História The Forgotten Past - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7, Triple H
Personagens Baekhyun, E'Dawn, Jackson, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lay, Mark, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Ação, Jimin, Romance, Suspense, Terror
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Palavras 4.880
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Policial, Romance e Novela, Slash, Suspense, Violência
Avisos: Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiii

Aqui está essa bagaça.



Boa leitura, doces.

Capítulo 10 - Capítulo IX -- O dia acabou bem...


Capítulo IX






Um suspiro ansioso escapou de seus lábios, olhou para tudo destruído sentindo um pouco de culpa por não ter ajudado. Ah, mas lhe cupariam se tivesse ficado, e sabia que não era inocente naquela história, porém, era sim uma vítima, só estava tentando resolver a confusão que ela havia causado. Forçou uma tosse e entrou, passando por cima dos pedaços de concreto jogados no chão na entrada, chegou na recepção e viu uma garota ruiva de olhos puxados e lábios bem desenhados pelo batom forte, sorriu sem graça ao notar que estava analisando a recepcionista.


— Anh... licença, eu vim entregar isto para o agente Park Jimin. — se pronunciou observando a garota pegar o telefone para telefonar para o moreno. — Não! Não o chame... só.... você pode entregar para ele? Eu estou com pressa.


— Claro! Eu entrego. — a recepcionista diz sorrindo gentil, pegou o embrulhe da mão da outra ruiva e colocou em cima da sua mesa, ao lado do seu teclado. — Entregarei assim que ele sair.


— Obrigada.


— Ah, espera! — a garota exclama após a ruiva se virar para ir para o seu trabalho. Esta lhe olhou curiosa. — Qual o seu nome? Para eu informar ao Park que esteve aqui.


— Ele vai saber que eu estive aqui... até mais, Kim. — sorriu antes de deixar o prédio, deixando a recepcionista confusa para trás.


Subiu em sua moto, girou a chave e em seguida o acelerador, não demorou muito para chegar no beco ao lado do restaurante e desligar a moto. Entrou pela porta dos fundos e já encontrou Byun em seu armário, este parecia bastante pensativo e tenso também. A ruiva aproveitou a distração do garoto e pulou nas suas costas, sentindo suas coxas sendo seguradas pelas mãos do moreno.


— Bom dia! Como você está?? — a ruiva pergunta animada, recebendo um sorriso fraco do Byun, fez um bico chateado e desceu das costas do outro. — O que houve?


— Só aconteceu muita coisa ontem para mim... — respondeu sincero, vendo a ruiva segurar seu blazer com as mãos e lhe chacoalhar. — Para, garota! — riu segurando os pulsos alheios.


— Se anima! E me conta o que aconteceu! — soltou o mais velho e sorriu ternamente. — Eu te contei o que aconteceu comigo, agora fala!


— Eu encontrei uma pessoa que não esperava encontrar tão cedo... foi um escândalo na minha casa e no final ele foi embora, dizendo que depois iria voltar para me buscar.... — soluçou fechando os olhos e a garota lhe abraçou com pouca força para não machucar o garoto, mas para ele já era um abraço forte mas acolhedor.


— Você viu seu pai? — indagou Sandy vendo o moreno confirmar fungando baixinho. — Ah, tudo bem, está tudo bem... não precisa falar se não quiser.i..


— Ele vinha aqui, ficava lá na frente me vigiando, era ele... — comentou, a ruiva compreendeu as palavras do outro e arregalou os olhos, se afastando de Baek. — O que foi?


— Baek... eu... — engoliu as palavras que iria dirigir ao moreno e respirou fundo. — Explica essa história direito-


— Já vamos abrir! Anda, anda! — seu chefe sai de sua sala animado e correndo para fora da cozinha. 


Os dois garçons se entreolharam confusos, rindo em seguida.


— Mais tarde terminamos essa conversa, rapaz, vamos aproveitar que o chefe está de bom humor e sair cedo e experimentar a pizza dali do canto, estão falando muito sobre ela, sim? Eu pago, e vamos levar o Kunpimook também! — a garota diz sorrindo alegre, puxando o outro para abrir as portas do restaurante.


— Ainda não sei pronunciar o nome desse garoto sem me embolar todo. — confessou o Byun quando passaram pela porta da cozinha.


— Chefe, o que aconteceu? — Bambam pergunta olhando preocupado para o mais velho.


