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História The Feels - Capítulo 14


Escrita por: LeeYaar

Capítulo 14 - Capítulo 14


Na manhã da alta, Clarke foi a primeira a acordar. Conversou com os médicos e se serviu de um copo grande de café, também falou com os familiares de Lexa sobre o seu estado, Luna estava muito ocupada com as filhas e o seu novo emprego para visita-la, mas não ficava um dia sem notícias.

Às 10h da manhã a morena ainda não havia despertado, Clarke tomara seu terceiro copo de café enquanto observava sua expressão serena. Costumava fazer isso, mas fingia que não para não parecer estranha. O som de porta abrindo interrompeu seu raciocínio e ela moveu o olhar para encontrar Marco.

-Oh, Marco!! – se animou, mas logo diminuiu o tom de voz para não acordar Lexa – Ela está dormindo há muito, por conta dos remédios, você sabe.

-Na verdade eu quero falar com você, ragazza Clarke.

A relação de Clarke com o sogro sempre foi legal, era divertido conversar com Marco. Tinha uma relação distante com a filha, mas isso não significava que não se gostavam, apenas tinham suas próprias demandas. Ambos eram reservados e apreciavam estar perto quando cabia, além é claro, do amor imenso do homem pelo seu país natal, a Itália.

-Estou voltando hoje. – ele começou a falar quando estavam no jardim – Mas antes eu queria falar um pouco com você, já tive várias conversas com a minha filha instável e cabeça oca.

-Olha, não precisa-

-Ela te acusou de me acionar? – ele interrompeu – Eu conheço Lexa mais do que ninguém, acredite. Ela se parece muito comigo. Só fala um pouco menos. – a loira sorriu – Lexa não fala sempre, por isso tem dificuldade em perceber quando precisa se expressar. Não a culpo por isso, sua mãe costumava esconder os sentimentos, era sempre o meu trabalho dar o primeiro passo. – Marco devaneou, mas logo se recompôs – O que eu quero dizer, bionda, é que Lexa ama você, todos sabemos disso, os poros dela exalam esse amor quando a vemos. Mas ela é teimosa, calada, medrosa. Ela nunca dará o primeiro passo, como a mãe e nunca discutirá seus sentimentos, como o pai. Se você realmente a ama, precisa superar essas coisas e dar o primeiro passo.

-Eu errei muito com Lexa. – Clarke admitiu – Só eu sei o quanto. E-ela não tem que me perdoar, eu sei que a machuquei.

-Entendo. – o homem alcançou as mãos de Clarke, as contornou e respirou fundo – Eu também machuquei Lexa algumas vezes, ela também machucou as irmãs. O importante é que jamais faríamos isso propositalmente, humanos erram mas têm a possibilidade de não permanecer errando. Só se lembre disso. – ele posicionou na palma da mão dela um souvenir antigo, era uma miniatura perfeita de Eros e Psique, esculpido em madeira – Foi o meu primeiro presente para a mãe de Lexa em casamento com isso, nos conhecemos na Grécia. 

-Eu não posso ficar com isso, estamos prestes a nos divorciar. – Clarke sorriu nervosa.

Marco apenas deu de ombros e se afastou, colocando de volta sua boina cinza. Previsivelmente, ele sairia do país sem se despedir de Lexa, como sempre fazia. Apenas se certificou de que as filhas estariam bem e se sentiu pronto para pegar o avião de volta.

No caminho de volta para o quarto, Clarke mexia a escultura de madeira nas mãos como se fosse feito de vidro. Sentia uma grande responsabilidade em guardar aquele objeto e lágrimas vinham aos seus olhos ao imaginar que logo não seria mais parte daquilo, de toda a história que era a família Woods.

Quando abriu a porta do quarto, encontrou Lexa finalmente acordada e sentada em sua maca. Uma enfermeira testava seus sinais vitais e reflexos, anotava várias coisas em sua prancheta e checava os aparelhos e medicamentos.

-Bom dia. – a morena disse retirando o teste de pressão arterial de seu braço – Pronta para ir pra casa? – sua expressão era animada, até ver a que Clarke parecia triste – Aconteceu algo?

-Não, eu só- hospitais não são meu ambiente.

Lexa acenou, conhecia a loira o suficiente para saber que estava mentindo, mas não pressionaria. Voltou a atenção para a enfermeira e escutou as orientações atentamente, por mais que a presença de Clarke a desconcentrasse um pouco, ela tentava manter a concentração.

