História The Final Note - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Jackson, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Lay, Mark, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Suho, Youngjae
Tags Baekhyun, Hoseok!kid, Jackson, Jhope!kid, Jikook, Jimin, Jungkook, Junmyeon, Kookmin, Mark, Menção Baekyeol, Menção Chanbaek, Menção Chanyeol, Menção Lay, Menção Yixing, Minkook, Suga, Suho, Taehyung, Taejae, Yoongi, Youngjae
Visualizações 43
Palavras 4.888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, pessoas. Sábado passado eu fiquei de postar a pt 2 do Terceiro Verso, mas quando fui fazer isso eu vi que a pt 1 foi apagada (nem sei como, mas né). Então resolvi postar logo a pt 1 e 2 juntas pra não dar tanto trabalho. Era só isso mesmo.

Desculpe os erros ortográficos.
Boa leitura🐼❤

Capítulo 7 - Terceiro Verso:


Fanfic / Fanfiction The Final Note - Capítulo 7 - Terceiro Verso:


Eu não diria que a dor de perder Lalisa desapareceu logo, mas amenizou antes do que Jimin ou eu esperávamos. Não que não continuássemos tristes; só que estávamos tão envolvidos com o pequeno Hoseok–ou Hope, como Jimin gostava de chama-lo.–que não tínhamos tempo de insistir em sofrer a perda. Fizemos o possível para concentrar todo o nosso amor e atenção no bebê que ainda tínhamos.

 Diante da insistência de Jimin, passei a tocar violão com mais frequência, não só para ele como também para Hoseok. Depois de descobrir que escutar Mozart pode ajudar e estimular o desenvolvimento do cérebro, passei a tocar um pouco sobre quando Hoseok era pequeno, embora sempre tocasse uma boa canção das que eu gostava de vez em quando para ter certeza de que ele estava recebendo um pouco de tudo. E seus olhinhos brilhavam a cada vez que eu cantava Pof, o Dragão Mágico.

 No seu quarto aniversário, Hoseok anunciou que agora era “gente grande… que nem a mamãe”–Hoseok raramente chamava Jimin de pai. Nós lhe dissemos que ele ainda era o nosso bebê. Ele olhou para nós, muito seriamente, e mostrou quatro dedinhos gordinhos–uma das coisas que havia herdado de Jimin.

—Não, eu sou grande agola. Olha quantos: um,  dois, teis, quatro!

 Isso mesmo, com quatro anos de idade, Hoseok se sentia livre para fazer qualquer coisa que sua pequena mente conseguisse imaginar.

 Embora o seu comportamento de quatro anos fosse, às vezes, exaustivo, não houve um único momento em que não amássemos ter Hoseok por perto. À noite, depois do trabalho, caminhávamos até o parque em seguida, voltávamos para casa para cantar canções ou ler histórias. Nos fins de semana, íamos andar de bonde, olhar as vitrines ou, simplesmente, ficávamos em casa sem fazer nada. Nenhum de nós se importava muito com o que estava fazendo, contanto que estivéssemos juntos.

 No fim das contas, tínhamos tudo de que precisávamos na vida, e tempos juntos, como família, para aproveitar. Mas eu ainda me sentia distante do tipo de sucesso que sempre imaginara para mim mesmo. Não conseguia deixar de me sentir inadequado a cada vez que pensava em Taehyung. Ele estava lucrando mais em juros sobre os seus investimentos do que eu ganhava por ano em salário. De alguma forma, aquilo não me parecia justo.

—Nós estamos bem.–disse Jimin, certa vez, quando comecei a reclamar do meu salário no retorno da casa do irmão dele.—Estamos felizes e não há dinheiro que compre isso.

—Depois de passar um tempo na mansão deles, você não acha que a nossa casa está um pequena? Além disso, Hoseok vai para a escola e acho que a gente poderia morar em um distrito melhor.–disse, Jimin pareceu pensar por um instante. 

