com deboche e quando me aproximei dele e de Konan, sua voz soou bem baixa em meu ouvido: 

— Se acalma pelo amor de Deus, parece que você vai chorar — Konan segurou o riso e eu não pude conter o meu próprio, possivelmente minha cara demonstrava o puro pânico. 

O ignorei e me aproximei de Itachi, ele me abraçou forte e disse ter ficado com inveja do presente de Konan, eu ri e o assegurei que até eu cursando medicina, queria uma lapiseira daquelas. Por último, só faltava cumprimentar um Uchiha: Sasuke. 

Ele assistia eu falar com sua família calmamente, enquanto uma mão segurava a garrafa de vidro verde, a outra descansava em seu colo. Me aproximei de forma discreta, parando em sua frente e recebendo seu olhar analítico.  

— Oi — cumprimentei simplista. Ele maneou a cabeça devolvendo o “cumprimento”. Analisei-o melhor, e vi que ele fazia o mesmo comigo. Apesar de antes estar nervosa, agora eu me sentia relativamente mais calma, isso se não fosse por seu olhar cravado em mim. 

— Sasuke, poderia deixar o meu presente lá na sala? Chegaram novos convidados, queria ir direto falar com eles — Intercedeu Konan fazendo nosso contato visual se quebrar e ir até ela.  

— Posso — Disse se levantando. A roxeada sorriu e se levantou também, notei um breve trocar de olhares entre os sogros dela, e uni a sobrancelhas me sentindo perdida no que acontecia ali.  

— Ah, e claro — Entregou a caixa de veludo para ele e voltou sua atenção até mim — Leva a Sakura para ela deixar a bolsa e o casaco dela lá. 

Pisquei pausadamente e a olhei séria, recebendo uma piscadela como resposta; Obito a olhou levando a garrafa a boca para conter um riso. 

Sasuke voltou para mim, esperando que eu o acompanhasse, lancei um último olhar para Konan, como quem dizia “vamos conversar sobre isso mais tarde” e sai, no encalço dele. 

Mikoto ainda sorriu mais uma vez para mim, e mesmo já me afastando pude a ouvir suspirar e cochichar para o filho mais velho: Sabia que não demoraria para ver essa cena se repetir. 

Andamos entre as pessoas, ele recebia alguns sorrisos e apertos de mão de alguns conhecidos, um em específico que me fez parar também.  

— Opa, Sasuke — Cumprimentou o homem alto e forte, eu fiquei em uma distância segura dos dois, esperando para que fôssemos logo até a sala e eu pudesse me juntar a Konan.  

Ambos os homens trocaram um toque de mãos, fazendo até mesmo um som de estalo ser audível.  

— Soube que foi para LA. E então? Como foi com as americanas? — Perguntou empolgado, Sasuke sorriu ladino, não dando muita atenção para a conversa. Analisei a aparência do homem, enquanto um breve silêncio se instalava entre eles. O cabelo era de uma coloração esbranquiçada, se assemelhando muito a de Suigetsu e definitivamente era um marco forte para ele, já que os olhos estranhamente azuis quase que violetas compactuavam com a aparência chamativa, me questionei se ele era albino por tudo nele ser extremamente claro. 

Seus olhos correram até mim, fazendo-me forçar um sorriso para ele. 

— Putz cara, me desculpa — Se voltou para Sasuke — É a sua namorada, não é? 

Belo momento para morrer. Pensei.  

Pigarreei e desviei o olhar para a movimentação na grama, eu definitivamente não esperava essa pergunta. Oras, estávamos na casa da mãe dele, todos ali sabiam que não éramos mais namorados, mas, eu também não forçaria isso como uma obrigação dele, ninguém presta tanta atenção assim na vida alheia. 

— Alguma coisa assim — Engasguei-me com a saliva quando a voz de Sasuke alcançou meu ouvido, e me senti em um maldito Déjá vu, me recordando da voz de Naruto.  

Por Deus, eu não estava preparada para isso. 

O outro homem riu, e murmurou “desculpa” mais uma vez, antes de se despedir e Sasuke voltar a me guiar em direção a escada. 

Caminhei um pouco mais rápido até o alcançar, parando exatamente ao seu lado. 

— “Alguma coisa assim”? — Chamei sua atenção com minha pergunta; ele sorriu me olhando de canto. 

