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História The Hidden Persona - Capítulo 27


Escrita por: ddaengchwitae

Notas do Autor


Oii genteee, finalmente voltamos com mais um capítulo, espero que vcs gostem...

Estamos entrando na reta final da fic, ainda tem uns bons capítulos, mas já deixando claro que agr é só ladeira abaixo. hehe

O capítulo está tenso, tem menção à sangue, violência, tortura e morte, não recomendamos a leitura a quem for mais sensível a esses tópicos.

Boa leitura!!

Capítulo 27 - Lie


 “Pego em uma mentira, 

Liberte-me deste inferno, 

Eu não consigo escapar desse sofrimento, 

Por favor, salve o eu que está sendo punido...’’ - Lie, Park Jimin (BTS)

 

– Daegu, 1885 –  

Quando Lúcifer abandonou os céus seu ato foi visto como a forma mais pura de traição pelos seres angelicais, cegado pelo orgulho e contrariando os ideais de seu próprio pai Lúcifer fez de sua queda o começo de um novo reino, seria um reino moldado ao seu próprio ideal, sem fraquezas, banhado a caos. 

Ele seria o rei.  

A queda de um anjo é dolorosa, sua pele se torna febril e seu peito arde, a carne parece se fundir aos ossos, o oxigênio em seus pulmões se torna escasso e suas asas ardem em brasa por fim se tornando negras como carvão.  

Lúcifer construiu seu próprio império e assistiu de longe o mundo se formar gradativamente. Mas foi quando Deus criou os primeiros mundanos que habitaram a Terra que Lúcifer se viu sentindo inveja novamente depois de muito tempo.  

Seus feitos lhe garantiram muitos inimigos e dentre eles o maior de todos, Miguel, seu próprio irmão, ouviu com nitidez as palavras do arcanjo antes de sua queda, Miguel havia jurado destruir tudo que fosse importante a si, Lúcifer viveu de maneira despreocupada, não tinha nada pela qual nutria um amor genuíno...até o nascimento de seu primogênito.   

– Tem certeza que aquele é seu filho? – Um de seus leais demônios questionou. Ambos observavam do alto de cima do telhado do orfanato, as crianças brincavam juntas, as doces risadas alimentavam o local.  

– Tenho. – Direcionou o olhar para o único garoto sozinho, os fios escuros como a noite se misturavam com pequenas mechas platinadas, o menino lia um grosso livro imerso em seu próprio mundo.  

– Ele parece tão...fraco. – Se arrependeu de dizer assim que Lúcifer o encarou. – Desculpe.  

– É uma criança.  

– Eu cheguei a considerar que seu primogênito estava morto majestade, levando em consideração...  

– Somente ele sobreviveu. – O interrompeu.  

– Como sabe que aquela criança é de fato seu filho? Não se deve confiar em um boato criado por uma sereia, além do mais Daegu é enorme, existem diversos outros orfanatos e...  

– Ele me chamou.  

– Então ele tem poderes?  

– O que esperava? Ele puxou a mim. – Um breve sorriso delineou seus lábios.  

– Há muitas almas inocentes aqui. O fogo consumirá tudo de forma rápida, existem outros meios de conversar com o garoto.   

– Miguel sabe sobre ele, preciso o tirar daqui o mais rápido! – Deu de ombros. – É uma forma de treinar seus poderes também.  

– É uma ideia radical demais majestade...você poderia apenas pedir para conversar com ele. 

– Apenas se certifique de que todos irão sair vivos daqui.  

– Ficar espiando é feio, não lhes deram educação, meus jovens? – A voz suave atraiu a atenção de ambos.  

– Você... – Lúcifer fitou a mulher a sua frente com curiosidade. – Uma caçadora de sombras. – Seu fiel demônio assumiu uma posição de defesa ao seu lado.  

– Ex caçadora. – Sorriu minimamente. – Então você é o tão temido Lúcifer, tenho que confessar que lidar com seu exército não é uma tarefa fácil rapaz. 

– Não parece com medo.  

– Eu não estou. Já passei por muita coisa nessa vida para ficar com medo de um jovem bonito como você. – A senhora sorriu. – Você é difícil de ser contatado.  

– Eu sou o rei do submundo, falar comigo não é uma tarefa fácil. Mas vamos aos negócios.  

– Eu não quero nenhum ouro vindo de você, apenas leve Yoongi para longe daqui e o proteja dos anjos. Eu fiz minha parte e queimei as páginas do bestiário que informava sobre ele, era o meu bestiário acredito que o manter em segredo quanto aos caçadores é a melhor opção! 

– Você fez um juramento de caçadora, o que te fez mudar de ideia?  

– Fiz um juramento de proteger pessoas inocentes... – Deu de ombros com um suspiro. – Estou fazendo isso pois nosso mundo já não é mais o mesmo, não posso mais confiar nos meus semelhantes. Sabe que se a Clave souber sobre Yoongi... 

– Sim, eu sei. 

– Ele é um bom garoto, arrisco a dizer que não puxou a você. 

– Não deveria tentar me ofender assim.  

– Eu vejo um pouco de luz em meio a sua escuridão, meu jovem. Prometa que irá ser um bom pai a ele! – A senhora enrijeceu o rosto. – Ele é um garoto especial que precisa de atenção.

– Eu...irei.  

– Não demorem, entregue isso a ele quando estiverem longe daqui. – Estendeu uma carta a Lúcifer que assentiu. – Não faça com que eu me arrependa da escolha que estou fazendo. 

– Tem minha palavra. A quem eu devo agradecer por cuidar de Yoongi durante todos esses anos? 

– Me chame de senhora Park.  

(...) 

O silêncio que os engolia era perturbador, Lúcifer estava incerto se deveria ou não puxar algum tipo de diálogo com o garoto, não sabia como agir, o que fazer, como ser um pai. Sentia um breve arrependimento o consumir aos poucos, talvez tivesse agido de forma impulsiva demais, deveria ter optado pela opção mais simples sem todo o choque de realidade e chamas que se alastraram rápido pelo orfanato que Yoongi morava. 

– Eu sei que está assustado e que esse lugar é... 

– O inferno. – O garoto respondeu simplório. 

– Isso...mas... 

– Por que eu estou aqui? 

– Porque você é meu primogênito, achei que já houvesse lhe dito isso.  

– Sim, mas... – Suspirou. – Aish...é...estranho. Você é meu pai...quem é minha mãe? 

– Bem... – Engoliu a seco. – Por agora tudo o que você precisa saber eu já lhe contei. – Yoongi revirou os olhos de forma mínima. – E você? 

–  Eu o que? 

– Tem algo que queira me contar?  

– Não... – Fechou os olhos sentindo uma fagulha de poder correr em suas veias.  

– Você está bem? 

– Eu me sinto estranhamente bem aqui... 

– É o caos, ele nos alimenta.  

– O caos? O que isso quer dizer? – O jovem Yoongi perguntou ao pai.

– Você é o primogênito de Lúcifer o que esperava?  

Lúcifer não levava o menor jeito com o filho. Não sabia como abordar assuntos tão delicados. 

– Eu...existe algum motivo de eu estar aqui? 

– Como? 

– Não me trouxe aqui só porque queria a companhia do filho...tem mais coisa, não é? Não espere que eu te chame de papai depois de tudo o que fez. 

– Não, eu... 

– Não adianta mentir, eu sei quando mentem.  

– Sabe? 

– É… deve fazer parte do kit poderes do filho de Lúcifer. E não me trate como uma criança! Eu não tenho mais cinco anos!

– Bem, você ainda não é um adulto. Mas estou curioso quanto aos seus poderes. O que mais você sabe fazer? 

– Eu... – Ponderou por alguns segundos. – Consigo mover objetos com a mente. – Riu de forma fraca. – E eu consigo manipular sentimentos...e pessoas em si... 

– Manipular é? – Lúcifer parecia genuinamente interessado.

– Sim...ainda é confuso e não sei bem como funciona... – Coçou a nuca de modo envergonhado. –  Eu consigo as manipular como...como...Lilith! 

– O que?  

