1. Spirit Fanfics >
  2. The Hidden Side (THS) >
  3. Quinto ato - O sagrado

História The Hidden Side (THS) - Capítulo 6


Escrita por: e VanVet


Notas do Autor


>Atenção: capítulo contém cenas de violência e insinuação sobre estupro<

Bom dia, desculpem qualquer intercorrência por demorar um pouco mais do que o normal, mas as coisas estão mesmo corridas por aqui.
Esse capítulo é uma volta ao conteúdo de Villin, e nos chamamos a atenção que esse conteúdo é anacrônico (aqui dividimos três linhas temporais: prólogo, o lado do conto sobre o reino de Black Castle e o lado do reino de Villin) - Vocês estão realmente juntados as peças... O que isso significa? Que a tão esperada guerra será contada no próximo capítulo através da visão Black Castle, o que indica que cada ponto ao terreno de Villin também irá resgatar eventos até que as linhas sejam uma só.
Esperamos que vocês se divirtam neste capítulo, pois aqui temos algumas pistas importantes e alguns eventos que vão ser cruciais ao conto, talvez muitos de vocês deixem detalhes escapar aqui e ali... Então esperamos surpreender bastante, porque aquilo que não está óbvio ou muito explicito será o que vai gerar perguntas para solucionar muitos cenários nesse conto.

Boa leitura!

Capítulo 6 - Quinto ato - O sagrado


Fanfic / Fanfiction The Hidden Side (THS) - Capítulo 6 - Quinto ato - O sagrado

Resumo: Rey acaba por ser enviada a um convento após uma repentina decisão de seu pai, contudo o seu caminho acaba sendo desviado de modo peculiar… A lenda e o real misturam-se e coisas começam a acontecer.

¶__________________________________¶

Naquele ano, não foi apenas Luke que foi em direção ao outro mundo, Ingride, a severa tutora de Rey, veio a faleceu no auge do verão. 

Ao contrário do que pensava, Rey não se sentiu feliz com a notícia, porém tampouco tristeza. Se lembrava de Ingride em todos os detalhes, em principal do quanto havia sofrido nas suas mãos rígidas e intolerantes. Mas, depois de tanto avaliar seus sentimentos, se surpreendeu quando descobriu que para a morte não importava o que alguém fazia de ruim, ou mesmo, aliviava a dignidade do sofredor, na verdade, talvez fosse até pior...

"Pensei a respeito" seu pai comunicou na noite posterior." Os fiéis conselheiros também concordaram. Você será enviada a Landgreen. Depois de um ano, voltará e irá se casar com Poe Dameron", e Rey que já não tinha atenção na comida ou apetite suficiente, largou completamente o prato com os olhos perplexos.

"Por que quer me mandar para um convento?" As palavras saíram rasgadas.

Estava tão perdida que não sabia o que era pior, uma congregação de velhas senhoras tementes ao Cristo ou a informação que ela e Poe iriam se unir ao retornar daquele calvário.

Embora não pudesse expor opiniões sobre Poe, ela nunca mudou seus sentimentos por ele naquele meio tempo, enquanto cresciam. Continuava a não gostar do jovem rapaz e menos ainda quando a impedia de ir a algum lugar. Claro que haviam de, algum modo, progredido, ao menos, na convivência referente a tolerância graças ao conselheiro Finn naqueles anos de maturidade, mas era algo pífio e quase inexpressivo em sua noção afiada.

Finn, em sua opinião, era ao menos mais agradável, porque escutava suas lamúrias quando estava completamente entediada.  E por algum motivo o conselheiro parecia indicar algum tipo de respeito a sua opinião que ela não sentia com Poe, ainda que suas sugestões fossem estranhas.

Naquele tempo, Rey não tinha malícia, talvez se a tivesse como outras garotas de sua idade, não houvesse demorado a perceber que os gostos peculiares de seu noivo e do tal conselheiro eram suspeitos.

