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História The Golden Tree Has Silver Leaves - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


AAAAAAAAAAAEEEEEOOOOO SAIU O CAPITULO COMPLETO!!

Espero que gostem, estou tentando honrar nosso amado Khada Jhin, mas sou iniciante nisso então paciência gente...

Aceito opiniões sobre erros ou coisas a serem melhoradas <3

Capítulo 1 - Ato I - Cena I - Crowded streets are empty


Fanfic / Fanfiction The Golden Tree Has Silver Leaves - Capítulo 1 - Ato I - Cena I - Crowded streets are empty

 

 

Parte I - Preparation.:

 

Era um dia nublado, estava claro para qualquer um que passasse por ali que a chuva logo viria a cair e molhar as ruas que estavam enfeitadas pelas flores delicadas de sakura, que caiam em abundancia nessa época do ano. Entre as pessoas, corria o rumor de que alguns assassinatos brutais estavam acontecendo nas proximidades, e que os corpos eram deixados de forma a parecerem como uma obra-prima bizarra e horripilante. O medo estava se espalhando rapidamente pelo ar e isso deixava os nervos de todos a flor da pele. Exceto por um dos transeuntes que andava tranquilamente, guardando para si os sorrisos que queriam surgir em seus lábios. Ele sabia bem que não era bom se denunciar tão facilmente, principalmente quando suas duas melhores peças estavam tão próximas de chegar ali.

Khada Jhin possuía um desejo oculto – alojado dentro de sua alma, desejo esse que mantinha sufocado no amago de seu ser – de um dia ser capaz de pintar a mais linda obra, – e para isso precisava de algo que faltava em si – aquela que faria todos os espectadores perderem o folego ao contemplar, a obra perfeita, seu ultimo trabalho. Uma homenagem aqueles que lhe inspiravam a ser, aos Kindreds, que faziam-no pintar tão lindamente. Sua única lamentação era que o sangue possuía apenas uma cor. Mas isso não o impediria de pintar sua mais bela obra.

Ainda assim Jhin sentia-se orgulhoso por ter seu trabalho reconhecido, embora soubesse que faltava algo.  Com tal pensamento em mente, acabou por apenas ignora-los, precisava se concentrar no show que estava por fazer, afinal de contas, tudo precisava estar completamente perfeito. Ele não era de errar e essa não seria a ocasião para isso, havia treinado a noite toda, exaustivamente, para que sua performance no piano fosse completamente perfeita. Embora algo lhe incomodasse profundamente, ele não sabia e nem mesmo havia visto ou ouvido a determinada pessoa que cantaria a musica tocada por si, esperava que esta fosse minimamente digna de tal canção. Não que nutrisse muitas esperanças.

Adentrou o teatro pela porta dos fundos, tinha uma leve noção da possível presença de Zed e Shen entre a plateia, mas não se incomodava com isso, pois naquela noite ele era apenas Jack, o pianista em ascensão ao mundo dos palcos. Recebeu alguns cumprimentos enquanto andava pelos corredores grandes do local, em direção ao camarim que lhe fora cedido, mas notou que a maior parte da atenção se voltava ao atraso da possível cantora. Isso causou um incomodo em seu ser, pois não podia tolerar tamanha falta de compromisso. Acabou por não segurar-se e foi até o grupo que conversava parecendo alarmado.

“Desculpem-me a intromissão mas não pude deixar de ouvir a conversa...” – começou, o tom suave e calmo como deveria soar a voz do jovem que nesse momento interpretava – “A nossa musa não está aqui ainda?”

“Ah, você é o pianista que eles contrataram não?” – a mulher mais velha que cuidaria das cortinas o reconheceu – “Eu já o escutei tocando, é simplesmente divino.”

Jhin sorriu com o elogio, apesar de que isso o tenha – na realidade – deixado incomodado, sua musica não estava nem perto da perfeição que ele queria alcançar, quando a mulher a sua frente ouvi-o tocar o piano, estava apenas se acostumando a esse. Dedicou um momento a observa-la, longos cabelos ondulados, quase dourados, claramente pintados, já que os fios negros começavam a aparecer entre a raiz deste, corpo escultural, quase anormal – para os padrões dele ao menos – com seios fartos demais e uma cintura fina que indicava o quão mal ela devia se alimentar. Não serviria a sua arte.