– Lilith, eu li uma vez que ela era a serpente que manipulou Eva. Não sei se é verdade. – Deu de ombros. – Nem tudo que está nos livros é real.  

– Oh...sim.  

– E tem aquela voz.... – Lúcifer conseguiu notar o nervosismo crescente em seu filho. – Ela me assusta às vezes... 

– Ela ainda sussurra coisas a você? 

– Sim, mas ela está quieta ultimamente.  

– Sobre o que ela fala? 

– São coisas estranhas sobre as trevas e escuridão, você sabe o que pode ser? 

– Tenho um palpite ainda não concreto... – Secretamente Lúcifer desejava que seu palpite estivesse errado.  

(...) 

– Seul, 1885 –  

O calor que emanava do aço espesso emitia um som baixo ao entrar em contato com a água do pequeno rio que corria por entre o solo rochoso que formava a imensa caverna localizada em uma área distante de Jeju.  

Azael observava o objeto recém forjado, analisando cada pequeno detalhe que o levava a perfeição, o punhal feito em prata reluzia com o brilho precário vindo das tochas fixas nas paredes.  

– Está pronto?  

– Sim, aqui está a arma capaz de matar Lúcifer e seus descendentes.  

– Isso é esplêndido! – Fitou o punhal com admiração. – Nosso acordo acaba aqui! 

– Espero que cumpra mesmo com sua palavra de arcanjo.  

– Ora Azazel, eu sou um homem de palavras!  

– O que pretende fazer com isso? Achava que os arcanjos não empunhavam armas não angelicais. 

– Eu não irei a empunhar. – Sorriu. – Encontrarei alguém que o faça por mim, um fantoche. Poderia ser você... – Sugeriu.  

– Não me teste pluminhas. 

– Foi apenas uma hipótese.  

– Sabe muito bem o que acontece com quem a empunhar se não possuir sangue angelical.  

– Eu encontrarei alguém! Garanto a você!  

(...) 

– Apartamento de Min Yoongi, Seul (2020) – 

Yoongi não sabia dizer com certeza quando se apaixonou por Jimin, quando percebeu seu coração já pertencia ao garoto de olhar doce e sorriso sincero, talvez houvesse sido na primeira vez em que lutaram lado a lado contra as shadows, ou então quando Jimin o encontrou na loja de instrumentos musicais após mais um de seus surtos como Lee Yoongi, ou até mesmo podia ter sido quando seus olhares se encontraram pela primeira vez na Pandemonium, suas íris violetas queimando contra as castanhas intensas de Jimin, desde então suas almas pareciam se conectar como uma só, era complexo demais explicar e lhe faltaria palavras se tentasse, mas era real, um sentimento avassalador que os acolhia e indicava que pertenciam um ao outros para todo o sempre. 

Todo o sempre… a eternidade parecia tão falha a si naquele momento, Yoongi queria poder mudar seu destino, o que adianta tanto poder se não conseguia reger as rédeas de sua própria vida.   

– Posso te perguntar uma coisa? – A voz suave de Jimin soou baixa contra seu peito. 

– O que quiser, anjinho.  

– Como foi sua conversa com Jungjin?  

– Não consegui muita coisa... – Encarou suas próprias mãos. – Precisarei conversar com ele novamente.  

– Vai o manter no Edom? – Jimin não concordava com essa ideia, mas naquele momento não parecia haver outra solução.  

– Por enquanto sim. – O silêncio voltou a se fazer presente, ambos tinham a mente barulhenta demais, mas nenhuma palavra era dita.  

– Você está quieto... – Jimin o fitou. – Mais que o normal. – Riu de forma breve.   

– Estou apenas pensativo... – Sorriu pequeno ajeitando uma mecha dourada de Jimin, um sentimento estranho pairava em seu coração. 

– Sobre o que?  

– Muitas coisas.  

– Vai dar certo, vamos conseguir Yoon! Venceremos Lilith e todo seu exército. – Era difícil transparecer confiança quando tudo que os rodeava era a incerteza do que o universo guardava para eles. Sorriu. – E depois disso podemos ficar juntos... – Sentiu suas bochechas corarem. – Viajar talvez... 

– Eu... – As palavras se embolavam em sua garganta. – Adoraria. – Yoongi pegou as mãos do caçador, acariciando suas palmas em um gesto de carinho. – Eu queria que algumas coisas fossem diferentes... – Jimin o ouvia com atenção. – Queria que fossemos jovens normais, podíamos ter nos conhecidos em uma cafeteria qualquer em uma tarde fria, você implicaria com minha demora excessiva para escolher uma opção dentre tantos tipos de combinações com café existentes e eu obviamente retrucaria, mas seus olhos me fariam refém... – Yoongi brincava com os dedos de Jimin, os entrelaçando. – Eu passaria a frequentar aquela mesma cafeteria, no mesmo horário, somente para te observar de longe, me faltaria coragem de puxar um assunto, mas você perceberia e viria conversar comigo. – Sorriu. – Daríamos certo… ficaríamos juntos… assistiríamos nossos cabelos se tornarem grisalhos e nossa pele enrugar... – Fechou os olhos por alguns segundos. – Não haveria sobrenatural, profecias, benção ou o constante medo de perder um ao outro nessa guerra. 

– Não estou gostando do rumo dessa conversa Yoongi... – Embora Jimin também almejasse, mesmo que às vezes, uma vida tranquila, o tom de Yoongi carregava mais coisas fora esse desejo, era quase como...uma despedida. – Talvez sem o sobrenatural não existisse nós...  

– Me perdoa por trazer o caos a sua vida anjinho. 

– Yoon… O que aconteceu?  

– Eu sou o caos... – Fechou os olhos, puxando Jimin para mais próximo de si.  

– Não, não é. Você tem um coração incrível... – Acariciou o rosto de Yoongi. – Eu não me arrependo de nada, eu faria todas as mesmas escolhas, enfrentaria tudo de novo...se no final eu puder estar com você!  

– Anjinho...  

– Eu... – Jimin sentiu algo revirar em sua mente, respirou fundo, temia o que aquilo poderia significar, como se toda a areia de uma ampulheta escorresse para o outro lado de forma rápida, contando os segundos até sua shadow emergir, iria lutar contra isso.  – Vamos passar por isso juntos! Eu te amo... – Yoongi o encarou surpreso. – Eu não tenho mais medo do universo, porque eu tenho a você e você tem a mim. O universo não irá contra nós… E se vier, nós iremos contra ele. 

– Eu também te amo anjinho.  

– Para todo o sempre. – Sorriu.  

– Para todo o sempre... – Concordou o puxando para um selar demorado.  

(...) 

Ambos estavam na cozinha, Yoongi havia preparado chocolate quente, Jimin bebericava aos poucos a bebida, haviam se certificado de que Woozi estava bem, o garoto dormia de forma serena e parecia genuinamente feliz.  

– Precisamos contar a ele... – Jimin começou a dizer. 

– Eu não sei como fazer isso. – Suspirou. – Não posso simplesmente chegar e dizer “você é meu irmão, seu pai é Lúcifer!’’ – Fez aspas com o dedo. – Não seria uma abordagem delicada. Vai mudar toda a vida dele.

– Não vai ser fácil. 

– Se fosse fácil não seria nossas vidas. – Riu. – Você está bem?  

– Hum? – O fitou. – Sim... 

– Parece distante, tem um brilho diferente nos seu olhar.  

– O que isso quer dizer? 

– Eu… não sei...é estranhamente familiar... 

– Jaewon me disse que Lilith mostrou o futuro a ele. – O loiro disse sem rodeios.

– Ele lhe disse isso? – Jimin assentiu.  

– Ele me disse que você não estava lá...  

– O futuro é incerto, as coisas podem mudar! – “Mesmo que esse seja meu destino...’’ 

– Ele é a segunda pessoa que diz isso... – Yoongi fitava a xícara de porcelana em silêncio. – Yoon... 

– Não foque nisso!  

– Como posso não focar? – O encarou. – Eu não posso te perder... 

