1. Spirit Fanfics >
  2. The Fallen Angels: O Amor Pela Música >
  3. 05. (Extra) - Acidente

História The Fallen Angels: O Amor Pela Música - Capítulo 6


Escrita por:


Capítulo 6 - 05. (Extra) - Acidente


Fanfic / Fanfiction The Fallen Angels: O Amor Pela Música - Capítulo 6 - 05. (Extra) - Acidente

Lis olha com olhos marejados para o papel que segura firmemente em sua mão. Como iria explicar a seus pais aquela terrível nota? Por que é que matemática tem que existir mesmo? Os números deveriam ser somente para contar dinheiro, não? Ela estica o pescoço e com olhos em forma de riscos tenta olhar a nota de seu irmão gêmeo a algumas cadeiras de distância. Primeiro aparece um seis, se até mesmo seu irmão gênio tirou seis, quer dizer que a prova realmente tinha sido difícil. No entanto, ao virar o papel um pouco para o lado, Lis nota direito que a prova na mão de Elias não é a dele e sim de seu melhor amigo, que sinceramente ela nem lembra o nome, apenas o chama de Sobrancelha, porque é a coisa que mais se destaca no rosto dele.

Desistiu de tentar descobrir por conta própria e levantou-se, foi até a carteira do irmão e pegou a prova do mesmo. Dez. O desgraçado tirou dez, enquanto ela só tinha acertado uma questão, colando ainda mais, e tinha um belo dois exibido de vermelho no papel. Ela nunca foi boa em disciplinas com cálculos, na verdade, isso é bem comum entre todos que conhece; o anormal ali é seu irmão, que tira nota máxima nas exatas e tem média mediana em humanas.

Eli a olha com pena nos olhos e Lisana apenas balança a mão descartando aquele olhar melancólico que lhe era dirigido. Ela estava era arquitetando uma boa desculpa para pelo menos amenizar o castigo inevitável. Sua mãe e seu pai trabalha os três turnos para que Lis e os irmãos tivessem uma vida boa, mesmo que eles não tivessem muito, ainda sim tinha um conforto da família, uma casa para voltar e comida para encher o bucho. O que ela tinha que fazer, no mínimo, para recompensar os pais, era tirar notas boas e entrar em alguma universidade, mas exatas realmente não é a praia dela.

O sinal de fim das aulas soou e Eli e Lis se despediram do Sobrancelha antes de seguirem até a bicicleta verde um tanto acabada devido a sua idade avançada, seu pai a tem a mais de vinte anos. Eles tiram pedra, papel e tesoura para ver quem vai pedalando e é Lis que ganha o jogo, sentando -se na frente enquanto Eli vai como carona.

― Podemos tentar estudar juntos de novo ― Elias sugere e Lis franze os lábios. Ele já tentou de todas as formas fazer a matemática entrar na cabeça de sua irmã, mas olha, não deu muito certo.

― Você sabe que não dará certo ― Lis suspira e Eli apenas faz carinho no topo da cabeça da irmã.

Mesmo sendo gêmeos idênticos, eles ainda tinham uma diferença de cinco centímetros. Quando mais novos, Lis foi ao barbeiro e cortou o cabelo igual ao do irmão, depois vestiu as roupas dele e passou um dia todo fingido ser Elias, enquanto Eli foi obrigado a se vestir como menina, com uma saia rosa rodada. Eles conseguiram enganar tanto o irmão mais velho, Daniel, quanto seus pais; mas agora com a diferença de altura, isso é praticamente impossível. Eles não enganariam nem a uma formiga.

Lisana sorriu ao lembrar disso, são ótimas memórias, principalmente o choro desesperado de Eli por não querer usar saia, ele implorava entre as lágrimas, mas quanto mais implorava menos disposta a ceder Lis estava. Talvez fosse um pouquinho sádica. Uma gargalhada rompeu de sua garganta e sem entender Eli pergunta.

― O que foi? Por que está rindo? ― Ele cutuca a costela da irmã.

― Apenas lembrando de você chorando enquanto me implorava para não usar a minha saia ― Lis ri ainda mais com vontade.

― Apenas esqueça isso, pelo amor de Deus ― Eli sente seu rosto queimar de vergonha.

Elias sempre fora muito tímido e quieto, o contrário da irmã. Eli é, na verdade, uma cópia de Dan, só que mais contido ainda. Ambos os irmãos têm talentos espantosos para a música e possivelmente eles vão seguir por esse caminho, e por ser eles, Lis sabe que ambos serão muito bem sucedidos. Já ela, não tem talento algum e mesmo no último ano do colegial, não faz ideia do que quer para o futuro, do que estudar.