"Dentro dessas paredes ninguém teria maior competência de completar sua educação… "

"Talvez o Padre Kenobi" Rey opinou, mesmo sabendo que o pai não escutaria sugestões se essas não fossem emitidas pelos conselhos, principalmente alguém que usasse vestido.

"É apenas um clérigo" desprezou a observação.

"Tanto quanto as senhoras de Landgreen, então qual a diferença, meu pai?"

E a jovem percebeu que o indago formou um vinco na testa franzida do Rei por seu comentário insolente.

"Perdoe-me, meu pai" abaixou a cabeça sentido-se repulsiva por ousar mais do que lhe fora ensinado. 

Por anos praticava a obediência, mas a situação foi um grau acima do que sempre suportava.

Era nítido, ela estava sufocada.

Ciente de que não se tratava de um debate, e sim um comunicado, Rey resignou-se ao enfadonho destino. Para ela não era nada diferente do que o rei fazia com a sua plebe… Opções? Acatar ou morrer tentando se opor… E ainda que achasse que o pai não a mataria, nada o impedia que ele a acorrentasse pelos pulsos e tornozelos, e a mandasse em uma carroça para o destino que desejava. Afinal, mesmo sendo uma nobre princesa, na visão de uma sociedade arcaica, não era mais do que uma cabra leiteira que estivesse naquele castelo.

Sentiu a secura na garganta, pensou que se era para viver entre as irmãs de Landgreen, então ao menos que isso a livrasse do maldito casamento. Só que Rey não tinha a ilusão daquela bondade, ela sabia que seria perda de tempo solicitar piedade de alguém como seu pai, alguém tão temente e conservador.

Mas será que ela estava mesmo fadada a isso ou havia um outro fator no caminho que mudaria o que ela mesmo pensou estar destinada?

~ XXX ~

A princesa de Villin quase não havia dormido nos dias transcorridos de viagem que se seguiram por estradas tortuosas, também quase não interagiu ou se alimentou, o que tornava tudo mais difícil. Tantos sacolejos com um estômago tão vazio e tantas horas com dores nas pernas, estimulava uma vertigem que poderia fazê-la vomitar. Os ouvidos também não escaparam de um reclame, já que estavam afetados pela altitudes em meios aos picos elevados.

Afinal, quanto tempo mais levaria até o mosteiro de senhoras?

Impaciente, espiou pela janela, e levemente inclinou-se atrás das cortinas da carruagem digna de seu posto.

"Ainda falta muito?" Outra voz chamou sua atenção.

Seus olhos desfocados apresentavam incertezas, e ela estava tão confusa quanto a outra que questionava-a. Não conhecia o caminho para a velho local religioso que tanto ouviu falar, contudo achava que deveria pela paisagem, ao menos ter visto um local mais ameno, com flores ou árvores grandes com frutos sacudindo-se pelo vento apressado. No entanto, aquilo estava longe de ser como a descrição que o pai redigiu sobre o local, que inclusive parecia mais real em seu pesadelos frequentes.

"Não sei dizer, nunca estive lá" a afirmação não provocou grandes reações na mocinha loira, mas ela não parecia disposta a se calar.

"Ansiosa em, ao menos, chegar a Landgreen, Milady?" indagou. "Minha mãe, contou-me que os vales são abundantes e a água fresca. Gostaria de ver isso", sorriu, porém o comentário fora tão banal que Rey não expressou emoções ou pensamentos.

Qualquer mundo ou lugar, na cabeça de alguém como ela poderia ser bonito e um paraíso, mas jamais traria a paz que necessitava em sua alma aflita, porque não era o cenário que a vislumbrava, a riqueza ou abundância… O que tornava qualquer lugar perfeito e diferente eram as pessoas e os seus pensamentos.

Suspirou em murmúrio indecifrável.

Lembrou-se de outro dado, não conhecia sua acompanhente, somente sabia que era mais nova que Rose ou ela, um ou dois anos no máximo, algo que a intrigou.