– Vai ficar tudo bem, eu prometo! A Lilith pode só estar brincando com a mente de todos como sempre fez. – Jimin fechou os olhos, respirando fundo, tornando a abri-lo segundos depois. – Anjinho? 

– O punhal...  

– O que tem ele? – Franziu o cenho confuso.  

– Onde ele está?  

– Ah...bem... 

– Aish, me desculpe por perguntar. – Piscou algumas vezes, porque de forma tão repentina sentiu essa necessidade em saber a localização exata do punhal forjado por Azazel.  

– Ele está... 

– Eu queria pedir um dos meus desejos! Aquele que falamos. – Interrompe Yoongi antes que terminasse sua fala.  

– Agora?  

– Sim, agora.  

– Certo... – Se levantou indo até o sofá. – Vem!  

Jimin caminhou até o sofá, se sentando no mesmo, sentia seu coração bater ansioso em seu peito, não sabia como funcionaria ou como seria ver novamente seu pai depois de tantos anos.  

– Será mesmo meu pai? 

– Sim, será algo rápido e semelhante a um sonho.  

– Você já fez isso antes?  

– Já, Hongjoong usou um de seus desejos para conversar com sua mãe. – Sorriu de forma mínima. – Quando quiser... 

– Oh... – Soltou o ar de seus pulmões, Yoongi pegou sua mão direita como forma de encorajamento. – Eu solicito meu desejo ao príncipe do submundo... – Viu as íris a sua frente brilharem em um violeta intenso.  

 

“Eu não saberia explicar a sensação que adormecera meus sentidos naquele momento, era como um sonífero instantâneo e profundo que me desligava da realidade em que estávamos. 

Quando abri meus olhos eu estava em uma imensa campina, reconheci como o espaço em que meu appa levava Hyungsik para treinar com o arco e flecha, vez ou outra Jihyo e eu íamos juntos, me lembro com clareza da euforia e ansiedade que eu sentia quando ouvia as histórias sobre os caçadores de sombras, eu mal podia esperar por minha vez.  

À minha frente havia uma porta, não muito longe de onde eu estava parado, caminhei em passos calmos, sentindo a grama úmida em contato com a pele de meus pés descalços. A abri sem demora.  

Eu estava no parque de Seul, crianças brincavam por todos os lados, bolhas de sabão voavam com a graça de uma bailarina com a brisa morna de fim da tarde que soprava. Havia uma outra porta, essa me levou a minha antiga casa em Busan, conseguia sentir o cheiro de café recém passado e pães frescos, a nostalgia era forte e junto vinha a saudade de uma época tranquila.  

Havia um porta retrato preso a parede, o peguei, mas o mesmo se desfez como pó por entre meus dedos. 

Caminhei até outra porta, parando ao ouvir a voz que soava de meu appa vindo do outro lado, segurei o ar em meus pulmões, caminhei alguns passos para trás. A incerteza me atingiu, eu deveria ou não abrir aquela última porta? Levei meus dedos trêmulos ao objeto frio feito em metal, a maçaneta girou com um click alto.  

– Appa? – O chamei adentrando o quarto, os raios amarelos do sol pintavam as paredes, os livros expostos com cuidado em um enorme estante e logo acima duas lâminas serafim postas lado a lado, como um prêmio de caçador, eu me lembrava que meu appa as deixava presas a parede e sempre dizia sobre desejar uma aposentadoria em sua vida de caçador, ele queria se dedicar a vida comum.  

– Ji... – Meus olhos marejaram assim que o vi, ele era exatamente como eu me recordava.  

– Pai... 

– Você está crescido. – Sorriu. Eu queria o puxar para um abraço, mas temia que ele evaporasse assim como o retrato na sala. – Você se tornou um grande caçador... 

– Segui seus passos...  

– Eu estou orgulhoso de você filho! De você e de seus irmãos. Vocês me deram orgulho desde que nasceram.

– Eu... – Engoli as lágrimas que ameaçavam escorrer. – Eu sinto tanto sua falta. 

– Eu sei filho.

– Eu estou com medo appa… por que tudo tem que ser tão difícil? Eu sinto que estou me perdendo...

– Você é forte Ji, você é um Park! E além de tudo, é o único capaz de fazer isso. Appa sempre vai estar com você, lembre-se. Eu estou em seu subconsciente… algumas respostas não posso te dar, mas siga seu coração.  

– Seguir meu coração?  

– A resposta está nele...’’ 

Jimin abriu os olhos se levantando de forma rápida do sofá, Yoongi o fitou preocupado, temia que não tivesse dado certo, manipular sonhos desse modo não era uma tarefa fácil. 

– Anjinho?  

– Eu o vi... – Fungou. Deixando que as lágrimas que segurou em frente ao pai rolassem livres pelo rosto. – Obrigado Yoon... 

O príncipe puxou o loiro para um abraço, afagando os fios macios do rapaz com carinho, conseguia sentir o misto de sentimentos que vinham do caçador e junto a eles uma parcela de alegria por ter tido o desejo atendido.  

(...) 

– Submundo – Edom – Propriedade de Lúcifer –

    Depois de confortar Jimin após o encontro com o pai. Yoongi decidiu que tinha de enfrentar logo Jungjin e descobrir a verdade sobre o que o diretor pretendia fazer com seu irmão e esclarecer as pontas soltas que ainda restavam.

    Chegando em seu palácio, se dirigiu diretamente à sala particular de Seojoon.

    – Yoongi.

    – Conseguiram arrancar alguma coisa dele? – O moreno perguntou direto.

– Ele se recusou a falar. Mas Abbadon e Azazel se mostraram bem surpresos ao verem o diretor aqui.

– Isso é interessante. – Yoongi disse pensativo. – Vamos lá tirar isso a limpo. Jisung?

– Sim? 

– Leve os gêmeos e traga Azazel, Abbadon e Jungjin até o salão principal. Quero o salão selado e coloque Holly e a matilha de vigia. 

– Certo!

(...)

Com o salão principal devidamente selado, Yoongi aguardava sentado em seu trono, os cotovelos apoiados nos joelhos e os dedos entrelaçados. Exibia uma aura poderosa, e o atual moreno se sentia totalmente poderoso, nunca se sentiu tão sedento quanto agora. Iria descobrir tudo de uma vez por todas. Usaria de suas antigas artimanhas para conseguir tais informações.

Logo seus demônios apareceram arrastando os demônios maiores e o caçador de sombras aposentado e os colocando de joelhos em frente ao trono do herdeiro do submundo. 

– Vejo que não colaborou com meus subordinados. – Yoongi disse à Jungjin que apenas cuspiu sangue em sua frente. – Você está um lixo.

– Já falei aos seus cachorros que eu não tenho nada a dizer!

– Ah...você tem! – Yoongi sorriu e cruzou as pernas se escorando no trono. – Eu vou adiantar que eu não estou mais com paciência para os joguinhos de vocês. Então, eu vou perguntar apenas uma vez...Qual a sua intenção em dar sangue angelical ao Woozi e como você conseguia o sangue?

    O diretor riu e os demais permaneceram calados. Com um aceno de Yoongi, Taeil desferiu um soco forte no rosto do diretor.

    – Seu plano é me espancar até que eu abra a boca? Que patético. – Disse cuspindo mais sangue.

    – Inicialmente eu quero ver quanto você consegue apanhar. Mas não se preocupe, não vamos te matar, quando você estiver mal o suficiente, eu vou te curar e vamos iniciar tudo de novo, temos o dia todo. – O moreno sorriu. – Na verdade eu tirei a semana pra isso, mas se precisar, eu fico mais alguns dias. – Deu de ombros. – Eu não tenho pressa. 

    – Você é tão psicopata quanto seu pai.

    – Ele adoraria ouvir isso. – Sorriu em escárnio.

    Novamente Taeil lhe socou, mas agora mais forte e com uma sequência de socos e chutes. 

    – Enquanto o diretor Jungjin não se decide se quer compartilhar conosco suas informações valiosas, vocês meus amigos, o que tem para me contar sobre sua rainha Lilith? – Yoongi direcionou sua atenção aos demônios maiores que assistiam a cena calados.