—Um casa maior seria mesmo ótimo. E, talvez, um carro novo. Eu tenho a impressão de que o seu passa mais tempo na oficina do que fora dela, e o meu não vai lá aquelas maravilhas.

 Eu não disse mais nada durante o restante do percurso. Em vez disso, fiquei pensando em como é difícil progredir quando a família só depende de um salário. Jimin e eu havíamos decidido que ele esperaria para voltar ao mercado de trabalho apenas quando Hoseok entrasse para a escola. Não nos agradava a ideia de um estranho cuidando do nosso filho seis horas por dia, é claro que isso significava que todas as despesas caíam diretamente sobre os meus ombros. Era um fardo que eu carregava com prazer, mas de repente me pareceu mais pesado.

 A verdade era que eu não via jeito de ganhar mais dinheiro. Já tentara, mas de uma vez, vender minhas canções para agentes e produtores, mas nada acontecia. E embora o meu emprego trouxesse a palavra “gerente” como título, o salário pagava as contas, colocava comida na mesa, e não muito mais do que isso.

 Não mencionamos o assunto “finanças” durante vários meses depois disso. Durante esses mesmos meses, a economia sofreu alguns sobressaltos inesperados. Não demorou muito para darem início ao falatório de que teríamos uma redução de funcionários na empresa. Como não queria que Jimin se preocupasse, não mencionei nada sobre os boatos.

 Seis meses depois de os boatos terem início, um memorando foi distribuído para toda a empresa pelo Conselho explicando que tinham enfrentado a “infeliz dispensa” de diversos executivos em nossa sede de Nova York. Em seu lugar, um homem chamado Jackson Wang fora trazido para ser o novo vice-presidente de vendas e operações.

 Dali a um mês, o novo vice começou a demitir. Ele ganhou o apelido de “O Machadinha”. Apareceu de surpresa na empresa. Quando cheguei um pouco depois das sete horas da manhã, lá estava ele, com um segurança. Quando estava pronto, Jackson mandou que Jung Eunji, Gerente de Recursos Humanos, juntasse todos os funcionários para uma reunião.

 As primeiras nove palavras proferidas por Jackson foram:

—Bom dia, é um prazer estar aqui com vocês.–era tão óbvio o quanto ele estava odiando estar ali que eu quase gargalhei. O Machadinha era um homem baixo e em forma e devia ter um ou dois anos a mais do que eu. Fisicamente, ele até era atraente, mas bastaram aquelas nove palavras para eu saber que o homem daria trabalho. As dez palavras que se seguiram confirmaram o meu julgamento.—O meu objetivo hoje é implantar algumas mudanças muito necessárias.

 Fomos informados que os demitidos seriam chamados à sua sala para conhecerem os termos da rescisão para, em seguida, serem acompanhados pelo segurança para fora do prédio.

 Após concluir seu discurso, ele caminhou até a sala da gerência geral. O nome da primeira vítima foi chamado e então começou o abate. Ficou claro que a lista de demissões de Jackson estava em ordem alfabética por nome. Como dono de um nome com a letra  “J”, depois que passou foi um alívio pra mim. Meu próprio chefe, Mark, ficou soando frio até praticamente meio-dia quando, finalmente, passaram a letra M.

 A essa altura, eu já havia parado de assistir ao desfile. Fiquei sentado na minha sala tentando trabalhar até aquilo tudo terminar.

 Com o alfabeto finalizado, aqueles que ficaram respiraram aliviados, embora o momento fosse igualmente tenso. Vários daqueles que mantiveram seus empregos, choravam. Como gerente, senti que era meu dever encorajá-los.

 Enquanto eu conversava com as pessoas, Eunji saiu outra vez da sala de Jackson e chamou Mark. Tive a sensação de ele ter passado uma eternidade lá dentro, embora o relógio da parede tenha marcado apenas vinte minutos até a porta se abrir outra vez e Mark sair. Achei que o sorriso em seus lábios fosse um bom sinal, mas não explicava por que o segurança caminhava ao seu lado. Juntos foram até a sala de Mark. Alguns minutos depois, quando reapareceram, Mark trazia uma caixa com seus pertences.

