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História The Forest. - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa Leitura. ♡

Capítulo 2 - Capítulo II.


Fanfic / Fanfiction The Forest. - Capítulo 2 - Capítulo II.


Eram 7:00 da manhã quando a chaleira começou a silvar e Maya desceu a escadas as pressas antes que explodisse, como aconteceu da última vez em que ela ficou com raiva por causa do barulho irritante, a água quente espirrou para todo canto e desde esse dia ela aprendeu a meditar, ou isso ou uma chaleira nova toda semana.

Desde que a notícia do assassinato de Melissa Adams se espalhou por todos os cantos, a cidade estava em nervos, mulheres andavam na rua em grupos, com medo e prontas para darem o primeiro grito caso algo acontecesse e a situação não estava tão diferente na casa de Maya, sua mãe Joane parecia não ter mais unhas cada vez que ouvia alguma notícia.

Naquela manhã, Maya tinha decidido fazer um chá de camomila para a matriarca e porque não para ela também? Quando se aproximou do fogão e desligou o botão um arrepio percorreu sua coluna e por um momento sentiu seu corpo desligar quando a imagem de uma mulher morta na floresta tomou conta de sua mente, as roupas estavam encharcadas de sangue, os braços repletos de marcas, o rosto permanecia congelado em uma expressão de pânico, logo em seguida a imagem de uma criança aos prantos sendo levada por alguém que não conseguiu ver tomou lugar, mas, antes que pudesse ver mais alguma coisa um ardor atingiu sua mão e Maya enfim voltou a realidade quando um grito involuntário saiu de sua garganta, olhou para a mão direita e a pele avermelhada estava começando a formar pequenas bolhas, durante a premonição sua mão entrou em contato com a chaleira fervendo e não sentiu uma fração da dor durante todo o processo.

"Mas que droga!" - Serrou os dentes enquanto ligava a torneira e mergulhava a mão na água fria tentando aliviar a dor da queimadura.

De que adiantava suas visões se era sempre tarde demais para salvar alguém? E aquela criança? O que fizeram com ela? A floresta era grande demais e muito fácil de se perder, quem quer que a estava levando conhecia aquele lugar e muito bem.

Maya desligou a torneira e caminhou as pressas para o banheiro atrás da caixa de primeiros socorros, pegou a única pomada que tinha ali dentro e passou com cuidado na queimadura, ao enfaixar a mão, de longe pode ouvir a televisão ser ligada, será que já estavam noticiando mais uma morte? Ela pegou um analgésico e voltou as pressas para a cozinha, viu Joane sentada no sofá, estava visivelmente nervosa e Maya se aproximou para tentar acalma-la, mesmo que ela mesma precisasse se acalmar também. 

"Mãe, você liga a televisão como se tivesse alguma notícia nova a cada cinco minutos, que tal meditar um pouco?" - Tentou soar divertida pois odiava aquela tensão na casa e mais ainda para tentar desviar sua mente da visão horrível que teve.

"Um assassinato e um sequestro em Bergen e você quer que eu medite!"

"Ficar na frente da TV o dia todo não é nada saudável para sua adorável mente." - Falou enquanto voltava para a cozinha e colocava metade do chá em uma xícara para Joane e tomava a outra metade junto ao analgésico. - "Eu sei que é horrível mas os policiais estão trabalhando duro nesse caso, logo eles vão encontrar o culpado."

"Eu espero que sim, só um monstro seria capaz de fazer algo assim."

"Onde está o papai? Os dois deveriam dar uma volta, faz quanto tempo que não se divertem?"

"Seu pai saiu cedo, sabe como ele é pontual com os negócios da igreja e já não saíamos antes, quem dirá agora com um assassino a solta." 

"Camomila." - Entregou o chá nas mãos trêmulas, pegou suas coisas e estava a caminho da porta quando virou para olhar a mulher bebericando o chá.



****



A biblioteca estava relativamente tranquila levando em conta os outros dias e Maya agradecia mentalmente por isso pois a premonição não saía de sua cabeça, queria fazer como Agnes disse e ser a bruxa boa que salva mulheres e criancinhas mas como poderia? Procurar alguém naquela floresta era como procurar uma agulha em um palheiro e que pessoa na face da terra iria acreditar no que ela diz sem que a achassem um futura suspeita ou mentalmente insana? Quem quer que esteja cometendo esses crimes conhecia cada lugar da floresta e sabia como convencer as pessoas a entrarem lá, só uma resposta passava por sua cabeça mas era tão ruim que Maya não queria acreditar.

O toque do celular foi o que lhe fez voltar ao mundo real e só então ela lembrou que tinha marcado com Agnes de almoçarem na lanchonete ao lado e já estava pelo menos cinco minutos atrasada. Avisou a Baekhyun que estava saindo para o almoço e correu para a lanchonete, não queria uma Agnes irritada no seu pé.



****



"Mil desculpas, eu acabei perdendo a hora." - Falou na defensiva assim que viu a cara da amiga e sentou de frente para ela.