    – Acredito que já tenha compartilhado o suficiente. – Azazel disse. 

    – Humm. – O moreno pôs a mão no queixo. – E quanto ao interesse dela no meu irmão? Ah sim, deixa eu atualizar. – O moreno então se levantou do trono e percorreu o espaço até o demônio pai de seus amigos. – Eu descobri que Woozi é meu irmão, mas vocês já deveriam saber disso não é? Fiquei bem chateado por não terem compartilhado isso comigo antes. Mas não vou guardar rancor disso até porque meu pai também não tinha me contado.

    – O quebra-cabeça está quase finalizado então. – Abbadon resolveu falar. 

    – Exatamente. Mas vocês ainda têm muita confiança em dizer que tudo está conforme o plano de Lilith e eu andei pensando...Qual a intenção de Lilith em deixar Lúcifer e seus dois herdeiros soltos e juntos? 

    Os demônios maiores pareceram levemente surpresos e isso foi o bastante para o moreno. 

– Não precisam responder. – Sorriu. – No momento eu quero as informações sobre meu irmão. Estou disposto a ouvir vocês também se tiverem essa informação. 

    Ambos ficaram calados. Os demônios sentiram a aura diferente do moreno. Não era uma boa hora para fazer piadas ou nada do tipo que o tirasse do sério. Era a primeira vez que viam o herdeiro tão parecido com o pai. Isso era um problema.

    – Wow, pessoal, devagar com a dor aí. Nosso convidado deve permanecer acordado. – Yoongi foi até Jungjin e o segurou pelo queixo. – Deixa eu dar um jeito em você e vamos tentar de novo, ok?

    Com apenas um toque na testa do caçador, seus machucados foram se curando e os sinais vitais voltaram. 

    – Agora sim, vamos tentar uma coisa diferente. Ao invés de machucar seu corpo, que tal experimentarmos seu interior? Eu aprendi umas coisinhas bem legais com o meu outro lado. Ah mais um update para nosso amigo Azazel. – Virou-se para o demônio que arregalava os olhos parcialmente. – Estou de boa com meu outro lado, agradeço a insistência. – Fez um joinha para o demônio que ficou sem reação. 

    – Tem algo a me dizer diretor? – Perguntou agachando em frente ao ex-caçador. 

    – Você vai morrer. – O diretor disse entredentes.

    – É eu to sabendo da benção também. – O diretor arfou, fazendo o moreno rir. – O que foi? Achou mesmo que eu ia me impressionar com isso? – Riu mais uma vez e fixou os olhos violetas que brilharam com força nos castanho escuros do diretor, que começou a sentir sua cabeça cumprimir. 

    Pouco a pouco, a dor foi crescendo, se tornando quase insuportável, fazendo com que o diretor grunhisse. 

    – Está fraco não é? Vamos apertar um pouco mais. 

    A dor inimaginável que o diretor sentiu não se comparava a nada que já havia sentido. Desde quando o filho de Lúcifer dominava tais técnicas mentais? 

    – Pare!

    – Mas nós temos um acordo. Eu só vou parar quando você me dar o que quero. – Apertou o punho e o diretor foi ao chão gritando.

    – Pare! Pare! Ele está em Idris, o anjo está em Idris!

    Yoongi diminuiu consideravelmente a intensidade do aperto mental que fazia. 

    – Bingo! Temos uma resposta! Isso explica de onde vem o sangue, mas não explica o que isso faz no organismo de Woozi. – Voltou a apertar com força. 

    – É tudo o que sei! O anjo está na prisão de Idris, a Clave sabe! Eu não sei de mais nada!

    – Ora Jungjin, esqueceu que não pode mentir para mim? Isso me deixa bravo. – Apertou mais, sabia que poderia fritar a mente do diretor, mas estava quase conseguindo.

    – Lilith… Ela queria enfraquecê-lo… Pare!! Arghh… 

    – Enfraquecê-lo para…?

    – Um ritual, ela precisa fazer um ritual, ele precisa estar fraco. 

    – Esse ritual vai acontecer quando? 

    – Eu não sei. Juro que não sei, ela só disse que estava perto.

Yoongi soltou o aperto mental. 

– Por hora isso é o suficiente. – O moreno se levantou novamente. – Levem-nos de volta às celas.  

(...) 

– Seul, um ano atrás –

– To cansado dessa palhaçada! – Jimin dizia bravo.

– Isso está passando dos limites mesmo, os mundanos já estão comentando. – Jungkook disse ajustando seu arco.

– Olha só, é só eu ou vocês também estão achando esse lugar estranho? – Hoseok olhava ao redor empunhando sua lâmina de serafim.

– Está tudo meio quieto mesmo. – Jungkook concordou. 

Estavam em um condomínio que saiu nos noticiários mundanos noticiando eventos paranormais e desaparecimento de mundanos. Só podia significar que submundanos desobedientes estavam colocando em risco o anonimato do submundo, o que ia contra as regras do tratado antigo dos submundanos. 

– Será que vamos encontrar alguma coisa aqui mesmo? Não tem nenhum rastro de demônio ou vampiro.

– Talvez não sejam tais criaturas. – Jimin respondeu o parabatai. 

    – O que seria então? – Jungkook perguntou adentrando o local onde uma garota desapareceu. 

    – Um feiticeiro. – Jimin apontou para um selo conhecido de feitiçaria. 

    – Droga! – O ruivo grunhiu com a informação. Sabiam o quão perigoso era lidar com um feiticeiro.

 

    (...)

 

    – Como você não sabia de um tratado que tem mais de quinhentos anos? – Jimin apertava o chicote em volta do pescoço do feiticeiro que já se encontrava debilitado devido aos acertos dos caçadores. 

    – Não sou do mundo exterior! – O rapaz respondeu ofegante. 

    – Não me venha com esse papo! – Jimin enrolou o chicote em seu punho, apertando ainda mais o pescoço do feiticeiro e empunhou a espada no abdômen do rapaz. – Você colocou em risco todo o nosso mundo perante aos mundanos, merece morrer por isso!

    – Ji…

    – Pensei que vocês… fossem justos… – O feiticeiro falava com dificuldade, neutralizado por uma runa contra feiticeiros que o loiro usou. – Caçadores não podem executar submundanos sem um julgamento!

    – Ah essa parte você conhece das regras! – O loiro riu mas logo voltou a ficar sério encarando o feiticeiro que mudava os fios de cabelo para chamas azuis de fogo. – Sabe por que nos chamam para essas missões? Por que nós podemos fazer nosso próprio julgamento.     

    – Vocês vão ser punidos por isso! Eu vou informar a Clave!

    Jimin se aproximou do rosto do feiticeiro e sussurrou.

    – Vai informar como? Mortos não falam…

    O rapaz arregalou os olhos e tentou se soltar sem sucesso. Jimin se afastou e estava pronto para investir sobre o feiticeiro indisciplinado. 

    – Jimin já chega! – Jungkook puxou o amigo que o encarou com uma carranca. – Não vamos executá-lo. Ele não matou ninguém e conseguimos reverter a situação com os mundanos. Ele vai ser mandado para Idris e se a Clave decidir por um julgamento, ele vai ser levado aos irmãos do silêncio. 

    – Jungkook não acredito que você vai cair nesse papinho dele de que não sabia o que estava fazendo. 

    – Não importa no que acredito. O que importa é o que é certo! Não fazemos esse tipo de coisa. – O moreno disse seriamente. 

    Hoseok assistia a discussão dos amigos sem opinar. Sabia que Jungkook estava certo, até mesmo desconhecia esse lado de Jimin. Já tinha visto ele puto várias vezes sim, ele era impiedoso com demônios, mas esses, os caçadores tinham permissão de executar sem julgamento, o que era bem diferente da situação atual, um feiticeiro deveria ir à julgamento perante a Clave.

    – Tudo bem, faça do seu jeito então, mas depois não diga que eu não avisei. – O loiro libertou o feiticeiro do aperto do chicote e entregou a lâmina de serafim, batendo ela no peito do amigo, deixando os três para trás e voltando sozinho ao instituto. 