— É melhor do que explicar o motivo da minha ex está aqui — Eu bufei pelo tom sarcástico e sorri em descrença. 

— Você é péssimo. — Estranhei meu tom divertido, mas decidi ignorar. Era melhor estar sendo espontânea do que fazer um clima ruim se instaurar no ambiente. 

Fomos juntos até a sala do andar de cima, essa que na realidade nunca era usada. Sasuke abriu a porta me dando passagem para atravessar o batente primeiro. Havia inúmeras embalagens de presentes no canto esquerdo da sala, assim como uma estante repleta de livros e quadros, e alguns instrumentos musicais jogados em um tapete. 

Enquanto analisava a aparência do local, Sasuke estendeu a mão pedindo por meu casaco e bolsa. 

O assisti depositar ambos em cima de um sofá, e andei até a estante vendo uma foto dele e de Itachi quando crianças concluindo que o tempo realmente fazia milagres; enquanto sorria para a foto, notei sua presença ao meu lado, observando a imagem também. 

— Não lembro dessa foto — Comentei sorrindo. 

— Minha mãe colocou hoje de manhã enquanto arrumávamos a casa. — Maneei a cabeça em concordância. 

— Está aqui desde ontem?  

— Não, vim na sexta com Itachi. — Ele levou a garrafa até a boca, bebendo um generoso gole.  

Sasuke me parecia relaxado, o que me fez concluir que todo meu estresse anteriormente era totalmente estupido. Analisei sua expressão serena só desviando quando o próprio se voltou até mim, fazendo me virar abruptamente para o quadro. 

— Por que não trouxe seu namorado? — O tom provocativo fora facilmente reconhecido por mim. Eu revirei os olhos e tornei meu olhar para si presenciando uma cena não tão comum: Sasuke sorrindo. 

Claro que, não era um sorriso aberto, era algo mais sútil e que demonstrava puro escárnio. 

— Não seria legal trazer ele para conhecer sua família, não acha? —Usei do mesmo tom provocativo, vendo o sorriso presunçoso sumir e um sentimento vitorioso se apossar de meu corpo. 

— Hm então estão mesmo namorando?  

— Não — fui direta — Naruto e eu somos... — Busquei a palavra correta, mordendo o lábio ao pensar nisso.  

— Ficantes? — Perguntou fazendo-me rir. 

— Não, sabe que eu não nomeio as pessoas assim.  

— É, você não é a Karin.  

O olhei balançando a cabeça em negação. 

— Como foi em Los Angeles? — Eu não fazia ideia do porquê estar puxando conversa, mas oras estávamos ali, sozinhos, deveríamos agir como dois adultos, não? 

Sasuke deixou a garrafa na estante, e me chamou para sentar-se no sofá de cor chumbo; o acompanhei me acomodando de maneira confortável no estofado. 

— Lá é mais movimentado do que aqui, mas não tive tempo para desfrutar disso.  

— Ficou trabalhando o tempo todo? — Perguntei curiosa; Sasuke franziu o nariz enquanto olhava para frente. 

— Mais ou menos isso.  

Balancei a cabeça em concordância. 

— Ainda falta muito para terminar o estágio? — Sua perguntou me alarmou, não o esperava puxando conversa, mas não demonstrei isso, apenas pigarreei assentindo. 

— Alguns meses, acredito que até o fim do ano que vem 

— Em Los Angeles tem bons programas, poderia tentar uma bolsa — Comentou desviando o olhar até mim — É inteligente, com certeza passa. 

Eu sorri e merda, eu havia ficado envergonhada por isso? Minha bochecha queimava e lutei para manter meu olhar fixo ao seu. 

— Sou inteligente?  

Sasuke me olhou como se a pergunta fosse estupida. 

— Teve dúvidas sobre isso alguma vez na sua vida? — Seu tom de voz soava natural e baixo, fazendo um frio diferente passar por minha barriga. — Precisa se valorizar mais, Sakura. 

Assenti, completamente envergonhada. 

Essa era uma questão na minha vida, pouco conhecida, que apenas Karin e ele tomavam nota sobre. 

Durante todos esses anos eu trabalhava uma única questão: minha autoestima. Minha infância e adolescência foram repletas de inseguranças por comentários babacas de terceiros, e que infelizmente ainda refletiam muito em minha vida adulta. Era algo pessoal, e que eu nunca sairia dizendo para outras pessoas, afinal cada um trava uma batalha interna todos os dias, e bem, sobre essa em específico, Sasuke sabia muito. 