Talvez, se ao invés de uma serva jovem fosse o rosto conhecido de Rose a sua frente, aquilo seria menos doloroso quando estivesse tão longe de casa. Mas até da companhia de sua amiga fora privada por seu pai.

Suspirou baixo, soprando o ar pelas narinas pequenas… Até quando continuaria aquilo?

"Ansiosa...?" Repetiu depois a si mesma a palavra. Não seria o adjetivo que usaria em qualquer possibilidade, porque ela poderia sentir qualquer coisa, menos ansiedade.

Foi então que os pensamentos se dissiparam, quando o transporte real repentinamente começou a sacolejar mais do que o aceitável e o barulho da dianteira, vindo do coche, assustou as ocupantes da cabine.

Era possível escutar os gritos dos homens lá fora, o relinchar dos cavalos a frente da carroceria a serem chicoteado.

"O que está acontecendo?" Sabiam que havia algo errado.

E Rey corajosamente colocou sua cabeça para fora da pequena janela, queria investigar o motivo de tamanha agitação. Espreitou. Visualizou uma peculiaridade e retornou ao banco com o seu coração vibrando de tão acelerado. 

Com os olhos dilatados, olhou para a moça  que estava apreensiva.

"Alguma coisa está acontecendo" proferiu com a necessidade de apoiar-se com a mãos na porta, abaixo da janela, quando um solavanco violento foi sentido internamente. 

Ela quase caiu, porém equilibrou-se enquanto, ao contrário dela, a acompanhante que havia sentido o perigo já havia caído no espaço entre os dois bancos apertados.

"Diga-me que não seremos mortas" suplicou, a face notoriamente contorcida de terror. "Princesa Rey…" ela insistiu ao ver que não houve reação.  

E embora a própria princesa estivesse com receio e medo, ela se ajoelhou onde estava a sua serva. Abraçou-a corpo de modo protetivo e deixou-a soluçar temente em seus braços.

"Devemos ficar abaixadas." Orientou. Sabia que qualquer tentativa dos estranhos homens que viu lá fora poderiam atingi-las mais facilmente caso ficassem sentadas. 

Era um misto de angústia e impotência, mesmo que Rey quisesse fazer mais.

Lembrou-se de ESPERANTO, a espada presenteada pelo mestre, guardada dentro de um baú e sendo transportada em segredo em seu emaranhado de vestidos de seda e jóias. Se ao menos pudesse pegá-la não seria um problema defender-se.

A carruagem continuou, deslizou para cima contra algum tipo de curva que a estrada fazia na subida íngreme. 

Princesa e serva em desespero, mais uma vez assustadas com os estalos provocados nos eixos das rodas de madeira. 

A menina chegou a dar gritos esganiçados e Rey apertou mais forte a cabeça miúda de garota contra o seu colo. Queria acalmar a mais nova, porém nem ela sabia como parar de pensar que poderiam estar ali por sua causa, e aquilo também gerava um imenso pânico em sua figura, pois apesar de toda sua índole guerreira, ela jamais esteve em uma batalha de verdade, antes.

Ambas ficaram mais espantadas então, quando a parte traseira do veículo foi atingida por uma flecha de fogo. Os cavalos que antes corriam apressados sobre algum comando pareceram ter agora vontade própria ao sentir o calor das labaredas espalhando-se pelos tecidos das cortinas e na madeira. 

"IREMOS MORRER" A garota indefesa gritou em prantos e descontrolada, para a princesa.

Rey não queria concordar, contudo sentiu que cada gota de seu sangue vibrava em meio ao perigo. Nada foi tão real quanto aquele momento, e ela obrigou-se a pensar mais rápido quando um estrondo na terra atraiu seus ouvidos atentos… Certamente havia perdido o cocheiro.

"TEMOS QUE PULAR" Rey decretou, de modo alto para a outra figura que hesitava. "PRECISAMOS!" abriu a porta.