(...)  

– Instituto dos caçadores de sombras, Seul (2020) –

O instituto de caçadores estava silencioso. Jimin havia saído do banho e estava deitado parcialmente em sua cama, apenas de calça. Havia combinado de encontrar Yoongi na Pandemonium, o platinado tinha voltado de Edom e estava resolvendo alguns problemas com Sehun. Jimin sabia que boa coisa não estava por vir, o moreno parecia tenso na ligação. Não queria conversar em casa, provavelmente temendo que Woozi escutasse alguma coisa. 

    – Argh… Que inferno! – O loiro bufou.

    – Tá falando sozinho agora? – Jungkook estava parado na porta do loiro com os braços cruzados. 

    – Privacidade mandou lembranças. – Jimin disse sem nem olhar ao moreno. 

    – Perdemos nossa privacidade um com o outro no dia em que viramos parabatai. 

    O loiro riu. Era verdade. Privacidade era um termo que já não existia entre os dois. Era bizarro.

    – Falando em privacidade, eu senti as saliências suas com o Taehyung ein. Nesses momentos eu fico eww.

    – Hyung pelo amor de Deus, eu não fico falando dos teus momentos com o Yoongi… Pelo menos finge que não sente essas partes… Isso fere a minha dignidade. – O moreno falou choroso entrando no quarto. 

    Jimin gargalhou.

    – Não é como se a gente sentisse tudo né Jungkook, é só a euforia em certos momentos, não é como se eu ficasse de pau duro quando você ta transando. 

    – Eu sei, eu sei, a gente pode mudar de assunto? Qual o teu fetiche em me constranger ein? – Jungkook se jogou ao lado de Jimin na cama do loiro. 

    – Você fica bonitinho com vergonha Kookie.

    – Eu te odeio muito. – O loiro riu. Estava com saudades de ter os amigos por perto. Tudo estava uma bagunça e estava sendo difícil juntar todo o pessoal como antigamente. 

    – Você me ama demais. 

    – Sim, e é por eu te amar demais que eu preciso saber o que está acontecendo. – De repente Jungkook ficou sério. – E não adianta me falar que não tem nada acontecendo porque eu sinto ok? Tem algo errado, você tá até com olheiras fundas. 

    O loiro suspirou.

    – Eu não sei na verdade. Eu to sentindo umas coisas diferentes… Eu to com medo Jungkook.

    – Do que hyung? 

    – De ter despertado a minha shadow… Tem momentos que eu não me sinto eu mesmo. – O moreno apenas ouvia. 

    – Yoongi sabe disso?

    – Só de algumas coisas, não tudo. – Jimin respondeu. 

    – Você devia contar tudo a ele. Afinal, ele é o único que convive diretamente com a shadow. 

    – Ele já está com tantos problemas… Não quero colocar mais uma coisa nos ombros dele. 

    – Ele precisa saber Ji… Ele pode te ajudar e além do mais, acho que ele gostaria de saber. Namorados também servem pra isso, dividir o peso das coisas com a gente.

    – Tem razão, eu vou encontrar ele daqui a pouco, se surgir a oportunidade eu falo sobre isso.

    – Ji…

    – Sem pressão ok? Tem bastante coisa acontecendo, Jungjin ainda está no Edom, logo teremos que enfrentar a Clave por causa do Hobi, tem a Lilith…

    – Ah, sobre a Clave… Recebemos uma notificação hoje, Hobi e os envolvidos, no caso nós, temos que nos apresentar em Idris até o final da semana. 

           – Mas  como?

    – Jaehyun.  

    – Filho da puta!

    – Bem, a gente sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Só espero que os pais dele aceitem de boa. 

    – Isso vai ser uma merda. 

    – Vai, ainda mais por ele ser um recém criado. Hobi ainda não tem controle total sobre seus instintos. 

    – Eu falei com ele hoje mais cedo. Ele disse que está melhor, mas ainda não se sente totalmente confiante. – Jimin disse se levantando.

    – Ainda vai demorar um tempo, mesmo com ele treinando com Seokjin. 

    – Dias complicados virão. – O loiro disse vestindo uma camiseta preta. – Estou indo a Pandemonium.

(...)

– Residência Clã Kim –

    Hoseok estava jogado no chão do grande salão da mansão dos Kim. Seokjin e Jaebum estavam ajudando em seu treinamento. Apesar do rapaz possuir conhecimentos de luta, era bem diferente lutar como um caçador e lutar como um vampiro. O recém criado precisava treinar as técnicas vampirescas e principalmente aprender a controlar seus instintos e sua sede. 

    A luta era a parte mais fácil, o ruivo estava mais confortável com seu novo corpo e adaptado a velocidade e força, mas ainda estava aprendendo as técnicas de defesa. Sempre soube como atacar vampiros, agora precisava aprender a se defender de ataques de todas as criaturas do submundo como um vampiro. Além do mais, Seokjin particularmente estava testando sua resistência à substâncias fatais para vampiros.

    – Acho que por hoje já tá bom não tá? – O ruivo perguntou ofegante.

    – O treinamento de defesa de hoje está completo, mas ainda temos o controle da verbena ainda. 

    – Cruzes, de novo? Esse negócio ainda vai me matar.

    – Não seja pessimista, você está indo bem para um recém criado.

    – Reconfortante.

    – Hobi! – Chungha irrompeu pelo salão com seus saltos fazendo barulho. – Chegou essa carta em seu nome. 

    – Ein?

    – Só tem seu nome e mais nada. Abre logo. – Entregou a carta ao ruivo e ficou esperando para ver o que era. A vampira não negava que era curiosa. 

    O ruivo abriu o envelope e leu o conteúdo, fechando a expressão e suspirando no final. 

    – E então?

    – Eu tenho que comparecer em Idris e me apresentar à Clave até o final da semana. Meus pais provavelmente já sabem. – O jovem se sentou no chão cabisbaixo. 

    – Ei, vai dar tudo certo. Não se preocupe com isso. – A vampira se sentou ao lado do ex-caçador. – Será que eu posso ir junto?

    – De jeito nenhum! Lá não é um bom lugar pra você ir. 

    – Você não pode ir sozinho!

    – Não vou sozinho, os meninos vão também. Vai ficar tudo bem comigo.

(...) 

– Apartamento de Min Yoongi, Seul –   

O notebook logado em uma plataforma moderna de músicas reproduzia os grandes clássicos de rock em um playlist indicada por Hongjoong, gostava de conversar com o Kim mais novo a respeito dos mais diversos assuntos comuns que adolescentes mundanos costumam conversar, sem todo o sobrenatural que os rodeava, era como se ambos tivessem idades próximas, embora Hongjoong já tenha seus mais de um século de vida completos era como se o feiticeiro tivesse apenas três ou quatro anos a mais que si.  

Woozi ainda ajeitava seus pertences em seu mais novo quarto, as roupas já estavam no guarda roupa que possuía o dobro do tamanho do seu antigo, seus mais diversos livros já estavam dispostos em prateleiras suspensas, havia somente mais uma única caixa que continha pequenas lembranças de sua vida antes de se mudar para o instituto, Woozi se lembrava pouco de sua infância, retirou um livro de contos infantil, suas páginas gastas e amareladas denunciavam o quão antigo era, na caixa também havia um carrinho de madeira e um boneco do Superman, prendeu a respiração por alguns segundos antes de pegar com cuidado um porta retrato de moldura pintada em dourado, a fotografia exibia era de uma família feliz, uma família comum...quem dera realmente fossem, seus pais eram caçadores de sombras e junto disso vinha o sobrenatural, o perigo constante, o medo. 

A trágica noite que o fez se mudar para o instituto era uma névoa densa em sua mente, se recordava de pouquíssimas coisas e sendo sincero esperava nunca se lembrar por completo do que exatamente aconteceu antes de Jimin e Hoseok o encontrarem...a única coisa clara a si sobre aquela noite era a sensação devastadora que o engoliu e o sangue. 

