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História The Guardian - Capítulo 15


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Capítulo 15 - A dúvida no sentir


Dean apertou o copo entre as mãos, mas reprimiu a vontade de quebra-lo ou jogá-lo na parede para a mesma finalidade.

Sentia-se exausto.

Depois de ter abandonado a lanchonete, decidiu caminhar até o primeiro motel no caminho. Caminhou. Provavelmente não foi uma boa escolha, mas não pensou sobre isso na hora, estava motivado demais pela raiva que fervia seu sangue.

No entanto, não era esse o motivo de seu cansaço. Estava apenas exausto de si mesmo.

No momento estava sentado em uma cama com lençóis surrados do motel. Seus sapatos estavam largados em algum lugar do quarto, junto com sua jaqueta e mais uma garrafa de cerveja que agora estava pela metade e longe demais. Havia trazido a garrafa consigo o caminho todo e nem se importou em termina-la.

O que tinha feito de errado?

Desde o primeiro beijo com Castiel o caçador estava se esforçando para resolver aquele pequeno problema em se expressar. Não surtou, não xingou, não fugiu de nada e, o mais importante, não deixou seu medo falar mais alto. Sempre que a oportunidade surgia, quando se perdia na indecisão, suas mãos tremiam e era forçado a engolir em seco, depois fechava suas mãos em punhos como se estivesse pronto para socar a primeira criatura que surgisse em seu caminho e usava todas as suas forçavas para não fazer qualquer coisa estupida que o afundasse em arrependimento depois... como fingir que tudo o que tinha acontecido não passava de um erro.

Não. Dean sentia que estar com Castiel era a parte mais certa de sua vida.

Mas o anjo compreendia isso? Sentia o mesmo?

Achava que sim... até aquele dia.

Suspirou e deixou seu peso despencar sobre a cama, deixando as costas caírem sobre o colchão e desistindo de fugir daquilo, daquela dúvida que ficava cutucando sua mente.

Estava tomando a decisão certa?

Entregar-se ao que sentia por Castiel, assim como aceitar – sem questionar – o que o outro sentia por si parecia absurdo na mente do caçador que fugia de qualquer relacionamento sério e duradouro como Lúcifer fugia da própria jaula. Mas ambos eram amigos há anos, conheciam um ao outro mais do que conheciam a si mesmos, isso devia significar alguma coisa, certo? Deve lhes dar alguma vantagem? Certo?

Dean estava tão distraído que não ouviu o Impala ser estacionado quase na frente do seu quarto, nem deu atenção para a porta sendo aberta com cautela – o que definitivamente não era bom para o seu lado profissional, mas não pôde ignorar quando o corpo se aproximou e sentou em suas pernas.

Sabia que era Castiel muito antes disso, mas com certeza o anjo tinha algum anseio em criar aquele tipo de atrito entre eles.

― O que quer? ― perguntou soando mais ríspido do que gostaria.

Ouviu o suspiro do outro e em seguida o peso em seu tórax. O anjo tinha deitado sobre ele, de modo que sua cabeça ficasse em seu peito.

Quase estratégico, pensou tentando controlar as batidas de seu coração.

― Me perdoe, Dean ― Castiel pediu com a voz fraca.

O caçador imediatamente abriu os olhos.

― Perdoar pelo o quê? ― perguntou confuso.

― Pela minha falta de compreensão e... por amar você.

― O que?

Dean ergueu a cabeça e se apoiou nos cotovelos, sentando e forçando Castiel a erguer o tronco. Os rostos ficaram próximos e os olhares presos um no outro, trocando mensagens silenciosas de medo, culpa e dúvida.

― Do que tá falando, Castiel?

― Tudo o que falei no bunker naquele dia, eu juro que não sei o que aconteceu comigo, não era minha intenção soar tão ríspido e no restaurante-

― O que isso tem a ver...

― Por favor, me deixa terminar ― Castiel pediu antes de engolir em seco e continuar, parecia estar se esforçando para falar ― No restaurante eu vi como flertou com aquela garçonete e fiquei irritado, com ciúmes, mas depois percebi que não tenho esse direito. Esses últimos dias eu estava confuso, perguntando a mim mesmo sobre o que somos e como eu devia agir ao seu lado. Não tivemos aquela conversa que geralmente os humanos tem e eu estava bem com isso. Mas tudo começou a ficar confuso e... Dean, não sou humano, e sou forçado a aceitar isso quando percebo que mesmo tendo milhares de anos e uma vasta experiência na Terra, nada me prepara para o que sinto por você.

