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História The Greatest. - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Never Give Up.


Fanfic / Fanfiction The Greatest. - Capítulo 2 - Never Give Up.

MARIE ALUCARD:

— Essa foi a maior vergonha que você já cometeu Marie. Poderíamos perdoar todos os seus erros do passado, mas esse não. Esse foi um erro inimaginável que jamais esperávamos de você. — Meu pai esbraveja palestrando.

— É igual aos castelos das pinturas dos livros. — Digo olhando empolgada toda a sala da nova casa de meus pais.

— Sabe quanto trabalho deu para negociar seu dote com os Gilberts? Foi o preço de toda uma exportação. — Ele bate na grande mesa de centro.

— E essa decoração, é como s eu jardim entrasse dentro de casa. — Toco os jarros de flores.

— Corremos o risco de manchar todo um nome, de riscar toda uma tradição. Você simplesmente ignorou isso e decidiu seguir a porcaria da sua mente, como ficarão as coisas agora Marie?

— É tão grande, tão clara e dourada, me sinto em um conto de fadas. — Rodopio pela sala e paro perto de meus pais, abro um sorriso e os encaro temerosa. — Estão felizes com a minha vinda?

— MARIE JOSSEPHINNE SAINT’S ALUCARD! — Ele esbraveja me fazendo encolher, solto um longo suspiro e abaixo meu olhar, minha mãe se levanta do sofá e joga seu lenço na mesa. — Acha que estamos brincando com toda essa situação?

— É claro que ela acha que estamos brincando, para ela tudo é brincadeira. — Mamãe exclama se aproximando de mim, ela toca levemente meu rosto, mas logo se afasta e fica ao lado de meu pai. — Perdeu a oportunidade perfeita minha filha.

— Eu relatei tudo nas cartas… — Os encaro. — Cada detalhe do que ele fez e queria fazer comigo. Como podem dizer que foi errado eu ter feito o que fiz?

— Você já tem 20 anos Marie, jamais poderá casar novamente, ainda mais com seu histórico. — Minha mãe diz com pesar, ela ignorou o que eu disse?

— Meu histórico? Por que eu sairei mal vista se o errado foi ele e…

— Você é uma dama Marie, e se Chazz quis fazer algo ele estava em seu direito, era seu marido. — Arregalo os olhos com o que meu pai diz, sinto minhas pernas tremerem e me esforço para não começar a chorar.

— Mas eu não o queria como meu marido, tão pouco como homem. Ele não tinha o direito…

— Uma moça divorciada. — Mamãe me interrompe. — Essa é uma vergonha tão grande. Você perdeu a oportunidade de ser uma Gilbert.

— Eu não me envergonho nenhum pouco disso. — Aperto minhas unhas na saia do vestido. — Eu tinha nojo do sobrenome Gilbert e jamais o quis.

A mão de papai estapeia meu rosto com força, soluço e o olho surpresa… Como ele… Por que? Meu dedos trêmulos tocam minha bochecha que sinto esquentar e posso jurar que está vermelha. Fungo e ajeito minha postura, minha mãe se aproxima de mim e toca meu rosto com a mesma leveza de antes, mas não há preocupação genuína em seu olhar.

— E se ficar marcado, Sean não deveria ter batido tão forte. — Meu pai se afasta de nós marchando para a escadaria, olho para suas costas com pesar. — Temos que, pelo menos, preservar a beleza dela.

— Não há mais o que preservar nessa garota. Faça o que bem entender Marie, você já é um grande caso perdido.

E declarando isso, ele sobe as escadas pisando forte como se quisesse as quebrar, pobre madeira que está sendo alvo de uma raiva que não merecem. Eu sei que após isso ele vai ficar um bom tento sem falar comigo.

— A viagem deve ter sido longa, vá descansar que mais tarde veremos uma amiga minha, talvez ela possa nos ajudar a restaurar sua honra e dignidade.

— Eu pensei que, pelo menos, a senhora entenderia. — Olho no fundo de seus olhos, olhos esses que eu puxei. Ela se afasta de mim e pega seu lenço sob a mesinha.

— Eu não consigo entender Marie, de verdade. Você tinha tudo e simplesmente jogou fora assim, por besteira.