— É, eu sei — Disse baixo. 

Ele me analisava em silêncio, como se procurasse algo a mais em meu rosto fazendo-me suspirar pesado. Ele queria uma confirmação, como sempre fazia.  

— É, eu sou inteligente — Afirmei convicta e sorri, sendo acompanhada por ele. Sasuke trazia à tona sentimentos extremamente íntimos meus, que durante esses últimos meses eu relutei para esconder de qualquer pessoa que fosse, mas com ele, era praticamente impossível. 

— Não esperava que fosse vir  

— Konan te contou sobre o convite? — Perguntei curiosa. 

— Não, mas eu deduzi. — Sorri maneando a cabeça.  

— Eu não iria, mas não queria a magoar.  

— Foi bom ter vindo — O olhei surpresa — Obito fica menos insuportável e minha mãe fica feliz.  

— Bom saber que minha presença agrada a todos — Abusei do tom zombeteiro, o fazendo arquear a sobrancelha e bufar. 

Ficamos em silêncio por algum tempo, apenas ouvindo o som da música lá fora e as vozes empolgadas dos convidados. Embora a quietude estivesse no ambiente, não era desconfortável, na realidade era extremamente agradável.  

Ele não me olhava, mas eu ainda analisava os traços delicados de seu rosto. Haviam se passado quatro meses, mas ali e agora, o tempo havia se tornado totalmente irrelevante. 

Mais uma vez, ele parava. 

Sacudi a cabeça não gostando do rumo de meus pensamentos. 

— Está morando com seus pais? — Chamei sua atenção; Sasuke me olhou balançando a cabeça e umedecendo os lábios antes de falar: 

— Aluguei um apartamento no centro, vou ficar lá por um tempo. 

— Como assim? Ainda pretende se mudar?  

Ele me olhou e um leve sorriso surgiu em seus lábios, então me recordei de um detalhe estranho sobre Sasuke: ele não gostava de prédios. Não era um medo nem nada do tipo, era puro gosto, um gosto estranho e que durante nosso relacionamento me fez o zoar horrores. 

Revirei os olhos e ele entendeu que eu havia compreendido. 

— Vai comprar uma casa? Em Tóquio?  

— Talvez. Queria algum lugar mais afastado de Omotesando — Maneei a cabeça. 

— Acho que morar em casas sozinho se torna meio solitário  

— É, mas também é melhor ter sua casa própria do que pagar aluguel todo mês. — Arqueou as sobrancelhas fazendo-me concordar. 

Ele estava certo, aluguel em qualquer lugar do mundo era um saco e um impasse para muitas outras coisas. 

— Karin não me pareceu muito feliz no sábado — Pontuou —Terminou com aquele sequelado do Suigetsu?  

Eu ri descontraída pela ofensa. 

— Acho que sim, eles são doidos.  

Ele sorriu, concordando. 

— Quer descer? Deve estar com fome  

Assenti e me levantei sendo guiada até a porta, onde atravessamos juntos; agora parecia ter bem mais pessoas do que antes na sala de estar, e troquei um olhar rápido com ele ao notar vários olhares sendo direcionados a nós dois. Não era um grande desafio saber o que se passava na mente deles. 

Enquanto caminhávamos pela aglomeração na sala, eu senti a mão de Sasuke na linha da minha coluna, me guiado até a saída. Eu suspiro involuntário escapou de minha boca, que agora se encontrava seca, e um arrepio descomunal subiu pela minha espinha. O toque era suave e gentil, e ainda que o tecido do vestido cobrisse a região, eu sentia o calor de sua palma o atravessar. 

Possivelmente, nem ele próprio havia percebido o que fazia, já que quando atravessamos o batente da porta francesa, ele retraiu a mão a colocando no bolso da calça sem expressão alguma.  

Eu ainda buscava normalizar minha respiração, quando ele ofereceu um copo de suco para mim. Sorri e observei de canto três pares de olhos nos encarando, ali eu soube, que o dia estava longe de acabar e cabia a mim me preparar para ele.  


Notas Finais


oláa, espero que tenham gostado e sintam-se a vontade para comentar e darem a opinião de vcs
beijos e até a próxima!


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