História The Gunsling - Capítulo 21


Escrita por:

Postado
Categorias Black Veil Brides (BVB), Juliet Simms
Personagens Andrew "Andy" Biersack, Ashley Purdy, Christian "CC" Coma, Jacob "Jake" Pitts, Jeremy "Jinxx" Ferguson, Personagens Originais
Tags Drama, Romance, Romance Adolescente
Visualizações 39
Palavras 3.533
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olááá!!

PAUSA PARA: VOCÊS VIRAM QUE O JINXX VAI CASAR? AHHH FELICIDADES PRA ESSE CASAL MARAVILHOSO (e espero que dessa vez dê certo né? huahau c: )

Hoje não revisei o texto por motivos de: Não estou com muito tempo mas não queria deixar de postar huahau então me perdoem por qualquer erro. Espero que gostem ^^

Capítulo 21 - Crimes


 Dias de puro gelo. Andy Biersack e sua completa infantilidade fizeram com que nem toquemos no assunto daquela noite. Enquanto eu tento, por mais que sinta raiva por não confiar em mim, fazer com que ele me escute ao menos por um momento, sinto que tem alguma coisa muito errada. Todas as vezes que me proponho a levantar o olhar e verificar como ele está diante da sala lotada, percebo preocupação em sua expressão. Juliet tem ficado quieta, na dela, sem nem falar conosco. Por outro lado ao mesmo tempo em que encaro aquele idiota, a vejo fazendo o mesmo e já vi os dois trocando olhares mais de uma vez. Não tenho coragem para questioná-lo sobre ter vontade de voltar com ela, pois sei que ele me ignoraria. Alexander por outro lado parece uma sombra, quase como se ele vivesse para me seguir, tentando ser discreto na maior parte do tempo. Horrorizada, noto a televisão ligada em uma nova entrevista dele. Estou sentada ao lado do meu pai, o mais novo gerente da revendedora de carros de luxo, que ainda está zangado comigo e ignorando minhas tentativas de socialização por completo. A repórter parece empolgada.

“-Alexander poderia nos falar um pouco mais sobre como tem sido a sua rotina?

-Olha Suzan, tem sido muito tranquila na verdade. Não tenho cansado muito meu corpo para não levá-lo à exaustão. Estou muito bem preparado fisicamente e essas semanas finais devem ser de manutenção e descanso. “

-Isso não faz sentido. –Deixo escapar ainda confusa sobre ele.

-O quê? –Michael desperta de seus pensamentos.

-Nada. Besteira minha.

Como assim rotina tranquila? Ele tem praticamente desmaiado durante as aulas e parece um zumbi andando pelos corredores. Tem dias que eu olho atentamente para ter certeza de que não estou estreando alguma temporada nova de The Walking Dead.

-Vi esse cara mais cedo no mercado. –Está puxando assunto, por quê?

-Qual mercado?

-Aquele aqui perto de casa. –Ele diz com a boca cheia de amendoins.

-O que ele estaria fazendo aqui?

-Até lutadores famosos tem que ir ao mercado, não acha?

-Sim. Mas ele mora do outro lado da cidade.

-Como sabe disso? –Um Michael desconfiado me encara bebendo seu último gole de suco de abacaxi.

-Todo mundo sabe. –Minto. –Falam muito sobre ele lá na escola.

-Imagino que deve ser o centro das atenções.

-Ele é. Com certeza.

-Mas espero que não seja o seu centro das atenções. –Autoritário, levanta-se indo em direção ao banheiro. Baixo o olhar, tentando disfarçar a culpa. –Sua mãe ligou ontem à noite. –Paraliso.

-E...?

-Ela quer conversar comigo.

-E você aceitou?

-Sim. Acho que temos mesmo que discutir algumas coisas calmamente como dois adultos que somos.

-Mas pai... –Antes que eu complete a frase ele faz sinal para que eu silencie.

-Não cabe a você decidir isso. Irei jantar com ela amanhã à noite para falarmos sobre algumas coisas.