Sabia que a dama sentia muito medo, um medo tão intenso que quase a paralisava da cabeça aos pés, ainda assim era melhor morrer tentando escapar, do que morrer pelo descontrole dos animais ou mesmo do fogo que havia tomado conta da traseira.

"RÁPIDO!" Incentivou.

Não esperou permissão, não havia tempo. Puxou a menor do veículo desgovernado percorrendo a toda velocidade e atirou-se para fora.

Quando caíram seus corpos rolaram com força, um sobre o outro, enquanto chocavam-se ao solo. Rey ainda tentou inutilmente lutar contra o movimento, porém este somente cessou a brutalidade quando sua cabeça encontrou o destino em uma pedra quase fora da estrada.

~ XXX ~

Ao acordar o sol já se punha e Rey podia sentir a dor despontar no topo da cabeça. Havia sangue seco em sua testa e mãos, arranhadas. Notou peculiaridades, pois suas roupas também estavam sujas e rasgadas nos braços e na bainha do vestido, enquanto havia um forte cheiro metálico que a deixou enjoada. 

Percorreu com os olhos a metros de distância. Chocou-se. Nada foi tão nauseante quanto mirar a parte mais clara da estrada que havia caído um  corpo.

Levou as mãos a boca tremendo por tamanho horror que sentiu ao ver a jovem que havia dividido a carruagem com ela por tanto tempo, morta. Os seus olhos estavam sem vida, as roupas rasgadas e cheias de sangue. Havia hematomas que preenchiam cada parte de seu rosto com uma expressão de perturbação… A expressão de pura dor e sofrimento.

Lágrimas invadiram o seu rosto, e ela cambaleou se jogando no meio do caminho, molhando a terra com suas lágrimas. 

Deus poderia ter evitado que alguém como aquela menina não tivesse que sofrer tanto ao morrer, ela deduzia pela brutalidade das marcas que provavelmente a menina havia morrido lutando contra alguém muito maior do que ela, sobre um tipo de tortura que não queria imaginar.

Desviou os olhos para as roupas e parou ali, não podia mais ver tamanha crueldade, recusava-se. Mesmo que não a conhecesse direto ou até mesmo tivesse se preocupado em saber seu nome, aquilo era demais para uma visão humana… Para o seu senso de crueldade...

Rey apertou suas mãos sobre a terra, tremendo de raiva, e gritou contra o vento em protesto ao ponto de deixar sua cordas vocais ardendo. 

Quem havia feito aquilo? Só poderia ser um humano sádico.

A percepção a invadiu mais forte. Um desespero a percorreu. Ela não soube que necessidade foi aquela, mas ela colocou as mãos entre as pernas para saber se havia algum sangue ou qualquer violência conta o seu corpo, contudo, por sorte, tudo o que encontrou  foi a secura da própria pele. Sim, um milagre, ela estava intacta...

Levantou-se, continuou fazendo a descida da ladeira, e encontrando tudo que fora revirado nos baús pelos malfeitores desconhecido. Correu por último até o único baú trancado, perto da carroça da comitiva. 

Havia mais corpos pelo chão e, tremendo, passou por cada um deles, que a essa altura fediam com podre cheiro de decomposição. Lutando, teve que levar a manga rasgada do vestido ao nariz e prosseguiu.

Ao chegar no baú, procurou a chave entre o vestido e a achou. Havia guardado ESPERANTO ali e achava que seu maior erro foi tê-la mantido tão longe. 

Quando localizou a espada ficou aliviada, prevendo que os agressores não haviam tido tempo de abrir o cadeado, aquele envoltório deveria ser muito grande, o que demandaria maior tempo… Sorte, porque eles não o tiveram… Seus corpos estavam ali próximos, cruzados por flechas e dardos, assim como os demais rosto conhecidos por ela.

O que quer que tivesse acontecido ali para sua sorte havia conservado sua vida, virtude e arma...

