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História The First Girl I Loved - Capítulo 35


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Capítulo 35 - Preciso de você aqui comigo.


Fanfic / Fanfiction The First Girl I Loved - Capítulo 35 - Preciso de você aqui comigo.

Era provável que eu jamais a esquecesse. Porém, ainda assim, queria que, em um dia qualquer, ela chegasse de fininho, que me abraçasse apertado e dissesse que ficaria. Mas ela já havia partido... E, dessa vez, para nunca mais voltar.

Ashley estava agora próxima à atmosfera. Era quente como o verão e dócil como a chuva de primavera. E ainda tinha olhos oceânicos, que se misturavam com o azul do céu e fundia a minha mente. Ela era uma garota tão bonita... A mais bonita. E quando ela se foi, eu me lembrava do seu amor todos os dias. Nossa amizade havia me marcado pela vida inteira.

Naquele momento, eu tive um reflexo de memória enquanto encarava o jarro de girassol sobre a mesinha-de-cabeceira. O fato de que essas lembranças me deixavam embaraçada era suficiente para navegar através da Via Láctea, rever alguns rostos, precisar de amor.

Esta não era a primeira vez que acontecia, por isso fiquei por muito tempo olhando-me pelo interior do meu próprio corpo, sentindo todas as minhas cicatrizes, elas reais e imaginárias. Foi um momento de reflexão. Um momento que há muito tempo não sentia porque havia estado longe do meu próprio corpo, da minha cabeça e do mar de profundidade que existia no meu coração. O aconchego em meus olhos era notável. E eu me permiti sentir saudades dela.

“Eu trabalhava no cinema do bairro, então estava constantemente cheirando a manteiga derretida e pipoca natural.

Era comum que Ashley me lançasse aquele seu olhar rígido sempre que falávamos sobre o baile. Todo ano aquela conversa se repetia, mas eu só queria poder usar minha calça jeans favorita e uma blusa xadreza. Estava na classificação de pessoas mais chatas do mundo.

— O vestido salmão ficou bem melhor em você. — contou a menina, resmungando, mas ansiosa.

Eu sorri.

— Odeio vestidos, Ashley. É melhor se acostumar com isso. — ela me encarou pouco paciente e saltou da cama, prestes a me contra-atacar. Foi quando Ashley correu até sua mochila, retirando desta vestimentas azuladas, quase tão brilhantes quanto o par de olhos que tinha naquele rosto impressionantemente belo. — O que pensa que está fazendo? N-Não. Negativo!

— Selena! — ronronou. — É um baile. — olhou-me com clareza. —  Tenho pena do homem que se casar com você. Provavelmente vocês irão competir um com o outro quem estará usando o terno mais bonito da cerimônia.

— E eu não poderia?

— Claro que poderia. Você é a dona do seu próprio universo. — bati em seu braço, bem de leve.

— Para a sua informação, eu não irei me casar. Nunca. Eu não acho que exista algum cara bacana por aí para mim. Eu meio que já desisti dos homens. E tudo bem, meu foco é o atletismo. Posso viver bem só com um cachorro e algumas maratonas.

— Por que você tem uma buceta, hein?

— Bem, algumas trepadas não seriam uma má ideia. — ela se dobrou de rir. — Por que tenho que ir a esse baile?

— Porque você é minha acompanhante, ora bolas. — revirou os olhos, com bastante seriedade.

— Você poderia ter ido com o Rogers. Eu provavelmente me sairia bem dando algumas voltas pelo quarteirão.

— Não seria a mesma coisa. — Ashley tinha um jeitinho único de me convencer a fazer coisas as quais eu não queria.  E isso não era justo. — Você sabe que o único cara com quem eu queria ir a esse baile foi o único que não me convidou.

— Me pergunto até quando terá medo de chama-lo para sair.

— Ei! — exclamou a menina. Então, voltou-se à cama, jogando-se entre as mudas de roupas que por ali eu havia deixado desde a sua chegada. — Toda vez que eu vejo o Ryan, meu corpo trava. É difícil.

— Você é uma cagona, Benzo. — debochei.

Ashley deu uma risadinha enquanto encarava a janela e o horizonte ensolarado que engolia a cidade.

— As coisas vão mudar quando formos para a faculdade. Ryan provavelmente vai conseguir uma bolsa esportiva com o futebol e eu tentarei uma bolsa acadêmica para a mesma faculdade que ele.

— Se você não consegue conversar com o Ryan nesse momento, não será na faculdade que irá conseguir.

