História The Feast of Death - Capítulo 32


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Categorias Harry Potter, Percy Jackson & os Olimpianos, Teen Wolf, The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Derek Hale, Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Isaac Lahey, Jason Grace, Kira Yukimura, Lydia Martin, Narcissa Black Malfoy, Nico di Angelo, Personagens Originais, Ronald Weasley, Scott McCall, Stiles Stilinski
Tags Drarry, Drarry Poliamor, Perjasico, Scisaac, Stamek, Stamon, Sterek, Stony, Thorki
Visualizações 25
Palavras 5.057
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoal, como vão indo?
Espero que gostem do capítulo, nos lemos lá embaixo.

Capítulo 32 - 31 - He Returned


Aquilo era uma situação engraçada, talvez um tanto perigosa, no fim aquele era o dia, o bendito dia em que iria para uma sessão de cinema com os dois homens que o vinham disputando, não gostava de ver o dois competindo por si, mas tinha de ser franco, mesmo que apenas para si mesmo, essa situação vinha lhe amaciando o ego de maneira muito proveitosa, ainda mais quando olhava bem para as duas pessoas que o desejavam, não que costumasse ter pensamentos assim, na realidade, ainda que fosse mentira, dizer que não era a aparência um fator importante, gostava mais da personalidade de ambos, a sua maneira os dois eram muito divertidos e o faziam bem, ao menos quando não agiam como imãs para problemas, ou em situações em que queriam causar a morte um do outro. Ademais, para Stiles, era muito instigante visualizar a tensão sexual que pairava sobre eles, mesmo que Derek e Damon quisessem negar veementemente o que sentiam um pelo outro, para Stilinski aquilo era completamente visível, como a pureza de um cristal, quando começavam a discutir ou se alfinetar, caminhavam com cautela, se reconheciam enquanto dançavam aquela dança, irradiavam de maneira muito clara para o que se passava em seu interior, o que desejavam com fervor, mas que negariam até a morte, e que carregariam como segredo tumular para além mundo quando estivessem abaixo de uma lápide com um bonito epitáfio.  

Estava muito ansioso para o encontro que teria a noite, não saberia dizer com certeza o motivo real para isso, poderia ser o conjunto de pessoas que o acompanharia até lá, ou quem sabe o filme que assistiriam, aquele remake de Senhor dos anéis era algo que vinha esperando a tempo demais, era o primeiro filme, versão estendida, duração de quatro horas e meia, esperava gostar daquela versão da Sociedade do anel tanto quanto houvera gostado da anterior, tinha de ser franco, Tolkien, junto de Lewis, eram seus autores favoritos, e Senhor dos anéis e Nárnia eram suas sagas mais amadas. Contudo tinha um sentimento estranho lhe corroendo de dentro para fora, tinha muito com que se preocupar, mesmo que achasse engraçado e divertido toda a tensão que havia entre Derek e Damon, isso poderia se traduzir em um problema bem grande no fim das contas, se os dois se irritassem a um nível muito grande teria um abacaxi espinhento em mãos para descascar, e o pior de tudo, ele sabia que a culpa de qualquer futura ocorrência seria completamente sua, afinal ele era o pivô daquilo, e além disso atiçava de certa forma os acontecimentos, um bom exemplo disso era levar ambos a um encontro em conjunto. Louco, era isso que era. 

