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História The Hidden Side (THS) - Capítulo 2


Escrita por: e VanVet


Notas do Autor


Hoje louca da vida! Porque um milhão de coisas aconteceram comigo nesse começo de semana.
Antes de começar deixo registrado meu muito obrigada a linda Vanvet que está me ajudando no desenvolvimento desse conteúdo para vocês.

Resumo antes do capítulo só tecendo um pouco da narrativa. Eu espero que amem ler, como eu amo desenvolver!

Boa leitura!

Capítulo 2 - Primeiro ato - laços


Fanfic / Fanfiction The Hidden Side (THS) - Capítulo 2 - Primeiro ato - laços

Resumo: O passado de Rey é importante para que se entenda suas motivações. Somos apresentados então neste capítulo, a personagens que estão em seu caminho e que de certa forma a influenciaram a traçar o seu destino.

¶__________________________________¶

A estória inicia-se 16 anos antes daquele dia fatídico pré-invasão, em uma tarde comum. Os sinos da capela anexa ao Castelo de Iron Florest freneticamente sendo balançados, anunciando algo que o reino de Villin já esperava.

Sussurros podiam ser ouvidos por toda a parte Sul, concretizando a tragédia que assolava a família regente.

Não foi um espanto o anúncio pela manhã sobre a morte da rainha,  já o era esperado por sua frágil saúde que há tempos a fazia ficar acamada. Más línguas diziam que tal saúde fora castigo divino por um passado relacionado a práticas de bruxaria, e que seu feitiço de amor sobre o rei havia gerado uma filha amaldiçoada, cuja as madeixas ruivas, já denunciava o agouro. 

Naquela tarde foi como se todas as crenças repousassem sobre o campo verde e molhado de lágrimas, de um céu cinzento, que parecia derramar suas lamentações. Os aldeões se amontoavam espremidos na bela capela, símbolo de riqueza. Alguns oravam para que a alma da rainha atingisse os portões do céu e fosse perdoada por seus pecados, já outros tinham olhos curiosos, ouvidos apurados e línguas articuladas, com o único intuito de participar do evento como se este fosse um casamento, aniversário ou baile real. A verdade era que não existia muito o que se comentar em Villin, o último evento grande que reuniu tantos plebeus havia sido cinco anos antes, quando a princesa havia nascido, e o rei ordenou a todas as vilas que realizassem enormes festejos por dez dias consecutivos.

Agora, no entanto, o motivo era completamente diferente. Não era uma celebração em si, o velório foi um modo de anunciar medidas importantes sobre expectativas crescentes de uma população curiosa sobre o destino de suas terras.

"Agradeço aos que puderam aqui comparecer, assim como grato sou mesmo na ausência daqueles que não puderam vir por motivos de força maior." O rei vestido de negro pelo luto, segurando a mão de uma garotinha ruiva, que do outro lado segurava, por sua vez, uma boneca de pano, prosseguiu:

"Sei que não é o momento oportuno para discorrer de decisões políticas, mas vejo em cada rosto a expectativa sobre o que isso mudará. Sendo assim, mesmo revertido em meu luto, anunciou com devoção que não haverá outra rainha senão minha amada senhora..."

Por mais que soubessem de tamanho amor que o rei sentisse por sua rainha, jamais imaginariam aquele tipo de discurso sendo proposto por uma face tão rígida, cujo pertencimento era conhecido por decisões muitas vezes ruins e articulistas, em principal, por inimigos do reino que o batizaram de Olho de Serpente.

"Continuarei regente até que tenha minha plena saúde, até que nosso generoso Deus em sua graça, conceda-me o vigor para continuar a proteger e expandir Villin, tal qual meu pai fez e seu antecessor antes deste."

E os olhos verdes da menina ao lado do rei o fitaram com intensidade e inocência.

"E…"

A voz do rei pareceu falhar momentaneamente ao olhar o seu pequeno rosto.