— Mãe… — Sussurro não segurando mais as lágrimas. — Ele abusou de mim, não foi besteira… Ele… Ele não tinha esse direito, eu não tenho do que me envergonhar se a culpa foi dele.

— A culpa foi sua querida.

— O que?

— Deveria ter cedido, ele era seu marido, você foi criada e educada para se casar, como uma legitima dama da família Alucard. Não entendo como pode se esquecer disso e deixar seu dever de fora. — Ela tenta me tocar, mas recuo do seu toque.

— Meu dever Isso é ridículo, apenas porquê a senhora foi criada como uma dama Saint’s, eu não deveria seguir a mesma direção. Meu único dever não é ser uma esposa.

— Jamais repita isso perto do seu pai Marie. Você é jovem e pelo visto imatura demais para compreender, mas eu tentarei ajeitar essa bagunça, temos que conseguir lhe casar novamente.

— Mas eu não quero.

— Você não tem querer.

— Eu quero estudar, quero poder trabalhar, eu tenho tanto empenho, tantas ideias que a senhora simplesmente ficaria espantada em como eu posso aplicá-los no mundo lá fora.

— Lá vem você com esse papo de trabalho novamente.

— Mãe… De verdade, eu não sirvo para ser esposa, não quero me casar de novo.

— Não diga besteiras. Uma moça trabalhando? Você não é nenhuma dessas promiscuas do gueto e estudos? Os livros de ensino que você leu já foram o suficiente.

— Existem tantos outros tipos de livro além desses.

— Suba, descanse, banhe e se arrume. Vou ver se consigo acalmar seu pai. Por Deus tudo irá se acertar, vamos ter fé. Seu quarto fica a direita, última porta.

— Mãe, por favor…

Ela sai andando na direção da escadaria, também ignorando meu clamor. É como se eu tivesse sem voz alguma, como se fosse uma força transparente para eles.

Olho ao redor da cama mais uma vez, é tão linda, mas agora me parece tão sem vida, tão desanimadora. Mas agora será meu lar, eu não tenho mais para onde voltar. Fecho os olhos e imagino que essa discussão jamais aconteceu, os abro e subo a outra escadaria em direção ao meu quarto.

KIM TAEHYUNG:

As conquistas mais difíceis são as melhores certo?

Mas é claro que não. As melhores conquistas são as mais fáceis, as mais divertidas e as que nos faz lucrar mais. Eu sou um grande amante de conquistas fáceis e grandes, por isso estou na Irlanda.

Passo o bolo de dinheiro por debaixo da fresta da janela, menos de 10 segundos depois um pequeno envelope dourado passa pela fresta, parando diretamente na minha mão. O abro e confiro o conteúdo, posso sentir os olhos Namjoon me analisando pela fresta.

— Está tudo bem aqui?— Pergunto apenas para provocar, posso ouvir seu resmungo e me divirto com isso.

— Combinando é combinado Taehyung, sabe que não tem como passar a perna em você.

— E nem em você meu amigo. — Guardo o envelope no bolso interno do terno. — As coisas andam movimentadas por aqui Com o festival se aproximando?

Olho pelo corredor, o gueto está movimentado, há até mesmo alguns homens de boa índole por aqui, aposto que ou estão procurando serviços ilegais ou serviços femininos longe de suas esposas. A polícia não faz vista grossa nessa parte da cidade justamente por ter muitas ‘figuras importantes’ por aqui.

Como por exemplo o senhor que tenta cobrir seu rosto com o chapéu, Sir. Bunder. Mês passado ele me pagou uma boa quantia para que eu não contasse a sua esposa, que estava a traindo, parece que com ele aqui poderei ganhar mais uma boa quantidade de dinheiro.

Aceno para ele, que arregala os olhos e tenta acelerar os passos, como se pudesse se esconder. Do outro lado do corredor também se aproximando a religiosa senhora Martinez, a viuvá mais respeitada e digna de pena da igreja principal, mas que vem ao gueto em busca das visões das xamãs da casa 7, ou então do Senhor Jorren — Dono do bar da esquina — Ela também me deu um saco de moedas de prata para que eu ficasse de bico calado sobre suas visitas ao gueto.

— Agitadas é pouco. Nunca faturei tanto em uma semana. — Namjoon responde com uma gargalhada. — Os garotos estão faturando horrores na praça pública e na estação de trem.