Fechou os olhos com força, respirando fundo, evitando uma crise de choro e possivelmente de ansiedade, era nítido que precisava de terapia, mas como chegar em uma psicóloga e dizer ''um demônio matou meus pais e eu sinto que estou sendo caçado por um exército deles.'', piscou algumas vezes sentindo uma onda de estranheza o preencher, havia sido um demônio...não havia?   

Colocou o porta retrato ao lado de sua cama, gostava de dormir olhando a pequena fotografia, a saudade de seus pais era algo que residia em seu peito e temia esquecê-los com o passar dos anos, sentia às vezes como se aqueles rostos fossem estranhos em sua mente, desviou os breves pensamentos carregados por conflitos internos, focando em escolher a próxima música a ser tocada.  

A voz melódica se espalhava em seu quarto de forma razoavelmente alta, Yoongi havia dito para que ficasse à vontade e bem...nunca esteve tão tranquilo, seu coração parecia leve, o instituto dos caçadores de sombras carregava um peso sobre si que Woozi não sabia explicar em palavras. Esperava que os vizinhos não reclamassem.  

Sentiu seu estômago protestar, estava com fome, fazia horas que estava ali.  

O apartamento de Yoongi era enorme, havia uma ampla sala, cozinha, três quartos, dois banheiros, isso somente na parte de baixo, havia também um andar de cima onde se localizava a sala de treino, biblioteca e mais dois cômodos, além de uma piscina que francamente Woozi não fazia ideia de onde a mesma ficava. Luxo era a palavra exata para descrever a residência de Min Yoongi.  

Woozi estava feliz em morar junto a Yoongi, era estranho, mas sentia como se conhecesse o platinado a anos. Uma sensação acolhedora. Não sabia porque Yoongi o levara para lá ou por quanto tempo ficaria, mas queria aproveitar e reconhecer aquele lugar como seu lar, mesmo que fosse temporário.  

Smoke afiava as unhas no carpete da sala.  

– Quais as chances de eu explodir esse lugar se ligar isso errado? – Encarou o fogão com estranheza. – Aish... – Não sabia que horas Yoongi retornaria, o príncipe havia ido resolver assuntos os quais não revelou sobre o que eram. Jimin estava no instituto e não retornava suas mensagens havia alguns bons minutos, chegou a considerar que ambos estivessem juntos. Tateou seu bolso esquerdo em busca de seu aparelho celular, ouvia o som vindo do outro lado esperando que o atendesse.  

– Oi! – A voz suave e animada soou do outro lado da linha.  

– Jisu... – Retirou um pacote de lámen do armário. – Preciso da sua ajuda! – Riu.  

– Do que precisa? – Ouviu a risada da garota. –  Hackear algum site? Investigar alguma coisa sobrenatural?  

– Preciso da sua ajuda para cozinhar lámen. – O silêncio se fez presente durante alguns segundos.  

– Francamente garoto. – Gargalhou. – Você não sabe cozinhar lámen?  

– Não... 

– Tá, você vai precisar de uma panela! – Começou a explicar. – E cuidado para não botar fogo nesse apartamento caríssimo!  

– Vou me esforçar. – Respondeu em meio a risadas ouvindo a garota explicar o que devia ser feito.  

Após alguns minutos o macarrão estava pronto, Woozi se servia de um pouco de suco. Aquele típico prato o fazia lembrar da noite de filme que fazia com Jungkook, Jimin, Hoseok e Jihyo todas as sextas, quando suas vidas eram tranquilas.  

Fitava o prato já vazio a sua frente, encarava seu celular verificando o horário. Já estava sozinho há muito tempo, teria acontecido algo?  

O som da campainha o fez sair de seus pensamentos, caminhou incerto até a porta, deveria ou não abrir. Talvez fosse algum vizinho pedindo por algo.  

– Woozi! – Não reconheceu a voz que o chamara. Se aproximou mais, olhando pelo olho mágico quem que estava do outro lado da porta, a destrancou sem pensar duas vezes. Ouviu Smoke miar alto, como se o alertasse de algo. Ignorou.  

– Hyung? – Franziu o cenho. – Por que tocou a campainha?  

– Eu esqueci minhas chaves. – Sorriu. 

– Eu fiz lámen, espero que não se importe. – Deu passagem para que a figura passasse.  

– Vamos dar uma volta! – Indicou a porta. – Quero te levar a um lugar... 

– Você acabou de chegar... – Direcionou seus passos até o balcão da cozinha. – Está tudo bem?  

– Sim... – Woozi o fitava Yoongi com atenção, o terno bem alinhado, a pele alva, os fios platinados reluziam com a luz. Endireitou sua postura, Yoongi estava moreno.  

– O que aconteceu com a sua voz? – Virou o restante do suco em seus lábios. Digitando uma mensagem rápida e enviando a todos os seus contatos ao mesmo tempo.  

– Minha voz? – Pigarreou. – Gripe.  

– Está mentindo.  

– Como?  

Woozi segurava o copo pela lateral, o chocou contra a bancada de mármore, o fazendo se partir em cacos, ignorou os pequenos vidros que afundaram em sua carne, pegou o pedaço maior, em uma tentativa de ter um objeto de ataque e defesa.   

– Metamorfo, né? – Riu. –  Li sobre você!  

– Então sabe que não consegue me vencer com isso garoto.  

– Eu não me importo em tentar.  

– Tente a sorte. – O demônio metamorfo carregava uma lâmina serafim.  

– Acho que ela está ao meu favor. – Sorriu de forma cínica, estava na hora de pôr o que aprendeu com Yoongi em prática. 

Jogou o vidro contra o metamorfo, um objeto de distração, ao mesmo tempo que avançou contra pegando a lâmina serafim de suas mãos. O empurrou contra a parede, pressionando a lâmina contra a pele fina do pescoço do demônio. O metamorfo o encarou assustado ao ver o azul queimar em suas íris. 

– S-seus olhos... 

– O que você quer aqui? – Vociferou.  

– Eu não irei dizer nada garoto. – O metamorfo riu.

– Não me obrigue a te fazer falar. – Aprofundou a pressão que a lâmina fazia.  

– Você não tem coragem!  

– Não me teste!  

– Então ande logo e crave a lâmina em mim. – Esbravejou de forma alta, Woozi piscou rápido algumas vezes, hesitando. – Seja o monstro que todos acham que você é!  

– O que? – Vacilou minimamente.  

– Você ainda é um pirralho. – O metamorfo empurrou Woozi que cambaleou alguns passos para trás, a coragem que havia em si havia evaporado. – Tem muito o que aprender.  

Woozi não teve tempo de revidar, sentiu uma forte pancada em seu rosto e em seguida perdeu o controle de seus sentidos.  

(...)  

– Woozi! – Yoongi adentrou o apartamento em passos rápidos, vazio. – Droga! Precisamos achá-lo! – Taehyung assentiu se preparando para um feitiço básico de localização.  

– O garoto foi esperto mandando mensagem para nós! – Hongjoong observou. – Enviar para todos os contatos lhe dá mais chances de ajuda.  

– Aish... – Jimin bufou. – Não devíamos ter o deixado aqui sozinho. 

– Vocês não tinham como saber! – Jungkook argumentou.  

– Hyung... – O Kim mais novo franziu o cenho fitando o príncipe do submundo. – Por que ele está morando aqui?  

– O instituto é perigoso. – Respondeu simplório.  

– Mas Jungjin não está mais lá por enquanto...e....os selos de proteção já foram restaurados. – Hongjoong pontuava.  

– O instituto dos caçadores é o local mais seguro que existe a um caçador! – Hoseok concluiu.  

– Ele… não é um caçador.  

– O que? – A fala atraiu a atenção de todos a si, surpresos.  

– Woozi é... – Ponderou. – Meu irmão.  

– Irmão? – Jungkook perguntou perplexo.  

– Eu sabia! – Hongjoong comemorou. – O sexto sentido de um Kim não falha!  

– Isso não faz o menor sentido... – Hoseok sussurrou confuso.  

– Ei porque o anjinho loiro aqui não parece surpreso? – Hongjoong apontou para Jimin. 

– Eu preciso mesmo responder a isso Joong? – Yoongi perguntou impaciente.