-Não vejo motivos para que você se submeta à isso.

-Só posso afirmar que grande parte do motivo para eu tomar essa decisão é culpa sua.

-Culpa minha? –Ele deixa a sala me largando sozinha com uma curiosidade absurda e uma sensação imensa de receio. Afinal, o que o levaria a conversar com ela depois disso tudo?

Já no quarto, vivendo sob cárcere privado já que Michael retirou a escada de emergência do lado da janela, só me resta ficar sozinha, tentando conviver com o fato de que meu pai definitivamente não vai mudar. Os desejos mais doentios da minha alma podem achar que sim, mas uma vez um viciado, dificilmente se terá resultados diferentes. Idiota. Ideia muito idiota, mas eu tento mesmo assim. Disco o número de Andy pela vigésima vez em dois dias, novamente sem sucesso. Não entendo como ele consegue me ignorar tanto, sem nem ao menos me atender nem que seja pra me mandar longe. Ligo de novo. Mais uma vez. Agora vou encher a paciência dele mesmo. Até que finalmente tenho uma reposta.

-Será que dá pra parar de me ligar? –O mal humorado garoto atende.

-Não vou parar até que tenhamos uma conversa.

-Não temos nada pra conversar, sua infeliz.

-Temos sim! Não pode me ignorar pro resto da vida.

-Eu posso e eu vou.

-Andy para! Por favor... Estou tentando falar...

-Tá certo. Fala então. Explica tudo o que tem pra explicar.

-Aquela noite não passou de um mal entendido completamente idiota. O pai do Alan brigou com o meu e ele veio se desculpar. Apenas isso.

-Claro, invadindo sua janela no meio da noite.

-Não tem sido fácil conviver com o Michael. E obviamente não melhorou depois daquela noite. Ele é apenas um amigo, Andrew. Um amigo que precisa de apoio assim como eu precisei.

-Sei bem o tipo de apoio que ele precisa.

-Vai mesmo continuar com isso? Lembra do Christian? Aquele ataque de ciúmes ridículo que não era nada no final? Ou das paranóias com meus outros amigos?

-Ah claro, vai me dizer o que? Que ele é gay também assim como o Tommy? –Meu coração doeu. E no momento que ele falou eu senti seu arrependimento. –Desculpa. Não quis falar nele. –Lágrimas e mais lágrimas. Eu já queria chorar e certamente isso foi demais pra aguentar. Esqueço desse assunto e quando ele surge é um choque de realidade.

-Se não pode confiar em mim então tem razão, é mesmo meu ex-namorado.

Desligo.

Ele retorna a ligação e eu ignoro. Parece que o jogo virou Biersack. Agora quem não quer trocar uma palavra contigo, sou eu.

 

 

Depois de um dia exaustivo, onde Andy nem deu as caras no colégio e Juliet parecia pior que nos dias anteriores, passei a tarde em casa, limpando. Meu pai fez uma nova tabela onde eu deveria realizar tarefas domésticas, isso iria me manter ocupada a tarde inteira e era assim que ele iria manter o controle de quando eu estava em casa. Inferno. Limpei tudo, varri quase tudo e lavei o que pude. No final do dia ainda falei com a Alice, que me contou sobre suas novas aulas de italiano. Isso me lembrou que eu perdi mesmo aquela entrevista e me fez refletir sobre como eu faria para fazer tudo mudar, preciso daquela vaga na universidade.

-Estou pronto. –Michael anuncia. Usando uma calça Jeans e uma camiseta social azul, seus olhos demonstram confiança. –Irei jantar apenas com ela. Voltarei para casa logo. NEM PENSE em sair daqui. Entendeu?

-S-sim.

-Se eu desconfiar que você...

-Fica tranquilo, eu não vou.

-Ótimo. –Ele coloca uma jaqueta de couro para completar o visual. –Não se esqueça de lavar a louça.

-Não vou.