— Roubando?

— Há muitos turistas da Grã-Bretanha, eles são tolos e acreditam em tudo o que moleques com roupas surradas dizem.

— Queria ter a sorte deles. — Suspiro. — Hoje tentei persuadir uma turista rica, mas ela nem me deu atenção.

— Iria roubar a moça?

— Eu não roubo Namjoon. — Pisco para a janela tendo a certeza de que ele está me vendo. — Eu convenço as pessoas a me darem dinheiro. Não desça tanto meu nível. Eu não ia roubar ele, apenas cobraria por ter mostrado a cidade.

— Cobraria horrores.

— Com toda certeza. — Rimos. — Bem, estou indo. Tenho um baile para qual preciso me arrumar.

Saio da janela do “estabelecimento” de Namjoon e caminho pelas ruas barulhentas do gueto. Como não consegui os documentos falsos com Helena, preciso conseguir de outra forma, e a pessoa que irá me ajudar mora em uma das melhores mansões de Blue Village.

Que para minha sorte irá dar uma festa esta noite, para iniciar o festival de primavera. Ele com certeza tem como me arranjar os documentos, as passagens e tudo mais que eu conseguir e precisar. Ele me deve isso.

Chego até o sobrado mais alto do gueto a abro e sou recebido com um largo sorriso das garotas, me jogo em seus braços e sigo com elas até o balcão a onde Suellen me olha irritada.

— Bonjour ma belle dame* — Sorrio e digo para ela a única frase em Francês que sei, mesmo ela sendo italiana e isso a irrita demais, o que me alegra.

— Bastardo, hai passato di nuovo la notte fuori. Non c'è vergogna in faccia, se ritardi l'affitto ancora una volta ti sfratto. E questa volta è serio.* — Ela começa a gritar enquanto serve a cerveja para os clientes.

— Eu não faço ideia do que você falou. — Rio fraco, ela para o que está fazendo e me encara respirando fundo. — Mas saiba que eu te amo e que irie pagar o aluguel.

— Ela não acredita nesse milagre. — Margot diz ao meu lado.

— Bem, ela verá esse milagre acontecendo. — Dou uma piscadinha para as duas e subo a escadas atrás do bar.

Daqui ainda posso ouvir Suellen praguejando contra mim em italiano. Subo até o último andar e destranco a única porta do corredor. Estou de volta casa, depois de uma looonga noite fora.

Entro dentro de casa e tranco a porta novamente — Precaução contra Suellen ou Margot — Jogo as chaves sob o sofá e me estiro no mesmo esticando as pernas. Tiro o envelope dourado do bolso do terno e abro o mesmo, coloco tudo o que tem dentro dele sobre meu colo.

Um convite exclusivo para a festa primaveril de Sir. Jhonees, dinheiro, uma identidade falsa e o melhor, as fotos dos belos e maravilhosos encontros de Sir. Jhonees com as gêmeas da família Shirley, e duas trocas de cartas entre ele e noiva do Senhor Exender, o médico mais adorado de Blue Village.

Com isso eu posso ganhar tanta coisa, que apenas o pensamento faz um sorriso surgir em meus lábios. Me levanto guardando tudo dentro do envelope, tiro o terno e desabotoa a camisa, vou até meu quarto e me olho no espelho.

Eu sou bonito, um belo homem — Palavras de Suellen, Margot e as demais meninas — Mas preciso estar impecável esta noite, além da chantagem com Sir. Jhonees, ainda podem haver belas e ricas damas solteiras.

Além de sair daqui rico e com tudo o que preciso, posso ainda estar com mais uma amante nos braços. Idealizando isso, eu sorrio para meu próprio reflexo.

MARIE ALUCARD:

Faço bico para meu próprio reflexo. Meus grandes olhos cinzas parecem zombar de mim, olhos esses que me lembram apenas minha mãe e… Me lembram Viktor também… Mas principalmente a decepção nos olhos de Justine Antônia Saint’s Alucard.

Será que carregarei o sofrimento e a mesma frieza que tem nos olhos de mamãe?

A criada termina de arrumar meus cabelos em um belo coque, alguns cachos pretos caem sobre meu rosto e ela luta para colocá-los no lugar. Paro sua mão e peço que os deixe assim, gosto assim.