— É que... Talvez ele não goste de garotas como eu.

— Como é?

— Sabe... Eu estou acima do peso.

— Você não está acima do peso, Ashley.

—  Para uma atleta, eu estou, sim. — revirei os olhos. Estava me cansando daquela conversa. — Você sabe que eu só me tornei uma corredora por causa de você, não sabe? — mexi a cabeça dizendo que sim. — E eu só continuei na equipe porque era um jeito menos difícil de perder peso. No final, você será uma grande corredora, participará de maratonas por todo o mundo e eu serei uma astrônoma. E, então, me casarei com o Ryan e teremos uma filha chamada Vênus. Porque esse é o meu planeta favorito e... Bem, Vênus é o nome da deusa romana da beleza e do amor.

— Eu admiro essa relação imaginária que você criou com o Ryan por medo de dizer a ele o que sente. É fofo. De verdade. — ela sorri. — Mas já parou para pensar que talvez ele se sinta da mesma forma?

— Se sente, por que não diz nada?

— Pelo mesmo motivo que você também não diz. — ela era uma menina insegura, apesar de não parecer, mas estava trabalhando nisso como ninguém.

— Certo, esquisitinha... Você tem razão. Satisfeita? Era isso que queria ouvir de mim? — mexi os ombros. — Agora, vamos esquecer esse assunto e focar no baile. Você ficará linda nesse vestido azul.

— Você não vai desistir disso, né?

— Você sabe que eu posso fazer isso o dia todo. E talvez você encontre um cara bacana essa noite.

— Você sabe que nenhum cara daquele colégio tem interesse em mim.

— Muitos jogadores já te chamaram para sair. Você quem não quis.

— Eles só querem sexo, Ashley, eu nunca serei mais do que isso para nenhum deles. E tudo bem, todo ano você é minha acompanhante mesmo. No final do dia, nenhuma companhia é melhor do que a sua.

Ela sorriu. E isso encheu meu coração de ternura.

Eu só poderia estar sob uma maldição, mas Ashley era encantadora como ninguém. Na verdade, ela era como uma força da natureza.”

Fiquei vermelha de vergonha quando Fred apareceu no quarto após dar algumas batidinhas na porta. O rosto dele estava tão corado quanto as minhas bochechas, pois sabia que havia atrapalhado um momento que para mim parecia importante.

Foi bom voltar à realidade, mesmo que aquela lembrança fosse especial. Eu tinha lá meus quinze anos. Achava que sabia de tudo.

— E-Eu... — gaguejou o homem. — Vim medir sua pressão... Ver como você está. — então, voltou-se a mim, segurando firme sua maleta e pisando forte nos sapatos categóricos.

A espinha das minhas costas se enrijeceu quando endireitei a postura.

Fred posicionou-se em minha frente. Tirou de sua maleta um aparelho eletrônico e começou a manuseá-lo com facilidade. Percebi que ele poderia fazer aquele procedimento até de olhos fechados.

Em sequência, colocou uma braceira em meu braço esquerdo, sem folgas, e pediu para que eu relaxasse e virasse a palma da mão para cima. A braceira começou a inflar. Não falei e tampouco me movi. E após alguns segundos, a braceira passou a desinflar, seguida de alguns números surgindo no visor do aparelho.

— Você parece ótima. — então, começou a recolher suas coisas. — Como foi a última noite? Sente alguma dor? Sente que há algo diferente em você?

— Sinto que me canso com muito mais facilidade do que antes, quando ainda era... Soropositivo. Talvez por conta da transplante renal, eu não sei. — mexi os ombros. — Minhas pernas não parecem mais as mesmas. Às vezes sinto medo de cair. É como se elas pudessem falhar a qualquer momento.

— Entendo. — Fred pensou. — É normal. Seu corpo ainda irá se adaptar ao mundo outra vez. E se quer minha opinião, acho que está indo até bem demais para uma pessoa que ficou quase quatro anos em uma cama.

Soltei uma risada sem graça

— Isso ainda é meio doido.

— Imagino que seja.

Fred endireitou a postura e caminhou até a saída, prestes a deixar o quarto. Mas antes de sair pela porta, virou-se por conta do rosno que soltei para chamá-lo.

— Obrigada por ter... — agora, seu olhar amoleceu. — Por ter cuidado de mim em todos esses anos.

— Não me agradeça. — Fred suspirou. Ele parecia um homem cansado. — Eu devia isso a você.