Deixando a casa, ele parte em direção à noite que poderia por tudo a perder? E se de alguma forma eles se entendessem novamente? Que tipo de inferno essa casa viraria?

 

Lavei a louça após jantar macarrão com queijo. Não é meu favorito, mas eu não costumo recusar nada que tenha uma boa porcentagem de queijo, então está ótimo. Pareço uma minhoca enrolada em cobertas no sofá assistindo Psicose. Eu e essa mania irritante de ver filmes de terror quando estou sozinha. A cena mostra uma moça tomando banho, focando na água escorrendo sob seu corpo. Sinto um arrepio de frio, mas não consigo deixar de olhar. O assassino entra no banheiro silenciosamente e meu coração acelera junto ao filme. Quando ele a surpreende dou um pulo no sofá escutando batidas na porta. Coloco a televisão no mudo, ligando o abajur da sala e em seguida acendendo as luzes da frente. Quem  poderia ser uma hora dessas? Checo o relógio vendo-o marcar quase meia-noite. Ao abrir a porta, dou de cara com um Alexander sujo, visivelmente de lama.

-O que você está fazendo aqui? –Era o perfeito assassino, com as roupas rasgadas e alguns arranhões.

-Por favor, me deixa entrar. Eu te explico aí dentro, eu juro.

-Tá, entra logo. –Fecho a porta, indicando a sala para que ele entre.

-Desliga a luz! Rápido! –Obedeço, apagando as luzes da frente enquanto ele desliga o abajur. Vou a sua direção e não demora para que eu escute sirenes de polícia.

-Em que merda você se meteu? –Com certo receio fico parada em sua frente.

-Armaram pra mim. Por alguns minutos eu seria pego em uma cena de crime. Drogas, cargas roubadas e outras merdas. Tudo isso em um local que era para estarem apenas alguns suplementos que eu encomendei.  –Ele se aproxima, segurando firme a minha mão. –Eu sei que parece estranho e entendo se não quiser acreditar, Lua. Mas eu não tenho culpa nenhuma dessas merdas. Só corri até aqui por que era o único lugar que eu sabia que não me procurariam... E o único que eu conheço por aqui. Lembro que te acompanhava até a esquina depois da aula...

-Tudo bem. –Eu devo ter alguma maldição pra me envolver com garotos problemáticos, não é possível. –Acredito em você. –Ele estampa um sorriso.

-Agora que pensei que poderia ter te colocado em maus lençóis... Lembro que seu pai é meio descontrolado.

-Ele não está. Mas já deve estar voltando. Não posso deixar que ele te veja aqui...

-Não sei se já é seguro que eu saia. Os caras que armaram pra mim tentaram mais do que só me ferrar... –Ele mostra arranhões enormes no abdômen.

-Michael pode voltar a qualquer momento... Eu não sei como te ajudar!

-Eu preciso ao menos trocar de roupa... Se sair assim na rua vai soar suspeito... Ainda mais se alguém me reconhecer. Luana, eu sei que é pedir demais...

-Meu pai tem umas roupas velhas. Mas vamos ter que correr. Irá passar rápido pelo chuveiro, colocar as roupas e se mandar daqui. Entendeu? –Ele assente. –Ótimo.

Conduzo-o até o meu quarto, deixando que ele use o meu banheiro para que não tenhamos problemas ao explicar a quantidade absurda de lama para Michael, já que ele nunca entra aqui. Enquanto o garoto de livra daquela sujeira, encontro algumas roupas antigas que Michael separou para a doação alguns dias antes. Com certeza ficariam justas em Alexander. Pego um moletom velho, a maior peça que encontro, rezando para que sirva. Dou a ele também um par de chinelos, afinal as botas estão cobertas por lama. Ele levou muito a serio a parte do “rápido” pelo chuveiro.

-Lua... Terminei! –Grita. Levo até ele as roupas, entregando-as passando o braço pela porta entreaberta, para não ver mais do que preciso e não pensar no que não devo. –Não precisa ser tão cautelosa, você já viu tudo o que tem aqui. –Sua risada é maliciosa.