Foi a vez de Dean engolir em seco, mas permaneceu calado. Castiel respirou fundo e desviou o olhar para as próprias mãos que agarravam levemente a camisa do outro.

― Quando Eros perguntou se eu tinha namorado, minha vontade inicial foi dizer sim ― Castiel continuou com a voz baixa ― Então lembrei que, além de nunca termos conversado sobre isso, você tinha acabado de flertar com outra pessoa, o que não é bem aceito quando se está em um relacionamento... até onde sei. E... posso ser um anjo, mas estou há tanto tempo entre vocês que acabei colocando importância nesse tipo de rótulo, o que, definitivamente foi um erro porque você, como humano, claramente não pensa da mesma forma.

Um bolo se formou na garganta de Dean e de repente podia sentir a tristeza que transbordava dos olhos azuis esmagando seu peito. Preparou-se para falar qualquer coisa que desse àquela situação um outro caminho, porém Castiel varreu seus pensamentos ao se levantar e se afastar não mais do que dois passos.

Dean podia ver as mãos dele tremendo e os olhos piscando repetidamente em um esforço árduo para não se encherem de lágrimas. Era o suficiente. A possibilidade de vê-lo se despedir e partir inundou o caçador de desespero e o levou a rapidamente segurar as mãos dele.

― Não vou embora, Dean ― Castiel assegurou forçando um sorriso ― Só quero deixar claro que não estou e nem vou exigir nada. Eu amo você e esse amor não depende de reciprocidade. Não estamos namorando, você está livre para flertar ou se relacionar como e com quiser, prometo que não ficarei no seu caminho.

― Castiel, isso é ridículo ― Dean finalmente conseguiu falar, sua voz saiu resoluta e ele se levantou para impor seus pensamentos.

Castiel inclinou a cabeça para o lado, confuso.

― Não entendo... achei que era isso o que queria ouvir. Sei que não gosta de estar “preso” a ninguém e-

― Não vai falar nada sobre o que aquele deus disse? A opinião dele é importante.

― O quê? Não. Quem se importa com o que ele diz? Qualquer discussão com ele ou sobre ele não vale a pena, pensei que tinha deixado isso claro no restaurante.

― E eu disse que pra mim vale! ― Dean exclamou com exasperação ― Se alguém te beija e diz que não sou o suficiente pra você, Castiel, então vale a pena!

― Por quê? Eu disse que ele estava lá apenas para causar discórdia ― Castiel argumentou ainda sem entender ― Nada do que Eros fez tem importância, nem mesmo para ele. É apenas parte de um jogo estupido!

― Ah, claro, isso faz eu me sentir muito melhor, obrigado ― Dean ironizou com desdém se abaixando para pegar a garrafa de cerveja que estava pela metade e tomou um longo gole enquanto se afastava de Castiel.

Em seguida fez uma careta ao sentir o liquido quente.

― Dean, eu não consigo entender. Vim aqui pronto para facilitar tudo para você, para livrá-lo de qualquer obrigação, garantir que está livre para estar com quem quiser, como sempre quis estar. Pensei que era isso o que queria, por que está tão irritado?

Dean respirou com força, fechando as mãos em punhos. Queria socar ou quebrar algo, mas em vez disso apenas se aproximou de Castiel em rompante aborrecido. O mais baixo tremeu, assustado com a súbita aproximação, mas não se afastou ou desviou o olhar do outro.

― Estou irritado porque isso é ridículo. Me deixar livre? Não ficar no meu caminho? Não dou importância pra relacionamentos? Que porcaria é essa, Castiel? Por que acha que eu quero ouvir qualquer uma dessas coisas?

― Porque você não me ama.

A respiração de Dean travou e toda a sua irritação sumiu, assim como sua capacidade de se mover. Estava atordoado, não apenas com a frase que tinha acabado de ouvir, como também pela forma que foram ditas. A naturalidade em cada palavra, como se tivesse expondo um fato obvio e irredutível.

Castiel não tinha dúvida ou hesitação em seu olhar, apenas dor. Acreditava plenamente no que estava falando e isso era como uma faca no coração de Dean. Uma faca embebecida em álcool e que era retorcida a cada segundo em que seu olhar estava preso ao do anjo.