Joong fez uma careta e pôs a mão no peito.

– Nunca me senti tão traído.

– Eu explico tudo depois! – Yoongi proferiu. – Por hora… Tae?  

– Hum... – O feiticeiro possuía os olhos fechados, os dedos esguios emitiam faíscas roxas que contornavam suas mãos. – É confuso… parece uma floresta… mas tem uma fonte... – Riu. – Jardim botânico.  

(...) 

– Jardim Botânico, Seul –  

O gosto metálico invadia seu paladar por completo, sua cabeça doía e o ar parecia denso o impedindo de respirar corretamente. O cheiro forte de pólen incomodou seu nariz, a fraca claridade dada pelos pequenos pontos de luz da lua que refletia pelo teto de vidro lhe dava uma visão precária de onde estava. Uma corda áspera arranhava seus pulsos atados atrás de seu tronco, seus pés também estavam amarrados, Woozi olhou ao redor procurando por algo ou alguém. Estava em uma espécie de estufa.  

– Finalmente acordou. – A silhueta parada a poucos metros atraiu sua atenção. – Achei que estivesse morto, Salazar não é do tipo cuidadoso.  

– Salazar?  

– O demônio metamorfo, ora todos nós temos um nome criança.  

– Então você também é um demônio metamorfo?  

– Demônio sim, metamorfo não... – Avançou alguns passos permitindo que a luz da lua o iluminasse.  

– Por que estou aqui?  

– Eu queria te conhecer. – Sorriu, a figura descascava uma maçã com o auxílio de um pequeno punhal. – Servido?  

– Quem é você?  

– Tudo no seu tempo, garoto. – Se aproximou mais alguns passos. – Vamos lá... 

– O que?  

– Faça seu show!  

– Meu...show? 

– É...você tem poderes, não é? Os use!  

– Poderes? Não...eu sou apenas um garoto treinando para ser caçador de sombras... 

– Aish...ou você é muito burro ou não quer acreditar na verdade...mas no fundo você já sabe.  

– E-eu... 

– Seus olhos são parecidos com os da sua mãe... 

– Conheceu minha mãe? – Sentiu seu coração disparar em seu peito, suas mãos suavam.  

– Oh sim... 

– F-foi você? Naquela noite… você.. os... 

– Não, embora eu adoraria ter presenciado.  

– Eu vou te matar! – Vociferou alto.  

– Você não consegue nem se soltar. – Gargalhou. – Acha mesmo que consegue fazer algo contra mim? – Posicionou a lâmina bem afiada próxima a bochecha direita de Woozi. – O que eu tenho que fazer pra acordar o monstrinho ai dentro? – Sorriu, descendo a lâmina lentamente pela pele do garoto, deixando um pequeno corte no local. Woozi grunhiu. – Será que eu devo ir atrás dos seus amiguinhos caçadores? – Os olhos do pequeno Lee brilharam em um azul vívido. – Isso... – Ergueu um dedo. – Acho que temos visitas, se quiser saber a verdade. – Woozi sentiu algo ser colocado em seu bolso.  

Se afastou de Woozi que ainda tinha a respiração acelerada.  

– Ah, já ia me esquecendo. Existem algumas shadows de vampiros espalhadas por aí e eles seguirão o cheiro de sangue… então se apresse a se soltar... – Sorriu acenando em seguida, fechando a porta da estufa, deixando Woozi sozinho.  

– Droga... – Sentiu seus olhos marejarem, não conseguiria se soltar, sentia raiva, angústia, estava cansado de ser o garoto frágil que sempre precisava ser salvo, mas por mais que tentasse sempre falhava. Se sentia frustrado.  

(...) 

– Jardim botânico? Quem é esse vilão? A Hera Venenosa? – Hongjoong questionou sarcástico.  

– Francamente irmão... – Taehyung riu. Yoongi observava ao redor com atenção, o silêncio profundo o preocupava.   

– Se você vier com essas referências novamente eu juro que vou socar seu belo rostinho de feiticeiro!  

– Há! Fique à vontade presinhas! – Provocou a Hoseok. 

– Pelo anjo que apelido ridículo!  

– Você é um vampiro recém criado, presas é muito a se atribuir a você ainda.  

– Ora seu... 

– Parem! – Jimin interviu. – Temos problemas maiores agora!  

– Não mentiu quando disse problemas maiores... – Taehyung proferiu baixo fitando a própria mão.  

– Selo de poder? De novo? – Jungkook olhou ao redor, seria uma tarefa impossível quebrar tal feitiço.  

– Esse lugar parece um labirinto... – Hongjoong começou a dizer. – Como vamos o encontrar? Talvez se pedíssemos pro Jae vir... 

– Não. – Yoongi o interrompeu. – O Jae está instável demais, é perigoso...  

– Ele ficou em casa? – Taehyung questionou ao caçula.  

– Sim, quando eu saí ele estava alimentando a Afrodite. – Deu de ombros, o barulho de folhas se amassando fez todos ficarem em silêncio, em alerta. 

Uma shadow surgiu por de trás de uma imensa árvore, avançando em direção a Jungkook, que desviou rápido, cravando em seguida uma de suas flechas no coração da criatura de sangue negro.  

 – Eles estão cada vez mais sem controle...como zumbis... – Taehyung fitou o corpo a centímetros de onde estava. – O ritual...acho que a intenção de Lilith é ter um exército de seres insanos assim e não simples shadows.  

– Vamos procurar por Woozi e dar o fora logo daqui! – Yoongi disse de forma rápida. – Não iremos nos separar! Esse lugar é enorme e se nos separarmos pode ser... 

– Fatal. – Hongjoong completou.  

– Encorajador você! – Hoseok bufou.  

– Não tenha medo presinhas! Estou aqui pra te proteger. – O de cabelos azuis disse fazendo o ruivo revirar os olhos.

– Como vamos o encontrar rápido sem feitiço? 

– Presinhas... – Yoongi sussurrou pensativo. – Havia sangue no balcão da cozinha, talvez ele esteja machucado. – Fitou Hoseok. – Consegue rastrear o Woozi pelo cheiro de sangue?  

– Eu… não sei, esse lance de vampiro é muito recente... 

– Que raio de vampiro você é? – O Kim caçula perguntou rindo em seguida.  

– O do tipo que foi transformado em poucos dias. – Exibiu uma careta ao feiticeiro mais novo.  

– Se concentre Hobi. – Jimin se aproximou do vampiro. – Talvez de certo! – Hoseok apenas assentiu, respirando fundo, seus olhos se tornaram escarlates. 

– Por aqui...  

     O local parecia possuir o dobro do tamanho que achavam ter, um labirinto confuso rodeado por plantas dos mais diversos tipos.  

– Vocês ouviram? – Jungkook parou seus passos olhando ao redor. Não estavam sozinhos. Puxou uma de suas flechas, a posicionando no arco, Jimin puxou as duas lâminas serafim que carregava, jogando uma a Hoseok, que a pegou no ar.  

Ouviram alguns galhos se partir, Jimin agiu rápido ao ver a figura sair por entre as plantas, e com um movimento brusco a prendeu contra o tronco rígido de uma das árvores.  

– Não me mate por favor! – A voz soou alta em um suplico desesperado. – E-eu não sou aquelas coisas!  

– O que? – Jimin afastou a lâmina do pescoço do garoto de olhar assustado.  

– E-eu não sei onde estou... – Gaguejou. – Quem são vocês?  

Taehyung fitou Yoongi que estava imóvel.  

– Yuta? – Sua voz soou fraca, o olhar desesperado do garoto foi direcionado a si.  

– Yoon! – Correu em sua direção, o abraçando. – É você mesmo? – Yoongi não sabia como agir, como era possível? Aquilo não fazia sentido algum. Retribuiu o abraço ainda incerto de se aquilo era de fato real.  

– Yuta? – Hoongjoong sussurrou ao irmão que apenas deu de ombros tão confuso quanto. – O primeiro amor? – Taehyung concordou com um aceno de cabeça. – Vish…

– Como? – Yoongi afastou do abraço encarando o garoto a sua frente, os cabelos pretos, os olhos castanhos, era de fato Yuta parado a sua frente?  