Quando treinou com Luke Skywalker jamais imaginou tal coisa. Sempre tratou a guerra como algo natural, e isso se deveria porque ela nunca havia visto a brutalidade de assassinatos com seus próprios olhos e jamais tampouco havia sofrido violência de qualquer tipo que pudesse abalar sua integridade.

Luke Skywalker deveria estar envergonhado sobre sua reação amedrontada, ela olhou para espada em sua mão. Do que adiantou tantos anos de treino, se não podia salvar ninguém com aquela arma? Sentiu-se mais uma vez irritada com a natureza.

Correu para dentro da floresta que a rodeava levando a espada, e enquanto o sol baixava sobre horizonte laranja,  ela golpeou o corpo de um salgueiro com raiva. Foram tantos golpes que seus braços que já doíam ficaram dormentes.

"Até quando continuará com essa tolice?" A voz indagou, quando seus braços caíram para os lados e ela arfou.

Rey se assustou, olhos redondos a fitavam como dois sóis. E em um segundo desapareceram.

"Eu estou bem aqui, criança" o sussurro a fez olhar para várias direções, pois não conseguia definir onde AQUI era. 

"Está zombando de mim?" falou enraivecida. "Apareça, deixe-me ver quem é! Eu já a vi uma vez, e aviso que cortarei sua garganta" ameaçou.

"Os seus olhos nunca estão no ponto certo" e, de repente, virou-se apressada ao perceber que a voz estava atrás dela. 

Tropeçou e tombou de costas.

"Estou aqui" Voltou a dizer, dessa vez próximo o suficiente.

A sua frente estava a figura, uma senhora velha, pequena e curvada. Usa uma capa puída  nas pontas, tão longa que cobria-a por inteiro, dando um aspecto de sombra. Pelo que Rey percebeu, provavelmente usada para esconder a pele enrugada, o pouco cabelo sobre a cabeça e algo sobre o pescoço que lembrava um amuleto pagão. Rey nunca havia visto alguém tão velha. “Quem é você?”

Parecia impossível mirá-la como algo real, e Rey considerou que poderia estar morta, que tudo fosse apenas sua mente fabricando uma peça, ou parte de seu espírito perturbado e inconformado com sua morte tentando mantê-la presente naquele plano.

"Me chamo, Maz Kanata" Apresentou-se a desconhecida. "Sou uma Caronte"

Era para ter sido o suficiente, porém não foi esclarecedor para ela. 

"O que isso quer dizer?" 

Um sorriso leve se formou sobre o rosto da figura coberta abaixo do capuz.

"Não é algo que possa explicar, precisa vir comigo se quer descobrir…" O convite fez Rey hesitar. "Precisa…" repetiu. "E no momento certo, descobrirá mais do que imagina, assim que minha Senhora vê-la."

"Sua senhora?" Assentiu em resposta.

"Sim, pediu-me que a mantivesse a salvo, pois viu nas estrelas que poderia morrer antes de chegar ao seu destino…" Para a princesa, a senhora estava dizendo ainda coisas sem sentido. Mas algo a captou, mesmo que de maneira precária: a Senhora foi aquilo que manteve-na viva contra o bando que quase tirou sua vida... Seria pecado profanar contra tal pessoa?

Rey precisava saber mais detalhes sobre o evento, sobre quem eram aquelas pessoas e porque ela havia protegido sua vida.

"Leve-me até sua Senhora então…" Solicitou achando ser seu senso de resposta.

 ~ XXX ~

Chegar até o local não seria fácil como deduziu, porque já haviam passado horas que estava caminhando com os pés nus na floresta e o tal local para qual ela estava indo não surgia.

“Ainda estamos muito longe?” ela perguntou para a senhora que, ao contrário dela, parecia impecável ao andar como se não houvesse cansaço.