-Anda logo! –Apresso-o, indo frequentemente até a janela para ter certeza de que Michael ainda não estava voltando.

Ele deixa o banheiro usando a bermuda que ficou apertada (em todos os lugares) e com seu peito nu, tentando vestir o moletom.

-F-foi o maior que eu encontrei. –Preciso distrair meus pensamentos. Que homem meu deus.

-Está ótimo. Obrigado.

-Não precisa me agradecer. –Coloco as roupas sujas junto com as botas em uma sacola. –Acho melhor eu te levar isso amanhã na aula... Se te pararem na rua não vai adiantar nada ter trocado de roupa e ter essas em mãos.

-Concordo. –Ele deixa o quarto em direção às escadas, mas antes que eu tenha tempo de acompanhá-lo ele voltar correndo, entrando às pressas no banheiro. Fico sem entender por alguns segundos quando escuto passos vindos da escada.

-Pai? –Jogo a sacola para Alex e vou ao encontro de Michael nas escadas. Ele parecia estranhamente feliz.

-Ainda acordada?

-Estava... No banho. Como foi lá? –Tento mudar de assunto.

-Foi da forma que tinha que ser. –Ele sorri. Só subi para ver se estava dormindo. Vou ver televisão, vai reprisar o jogo de hoje.

-P-pai?

-O quê?

-Não guardou o carro? –Eu não ouvi barulho na garagem...

-Tive que guinchar. Estragou no meio da rodovia principal. Mas vim de taxi, não se preocupe que eu resolvo isso. Vamos de ônibus amanhã.

-C-certo. –Forço um sorriso. –Boa noite.

-Boa noite.

Essa era a última coisa que eu precisava. Se ele sonhar que tem um garoto no meu quarto acho que posso me considerar morta. Ah sim, eu posso. Retorno ao quarto, trancando a porta e procurando por Alexander no escuro do banheiro.

-E agora? –Sussurra preocupado.

-Ele desceu pra assistir ao VT do jogo.

-Isso não é bom.

-Vai ter que ficar aqui até ele resolver dormir. Não tem como descer pelas janelas ele tirou todas as escadas de emergência depois de uma briga que tivemos. –Alex senta no chão, olhando-me atentamente.

-Certo. Vou ficar aqui então.

-Não seja ridículo, está frio. –Sento-me na cama, indicando para que ele fique ao meu lado. –Além do mais não se sabe o quanto isso pode demorar.

-Se você insiste. Eu não pude deixar de reparar que sua mãe não foi citada em momento algum dessa noite... Ou aquela sua irmã irritante. –Alex odiava Esther. Os dois tinham discussões feias antigamente.

Conto a ele os eventos ocorridos nos últimos meses como forma de passar o tempo. Pela primeira vez desde que ele voltou, conversamos de verdade. Ele falou sobre a família e sobre suas vontades e desejos. Conversamos como duas pessoas que estavam sozinhas em suas mentes, precisando de atenção, conexão e reciprocidade. Não foi difícil sentir atração por ele, pelo cuidado e carinho daquele momento. Obviamente estarmos na minha cama no meio de uma madrugada era um fator agravante, mas eu sabia que aquilo era momentâneo. Era desejo. Mas ao mesmo tempo era carência. Aceitar ceder aos impulsos seria motivo de arrependimento no dia seguinte. Estamos tão perto, sussurrando lembranças e tentando nos manter quentes, fazendo o mínimo de barulho.

O relógio marca três da manhã quando escuto Michael subindo as escadas. Alexander dorme escorado no meu ombro. Sua pele macia toca a minha, seus braços me envolvem quase que em um abraço. Era confortável estar ali, embora eu soubesse que errado, pois não deveria existir nenhum pingo de esperança de ter nada entre nós.

