História The First Girl I Loved - Capítulo 9


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Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Personagens Justin Bieber, Selena Gomez
Tags Amizade, Jelena, Justin Bieber, Romance, Selena Gomez
Visualizações 889
Palavras 2.624
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Eu não quero um coração partido.


Fanfic / Fanfiction The First Girl I Loved - Capítulo 9 - Eu não quero um coração partido.

No domingo, 12 de abril, acordei às nove horas. Saí de um sonho ruim e percebi também que a realidade era ensurdecedora. Eu não suportava pensar na última noite e no quanto a minha família estava se quebrando aos poucos. Ninguém parecia se importar senão eu. Ganhei uma porção de sentimentos novos, mas o ódio era íngreme, vivia em cores fortes e me consumia inteiramente.

Eu só queria gritar. Empurrava a cerveja goela abaixo. Ela descia dura e amarga.

Entre outras coisas, ainda assim não troquei meus planos. Fiquei sentado no primeiro degrau de escada e encarei a porta aberta, vendo as pessoas entrarem e saírem de maneira contínua. Algo em mim não tinha controle. Bebia a cada minuto mais e já podia sentir meus olhos arderem e o coração disparar no peito.

A cabeleira escura dela surgiu meio à multidão. Seu corpo embriagado rasteou para perto, bem ao lado de sua amiga tão chapada que ria como uma criança, jogando a cabeça para trás, cativando o sorriso amistoso de Ryan. Foi como um ditado. Ele ficou encantado, sufocando uma risada no canto da boca. Daí, levante-me bem rápido. Pude sentir o calor passar de pessoa para pessoa até me alcançar. Entrei em fricção com o corpo magro de Selena. Ela assustou-se, virando a cabeça para trás.

— Qual é, Bieber? — pestanejou, mas senti um vento gelado passar pela minha nuca.

Vi quando Martin passou pela porta, andando devagar até seu carro estacionado no final da rua.

— Está na hora. — avisei. Ryan abanou a cabeça no ar e respirou fundo.

As garotas se entreolharam confusas. Por um único segundo, uma dor tomou conta de mim. Era um momento de decisão. Pensei e analisei a situação, levantando minhas conclusões e tudo que ouvi na noite passada até agora. A fim de destacar minha imaginação, chacoalhei a cabeça e comecei a andar para longe de qualquer pensamento covarde. A figura de Martin resplandeceu e a raiva retornou à tona, como se jamais tivesse esvaído de mim.

O calor voltou, cegando-me por alguns segundos.

Andei bem depressa, ele estava quase chegando à estrada vazia, passando pelo amontoado de pessoas e sendo seguido pelo sentimento gigantesco que me fazia aquela criatura estranha, certa de que suas particularidades falavam mais alto.

Estava tudo bem para mim, então.

— Ei, Martin!

Ele olhou para trás e...

— Justin? — a voz de Mia ressoou pela sala, seus olhos escuros miraram-me anestesiados pelo momento. E, assim, voltei à realidade. — Você está bem?

Balancei a cabeça dizendo que sim.

— Estou. — respondi, entretanto, em meio a risadas que certamente não a enganaram. — Muito bem, na verdade. — gostei de acrescentar um olhar amistoso e ao mesmo tempo irônico. Ela ficou pé da vida, mas preferiu ignorar minha arrogância repentina, que a tirava do sério toda semana.

— Tem alguma novidade? — sua sobrancelha subiu muito rapidamente, muito curiosa, embora estivesse, no entanto, fazendo seu trabalho comigo.

— Fui o artilheiro essa semana. — contei, avistando em seu olhar uma enseada de dúvidas e expectativas inéditas. — Ah, e beijei uma garota com AIDS.

Mia ficou meio estupefata, mas não quis forçar nenhuma expressão profunda. Ela consertou melhor os óculos e passou a junta dos dedos entre os fios cacheados dos cabelos negros que tinha em torno da cabeça. Naquele instante, respirou amigavelmente e me olhou de novo, mais cautelosa, e bem lentamente.

— Hm, parece ter sido emocionante. — acrescentei um olhar flexível, ficando, ao mesmo tempo, bastante desconfortável. — E quem é ela?

— A Gomez! — constei em sua feição um impasse.

— A garota que você odeia? — perguntou, preenchida de direções diferentes, nas quais poderíamos facilmente caminhar.  Eu, contudo, só mexi a cabeça, sabia que ela era uma mulher para lá de compreensível. Talvez, entretanto, fosse o seu papel, e ela o representava muito bem. — Você passou todo o verão do último ano falando mal dela. — fui instigado pela lembrança do verão passado. — Por que a beijou, afinal?