Me levanto da penteadeira e vou até o espelho maior, contemplo meu novo — E desconfortável — Vestido, é azul ciano, da cor das águas do lago que vi enquanto estava vindo de trem para cá. A criada ainda tenta colocar um chapéu em minha cabeça, mas dispenso o mesmo. Em Toronto eu só poderia sair de casa usando chapéus.

Ordens da mãe de meu… Meu “marido”. Estou enjoada e enojada de chapéus, se pudesse queimaria todos eles, junto dos corpetes e dos espartilhos, sinto minhas costas começarem a suarem com o quão apertado está amarrado esse espartilho em minha cintura. Sorrio para mim mesma no espelho, bem não há nada que não possa piorar. Eu espero.

Corro até a grande janela do quarto, me estico e olho para o jardim embaixo de mim. É encantador, lindo e tão colorido, há até mesmo uma capela, são tantas flores de tamanhos, espécies e tons diferentes. Eu gostaria de poder fazer uma coroa de flores com elas.

— Marie. — Escuto minha mãe me chamar, me viro e ajeito minha postura, ela me olha de cima a baixo e sorri satisfeita. — Está bem mais bonita assim. Bem, vamos!

— Vamos…

~~~*~~~

Blue Village é tão grande, tão bonita e primaveril. Entendo agora por que meus pais quiseram se mudar para cá, junto da empresa. Desde o caminho de nossa casa até a área de fazendas da cidade, eu pude ver as plantações da Card’s — Empresa da família de papai — Realmente as coisas parecem estar crescendo cada vez mais por aqui.

Não entendo por que tive que aceitar o casamento com Chazz Gilbert então. Sempre será irracional para mim, essa decisão.

A carruagem anda pelo centro movimentado da cidade, olho pela janela encantada. São tantas árvores mesmo pelas ruas, tantas lojas com fachadas decoradas, chafariz, canteiros de flores, lojas e mais lojas de doces.

Homens passeando com seus cachorros, bancos de branco reluzente nas calçadas, pessoas andando a cavalo, a sombrinha das moças parece fazer um festival de ondas de arco-íris pela rua. Vejo até algumas — Embora poucas — Mulheres de calça, o que percebo que minha mãe as olha de nariz franzido.

As cordas e fios acima da rua estão decoradas com fitas nos tons, vermelhos, amarelos, verde, azul e rosa. Tem alguns rapazes distribuindo rosas para algumas pessoas que passam em frente a uma loja, gostaria de poder parar a carruagem e ir até eles. Algumas crianças andando de mãos dadas pela rua, acompanhadas de suas mãe.

Parece como um dos cenários dos livros que eu gostava de ler — Escondida — Em Nova Orleans. É magnífico e mágico. Blue Village é um dos lugares mais lindo que já vi em toda a vida. Até mesmo o cheiro de ameixas e chocolate no ar me é tentador.

O cocheiro para a carruagem na frente de uma loja, um criado ajuda minha mãe a descer e em seguida a mim. Levanto a cabeça para observar o letreiro da loja: Chá da madame Bovier. Meu Irlandês ainda está um pouco enferrujado e arrastado, mas creio que é isso que está escrito.

— Espero ter boas notícias vindo daqui, isso já diminuiria a fúria de seu pai. — Murmura entrando na loja, a acompanho.

E quanto a minha fúria contra ele? — Tenho vontade de questionar, mas me mantenho calada, argumentar com minha mãe nunca acabou bem e jamais acabará.

Assim que entramos na loja, uma senhora baixinha e de sorrio enrugado vem até minha mãe. Enquanto elas conversam eu olho timidamente pela loja, é uma casa de chá como as da Inglaterra, com mesas redondas adornadas com tecidos de renda, um pequeno jarro de orquídeas no centro e cadeiras estofadas.

Há vários lustres dourados pendurados no teto e o cheiro de biscoitos e cookies invade meu nariz, o que me faz sorrir e quase implorar por um. A mulher segura nas mãos de mamãe e as sacode com entusiasmo.

— É tão vê-la Senhora Alucard. A que devo a honra de sua visita? — Mamãe segura em minha mão e me coloca ao seu lado.

— Marie, essa é Josie Bovier a amiga de quem lhe falei, e Josie, essa é minha filha Marie.