 Ao passar por mim, Mark me deu um sorriso fraco, um aceno e se foi.

 Trinta segundos depois, enquanto meu coração ainda batia descompassado, Eunji se aproximou. Meu coração quase sai do lugar.

—Sr. Jeon, o Sr. Wang gostaria de falar com o senhor.



Você chegou cedo hoje.–disse Jimin, quando entrei na cozinha.—Está tudo bem, meu amor?

—Foi um dia difícil. Um homem da sede esteve com a gente. O apelido dele é O Machadinha porque tem um talento todo especial para reformular negócios. Eles, ou melhor ele, reduziu a nossa equipe pela metade.

—Então você… faz parte dessa metade?

—Não, mas é possível que o meu destino seja ainda pior. Demitiram o Changkyun. Iam nomear o Mark gerente-geral, mas ele decidiu aceitar um pacote de demissão. Ao que parece, vinha procurando uma forma de voltar para Taiwan.

—Nossa! E então, quem vai substituir o Changkyun?

—Eu.–suspirei.

—Você?–deixou uma risada abafada escapar.

—Loucura, não é mesmo?

—Não, tenho certeza de que vai se sair muito bem. É só que, para mim, você continua sendo aquele rapaz que tocava música na rua, não um executivo. A sua agenda vai mudar muito?

—Essa é a desvantagem, significa várias viagens. Muito dos nosso principais clientes estão em Los Angeles, Hong-Kong, Japão e em San Diego. E eu vou ter que ir para Nova York de vez em quando para reuniões com o Jackson.

—Quem é Jackson?

—Meu novo chefe, O Machadinha. Meu supervisor, agora, é o vice-presidente.

—Uau, olhe só para você.

—Eu juro que não há glamour nenhum nesse emprego. Depois de perdermos aquele pessoal todo, a equipe vai ficar sobrecarregada. Vou ter que trabalhar como um louco só para manter as coisas funcionando.

—Eu sei que você dá conta.–me abraçou.

—Obrigado pelo voto de confiança.–sussurrei. Infelizmente, eu sabia que meu chefe não compartilhava do mesmo pensamento.

—Considere esta uma posição temporária, se desejar.–dissera Jackson.—Se for bem-sucedido, ela poderá se tornar permanente. Se não for… bem, acho que você compreende o que está em jogo.

 Claro, o meu emprego. Mas não compartilhei essa parte com Jimin.

—Posso perguntar se com a nova posição vem um aumento?–Jimin brincou.

 Jackson não achava que eu merecia mais dinheiro, mas Eunji lhe disse que, legalmente, todos precisam ser pagos de acordo com a faixa salarial da posição ocupada. Quando me disseram qual era a faixa salarial de um gerente-geral, eu quase engasguei.

—Essa, meu amor, é a única boa notícia em meio a isso tudo.–sorri.—Acho que vamos poder nos mudar para um lugar maior, no distrito de sua escolha.

–Jura?–se afastou para me encarar. Seus olhos brilhavam em alegria.

—Juro, mas lembre-se de que se eu quiser ficar com o salário mais alto, isso vai exigir um enorme sacrifício de todo mundo. Não vou passar tanto tempo em casa. Você vai lidar bem com isso?–disse, e o puxei pela cintura para que ficasse mais próximo de mim.

—Quanto você vai ganhar a mais, exatamente?

—Um pouco mais do que o dobro.–sussurrei em seu ouvido, e logo em seguida o ouvi soltar um gritinho de felicidade e voltar a me abraçar.

—Então é um sacrifício que eu acho que posso fazer!