— Deu vontade. — joguei os ombros para frente. — Ela quis, eu quis. Aconteceu. E está tudo bem. — fui domado pelo silêncio, e Mia pareceu não se importar com o fato de uma sensação desprovida de afeto ter nos rodeado tão imprudentemente, sem avisar. — Eu não sei se devo fingir que nada aconteceu ou tentar alguma coisa.

Ela limpou a garganta e riu.

— Está falando sobre romance?

— E-estou. — quase sem perceber, eu gaguejei. — Quero dizer, não é como se isso fosse um casamento, mas... Eu acho que me divirto bastante quando estamos juntos.

— Por que, então, deveria fingir que nada aconteceu?

Eu não amava visitar a Mia. Ela conseguia enxergar dentro do meu coração e ainda mais. Isso me fazia, no pior dos casos, ficar vulnerável. E, no fundo, ou talvez nem tanto, adorava o meu mundo. Por um tempo, jogamos um bocado de conversa fora, mas naquela tarde senti que estávamos em um outro patamar, um que envolvia sentimentos novos. E esse foi o jeito mais inocente de entrarmos dentro de mim pela primeira vez.

Respirei fundo, a fim de recuperar o controle sobre mim mesmo.

— Tem os meus pais e... — tomei fôlego, não sabendo exatamente como responder àquela pergunta. — Eu não acho que eles entenderiam. — levantei o indicador, seguindo com as mãos até os cabelos. — Lembrando que ela tem AIDS.

— Você sabe que esse detalhe não torna as coisas tão diferentes, não sabe?

— Sim, eu sei. — formulei minha resposta bem depressa. — Meu pai passou toda a minha puberdade falando sobre DST’s, então eu entendo como isso funciona. — suspirei, deixando sair de mim um ar aliviado. — Mas, sei lá, eu... Eu teria que enfrentar toda essa coisa, e não sei se tenho músculo para isso. E não falo apenas sobre ela, mas também sobre o mundo. As pessoas não entendem.

— Há muito preconceito no que você diz, embora você não queira que tenha. — foi o que ela respondeu, talvez, até mesmo, sem pensar muito em como eu iria me sentir.

— Do que está falando? — eu não havia, nem por um instante, interpretado errado.

Mia ficou ainda mais ereta e explorou tudo que havia em sua sala.

— Você se importar com o que as pessoas pensarão sobre o fato de alguém ter AIDS e ainda alimentar esses pensamentos, torna você um preconceituoso. Não combater essa situação e ainda preenchê-la desse jeito ignorante, não te faz diferente de todas essas pessoas que não entendem o que acontece com essa garota.

Ponderei, sentindo meu coração disparando de medo.

— É complicado.

— Não é complicado. Nada é complicado, na verdade. Somos nós que dificultamos tudo.

Me inclinei na cadeira e tentei baixar a voz na minha cabeça, que estava prestes a me enlouquecer de dentro para fora. A princípio, não quis me expor, mas aquele olhar de chateação dirigido sobre mim quase me sufocou enquanto ela fechava a cara. Senti um nó na garganta e não consegui mais engolir.

— Tem razão. — baixei os olhos. — Mas, por um único minuto, tente imaginar que eu e ela temos uma coisa. Uma coisa especial. — ela colocou fé em mim quando me encarou amistosa e cheia de expectativas. — Só imagine que isso aconteceu. E que eu estou incondicionalmente apaixonado por alguém. E que esse alguém é a garota mais improvável que poderia existir na minha vida. Então eu decido que preciso dela, mas ela morre cem dias depois que começamos uma coisa, ou um dia depois de eu descobrir sobre o quanto eu a queria.

— Então, este é o seu medo? Medo de ser deixado...

Eu pensei seriamente em aceitar seus questionamentos e até me cedi a eles. Meu silêncio foi ensurdecedor. Mas fiquei encucado com tantas reticências.

Eu não quero um coração partido, Mia. — falei, quase sem ar. Agora, exatamente agora, estava me abrindo para alguém. — Eu não quero amar uma pessoa pela metade, porque eu transbordo.

Fiquei sem paciência, então.

Eu sentia que não era uma boa pessoa, por isso me levantei e fui embora, levando comigo restos de uma noite que eu queria esquecer.

Selena.

E...

Martin.