Acordara bem cedo aquele dia, estava preparando o café da manhã naquele momento, decidira sair das básicas panquecas que sempre fazia, e então tinha ali algo que nunca se imaginara fazendo, nem mesmo tinha ideia se iria acertar a receita daquilo, muito menos se era a melhor escolha para um dejejum decente, mas não seria o momento de voltar atrás, primeiro por já ser um trabalho bem grande até ali, depois, os dois estavam próximos de acordar e, por mais que fosse querer, não haver-se-ia tempo viável para fazer qualquer outra coisa, seria o que estava fazendo, pelo bem ou pelo mal, nem que estivesse. Passava o café acima da pia, mantendo os olhos um em cada direção, como se fosse um camaleão, o direito cuidando do café que descia no bule, sim um bule, Stiles detestava café de cafeteira, já seu olho esquerdo não se desprendia do forno, mesmo que fosse uma receita francesa e que as medidas, e tempo de cozedura fossem precisos, não queria, ao menos não naquela parte, ele sempre foi bom com sobremesas, e nunca queimara nenhuma, não pretendia deixar seu mil folhas com creme brulê de limão ser o primeiro, até porque, se assim fosse, teriam apenas café para tomar, e talvez alguns pães amanhecidos, nem mesmo tinha certeza sobre esses, depois da chegada dos dois perdeu o controle do que tinha dentro de casa. 

— É, espero que você tenha ficado interessante — disse para si mesmo, vendo a sobremesa continuar a crescer, lembrando de todo o trabalho que aquilo lhe havia dado, desde a preparação da massa dias antes, o descanso dela, o creme que foi batido à mão, o braço ainda tinha um leve resquício do cansaço.  

— Bom dia Sourwolf, dormiu bem? — cumprimentou Derek quando este apareceu na cozinha. 

— Bom dia Stiles — disse com o mesmo ar irritado de sempre, devia estar de mau humor, apenas para variar do comum. 

— Hoje você não vai reclamar das minhas panquecas — disse com algum ânimo um tempo depois, tentando, embora em vão, animar o outro. — Talvez você prefira um mil folhas ao invés delas, não é, bem — suspirou com a cara de Derek — talvez você realmente prefira, se tiver ficado bom — algo realmente tinha acontecido para o lobisomem estar daquele jeito, mesmo rabugento como era, aquilo vinha a ser um nível a mais. 

Um pequeno tempo depois, praticamente depois de Damon aparecer, o mil folhas ficou pronto, tomaram o café da manhã em conjunto, talvez pela primeira vez, Derek continuava com a cara de quem iria matar qualquer um falasse próximo de si, e Stiles realmente gostaria de saber o que tinha acontecido, até mais do que ter ideia do que acharam de sua experiência culinária, ele tinha adorado, mas os outros que não o tinham dito nada faziam-no pensar que estava ruim. Nem mesmo Damon tinha dito palavra alguma, quer dizer, ele parecia neutro, demais para seus padrões, considerando o quão língua solta ele costumava ser, havia acontecido algo, entre aqueles dois, teria de descobrir o que fora, ou poderia ter problemas em breve, além daqueles que já tinha, Stiles vinha evitando sair à noite, durante o dia já se sentia seguido, durante as horas noturnas temia que as coisas que vinham atrás dele perdessem o medo de vir diretamente sobre si. 

Ele não teria faculdade aquela noite, o professor já tinha avisado com antecedência de que não iria comparecer, então era um dia livre para si, esperava que o humor de ambos os homens presentes em seu apartamento melhorasse, ou o encontro que estivera por tanto tempo ansioso seria um desastre tremendo, contudo, ainda tinha esperança de conseguir melhorar a situação, mesmo que achasse bem difícil conseguir sorrisos de Derek, ainda mais se ele tivesse que dar atenção a Damon também. Era uma balança cruel para si, teria de pesar perfeitamente seus passos para que as coisas saíssem bem, e sem problemas, ou melhor dizendo, sem tantos problemas, o que era quase um sonho utópico, de qualquer maneira tinha coisas a fazer, achar um novo emprego estava na lista, mesmo que viesse evitando esse ponto da lista, mais do que deveria. 