— Eu vou me casar! Eu vou me casar! — ele responde eufórico. — Vamos! Abram essas malditas portas! — apesar das palavras grosseiras, ainda carregava o sorriso bobo no rosto.


Os outros três riram andando até três portas, um para cada uma delas. O dia havia começado bem, só faltava terminar bem.




~•••••~




O dia foi cheio, quarta-feira era o dia que mais lotava, pois os preços diminuam em muitos lugares, e isso atraía mais clientes. Agora era 09:15 da noite, os três funcionários do restaurante foram para a pizzaria da esquina, que a ruiva havia sugerido. Já haviam pedido uma pizza média e agora estavam conversando sobre como seria se o ruivo tivesse um gêmeo, pois o sonho dele era ter ao menos um clone de si.


— Você não faria isso com o seu irmão! — a ruiva exclama rindo.


— É sério. Eu derrubaria o vaso favorito da mamãe e enganava ela dizendo que ele era eu e eu era ele, seria legal! — o mais alto rebate tentando se manter sério, porém no fim acabou rindo junto com a outra. E não era uma risada baixa a do ruivo, era um escândalo.


— V-Você...ai calma! — voltou a rir colocando a mão na sua boca, tentando abafar o riso.


— Meu Deus, olha onde eu vim parar, em uma mesa com dois malucos. — o moreno resmunga suspirando ao final. — Por que? Por que, hein? — olhou para cima, dramatizando.


— Para, Baek! Deixa de ser chato! — a garota empurrou o mais velho que estava ao seu lado, ainda rindo. — Seja um maluco também!


— Eu já sou perigoso, imagina ser maluco. — sussurrou bem baixinho, mas a ruiva escutou. Esta forçou uma tosse e olhou para o garçom vindo com a pizza e o refrigerante em suas mãos.


— Vamos logo comer, estou morrendo já! — Kunpimook exclama batendo na mesa, fazendo os outros dois rirem.


A conversa continuou, os três mal perceberam quando aquele local ficou vazio e só saíram quando o garçom avisou que a pizzaria iria fechar. 


Ja na calçada, Bambam se despediu dos outros dois, já que sua casa ficava mais próxima do centro de Seul, ao contrário do moreno e da ruiva. Os dois começaram a andar de volta para o restaurante, a ruiva iria dar uma carona para o mais velho.


— Baek, vamos terminar nossa conversa, diga-me o que aconteceu de verdade, eu vi você olhando para fora da pizzaria diversas vezes e estava preocupado com algo. — a garota se pronunciou ainda caminhando, ouvindo um suspiro fraco.


— Sandy... você acredita que algumas pessoas possam ter... poderes? — o mais velho indaga receoso.


— Tipo X-Men? — retrucou recebendo uma confirmação do outro. — Sim.


— E o que você acha disso?


— Eu gosto. — respondeu sincera. — Por que a pergunta?


— Meu pai sempre conversou sobre isso com os amigos dele, eu participei de algumas reuniões, mas depois vim para cá e recomecei minha vida. — respondeu Baek olhando para a frente.


— Você gostou de vê-lo novamente? — a ruiva pergunta curiosa.


— Não. — respondeu direto. — Eu tenho medo de que ele faça algo com a minha família, aquele homem é louco...


— Nada vai acontecer com a sua família, não se preocupe. — confortou o moreno, abraçando a cintura do mesmo. — Ele não faria isso com você.


— Você não conhece ele, Sandy... — falou baixo, suspirando em seguida. — Não posso deixar ele fazer algo ruim, não como antes...


— Você não acha que ele mudou?


— Gente como ele só muda 'pra pior. — retrucou encarando a garota, sorrindo fraco.


— E o que você vai fazer quando ele aparecer outra vez? — ela indaga curiosa.


— Não sei, mas não vou morar com aquele monstro.


A ruiva o soltou quando chegaram no beco, subiu na moto e o Byun sentou atrás de si, segurando em sua cintura timidamente. A garota ligou a moto e acelerou, sentindo o moreno apertar um pouco mais a sua cintura, dirigiu até a casa do Baek, parando em cima da calçada e descendo junto com o mesmo.


— Então... até amanhã? — ele diz incerto, recebendo uma risada da mais nova.