Então, decidi que precisava ficar bem longe, porque tudo que eu tocava, morria. E não, eu não entendia por quê. Passei na rua da casa da garota mais bonita do colégio, vi sua bicicleta jogada no gramado e continuei andando, a fim de pedir para que ela se cuidasse melhor, que fosse ao médico, bebesse os remédios, se agasalhasse e parasse de comer azeitonas, pois eram terríveis.

Eu me decidi.

E iria me arrepender.


Uma semana depois

Eu odiava a aula de literatura. Era calma demais para a inquietude que eu carregava no peito.

Inclinei-me para frente e segurei com calma o lápis entre os dedos, a fim de traçar uma linha leve sobre a pauta da folha. Então, para o meu espanto, um barulho tomou conta da sala. O que antes carregava na mão, voara até o outro lado. O corpo dela estava gelado, e, aos poucos, eu fui levantando a cabeça. Uma pena que não pude entender o que varria seus olhos escuros, que polvilhavam uma espécie de emoção estranha.

— O que está fazendo? — perguntei, naquele momento olhando para a folha largada no chão.

— Por que está me ignorando? — a classe inteira nos assistia.

O educador, então, levantou-se de sua cadeira e chamou pelo nome de Selena. Ela o ignorou. Fácil assim. Estava tão acostumada a quebrar regras que aquilo não foi nada senão uma manhã normal.

Fiquei estático, sentado com a coluna inclinada para frente.

Tentei lutar contra isso, mas ela estava perdendo a cabeça.

— Eu beijo tão mal assim? — perguntou.

Olhei para os lados.

Éramos alvo de uma platéia bizarra.

— O quê? — estava pasmo.

— Selena, vá para o seu lugar.

O que Clark não sabia era que Gomez sempre foi uma garota muito temperamental. Ninguém a dizia o que fazer, ponto. Nós dois tínhamos o pavio curto e explodíamos com facilidade.

— Da próxima vez, levante sua mão para falar. — respondeu, não dando-se conta da irritação no tom vermelho de sua pele.

— Você é doida?

— Não me chame de doida, Bieber. — ela apontou o dedo.

— Você está brigando comigo no meio da aula de literatura.

Ponderou, mordendo a bochecha.

— Você não respondeu nenhuma das minhas mensagens.

— Olha, isso não tem nada a ver com o nosso beijo.

— O que foi, então? Não conseguiu transar comigo e agora decidiu fingir que eu não existo?

Fiquei sem fala e em choque.

Vi quando ela começou a andar para fora da sala.

— Você não vai fazer nada? — olhei para o educador, que apertava as têmporas.

— Eu desisto. — ele levantou as mãos e andou até sua mesa, como se nada tivesse acontecido.

Resolvi fazer alguma coisa. Peguei a mochila e deixei a sala tão depressa quanto Selena. Em minha opinião, aquilo foi fora de série, como ela havia mencionado em nossa última noite juntos.

Eu ainda sentia-me extasiado pelo tom de chateação em sua voz. E com tanto foco no que estava acontecendo, corri até atravessar o prédio.

Ela estava adentrando o ginásio. Havia uma limitação de pessoas naquela área.

— Selena! — exclamei, alto até demais.

Quando virou a cabeça para trás, revirou os olhos e entrou no balneário feminino, um pouco depois da piscina. Desde então, fiquei parado perto da porta, com a coluna ereta no gesso da parede, respirando fundo, soltando o ar com dificuldade.

— Você é um idiota! — ela gritou do outro lado, com uma barreira nos dividindo. — Some logo daqui, quarterback.

— Qual o seu problema? Por que fez aquilo?

— Porque eu quis. — respondeu, como uma menina enraivecida. — Porque eu odeio que as pessoas finjam que eu não sou ninguém.

Fiquei pensativo, calado e quieto. E assim que respirei fundo, prendi o ar. Quando já não podia mais segurá-lo, balancei a cabeça e expirei.

— Não foi por causa do beijo, Selena. — o calor em mim parecia terrível de suportar. —  Foi por causa de tudo.

Dentro de segundos, ela apareceu na porta, só de maiô. Pude ver, imediatamente, as manchas em tons vermelhos e roxos espalhadas pelo seu corpo de menina. Se tornou, então, a mesma pessoa que vi há quase um ano, em uma festa, rindo com a melhor amiga, embora agora ela carregasse uma expressão de dor.

— De tudo o quê?

— Você tem AIDS. — quase gritei, estava inquieto.