“Obrigado, garanto que a sinfonia que trarei ao palco esta noite, será infinitamente melhor.” – afirmou, o sorriso doce agradecendo o elogio – “Mas pra isso é necessário que a musicista chegue a tempo...”

“Não se preocupe, ela ira chegar.  Aureum sempre faz isso, todos ficam loucos, mas ela vai estar aqui na hora.” – afirmou o rapaz mais novo dentre eles – “Ela ama entradas dramáticas... Não posso culpa-la, é sempre tão isolada...”

“Isolada?” – não pode conter a curiosidade em seu próprio tom – “Bem, eu realmente não sei muito dela... As pessoas aqui costumam falar pouco quando pergunto. Por acaso possui alguma doença?”

“Oh não, não exatamente, é só que ela...”

“CAHAM.” – o mais velho se interpôs entre ele e o mais novo, o olhando de soslaio, desconfiado – “Está quase na hora do show, Jack. Deveria ir tomar sua posição. Aureum virá logo e você vai entender. Mas por hora, foque em sua apresentação.”

“Certo.” – confirmou sorrindo ainda, simpático, apesar do modo rude deste – “Não seria bom deixar a estrela desse lugar esperando.”

E então Khada Jhin virou-se, tomando o rumo do lugar que ocuparia naquele palco, o grande piano estava ali, sombrio, chamando por si, aguardando com a frieza que emanava desde o primeiro dia. Claro, ele gravou o rosto do garoto mais jovem, ele era baixo, cabelos ruivos e sardas predominavam em si, era esguio e provavelmente fraco demais, porém parecia saber algo a mais que os outros. Já o mais velho, era perfeito para a arte que o Demônio Dourado estava planejando, cabelos pretos, um corpo forte, mas não tão exagerado e era manco, além do rosto marcado pelas cicatrizes do que pareciam garras afiadas.

A noite poderia ser produtiva depois do show e Jhin enfim poderia se livrar de toda frustação em sua carne. Sentou-se na madeira acolchoada com espuma recoberta por ceda ioniana que o banco possuía, mas foi recebido com o frio sepulcral do instrumento. Ainda não sabia explicar por que, mas aquele piano parecia odiar tudo naquele local, como se estivesse acorrentado ali e em seu ódio aprisionado, tentasse se livrar dos dedos que ousavam o dedilhar pelas teclas empoeiradas. Aquilo era um absurdo, mas havia algo que o incomodava seriamente, por mais que limpasse tal órgão musical, sempre havia poeira em si. Como se ela rastejasse de volta.

Imerso na escuridão daquele instrumento, ouviu as cortinas abrirem-se e teve certeza que nem assim este iluminou-se. Respirou fundo, não via sinal da garota. Aquilo o irritou profundamente, ela iria mesmo estragar sua estreia? Jamais poderia perdoa-la se esse foi o caso. Olhou de soslaio para os bastidores, vendo o homem com as cicatrizes fazendo a contagem, enquanto acenava para que ele se preparasse para tocar. O que infernos todos eles estavam escondendo? Não importava, nesse momento precisava se concentrar na musica que seus dedos iriam tocar. Respirou fundo, afastando toda e qualquer preocupação de sua mente.

“Chegou a hora, pequeno pássaro engaiolado. Vamos dar a eles, um momento para recordarem-se eternamente.” – sussurrou para o instrumento, sentindo-o tremer abaixo de si – “Hora do Show.”

 

Parte II – Presentation.:

 

Silencio, era isso que predominava no grande salão que aquele teatro possuía. As cortinas arrastaram-se, revelando um palco quase vazio, havia apenas um piano solitário, em um canto escuro, e nele alguém parecia sentado, pronto para tocar, expectativa pesava no ar. Os presentes diriam que essa era palpável naquele momento. E o silencio parecia sufocar a todos, de tão surreal, nem mesmo as respirações de todos ali – e não eram poucos os espectadores – era audível. Parecia até mesmo que o silencio era algo magico.

E então a musica tomou o lugar, uma melodia fúnebre, tão macabra que provocou arrepios na espinha dos presentes. Todos sabiam que a peça que seria apresentada naquela noite silenciosa, era algo tenebroso, mas aquilo estava além das expectativa dos que observavam o pianista, compenetrados na melodia que ecoava do piano sombrio que ele tocava. Seus dedos moviam-se com maestria e pareciam guiarem-se sozinhos, prendendo a atenção em si, o que fez com que os presentes esquecessem da presença – em falta – daquela que deveria dar voz a melodia.