Havia caminhado até aquele quarto com os pensamentos presos, principalmente, no medo de ter interpretado erroneamente o que acontecia entre eles. Achava que estavam indo bem até Eros aparecer. Tudo bem, talvez estivesse um pouco chateado com a explosão sem sentido na cozinha do bunker, mas aquilo parecia coisa de criança depois do que tinha acontecido no restaurante. Naquele momento teve a impressão de que Castiel dava pouca importância ao envolvimento que tinham, se tinha tomado a decisão certa ao ultrapassar a linha segura da amizade, agora entendia que a realidade era completamente diferente do que tinha imaginado.

O anjo não apenas se importava, como estava convencido de que não era reciproco.

Oh, merda!

Batidas rápidas soaram pelo quarto.

― Dean! O fantasma fez mais uma vítima, temos que ir! ― Sam gritou do outro lado.

Castiel pigarreou e desviou o olhar para o chão.

― É melhor irmos, seu irmão parece preocupado.

 x-x-x

3 de junho de 2019

Jack hesitou por um momento com a bandeja em mãos, observando Amy em silêncio. A garota estava sentada em uma das poltronas da biblioteca, as pernas encolhidas e a mão direita apoiando o queixo. O olhar não estava focado em nada particular, podia notar.

― Você precisa comer.

― Está falando comigo agora? ― ela retorquiu sem se mover.

Respirou fundo e ergueu o queixo, determinado a continuar. Lentamente subiu as poucas escadas e se aproximou da mesa da ponta, mais próxima dela, e depositou a bandeja ali.

― Você está grávida, precisa se alimentar.

Amy finalmente o olhou, a expressão indecifrável.

― Não temos certeza.

― Temos sim. Pesquisei na internet sobre os sintomas, li vários blogs e artigos, além disso já falei que consigo sentir ― Jack comentou enquanto lhe estendia um copo de suco de laranja ― E você já estava esperando por isso.

Ela franziu o cenho e aceitou o copo com hesitação.

― Eles vão ficar bem irritados ― Jack garantiu lhe estendendo um prato com um sanduiche quente ― Não sei como ficará a convivência depois disso.

― Sua motivação me comove ― Amy resmungou com ironia antes de dar a primeira mordida ― Hum... isso tá bom.

― Sabe que estou certo. Essa criança vai além de todos os limites.

― Mesmo para um Winchester?

― Mesmo para um Winchester.

Amy suspirou e continuou comendo em silêncio. Jack sentou em uma das cadeiras e tentou não a encarar. Castiel tinha dito que encarar deixava as pessoas desconfortáveis.

― Não preocupe, prometo que estarei com você, independente do que eles decidirem ― anunciou tentando puxar conversa.

― Já falei pra parar de fazer promessas... Além do mais, você não foi exatamente uma companhia nos últimos dias. Preferiu me ignorar.

― Não é fácil aceitar o que está fazendo, poderia ter falado antes.

― Não tenho culpa se o próprio Deus mexeu nas minhas memórias.

E Jack não a culpava, porém não conseguia impedir a si mesmo de se entristecer pelos riscos que começavam a rodeá-la. Era impossível não recordar do que aconteceu com sua própria mãe, Kelly, que aceitou morrer pelo seu nascimento. Aconteceria o mesmo com Amy? A morte da mãe do nefilim era inevitável? Amy não seria exatamente a mãe, certo? Apenas a progenitora. Bom, teria as respostas assim que os outros soubessem a verdade sobre o que estava acontecendo.

― Vem, vamos acabar com isso ― Amy anunciou se levantando e abandonando seu lanche inacabado sobre a mesa.

― O quê? ― Jack despertou confuso.

― Vamos descobrir de uma vez se essa criança existe mesmo ou se estamos ficando doidos. Eu não aguento mais essa incerteza.

Jack franziu o cenho ao vê-la se afastar. Para ele não havia incerteza alguma, mas a compreendia. De acordo com a internet muitas mulheres ficavam nervosas e tinham mudanças de humor durante toda ou boa parte da gestação. Era aconselhável não contrariá-las.

Com essa conclusão em mente apenas embrulhou o sanduiche e foi até seu quarto pegar seu casaco.

― Consegue ler minha mente, certo? ― Amy perguntou quando se encontraram no corredor. Já estava com os cabelos presos e usando seu sobretudo.

― Sim...

― Ótimo, vou pensar no lugar e você nos leva lá. O que é isso na sua mão?

― O sanduiche que você vai terminar de comer ― Jack respondeu com veemência.

Amy estreitou os lábios, mas decidiu não questionar, apenas pegou o sanduiche da mão dele e fechou os olhos murmurando um “Que seja”.