 Olhando para trás, talvez Mark tenha sido sábio em pegar o dinheiro e dar no pé. Jimin e eu havíamos reconhecido, desde o início, que a posição de gerente-geral traria sacrifícios, e trouxe. Para início de conversa, viajei quase uma semana sim e outra não. Jimin encontrou uma casa em um distrito nobre que fica trinta minutos mais longe da empresa. Com uma hora de deslocamento até o trabalho, só de ida, longos dias de reuniões e um chefe que mais parece Hitler, toda a minha existência se transformou em um sacrifício.

 Os anos que se seguiram passaram em um piscar de olhos. De repente, Hoseok tinha seis anos e estava na pré-escola. E, a cada dia, se parecia um pouco mais com Jimin–baixo, naturalmente lindo e com um sorriso capaz de desamarrar qualquer ser humano.

 Um pouco depois de Hoseok fazer seis anos, Jackson me convidou para almoçar durante uma de minhas visitas a Nova York e me surpreendeu fazendo o primeiro quase elogio que vi escapar de seus lábios.

—Eu raramente me engano com relação as pessoas. Para mim, você era um tipo criativo que jamais conseguiria ter sucesso como executivo, mas mostrou que eu estava errado.

—Obrigado, eu acho.

—De nada, JungKook. Sei que posso contar com você para fazer o que for necessário para que as coisas aconteçam, e é por isso que estou te nomeando Vice-presidente de Operações dos Estados da Costa Oeste.

 Mais demissões viriam em diversos escritórios, incluindo o que eu estava, por isso decidiram me tornar responsável por todas as empresas localizadas no oeste. Isso lhes permitia cortar os gerentes-gerais de outros locais e jogar a carga de trabalho deles em cima de mim.

 A medida que o tempo foi passando, Jimin foi se tornado cada vez menos adaptado às demandadas que o trabalho impunha no meu tempo, embora ambos aproveitássemos das recompensas financeiras da minha posição.

—Eu não entendo por que você tem que passar tanto tempo fora.–dizia ele.—Eles realmente exigem demais de você, ou é você que se sente mais feliz no trabalho?–esse último comentário doeu. Eu odiava ficar preso no trabalho e não ter tanto tempo assim. O único motivo pelo qual eu continuava a trabalhar era por ele e por Hoseok.

—Vou diminuir o tempo de trabalho em breve.–eu lhe assegurava.

 O ano em que Hoseok fez sete anos foi o mais estressante de todos. A maioria das empresas com as quais lidávamos cortou seus orçamentos se marketing drasticamente como forma de ajustar as despesas durante a recessão, então tínhamos que lutar por cada vitória junto com os clientes. Isso significava mais planejamento, mais reuniões, mais visitas a clientes em outros países e mais ligações de Jackson me pressionando para aumentar o ritmo de trabalho das equipes.

 Mas não era só o trabalho que me estressava. Às vezes, estar em casa também era difícil. Em várias ocasiões, durante aquele ano, Jimin e eu discutíamos sobre coisas estúpidas. A mais idiota de todas foi a redecoração de um dos cômodos da casa. 
 Ele pediu a minha opinião sobre qual cor pintar a nossa suíte. 

—Pinte da cor que você quiser.–eu disse.

 Na noite seguinte, no entanto, ele trouxe várias amostras de tinta para dentro do meu escritório enquanto eu trabalhava.

—Posso interromper?–perguntou.

 Eu estava no meio da criação de uma lista hierárquica de todos que trabalhavam comigo. Íamos ter mais demissões e cabia a mim a tarefa de decidir quem ficaria e quem iria embora.

—Já interrompeu.–eu não queria dizer isso, mas foi o que saiu.

—Só vai levar um minuto.–ele me entregou duas amostras.–Para as paredes, você vai querer cor de algodão cru ou cereja queimada?

—O avermelhado.–eu esperava que fosse a que ele gostava, assim não haveria negociação.

—Ótimo. E o teto?–me passou outras duas amostras.—Flor de macieira ou linho extravagante?