— Prazer senhora. — Sorrio.

— Oh, que bela moça. — Ela vem até mim e segura meus ombros. — Tão delicada, pequena e linda.

— Sim ela é. — Mamãe murmura. — Podemos conversar Josie, preciso da sua ajuda?

— Mas é claro.

Josie nos leva até uma das mesas afastadas, com vista para a vitrine de vidro, me sento na cadeira ao lado da janela apreciando a vista do lado de fora. Mamãe se senta ao meu lado e Josie a nossa frente. Ela apoia os cotovelos na mesa e me olha analítica, posso ver os fios brancos na raiz de seu cabelo e as rugas ao redor de seus olhos.

Sempre me disseram que é falta de modos encarar alguém, mas eu gosto, me sinto confortável olhando no olho de alguém, estando conversando ou não, mas já pressentindo os sermões de minha mãe eu abaixo o olhar para as mãos enluvadas de Josie.

Ela acena para uma das garçonetes do local, e pede que elas nos traga três xícaras de chá de jasmim e uma travessa de biscoitos. O que eu particularmente adorei.

— Então Justine, qual é o problema?

— Josie. — Ela começa a tirar as luvas. — Marie acabou de chegar na cidade, é uma boa moça, porém ela tem 20 anos e está solteira.

— Hunm, essa é uma situação ruim. — Exclama. — Minha neta de 16 anos acabou de casar-se, como pode uma moça de 20 anos estar solteira?

— Eu não quero casamento por agora. — Sussurro, mas Josie escuta.

— Mas que blasfêmia. O que vai fazer da sua vida além de casar-se agora? Logo mais terá 30 anos e será condenada a solteirice, como as mulheres indignas do gueto.

— Por que insistem em chamá-las de indignas apenas por elas serem solteiras? E eu posso fazer muitas coisas além de me casar, posso trabalhar, ajudar na empresa do meu pai e…

— Pelos céus! — Me interrompe exasperada. — Mas que ideias absurdas essa menina tem Justine.

— Entende meu problema agora Josie.

— Compreendo perfeitamente. Trabalhar? O que uma mulher faria trabalhando? Que Deus tenha piedade da sua ignorância garota.

Que Deus tenha piedade da sua ignorância Madame Bovier.

— Mas para sua sorte, tem como consertar isso. Eu conheço uma vasta lista de jovens solteiros e de boa família em Blue Village.

— Mas há um pequeno problema. — Minha mãe se aproxima do ouvido de Josie. — Ela já foi casada, saiu recentemente da casa de seu marido em Toronto no Canadá. — Escuto-a sussurras.

— De meu ex marido. — Sussurro também. O espanto toma conta do rosto de Josie, ela tapa a própria boca e olha para mim com pesar, como se sentisse pena da minha situação. Deveria era estar feliz por eu ter me livrado de tudo aquilo.

Por que as pessoas simplesmente não entendem?

— Justine… Por Deus Justine, que calamidade. Essa menina está praticamente condenada. Como ela pode se casar novamente?

— Eu estou desesperada Josie, ela é nossa única filha, precisamos casá-la. Tem certeza de que não tem nenhuma solução?

Josie suspira pesadamente e intercala o olhar de mim para minha mãe, a garçonete chega com os chás e os biscoitos, Josie nos serve em silêncio, ela parece pensativa. Pego um dos biscoitos e olho pela vidraça para a rua.

— Tem uma solução, mas você precisa agarrá-la com tudo Justine.

— Qual é?

— O filho mais novo dos Jhonees ainda está solteiro, ele é o único dos filhos do senhor Hermett Jhonees que está sem um casamento arranjado. Anelicia está desesperada para casá-lo, vocês duas podem conversar esta noite, ou melhor eu e você falaremos com ela na festa.

— Sim, a festa deles esta noite, eu e meu marido recebemos os convites.

— Eu não irei falar com ninguém, tão pouco me casar novamente. — Digo ainda com o olhar fixo na janela… Até que… Espera…

— Ignore-a. — É a voz de minha mãe, mas não a olho. — Falaremos com Anelicia, talvez algo possa surgir disso.

— Não fique tão esperançosa Justine, a situação de Marie é complicada.

— Está vendo a situação que as suas atitudes horrendas tomaram Marie? Marie?