— Claro, até amanhã. — sorriu docemente, subindo novamente na moto. — Olha, eu não sei o que aconteceu entre vocês dois, porém, se ele estiver do mesmo jeito ou até pior quando chegar aqui, me liga, tudo bem?


— Tudo bem.


— Ótimo, até amanhã.




~•••••~




Segurou a sacola decidido, andou até sua cama e sentou-se na beira desta, abrindo aquele embrulho, vendo uma camisa branca de botões e um papel dobrado. Pegou primeiro o papel e começou a ler, logo reconhecendo quem havia escrito aquela carta.



"Olá, Park Jimin, aí está sua camisa, novinha, como eu disse que iria ficar. Apesar de estarmos nesta situação, eu ainda lhe devia a camisa, só não queria encontrar você e ser algemada e interrogada outra vez. Eu sinto muito pela destruição, e pela fuga, eu tinha coisas à fazer.


Por favor, eu peço para que desista, isso não tem nada a ver com você e seus amigos. Eu não quero que ninguém inocente se machuque, eu realmente não quero, mas não posso deixar isso continuar, então desista.


Aconteceu coisas naquele lugar que ninguém mais entende além de mim, eu sei de algo que mesmo que contasse a vocês, não acreditariam em mim. Eu só quero que isso acabe logo, e está quase acabando.


Sabe... Eu queria muito ajudar, mas se eu ajudar, posso descobrir coisas que eu não quero descobrir, eu não quero lembrar. Eu estou bem assim.


Só pare, Park, pelo seu próprio bem. Não estou fazendo isso por que quero me livrar de vocês. Uma parte sim, mas tem outro motivo por trás disso.


Se vocês continuarem, não estarão colocando somente a vida de vocês em risco, e sim de uma população enorme, entende isso?


De: Sandy

Para: Park Jimin"



Soltou um suspiro longo, colocando a carta na escrivaninha, pegou a camisa dobrada e colocou em cima da cama, observou a camisa com cautela, passando a mão pelo tecido macio e fino. Pegou a camisa e guardou em seu closet, pegando outra igual e uma calça preta, andando até o seu banheiro. 


O Park não entendia a ruiva, se ela não era a assassina, se era uma vítima, por que negava ajudar? Era tão simples. Talvez fosse algo pessoal entre a ruiva e o assassino, não é? O moreno ficava com várias teorias na cabeça, suspirando por não ter uma resposta certa.


Após alguns minutos saiu já vestido, passou seu perfume e deixou o quarto, passando a andar pelo corredor e descer as escadas. Pegou uma tangerina da fruteira na cozinha e tirou a casca com suas unhas curtas, logo começou a comer sentado no sofá da sala.


Viu seu parceiro descer e entrar na cozinha, totalmente arrumando, terminou de comer a fruta e pegou sua mochila, chamando um táxi para levá-los até a agência.


Não demorou muito para o táxi chegar e o Kim terminar de se arrumar. Entraram no carro e o taxista levou os dois até o prédio. Park pagou o motorista e os dois saíram do carro, entrando no prédio. O ruivo viu a recepcionista encarar os dois e engolir em seco, passando a digitar algo em seu computador.


Resolveu ignorar isso, já que lembrou que havia contado para ruiva sobre o perigo que ela estava correndo, então foi até o elevador. Ao chegarem na sala, ajeitaram suas coisas, sentaram nas cadeiras, um de frente para o outro, esperando o resto chegar.


— O que era aquele embrulho? — Taehyung perguntou curioso.


— Sandy mandou minha camisa pela Kim. — respondeu seriamente, observando o outro levantar as sobrancelhas. — O que foi?


— Eu pensei sobre tudo que aconteceu anteontem, deveriamos considerar ela como o "Bunny", já que ela não tem telecinese, não acha? — comentou apoiando os cotovelos na mesa de vidro.


O moreno lembrou-se da carta da ruiva, resolveu citar sobre ela quando os outros chegassem. Viu a porta ser aberta e o hacker entrou, com uma xícara na mão e um olhar cansado.


— Bom dia. — falou o loiro afastado, sentando ao lado do Park.


— Por que essa cara, amigo? — o Park idagou confuso, vendo o mais baixo beber um pouco do líquido preto na xícara, deduziu que era café puro.


— Dormi mal, esse caso está pertubando minha mente. — o hacker confessa fechando brevemente os olhos, antes de abrir rapidamente e pular na cadeira. O ruivo riu ao perceber que o outro havia dormido.