 Eu não parava de pensar nos nomes das pessoas que estava prestes a mandar para tornar longa as filas de desempregados. Então, quando vi as cores que ele me entregava, perdi totalmente a paciência.

—Está falando sério, Jimin? Quer que eu escolha entre branco e branco?

—Não, o linho é mais denso e um pouco mais quente.

—Você quer a minha opinião? Use qualquer um dos dois.–bufei.

—Ah, é? E você quer a minha opinião? A minha opinião é que a sua opinião é… é simplesmente idiota. Meio que nem você, ultimamente.

—É mesmo?–joguei as amostras de tinta no chão, aos seus pés.—Então eu sou idiota? Branco é branco, meu bem, quer você goste ou não.

—E você não acha coisa de idiota não se importar com nenhumas das coisas que importam para mim? Antigamente você se importava.

—Eu não tenho tempo para isso.–comentei, para então voltar ao meu computador.—Essa é a discussão mais estúpida que já tivemos. Ah, desculpe, eu quero dizer, a mais idiota.

—E não é idiota a gente continuar casado?–aquele comentário me deu calafrios.

—O que quer dizer?–me virei e ele deu de ombros.

—Quando você encontrar tempo na agenda e parar para pensar um pouco, tenho certeza que vai entender.

 Aquela foi a primeira vez que ele sugeriu haver buracos na blindagem que protegia o nosso casamento e que agora, corria o risco de se romper. Mas não seria a última.



 Três semanas antes do oitavo aniversário de Hoseok, Jimin me ligou enquanto eu jantava em Las Vegas com um grupo de executivos de hotéis que estava vendo os seus lucros despencarem sem parar e que queriam uma solução para os seus problemas. Era o tipo de negócio que não podia ser interrompido por um cônjuge, então deixei que caísse na secretária. Quando voltei para o hotel, retornei a ligação.

Já é quase meia-noite.–disse secamente, assim que atendeu a ligação.

—Eu sei, sinto muito, mas esses sujeitos tinham muito o que dizer.

Você tem certeza de que não… está fazendo alguma besteira? Afinal de contas, está em Las Vegas.

—Jimin, eu espero que não esteja falando sério. Sou eu.

Ultimamente nem sei quem você é. Você sabe que o aniversário do nosso filho está chegando, não sabe?

—Sei, eu recebi a sua mensagem sobre a festa.

Precisa ter certeza de que vai ter aquela tarde livre.

—Eu peço para a minha secretaria cuidar disso amanhã de manhã. 

Não se esqueça, por favor. Você já perdeu a peça dele na escola, a apresentação de dança e várias outras coisas às quais ele queria que você assistisse.

—Eu sei, vou estar presente. Prometo.

 Jimin deixou que minhas palavras pairassem no ar. Quantas coisas eu tinha prometido fazer ao longo dos anos? Quantas dessas promessas eu havia cumprido? Tentei não pensar nisso, mas eu estava cumprindo à risca a promessa de cuidar da minha família e suprimir as necessidades dela. Será que isso não servia para equilibrar as coisas?

 Dois dias depois, quando eu voltei para casa, Jimin e eu estávamos conversando no terraço, à noite, tentando atualizar um ao outro sobre nossas vidas. Ele me contou sobre o que Hoseok andava aprontando e eu lhe disse pequenos detalhes sobre os locais que já estive e os negócios que fechei.

 Depois de um tempo ele me perguntou se eu havia separado tempo na minha agenda para o aniversário de Hoseok. Eu não tinha, mas menti.

—Obrigado.–ele pareceu aliviado.—Também precisa comprar um presente para ele. Não me entenda mal, mas estou cansado de comprar as coisas e dizer que foi você quem deu, acho que ele já notou.

—Você está certo, mas do que ele gosta agora? Bonecos? Bicicletas?

—JungKook, eu não deveria dizer coisas desse tipo para você… você deveria saber.–deixei que o comentário me incomodasse mais do que de costume.