"Imaginei e como uma maravilhosa amiga que sou já fiz os pedidos." - O certo orgulho que emanava dela fez Maya rir e agradecer, realmente estava com fome. - "Me conta, o que tem nessa linda cabecinha que te fez atrasar porque aquela biblioteca movimentada com certeza não foi."

Maya suspirou pesadamente apoiando os braços na mesa e mexeu no cabelo visivelmente frustrada, lhe faria bem desabafar, ela pensou.

"Tive um tipo de premonição... Parecia que eu estava sonhando acordada." - Confessou baixinho afinal não é uma coisa comum de dizer.

"E o que você viu?"

"Uma mulher ruiva, estava morta na floresta do mesmo jeito que Melissa Adams e logo depois um garotinho sendo levado, ele gritava com tanto medo..." - A necessidade de ajudar não lhe permitiu terminar.

Por mais baixo que ela tivesse falado, os dois homens sentados a mesa da frente ouviram o que Maya contou para a amiga com tanta cautela.

Kim Junmyeon olhou para seu parceiro, Frank e pôde perceber que o mesmo já encarava a moça tentando presumir o quão envolvida ela estava, não parecia ser uma assassina de sangue frio mas o assassinato de Melissa Adams por si só já era um mistério, o assassino não deixou uma pista sequer, nenhuma pegada, nenhum fio de cabelo, a cena estava tão limpa que era quase impossível de acontecer, a maioria dos policiais de Bergen estavam trabalhando feito loucos tentando descobrir alguma coisa mas, com a falta de pistas estavam nadando no escuro. Ouvir que outra morte aconteceu ou poderia acontecer os deixou mais alertas do que nunca.

Frank foi o primeiro a levantar, loiro, alto, olhos verdes e rosto marcante logo chamou atenção de Maya que sentiu o olhar do oficial pesando em si, em seguida Suho levantou e por um momento ela pensou que iriam aborda-las mas os dois policias apenas saíram da lanchonete e seguiram para suas viaturas.

Se ela fosse culpada, aborda-la agora seria um equívoco, afinal precisavam de provas.

"Então, só eu que achei isso muito estranho?”

“Não acredito que até agora a única pista que temos é o sonho de uma mulher, se é que isso pode ser considerado uma pista." - Frank falou ainda sem tirar os olhos da lanchonete.

"É no mínimo estranho, mas não podemos fazer muito baseado em um sonho." - Suho entrou no carro sentindo aquela frustração que ainda queimava dentro de si, detestava se sentir impotente.

"Ela é filha do pastor da igreja de Bergen, já vi os dois juntos algumas vezes."

"Pelo menos sabemos onde a encontramos."

Os dois seguiram para a delegacia mas algo dentro de Suho sabia que veria aquele cabelo cacheado de novo e não iria demorar.



****



A tarde estava passando mais lenta do que o normal e o clima frio na cidade parecia atrasar ainda mais, Bergen nunca foi uma cidade populosa mas depois do assassinato as pessoas pareciam mais cautelosas e o sequestro tinha deixado as mães mais cuidadosas do que nunca, as crianças que costumavam brincar na rua não estavam mais lá, brincavam dentro de casa e evitavam a floresta, com razão.

Dentro da floresta uma ventania criava força e a causa dela estava ajoelhada no centro daquele mar de árvores sussurrando palavras quase inaudíveis, a bruxa que comandava aquele ritual estava ensanguentada e desenhava marcas de várias formas no solo arenoso, marcas exatamente iguais às que se encontravam nos corpos de ambas as mulheres, a bruxa parecia ter saído de um dos piores filmes de terror já feitos, era muito magra, os cabelos tinham tantos galhos que era difícil de contar quantos, o rosto fino e sujo pela terra não parecia real, os olhos esbugalhados e os dentes eram tão afiados quanto as unhas que cortavam carne e terra, antes que ela pudesse completar a última marca uma forma se materializou entre duas árvores, uma velha senhora com a pele completamente queimada, era muito magra, os olhos totalmente negros, poucos fios de cabelo ainda lhe restavam e sangue escorria de seus longos dedos e boca, ela parecia flutuar no meio dos galhos secos e a bruxa responsável por aquele ritual gargalhou com tanta ferocidade que pareceu ecoar por toda a floresta.


****


Maya estava digitalizando os últimos livros entregues quando o suporte de vidro dos cards espatifou aos seus pés espalhando todas as fichas, assustada ela se abaixou para juntar as fichas e quando o vento soprou seus cachos ela sentiu as mãos gelarem e o coração acelerar, alguma coisa estava acontecendo e ela pode comprovar quando olhou para a floresta através do vidro da janela e viu as árvores totalmente imóveis mesmo enquanto o vento soprava envolta delas.

"Maya, tudo bem?" - Baekhyun agachou para ajudá-la a limpar a bagunça.

"Não foi nada, só esbarrei sem querer."

Não tirava os olhos da janela e o pequeno ardor quando cortou seu dedo em um dos cacos de vidro foi a pequena afirmação que precisava.

