História The greatest pain is inside. - Capítulo 73


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abuso, Alucinações, Bullying, Drama, Drogas, Esquizofrenia, Feitiço, Gay, Medo, Porão, Relaçao Abusiva, Sobrenatural, Suícidio, Terror, Violencia
Visualizações 2.691
Palavras 2.329
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hey!

Capítulo 73 - Disappearance.


Joseph, cansado, repetia pela milésima vez: Ele não sabia onde Ian estava.

—Eu saí do carro e quando voltei, ele não estava lá. Ele não estava lá! —ele disse, quase em desespero, torcendo as mãos entre as algemas em seus punhos.

10 horas desde o desaparecimento de Ian.

Joseph procurou, mas ele não estava em qualquer lugar da ponte. A polícia checou as imagens das câmeras de segurança de uma estação de metrô à 100 metros dali, mas nem sinal dele. Quando Joseph saiu do carro pela colisão com o automóvel de trás, um "tumulto" acabou sendo causado ali. Ele meio que tinha parado metade do trânsito. Havia carros para todos os lados, mas ninguém viu nada.

Joseph desconfiava que Ian apenas tivesse fugido e entrado no carro de um estranho, pedido ajuda. Podia também estar em alguma outra delegacia ou hospital, considerando como ele estava. Talvez o estranho tivesse levado ele para o pronto-socorro.

Ele o procurou por toda a Brooklyn Bridge, até que um dos motoristas que esperavam ele tirar o carro do meio, resolveu chamar a polícia.

Carl também tinha ligado, assim que conseguiu se recuperar. Ele tinha explicado toda a situação na ligação, dado as características dos dois. Quando os policiais encontraram Joseph, o prenderam imediatamente, tanto por "roubar" o carro de Carl, quanto pelo o que fez com Ian.

Como ele fora o último a estar com o Ian e pelo que estava sendo acusado, ele era o principal suspeito para o que quer que tenha acontecido ao garoto. Se ele aparecesse morto, Joseph poderia ser condenado.

Carl não tinha como provar que Ian estava realmente cheio daquelas marcas e ferimentos, nem que o menino tinha confirmado que seu pai era o responsável. Aquilo aliviava Joseph, mesmo sabendo que eles podiam comprovar assim que o encontrassem. Ele continuava dizendo que aquelas marcas tinham sido feitas na escola, pelos garotos que faziam bullying com ele.

—Você pode me contar exatamente o que aconteceu? Desde o começo. Desde que pegou o carro do Sr. Cuthbert. —o advogado disse, anotando alguma coisa rapidamente.

Joseph fechou os olhos por um instante e respirou fundo. Se sentia extremamente estressado e cansado. Havia passado a noite inteira em claro, preso numa das celas da delegacia, preocupado tanto com o que Carl estava fazendo quanto com o paradeiro do seu filho.

Ele nem sequer teve tempo de olhar no rosto dele. Tudo tinha acontecido muito rápido. Sua cabeça estava tão cheia naquele momento que ele mal pôde prestar atenção.

Queria que Ian aparecesse imediatamente, que fosse encontrado bem e a salvo, mas existia uma parte dentro de si que temia o momento que isso acontecesse. Ele confirmaria. E ele seria sentenciado em questão de minutos. No mínimo, perderia a guarda dele e seria proibido de se aproximar de novo.

Mas, ainda assim, precisava saber se Ian estava vivo.

—E-eu... —ele pigarreou, torcendo as mãos novamente. Aquelas coisas em seus pulsos realmente o incomodavam.

Decidiu começar bem de antes daquilo. O homem não acreditaria se ele começasse pela briga.

—Aquele homem. Carl Cuthbert. Há duas semanas, ele levou Ian para outra cidade sem os documentos dele. Sem autorização. —ele inspirou o ar, se sentindo trêmulo. —E ninguém ligou pra mim durante todo esse tempo. Ninguém me disse onde ou como o Ian estava. Ele simplesmente o levou embora.

O advogado o fitou, balançando a cabeça de uma forma imparcial, como se mandasse ele continuar.

—Ontem à noite, ele apareceu na minha casa e me pediu os documentos dele. —murmurou, arqueando as sobrancelhas. —O Ian estava mal. Ele nem podia se manter de pé. —engoliu em seco, tentando falar convincentemente. —Eu tentei sair e tirar ele do carro, mas o Sr. Cuthbert não me deixou. Ele me empurrou e mandou ele ficar no carro. E então, me atacou. —se ele conseguisse contornar aquela situação, talvez as coisas não terminassem tão ruins assim. —Eu me defendi e consegui ir até o carro, tirei o meu filho dali. —pôde ver o homem fazer outra anotação. —Eu estava levando ele ao hospital. Quando passava pela ponte, um outro carro bateu no nosso e eu... —ele parou de falar, olhando fixamente para a frente, com os olhos arregalados.

—Você o quê? —o advogado levantou a cabeça rapidamente, esperando.

—Eu saí do carro.

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O corte em seu couro cabeludo latejava fortemente. A primeira coisa que notou.