Jack a olhou por um ou dois segundos, hesitando, mas logo se aproximou e tocou suavemente na testa dela. Era só o que precisava.

Era final de maio e o clima estava um pouco mais ameno do que o esperado. Isso podia ser notado assim que surgiram no beco mais próximo do hospital que Amy conhecia. Ela tremeu um pouco sob o vento e se apressou em guardar o sanduiche em um dos bolsos dentro do sobretudo quando começou a andar. Jack, por outro lado, apenas a acompanhou mantendo os olhos atentos para o que acontecia ao redor. Ainda havia anjos e demônios a procura da amiga, afinal, e não se perdoaria se algo acontecesse com ela.

― Ainda acho que não devíamos estar aqui ― comentou quando entraram no hospital.

― Qual era sua sugestão? Esperar pelos seus pais? ― Amy desdenhou em resposta ― Se você não conseguir me proteger, ninguém mais consegue, anjo.

Anjo. Jack tentou não colocar tanto peso naquela palavra.

É apenas uma forma carinhosa de tratamento, nada mais, repetiu para si mesmo enquanto se aproximavam do balcão de atendimento. No entanto, não conseguiu prestar atenção no que Amy falava, sua mente o distraiu com lembranças de uma conversa que não deveria ter ouvido.

― Qual é! Jack gosta dela ― a voz de Dean surgiu de repente, fazendo-o parar antes de entrar na cozinha. 

― É claro que gosta ― ouviu Castiel concordar ― Eles são amigos.

― Não desse jeito, Cass. Jack está apaixonado pela Amy.

 Então era por isso que não conseguia parar de pensar em Amy? Por isso que temia tanto pela vida dela? Estava apaixonado? Parou para pensar sobre o que conhecia sobre o assunto. Poderia se concentrar no que tinha visto em filmes e lido nos poucos livros que tinha sobre o assunto, mas preferiu pensar em uma das caçadas que fez na companhia de Mary.

No caso conheceu Brie e Jane, duas amigas que acabaram se aproximando dele depois que foram atacadas por um fantasma. As duas ofereceram moradia por quase um mês enquanto ele e Mary tentavam descobrir as motivações e o ponto fraco do fantasma que parecia não ter nenhuma ligação com elas ou com a casa. Durante esse tempo Jack as observou com atenção, como sempre fazia com pessoas que aparentavam ter sua idade física em busca de aprender mais sobre como deveria agir, mas acabou encontrando nelas o mesmo olhar que Dean dirigia a Castiel.

Estavam apaixonadas. A conclusão foi tão imediata que o surpreendeu. Não precisou listar jeitos ou sintomas, apenas soube, aquela troca de olhar foi o suficiente.

Mas não para elas. Jack só notou que elas não namoravam quando Jane tentou beijá-lo na cozinha quando estavam sozinhos na casa. Paralisou no ato, sem saber se deveria retribuir ou empurrá-la, sequer conseguia manter os olhos fechados.

― Me desculpa por isso. Precisava tentar ― Jane se desculpou com um sorriso sem graça.

― Por quê? ― perguntou ainda confuso.

― Pra ver se eu sentia alguma coisa.

― Você sentiu?

― Não. E você?

― Não senti nada... só fiquei confuso. O que isso significa?

Ela riu antes de responder.

― Significa que somos amigos. Apenas amigos.

Então era isso? Ele precisava sentir? Talvez sim porque no outro dia Jane estava sorridente ao lado de Brie e quando perguntou o que tinha acontecido, ela apenas respondeu que tinha sentido e estava cansada de fingir que não.

Na época nada disso fez sentido. Mas agora...

― Jack? ― Amy o chamou franzindo o cenho ― Tudo bem?

― Sim, claro, só me distrai. Sinto muito ― ele se apressou em responder ao sentir suas bochechas esquentarem.

Estou envergonhado, por quê?

― Certo... vai entrar comigo?

― Onde?

Amy revirou os olhos.

― Você é um péssimo anjo da guarda ― murmurou sorrindo enquanto o puxava para dentro de uma sala e fechando a porta em seguida.

Jack ficou sem saber o que falar. Olhou ao redor reconhecendo a sala como um consultório médico, mas não entendeu a função da maca até Amy se sentar e forçar um sorriso para a médica que estava sentada ao lado. Amy ia fazer um ultrassom? Mas tão rápido? Isso não ficava apenas para momentos posteriores da gestação? A confirmação da gravidez não vinha através de um exame de farmácia ou exame de sangue?

