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História The Girl Who Survived - Capítulo 5


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Notas do Autor


Não imaginam o prazer que é estar de volta

Capítulo 5 - Nunca


Fanfic / Fanfiction The Girl Who Survived - Capítulo 5 - Nunca

 

Nenhuma sensação, além do vazio era tangível. Nenhum som. Nenhum cheiro.

Seu corpo, assim como suas pálpebras, parecia pesar uma tonelada. O cansaço parecia uma fumaça densa envolvendo-a como um cobertor grosso e quentinho em uma manhã de inverno.

Mesmo de olhos fechados, era possível enxergar a luz esverdeada que a envolvia. Não era confortável. Sua mente estava presa ao corpo imóvel no chão. Tentou abrir os olhos, enquanto apoiada contra a parede levemente áspera. Mas ao invés da consciência voltar à luz, mergulhou um pouco mais no frio da incapacidade. Não havia controle. Todo seu corpo parecia lutar contra seus pensamentos, contra ela.

Afundou, cada vez mais longe do raso. Cada vez mais fundo na inconsciência.

Então se viu de pé no escuro. Descendo, mais e mais.

Esticava os braços ao máximo que podia e pulava a fim de alcançar a superfície que, já nesta altura, se encontrava longe demais para ser tocada. 

Sozinha no escuro. Longe demais da luz para enxergar qualquer coisa além do nada.

Um flash verde a atravessou no estômago e um frio assustador subiu por sua espinha, deixando-a trêmula e com vontade de chorar.

Medo. Pânico. Qualquer fosse o nome que desse àquilo que sentia no vazio, não importava. Era real e tangível. Estava ao redor, girando, girando, girando...

Por um momento ficou tonta. Seus pés e mãos estavam atados. Não havia pra onde correr.

Aquele era um labirinto escuro e, provavelmente, sem saída. Foi o que pensou.

“Não pode dormir...”

Um murmúrio lhe disse suavemente próximo, mas invisível.

“Abra os olhos...”

Abrir os olhos?  Se perguntou.

“Abra os olhos...”  Repetiu a voz com ternura.

Então, o tom enevoado de um verde escuro apareceu.

Ela estava em um quarto pouco claro de algum lugar abandonado. As paredes mal tinham resquícios de tinta e o chão sujo gritava negligência.

Seus olhos ainda tinham uma visão embaçada, como de um sonho assustador.

E o cansaço parecia querer abraça-la mais uma vez.

“Não durma...”  a voz mais uma vez murmurou.

Lucy tentou manter as pálpebras abertas. Piscou diversas vezes a fim de limpar a visão, para enxergar melhor.

Olhou ao redor, como se tivesse acordado de um sono pesado, ainda com a compreensão lenta.

Um homem estava parado a seu lado. Agachado.

Seus olhos verdes expressivos brilhavam uma emoção. Ele estava preocupado.

“Precisa acordar...”

A menina franziu o rosto, não sentindo medo algum da figura à sua frente. 

“Vou lhe contar um historia... Era uma vez, três irmãos com dons extraordinários. Todos excepcionalmente talentosos, com suas qualidades e defeitos... o irmão mais velho era leal e inteligente, no entanto era um covarde... o irmão do meio era... um tolo ambicioso, cego pelo preconceito, mas que faria tudo a seu alcance pra proteger sua família...”, o homem respirou fundo, sorrindo levemente, “O irmão mais novo era determinado, leal e corajoso... cruel também... disposto e capaz de tudo para alcançar seus objetivos...”

Lucy piscou sem entender onde aquele homem queria chegar com aquela história.

“Os três, independente das diferenças, eram inseparáveis... isso até a guerra chegar...”, seus olhos estavam salpicados de dor, ela podia ver.

 “Cada um teve seu destino selado por conta de suas atitudes... o irmão do meio casou e teve uma linda garotinha...”, o homem a olhou com muito carinho, “Ela era seu amor incondicional, algo que o mesmo julgou nunca ser capaz de sentir... Minha princesinha... Minha Lucy...”.

Um leve calor emergiu em seu coração.

“Pai?”, ela sussurrou muito cansada.

O homem sorriu tenro.

“É tão linda quanto sua mãe...”, murmurou com muito carinho. “Está na hora de acordar”, ele avisou com muita calma.

“Eu não sei como...”, expôs num fôlego só.