— Tem certeza que está bem para trabalhar, Hyo? — o Kim pergunta preocupado.


— Tenho, cara... eu estou ótimo. — bocejou no meio da sua fala, piscando algumas vezes.


— Meu Deus que fofo! Eu me animei só com esse casaco! — ouviu um grito feminina e rechonheceu ao ver a loira se sentando e a arroxeada abraçando o hacker. — Eu quero!


— O que tem de especial nesse casaco? — o moreno indaga curioso.


— Acho que... é por causa dos doces desenhados e... a cor. — o loiro responde bastante sonolento.


— O que aconteceu com ele? — a loira indaga confusa.


— Isso tudo não deixou ele dormir. — o Kim ruivo diz naturalmente.


— Eu também não dormi bem, mas foi pelo ataque que tivemos aqui, as palavras de Sandy e daquele homem mascarado não saem da minha mente. — a de fios roxos confessa se sentando na frente da ruiva. — Cadê o Yoongi?


— Em uma das celas do subsolo, não precisamos dele por enquanto. — o loiro responde abrindo seu notebook. — Aliás, ele mesmo disse que não iria mais ajudar...


— E quando ele vai sair daqui? — o ruivo pergunta curioso.


— Quando o caso acabar. — o outro Kim responde olhando para o amigo. — Vamos?



~•••••~




— Até mais, meninos. — acenou para os dois que já se afastavam.


Suspirou lembrando de poder passar em um lugar antes de ir para sua casa. Estava cedo, era sete da noite, poderia desestressar um pouco, tinha muita coisa em sua mente e isso estava lhe enlouquecendo.


Subiu em sua moto e irira ligar o motor se não ouvisse um barulho de uma arma destravando. Suspirou largando a chave na moto e levantando as mãos, sentindo a presença atrás de si se aproximar.


— Desça da moto. — ouviu a voz feminina familiar e sorriu de lado, obedecendo.


— Eu não esperava lhe encontrar tão cedo e... sozinha. — falou sem tirar o sorriso de canto do rosto, virando para a agente, sem abaixar as mãos. — Eu sabia que alguma hora sua mente iria chegar em mim.


— Então sabe por que eu estou aqui, não é? — a arroxeada indaga seriamente.


— Sim. — abaixou suas mãos e colocou no bolso do seu casaco, vendo que a agente estava somente com uma blusa rosa bebê com botões pretos, uma calça preta e um tênis preto. A temperatura estava baixa ali e as roupas da agente eram finas, a ruiva notou que a mesma sentia frio. — Fale logo, preciso ir a um lugar urgentemente.


— 'Pra onde? Vai matar mais uma família? — as perguntas da arroxeada pegaram Sandy de surpresa, mas a mesma logo voltou com o sorriso de canto.


— Não. — respondeu simples, confirmando indiretamente que havia matado Chung-hee. — Vai ter que ir comigo se quiser saber.


— Não confio em você.


— Eu também não confio em você, Agente Jennifer, não estou pedindo isso para você. — rebateu seriamente, porém sua expressão suavizou. — Vai continuar apontando a arma para mim? Mesmo sabendo o que eu posso fazer? Abaixa esse troço!


A arroxeada abaixou a pistola vagarosamente, guardando em suas costas e suspirando em seguida.


— Quem é você, Sandy? — a agente indaga relaxando os ombros.


— Eu não sei, Agente. Por isso eu estou aqui. — respondeu sincera.


— Se você não é assassina, o que você é?


— Eu sou uma garota qualquer que quer acabar com algo perigoso, além de ter outros motivos pessoais. — a de fios escarlate responde naturalmente.


— Você não vai ajudar em nada, não é? — Jenny pergunta cruzando os braços, irritada.


— Não. — riu divertida. — Olha, eu não quero que vocês tenham esse olhar desconfiado para mim, eu odeio isso, sempre falo a verdade. — subiu em sua moto e olhou para trás, batendo no banco para a agente sentar. — Prometo que não vou encostar em você, é só me dar um voto de confiança, e eu te dou um meu.