— Eu não achei que isso fosse um problema para você. — respondeu, um pouco baixo. — Até sábado, você queria transar comigo. — baixei os olhos, sendo incapaz de olhá-la de volta. — Qual é a sua? Está tentando me fazer de idiota?

— Selena, se alguma coisa acontecer com você, eu... — os olhos escuros de Selena encontraram os meus. E o que vi em seu rosto pálido e bonito foi remorso. — Olha, eu não sei o que está rolando entre a gente. Não sei se isso é amizade, se é um lance ou se é só uma coisa bizarra. Mas está tudo acontecendo muito rápido. Eu te odiava... Você me odiava. E agora estamos aqui, agindo desse jeito estranho.

Ela olhou para os lados, ainda chateada comigo.

— Esquece isso, ‘tá legal?

Senti meu coração partido quando ela começou a andar para perto da piscina. Sentou-se na borda e enfiou os pés dentro da água, a fim de se acostumar com a temperatura desta. Seu corpo estava marcado por hematomas fortes e muito visíveis, como se alguém estivesse a machucando de dentro para fora.

Não me detive. Coloquei a mochila no chão e me aproximei.

Eu sabia que ela estava sofrendo por alguma coisa, bem lá no fundo. E eu sentia muito. Muitas coisas sobre isso. Sobre ela. Sobre a gente.

Não acreditava que Selena fosse uma garota diferente... Ela só não era igual às outras.

— Quando foi que isso começou a acontecer? — ela me pegou de surpresa.

Fiquei parado, sem reação imediata.

— Quando você chegou sorrindo, Selena.

— E agora você quer fingir que eu não sou ninguém?

Fiquei com a pulga atrás da orelha.

— Você me odeia? — perguntei, com um certo receio.

Ela ficou calada, respirando fundo.

— Eu não sei, mas não é como antes.

Sentei-me ao seu lado, tirando os tênis para afundar os pés na água gelada da piscina.

— Eu não estou apaixonado, ‘tá?

— Meu Deus, você é muito estranho. — olhou-me encabulada. — A gente nem está falando sobre isso, cara. E se estivéssemos, eu poderia te assegurar que a última coisa que eu estaria agora é apaixonada. E por você.

Soltei uma risadinha.

— Por que me deixou te beijar? — levantei uma sobrancelha. Ela ficou vermelha de vergonha.

— Eu estava bêbada... Não perderia nada beijando alguém. Mesmo que esse alguém fosse você. Acho que estávamos na mesma posição. Você não conseguiu nada com a Mary assim como eu não consegui nada com o Colton. Foi justo, não acha?

— Então, se eu pedisse para te beijar agora, você diria “não”?

Selena se espantou ao notar em meus olhos o quanto eu falava sério. Não se afastou nem um pouco, sequer piscou. Sua boca tremia. E fazia mais de dois minutos que nos olhávamos daquele jeito. Em um silêncio que dizia muita coisa.

— Peça e descubra. — sussurrou.

Baixei os olhos e encarei meus pés sob a superfície da água.

— Posso te beijar só hoje, Selena?

Em vez de responder, ela riu para mim, lembrando-se daquela nossa noite que eu havia pensado ter guardado no fundo da mente.

Então, ficou observando a conexão que nós dois havíamos estabelecido.

— Pode me beijar, camisa 10.

Foi quando não recuei. Estava acontecendo tudo tão naturalmente. Comecei a mover com cuidado meus dedos atrás de suas costas, como se já tivesse feito aquilo umas cem vezes. Ela sequer precisou esconder sua satisfação quando nos beijamos. Abandonei a ideia de correr para longe... Mas o calor de seu corpo se afastou de mim quando escutamos alguém gruindo.

Meus olhos ficaram vidrados em Ettore, o pai de Selena.

Bem, ele me odiava. E sofreu demais com a indiferença que esbocei nos últimos meses.

Agora, eu estava beijando sua única filha.


Notas Finais


Oi, gente!

O capítulo ficou pequeno, mas é porque eu pretendo postar outro no próximo sábado, portanto decidi dividi-lo. Eu estou muito feliz por vocês estarem gostando da história, de verdade mesmo. Só tenho a agradecer por todos os favoritos e comentários, que, aliás, já foram respondidos.
Observação: Mia é a terapeuta do Justin. É a primeira vez que ela aparece, mas uns capítulos atrás ele mencionou que faz terapia para controle da raiva.

Voltarei no sábado, se tudo der certo, ok?
Um beijão


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