Mesmo que fosse algo necessário, sempre havia algo que o mantinha preso quando esse era o assunto, não conseguia ir até qualquer outro local para pedir por emprego, como se não conseguisse seguir em frente de verdade, a morte de Alda ainda era muito recente, aquele era o seu trabalho, talvez devesse ter continuado com a livraria, mas isso poderia ser um martírio grande demais para se carregar. Pensava em continuar apenas trabalhando com a Internet como vinha fazendo nos últimos dias, hoje, se saísse para procurar uma nova ocupação não teria tempo viável para fazer nenhuma stream, e querendo ou não isso era um prejuízo, mas ele precisava de um emprego em outra vista, não pelo dinheiro, mas sim pelo fato de que cedo ou tarde necessitaria de um estágio que envolvesse escrita, como jornalismo, edição em uma editora ou algo do tipo, e para conseguir algo como isso era necessário que tivesse um bom histórico laboral. 

— Não está animado para ir ao cinema? — perguntou para Derek à tarde, depois de entregar uma boa quantia de currículos por toda Londres. — Eu sei que não sabe muita coisa sobre senhor dos anéis, mas vai ser divertido. 

— Não com ele lá — Derek disse com o mesmo ar irritado que tinha pela manhã, podia quase dizer que ele estava rosnando. 

— Hora de uma chance, ele não pode ser tão ruim assim? Quer dizer, vocês transaram, não é? — Stiles percebeu que talvez aquela não fosse a melhor abordagem quando Derek o olhou diretamente, as duas írises faiscavam como se sua alma estivesse em chamas. — Não me olhe assim, não estou contando nenhuma mentira, estou? — ele não aprendia, mesmo depois de tanto tempo, ele ainda não tinha dado uso ao filtro entre sua boca e cérebro, precisava urgentemente controlar sua língua. — Ora essa, enfiou-se entre as pernas dele, e agora quer dar uma de puritano e não ir a um encontro triplo — talvez fosse um caminho perigoso a se percorrer, mas ainda assim, ele tentaria essa trilha.  

— Eu vou ir no encontro, não sou nenhum puritano, e não ligo de ter aberto as pernas de Damon, foi o melhor sexo da minha vida até hoje — Derek disse com a voz grave. — Mas é algo confuso demais para mim, nós três, ainda mais na situação atual, em outros dias seria apenas uma questão amorosa a ser resolvida, estou certo? Mas agora parece que o mundo todo corre perigo, e você é o alvo principal disso tudo. Como você espera que a minha mente conecte tantos pontos com facilidade, quero dizer, não é uma situação fácil, se estou de mau humor é por pensar demais e não ter fechado os olhos um único segundo noite passada. 

— Como assim o mundo corre perigo? — ouviram Damon perguntar do outro lado da sala. — E o menino é o alvo principal? Como assim? Alvo de quem? E o melhor, porque? Alda era uma bruxa anciã poderosa, mas o que você é então?  

— É uma história bem longa — Derek disse, com um leve mover dos lábios para a esquerda, quase como o início de um sorriso ladino. — Mas temos um bom tempo livre ainda não é — quando o lobo olhava para si, um pouquinho dos dentes brancos chegava a aparecer. 

— Eu já vivi mais de cento e oitenta anos, tenho mais do que tempo suficiente para ouvir a história toda — Damon disse com um sorriso sarcástico no rosto. 

— A, então volte daqui uns sessenta anos, quando eu estiver esperando pela expiação dos meus pecados por algum sacerdote, e eu conto meus segredos no leito de morte — Stiles disse de maneira divertida, não queria entrar naquele assunto mais uma vez. 

— Se o quer conosco, vai ter de dizer a verdade — ouviu Derek dizer. — Se ele vai ficar com a gente você vai ter de contar a ele, para que saiba onde estará pisando a partir de agora — o lobo disse com um ar régio em sua voz, algo que demandava obediência, e Stiles também tinha ideia de como aquilo era realmente adequado, esconder as coisas nunca resultava bem, independentemente da situação, mas era tão complicado para si, aquele assunto era difícil, ele nem mesmo entendia o que se tinha passado, foram eventos muito rápidos para sua cabeça. 