A arroxeada pensou por alguns minutos, vendo que poderia descobrir mais sobre a ruiva se subisse na moto. Não demorou muito para fazer isso, segurou nos ferros de trás da moto, para não segurar na garota. Esta que sorriu e ligou a moto, acelerando em seguida, as duas ficaram em silêncio por vários minutos, a arroxeada estava até estranhando por estarem tão longe do centro de Seul, e cada vez ia aparecendo mais árvores, mas a casas ainda continuavam aparecendo. 


A ruiva parou a moto na frente de um lugar com três andares, as paredes estavam todas pixadas com tintas coloridas em vários desenhos aleatórios, a agente desceu da moto junto com a outra, esta que andou até a entrada do prédio pequeno com a mais nova lhe seguindo.


Entrou no lugar e ligou as luzes, vendo os olhos da arroxeada se arregalarem, ela estava admirada com tudo aquilo.


— Gostou? — a mais velha das duas indaga, vendo a outra assentir freneticamente. — Eu que fiz, faço isso quando quero desestressar ou tenho um desenho novo em mente, e no final fica assim. — apontou para as paredes pichadas. — Tudo colorido. Mas não é aqui que eu quero ficar.


— Eu quero pichar também! — a agente exclama animada. — Por favor!


Por um momento a garota havia esquecido que estava com Sandy, porém logo ajeitou a postura e forçou uma tosse.


— Bom... vamos para o terceiro andar... — a mais velha diz risonha, andando até as escadas. — Esse lugar costumava ser um estúdio de fotografia e gravação, mas houve uma explosão e eles não tinham dinheiro o suficiente para pagar o conserto de tudo, então largaram isso aqui. — informou a arroxeada que lhe seguia. — Quando eu cheguei aqui esse lugar estava todo bagunçado e feio, eu tirei tudo daqui de dentro e comecei a pichar, agora está bem melhor.


— O que tem no terceiro andar? — a gente pergunta fingindo falta de interesse, porém a outra conseguia sentir a curiosidade dela.


— Você vai ver. — um sorriso involuntário escapou de seus lábios, quando abriu a porta do terceiro andar.


A agente observou tudo com cautela. As poltronas giratórias, o aparelho de gravação, computadores e as paredes coloridas, quase como uma arte abstrata. Um vidro que dava a visão de outra sala, com um teclado, uma bateria, uma guitarra e um violão, mais os microfones de gravação, os bancos vermelhos de mármore vermelho — daqueles que giram — e uma porta entre esta sala e a que estavam. Um estúdio de gravação.


— Eu adoro esse lugar. — a ruiva fala sorrindo sincera. — E aí? Eu te matei?


— Não. — fechou a expressão encarando a ruiva, que riu em satisfação. — Mas eu ainda não confio em você.


A mais velha revirou os olhos sentando na poltrona preta com vermelho, apoiou sua perna na outra e fez sinal para a agente se sentar na outra poltrona, esta que sentou-se e relaxou na cadeira. A arroxeada olhou para os olhos castanhos da ruiva e franziu o cenho.


— Por que você usa lentes de contato? — indagou curiosa.


— Não gosto dos meus olhos, quando eu saia na rua as pessoas me olhavam como se eu fosse...rara. Eu passei a me incomodar e comprei lentes de contato. — respondeu a ruiva mexendo no aparelho.


— Você disse que não queria lembrar... lembrar de quê? 


— De tudo. — a mais velha diz olhando de lado para a agente, porém voltou. — Eu não lembro de nada da minha vida, família, amigos, namorados, passeios. Nada. — levantou da poltrona e entrou na outra sala.


— E seus irmãos? — indagou a outra confusa, vendo a garota voltar para a sala onde estava.


— Isso aí é outro assunto. — retrucou a ruiva passando pela agente, indo até a escada. A arroxeada começou a seguir a outra, que parou no segundo andar. — Você ainda quer pichar?


— Por que?


— Eu ainda tenho tinta aqui. — explicou pegando as duas latas de spray. — E aí? Vai querer ou não?


— Vou poder fazer o que eu quiser? — a arroxeada indaga um pouco animada.


— Sim. — respondeu-lhe sorrindo de lado, estendeu a lata para a outra, que pegou rapidamente. — Bom, eu pintei só duas paredes, escolha qualquer uma e pode pintar. — explicou andando até o desenho que a mesma não havia acabado, balançando o spray em sua mão.


