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História The Fairly Oddparents - stanbrough au! - Capítulo 36


Escrita por:


Notas do Autor


Hey, trevozineos ♥

Não sei se alguém ainda tá lendo, mas eu espero que sim hehe!

Espero que vocês gostem!

Boa leitura!

Capítulo 36 - Better Call Richie


The Fairly Oddparents

Capítulo trinta e seis

“Better Call Richie”

De todas as coisas que Stanley pensou em passar com Richie e Eddie, ser processado por um bando de Fadas coloridas - que mais pareciam ter saído de um desenho animado do que uma série jurídica - definitivamente não era uma delas.

A verdade era que a ficha ainda não tinha caído de que ele realmente estava em um Tribunal e não fazia a menor ideia do porquê de estar lá. Procurou os olhos de Richie e Eddie, os quais conversavam utilizando gestos demais, claramente muito irritados, assim como ele também estava.

Stan estava torcendo para que Richie virasse para ele com um de seus sorrisos cafajestes, dando risada da “cara de besta que ele tinha no rosto” e que tudo aquilo não passasse de uma brincadeira sem graça que ele tinha aprontado pra ele. Aquele, mesmo sendo o melhor cenário, ainda irritaria demais Stanley, porque seus amigos estavam no seu mundo com aqueles idiotas. Só esperava que o tempo ainda estivesse congelado...

E se não estivesse?” pensou Stan. “E se o tempo descongelou no momento em que eu saí de lá? PUTA QUE ME PARIU!

Por Richie e Eddie continuarem falando sem parar e não dar atenção ao olhar confuso e preocupado dele, em um movimento quase que reflexo, Stanley levantou sua mão, o que não só fez as fadas o olharem estranho como também fez que Richie e Eddie se desesperassem a ponto de baixar sua mão de volta.

- O que você tá fazendo?! – Richie sussurrou rangendo os dentes.

- O que você acha?!

- O réu tem alguma dúvida antes de começarmos? – Stanley presumiu que aquele era o juiz perguntando. Não conseguia o levar a sério e muito menos como alguém imparcial com aquela toga verde limão. A placa que tinha afrente de seu nome estava escrito Halleck, mas Uris nem sabia ao certo se deveria agir de outra forma.

Olhou para Richie e Eddie antes de levantar-se. Seus Padrinhos Mágicos estavam engolindo em seco.

- Meritíssimo – a voz de Stan fraquejou um pouco e pigarreou, fazendo com que Eddie tivesse uma parada cardíaca durante um segundo. – Acredito que isso tudo seja um grande equívoco.

- Ah, você acredita? – Halleck debochou e algumas fadas riram. Aparentemente, caçoar dos humanos era um tipo de piada interna pelo Mundo das Fadas.

- Na verdade, sim – Stan manteve-se firme. Richie e Eddie arregalaram os olhos, não sabendo ao certo de continuavam assistindo ou não. – Primeiro que eu não faço a menor ideia do que estou sendo acusado e, segundo, muito menos por quem. Se é que estou sendo acusado por alguém... – disse essa última parte, olhando Richie e Eddie pelo canto do olho.

Stanley não era nenhum idiota e sabia que o que tinha dito aos dois causou aquilo. Mesmo assim, aquilo não mudava o fato de que ele não tinha sido notificado do que estava sendo acusado. Além disso, realmente acreditava que Richie e Eddie não o colocariam nem eles mesmo e muito menos ele naquela situação. Não importava o que tivesse acontecido, eles ainda eram uma família.

- Bom, queira sentar-se de volta ao seu lugar e eu irei esclarecer todas as suas dúvidas – respondeu Halleck, indicando a cadeira e Stan obedeceu. O juiz ajeitou alguns dos papéis e após soltar um longo e tedioso suspiro, disse: - Stanley Uris está sendo acusado de desrespeitar e ser malcriado com seus Padrinhos Mágicos, além-

Halleck não conseguiu terminar, porque Stanley começou a gargalhar. Se Richie não fosse o principal envolvido na situação, ele também estaria do mesmo modo que Stan, ou seja, rindo feito uma hiena. Mas, como não era o caso, Richie riu sem graça para as outras dezenas de fadas que olhavam horrorizadas enquanto Stanley limpava as lágrimas de seus olhos.