-Alex? –Tento acordá-lo –Alexander! –Seus olhos abrem-se assustados. –Meu pai subiu. Acho melhor você ir.

-Eu não pretendia dormir. –Sorri, levantando-se. Sorrio de volta.

-Vamos com cuidado. Vai na frente que eu cuido para ver se ele não abre a porta do quarto.

-Certo.

-Vamos sair pela porta dos fundos.

E assim começaram os minutos mais longos e tensos da minha vida. Conforme caminhávamos, tentando ser tão cuidadosos quando podíamos, sentia a adrenalina tomar conta do meu corpo. Descendo degrau por degrau, era como se cada um fosse um novo desafio. Coloquei minhas mãos sobre os ombros de Alex para não cair escada abaixo, no total escuro. Conseguindo descer, encontrar a cozinha foi complicado e mais ainda passar por ela, quase derrubando dois copos no chão, que estavam mal colocados sob a mesa que acidentalmente acabei esbarrando. Quando senti a maçaneta girar e a porta dos fundos abrir, foi um alívio instantâneo.

-Conseguimos. –Alex vibra.

-Finalmente. –Sorrio.

-Não sei como te agradecer.

-Não precisa.

-Mas eu quero. –Puxando-me para junto de si, ele tenta unir nossos lábios mas eu ainda encontro forças para recuar. –Não. –Ele passa as mãos em meus cabelos. –Não vai significar nada. Apenas um agradecimento. Eu juro. –Diante de um olhar sincero e piedoso, eu permito. Unindo seus lábios aos meus, sinto sua respiração acelerar e a necessidade de fugir daquilo diminuir. Estava diante de uma paz interior absurda enquanto desfrutava do seu gosto. Ele me soltou, sorrindo e assim eu deixei seus braços permitindo que ele sumisse no breu da noite. Escuto um barulho vindo da cozinha seguido de uma luz acendendo. Fecho rápido a porta, sem fazer qualquer barulho.

-Luana? –Meu pai aparece, colocando metade do corpo para dentro da garagem. –O que você está fazendo?

-E-eu... esqueci de trancar a porta quando fui jogar o lixo. Fiquei com receio por causa daqueles garotos idiotas que invadem aí vim checar.

-Melhor assim. Estou cansado daqueles infelizes entrando aqui. –Sonolento ele retorna para a cozinha, provavelmente pegando um copo d’água. Eu não consigo acreditar nem por um minuto que isso tudo aconteceu de verdade.

 

Após colocar as roupas de Alex dentro da mochila, desço visivelmente cansada, já que quase não dormi novamente, porém dessa vez minha insônia tinha nome e sobrenome. Vejo o inglês passeando com biscuit pela janela. Tenho tentado, porém sem êxito algum conversar com Alan. Nos últimos dias ele tem me evitado a todo custo. Quando o vejo nos arredores de casa ele me ignora, normalmente acompanhado de George e Louise, que fazem o mesmo. Encontro sob a mesa da cozinha o jornal de hoje, um pouco sujo, provavelmente pela falta de cuidado de Michael ao juntá-lo. A capa estampa o nome que faz meus olhos lacrimejarem:

“Tommy Simms, filho do empresário Jeffrey Simms, será velado hoje no cemitério central. O rapaz, vítima do atentado da última semana, cujo culpado ainda não foi encontrado, era...”

Aquilo doía muito. Tinha muito sentimento envolvido e me fazia querer voltar no tempo e ter um último momento com ele. Tão jovem e com toda uma vida pela frente, poderia ter sido incrível em algo que gostasse realmente.

-Posso saber o motivo dessa cara de choro? –Michael aparece bem vestido em uma roupa social preta, com os cabelos penteados para trás.

-Ele é irmão da Juliet. Lembra dela? –Mostro o jornal.

-Ah sim. Como esquecer os Simms? Uma pena, um rapaz tão novo... Mas escolheu esse caminho. Se fosse um rapaz correto, de bem...

-Ele era.