E então, quando a musica chegou ao seu auge, onde a voz deveria fazer-se presente, todo o lugar iluminou-se, banhado em um dourado tão intenso que fez todos cobrirem os olhos, exceto pelo pianista, que naquele momento apenas continuou a mover seus dedos pelas teclas do instrumento. O segredo estava em seus olhos fechados, Jack, incorporado pelo Demônio Dourado, entregara-se de corpo e alma e apenas sentia o toque gelado de seu companheiro, embora tenha sentido a luz, e principalmente o calor que irradiava desta. E então a voz tomou a melodia, envolvendo-se com a sinfonia que tomava o ambiente, sem abalar-se ou temer, como se fosse ela mesma, parte do som produzido pelo pianista.

“As rochas da cidade a cair

O tempo a se descontruir

Você consegue sentir?

A tragédia que esta por vir!”

Jack permitiu-se abrir os olhos, embora seus dedos se movessem sozinhos, com facilidade, não iria se virar para olha-la, mas a voz prendeu sua atenção, aquela não era a canção correta. Ele odiava improvisos, mais que tudo, porém naquele momento, sentiu que a letra encaixava-se melhor na melodia tocada, por um misero momento, teve a impressão que a letra era para si. Mas aquilo era loucura afinal.

Ouço as vozes a gritar

Lastimas que não posso evitar

Fecho os olhos sabendo que está lá...

Ao toque, mas não posso alcançar!”

Um arrepio tomou a espinha do Demonio ao piano, mas sua face mantinha-se escondida pelas novas sombras que eram produzidas pela luz dourada que emanava da cantora. Sentiu que o piano sobre seus dedos se aquecia suavemente, e aquilo o teria paralisado, se ele não estivesse deixando seu corpo agir com o coração – que embora todos julgassem congelado, pulava angustiado em seu peito – e por um momento agradeceu a isso. Por estar se entregando a sua arte.

“Rosas ferem meus dedos frios

Sangue se espalha por entre rios...

Ouça a tantos lamentos sombrios

Ecoando em meio ao vazio...”

Gélido, era como ele se sentia. Khada Jhin já não possuía duvidas que a cantora atrás de si, não cantava para os espectadores e sim para si. Lembrava-se perfeitamente do evento que o levará até onde estava, das rosas negras entre os dedos frios do cadáver de uma mulher. A lembrança o afetou, quem era aquela que segurava a rosa espinhenta? Não se lembrava. Balançou a cabeça. Precisava se focar na melodia que tocava, mas notou que ela apenas ganhou mais vida, enquanto as vozes que o perseguiam, ecoavam em sua mente.

“Tiros ecoam no ar,

Nós convidamos você a dançar!

Um, dois, três, quatro,

Mais uma obra se transformará em quadro.”

Jhin segurou a risada que tomou seu ser, cortante e profunda. Ela sabia quem Jack era realmente, sabia quem ele era, e estava ali, o provocando sem piedade alguma. Não sabia dizer se ela era apenas maluca, ou se estava novamente delirando pelas vozes ressoando em sua mente. Tudo que tinha certeza, era que elas queriam o sangue do ser feminino atrás de si, e ele faria com ela a obra de arte mais linda que pudesse. A melodia tomou um terceiro som, ainda mais sombrio que o original. Ele estava amando improvisar.

“Você consegue compreender?

Das vozes não há como se esconder!

Rosas Negras florescem em minha pele

O sangue escorre dos espinhos que me ferem.”

Sentiu o gosto metálico em sua boca, estava mordendo a parte interna desta, sem notar. Desejava o sangue, sentia-se vivo. Pronto para a caçada que teria ao fim daquilo. Excitação era pouco para o estado em que se encontrava, possuía em si um desejo ardente, maior que o prazer carnal. Apenas o saciaria ao ter aquela garota morta em seus braços, formando mais um dos quadros maravilhosos que pintaria. Sentiu como se o piano sob seus dedos ganhasse vida com tal pensamento, aquecido, mas não emanava um calor, apenas um frio mais reconfortante.