- Stanley, cala a porra da boca – Richie disse entre os dentes.

- Mas isso não é sério, é? – Perguntou ele continuando a rir, porém, ao perceber Halleck o julgando com os braços cruzados, ajeitou sua postura na cadeira. – Hm, perdão.

Halleck bufou e continuou:

- Stanley Uris, acusado de desrespeitar e ser malcriado – parou um instante para conferir a reação de Stanley e logo voltou a ler – com seus Padrinhos Mágicos e ainda pediu com insistência algo que é proibido de acordo com as Regras das Fadas. “Fadas não podem matar, mutilar ou machucar seres vivos”.

Stanley ouviu Eddie soltar o ar que estava segurando pela boca, fazendo um ruído quase que como um gemido de desespero. E ele conhecia Richie o suficiente para saber que ele também estava tenso apenas pelo modo como estava se sentando. Seus neurônios automaticamente foram postos para funcionar enquanto ele ouvia o resto da acusação.

- Em um de seus últimos pedidos, Stanley Uris proferiu a frase “desejo que a gangue do Bowers seja espancada”. Dessa forma, a penalidade equivalente será TIRAR seus Padrinhos Mágicos de você – disse, colocando os papéis diretamente na mesa. - Então, Stanley Uris, tem mais alguma dúvida ou podemos prosseguir?

- Tenho – respondeu ele, sem muita confiança. Halleck fez sinal para que ele continuasse. – Vossa Excelência tem certeza de que está sendo imparcial nesse caso?

Com a mesma velocidade que os olhos de Halleck quase saltaram para fora com a petulância de Stanley, Richie gritou fazendo um gesto com as mãos:

- TEMPO! TEMPO!

- O que você tá fazendo?! Isso aqui não é jogo de futebol! – Stanley disse, mas o que Richie fez pareceu dar certo, porque as fadas começaram a circular e uma plaquinha escrita “INTERVALO” começou a piscar uma luz roxa. Quanto mais Stanley passava naquele mundo, menos entendia como tudo funcionava. “Que bagunça...” Após grande parte das pessoas daquela sala se retirarem, Stanley perguntou: – Ok, algum de você dois poderia me explicar o que tá acontecendo nessa porra?

- Uau, é assim que você começa depois de tudo o que você disse? – Eddie cruzou os braços, tentando parecer bravo, mas Stan viu no modo como ele o olhava que ele estava bem chateado. De uma forma que Uris nunca tinha visto antes, pelo menos não com ele.

Mesmo assim, Stan também estava com raiva e com pressa. Seus amigos precisavam de ajuda.

- Mike precisa de ajuda – Stan rebateu, ignorando o que Eddie tinha dito.

- Não precisa mais – Eddie disse, estendendo um aparelho cor-de-rosa parecido com um celular de brinquedo, que era o modelo utilizado pelas fadas. Aquele mundo realmente parecia uma piada para Stan. – Acabei de receber uma mensagem do Don. Ele disse que o Ben resolveu tudo e que você não precisa se preocupar.

Stanley leu a mensagem pelo menos umas três vezes, sentindo um alívio enorme percorrer seu peito. Todos estavam bem de verdade. Tudo graças à Ben.

- Eu disse que as coisas se resolveriam de outro jeito – disse Eddie olhando fixamente para Stanley. – Mas você não queria confiar na gente, não é?

Stanley queria rebater, mas Richie interrompeu:

- Eddie, a gente pode resolver isso depois.

Eddie fez que sim com a cabeça e Richie voltou-se para Stanley.

- Ok, vamos focar aqui. Primeira coisa, nós dois não processamos você, caso seja isso o que a sua cabeça de barata tonta esteja pensando.