O homem assentiu lentamente, como se pensasse em algo. Então, pegou-a no colo e saiu do cômodo assustador em que se encontravam, causando uma sensação de alívio a menina quando envolta pela luz do lado de fora daquele lugar.

“É hora de acordar.”, disse enquanto a carregava por um corredor claro e bonito.

Lucy não soube por quantas portas haviam passado, apenas encolheu-se nos braços aconchegantes de seu pai. Por um segundo, quis chorar.

“Chegamos.”, falou atravessando uma porta bastante conhecida por ela.

Estava em seu quarto.

Connor a pôs na cama, cobrindo-a com seu cobertor felpudo e quentinho. Pegou uma cadeira que ficava do outro lado do quarto e sentou-se ao lado de sua cama.

“Isso é um sonho?”, ela indagou sonolenta, quase vencida pelo sono.

“No entanto, meu amor por você é bem real. Sempre foi. Sempre vai ser.”.

“Não quero que vá embora”, choramingou a menina com os olhos cheios de tristeza e lágrimas.

“Nunca.”, disse ele, dando a entender que jamais sairia dali.

Connor inclinou-se, beijando-lhe a testa.

“Vai ser a maior... que esse mundo já conheceu...”.

Lucy pensou ter o ouvido dizer bucha e sorriu cômica, sem conseguir responder seu comentário devido ao cansaço.

Seu pai sussurrou mais alguma coisa a ela, algo que a mesma achou estranho. Mais estranho do que chama-la de bucha.

Seus olhos pesaram, portanto ela os fechou por um segundo e quando os abriu novamente para questionar seu pai sobre sua frase, ele não estava mais lá.

Lucy deu uma longa olhada por todos os cantos do quarto antes de sentar na cama, ouvindo ao longe os sinos tocarem como em toda manhã.

A luz do sol iluminava tudo, como uma verdadeira intrometida, entrando pelas frestas da janela sem ter sido convidada.

Uma tristeza a assolou. Quis chorar, mas engoliu a vontade no segundo seguinte. Primeiro o escândalo no zoo e agora tal sonho. Sua imaginação parecia querer tortura-la.

Balançando a cabeça negativamente, Lucy decidiu lavar o rosto e cuidar de sua higiene pessoal.

Saiu do quarto, deparando-se com algo comum, mas que naquele momento lhe incomodava.

A casa estava pesarosamente silenciosa.

Ignorou o incômodo e começou com sua rotina matinal, pois estava com fome.

 

[...]

 

Ao descer para cozinha, deparou-se com tio Leonard ao fogão, preparando o desjejum.

Ashley estava sentada à mesa devorando algumas panquecas de forma voraz. Lucy franziu a testa, não havia sentido cheiro algum do que o homem cozinhava, o que era impossível, já que as panquecas de tio Leonard cheiravam demasiadamente bem.

 — Bom dia — disse ele ao notar sua presença.

 — Bom dia — retribuiu um pouco apática por conta do acontecimento do dia anterior.

 — Panquecas — comentou tio Leonard, animado — Favorito de vocês — disse pondo um prato cheio das mesmas diante de Lucy.

A menina sorriu levemente, sentando-se na cadeira.

Em dias especiais, tio Leonard cozinhava as melhores panquecas do mundo. Tia Cassidy fazia chá e diversos aperitivos e, assim, todos os quatro sentavam-se diante da mesinha de centro da sala para jogarem Monopoly.

Muitas vezes jogaram no aniversario de Lucy, por sugestão de Ashley, que adorava a noite de jogos com panquecas e como a prima nunca criava coragem pra pedir para fazer algo em seu aniversario, já havia virado tradição.

Enquanto comia com toda vontade do mundo, seus pensamentos a repreendiam com a exata voz de tia Cassidy, lhe cobrando etiqueta. Porém, os mesmos eram ignorados devido à fome avassaladora que a consumia.

Ela parecia não ter comido nada em semanas.

Ashley tomou um grande gole de algo em seu copo, que Lucy não soube identificar o que era, e fez uma careta.

 — Abóbora não deveria ser suco — comentou tomando outro gole — Mas é muito bom, mamãe deveria fazer...  — olhou pra prima enchendo um copo para a mesma do mesmo suco que repousava em uma jarra no centro da mesa — Prove isto, Luce.