A bicicleta é conduzida a virar uma esquina atrás da outra e descer uma enorme ladeira, parando de pedalar e deixando as rodas por si própria, Lis vai para o freio para poder diminuir um pouco a velocidade da bike. Só que… não tem freio.

― Merda! ― Lis exclama alarmada.

― O que foi? ― Elias indaga já sentindo que não vai gostar da resposta.

― Estamos sem freio ― Lis soa frio.

― O quê? ― A voz de Eli soa estranhamente fina, sentindo o suor descer lentamente pela testa. Lis não o responde, apenas vai gritando para as pessoas a sua frente.

― Saíam da frente! Bicicleta desgovernada! Estamos sem freio! Saíam! ― Enquanto Lisana gritava para as pessoas, de Elias saí apenas um grito desesperado:

― Ahhhhhhhhhhhhhh…

Com olhos de águia, Lisana vê o vulto de seu irmão em frente a algum restaurante e por incrível que pareça, ela acha que vê o vulto de Lua também; já faz um tempão que não vê a amiga. Ela não sabe os detalhes, apenas que Lua e Dan tiveram uma briga feia.

Sem perder o bom humor mesmo numa situação merda, Lis ainda acha um tempinho para importunar os irmãos.

― Oi Dan. Tchau Dan.

― Dan? Como você conseguiu enxergá-lo com tantos vultos ao seu redor? ― Elias pergunta indignado. Lis apenas gargalha mais.

― Pule ― Lisana ordena.

― O quê? Enlouqueceu?

― Não. Apenas pule. Agora! ― E sem esperar mais um segundo, Elias realmente pula da bicicleta e rola algumas vezes ralando toda a pele que entrou em contato com o chão.

Lis usa o seu peso para empinar o pneu de trás e vira a bicicleta para a direita a fim de pará-la, só não contava com um cachorro de rua que havia se assustado e corrido em direção a um carro que estava entrando naquela rua. A lataria do carro esbarra com o pequeno cão que voa alguns metros antes de finalmente cair chorando, o pneu de trás da bike que ainda não tinha tocado o chão também se choca com violência no carro e Lis caí por cima do próprio pé.

Ouvindo o choro de dor do animal, Lis levanta rápido para acudir o cachorro, no entanto, assim que põe o pé no chão uma dor aguda atingi todo o seu corpo e ela caí novamente.

O homem que parou o carro bruscamente após o acidente, saí de dentro do automóvel ainda atordoado e chocado. Ele olhou da garota para o cachorro sem saber quem acudir primeiro. Lis percebendo o estado perturbado do cara, sente uma vontade indescritível de rir, mas não o faz.

― Ajude o cachorro primeiro, ele está sofrendo mais ― Lis diz por fim vendo seu irmão todo ralado seguir até ela.

― Você está bem? ― Elias pergunta desesperado.

― Estou, o pé só doí quando eu faço força sobre ele ― Eli auxilia a irmã e passa o braço dela por cima dos seus ombros enquanto passa seu próprio braço ao redor da cintura dela.

― Eu já deixei o cachorro deitado confortável no banco de trás, vamos, eu tenho que levá-los para emergência ― O homem ainda mantém a expressão chocada no rosto, como se não acreditasse realmente no que estava acontecendo, e as mãos dele tremem tanto que qualquer coisa que ele tente pegar viraria batida no liquidificador. Lis o achou fofo.

― Eu vou levar a bicicleta para casa, quando chegar no hospital me mande mensagem e a localização ― Eli fala após observar melhor o homem, ele não parecia ser um psicopata que poderia machucar a irmã, então deu um voto de confiança a ele, e também não é como se Lis não pudesse se proteger, mas todo cuidado ainda é pouco.

― Ok.

Assim o homem toma o lugar de Eli e ajuda Lis se sentar no banco de carona do carro luxuoso, Lis notou.

― Vamos levar o cão primeiro e depois a gente pensa sobre mim ― Lis sorri amena.

― Ok.

Com as mãos ainda tremendo, o homem tenta ligar o carro e falha algumas vezes. Lis não consegue segurar o riso, o homem a olha incrédulo.

― Não me olhe assim ― Lis reclama ― Não precisa de todo esse nervosismo, foi apenas um acidente e tanto o cão quanto eu ficaremos bem.

O homem tenta se acalmar e finalmente consegue ligar o carro. Para amenizar os nervos do cara, Lis começa uma conversa fiada com ele.

― Ah, é. Meu nome é Lisana, mas me chame apenas de Lis, assim economizamos duas sílabas e as frases soam mais rápidas ― O homem quis rir com a explicação da garota para que as pessoas usem o apelido dela.

― Me chamo Rocco ― É a única coisa que diz.