- Não tava pensando nisso – Stan retrucou. – Vocês tratam desrespeito individual como se fosse desrespeito à comunidade inteira?

- É, por aí – Eddie respondeu. – E o que você disse pra gente não foi nada legal.

- É, você foi um puta babaca – Richie sorriu falso. – Mas, como eu disse, vamos resolver isso depois. Quando estivermos livre desse lugar.

- Você tá muito calmo – Stan observou. Richie deu de ombros.

Na verdade, era bem óbvio. Eddie já estava nervoso o suficiente e ele queria se manter calmo para que não o apavorasse mais ainda. Talvez fosse pelo modo como Richie olhou Eddie, mas Stan sentiu uma pontada de culpa em seu peito. Aquele sentimento de “acho que fiz merda” misturado com a última imagem que teve de seus amigos só o fazia se sentir a pior pessoa do mundo.

- Bom, acho que você já deve estar satisfeito por ter dado três surtos adolescentes num dia só. Até conseguiu estressar o juiz do caso! Sempre disse que esse menino não iria passar a vida toda sendo certinho, Eds – Richie disse e riu sozinho de sua piada. – Ai, ai, agora que tal ficar caladinho feito o bom menino que você é?

- Não sou cachorro, Richie. E você não é mais maduro que eu nem fodendo.

- Talvez não, Staniel. Mas é porque eu sempre te achei mais sensato que eu. 

Stanley revirou os olhos e lembrou-se de algo importante:

- Eu não tenho advogado.

Richie riu e mostrou-se com as mãos.

- Tá olhando pra ele?

Stanley riu e procurou os olhos de Eddie, como se perguntasse “ok, cadê o meu advogado de verdade?”, porém, notou que Eddie não estava o olhando com brincadeira. Stan voltou-se para Richie de novo.

- Não.

- Sim.

- Não!

- Sim!

- Você não é formado! – Stanley exclamou. – E você tá envolvido no caso, caralho!

- E daí? Não confia em mim pra te tirar dessa?

- Richie, já ouviu falar na frase “o advogado mais burro é aquele que se tem como cliente?”

Richie não lhe deu ouvidos e materializou um terno para ele, assim como utilizou mágica para pentear os cabelos – o que, na visão de Stanley, era uma imagem assustadora. Aquilo só poderia ser um pesadelo. Stan implorou para que fosse um e que ele acordasse na sua cama quentinha ao lado de Bill.

- Eddie, isso não pode ser sério! – Stanley tentou mais uma vez.

- Vai por mim. Ele é a nossa melhor opção.

Stanley estava tendo sérias dúvidas sobre o sistema judiciário daquele mundo. Nada daquilo fazia o menor sentido! Realmente estava começando a dar razão para quando Richie dizia que aquele mundo era uma merda.

- Richie, Richie – Stan chamou enquanto ele arrumava sua gravata com mágica, brincando com possíveis nós. – Você tá achando que é o quê? Um Harvey Specter?

- Não, Staniel. Meu estilo tá mais pra Saul Goodman – disse e piscou de forma forçada, fazendo com que Stanley revirasse os olhos mais uma vez. Um Saul Goodman definitivamente resolveria seus problemas. Um Richie? Não tinha tanta certeza.

Eles estavam fodidos.

Eddie desfez o nó engraçado que Richie tinha conjurado e o ajeitou de forma elegante.

- O que achou de mim de terno?

- Interessante – Eddie sorriu fraco. Richie fez carinho em seu rosto. Os dois estavam completamente desesperados e chateados, mas só de Richie conseguir aquele sorriso de Eddie já o fazia feliz e sentir-se mais confiante.

- Só interessante?

- Tô com medo de falar o que eu realmente acho e passar a imagem de um péssimo Padrinho Mágico – disse Eddie.

- Entendi – Richie sorriu. – Então, você me conta depois que der tudo certo, ok?

Eddie balançou a cabeça rindo e Richie deu um beijo em sua testa, sibilando um “eu te amo”, o qual Eddie respondeu.