“Evite olhar o sangue a pingar

Os mortos vão convida-lo a brincar!

Logo entenderá

Segredos irão se revelar!”

Os dedos dedilharam as teclas do instrumento, estava perto do fim daquela musica fúnebre, e sentiu seu corpo formigar, em curiosidade para com qual seria a ultima rima feita pela voz quase divina que ecoava no ambiente. Viu-se preso em atenção, focado na voz, e em um ato impensado, acima de si e de sua própria vontade. Um sorriso formou-se em seus lábios. Sabia que era apenas questão de tempo até te-la pintando uma de suas obras-primas, e aquilo o deixou excitado.

“Sussurros ecoam na noite fria

A estranha que vaga sozinha, trazendo uma vida vazia...

É a morte que fica a sussurrar

Enquanto prepara ardil armadilha sempre a te observar...”

E então seus dedos pararam de correr entre o frio incomum do piano, estava ofegante, e sentia que a maquiagem o sufocava, mas levantou-se, lentamente, parando ao sentir. Sangue fresco e quente respingou em si, manchando o instrumento que pareceu absorver as gotas que brilhavam douradas por causa da luz ainda emanando dela. O grito agonizante veio em seguida, ele reconhecia o som de uma dor pura e verdadeira. Sentiu os músculos travarem, havia escutado o som, inconfundível de uma arma. Sua mente demorando a processar o que acabara de ocorrer ali. Haviam o avisado de um final esplendoroso, mas nada que envolvesse sangue e principalmente, alguém entre a plateia.

“Já que veneras tanto a morte, pegue-a de presente para si!” – uma voz ecoou preenchendo todo o local, não dava para dizer de onde está vinha – “Que os Kindreds guiem seu caminho conturbado. Criança sombria que finge ser como o dia! A ovelha celebrará sua alma e o lobo a sua carne.”

 

Parte III – Search.:

 

Khada Jhin ou Jack, no atual momento, virou-se perplexo, enquanto as cortinas fechavam-se, a visão que teve, retirou o ar de seus pulmões. Dourado, era o que predominava no local, até mesmo o sangue espalhando-se ao chão mantinha tal cor. Por um momento considerou se aproximar, mas o garoto com as sardas fora mais rápido, ao surgir como uma flecha, os olhos azuis arregalados em uma preocupação genuína. Aparentemente aquilo não era a parte planejada para o encerramento. Sentiu-se ser puxado, seu primeiro impulso foi revidar, mas parou ao notar a expressão distorcida em seriedade – e um pouco de aflição – do homem marcado pelas cicatrizes.

Deixou-se ser puxado, enquanto seus olhos voltavam a grudar no ser alado que jazia no chão do palco, sufocando outros gritos que pareciam querer surgir em sua garganta. E então seus olhos repousaram nele. E o sorriso gentil dos lábios dela, atingiu-o com força. Os olhos possuíam uma cor dourada claro que beiravam o prateado, mesmo naquela escuridão que se formava com o fechar das cortinas. Mas Jhin mal havia reparado naquilo, sua visão teve foco na dor estampada no rosto angelical e ele soube quase de imediato, existia algo de errado com aquele ser.

Quando perdeu-a de vista, se virou, fingindo um falso desespero, afinal ainda precisava interpretar seu papel de jovem novato. Passou as mãos nos cabelos tingidos de branco, bagunçando-os, o olhar transtornado estava estampado em sua face. Abriu a boca algumas vezes, se engasgando na própria voz, sem “conseguir” formular uma frase coesa. Até que por fim soltou um grito angustiado, encarando o mais velho que estava parado, apenas esperando que ele se recuperasse.

“O que foi isso?” – sua voz estava esganiçada, mas ainda assim audível – “Era isso o que queriam dizer por surpresa? Estão malucos?? Ela esta morrendo naquele palco!”

“Acalme-se novato. Ela vai ficar bem.” – afirmou seriamente o mais velho, passando os dedos pela cicatriz em seu próprio rosto – “Isso não era a surpresa final. Não, não mesmo. Seja quem for, era apenas um fanático.”

“Como pode pedir que eu me acalme?? Ela esta morrendo!” – andou algumas vezes em circulo, ainda encenando – “O sangue... Eu ainda tenho o sangue dela em minhas roupas!” – apesar da afirmação, não se deu o trabalho de conferir.