"Até que minha filha, herdeira e princesa, Rey, arrume um homem digno a desposá-la"

A jovem e inocente princesa não podia entender o quanto aquelas palavras tinham um enorme peso em seus ombros. Não até aquele momento, ou mesmo, quando o tempo passou levemente girando como a roda de um moinho.

~ XXX ~

Os olhos de Rey se abriram novamente com lágrimas rolando e molhando seu travesseiro, como estava acostumada. Já haviam se passado dois anos desde a morte da mãe, porém as recordações ainda estavam ali a fazendo chorar e suplicar por alento. 

Não podia deixar de sentir falta dos abraços materno, um colo ao qual pudesse subir e ter seus lindos cabelos ruivos penteados cuidadosamente na prata do pente pontiagudo e depois trançados por mãos delicadas e gentis.

Alguns diriam que Rey era pequena demais para lembrar ao menos do rosto da mãe, porém ela veemente contradizia as especulações. 

Rey não só lembrava do rosto de sua mãe, ela se lembrava de detalhes de uma infância onde podia recordar os cânticos que escutava todas as noites antes de adormecer, da paciência que sua mãe mostrava ao fiar suas roupas, ou mesmo como seus cabelos eram como um céu sem estrela e longos como o mar visto na baía. Eram tão parecidas e, ao mesmo tempo, tão distintintas como azeite e água… 

A morte dessa figura registrou em sua mente não somente sua incapacidade, mas de certa forma sua revolta para com o mundo.

Desde a perda da mãe, Rey fora designada para ser tutelada por uma senhora gorducha de meia idade chamada Ingride, uma servente da corte de estatura baixa e que possuía uma personalidade antipática, que costumava dar beliscões demasiadamente fortes em seus finos braços toda vez que está julgava que não agia como uma dama da corte.

Como Rey odiava Ingride, como ela gostaria por vezes, de pegar sua palmatória disciplinar e bater-lhe no traseiro gorducho. Mas Rey era pequena demais aos cinco para tal coisa, e agora aos sete não havia muita diferença fosse em tamanho ou em autoridade para tanto. 

Sendo então solitária, a única parte boa na vida de Rey eram os momentos que podia brincar com a filha da cozinheira, Rose Tico, uma menina fofa de bochechas rosadas e a quem Rey tinha quase como uma irmã.

Certo dia depois de fugir de mais de uma das aulas da tutora, Rey se encontrou com Rose pelo corredor de acesso que levava ao quarto real e não demorou para que começassem a brincar. Logo, ambas foram parar escondidas debaixo da mesa da cozinha, onde comeram bolo de milho, e confidenciaram travessuras. 

Rey contou a Rose como havia escapulido de mais uma aula naquele dia, enquanto a garotinha asiática contava como fugiu da mãe e as tarefas enfadonhas em plena luz do dia.

Era claro que a princesa se divertia com Rose, não porque ela achasse que fossem engraçadas as histórias da filha da criada, mas sim, porque podia imaginar como teria sido ter uma mãe viva e que sempre ficasse brava com ela e depois fosse muito carinhosa como a senhora Tico. Pensar nisso gerava uma pontinha de inveja, não do tipo amarga, mas nostálgica.

"Então mamãe culpou Paige, lógico. Você tinha que ver a cara de brava que fez para minha irmã… Parecia como um dragão prestes a devorar o primeiro humano que pudesse comer" relatou colocando mais um pedaço de bolo na boca."Nessas horas é bom ter uma irmã mais velha, assim tem quem leve a culpa por você", acrescentou com as bochechas cheias, fazendo Rey rir.

"Você definitivamente não tem jeito" rebateu a outra.

E então o som de botas batendo sobre o chão fez com que as meninas que antes se divertiam, ficassem caladas, olhando uma para outra assustada. Teriam sido encontradas pelos guardas do castelo a pedido de Ingride?

Rose esticou sua cabeça por debaixo da toalha bordada e ao voltar para o esconderijo, levou o dedo aos lábios para sinalizar a Rey uma permanência de silêncio.