Richie foi até o juiz Halleck.

- Advogado de defesa se apresentando pro serviço – Richie bateu continência e Halleck nem movimentou a cabeça para olhar para ele.

- Ótimo, aquela ali será a de acusação – disse apontando para a entrada.

E assim que Richie viu com quem iria “brigar” na justiça fez uma cara de nojo bem caricata, porém tentou disfarçar com um sorriso falso, que por acaso Stanley tinha ensinado justamente para lidar com aquelas situações.

- Mariah.

- É MYRA!

***

- E, com isso, eu termino dizendo até quando nós Fadas teremos que aguentar a arrogância dos humanos? – Perguntou Myra ao júri e voltou a se sentar. Stanley precisou se segurar o máximo que pode para não revirar os olhos naquele momento.

A verdade é que ele já não aguentava mais ouvir qualquer pessoa daquele lugar e apenas tinham se passado meia hora. Nem sabia que horas eram no seu mundo...

- Stan, acorda – Richie deu uns tapinhas no braço de Stanley para que ele se levantasse.

- O que você tá fazendo?

- Você vai ser minha testemunha.

- Richie... – Stan fez tom de receio. – Você sabe como funciona isso?

- Claro que eu sei! Eu assisti Ally McBeal – respondeu ele. Stanley preferiu não discutir e caminhou até o banco das testemunhas. Richie pigarreou, sorrindo para algumas das fadas que estavam olhando para ele e ajeitando sua gravata. – Muito bem, Stanley Uris, não é?

Stan inclinou a cabeça. “Sério, Richie?” pensou ele.

- Sim.

- Stanley, será que você pode contar para todos nós como tudo aconteceu hoje?

- Objeção – Myra disparou do outro lado. – O caso já foi detalhado, por que a defesa quer conta-lo de novo? Estão querendo ganhar tempo?

- Objeção? – Richie sibilou para Stanley, como se dissesse “mas que porra é isso?” Stanley bateu a mão no rosto. – Ah, objeção! Claro, Mariah, objeção! Nós não estamos ganhando tempo, por mais que a gente merecesse um pouco, não é?

- Qual seu intuito com esse depoimento, Richard? – Halleck perguntou.

- Eu só quero esclarecer o ponto de vista do meu cliente, porque é relevante saber o que estava ele passando por para chegar ao ponto de dizer aquelas coisas.

- Objeção negada – Halleck disse e Myra revirou os olhos.

- Qual é, Mariah. Você fez a gente ouvir as histórias que contam pra fadas-bebês.

- Richard! – Halleck alertou.

- Peço desculpas, Excelência – Richie disse e voltou-se para Stanley. – Por favor, Stan.

Stanley soltou um longo suspiro e então ajeitou-se no microfone para falar.

- Bom, eu não sei se algum de vocês já foi Padrinho Mágico ou teve contato com qualquer pessoa de Derry, minha cidade natal – Stan começou. – Mas ela com certeza não é uma das melhores para se viver.

Richie acenou com a cabeça.

- Sinceramente falando, assim que soube que existiam Padrinhos Mágicos para cuidar de crianças tristes na Terra-

- Objeção!

- Ô, caralho... – Richie suspirou.

- Sim, Myra?

- Ele está resumindo a existência das Fadas à cuidar dos humanos.

- Me desculpa – Stan disse. – Eu juro que não foi essa minha intenção. Será que posso recomeçar?

Halleck olhou para ele. Stanley imaginou que deveria estar pensando em momentos atrás quando Stan estava rindo do que ele tinha dito, mas, surpreendentemente, Halleck negou a objeção de Myra e deixou que Stanley continuasse.

- Só dê ênfase no que aconteceu, se não aceitarei a objeção da acusação.

Stan acenou com a cabeça.