Me viro para elas e aponto para a vidraça, mamãe e Josie estreitam os olhos e me encaram confusas.

— Estão vendo aquele homem? O de terno preto que está prestes a atravessar a rua?

— Observando homens da rua Marie, que falta de decoro. — Ela raia comigo, mas insisto na vidraça.

— Não é isso mãe. É aquele homem, ele está andando nessa direção.

O homem atravessa a rua e passa em frente a vidraça da loja de chá, ouço em som de reprovação vindo de mamãe e de Josie, elas o conhecem?

— De onde você conhece esse rapaz Marie? — A voz de minha mãe sai irritada, quase indignada. Me ajeito na cadeira e olho por onde ele passou.

— Eu o vi essa manhã na estação de trem na entrada da cidade, ele queria que eu o acompanhasse. Mas eu não o fiz.

— Ele queria ludibriar mais uma dama. — Josie se abana.

— A senhora o conhece?

— Quem não conhece essa praga. — Mamãe pragueja. — Me enoja saber que ele tentou dar o golpe em você.

— Eu não entendo, ele é um ladrão?

— É apenas um golpista de primeira, acredita que semana passada ele vendeu bilhetes lotéricos falsos para a esposa do dono da floricultura Chaves?

— Como eles ainda caem nos golpes dele?

— E por que ele não está preso? Se é um criminoso? — Questiono curiosa. É estranho alguém “maldoso” assim, estar andando alegremente pelas ruas.

— Ele também aplica golpes nos policiais, não sei o que ele faz para sempre se livrar das encrencas em que se mete. Há boatos que ele tem um caso com Helena Loockwood e com Esther Mistwakes ao mesmo tempo.

— Estupidas garotas. Ainda bem que você não foi com ele Marie, já está sem honra o suficiente.

— E as pessoas sabem tudo sobre o que ele faz de errado, mas nada acontece? Esperava mais da segurança de Blue Village. — Murmuro baixinho a última parte.

— Ele é a ralé das ralés, mora em um bordel no gueto, deve ter engravidado todas aquelas prostitutas. — Josie diz com nojo. —Ele é um refugiado Coreano que infelizmente se instalou aqui, não tem a onde cair morto por isso vive à custa de enganar e roubar os outros.

— Kim Taehyung. — Mamãe também olha pela janela. — Até seu nome e sobrenome são indignos, não quero você próxima dele Marie.

— Sim senhora.

— Bem, voltando ao casamento de Marie. — Ela volta a conversar com Josie, franzo o cenho.

— Eu não irie me casar.

— Calada. Josie, poderá me ajudar a convencer Anelicia certo?

— Mas é claro querida, não tem ninguém que consegue juntar mais casais em Blue Village do que eu.

— Isso será maravilhoso, assim quem sabe após o casamento Marie pode começar a se comportar como uma verdadeira esposa, e também a tirar essas ideias escrupulosas da cabeça.

— Querer ter independência não é uma ideia escrupulosa mãe.

— Marie!

— Deixe Justine, assim que ela casar e for abrir essas “ideias” — Josie faz aspas com as mãos. — Ela verá as duras palavras que ele lhe dará, você deve se empenhar em dar orgulho ao seu marido Marie.

— Ela foi criada para isso, sinceramente não sei em que parte errei.

— Em nenhuma mãe, eu apenas quero ser livre, eu mesma. Quero poder expor minhas ideias, meus pensamentos.

— Mulher não tem ideias sozinhas querida. — Josie segura em minha mão. — Nossas ideias, são as ideias de nossos maridos, você não precisa fazer nada deixei que ele faça por você. Você aprenderá. — Ela me solta. — Ela tem um bom corpo Justine, ótimo para ter muitos filhos apesar do tamanho dela.

— Sim, sou louca por netos.

Isso é ridículo, essa conversa toda me deixa enjoada e enojada.

...


Notas Finais


*- Bonjour ma belle dame : Bom dia minha bela dama em Francês.
*- Bastardo, hai passato di nuovo la notte fuori. Non c'è vergogna in faccia, se ritardi l'affitto ancora una volta ti sfratto. E questa volta è serio: Bastardo, passou a noite fora de novo, não tem vergonha nesta sua cara. E o aluguel está atrasado, se não pagar vou te despejar. Dessa vez é sério em Italiano.


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