A ruiva sinalizou de volta certa confusão, que durou curtos segundos quando viu os pés enfeitados com o símbolo da cobra preta. Rey quase perdeu o fôlego, ela sabia quem ele era… O homem que seu pai falara ser o mais corajoso cavaleiro de Villin…

"Senhor Dameron", a voz da mãe de Rose veio a seguir.

"Senhora Tico" retribui ao comprimento "Desculpe-me a invasão. Nosso Rei aguarda minha presença para discutir sobre termos que não podem ser adiados, no entanto, como acabei de chegar a Iron Florest, e a viagem de DownBrook foi cansativa, devo confessar que necessito de algo para comer antes de ir de encontro a sua presença."

"Ora, não faça-se de rogado, sabe que sempre é bem vindo à minha cozinha. Do que precisa para empanturrar-se?" A mãe de Rose indagou mostrando cortesia para com o homem corajoso.

A maioria das pessoas conheciam sua nobreza, seu valor. O cavaleiro era um vassalo fiel, bem sucedido e que tinha pelo seu rei um amor similar ao qual se venera o deus cristão.

"Um pouco de vinho, carne e pão serão o suficiente para mim…" Afirmou ele sentando-se de modo que as meninas se afastaram para não esbarrar em suas longas pernas.

"Acho que Poe deve vir em breve também procurar algo para comer" E Rey contorceu a cara ao lembrar do filho do vassalo de seu pai.

"Como ele está?" A cozinheira perguntou cordial voltada para suas panelas. 

"Cada dia mais impulsivo, resolveu domar meu cavalo para cavalgar" as palavras causaram certa perturbação na senhora Tico.

"Fala do Resistence? O cavalo de pelos castanhos?" 

Suspiros de concordância. 

"Poe não é muito novo para isso?"

"Está cada dia mais impulsivo como vos disse" o pai pareceu não ficar tão alarmado. "Embora Shara não goste muito da ideia de ver o garoto com o Resistence, admite que a maior parte da teimosia deste menino veio dela" riu-se da própria piada.

"Como se não tivesse também grande parte disso vindo de seu pai" a ouvinte resolveu alfinetar com um gracejo.

"Em parte devo admitir que esta culpa me recai. Infelizmente o menino é filho de duas pessoas teimosas" 

"Mas por que Poe está aqui?" Tico notou algo errado, sussurrando para Rey.

Era raro que o garoto Dameron estivesse andando com um pai tão ocupado, tanto que eram raras as vezes que o viam, algo que Rey confessava ser reconfortante, porque odiava a forma como o menino de cabelos negros era arrogante com ela. Mas a curiosidade agulhava e Rose estava começando a deixar Rey tão intrigada quanto ela.

"A propósito… Poe acaba de completar 12 anos" o lembrete foi sutil por parte do pai. "Está tornando-se um homem rapidamente" 

O coração de Rey lhe atingiu como uma pontada. Ela quase sempre tinha sensações estranhas, e embora raramente comentasse isso até mesmo com Rose, geralmente tais sensações não indicavam boas coisas.

"Isso quer dizer que será finalmente formalizado os planos de nosso rei?" 

De que planos eles falavam? Rose e Rey se perguntavam debaixo da mesa observando as pernas de Dameron.

"Sim, o rei deseja ver Poe antes que seja formalizado por mim o pedido de honraria para que ele tenha a mão da princesa" 

Rose levou as mãos a boca abafando um grito, mas Rey… Bom, essa estava em completo estado de choque. 

Só podia ser castigo por ela ser uma menina, não um homem como teria sido de vontade de seu pai. 

~ XXX ~

Durante a noite, Rey não dormiu pensando no que lhe reservava o futuro. Ela chorou a ponto de soluçar, só de pensar que teria que se casar com Poe, quando nem se quer deram opção de declinar o pedido. Rose ficou falando em seu ouvido que havia sido abençoada por Deus, porque Poe Dameron seria um homem honrado, de uma família nobre e devota. 