“Sim, sim, eu estou vendo. Agora cale a boca e se acalme.” – rosnou, soando mais ameaçador do que pretendia – “Ela tem uma habilidade única. Sua regeneração é absurda, vai ficar bem assim que retirarem a bala de si.”

Calou-se, absorvendo o que lhe fora dito, sentindo e saboreando as possibilidades que aquilo o traria, caso fosse realmente verdade. As vozes gritaram em sua mente, ideias perversas, cada uma pior que a anterior, mas elas calaram-se quando algo mais estralou alto em sua mente. Virou-se, ainda com o rosto agonizante de preocupação, encarando a cicatriz no olho do maior, crispando os lábios como quem tenta evitar a pergunta.

“A condição dela... Que ele citou, sobre ser sempre isolada... Porque?” – segurou o braço deste quando ele fez menção de abandona-lo ali – “Você me deve isso! Eu quase vi ela morrer, você me deve uma explicação.”

“Você viu não viu? Os olhos dela.” – rosnou, soltando o braço do aperto, acendendo um cigarro irritado – “Aureum é cega. Isso se deve a um outro ataque.” – respirou fundo, antes de colocar o cigarro entre os lábios, incomodado – “Ainda assim, ela não desistiu desse lugar.”

“Porque? Porque alguém a atacaria. A voz dela... Ela em si...” – deixou um suspiro exasperado escapar dos próprios lábios – “Porque?”

“Você ouviu o motivo. Chamam-na de filha das sombras. A falsa luz.” – o tom do outro tornou-se agressivo por um momento – “Aure nasceu na pior noite já vista em Ionia, matou sua mãe no parto, as asas rasgaram-na por dentro, bem como as garras. Mas ela brilhava, irradiava uma luz tão pura que afastou toda a escuridão ao seu redor.” – este mordeu os lábios, incomodado com a lembrança – “Ainda assim, trataram-na como um ser de escuridão, que traria morte a todos ao seu redor...”

“Isso não faz sentido. Ela... O que há de errado com as pessoas desse pais?” – resmungou, sem realmente conseguir formular uma frase coesa – “Porque um ser de luz foi considerado um monstro? Ela era uma criança, não tinha como saber que estava matando a própria mãe.”

“Ela é filha... Do ser a quem hoje nomeiam de Aatrox.” – foi a resposta sem sentimentos que ecoaram dos lábios marcados.

“ELA É FILHA DE UM DARKIN?” – não controlou a própria voz ao gritar – “Maldito seja o ser que deu a vida a ela.” – rosnou incomodado – “Não aguardem minha presença amanha.”

E dizendo isso, virou-se para ir embora. Não se importava que ela fosse filha de um Darkin na realidade, mas naquele momento, encontrará a saída perfeita daquele local. Sentiu a mão do mais velho em seu ombro, apertando-o sem gentileza alguma ao faze-lo. Parando - não por medo, naquele momento o Demônio Dourado quis mata-lo, mas se controlou - ao escutar suas palavras, concordando levemente.  E então saindo da construção apressadamente, mantendo o disfarce de um jovem simples e traumatizado. Rumou para  a taverna onde se hospedara, e fechou o cadastro lá, pagando pelos dias em que ficara no lugar.

Não deu atenção ao que a senhora idosa lhe dizia, sabia que seria algo a ver com a tempestade que se aproximava, mas naquele momento não se importava nem um pouco com isso, apenas queria caçar a musicista angelical, todo seu corpo era tomado pela adrenalina da caçada que se seguiria, sorriu minimamente, estava em êxtase com o possível divertimento e principalmente. Esperava que a filha de um Darkin pudesse enfeitar mais do que bem sua obra prima. Ela seria um quadro tão perfeito. Sentiu os pelos do corpo arrepiarem-se em expectativa. Subiu apressado as escadas, indo buscar o que lhe pertencia e que ainda estava em seu quarto.