― É a sua primeira vez atropelando alguém, não é? ― Lis indaga e sente o cara ficar tenso novamente, ela ri ― Bem, de toda forma a culpa foi minha, a bike estava sem freio, no fim das contas fui eu quem assustou o cachorro ― Lis se vira para o banco de trás e encara o cão ― Desculpa aí.

O cão solta um latido de dor e indignação, Lis arma um bico nos lábios e solta um sorriso culpado.

Depois de alguns minutos, eles finalmente chegam a uma clínica veterinária. Rocco desce e pega o cão com cuidado, Lis quase infarta de tanta fofura. Após mais algum tempinho, o cara volta para o carro. Ele puxa o cinto de segurança e liga o automóvel mais uma vez.

― Ele vai ficar bem? ― Lisana pergunta um pouco preocupada.

― Irá, ele apenas quebrou uma das patas. Depois de eu a levar ao hospital, voltarei para pegar ele ― Rocco responde sem tirar os olhos da pista. Eles param em algum sinal.

― Me leva no hospital público do centro ― Lis fala ― Você vai ficar com o cachorro?

Rocco vira uma rua para o destino que lhe foi ordenado: ― Vou, somente até o cachorro se recuperar e eu encontrar alguém que queira adotá-lo.

― Você não pode adotá-lo? ― Lis indaga, obviamente o homem ao seu lado é rico e pode muito bem criar um cachorro, diferente dela.

― Não, infelizmente, meu irmão mais novo é alérgico a pelos de animais e há outras coisas também, por isso, nós nunca tivemos um animal de estimação.

― Que pena! ― Lis diz e levanta um dos dedos indicadores ― Eu vou procurar por quem queira adotá-lo também, tenho até algumas pessoas em mente. Me passe seu número para caso eu encontre alguém.

Bem, Lis não pediu o número de Rocco apenas só por querer ajudar o animal, mas também para poder manter contato com aquele cara fofo. Depois de resolverem a adoção do cão, iria ter que encontrar outro tópico para continuar a ver ele. Rocco sorriu claramente entendendo as segundas intenções da garota.

― Ok. ― Assim que falou o número, ele sentiu seu celular vibrar no bolso.

― Lhe mandei uma mensagem, grave meu número também, ok? ― Lis dá um soco fraco no braço dele.

― Ok ― Rocco solta um risinho baixo ― Chegamos.

Ele estaciona o carro numa das vagas e aproveitando o momento, Lis manda mensagem para Eli informando que já chegaram no hospital. Rocco abre a porta do carona e passa o braço esquerdo dele sobre a cintura dela, Lis engole em seco ao sentir um aperto naquela região. É a primeira vez que fica tão colada a um homem que não fosse seu pai ou seus irmãos. A sensação é totalmente diferente, Lisana sempre gostou de abraços e sempre está abraçando sua família, mas aquilo a deixou bem nervosa, era apenas um meio abraço, mas mesmo assim suas pernas bombearam.

Eles logo foram atendidos já que era uma emergência. Lis teve que fazer um raio-x e outro exame, ouvindo tudo atentamente do médico ao observar os resultados. Ela tinha torcido o tornozelo, mas não o faturado. Teria que tomar um remédio para dor, fazer compressas com água quente e fria e usar um tipo de bota por duas longas semanas, e obviamente, não forçar muito o pé.

Depois de tudo resolvido, Rocco se despede e Lis espera seu irmão chegar com o pai deles. Enquanto mantém-se sentada olhando para o celular sem ter muito o que fazer, uma garota senta ao seu lado. Erguendo o rosto, ela observa bem a menina, longos cabelos lisos e castanhos, pele parda e olhos num castanho claro. Parece uma boneca de tão linda. Além da aura dela, algo como entre a pureza e o pecado.

Sempre se vangloriou pela sua intuição ativa, quando insistia que uma pessoa era boa ou má, ela certamente acertava. Mas essa garota está além de sua compreensão. Não via algo de ruim nela, porém há algo de estranho, que ela não sabe identificar o que é.

― Olá ― Lis tenta puxar assunto ― Veio para visitar alguém ou para ser consultada?

― Visitar alguém ― A garota responde com um sorriso encantador.

― Me chamo Lisana, apenas Lis, para economizar nas sílabas.

A garota ri com vontade: ― Sou Ella, prazer.

Lis ainda continuou a puxar assunto com a recém conhecida, por algum motivo trocaram os números também, era quase como amigas já íntimas. Estranho, muito estranho.

Elias avista sua irmã e segue até ela, com o pai ao seu lado. Lisana se despede de Ella e com a ajuda do pai é carregada para fora do hospital

― Lis é bastante intuitiva, não é? ― Ella indaga e responde a si mesma ― Sim, ela é.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...