— Eu vou falar, só me deixe respirar um pouco, tomar um café da manhã com calma, sim? Falarei sobre isso depois, e pare de me olhar desse jeito Derek, eu já entendi qual o caminho certo, só me dê tempo, ok? — Stiles abaixou sua cabeça. Depois de comerem a sobremesa que fez, que poderia ter estado mais saborosa em outra situação além daquela, a tensão lhe havia tirado todo o paladar, e os pensamentos lhe tinham tirado qualquer desejo sobre a comida, como poderia contar toda a situação a alguém que não confiava em cem por cento, contudo não desejava o mandar embora, o queria ali, esse devia ser um teste por parte de Derek, sabia que se ele desse para trás agora iria mandar Damon para longe, e se seguisse, adiante, iria dar ao alfa a sua resposta sobre fiar-se ao vampiro. Respirou profundamente antes de começar a soltar o turbilhão de palavras que fervilhava em seu interior, que parecia subir agora, até sua garganta, como uma onda poderosa de refluxo. — Eu não sei bem por onde iniciar isso, tudo aconteceu nos últimos dias, mas..., eu acho, que..., que teve início desde que eu me distanciei de todos, ahn... desde que vim para cá, logo que conheci Alda, sabem, eu não sei como continuar isso — parou um momento, pensava quais seriam suas próximas palavras, ter essa conversa com outras pessoas seria tão mais fácil, Lydia, Scott ou Claire e Gwen eram escolhas tão mais confidentes para ele, mesmo que as últimas sequer sonhassem com algum dos mundos aos quais Stiles fazia parte, as garotas voltaram para França, e eram humanas normais, ele as tinha conhecido durante uma viagem de estudos que fizeram a Itália para uma palestra em Milão, sobre literatura. Leonora Beenethov, agora alguns pontos se fechavam em sua cabeça, sem relação aquilo, o livro na casa de Alda, a casa na vila bruxa, será que as duas se conheciam? Teria maneira de fazer contato? — Eu ingressei na faculdade, não é? Depois conheci Alda, consegui o emprego, vim atendendo a livraria desde então.  Depois de algum tempo, um ano, praticamente, os últimos acontecimentos vieram, Alda apareceu em minha porta, de noite, vestida de maneira estranha, me chamando de Guardião do Segredo, ela parecia em choque como se um grande mal tivesse se manifestado em seus sonhos, em nossos sonhos, eu ela tínhamos tido o mesmo sonho, inclusive foi ela que me acordou. Foi nesse momento que descobri a descendência bruxa da minha amiga, e no dia seguinte fui parar no Ministério da Magia da Inglaterra, minha amiga estava sendo processada pela quebra do sigilo em magia e todo o resto, e, teoricamente, eu infligi essa lei mais algumas vezes depois do ocorrido, mas aparentemente os bruxos devem estar lidando com situações mais importantes no momento, para não terem vindo me prender — Stiles respirou profundamente, vendo o semblante de Damon meramente mudar, como se já esperasse por palavras parecidas, ou talvez ele tivesse um autocontrole muito bom, de qualquer maneira Stiles se viu compelido a continuar cuspindo aquela história para fora: — O fato mais importante, foi a coisa com a minha causa, eu como o Guardião do Segredo, aquele que manteria o firmamento fechado para o grande mal, Trrick, era como Alda o chamava, era o segredo que mantinha, passado de geração em geração, alguém que era sagrado pela magia cósmica a manter a proteção contra o inimigo do mundo fortalecida. Depois descobrimos com um pouco de pesquisa que Trrick não existe de verdade, ao menos não o nome, ou a nossa lenda em si, mas que sim, algo grande e maligno espreita nas profundezas escuras dalém mundo, algo que devora tudo o que toca, que manipula tudo o que vê, e corrompe cada coisa ao seu alcance, algo que nasceu como qualquer outro ser, mas cresceu demais, em magia e malícia, algo, hoje horripilante e grotesco, que devora mundo atrás de mundo — Stiles suspirou em uma pausa curta. — Mas ao que parece uma coisa é bem verdade, a muito tempo atrás três seres de pura magia, nascidos com esse mundo, o protegeram da entrada de qualquer mal, quando vislumbraram a possibilidade de sua destruição por algo assim, deram o véu de guardião, pelo que Alda se lembrava, ou talvez algum dos outros guardiões, a um humano, que passou seu cargo a um bruxo em seu leito de morte, e aí adiante — Stiles fez uma pequena pausa, para verificar como os dois estavam, esses detalhes Derek ainda não sabia, tinha apenas ouvido o básico, agora dois semblantes chocados a sua maneira o fitavam, até mesmo Damon se sentia atordoado, ao que parecia. — Pena que eu não sei distinguir as memórias de cada pessoa, todas vieram de uma vez, eu lembro de tudo que os outros que carregaram esse cargo se lembram, algumas memórias até podem ser separadas, às vezes, a pequena Alda era uma criança muito alegre, consigo até sentir a agonia dela quando a filha morreu. Bem, os seres de magia pura se sacrificam no processo de criar a proteção e laurearem um ser como protetor absoluto e chave para a manutenção dessa ordem. Alda morreu de maneira estranha, um tempo atrás, como se um veneno lento tivesse correndo em suas veias, ela era mais forte de saúde do que eu, adoecer de um dia para o outro foi algo muito estranho, mesmo que ela fosse velha como era, Dumbledore é mais velho e estava tão forte quanto ela, quando o visitamos, mesmo depois de uma guerra mágica ter terminado recentemente. Enfim, atualmente eu sou o guardião do segredo, aquele que mantém o firmamento no lugar, e que impede a entrada do mal. O mundo corre perigo, pois o mal espreita do lado de fora, e eu, eu corro perigo, pois o mesmo mal tem milhares de servos infiltrados aqui dentro, prontos e preparados para me atacar a qualquer momento, e isso era o que eu ainda não tinha contado. Mas eu não sei o que fazer a partir daqui, mesmo que eu seja um meio Wy-Yirm, o que isso significa na realidade?  