Tomou o rumo da floresta, primeiramente pelo caminho que todos pegavam para chegar a outras cidades, mas depois, quando já não havia quem o visse, embrenhou-se na mata, seguindo uma trilha antiga e já coberta pela natureza rebelde que lhe dava acesso a uma cabana muito antiga. Ali arrumou-se apropriadamente para seu show. Seu verdadeiro show. Mal podia conter a animação que corria por seu ser, isso, até notar a camisa suja do sangue dela, jogada no canto onde ele a deixara. Por curiosidade, aproximou-se, notando em meio a escuridão que ele parecia reluzir com os poucos feixes de luz oriundos da lua cheia no céu. Ao iluminar o canto, com a luz escassa da lamparina, surpreendeu-se por um momento. O Sangue contido ali era como o mais puro ouro liquido.

 “Que adorável! Sublime. Sinto-me inspirado!”

 

Parte IV – Rain.:

 

A chuva havia começado, incessante e torrencial. Mas nem mesmo isso impediria Jhin de caçar aquela peça rara que havia encontrado. O único problema era, onde encontra-la? Mesmo nas semanas que antecederam a apresentação, não conseguirá informação alguma sobre está. Sua única opção seria encontrar o garoto com as sardas, mas sabia que isso era arriscado. Afinal Joseph, o homem das cicatrizes, havia conformado que sabia quem Jack era de verdade, e que não tinha intenção de entrega-lo desde que sumisse da cidade.

O que lhe incomodava nessa situação era o fato, ou melhor a falta dele, sobre como o reconheceram abaixo daquela maquiagem teatral, ele havia aprendido com os melhores. Era quase um insulto a sua pessoa, que alguém pudesse ver através de seus disfarces, principalmente quando esse não havia visto o ser que o descobriu, não até aquela noite. O frio começava  a tornar-se algo realmente incomodo na pele do homem alto, mas ignorava-o, sentia apenas a necessidade de encontrar a cantora. Calar de vez sua voz.

As ruas estavam vazias, era comum que isso ocorresse quando uma tempestade se aproximava, e havia apenas se tornado ainda mais comum conforme os assassinatos – as belas obras de arte – deixados pelo Demônio Dourado, foram encontradas em seus respectivos palcos. Mas aquela parecia uma chuva incomum, não havia vento ou mesmo sinal de trovões, apenas a chuva caia, em grossas gotas que machucavam a pele. Não que se importasse, mas já andava a horas abaixo daquelas lagrimas congelantes, parou em meio a rua, irritado. Aquela garota o tirara de seu plano original e para piorar não havia a encontrado. Parado, olhou ao redor notando não estar na cidade, apesar da rua conter as pedras que asfaltavam essa. Ainda que muito mais desgastadas e com um certo descuido sobre as pedras anteriormente polidas.

Ao reparar melhor, notou que havia uma casa, estava iluminada, apesar de parecer um tanto abandonada, talvez fosse alguma luz antiga, que não fora desligada corretamente. Pelo menos foi o que pensou, até ver a silhueta mover-se próxima a janela. Ou teria sido sua imaginação? A chuva forte o impedia de ver muito, e a luz logo se foi, deixando a casa ser consumida pela escuridão. Se não podia ter a “Goldenes Blut-Mädchen”, pelo menos iria pintar um quadro digno da tristeza que se abatia sobre aquele local, daria um motivo para que os céus realmente chorassem.

Dentro da casa, havia um silencio sepulcral, a pessoa que tinha seu abrigo naquela pequena mansão escura e tenebrosa andava com maestria entre as peças e moveis, seus pés descalços não emitiam som e a única coisa audível era as gotas que caiam ao lado de fora e havia o frio que parecia penetrar até os ossos, apesar disso, a mulher, esguia e pequena, não parecia se importar, cortando a carne em meio a escuridão que lhe rodeava, atenta ao som. Não demorou para que acabasse por cantarolar baixo, no ritmo da chuva, enquanto preparava o próprio jantar, isso até ouvir a porta da frente abrir-se, com o rangido habitual. Sabia que não havia sido o vento, pois se certificará de tranca-la e escutou perfeitamente o golpe que quebrou o trinco maciço.

Ajeitou-se, deixando a faca sobre a pia, sabia que teria a vantagem naquela escuridão. Principalmente, porque aquela era a SUA casa. E estava acostumada a cada canto daquele bendito lugar, cada ranger, cada peça e móvel, sabia a posição de todos de cor, e também tinha um ótimo tato na sola dos pés, anos de experiência acumulada. Afinal sempre estivera morando neste maldito  lugar, ela odiava chamar atenção e raramente precisava deixar as luzes acesas, como o tinha feito hoje, com a visita inesperada de Joseph. Acabou por segurar uma leve risada ao lembrar de como ele havia tropeçado na tapeçaria felpuda que cobria o chão e precisou se controlar ainda mais ao notar que o intruso cometera a mesma gafe que ele.