—Eu adoraria poder passar mais tempo com Hoseok, mas tenho trabalhado como um louco para você poder aproveitar esse estilo de vida com o qual se acostumou.

—O que você quer dizer com isso, Jungkook?

—Você me ouviu. Enquanto eu me mato de trabalhar todos os dias, você pode ficar em casa, pode sair com os amigos, dormir direito, fazer o que bem entender. Não tem nenhuma responsabilidade.–esbravejei, vendo o rosto de Jimin ficar em um tom forte de vermelho.

—Bem, alguém tem que criar o nosso filho! Como isso não é uma responsabilidade?

—O que foi que aconteceu com a ideia de você voltar a trabalhar quando Hoseok entrasse na escolinha, Jimin? Ele está no terceiro ano! Não reclame sobre eu nunca estar presente a não ser que esteja disposto a tornar isso realidade. Porque eu posso te garantir que no momento que eu diminuir o tempo no trabalho, O Machadinha encontra alguém para colocar no meu lugar. E eu duvido muito que o seguro-desemprego vá querer pagar por tudo isto.–fiz um gesto que incluía a casa.—Por acaso é o que você quer?

—É claro que não! Eu só quero…–ele deixou as palavras serem carregadas pelo vento. A raiva de seu semblante se transformou em tristeza.

—Você só quer o quê, Jimin? A casa, o jardim perfeito, os carros novos, tudo isso que você já tem e eu, por perto, o tempo todo? Não dá.–vi seu semblante mudar de novo, e ele se levantar rapidamente da cadeira.

—Eu ia dizer que só quero o meu marido de volta… mas agora eu já não tenho tanta certeza disso.–e, com isso, deu as costas e entrou para dentro pisando forte.

 Trinta minutos mais tarde, achei que era melhor entrar e tentar resolver as coisas. Eu tinha outra viagem de negócios no dia seguinte e não queria ir com as coisas fora dos eixos. Encontrei Jimin em nossa cama.

—Eu sinto muito.–comecei.

—Eu também.–disse, com a voz ainda tensa. Deitei-me ao seu lado e fiquei olhando na mesma direção que ele olhava.

—Tem alguma coisa interessante aí em cima? No teto?

—Tudo que vejo é um espaço branco caótico. Me faz pensar no nosso casamento.

—Ah, mas isso não é branco, é linho extravagante. Há nove meses, o artista em você me garantiu que é muito mais denso e quente do que o branco comum.

—Não sei se o artista ainda existe. Para mim, agora, é só branco.

—Tudo bem, o músico em mim também parece ter desaparecido.–disse. E ele finalmente se virou para me encarar.

—Isso é tão triste. O que foi que aconteceu com nossos sonhos, JungKook? A gente devia estar compartilhando essas coisas com o Hope e, em vez disso, simplesmente desistimos delas.–soou triste, mas eu não tinha uma resposta para lhe dar.—Você me perguntou o que é que o Hope gosta hoje em dia, JungKook. Além de dançar ele gosta de música, JungKook. Ele ama música tanto quanto ama dança. É do que ele mais gosta na escola.

—Então, você acha que eu deveria comprar um iPod para ele?–perguntei, ouvindo ele soltar um gemido de frustração.

—Eu estava pensando que seria um bom momento para você comprar um violão para ele. Um que fosse bem do tamanho dele.

—Ah, ótima ideia.

—Mas, JungKook?

—Sim?

—Um violão não passa de um objeto. Você também vai precisar lhe dar aulas, ensinar ele a tocar, compartilhar o seu talento.

 Considerando a minha atual rotina de viagens, Hoseok teria que começar a se esconder na minha mala se eu fosse ter tempo para lhe dar aulas, mas eu achei melhor não dizer nada naquele momento.

—Eu prometo, sem dúvida. 

—Ótimo.–foi só o que ele respondeu. E sem dizer mais nada, ele se virou e adormeceu.