Ao fim do expediente Maya saiu da biblioteca acompanhada de Baekhyun e sorriu ao ver Chanyeol encostado em um carro à espera do noivo, sempre com quele sorrieo fácil no rosto, ele era muito bonito, os cabelos negros estavam assanhados pelo vento mas isso não atrapalhava em nada, os olhos puxados pareciam ainda menores quando ele sorriu ao ser abraçado por um ser baixinho que aproveitou para se aconchegar nos braços longos e se aquecer um pouco mais naquela noite congelante, Maya achava a diferença de altura dos dois adorável.

"Baekhyun disse que vou ser madrinha?"

"Ele não disse e seria de qualquer jeito." - A voz grossa soou alegre e Chanyeol selou os lábios do noivo, rosados pelo frio.

"Argh, vocês dois me fazem querer um namorado e abraços quentinhos, cruzes."

O casal gargalhou e ambos se aproximaram de Maya que recebeu o abraço duplo de bom grado.

"Até parece que namorar é ruim."

"Você só diz isso porquê está apaixonado, Park Chanyeol."

"Ah, que rabugenta."

"Já tenho dores de cabeça o suficiente, agora vamos embora pois estamos congelando." - Ela deu tapinhas nas nadegas de ambos e rindo eles se despediram.

Maya ajustou o cachecol ao começar a andar e não gostou nada quando o pequeno corte em seu dedo começou a latejar, o que estava acontecendo afinal?



****



Suho estava em sua mesa lendo os arquivos do recente assassinato tentando a todo custo achar uma pista que possa ter escapado de seus olhos quando Frank entrou as pressas com o walkie em mãos.

"A patrulha acabou de chamar, encontraram um carro abandonado na estrada 69, na entrada da floresta, sinais de luta e sangue por todo o veículo." - Enquanto ouvia, Suho levantou as pressas pegando sua arma e correu para a viatura sendo acompanhado por Frank.

"Há quanto tempo o carro está lá?"

"Não sabemos ao certo, mas faz algumas horas, acharam documentos no carro pertencem a uma mulher chamada Gyda Andersen."

Suho dirigia a toda velocidade e foi por muito pouco quando não atropelou um veado que pulou na frente do carro, ele pisou no freio fazendo o veículo parar bruscamente bem perto do animal que não mexeu um musculo sequer, Frank tentou espanta-lo mas então ambos repararam nos olhos dele, estavam completamente brancos e sangue brotava no canto dos olhos, como lágrimas escarlates, aumentou os faróis do carro e só então repararam que tinha um ferimento profundo no pescoço dele, tão profundo que ele devia estar morto agora.

“Mas que merda é essa? Como isso é possível?” – Frank sentiu os pelos do braço arrepiarem com o modo que o animal olhava para os dois.

“Os olhos dele... Parece que ele pode ver minha alma.” – Suho falou no exato momento em que o veado bufou e correu para dentro da mata.

Sentiram um alívio enorme quando o animal se foi, o olhar dele lhes passava um medo inexplicável, queriam ter falado mais sobre isso mas tinham uma cena de crime para investigar, mais uma.

Com a pressa que estavam não demoram muito a chegar no local indicado, assim que Suho saiu do carro com uma das mãos apoiada no coldre foi guiado por uma policial que estava na patrulha a espera de reforços, ela os levou mata a dentro tomando cuidado onde pisava para não comprometer futuras evidências, não foi preciso muito mais tempo até encontrarem o corpo, uma mulher ruiva estava jogada no meio da relva exatamente como a primeira vítima, os mesmos ferimentos e as mesmas marcas, o rosto congelado em uma eterna expressão de terror.

"Pelo estado do corpo ela morreu a algumas horas, tem sinais de luta." - A policial apontou para as unhas cheias de terra e sangue, ela tentava não olhar tanto para a cena diante de si.

Suho pegou uma lanterna e agachou para olhar os desenhos de perto, estava cada vez mais confuso.

"O que pode ser essas marcas? Algum tipo de seita?"

"Ou uma mente muito doente." – Frank se agachou ao lado do corpo e apontou para as mãos sem vida. – “A única esperança de termos alguma pista está aí, ela pode ter arranhado o assassino e realmente espero que ela tenha feito isso.”

"Conseguimos nos comunicar com a mãe dela, ela morava sozinha com o filho, por isso nenhuma notificação do desaparecimento mais cedo." – Outro policial chegou entregando a Suho a carteira da moça, tinha uma foto dela com uma criança sorridente no colo.

"E o filho, Torvi? Alguma notícia dele?"

"Provavelmente estava com ela." - A policial falou apontando a lanterna para a floresta. – “Se ele se perdeu por essa mata vai ser muito difícil encontrá-lo.

“Não importa o quão difícil seja, é o nosso trabalho encontra-lo” – Suho se aproximou do parceiro e falou em baixo tom. – “Quanto a pista, acho que temos mais uma além dessa.”

Frank levantou de súbito ao ouvir o que Suho disse e olhou para ele que parecia pensar a mesma coisa, mais uma mulher morta e uma criança desaparecida e a única pessoa que parecia saber disso estava na lanchonete horas atrás confidenciando para a amiga a mesma cena que estava a sua frente. 



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