Ele se sentia extremamente tonto e confuso. Seu estômago estava completamente embrulhado, como se estivesse prestes a vomitar. Sua respiração era pesada demais, como se à cada ofegada ficasse mais difícil de fazer com que o oxigênio chegasse em seu cérebro, fazendo-o se sentir fraco e à beira da inconsciência.

Tentou abrir os olhos, mas era como se, além do seu corte perto da testa, ele tivesse batido a cabeça ainda mais forte que da primeira vez e sentia o mundo girar ao seu redor, como em um brinquedo num parque de diversões.

Ele estava deitado. Provavelmente estava no chão já que a superfície em baixo de si era completamente dura e gelada. A temperatura fazia ele se arrepiar.

Ian grunhiu com a dor na cabeça e se apoiou com uma das mãos no chão, empurrando o próprio corpo para cima, tentando se sentar.

O ambiente que estava era muito abafado. O fazia se sentir sufocado e suar mais que o necessário, apesar de todo aquele frio. Havia uma parede gelada atrás de si e ele encostou-se nela, puxando o ar e tentando permanecer acordado.

Não sabia onde estava. Não tinha idéia do que estava acontecendo. Tinha a impressão de que não devia estar ali, aquilo estava errado.

O enjoo apenas se intensificava, sua boca formando mais saliva que o normal e o queixo se repuxando. Ian engolia em seco repetidamente, para tentar evitar que passasse mal antes de saber onde estava.

Ele tentou abrir os olhos outra vez e franziu a testa ao não poder enxergar absolutamente nada. Os semicerrou diversas vezes, virando a cabeça para os lados para ver se conseguia avistar algo, com medo de coisas ruins começarem a aparecer. Temia que a pancada tivesse afetado sua visão, mas tentou não se preocupar com aquilo ou se apavoraria.

Sua visão voltaria em minutos, não era nada demais. Ele não queria entrar em pânico.

Não havia qualquer corrente de ar ali dentro e tudo que ele podia ouvir era um barulho como "Tic Tac... Tic Tac... Tic Tac..." quase como o som de um relógio, mas muito mais lento e parecido com algo prestes a quebrar.

Onde o seu pai estava? Ele lembrava de estar no carro com ele, lembrava de ouvi-lo gritar e esmurrar o volante, olhando pelo retrovisor a cada 5 segundos. Então, depois daquilo, suas lembranças escureciam e ele acordava ali.

Olá? —levantou um pouco a voz, notando que estava rouca e fraca, como se não tivesse usado-a há dias. A palavra ecoou pelo lugar e ele tremeu. —Alguém... ?

Sentiu a bile subir queimando rapidamente pelo seu peito e engoliu em seco outra vez, se agitando e levantando o rosto ao máximo que podia, como se pudesse impedir que o vômito passasse pela sua garganta. Ele gemeu de agonia, inspirando o ar profundamente e sentindo os lábios e a ponta dos dedos formigarem,  latejando quase tão rápido quanto seu coração. Apertou as mãos em punho algumas vezes por alguns segundos, tentando recuperar a sensibilidade, e levou uma delas até a cabeça, onde doía, sentindo parte do cabelo endurecido, como se o sangue tivesse secado e coagulado entre os fios.

Era como se estivesse no porão de sua casa, mas sentia que a aura daquele lugar era diferente. Ian nunca tinha ouvido nenhum barulho como aquele, e o lugar parecia pequeno demais, o ar ali cheirava a mofo e chegava a ser irrespirável.

Ele tateou a parede em suas costas até encontrar uma bem próxima, ainda mais gelada, a apenas meio metro de onde estava. Continuou rastejando pelo chão, devagar, com a mão escorregando pela parede. Pelo que entendia de medidas, aquela parede tinha pouco mais de dois metros e meio. Ao continuar, encontrou algo no caminho, que parecia ser de madeira e tateou, tentando entender o que era.

Ian gritou, quando um barulho alto metálico soou repentinamente, tão alto e inesperado quanto o disparo de uma arma, deixando-o surdo daquele "Tic... Tac..." por alguns poucos instantes.

Uma porta se abriu com um rangido alto e Ian direcionou os olhos para ela, apesar de não enxergar nada, tremendo de medo, com o coração super acelerado.

—Vira pra parede. —uma voz rouca masculina soou alto, mas ele não escutou nenhum passo.

Ian tentou olhar o que havia ali, mas tudo que via era a escuridão total. Ele tentou decifrar a voz, porém era como se ela estivesse sendo abafada.

—Vira pra parede! —o homem gritou e Ian choramingou, assustado, se virando imediatamente, abraçando os joelhos e encostando-os no concreto frio.

Ian não reconhecia aquela voz. Ele havia sido sequestrado?

Já tinha ouvido falar sobre sequestros, mas nunca realmente achou que pudesse acontecer consigo. Ele não era importante, sua família não era rica e não podia pagar quantias absurdas de dinheiro. Pelo que via nos noticiários, isso normalmente acontecia com meninas bonitas e saudáveis, com pais que tinham dinheiro o suficiente para pagarem resgate, não com adolescentes de classe média, que estavam à beira da morte e que não tinham garantia alguma de que alguém pagaria por sua vida.