— Talvez eu saiba — Damon disse. — Quer dizer, alguém que eu conheço. 

— Como assim? — perguntei depois de um momento de susto.  

— Lúcifer Beenethov, já ouviu falar dele? — Damon perguntou, e minha cara deve ter dado ao vampiro a resposta para a pergunta, eu tinha passado o Natal com aquele homem, se soubesse disso poderia ter... — Onde o conheceu? Ele é um Wy-Yirm, entre outras coisas, mas não sei onde mora atualmente. 

 — No Natal, passei a data com Alda, na casa de uns amigos dela, os Normans, ele estava lá com seus dois parceiros, a irmã e a cunhada, e tinha mais gente também, não lembro ao certo — Stiles respondeu. Sentiu uma forte pontada em sua cabeça, como se uma flecha trespassasse sua cabeça de maneira poderosa, flashs piscavam em sua cabeça, uma centena de informações jogadas sobre seu colo, mãos o seguravam dos dois lados, eram duas pessoas, mas não as via, via apenas os círculos de pilastras, centenas de seres amarrados, três pessoas ao centro, magia, muita magia fluía, um rasgo no mundo, Ele, Ele havia voltado, tinha de impedi-lo. — Ele voltou, — gritou a certa altura — ele voltou, estamos condenados — disse cedendo as lágrimas, nos braços dos dois homens que estavam consigo, não iriam mais ao cinema aquela noite, ele não tinha mais temperamento para isso, a ameaça agora era real, e estava dentro do mundo agora. — Leonora, tenho de achá-la — disse antes de sucumbir ao negrume de sua mente, que como uma nevoa cingiu tudo ao seu redor. 
 