Elas finalmente saíram do hospital, Lexa andando devagar e com muletas já que foi orientava a fazer o mínimo de esforço possível nos membros inferiores. Caminharam até o carro de Clarke, que abriu a porta do carona para a morena entrar e fechou logo após. Se mantiveram em silencio até então.

-Trocou o estofamento. – a morena percebeu.

-Minha terapeuta disse que talvez ajudasse com o divórcio. – deu uma risada irônica – Mas só me lembra que troquei pra esquecer que você adorava o último.

-Tenho uma péssima notícia pra você. – Lexa olhou ao redor e colocou as muletas no banco de trás – Eu adoro esse também, você tem bom gosto.

Clarke sorriu, o interior de seu carro era uma das menores lembranças de seu relacionamento anterior. Não poderia se livrar de seus próprios pensamentos, das lembranças que seu corpo tinha do toque de Lexa, seus braços arrepiaram com o pensamento, por sorte a morena olhava através da janela.

-Eu nunca entreguei o apartamento. – disse ainda encarando a paisagem que passava – É estranhamente reconfortante pagar o aluguel todo mês e, às vezes, eu ainda durmo na nossa cama. – ela sorriu um pouco e olhou para Clarke, que não demostrou reação alguma – Sua terapeuta me odiaria.

O caminho quase inteiro foi feito em silêncio, em parte porque Lexa adormeceu, os remédios a deixavam mole e era quase impossível se manter desperta. Se cobriu com o lençol médio de viagem que sempre estava no porta malas e adormeceu assim que fizeram a primeira parada para abastecer.

Clarke permaneceu dirigindo, seus olhos focados na estrada, vez em quando em Lexa. Checava a frequência de sua respiração e lembrava de suas palavras, lembrava das palavras de Marco, dos pensamentos que tinha diariamente sobre sua relação com Lexa, sobre o divórcio.

-Droga! – disse mais alto do que gostaria, mas não abalou o sono da mulher ao lado. Parou o carro no sinal e respirou fundo. Foi quando escutou o toque irritante de seu celular, atendeu imediatamente.

-Clarke, o que você está fazendo? – a voz do outro lado disse quase num sussurro – Não pode sair da cidade sem avisar a ninguém.

-Bellamy, por favor, eu estou dirigindo.

-Você disse que íamos conversar.

-Bellamy, eu preciso de um tempo.

-Para de me chamar de Bellamy! – ele disse entre dentes, mas respirou fundo – Você não pode voltar com ela, eu amo você de verdade. Você lembra da nossa noite?

-Estou dirigindo. – disse desligando a chamada imediatamente.

Clarke olhou receosa para o banco do passageiro e ficou feliz ao se certificar que Lexa continuava em seu sono profundo, as coxas encostadas no peito e o lençol cobrindo metade de seu corpo.

Não sabia o que estava acontecendo com Bellamy, desde sua viagem. O rapaz parecia se comportar como outra pessoa, se irritava muito fácil esquecia muito os seus compromissos e se contradizia constantemente. Foi quando começaram os apagões que Octavia achou melhor indica-lo um psicólogo.

Estacionou com cuidado em frente ao terreno da casa e alisou o rosto de Lexa com o indicador, sussurrou seu nome algumas vezes, até que viu os cansados olhos verdes se abrirem devagar,

-Chegamos. – disse ainda em tom baixo – Já pode descer da carruagem, princesa.

Lexa levanta preguiçosamente, mas antes que possa estar fora do veículo a mão macia de Clarke lhe segura gentilmente e os olhos azuis lhe fitam da mesma forma.

-Eu posso te pedir uma coisa? – a pergunta pairou no ar sem reposta durante alguns segundos – Eu não pretendo te pressionar, tá? Mas eu realmente gostaria que a gente aproveitasse esse tempo pra se entender. Eu vou entender se você precisar de mais tempo o-ou, sei lá-

-Você acha que eu realmente acreditei que Luna insistiu que me trouxesse? Qual é, a gente foi casada. – sua voz ainda era arrastada, porém muito clara – Eu já desiste de tentar resistir a você, Clarke. Eu e você sabemos que é só questão de tempo até uma de nós ceder.

E saiu do carro com um sorrisinho debochado. Clarke se sentiu confusa e permaneceu calada durante alguns segundos, o medo da rejeição se tornou um divertido sentimento competitivo. Não se importaria em ser a primeira a ceder, mas não daria a Lexa o gostinho da vitória.

-Somos casadas. – ela enfatizou quando a morena já estava longe.



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