Ele sentiu uma forte pressão no peito ao lembrar que em grande parte desses sequestros, quando não pediam resgate, as vítimas eram achadas mortas.

Ele se sentia sufocado, com vontade de chorar e com um enorme pânico guardado dentro de si. Depois de tantos anos passando por aquelas situações com o seu pai, ele aprendeu que gritar e se desesperar apenas fazia tudo piorar. Apesar de sempre tentar impedir que Joseph continuasse.

—Que... Que lugar é esse? —ele murmurou baixinho, com a voz ainda falhando.

—Quieto! —ele gritou muito mais perto do que Ian esperava que tivesse.

O menino sentiu algo frio de metal contra sua orelha e sua garganta se fechou pelo pânico, arregalando os olhos no escuro. Se ele tivesse bebido qualquer coisa nas últimas horas de viajem com Carl, provavelmente teria urinado nas próprias calças.

—Não se mexa. —ele murmurou perto de sua orelha e jogou algo sobre o chão ao seu lado, fazendo certa poeira levantar. Ian tossiu.

O outro saiu do lugar rapidamente, à passos largos e pesados, e fechou a porta com um baque. Ian pôde ouvir a quantidade de trancas lá fora.

—Eu... Eu não consigo enxergar. T-Tem algo de errado com os meus olhos. —sussurrou, sentindo a voz embargar ao associar o que estava afirmando, antes que o homem pudesse ir embora.

Não sabia como aquilo podia importar pra ele, mas precisava manter uma conversa de alguma forma. Não sabia porque, mas sentia que devia tentar simpatizar com o cara, assim teria alguma chance dele lhe libertar ainda vivo.

Ian pensou sobre as meninas mortas outra vez. Pensou que talvez eles quisessem vender seus órgãos, mas não fazia sentido algum, considerando que sua infecção já estava afetando seu organismo.

—O que está dizendo? —Ele perguntou, dando uma pancada na porta, quando pareceu terminar de fechar o lugar. A sua voz continuava alta demais para os ouvidos de Ian.

—E-eu não consigo ver.

Uma luz forte se acendeu um segundo depois e ele se afastou rapidamente, assustado, percebendo que o problema não era em sua visão, mas pelo cômodo não possibilitar passagem de qualquer luz. Aquilo o aterrorizou e o deixou confuso, porque até o momento ele não havia sentido medo ou visto qualquer daquelas coisas ruins, apenas por não estar ciente do escuro.

A luz incomodou seus olhos o suficiente para não deixar ele os abrir por 5 ou 6 segundos, enquanto mais barulhos metálicos soavam de um dos lados do lugar, que Ian achava melhor se afastar cada vez mais.

Ele pôde observar ao seu redor e notar que ali era muito pequeno e vazio. Numa das paredes havia um balcão com portas de madeira e uma pia em cima, e, logo ao seu lado, um vaso sanitário branco e velho, sem tampa.

Ian olhou ao redor em busca de mais coisas e percebeu que na parede oposta à pia, havia uma porta, mas ela não tinha puxador, pelo menos não daquele lado. Tinha apenas uma pequena janelinha na parte de cima e a fechadura. Quase como uma porta de prisão.

O teto era baixo e o cômodo era completamente de concreto. Para Ian, parecia mais um projeto inacabado de banheiro. Mas ele não entendia porque estava ali ou porque aquela porta tinha tantas trancas pelo lado de fora.

Ele olhou para o próprio corpo, notando que não usava mais que uma camisa branca de mangas curtas e sua boxer escura, com os ferimentos em seus braços e pernas completamente expostos. Haviam arrancado os curativos feitos por Carl, como se aquelas marcas merecessem ficar à mostra. 

Se sentiu ainda mais nauseado ao fitar aquelas feridas, ao ver o pus e o sangue que manchavam sua pele. Ele voltou a levantar o rosto, respirando ofegantemente, torcendo para que o enjoo diminuísse pelo menos um pouco.

—Você não está cego. —ele disse, e assim que o garoto olhou para a janelinha, as luzes se apagaram novamente, antes que ele pudesse ver o rosto por trás dela.

—Não, não, não, não, por favor. —Ian grunhiu, tentando se levantar e ficando ainda mais tonto.

Ele murmurou alguma coisa do outro lado. E Ian sentiu lágrimas brotarem no canto de seus olhos, com a sensação de algo fervendo dentro de seu estômago.

A partir dali, ele veria todas aquelas coisas.

Sua mente faria ele ter medo, criaria pânico e, consequentemente, ele começaria a ver. Começaria a escutar. Não coisas boas. Coisas ruins. Muito ruins. Sua mente o enganaria, e seria difícil para ele diferenciar o que era real ou o que simplesmente era sua imaginação


Notas Finais


Gente, eu não sei se eu já havia citado o sobrenome do Ethan e da família dele antes. Não lembro. Procurei por vaarios caps, mas não achei nada. Se vocês acharem ou lembrarem por favor me digam kkkkl

Bye <3


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