Na cabeça de Rey, no entanto, ela fora amaldiçoada por ser o que era... Sentia-se estranha, deslocada, mais do que nunca desejando que sua mãe estivesse viva para convencer seu pai que aquela aliança era um erro que jamais a faria feliz.

A princesa procurava em sua mente meios de desculpar as pessoas a sua volta por não entender sua tristeza com aquele destino, em principal Rose, mas a verdade é que apesar de ser muito nova, tinha ciência que jamais seria mais do que um móvel de palácio ou uma cabra de leite, a qual poderia ser negociada… 

A sociedade tentava impor que ela fosse uma dama, tentava construir sua identidade, e afirmavam que tudo aquilo que vinha do mal merecia castigo. Mas então qual fora o seu pecado? Nascer mulher?

~ XXX ~

O que estava feito, já estava feito e logo o inverno chegou. 

As crianças brincavam em suas casas, porque o tempo frio não permitia que ficassem nas ruas. Os alimentos eram estocados e repartidos, e quase todas as atividades, principalmente de agricultura, eram paradas. Nos dias mais rigorosos que o tempo não descansava, as portas de Iron Florest eram abertas para acolher aldeões humildes que não conseguiam se proteger do rigor invernal. Havia noites mais brandas, claro, mas a grande maioria eram severas com um povo acostumado tanto com o calor.

Foi durante uma noite em que o tempo ficava mais longo, os dias mais curtos e que as velas nos candelabros estavam tão baixas a ponto de apagarem, que Iron Florest recebeu uma visita inesperada. 

Rey não se lembrava de ter visto algo assim em sua curta vida. A princípio, o imenso homem que cruzou o pátio liderando um grupo diminuto, se alocou na sala principal e foi uma incógnita a qual não sabia se temeria. Estava tão curiosa que foi impossível não o expiar do alta da escada. 

Sabia que já deveria estar dormindo, se alguém a visse ali teria problemas, porém sua curiosidade era intensa demais para deixar passar meramente e viu quando o rei aproximou-se do homem estrangeiro, o encarando com o rosto fechado. 

Nada entendeu. Rey até temeu que eles fossem se atracar em uma luta desenfreada, contudo, o rosto retrancado desfez a expressão séria para abrir um sorriso similar a de um garoto.

"Olho de serpente" proferiu o estranho dando um abraço no homem.

"Skywalker" ele simplesmente disse respondendo ao ato rude de dar tapas em sua costas. 

Separam-se segundos depois.

"Entre meu nobre amigo." Solicitou. "O que o trás por essas bandas? Quando recebi o mensageiro mais cedo quase não pude acreditar quando li que viria" comentou o rei olhando para o sujeito de cima abaixo.

"Negócios, meu velho amigo. As peles por essas regiões são bem valorizadas, o seu povo parece gostar da qualidade", explicou.

"Fico feliz que tenha vindo, você separou alguma de suas melhores para seu rei, eu suponho". E Skywalker parou por um momento.

"Não para o meu rei" ele falou sem fazer-se demasiadamente rude, ainda assim certo do que dizia. "Mas para meu amigo, claro que traria as melhores espécies"

E o que era antes uma aparentemente divergência voltou a ser leve como a conversa entre dois conhecidos deveria ser.

"Por quanto tempo pretende ficar?"

"Não muito, não quero abusar de sua hospitalidade" o estrangeiro disse em um tom que mostrava que sua origem era bem longe, mesmo assim, era algo que podia ser entendido perfeitamente. "Assim que o alto do inverno passar iremos navegar de volta para o outro lado do continente e aproveitar os bons ventos."

Navegar no inverno era arduamente mais difícil, não importava a origem do velejante, a arte de domar os ventos nunca foi uma missão fácil para aqueles que se aventuravam no mar, e isso ambos os homens sabiam.