Baixei os olhos, ouvindo a porta bater. Então, estava sozinha de novo.

Tão logo ouvi um gruído baixinho. Virei a cabeça para trás, vendo uma caixa de sapatos se movendo pelo quarto até bater na parede e dali sair aquela bola de pelos dourada e pequena. Então correu até os tênis de Justin para brincar com os cadarços desamarrados, rosnando para a mosquinha que pousava constantemente em seu focinho gelado e negro.

Soltei uma risadinha e me levantei. Assim, sentei-me ao seu lado, apanhando Bailey nos braços. Ele se animou, passando a língua em meu rosto.

— Ah... Mas o que é isso, hein? — fechei os olhos, desviando de suas lambidas com gosto de ração e terra. — Você é um bom menino, Bailey.

E novamente aquilo aconteceu, mas, dessa vez, foi diferente. Veio-me um silêncio e uma escuridão singular, e que ainda assim me parecia íntima. Dois olhos acastanhados, como nozes, encarando-me com felicidade. E tudo aquilo que eu evitei em todo o meu dia, simplesmente apareceu naquele instante.

“Ele brincava com os lençóis da cama, rosnando para eles como se tivesse descoberto uma ameaça entre cada fiapo preso em seus dentes caninos.

Meu corpo doía, mas preferi me concentrar em Buck.

— Você não pode fazer tanto barulho. Assim, acordará a casa toda e o Justin ficará muito zangado. — falei, mas ele me olhou sem entender.

Talvez Buck nem desse à mínima para o que eu estava dizendo sobre sua façanha com os lençóis.

Ele se colocou sobre as quatro patas e caminhou ligeiro até mim. Inclinei-me, por fim. Nossos narizes se tocaram. E, assim, afaguei seus pelos incrivelmente macios e dourados. Buck me encarava singelo. Eu podia, então, ouvir as batidas do meu próprio coração.

Buck não fez nenhum barulho. Só olhou-me atento, como se tentasse entender quando eu soltei uma tosse seca e caminhei até o banheiro, pronta para retirar os brincos e toda a minha roupa.

Um nó formou-se em minha garganta e uma dor afiada penetrou minha pele, como se estivesse arrancando-a de mim. Tudo aconteceu muito rápido. Aquele embrulho que apareceu subitamente em meu estômago, trazendo à tona um líquido pastoso e vermelho que soltei na privada, quase abraçando-a enquanto tentava manter os cabelos para trás das costas. Sentia como se uma lâmina cortasse minha garganta. A dor era quase insuportável.

Meus olhos lacrimejaram diante da dor no estômago que se formou nos próximos segundos, enquanto também sentia o sangue descendo pelas minhas narinas e se dividindo ao chegar aos lábios, desenhando todo o contorno da minha boca.

Ouvi alguns latidos.

— ‘Tá tudo bem. — tentei acalmá-lo, mas ainda assim ele trouxe-me entre os dentes um lençol. E só nesse momento senti que meu corpo estava frio como um cadáver e imaginava como minha aparência estava naquele minuto. — Você é um bom menino, Buck.

Buck pareceu desorientado e danou a latir. Passara o focinho em meu rosto, e assim, teve seus pelos manchados de sangue. Então, correu para longe do banheiro. Estava tentando me cuidar... Me proteger.

Então, lembrei-me de sair da picape de Lucas nos braços de Justin. E antes de fechar os olhos, olhei para Buck... E ele me olhou de volta. Aquela foi a última vez.”

Eu queria que tivéssemos tido mais tempo...


À noite

Comecei a reunir alguns pensamentos inéditos enquanto me olhava pelo espelho do quarto. Já havia chorado muito antes de estar naquela posição, porque reencontrar meus pais foi um momento único. Portanto, depois de muita choradeira, eu estava diante de Sandra e Grace com o meu vestido de noiva. E nenhuma delas parecia ter gostado do amarelo que banhava o meu corpo.

— Amarelo? — perguntou Sandra, sem expectativas.

— Você está muito básica. — contou minha sogra, mas ela não queria me chatear.

— Eu gostei. — falei, forçando um sorriso através do reflexo por onde eu as encarava. — O amarelo diz muito sobre a minha relação com o Justin. É especial para mim.