- Quando eu disse a frase “desejo que vocês espanquem a gangue do Bowers”, imagino que nenhum de vocês saibam quem são, certo? – Stanley perguntou e todas as fadas fizeram que não com a cabeça. – Bom, esses caras são um grupo que gostam de atormentar alguns dos jovens de Derry. Eles são conhecidos exatamente por isso, por bater e até mesmo torturar algumas das pessoas que eles julgam mais fracas ou quando essa pessoa tá sozinha e saem em pune, pois um deles tem o pai como policial, que já foi responsável de acobertar vários absurdos que o filho fez.

- Você pode dar um exemplo? – Richie perguntou.

- Eles foram até Ben Hanscom, um garoto muito bom e que, assim como eu, tem um Padrinho Mágico. Aproveitaram-se de um momento em que ele estava andando pela rua sozinho e os quatro dividiram-se. Dois para segurá-lo, um para bater nele para desorienta-lo e outro para usar uma faca para cravar o nome todo em sua barriga.

Uma onda de choque invadiu a sala, inclusive Myra.

- Teve algum motivo aparente?

- Não – respondeu Stanley. – Ele só estava no lugar errado, na hora errada. Mas normalmente existe um motivo, só que ele nunca pode ser considerado justificável.

- Pode dar outro exemplo?

- O dia de hoje – Stan disse. – Hoje foi o jogo do meu melhor amigo, Mike. Ele é um dos caras mais dedicados e disciplinados que eu já conheci. Estava treinando até antes do começo do ano letivo, porque esse jogo atraiu olheiros de faculdade. No começo, ele queria entrar na faculdade de Derry, para ficar perto do avô. Mas, como eu disse antes, Derry não é uma cidade boa para se viver e Mike teve que enfrentar isso desde que se entende por gente. E grande parte do motivo dele ter que entender isso de forma tão brutal foi graças a gangue do Bowers.

- O que eles fizeram ao Mike?

- No começo, eram apenas uns empurrões no meio do corredor. Sempre que algo indicava que as coisas iriam passar do limite, eu intervinha com a mágica dos meus Padrinhos. Era coisa pouca. Apenas congelava o tempo e trazia alguma distração para tirar meus amigos e eu da vista deles – contou Stanley, lembrando-se quantas vezes já tinha feito aparecer cachorros correndo no meio do caminho ou uma maleta cheia de dinheiro falso para fazer com que eles pudessem fugir. – Uma vez até fui chamado pelo Conselho das Fadas por desejar que meu Padrinho se transformasse em um tigre. Tudo isso para salvar um garotinho de treze anos que eles estavam perseguindo.

- Credo – Stan ouviu Halleck balbuciar, disfarçando com um pigarreio.

- E depois?

- Bom, depois veio o jogo – disse Stanley. – Eu não sei se vocês já estão evoluídos o suficiente aqui para não ter que lidar com questões raciais, mas Derry ainda sim e as pessoas daquela cidade não estão nem aí para isso – Stanley disse. – Ele vem sido ignorado durante muito tempo, mas estava “tudo bem”, porque ele continuava treinando e jogando sem que dissessem nada ou fizessem nada. Porém, hoje aconteceu o que eu mais temias que pudesse acontecer e eu não pude estar lá para fazer um tigre aparecer no meio do caminho – Stan olhou para baixo. – Então, quando eu cheguei, os quatro já estavam lá, batendo no meu melhor amigo e prestes a socar meu namorado com um soco inglês, porque além de violentos, eles são extremamente covardes.

Stanley fez uma pausa pequena e mirou Eddie, que ainda parecia estar chateado com tudo.

- Sei que o que eu disse foi errado – disse Stan. – Tanto Richie quanto Eddie estão sempre do meu lado, fazendo o melhor que podem para me deixar feliz e viver uma vida menos perturbada. Eles sempre me dão apoio, independentemente se eu for um completo babaca arrogante às vezes – Eddie torceu o nariz, querendo segurar o choro. Richie estava fazendo o mesmo e Myra revirava os olhos, vendo que o júri estava se emocionando. – Sei o que eu disse foi errado e nunca que eu deveria tratar nenhum desses dois assim, porque pra mim eles são muito mais que apenas Padrinhos Mágicos. São meus amigos e minha família. Só que Mike, Bev e Bill também são. Talvez aquele pedido não fizesse o menor sentido, porque eu estaria apenas me igualando a eles, mas eu estava cansado. Muito cansado de ter que me esconder e esconder meus amigos, ficar vivendo nas beiradas só para não acontecer o pior. É muito estressante e muito doloroso.