 Na tarde seguinte, voltei para Las Vegas e passei três dias lançando ideias para a cadeia de hotéis. De lá, passei por vários outros lugares. Quando finalmente retornei para casa, só faltavam quatro dias para a festa de aniversário de Hoseok.

 O primeiro desses dias foi passado em longas reuniões com a equipe de criação local. Jimin me ligou para saber se eu tinha encontrado tempo para comprar o violão.

—Amanhã.–eu respondi.

 No dia seguinte, recebi uma ligação parecida. E no outro também. E as respostas eram sempre as mesmas: “Amanhã”.

 Quando cheguei em casa à noite, dois dias antes da festa, Hoseok já estava dormindo. Jimin estava no sofá, seu rosto mostrava sinais de que estivera chorando.

—O que aconteceu? Está tudo bem?–me sentei ao seu lado.

—Não.–se esforçou para dizer.—Não está tudo bem. JungKook, eu tenho e impressão de que estou por um triz. De que não vou aguentar mais.

—De que não vai aguentar mais o quê? 

—Para início de conversa, eu me sinto como uma mãe solteira, ou pai, sei lá! Você não está aqui nunca. Nunca. Hope e eu estamos sempre sozinhos. Você tem ideia do que a gente daria só para passar um pouco de tempo com você?

—A gente já não teve esta conversa uma cem vezes, Jimin? A única coisa que eu gosto sobre o meu emprego é o fato de sustentar a nossa família. Então, a não ser que você vá me dizer que está pronto para trabalhar outra vez para ajudar a pagar as contas, eu não sei por que está chorando.

 Então ele soltou a bomba:

—Eu estou pronto.

—Como?

—Estou pronto para arranjar um emprego, se for necessário. Eu fico feliz por você ter um bom emprego. E eu fico grato por você nos sustentar dessa forma. Mas quando me casei com você, eu me casei com você, não com a sua renda.–Jimin fez uma pausa para pegar um conhecido saquinho branco de vômito de cima da mesa de centro para atirá-lo sobre meu colo.—Você se surpreenderia em saber com que frequência eu pego isto para ler, JungKook. Na riqueza e na pobreza, se lembra? Se na riqueza significa que eu tenho o seu dinheiro, mas não tenho você, então escolho na pobreza.

 Eu não sabia o que dizer. Em certa altura, concordamos em trocar tempo por dinheiro e, agora, ele queria fazer a mesma troca ao contrário. 

—JungKook, você entende o que eu estou dizendo?

—Que preciso diminuir as horas no trabalho?

—Não, eu estou dizendo que preciso de um marido. E que Hope precisa do outro pai. A vida está se esvaindo, e não posso apenas ficar sentado à espera de um momento mágico no futuro quando, subitamente, nós nos transformaremos em uma família feliz outra vez. Eu preciso de você e preciso agora.–ele apontou para a lista de promessas de casamento que eu anotara havia anos naquele saquinho.—Se você não estiver disposto a cumprir essas coisas, então…

—Então, o quê?–pressionei. A sugestão de divórcio era óbvio; eu queria que ele fosse direto e dissesse o que pensava de uma vez.

—Não permita que as coisas cheguem a esse ponto, JungKook. Quero que o nosso casamento dure. Mas, sinceramente, para isso acontecer, eu preciso que você seja o homem que escreveu essas coisas maravilhosas no dia em que nos casamos. Eu estou cansado de promessas não cumpridas.

  Eu compreendia o que ele estava dizendo, mas cumprir aquelas promessas a risca traria consequências que me levavam a sérias ponderações.

—Eu quero o mesmo que você, Jimin. Mas esse é um ultimato e tanto: abra mão do seu emprego ou perca a sua família. Eu tenho a sensação de que se abrisse mão do meu emprego também seria o fim da nossa família.

—Você não me ouviu? Eu não quero saber do dinheiro. Talvez me importasse antes, mas não me importo mais. Não vale a pena.