— Vocês realmente são muito estranhos. — minha mãe danou a rir. — Mas hoje com certeza é um dos melhores dias da minha vida. E eu estou muito feliz pelo que está acontecendo. — ela levantou-se devagar e caminhou até mim. Colocando suas mãos em meu corpo, sentiu meu coração disparado no peito. — Eu amo tanto vocês dois. — seus olhos carregavam lágrimas que aos poucos foram pincelando todo o seu rosto. — Quem além de mim e daquele idiota amaria tanto a minha menina?

Isso foi um choque de realidade para mim.

Mas a beijei na mão, espantando alguns pensamentos.

Sandra aparentava uma mulher tão mais feliz do que quando a vi pela última vez.

— Nossa! O jardim está a coisa mais linda do mundo. O Justin realmente se superou... — Ryan apareceu estupefato, mas parou de falar quando me encarou. — Wow! Você está linda, Selena!

— Pelo menos alguém gostou do meu vestido amarelo. — a gente riu. — Obrigada, Ryan. — acabei sentindo um aperto no coração, algo sobre o qual eu não entendia muito bem, mas que naquele momento me assustou. Em seguida, Bailey começara a mordiscar a barra do meu vestido, rosnando para o pano que caia pelas minhas pernas. — Ei, nada disso. — peguei-o no colo. — Vai ficar tudo bem sozinho aqui, chefão?

 — Selena, você ficará fedendo a cachorro. — Grace resmungou. — Vamos, coloque-o no chão antes que seu vestido encha de pelos.

Ela me olhou autoritária, portanto, não tive como protestar.

— ‘Tá na hora? — olhei para Ryan. Ele demorou quase cinco segundos para reagir.

Logo sacudiu a cabeça, afastando alguns pensamentos.

— Sim. Já está tudo pronto. — então, sorriu educado e deixou o quarto rapidamente.

Grace se amaciou para o meu lado, passando as mãos sobre o meu vestido amarelo e os cabelos que ela mesma havia feito, assim como a maquiagem. Enquanto isso, Sandra andava com pressa até a cama, só para apanhar meu buquê. Aquela cerimônia estava dando o que falar.

Perdi-me em pensamentos a caminho do jardim. Quase me esqueci do que estava fazendo, mas quando dei por mim, meu corpo estava imóvel, ao lado do meu pai. Por um instante, fiquei no mundo da lua, até que eu o vi parado mais à frente, com um terno preto e a cara amarrada Justin olhava para os pés, também perdido, até voltar-se a mim...

— Lena? — meu pai chamou, bem baixinho.

Segurei o buquê com ainda mais força. Minhas pernas congelaram, mas pareciam bambas ainda assim.

— Eu estou nervosa. — confessei, mais baixo do que eu pensei que tivesse sido. — Por favor, me segure.

— Está tudo bem. — Ettore sorriu para mim. Isso reconfortou meu coração.

Lembrei-me das risadas altas, das nossas brincadeiras, das pizzas que eu não podia comer, mas comia. De todas as azeitonas e de quando dividíamos os fones de ouvido. Lembrava-me de tudo, inclusive das brigas. Ele ainda tinha aquela cicatriz no supercílio de quando eu havia o agredido com uma bandeja de alumínio, no refeitório do colégio, meio a uma multidão. E lembrando desse passado, um calor inédito tomou conta de mim. E quase não percebi quando comecei a me aproximar daquele pequeno altar coberto por girassóis, com meu pai me segurando, me fortalecendo, me passando conforto.

No ensino médio, eu achava que sabia de tudo... Que conhecia o mundo e as pessoas. Eu não queria me casar. E odiava o quarterback do colégio, porque ele era um valentão clichê que havia espancado meu irmão mais velho. Isso havia me trazido uma tristeza que pensei que fosse inacabável, mas que agora percebia que havia partido de mim há bastante tempo, deixando em meu coração a impressionante vontade e obsessão de estar viva.

Eu havia me esquecido do que era viver. Havia me esquecido da sensação de liberdade que costumava sentir em meio a corridas, quando eu atravessava a linha de chegada e levantava uma taça por toda a equipe de atletismo. Mas foi só ele se aproximar de mansinho, mostrando sua tatuagem de saturno no braço, cuidando de mim e me causando risadas que tudo que eu havia pensado que tinha perdido, retornou a minha vida. Ele tinha me devolvido o que havia de melhor em mim, porque existia tantas outras possibilidades de ser feliz, de correr e de amar e ser amado.

Justin não tinha o rosto que tem hoje, mas sua essência ainda estava lá. Os olhos continuavam carregando um universo inteirinho. E agora, mesmo jovens, sabíamos sobre o amor.