Richie sorriu.

- Sem mais perguntas.

***

O trio tinha ficado em silêncio enquanto esperavam o júri das fadas decidirem. Se aquilo fosse no mundo de Stanley demoraria muito mais tempo e teria pelo menos umas três audiências, isso ele sendo bem positivo. Tudo o que conseguia pensar era se Eddie e Richie conseguiriam perdoá-lo depois de tudo. Apesar de ainda ter vontade de bater naqueles babacas por terem machucado Mike, ele entendia que Richie e Eddie não tinham culpa por nada disso e, muito menos, por nenhum deles terem Padrinhos Mágicos.

Stanley quis ter apontado isso no meio da audiência, mas teve medo de que Myra fizesse a situação voltar-se contra eles. Num momento como aquele, era preciso calcular as possibilidades, mas tudo o que ele tinha dito ali era sincero.

- Parabéns pra vocês – Myra disse passando por eles. – Conseguiram treinar bem o garoto para mentir.

- Ah, qual é, Myra! – Richie exclamou. Tanto Eddie quanto Myra surpreenderam-se por ele não errar seu nome. – Eu tô cansado de você, sabia?

- Cansado de mim? – Myra riu. – Se não aguenta o trabalho, porque continua aqui? Vai virar algum cupido ou trabalha para os duendes. Ah, mas os duendes você tem medo, não é?

Richie fez uma careta de raiva. Sim, ele tinha muito medo dos duendes.

- Eu aguento o trabalho, apesar de você sempre me fazer querer desistir disso daqui.

Myra revirou os olhos.

- Se algum dia vocês aprendessem a me ouvir... Enfim, isso não vem ao caso agora. Vamos! O júri acabou de decidir.

- Eles não estão lá nem a meia hora! – Stan disse e Myra o olhou como se ele fosse um alienígena.

- Quanto tempo se precisa para fazer uma decisão dessas?

***

 Por mais que achasse que o tinha dito esclareceu muitas das coisas, Stanley não deixava de se perguntar o que estaria escrito naquele papel do júri. Ele estava confiante, mas a paranoia sempre falava mais alto em casos assim. Achava que era normal.

De qualquer forma, enquanto ele observava quase que em câmera lenta o juiz abrir o papel e ler mentalmente, Stanley estava se torturando e pensando no pior cenário possível, como ele sempre fazia. Olhou para Richie e Eddie e começou a pensar em ter que se despedir, ter que olhar nos olhos deles chorando e ter que dizer adeus.

O que aconteceria se ele os perdesse? Teria como ele os visitar ou eles o visitar as vezes? Stanley não conseguia se lembrar de nenhum momento em que ele não estivesse com Richie e Eddie, foram bem poucos. Se eles estivessem com outra criança, era capaz que não saíssem de perto dela também...

Seu coração batia em disparada, só pensando que, talvez, daqui a um segundo, o qual era tempo de Halleck ler a sentença, ele teria que dizer adeus para eles.

- De acordo com o júri, Stanley Uris é... – Halleck olhou para o papel, olhou para o trio, olhou para Myra e depois para o papel de novo. – Balinhas de cereja, biscoito e caramelo?

- O quê? – Stanley perguntou, procurando Richie e Eddie. – Isso é algum código para vocês?

- Sei lá, cara. O Direito é estranho demais. Não sirvo para ser Saul Goodman.

- Mas você fica muito bem de terno – Eddie acrescentou.

Halleck olhou para o júri e então a fada que tinha entregado o papel a ele, levantou-se.

- Ai! Você vai me desculpar! É a lista de compras da minha esposa. Você me desculpa mesmo, ok?