Ele não sabia quem o tinha raptado, não falaram nomes, sequer disseram coisa alguma, mas o tinham levado para além do espaço, muito distante da Terra, distante do Olimpo, o que ele faria, dadas as circunstâncias, amarrado e subjugado, estava de joelhos em frente a um homem alto, que devia ter uns dois metros e meio, loiro e prateado, bastante pálido, que o olhava com curiosidade. Havia algo de muito maléfico na maneira que o outro se dirigia a si, não tinha ideia do que se passava na cabeça daquela criatura, mas a cada passo para próximo de si ele tremia mais, era um deus, não deveria tremer daquela forma, era vergonhoso, mas conseguia sentir como a maldade do outro era destrutiva e corrosiva, e a forma que ele se conectava ao planeta era demoníaca, era como se estivesse se alimentando da vida daquele lugar, viu pequenos animais se aproximando, ratos, aves e insetos, lagartos e sapos, caindo mortos e sento engolidos pelas raízes que precipitavam-se da terra, negras como as que formavam o vínculo do homem ao trono que sentava antes de caminhar até Hermes. 

— Você vai me ajudar com uma pequena missão, mensageiro dos deuses — o homem disse com um ar divertido. — Será você o meu entregador de recados a partir de agora, você irá levar a minha boa nova para todos eles — o som de sua risada se tornava cada vez mais presente. — Meu pequenino arauto da morte, levará a infecção por tudo onde conhecer, quero tudo maculado. Todos os reinos de Yggdrasil, os campos Elísios, o Tártaro, o Olimpo inteiro, as Terras da Noite — a risada não pode ser contida. — Esse, meu pequeno Hermes, será o crepúsculo dos deuses, e em breve, de todo o Universo, e você é minha peça chave — aproximou-se si sorrindo, em outras circunstâncias não se importaria que estivesse tão próximo de si, até adoraria o beijo de um ser tão belo, mas dado tudo que ouviu, queria distância.  

Sentiu os lábios do outro em si, uma sensação estranha, como se estivesse tocando uma parede impenetrável, era gelado, grotesco até, queria se ver livre daquilo, tentou lutar, mas era inútil, nenhum esforço surtia efeito, se debatia como um louco, contudo nada ocorria. Um momento seguinte sentiu algo diferente, um líquido lhe descia garganta abaixo, era nojento, gosmento, movia-se enquanto descia, como se tivesse algum tipo de vida própria. Uma fraqueza se abateu sobre si alguns segundos depois, como se todas suas energias tivessem sido drenadas, ele não duvidava que isso tivesse realmente acontecido, sua mente estava estranha, borbulhava de maneira esquisita, parecia perder o controle dos próprios pensamentos. Um fluxo enorme revolvia todas as suas memórias de forma rápida, o outro deveria estar em sua mente vasculhando por algo, ele não tinha maneira alguma de recusar aquilo, não conseguia por nada em ordem em seu cérebro, quanto mais lutar contra aquele presença demoníaca, estava por completo impotente, como se uma pequena sela tivesse sido montada no fundo de si, e lá estivesse completamente atado a grilhões poderosos. Moveu-se sem sua vontade, seu corpo foi comandado por outro, sentia os músculos relutarem, resistirem ao comando estranho, mas cedendo com o tempo, quando tentou interferir sentiu uma pontada aguda em sua cabeça, como se um cinzel estivesse sendo usado para esculpi-la. 