Quando eu toquei na mão dele, todo o medo de caminhar por aquela trilha de girassóis, sumiu. Eu abri a boca e quase disse algo... Quase. Perdi-me em seus olhos. E percebi que Justin era o paraíso na terra para mim. E fiquei olhando para ele... Paralisada. Perguntando-me se minha vida estaria diferente se eu, Ashley e Martin nunca tivéssemos ido àquela festa. De todo modo, eu o queria agora. Porque não tinha mais ninguém igual.

— Eu disse que me casaria com você algum dia. — ele apertou minha mão, sorrindo.

— E eu disse que diria sim. — falei com voz baixa.

Meus olhos estavam brilhando.

Avançamos até onde a luz batia e ficamos paralisados. Foi um momento surpreendente, e que durou quase uma eternidade até que ele dissesse “aceito” e me ouvisse dizer de volta, com todo o sentimento que eu guardava no peito. Eu estava apaixonada por ele mais uma vez.


(...)

Ryan estava trêmulo, gaguejava bastante. E repetia constantemente a frase: “ela está chegando”. Ainda não me lembrava muito dele, mas sabia que era o cara por quem Ashley sentia um amor colossal. E seus olhos eram tão parecidos com os dela. Brilhantes como o oceano quando se misturava com o azul do mar.

Olhei ao redor. Não tinha muita gente, mas percebi que muita coisa estava diferente. Meus pais e os pais de Justin não se odiavam mais. Eles bebiam e riam juntos, enquanto sentados na sala. Oliver brincava com Bailey de cabo de guerra, mesmo Justin chamando sua atenção a cada cinco minutos.

Alguém passou pela porta principal. Ryan sorriu, tranquilo.

— Demorei muito? É que eu não queria aparecer de mãos vazias, sabe? — a menina segurou com ainda mais firmeza o embrulho que carregava entre os dedos. Então, olhou-me de uma forma extremamente gentil, como se quisesse minha aprovação, como se essa fosse a coisa que ela mais desejava naquele momento. — É só uma lembrancinha, mas espero que goste.

A menina esticou o braço. Eu apanhei o presente, sorrindo.

— Obrigada!

Era uma pulseira com diferentes tipos de pingentes.

Ryan limpou a garganta, quando ela sorriu para mim.

— Selena, essa é a Hayden... É a minha namorada.

Boom!

Aquilo aconteceu.

Um colapso de memória me golpeou de uma só vez, rápido e preciso.

Todos ficaram me olhando sérios. Justin, Ryan e Hayden... Esperando que eu dissesse alguma coisa.

Ela era tão diferente de Ashley. Os olhos tão escuros quanto seus cabelos afro.

Fiquei feliz por perceber tão rapidamente que Ryan não estava tentando substituir Ashley. Ele realmente havia seguido em frente, e amava outra pessoa agora.

— É muito bom te conhecer, Hayden. — abri um sorriso gigantesco. Eu estava me sentindo tão feliz naquele momento.

Justin me abraçou por trás e começou um assunto:

— Ela trabalha numa editora... Falei que você gostava de escrever poemas quando estávamos no colegial.

— Ah, Justin, que saco. — bati nele, bem de leve. — Isso é constrangedor.

— Isso é legal. — Hayden contou. — Já pensou em publicá-los? — mexi a cabeça dizendo que não. — Bem, depois quero dar uma olhada em todos eles.

— Eu vou matar você, Justin. — quase gritei, mas rindo. — Por que é tão idiota, hein?

Justin beijou-me na bochecha. Ele me passava uma energia tão boa e quente.

— Não se espante. Você deveria saber que passei os últimos três anos só falando de você.

A gente se abraçou. E ele me beijou na boca. Foi romântico.

— ‘Tá feliz, quarterback? — temi, mas ele sorriu para me reconfortar.

— Muito. — e seus olhos brilhavam como nunca. — Você gostou da casa?

— É linda! E muito grande...

— A gente vai ter três filhos, não se lembra?

— Três não. E nenhum deles terá qualquer nome que se inicie com a letra “J”.

Justin se dobrou de rir, mas abanou a cabeça enquanto mexia em meus cabelos.

O mais assustador naquilo tudo era que as coisas estavam perfeitas e eu tinha medo que isso acabasse com aquela noite, que aos poucos foi partindo, assim como todas aquelas pessoas, até que sobrasse só nós dois. E a casa já não tinha somente o cheiro de Justin. O meu dançava pela sala, bagunçava as cortinas e lampejava pelas paredes como a luz que iluminava cada passo que dávamos sobre aquelas madeiras corridas.