Aparentemente nem todos os filmes estavam certos e ele não deu a devida atenção aos artigos que encontrou na internet.

Amy subitamente o puxou para mais perto e sussurrou:

― Fica calmo, isso vai ser rápido e preciso.

― Boa tarde, sou a Dra. Ariel Cooper ― a médica saudou com gentileza ― Pelo visto o possível papai está nervoso. Não se preocupe, o procedimento não é invasivo.

Se Jack estava constrangido antes, agora seu rosto estava em chamas, metaforicamente é claro.

A Dra. Cooper não era uma médica que esperava encontrar pessoalmente. Os cabelos castanhos claros estavam bagunçados e havia um leve rubor em seu rosto, parecia jovem demais para ser médica e os olhos escuros demonstravam uma alegria que combinava com suas mãos inquietas. Jack podia dizer que ela estava tão ansiosa quanto Amy para o exame.

― Muito bem, Srta. Novak, deite-se e levante a barra da camisa ― a doutora voltou a falar, indicando a maca enquanto preparava o aparelho que Jack desconhecia por nome. Amy obedeceu e a médica mostrou um pote de gel ― Isso vai ser gelado, é normal.

Amy concordou com a cabeça e respirou fundo, deixando transpassar o nervosismo. De repente Jack não tinha certeza se deveria estar ali, participando daquele momento, sentia que era intimo demais. Um momento que deveria ser compartilhado entre pessoas importantes, como a família ou os pais.

― Vamos lá... ― Dra. Cooper murmurou iniciando o ultrassom.

Subitamente Jack ficou nervoso, o coração acelerado, nem conseguindo dar atenção ao que a médica fazia na pele exposta da Amy. Os olhos estavam presos na tela que, até onde sabia, mostraria o bebê.

Por um silencioso e pesado momento não conseguiu distinguir nada na tela que só mostrava relances deformados de cinza e preto. Olhou para Amy em busca de respostas, talvez ela estivesse vendo algo que ele não conseguia compreender, mas os olhos dela estavam tão perdidos e ansiosos quanto os dele.

Em um ímpeto involuntário se aproximou e segurou a mão dela, tentando transmitir uma calma que não sentia. Amy se assustou com o contato repentino, mas depois sorriu, agradecendo silenciosamente pelo apoio.

― Muito bem... ― Dra. Cooper quase cantarolou chamando a atenção deles e então virou a tela para que vissem melhor ― Meus parabéns, vocês serão papais.

Jack paralisou, subitamente esquecendo que estava incluído naquela frase apenas por um engano por parte da médica, então olhou para Amy e sorriu, buscando expressar toda a felicidade que sentia enquanto apertava sua mão. Amy devolveu o sorriso com um ainda maior e, se possível, mais radiante. Jack não sabia que alguém podia passar a sensação de brilho até vê-la naquele momento.

― E será uma experiência dupla.

Os sorrisos se abriram em expressões perplexas.

― Tá dizendo que estou grávida de gêmeos? ― Amy perguntou com a voz incrédula.

― Isso mesmo, querida ― a doutora confirmou sorridente, soando verdadeiramente feliz pela notícia ― Você acabou de completar oito semanas. Se me aceitar, ficarei feliz em acompanha-la pelos próximos meses. Não é uma gestação de risco, mas você precisará manter alguns cuidados a mais e acompanhar o desenvolvimento dos bebês com cuidado. Querem ouvir os corações?

Ainda em choque Amy concordou.

E então uma sensação explodiu no peito de Jack, era morno e eufórico, fazendo-o querer rir e chorar ao mesmo tempo. O som de batidas rápidas e desreguladas invadiu sua mente e o desestabilizou por completo, preenchendo cada pensamento como o som de uma orquestra preenchia um teatro. Era lindo e... mágico, como aqueles milagres de Natal que tanto via na televisão. Olhou para Amy, pronto para perguntar se aquilo era normal ou se tinha algo errado com ele, mas parou assim que a viu. Ela já o encarava, os olhos estavam úmidos e o sorriso ainda aberto.

― Eu consegui, Jack... ― disse emocionada.

Sem pensar muito, Jack se inclinou e beijou suavemente a testa dela. Não por um motivo especifico, apenas quis fazer.

― Você era a única que tinha dúvidas ― sussurrou, fazendo-a sorrir.

E, sim, ele definitivamente sentia alguma coisa.



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