- Sem problemas – Halleck forçou um sorriso e então abriu o papel novamente. – Stanley Uris é... Inocente.

Stanley nem deu tempo de sorrir, porque Richie e Eddie o abraçaram forte, dando vários beijos em sua cabeça enquanto ele segurava o choro.

- Antes de comemorarem – Halleck anunciou e os três voltaram a prestar atenção. Myra já tinha levantado-se para sair daquele lugar, mas parou para escutá-lo. – Apesar de ser considerado inocente, temos que dar o exemplo aos futuros afilhados mágicos que vierem, então como pena faremos você ficar um dia sem poder desejar nada aos seus Padrinhos Mágicos. Caso deseje, as varinhas deles não funcionaram

Stanley fez que sim com a cabeça. Era justo até.

- Essa pena irá valer assim que chegarem ao seu Mundo. Está encerrada essa audiência – Halleck bateu o martelo três vezes.

***
 

Quando Richie e Eddie teletransportaram os três para casa, já eram sete horas da noite, o que deixou Stanley bem surpreso, porque tinha achado que voltariam pelo menos às cinco horas da tarde, mas o tempo passava bem diferente no Mundo das Fadas.

A primeira coisa que fez foi olhar seu celular, que estava recheado de mensagens de seus amigos. Uma delas era de Bill, perguntando várias vezes onde ele estava e que quando pudesse respondesse ele, porque estava preocupado. Tinha algumas fotos que Mike tinha mandado. Uma mensagem de voz de Bev e outra de Ben.

Ouviu primeiro a de Ben.

- Stan, fiquei sabendo pelo Don o que aconteceu com você. As notícias correm rápido demais entre as fadas. Enfim, eu só quero que você fique tranquilo. Tá todo mundo bem e eu disse pra Bev que você teve um “probleminha de intestino” - Stanley bateu a mão na testa enquanto Richie e Eddie davam risada. – Me desculpa! Eu não consegui pensar em outra coisa, tava nervoso. Mas o importante é que tá todo mundo bem por aqui. Espero que esteja por aí também. Qualquer coisa me liga, ok?

- Sinceramente, não sei o que é pior. Ser processado pelas fadas ou ficar como o cagão do grupo – disse Stan.

- O cagão, óbvio – Richie disse e riu.

Stan colocou a mensagem de Bev.

- Oi, Stanny. O Ben me contou sobre o seu probleminha e fica tranquilo que eu não contei para o Bill. Mas acho que nem se eu contasse, ele iria se importar – a voz dela estava meio pra baixo. – O Henry atacou o Mike quando a gente tava indo pra lanchonete. Ainda bem que você não tava lá pra ver, Stanny. Foi horrível, mas deu tudo certo. Eu não entendi absolutamente nada, mas quando eu vi os quarto saíram correndo feito bebês chorões. O Mike tá bem. Disse que o importante é que tinha ganhado o jogo e estava tudo bem com o avô dele. Eles se acertaram e tals, foi lindo! Tô bem feliz por ele. Bom, de qualquer forma, nós vamos na festa da vitória todos juntos. Não sei se você vai estar bem até às sete horas, mas se sim encontra a gente por lá! Vamos encher o rabo de bebida – Bev riu. – Afinal, temos que comemorar que esses são os nossos últimos dias em Derry. Me manda mensagem quando puder, ok?

Stanley olhou novamente para o relógio e eram sete e meia.

- Merda! – Stanley exclamou, olhando para Richie e Eddie. – Eu queria falar com vocês antes de ir.

- Ei, relaxa – Richie disse, colocando as mãos nos ombros de Eddie.

- O importante é que tá tudo bem e que tem festa! – Eddie disse animado. – Vamos no bottom do Tears for Fears?

Stanley sorriu e logo começou a se arrumar na velocidade da luz, já que ele não poderia desejar nenhum portal para a escola.

De qualquer forma, aquela noite estaria apenas começando.


Notas Finais




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