Desta vez não havia flores frescas à mesa ou toda sua organização com os talheres e pratos. Nem mesmo a tia estava presente. Estranhou, pois a grande paixão da Sra. Randall era preparar as refeições de forma perfeita.

A menina pensou em questionar onde estava tia Cassidy, mas ainda estava chateada com a mesma. Então, acolheu o silêncio como seu amigo.

Tomou o suco, estranhando o sabor de inicio, mas o achando delicioso logo em seguida.

 — Mamãe não vai descer? — Ashley perguntou, terminando de comer.

 — Dor de cabeça.

Ashley assentiu lentamente.

 — Tive um sonho estranho essa noite — comentou tomando suco — As luzes de casa queimavam... as lâmpadas dos postes explodiam... e... sei lá... foi estranho...

 — Foi apenas um sonho — tio Leonard disse gentilmente.

 — O estranho é que foi bem real... — comentou levemente avoada.

 Deu de ombros de repente.

 — Vou falar com Duda — decretou levantando-se da mesa mais que depressa.

 — Não fique pendurada na linha!  — mandou ele.

 — Tudo bem! — rebateu ela, antes de sair da cozinha.

Tio Leonard balançou a cabeça negativamente. Estava incomodado com o carinho que a filha nutria pelo filho daquele homem do zoo, que mais parecia um porco. Aquele, como diria sem censura de tia Cassidy, trouxa.

Lucy sorriu minimamente.

 — Como está? — Tio Leonard perguntou a sobrinha com muita ternura e preocupação.

 — Bem...  — sussurrou tomando mais um gole do suco.

Não queria conversar, apenas gostaria de comer e voltar para seu quarto.

O Sr. Randall notou sua reclusa e não disse mais nada. Levantou-se da mesa e recolheu a louça suja dele e da filha para lavar.

Em silêncio, Lucy não conseguiu evitar de pensar no sonho com o pai. Seu coração apertou levemente com a lembrança.

Ao terminar de comer, levantou da mesa e entregou a louça suja para o tio lavar.

Sua intenção era subir para o quarto, no entanto antes de sair lembrou com comentário no final do sonho e teve uma sensação engraçada.

 — Tive um sonho estranho... — comentou com tio Leonard que estava de costas para a mesma — Acho que sonhei com meu pai...

Tio Leonard parou. Virou-se para encarar a sobrinha, derrubando um pouco de água no chão.

 — Como foi? — perguntou cautelosamente.

 — Estranho — reforçou a frase com um sorriso — Ele disse que sentia saudade de sapos de chocolates e de mais alguma coisa chamada goles... — balançou a cabeça rindo com a loucura de sua frase — E que estaria esperando o senhor com alguma coisa amanteigada... Cerveja, eu acho...

Tio Leonard piscou sem reação.

 — Como disse... estranho — murmurou a sobrinha forçando um sorriso antes de sair da cozinha.

Uma nuvem negra pareceu o atingir subitamente.

De repente, lembrou-se de algo há muito tempo esquecido.

 

“Um brinde, irmãos!”, a voz de Connor surgiu em sua mente, acompanhado de uma memoria. “Michael, um brinde...”.

O rapaz jovem ergueu a caneca assim que o irmão chamou sua atenção. Leonard riu com a distração do caçula, bagunçando lhe os cabelos.

“Cai fora!”, resmungou irritado.

“À nós!”, Connor ignorou continuando o brinde “À nossa família e nossa união, que nada tem o poder de destruir...”.

“E que sempre recebamos uns aos outros com sapos de chocolates e goles!”, tio Leonard interrompeu zombeteiro.

“Preferiria cerveja amanteigada...”, resmungou Michael, olhando desgostoso pro suco que ele e Connor tomavam, invejando o irmão mais velho por tomar tal bebida.

“Que seja, então!”, riu Connor quando todos os três chocharam as canecas umas contra as outras.

 

Sozinho na cozinha, tio Leonard permitiu a tristeza surgir.

Me perdoe Me perdoe Me perdoe Me perdoe Me perdoe Me perdoe Me perdoe

Pensou repetidamente com o coração pesado, enquanto lágrimas silenciosas e pesadas  escorriam de seus olhos.

 


Notas Finais


Foi necessário um surto mundial para minha inspiração voltar, acreditem, estou com mais raiva que vcs
Esse capitulo foi bem curtinho, mas o próximo provavelmente será maior
inté maisi


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