Rey que até então somente observava Skywalker e o rei, resolveu fazer um pequeno movimento com as pernas que estavam ficando dormente e neste momento acabou se desequilibrando ao levantar, derrubando um imenso jarro que enfeitava a escadaria. 

O estrépito do objeto partido foi alto o suficiente para chamar todos os olhares para o local. Sabia que não podia evitar isso e rezou para que a luz fosse suficientemente fraca para cobrir sua identidade ao sair correndo pelos corredores para o seu quarto.

Não lembrava de ter ouvido passos a seguindo, mas seu coração martelava intensamente nas costas, quando atingiu a porta de seu refúgio e se enfiou por debaixo das cobertas.

Rey apertou os olhos com a respiração ofegante, cobriu a cabeça e pediu ao deus cristão, mesmo que dele não se servisse como uma devota, para que este a protegesse de ser castigada pela velha Ingride. 

Ficou em silêncio, minutos se arrastaram até que sua respiração tornasse a regularidade e a porta do quarto fosse aberta discretamente.

Alguém a havia espiado? Quem? 

Não teve como checar, mas estava grata ao senhor dos pecadores, porque fosse quem fosse que houvesse ido ali já tinha se retirado e estava convencido que ela não havia saído do local. 

Pelo menos não haverá punições… Pensou.

~ XXX ~

Pela manhã ainda fazia um frio insuportável de queimar os ossos. Rey fez seu desjejum e, como de costume, conseguiu fugir de Ingride e sua insuportável orientação, ao dizer que precisava de tempo para suas orações e uma confissão com clérigo Kenobi.

Isso deu tempo a menina peralta para ir até o jardim sem flores, sorreterrado por tanta neve que fazia seu tornozelo congelar, e que esta tanto amava.

"Você não deveria estar lá dentro?" Pegou a menina tão distraída que esta caiu, causando uma gargalha desengonçada no enganador. 

Assim que ele surgiu as suas vistas, a menina que removida neve das roupas de seda, o olhou com um reconhecimento quase incrédulo.

Ele não era tão grande o quanto pensou na noite anterior, somente um tanto largo nas extremidades o que fazia parecer grande. Tinha uma roupa cheia de peles e couro, cabelos desgrenhados com algumas tranças, barba longa, cicatrizes e uma mão de madeira. Mas o que era aquilo? 

"O senhor…" 

"Luke Skywalker, é um prazer conhecê-la" sorriu divertido. "Deve ser Rey, a filha de Olho de Serpente" e agora que havia começado parecia à vontade demais para calar-se. "Foi você quem saiu correndo ontem a noite?"

A princesa pensou no que responder ao estrangeiro, contudo nada digno veio a sua mente. Seus olhos acabaram fugindo dos deles, enquanto Luke entendia que ela temia.

"Vosso pai não teve certeza quando a viu, mas eu posso afirmar que sua agilidade foi como de um felino esperando sobreviver. Pela altura não poderia ser nada menos que uma criança fora da cama, então, eu dei um palpite" e ela corou. "Não se preocupe, eu posso guardar segredos" 

E Rey olhou finalmente para ele sorrindo. Era um homem diferente do rei, talvez por sua cultura ou por ter menos responsabilidades que o primeiro. Tal diferença a fez sentir conforto, segurança e confiança.

"Acha mesmo que posso ser como um felino?" Ficou animada de pensar que fosse tão rápida.

"Acho que você pode ser o que desejar ser" respondeu, porém notando que no rosto da menina a animação tornou-se tristeza, intrigado, Skywalker perguntou: 

"O que houve?"

"Isso é mentira", murmurou mais para si do que para ele. 

Não parecia ser algo que quisesse verdadeiramente discutir.

"Mentira?" 

O senhor estava confuso demais sobre a alegação, por um momento havia esquecido que não estava em suas terras, que a cultura daquele povo era completamente diferente da sua. Naquele continente cultuavam um único deus, a ele eram atribuídos tudo que fosse bom ou ruim. Glorificavam-no quando conquistavam suas vitórias e oravam por sua piedade durante as derrotas. 