A agente andou até uma parede cinza aparentemente velha, pensou um pouco e decidiu criar um desenho significativo para si. Sorriu com a idéia e começou a pixar a parede. A ruiva continuou concentrada, sempre movendo as mãos, ansiosa para terminar mais um desenho, e também querendo ver o desenho da arroxeada.


Após alguns minutos elas acabaram, uma atrás da outra, sorrindo para a pichação. As duas se encararam e depois olharam para a pichação feita pela outra. Suspiraram ao mesmo tempo e se entreolharam.


— Você desenha bem. — a ruiva elogiou olhando para a pichação, realmente estava bem desenhado.


— É a primeira vez que eu não faço isso em um papel... — comentou sem graça. — Seu desenho... o que significa? — perguntou confusa, já que o desenho da garota eram várias cores se cruzando.


A ruiva sorriu, pegou no pulso da agente e a puxou parao lado da porta. Ficou atrás da de cabelos roxos e sorriu ao observar seu desenho.


— Preste atenção somente nas cores cinzas e pretas... — falou próxima do ouvido da agente.


A mais nova assentiu, passando a procurar pelas cores que a outra havia citado, foi notando uma flor, preta com o cinza contornando-a, alguns espinhos haviam ali que antes não faziam sentido, mas agora fazem.


— Rosa Negra... — citou a flor moldando um sorriso pequeno em seus lábios.


— É... a minha favorita. — a ruiva retruca andando até a porta. — Está tarde, vamos embora. Parece que eu falei muito sobre mim esta noite. — sorriu descendo as escadas, sendo acompanhada pela agente. 


As duas deixaram aquele lugar, a ruiva dirigiu até o restaurante outra vez, já que de modo algum a mais nova iria lhe falar onde morava. Jennifer desceu da moto e suspirou.


— Eu vim aqui pensando em te prender, mas eu esqueci das algemas e não tenho provas para te acusar de algo. — suspirou frustrada, fazendo a outra rir baixo. — Bom, a gente ainda se vê, Sandy.


— Tome cuidado. — falou o que estava preso em sua garganta, ligando a moto.


Algo dentro da mais velha a incomodava, já havia sentido aquilo antes, quando Jeongguk e Jackson sumiram e foram atacados. Preocupação e medo. Sentia que algo daria errado e alguém sofreria se não fizesse algo. Até pensaria ser algo da sua cabeça, porém já aconteceu duas vezes e não queria que acontecesse outra vez. Observou a arroxeada se afastar e dobrar em uma rua para a direita, suspirou com o pensamento que teve e desligou a moto.


Levantou o banco da moto, vendo o porta-malas que havia ali com um arco e cinco flechas, sua faca de lâmina tripla em forma de espiral, e mais duas glock's. Pegou sua faca sorrindo, pegou o arco e colocou em seu ombro, passando entre o seu tronco e a outra ponta em sua coxa, pegou as flechas e segurou, guardou a faca em suas costas.


Seguiu a agente, seus passos eram bastante leves, continuou assim até a ruiva ver uma movimentação dentro de um beco que a arroxeada já havia passado, viu um homem de máscara sair dali e andar devagar atrás da garota. Ficou atrás dele e colocou a mão na sua boca, puxando ele para o beco e o jogando no chão, retirou a faca de sua costa e se preparou para lutar, o homem se levantou com uma faca também em sua mão e avançou na garota, esta que desviou da facada em sua garganta e rebateu fincando a faca direto na cabeça do homem.


Morreu. Pensou.


Tirou a faca da cabeça do homem, olhou para fora do beco e viu a arroxeada mais longe, andando encolhida por causa do frio. Arfou quando um outro homem saiu de um beco do outro lado da rua, na direção da arroxeada, tirou seu arco de si e posicionou uma flecha com cuidado na corda, puxou para trás e mirou no homem, soltando a corda e vendo a flecha atingir o peito esquerdo do homem. Olhou para Jenny e viu a mesma entrar em outra rua para a esquerda. Um outro sujeito correu até si e tentou lhe dar um soco, somente se agachou pegando sua faca que estava no chão e enfiou na barriga do homem, este que abriu a boca porém não soltou nenhum som. 