— Não deveria resistir a mim, não terá chance alguma, eu já o devorei, quando o largar, não será nada mais do que uma casca vazia, onde terminarei meu banquete — ouviu a voz do outro dizer, com um prenúncio de riso, que não tardou muito a vir quando ele tentou em vão falar contra quem o dominava. — Nem mais força possui, admiro sua audácia de tentar fazer algo, mas esteja ciente de que tudo isso é inútil, e mais cedo ou mais tarde, terá usado tanto sua força espiritual, que desvanecerá até uma pequena fagulha do que já foi, até esmaecer no tecido da realidade e sumir, como se nunca lá estivesse estado. 
Seu corpo se moveu, novamente, estava em pé e as amarras desapareciam, começou a andar lentamente, vendo o homem se sentar em seu trono, e apagar novamente, ele usou suas botas para voar todo o caminho de retorno a Terra, esperava que elas estivessem com força suficiente para a travessia. Não levou muito tempo para que chegasse ao destino, estava em terra firme pouco tempo depois de partir, mas não tinha certeza de onde tinha pousado, não era um lugar que se conectasse facilmente a sua memória, de qualquer forma lá estava ele, mesmo que não fosse ele realmente, uma vez que continuava na masmorra em sua mente, apenas assistindo o que se passava em seu olhos. O outro parecia ter alguma ideia de que local era aquele, era uma floresta tropical em geral, poderia ser em muitos lugares, América latina, sul da Ásia, centro da África, como poderia descobrir a resposta para isso?, era impossível, ao menos que visse algo a entregar sua posição. Contudo, nada era muito explicativo para si, ademais... espera, haviam baobás ali, ele viu um a distância, outro a esquerda, estava em Madagascar, mas o que o outro queria naquela ilha abandonada por todos. 

— Você é bastante mais esperto do que eu imaginava, mas bem, é irrelevante de qualquer maneira, não há vontade forte o suficiente em seu ser para me pôr de lado — o homem disse para si enquanto ele se debatia em seu calabouço, preso dentro de si mesmo. 
— Deve se pergunta quem sou eu, não é mesmo, pôs bem, vos digo então, nasci em outro mundo, há muito tempo atrás, se lhe dissesse que nasci humano, provavelmente não acreditaria, mas saiba do seguinte, vim ao mundo como um ser humano comum, sem nada de especial — disse, seguido de uma pausa, como se pensasse e pesasse a consequência de suas próximas palavras. — Levei, acredite se quiser, toda uma vida para aprender magia, e graças a quem quer que fosse, vivi com saúde suficiente até o nonagésimo sexto dia de meu nome, foi quando, pela primeira vez consegui realizar magia, pode imaginar sacrificar um bebê recém-nascido para rejuvenescer setenta anos, pode ter certeza, o primeiro foi difícil, levei horas até cortar a garganta da criança, encantar o sangue e tomá-lo, a segunda foi mais fácil, mas minha consciência ainda era forte o suficiente para tentar me dissuadir, mas a cada século a magia vinha mais fácil, a quebra da minha alma me eximia de culpa, não hesitava mais, para quase coisa alguma. Bem, as coisas começavam a mudar, eu ficava mais inteligente com o passar das décadas, mais sábio até, mas devo admitir que o uso de magia sombria tem seu preço, não acredito ainda ter alguma alma para ser salva, a minha já deve ter se destroçado tantas vezes que já é impossível remontar o quebra cabeça, presumo que se algo me destruir amanhã, ou eu sumo de vez, ou qualquer parte minha perdida por aí, vai viver para sempre, tentando retornar ao que eu era — ele suspirou, como se estivesse cansado, como se tudo aquilo o exaurisse com o passar dos anos, era muito tempo que ele vivia daquela forma. — Você tem razão, estou bastante cansado, é enfadonho viver absorvendo tudo, sou mais velho que a maioria dos mundos que devorei, mas minha ganância já tomou conta de qualquer coisa consciente em mim, sei disso, sinto isso, as vezes até parece que nem mesmo eu controlo minhas ações, contudo, no fundo, eu bem sei, que são todos os meu desejos, vida eterna, e poder, poder além de qualquer compreensão, poder além do que se pode imaginar, ser o senhor do maior dos exércitos. Ser o senhor de tudo — uma risada seca foi ouvida ecoando em sua mente. — Eu nem mesmo terminei minha história, não é? Eu tive contato pela primeira vez com magia de absorção, a muito tempo, quando eu ainda era bastante jovem, por assim dizer, ao menos hoje, quando olho para meu passado, quando ainda tinha oitocentos e quinze anos de idade, me considero um jovem à flor da idade, sabe? Enfim, foi quando encontrei alguns manuscritos que falavam de um objeto capaz de realizar a transferência de energias de um ser para o outro, compreende o que digo? — ele perguntou sem obter reposta alguma, Hermes era um mero espectador dentro de sua própria mente, algo que ele jamais imaginou que aconteceria em toda sua longa e infinita vida. — Era um cajado, nada muito bonito não, a princípio até achei que não era nada demais quando o vi pela primeira vez, era como uma casca de uma árvore muito fina, dava para ver através, na realidade era uma ponte de energia, como compreendi futuramente, dava para usar como um canudinho, — ele riu com a comparação — foi assim que eu comecei a sugar a energia dos outros, inicialmente, capturei pessoas, me enchia com a força delas todo dia de manhã, e as alimentava para que sempre tivessem força para mim, mas ainda assim, mesmo com um rebanho de dezenas, sentia a necessidade de fazer os rituais de rejuvenescimento eventualmente, ao menos a cada duzentos anos a partir de agora — o homem contou-lhe com ar nostálgico, as atrocidades que vinha cometendo para ser eterno. — Então, — o tom era de alguém que acabara de ter tido uma epifania — tive uma ideia, perigosa, mas que poderia me dar muito poder, e uma chance de evolução rápida, procurei por uma vila bruxa, a primeira das infelizes me deu trabalho quando tentei engolir suas energias, tivemos uma briga boa, mas quando a absorvi até ao fundo, até que sobrasse apenas as suas roupas, nem corpo restara, consumi carne osso, me tornei forte, imbatível até, para alguém de mil e seiscentos anos, eu até que estava me saindo bem, a segunda feiticeira da aldeia, teve comigo um duelo razoável para ambas as partes, mas eu venci, e isso significou mais poder, a terceira bruxa, sequer pode ser chamada de adversária, assim como todas as outras que lá viviam. Bem o resto da história pode ficar para qualquer outro dia, agora tenho coisa mais importantes para fazer com você, aqui entramos no reino dos deuses africanos, não é? Algo como a Yggdrasil nórdica, vamos me diga onde é? Faça como um bom menino, não quero estraçalhar suas memórias em busca da resposta, tenho muito com o que brincar contigo ainda, basta me mostrar. Isso, bom garoto, Hermes.  