Eu me encostei no sofá e deixei escapar um longo suspiro. Tive a sensação de que todos os sucessos pelos quase eu tanto lutei estavam sendo exalados com aquele ar. O que Jimin me pedia era o equivalente a um suicídio profissional e eu não estava certo de que era capaz de puxar o gatilho. Tem que haver outra forma.

—Vou pensar em alguma coisa, Jimin.




 Hoseok e Jimin ainda dormiam quando saí para o o escritório na manhã seguinte. O único tempo que eu tinha entre às sete horas da manhã e às sete horas da noite era o intervalo de noventa minutos reservado na hora do almoço para comprar um violão para Hoseok.

 Ao meio-dia eu estava me arrumando para sair quando Jackson ligou de Nova York.

JungKook?–começou, sem nem mesmo dizer um “alô”.—Acabei de enviar um e-mail para você. É um projeto para um cinema que está promovendo uma coisinha a mais para promover um filme novo. É algo que o produtor bolou para dar ao seu time de criação uma ideia do que está buscando. Ele quer se encontrar com você hoje para discutir a ideia. Jisoo já me disse que você só está disponível até uma e meia, então ele está indo para aí. 

—Estarei pronto quando ele chegar.–engoli a seco.

Ótimo.–disse ele, secamente, e desligou.

 Vinte segundos depois, eu estava no celular com Jimin.

—Você pode, por favor, salvar a minha pele com o presente de aniversário? Pode sair e comprar o violão esta tarde? Eu não vou ter tempo. A melhor loja de instrumentos fecha às oito horas e eu não tenho certeza se consigo chegar lá antes de fechar.

Você não consegue manter as suas promessas nem por um dia.–ele pareceu emocionalmente exausto quando falou.

—Jimin, eu tenho que fazer o meu trabalho.

Eu não aguento mais viver assim, JungKook. Alguma coisa vai ter que mudar, ou o nosso casamento não vai mais existir.

—Jimin, vai ser diferente. Mas será que dá para você comprar o violão do Hoseok esta tarde?

E amanhã à tarde?

—Como assim?

É  festa do Hope, você tirou a tarde de folga?

 Droga! Eu vinha falando em tirar metade de um dia de folga há semanas, mas vivia me esquecendo. Não queria mentir, mas não tive escolha.

—É claro que sim. Eu disse que já cuidei disso, pedi para a minha secretária deixar a minha agenda livre.–respondi, e logo ouvi ele começar a chorar.

Conversei com e-ela hoje, mais cedo. Deu para perceber que ela não sabia nada a respeito. E-está mentindo p-para mim, JungKook! Eu posso tolerar um monte de coisas, mas essa não é uma delas.–disse enquanto soluçava.—E-eu não sei se posso comprar o violão para você. Preciso de tempo para decidir se o meu amor por você é suficiente para continuar tentando fazer isto funcionar, sozinho. Não estou pedindo mais do que essa família merece.–terminou de falar e logo em seguida desligou.

 Tinha razão. Eu estava tão concentrado em manter a minha família financeiramente que havia esquecido de suas outras necessidades. E, pior, eu me permitir se mandado por Jackson. Mas estava pronto para mudar, eu tinha que mudar.

 Jisoo, minha secretaria, colocou só a cabeça dentro da minha sala.

—O produtor chegou, posso deixar ele entrar?

—Pode sim, obrigado. Ah, e, Jisoo? Se importa de deixar o dia de amanhã livre na minha agenda? Vou tirar o dia de folga.

—Pode deixar, Sr. Jeon.–ela se virou para sair.

—Espere! Pensando bem, separe as próximas duas semanas.

—E as suas viagens?

—Cancele tudo, por favor. Vou enviar uma mensagem para Jackson avisando sobre isso. Não tiro uma folga há mais de um ano.



 E se eu soubesse o que estava por vir, teria tirado muito antes.
 


Notas Finais


É isso.Até o próximo capítulo.


Kissus🐼❤


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