Em sua visão atribuíam em principal o medo ao deus, não porque houvesse erros a serem reparados, mas porque o medo parecia ser o único modo de fazê-los ter fé no poder do que estava além da compreensão… E para Luke Skywalker, a fé era a crença verdadeira, não o temor, e por isso, não considerava que isso fosse algo a ser seguido pelo homem.

"Acredita que é mentira que o homem pode trilhar o seu próprio caminho?"

"Todos dizem que o homem foi feito para servir a Deus, não o seu próprio caminho" Rey respondeu a questão, recordando das palavras de Padre Kenobi.

"Os deuses estão além de nossa compreensão, mas não creio que tenham feito os homens no intuito de fazê-los sofrer. E se não fizeram a nós para o sofrimento, então perfeitamente podem nos dar o poder de escolher o que nos faz feliz"

A menina pensou nas palavras do homem mais velho, ainda era muito nova para entender o complexo sistema religioso ou mesmo político.

"Então por quê?" Rey questionou com os olhos um pouco marejados.

"Por quê? O quê?" 

"Por que tenho que me casar? Por que tenho que obedecer meu pai? Por que ele me trata de um modo frio? Isso é pelo que sou? Uma menina amaldiçoada?" Era muitas as perguntas em sua mente, e Luke suspirou.

Não era somente uma criança, mas um pequeno ser humano buscando respostas.

"Um bom homem e uma boa mulher ao seu pai obedecem com devoção, por isso, por mais que não concorde deve fazer o que foi solicitado." 

"Mas o senhor disse que um homem tinha o poder de escolher, não disse?"

"De onde venho não existem casamentos por conveniência, as mulheres são livres… Os homens são livres… Os animais são livres… A cultuação é livre. No entanto, aqui, os homens escolheram não ser livres, escolheram que suas filhas e mulheres também não fossem livres, tal qual os animais" e Rey foi acompanhado o raciocínio. "Portanto, minha cara, não foi Deus quem aprisionou o homem, foi o homem que aprisionou a si mesmo".

A ideia de mulheres livres, homens livres e animais vagando sem dono foi estranha, ainda assim a coisa que ela mais queria ver em sua vida era como seria esse mundo livre, aparentemente sem fronteiras.

"Eu gostaria de ir até onde o senhor mora" Concluiu a frase com expectativa.

"E eu a levaria até lá se fosse possível, mas seu rei não deixaria que sua única filha fosse levada para um lugar tão longe e tão fora do que considera como ideal para uma criação nobre"

"Ele não se importaria, porque, afinal de contas, não se importa comigo. Eu sou uma menina… Para ele não tenho valor"

"Ao contrário Rey, por você ser menina é que ele a ama mais do a ele mesmo." 

E Skywalker não sabia como explicar isso, ele era um tanto bruto quanto o pai da menina em questão. Falar de sentimentos nunca foi seu forte, a diferença, era apenas que ele era mais adepto a aceitar o diferente.

"Como você sabe?" Ainda estava curiosa e descrente.

"Eu apenas sei" Rey ganhou um afago no topo de sua cabeça tão longo que ficou grata e embora a resposta ainda soasse insuficiente, pelo menos ela havia feito um amigo inesperado do qual mais tarde seria fundamental para o que seu futuro precisava escrever… Além da compreensão do homem e da religião… O ideal de algo que não podia ser escrito, mas somente sentido.


Notas Finais


Próximo capítulo vou deixar para compartilhar a lista atualizada do Spotify que estou criando para essa fanfic.

Por favor, se gostam do conteúdo deixem suas impressões e não esqueçam de acionar o like maroto, porque não somos o Kylo Ren, mas queremos o coração de vocês 😚😘 então podem descer esses dedinhos e provém que são nossas jedi.

Até a sequência!


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