Andaram até um círculo de baobás, haviam rochas ali no meio, se visto de cima lembraria um altar muito bem projetado, a resposta de como abrir a entrada era clara, deveria derramar sangue em sacrifício, mas não o de outro, sangue de si mesmo, esse era o preço pela passagem, prostração ao que se desejava, neste caso ir ao encontro dos deuses, dever-se-ia entregar de si, para seguir adiante, não demorou muito para que a mão estivesse cortada, e sangrasse, no chão. Um feixe de luz desceu do céu, como um meteoro, runas se desenharam no ar, douradas como a sua própria fonte de origem, e um espectro de uma porta se formou, com a mão sangrando Hermes, devorado e possuído, empurrou o portal, o umbral rúnico reluziu, e por dentro daquela fenda ele pode vislumbrar toda o esplendor do reino dos imortais, de todos os deuses que os africanos alguma vez cultuaram, ao menos a maioria deles, nem todos eles chegaram a alguma vez existir, mas aqueles que sim, estavam por ali, em diversos lugares e moradas, aquele continente sempre teve muitas mitologias, havia comida demais ali para aquele que o tinha entre os dedos de ferro, temia pelo futuro do mundo, pela vida da existência, quem poderia parar um ser como aquele que se tinha apoderado tão facilmente de si. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Se comentarem pode ser que eu demore a responder, meu celular deu problema, e até que eu compre um novo as coisas podem ir um pouco mais devagar na fic. Bye, beijinhos da Lilli.


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