Tirou a faca quando o homem fechou os olhos e foi atrás da arroxeada, olhou para os terraços dos kitnet's que haviam ali e viu uma silhueta se abaixar em um deles, entrou no beco ao lado do kitnet e colou sua mão direita e seu pé esquerdo na parede, depois a mão esquerda e o pé direito, começando a subir pela parede. Chegou no terraço e viu uma faca passar perto do seu rosto, e, apoiando-se no pequeno muro com as mãos, jogou o pé direito para o rosto do homem, acertando sua bochecha e pisando no chão em seguida. Após subir virou-se para o homem e lançou a faca na sua direção, acertando seu estômago, correu até ele e retirou a faca rapidamente, correndo até a outra ponta do terraço e vendo um homem atrás de um latão de lixo, olhando para a agente.


— Aish, quando isso vai acabar? — resmungou enquanto se posicionava para atirar outra flecha. Largou a corda e viu a flecha acertar a costa do homem, na direção do pulmão. — Pronto.


Pulou para o outro kitnet que ficava grudado no outro e passou a seguir a arroxeada por ali, parando ao ver uma flecha passar atrás de si, olhou para o outro lado da rua e viu um homem posicionando uma flecha em um arco, se abaixou ao ver a flecha vir na sua direção e colocou uma em seu arco, mirando no homem que estava correndo pelo terraço e soltando a corda, acertando a costela do homem.


Pulou para o outro terraço e se agachou procurando mais alguém, viu a arroxeada dobrar para a direita e suspirou. Desceu do terraço e continuou seguindo a agente, com uma flecha posicionada no arco. Atirou essa em um homem que estava na esquina que havia passado antes, olhou para a maia nova na sua frente que não havia escutado a faca cair no chão. Ah, havia esquecido do meu "dom". Pensou.


Entrou em um beco rapidamente quando a de cabelos roxos olhou para trás, e, quando ia sair dali sentiu um cano em sua cabeça, bufou se xingando mentalmente por não ter notado o homem naquele beco, ouviu os passos da garota se afastando e virou-se para o que apontava a arma para sua cabeça. O homem agora não usava máscara como os outros, largou sua flecha no chão, o homem sorriu largamente, não se importando em falar ou fazer barulho puxando o gatilho da arma.


— Eu lembro de você... — o homem se pronuncia sorrindo.


— Sério? Eu não lembro de você. — falou sem interesse, colocando suas mãos na cintura.


— Ah, mas eu gostei de fazer aquilo com você, ah, se eu gostei. — comentou e a cabeça da ruiva pareceu lembrar daquele homem. — Você ficou tão desesperada...


"— Agora! — ele repetiu apontando a arma para o corpo fraco no chão.


— Tudo bem! Tudo bem! — gritou virando de costas, colocando suas mãos na cabeça. Sua respiração estava acelerada, seu coração parecia querer sair e um choro estava preso em sua garganta.


E pareceu que tudo ficou em câmera lenta ao ouvir um disparo, virou-se imediatamente e correu até o corpo no chão, vendo o sangue manchar suas mãos. Sentiu lágrimas descerem pelo seu rosto e começou a chamar a garota de cabelos cacheados, dizendo várias vezez "não". Abraçou o corpo sem vida da garota e ficou ali, ouvindo a risada do homem e vendo sua roupa branca totalmente suja."


— Filho da 'puta! — exclamou baixo, segurando o cabo da faca com o polegar.


— Oh, você se lembrou? — riu. — Não sabia que você estava se lembrando tão rápido, se bem que já se passou três anos, não é?


— E finalmente você vai morrer, não é? — retrucou a ruiva.


A ruiva olhou para trás do homem, vendo ele se virar e procurar alguém atrás de si, a garota aproveitou e retirou a faca da sua costa e avançou no homem, penetrando a faca em sua boca assim que ele se virou, tirou a faca com força e empurrou o corpo no chão.


— A sua sorte é que eu não vou machucar ninguém que você ame, se é que você ama alguém, não é? — falou com o corpo morto e guardou a faca em sua costa, pegou seu arco e sua última flecha do chão. 


Continuou seguindo a arroxeada, não viu mais ninguém seguindo ela, então só acompanhou para ter certeza. Viu a agente abrir um portão cinza e entrar em uma casa, suspirou abaixando seus ombros e sorrindo aliviada.




O dia acabou bem.













Continua...


Notas Finais


É isto, o próximo capítulo sai sexta por que sim.

Desculpa qualquer erro — eu verifiquei duas vezes, viu?



Até o próximo capítulo, doces.


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