Considerou subir as escadas e descer pela arvore encostada a parte dos fundos da casa, mas sabia que isso seria trabalhoso demais e acima de tudo, estava cansada após o ataque que havia sofrido no teatro. Local este que também pertencia-lhe, herança e única lembrança deixada por sua mãe. Odiava como as pessoas eram tolas, sempre tentando aniquilar aquilo que não conheciam. Não era a toa que até mesmo os Kindreds surgiram da divisão de um único ser, somente se podia contar consigo mesmo, seja como companhia, amizade ou ajuda. Negou, naquele momento precisava focar-se.

Ouviu, quando ele pareceu atirar algo, e então o som... Armadilhas? Ora, isso só podia ser uma piada sem graça. Então Jack, ou melhor Khada Jhin, realmente veio até si? Parece que a visita de Joseph não era tão infundada assim, muito menos inútil. Por um momento considerou que talvez ele tivesse algo haver com o ocorrido durante o termino da peça, mas aquilo estava fora de cogitação, não fazia parte da arte dele. Não era o estilo com o qual aquele homem em especifico trabalharia. Não, ele pintava suas próprias telas, jamais deixaria isso em mãos incapazes. Jamais macularia sua arte mortal.

“Khada Jhin. Então você veio até mim...” – sussurrou, ouvindo sua voz reverberar pelas paredes, ecoando, não permitindo saber de onde o som vinha – “A que devo a honra de estar em sua presença?”

“Então você gosta de brincar? Goldenes Blut-Mädchen.” – foi a resposta dele, havia parado de se mover – “É simples. Quero pintar uma tela, com você. Deveria se sentir honrada. Tocarei seu coração.”

“Creio que eu tenha de recusar, apesar de honrada. Meu coração não pode ser tocado.” – brincou, rindo levemente – “Como é não enxergar?”

“As vezes o silêncio é ruidoso.” – comentou ele, movendo-se, a direita, afastando-se do ponto onde ela estava – “Será que eu posso pedir algo?”

“Vá em frente.” – comentou, movendo-se de forma a ir para outro dos pontos estratégicos do local, mais longe dele.

“Cante para mim.” – pediu, sentando-se no sofá, confortavelmente.

“Pedido incomum, considerando seu histórico de assassinatos.” – comentou, recostando-se na parede, suspirando um pouco cansada – “Deveria tomar um banho, está ensopado, consigo ouvir a água que escorre de sua capa.”

“Eventualmente minha genialidade será compreendida... Mas, eu não perderia sua performance por nada.” – ouviu ele se levantar, sua arma destravando – “Você está calma demais. Não gosto disso.”

“Conheço esse lugar melhor que você. E hoje não é o dia que encontrarei com o lobo. O banheiro esta no segundo andar, corredor a esquerda, quarta porta.” – comento rindo de leve ao acender a luz – “Coloco um prato a mais?”

“Espero que tenha dom para a cozinha, tanto quanto para musica.”resmungou, subindo as escadas por fim, escutando ela começar a cantarolar baixo.


Notas Finais


Então, é um capitulo grande eu sei, mas também sei que vocês vão devora-lo rapidamente.

Os outros capítulos seguiram um padrão como este. Sendo que é.:

Ato I - Cena I - Cena II - Cena III - Cena IV

Cada cena contem 4 partes e a Fanfic vai contar com 4 Atos. Então sim, vocês ainda terão muitos capítulos, porém devido a quantidade de palavras contidas nestes, meio que podem demorar a sair. Sejam pacientes <3

Ps.: “Goldenes Blut-Mädchen” significa "Garota de sangue dourado"

Aaah e o cap termina assim mesmo, nesse dialogo deles, esse primeiro Ato sera dedicado a essa garota meio-darkin e ao Khada Jhin, no segundo o foco vai mudar um pouco :p
E é, eu não coloquei PoV nesse, estou testando esse estilo de escrita.



Meus dedos doem. Help


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