– Eu não sei... – Fungou. – Aquela mulher me trouxe de volta… é confuso.  

– Lilith?  

– Sim, nada disso faz sentido! Mas agora te reencontrar... 

– É você mesmo?  

– Yoon… sou eu… seu Yuta! Precisamos ir embora, aquelas coisas vão voltar, Lilith irá voltar! – Se afastou puxando Yoongi pela mão.  

– Não. – Se soltou de seu toque, encarou Yuta por longos segundos. – Preciso encontrar meu irmão primeiro.  

– Você tem um irmão?  

– Sim, você também estava aqui… sabe onde ele pode estar?  

– Eu... – Fitou os rostos que o encaravam. – Sim, acho que ele pode estar na estufa! Por aqui! – Indicou o lugar sendo seguido pelos feiticeiros, Yoongi lançou um olhar a Jimin que entendeu o que aquilo significava.   

– Hum… isso é ciúme? – Jungkook provocou Jimin que não esboçava qualquer reação.  

– O que? Aish… tem algo estranho... 

– Fora o garoto surgir dos mortos? – Hoseok disse. – Qual é o problema dos namorados de vocês? Jaewon… Yuta… depois meu relacionamento com uma vampira que seria difícil. 

– As roupas dele estão limpas demais para alguém que esteve preso. – Jimin concluiu, ajeitando seu chicote preso ao pulso.  

– Droga... – Jungkook resmungou. 

(...) 

Yoongi arfou ao ver Woozi preso, conseguia sentir o desespero vindo do caçula, se culpou pelo recém acontecimento. Correu em direção ao garoto de fios claros que chorava e parecia cansado.  

– Hyung!  

– Você está ferido?  

– Não... – Fungou. – Não consegui me soltar, as shadows... 

– Shhhh... – Jimin se aproximou. – Está tudo bem, vamos embora! Fica calmo. – Puxou o pequeno punhal de sua cintura cortando as cordas que prendiam Woozi.  

– Precisamos ir antes que ele volte!  

– Espera... – Jungkook o encarou. – Ele?  

– Sim... – Woozi assentiu. Uma gargalhada alta ecoou por toda estufa, Yoongi encarou a figura parada a poucos metros.  

– Você não é o Yuta... 

– E você já sabia disso.  

– Achou que seria fácil assim enganar o príncipe do submundo? 

– Você pareceu acreditar.  

– Isso se chama teatro, devia tentar… sua atuação foi pouco convincente. – Yoongi riu, Jimin empunhava uma lâmina serafim ao seu lado. – Talvez se não agisse de forma tão fragilizada. Yuta não era desse tipo.

“Yuta” estalou os dedos e em segundos todos ficaram imóveis, com exceção de Jimin e Yoongi.  

– Como?  

– Como eu consigo usar meus poderes? Ora… eu fiz os selos... – Sorriu.  

– Se você não é o Yuta, quem é você?  

– Hum… use a cabeça criança… qual demônio maior sumiu? 

– Asmodeus? Você estava morto... 

– Pois é...mas como você deve saber...Lilith consegue tudo o que quer!  

– Então você é capacho dela? – Jimin riu. Yuta lançou um feitiço contra Yoongi que caiu ao chão, Park avançou contra o demônio o prendendo contra o chão. – Eu devia ter cortado sua garganta naquela árvore! – Afundou a lâmina no braço de Yuta, que grunhiu de dor.  

– Vocês formam um belo casal. – Disse ofegante. – Quero ver se continuará assim quando você souber a verdade.  

– Que verdade?  

– Então ele realmente não lhe contou o que aconteceu com seu pai? – Sorriu de forma diabólica.  

– Ji... – Yoongi o chamou.  

– Do que ele está falando Yoon? – Jimin se levantou, encarando o príncipe esperando por respostas.  

– Vamos Yoon… conte a ele... – O demônio se levantou com dificuldade.  

– Yoon… o que você sabe?  

– Eu não posso... – Fechou os olhos.  

– Yoongi!  

– Jungjin matou seu pai. – Yuta proferiu alto. 

– O-o que? – Vacilou alguns passos para trás, sua mente pareceu girar.  – Não...

– Conte a ele como foi Yoongi... 

– Não… é mentira… não é? – Buscou com o olhar Yoongi na esperança de que o mesmo negasse. – Yoon... – Arfou.  

– Jungjin veio a mim, enquanto eu era o Lee, e pediu um feitiço de poder absoluto, o feitiço passaria depois de um tempo, ele disse que usaria apenas durante um torneio importante... – Desviou o olhar que antes sustentava em Jimin. – Mas ele não usou da forma como disse… ele usou durante uma missão...e... 

– Não... – A lâmina escapou por entre seus dedos.  

– Ele matou seu pai para poder comandar o instituto, ele nunca foi uma boa pessoa.  

– Meu pai... – As lágrimas escorriam por seu rosto. – Por que não me contou?  – Grunhiu sentindo seu coração se esmagar em seu peito, a sensação devastadora que o assolava de forma desmedida arrancava o ar de seus pulmões.

– Eu não podia.  

– Você sabia durante todo esse tempo o que havia acontecido com meu pai! – Esbravejou. – Você… mentiu pra mim durante todos esses meses. – Sua fala saiu amarga. – E ainda teve coragem de me conceder aquela droga de desejo!  

– Eu não podia lhe contar! Eu te expliquei sobre isso!

– Você foi o responsável pela morte do meu pai!  – Vociferou alto, como se suas palavras ásperas pudessem aliviar a dor. 

– O que? Eu… não... 

– Se Jungjin não tivesse feito o desejo meu pai ainda estaria aqui!  

– Jimin... – Ouviu a voz de Jungkook o chamar ao longe. Jimin fechou os olhos, sentindo toda a dor imensurável o engolir.  

– Me leve até ele.  

– O que?  

– Ele está no Edom, não é? – Yoongi o encarou sentindo toda a carga de emoções negativas, fitou o olhar, antes doce, de Jimin. Arregalou os olhos em seguida. 

– Anjinho... – Aquele não era mais seu Jimin.  

– Me leve ao Edom!  

– Não.  

– Não foi um pedido Yoongi! – Se aproximou.  

– Você não é o Jimin que eu conheço… é uma shadow... 

– Parcialmente. – O encarou sério. – Mas aquele Jimin de bom coração ainda está gritando na minha mente em desespero pelo destino irrefutável de vocês, foi difícil assumir o papel. 

– Ji… sei que está me ouvindo. Você precisa lutar contra isso... 

– Me leve ao Jungjin! – Apontou a lâmina em direção ao pescoço de Yoongi. 

– Eu não quero te machucar...  

– Ótimo, mas eu quero! – O empurrou para longe. – Por que você não revida? Está com medo de me machucar? – Riu em escárnio. – Você já fez isso quando mentiu durante todo esse tempo pra mim! – Empunhou a lâmina serafim se aproximando de Yoongi, o empurrou novamente o prendendo contra a parede fria da estufa. – Não irei pedir de novo. 

– Ji...anjinho... – O olhou diretamente em seus olhos castanhos, o violeta brilhou intenso por alguns segundos. – Sei que pode me ouvir...volte... 

– Apenas se cale!  

– Ji... – Levou sua mão a bochecha direita do loiro.  

– O que está fazendo?  

– Volte...você sabe que eu sempre estarei esperando por você. Eu sempre estive esperando por você... – Jimin piscou algumas vezes, sua mão estava trêmula empunhando a lâmina afiada. 

– Não... – Fechou os olhos com força e em um ato rápido, avançou com a lâmina no rosto do platinado. Yoongi sentiu ardência instantânea em sua pele, grunhindo em seguida, o caçador se afastou atônito fitando as pequenas gotas carmim que caíram ao chão. – O que? – Sentiu seu coração parar ao ver o sangue escuro escorrendo pela bochecha do príncipe do submundo. – O que eu fiz? – A lâmina caiu ao chão com um estrondo alto.  

 


Notas Finais


E agora? O.O


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