-Pessoas corretas não frequentam esse tipo de lugar.

-E se fosse eu aqui? Teria menos importância por causa do lugar?

Ele serve um copo de café para a viagem, fechando com a mão que está livre a pasta que levava consigo. –Se você pensar em frequentar um local desses pode esquecer que é minha filha. Agora vamos, não quero me atrasar e tenho certeza de que falta pouco para perder o ônibus.

Com raiva e certo nojo do pensamento antiquado e preconceituoso do homem que reclamava do conservadorismo do próprio pai, mas repete os mesmos passos, pego minha mochila e a jogo sobre os ombros, sentindo o peso das botas. Michael insiste em não me contar sobre o jantar da noite anterior.

 

Assim que deixo o ônibus, retiro a sacola pesada da mochila para livrar as minhas costas daquele peso. Não foi preciso muito para que eu encontrasse meu primeiro problema do dia. Bastou apenas que eu cruzasse a porta de entrada para dar de cara com Alexander e Biersack, discutindo um com o outro no meio de uma roda de curiosos. Enquanto alguns filmavam e outros gritavam “briga”, pude ver que eles ainda não haviam se tocado. Com certa dificuldade para chagar até eles, devido ao número de alunos ao redor do que formava um círculo, paro para ouvir o que está acontecendo.

-Como ousa ter a cara de pau de me dizer que não sabe do que eu estou falando? –Alex fala raivoso, fechando as mãos e apertando os dedos com força, fazendo com que as veias dos musculosos braços dele ficassem em evidência. Sinto um arrepio. Até brigando o filho da mãe era gostoso. Porém aquilo não era uma posição de ataque, era pura raiva, como se Alex não quisesse brigar.

-Não é minha culpa se você não cuida dos próprios problemas, Filler. –Andy por outro lado fazia certa insinuação de que iria começar uma briga a qualquer momento. –Eu cuido muito bem dos meus.

-Tão bem que um deles passou a noite comigo. –Alex provoca. Do que ele está falando? Teria essa discussão alguma relação com o que aconteceu? A platéia vibra com a afirmação.

-Seu desgraçado! –Andy se joga contra o lutador, tentando acertá-lo, mas errando drasticamente, acabando no chão. Ao levantar-se para tentar mais uma vez, Alexander o cola contra um dos armários.

-Vou te dizer só mais uma vez, Six. Eu não tenho o menor problema em acabar com a tua raça e acho melhor você começar a se dar conta disso! –Empurrando Andy, seus olhos me encontram, estampando um sorriso.

-Não tem nada pra ver aqui, seus idiotas! –Filler grita, fazendo com que os curiosos comecem a sair aos poucos. Parado em minha frente, ergo a sacola entregando-a ao devido dono. –Espero que não tenha tido nenhum problema.

-Eu não ter tido problema? Que merda foi essa? –Faço referência à briga.

-Decisões sempre tem consequências, lembre-se disso. –Ele pisca. –Obrigado novamente. Por tudo.

Deixando-me sozinha, encaro Andy Biersack furioso na minha frente.

-Sabe... Eu não sei como você espera que eu confie em você desse jeito. –Ele me dá as costas, abatido. E como sempre eu é que pago o preço de toda essa merda. Mas discutir com ele já estava virando rotina.

Que dia! Mal começou e eu já quero que acabe. Abro meu armário para encontrar ao menos um trabalho que preciso entregar para hoje e tenho certeza de que guardei aqui na semana passada. Quando destranco, vejo um bilhete cair.

 

“Sutiã de renda, transar de quatro e torradas no café. É o mais romântico que ele consegue ser?”

Paraliso.

Aquilo era assustador de muitas formas.

Coisas que remetem à noite do show dos garotos no The Whisky. A noite em que a porta estava destrancada e eu ignorei.

 


Notas Finais


É isso meus amores ^^

Faculdade voltou então acho que volto entre quarta e quinta, ok?

Obrigada por ler!

Bjinxx ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...