Agora era a hora de ficarmos juntos.

Quando Justin me colocou na cama, encarei a carinha manhosa de Bailey.

— Acho melhor ele dormir na sala hoje. — Justin propôs, apanhando aquela bolinha de pelos em seus braços e deixando o quarto no mesmo minuto.

Gastei aquele tempo sozinha retirando os saltos e os brincos. Encarei os livros de medicina que estavam apoiados nas prateleiras e as fotografias presas às paredes.

— Tudo bem? — perguntou ele, ao surgir no quarto.

Mordi o lábio, sorrindo maldosa.

Passei as mãos por trás das costas para puxar o zíper do vestido. Justin ficou atônico de repente. Minha cabeça estava a mil. Seus olhos se mexiam sob o meu comando. E tão logo eu estava despida entre os lençóis, esperando que ele dissesse alguma coisa, me curvando e ardendo de desejo por ele.

Aquela era a primeira noite que passávamos juntos depois de anos. E eu mal via a hora de me enrolar em seu corpo.

Ele caminhou em minha direção, devagar, sério, com a mente viajando.

A gente se beijou. Meu copo sob o dele. A intensidade de seus toques em mim era avassaladora. Senti que toda a sua atenção estava voltada a mim, o que só me fez ficar ainda mais entregue. Eu era tão selvagem quando mais jovem. Agora me sentia uma menina que mal sabia como se comportar ao lado do garoto que amava.

Seu lindo rosto brilhou para mim quando Justin me olhou. Ficamos nos encarando por um tempo, paralisados, até que ele passasse a ponta do nariz pelo meu rosto, sentindo meu cheiro, apertando bem os olhos, concentrando-se em mim.... Apenas em mim.

Meu coração bateu acelerado.

Como eu poderia ser corajosa? Muita coisa passava pela minha cabeça.

Respirei fundo antes de beijá-lo.

— Justin... Eu sei que foi você.

— Do que está falando? — pareceu muito confuso.

— Sei que foi você quem me salvou. — ele ficou travado. — Por que fez isso?

— Porque eu nunca amei ninguém como eu amo você... E você prometeu que me deixaria fazer o nosso amor durar. Então, preciso de você aqui comigo.

Eu corei.

O tempo parou, de repente. Vi beleza em tudo que ele era.

— Você continua sendo mais bonita que um solo do Aerosmith, sabia? — comecei a rir. Aquilo estava sendo nostálgico. — E ficar sem você foi a coisa mais difícil que eu tive que fazer na minha vida.

Vi em seu olhar o mesmo que havia notado na primeira vez em que ele disse que me amava. Isso me deixou em paz.


Alguns meses depois

Meu coração dava dez batidas ao mesmo tempo, o que me fez dar um passo para trás involuntariamente. Pelo menos dessa vez eu não caí.

Inspirei profundamente ao sair do banheiro. Meu corpo estava em chamas e a cabeça passava por um turbilhão.

Justin estava sentado na cama, cabisbaixo. E ao perceber minha chegada, pôs-se de pé imediatamente, deixando Bailey atento ao seu lado.

Minhas mãos tremiam. As pernas estavam bambas como geleias.

— E então? — perguntou ele, com sua voz quebradiça.

Engoli em seco, apertando com firmeza o que ainda segurava entre os dedos.

Foi quando mexi a cabeça dizendo que sim que os olhos de Justin se arregalaram de emoção antes que se enchessem de lágrimas. Senti que seu corpo fora golpeado por uma energia inédita, que acabou me capturando do outro lado do quarto, mesmo que para isso fosse necessário que nos concentrássemos um no outro.

— Isso é sério? — havia medo em sua voz.

— Positivo. — sussurrei. — Eu estou grávida!


Notas Finais


Oi, gente! (que saudades de vocês!)
Acho que esse capítulo ficou muito *rápido*, mas é que eu preciso finalizar essa parte de "a Selena acordou". E para quem está esperando hot: vamos ver, ok? Não prometo que trarei, mas vou tentar sim, até porque, ainda não finalizei (de novo) a história. E se eu fosse ter que escrever hot nesse capítulo, ele não sairia nunca. Vamos ver se no próximo sai.

cc: https://curiouscat.me/lucaya
tt: https://twitter.com/chrswarq

Espero que gostem, amadxs.
Beijos ❤️😍


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