Qual era o problema daquela idosa? Como podia não sentir-se cansada? Como podia trilhar o caminho sem nenhum esforço quando ela, mais jovem e aparentemente mais saudável, teve até de rasgar o próprio vestido exibindo suas pernas  para atingir suas passadas a frente.

"Quanto tempo irá levar ainda?" Tornou a insistir.

"O quanto necessitar" Respondeu, e Rey bufou para a caronte. "Ao invés de gastar suas energias com tolices, olhe para baixo" ela orientou, mas Rey mesmo assim tropeçou no galho que não viu.

"Já chega!" A princesa disse irritada em protesto e sentando-se exatamente onde caiu.

Como Kanata podia fazer pior que seu antigo mestre Luke nos treinos de cavaleiro? Era um pesadelo. 

"Rey Harred… Está desistindo?" outra voz a encontrou em meio a floresta e essa sim foi suficiente para conter a guia.

Rey levantou as vista e por entre as árvores encorpadas, mais a frente, notou haver outra mulher. Em contraste com a caronte a frente, ela era a mulher bela, jovem e de porte alto. A capa vermelha acetinada cobria perfeitamente seus ombros nus, enquanto os cabelos perfeitamente trançados para lado destacavam seu rosto possuidor de uma peculiar pedra ao centro da testa.

"Você parece assustada" a dona da voz continuou a observando.

"Quem é você?" a ruiva não parecia achar que fosse uma ameaça.

"Suralinda Javos." a misteriosa mulher se apresentou "Ao seu dispor, princesa."

Rey a viu caminhar para mais próximo e ficou vislumbrada pelo modo como se movimentava sendo tão graciosa.

"Sou regente de Growthwind" finalizou sua apresentação.

E Rey repetiu o nome sem fazer som, no entanto, Suralinda acompanhou sua pronúncia tímida com o mover dos lábios. Lógico que era surreal alguém falar aquele nome. Growthwind era para ser uma ilha lendária, não algo comprovativo e real… Ou pelo menos era nisso que acreditava.

Independente da resposta, ela apenas tinha a certeza que, aquela mulher somente poderia ser o que coronte definiu como: Senhora.

"Sei que parece impossível, e leio em seus olhos a dúvida. Terei prazer de esclarecer como e porque este povo permanece como um mistério, irreal aos olhos de muitos e seguro para quem o abriga..." a Senhora estava sutilmente calma, passando as informações ao começar a caminhar por entre a mata. "Porém necessito que venha comigo se quer todas as respostas para cada coisa que se encontra em sua cabeça." Comprovando completou "Vejo que não são poucas..."

"Por que não diz agora?" a moça ruiva estava tão desconfiada, ainda podia sentir o sangue vibrando em torno de si espalhado, a morte visceral de uma serva e outros homens que a escoltavam a Landgreen.

"Porque você precisa completar a travessia antes de ser digna das respostas" virou-se para Maz atrás, os olhos misteriosos compenetrados. "Minha querida Caronte"

O tratamento foi um aceite, e sob a margem do rio Birdwhistle uma pequena embarcação surgiu aguardando para ser tomada.

"Partiremos". Suralinda decretou.

Seguiram as três então para o local, abrigando-se nos bancos e Rey mirou curiosa as costas da rainha Javos. Como dizer que ela não estava bem? Sua vista estava escurecendo aos poucos pela falta de alimento, sede, esforço, perda de sangue e choque emocional… Haveria muito o que se conversar em algum lugar, um lugar para qual não conhecia o caminho. 

Ela tentou se manter alerta, ver algo além de uma neblina baixa que se formava pelo percurso, e não permitiam que nada fosse visto, enquanto a figura mais velha conhecida como Caronte remava de modo silencioso, causando um som mínimo sob as águas. Foi assim que ela se viu repentinamente fraca, e então desmaiou, olhando para o céu encoberto para onde podia visualizar uma águia carregando uma cobra negra em suas garras. 

Em parte sabia que a visão não era real, mas o que aquilo significava? Ela precisava descobrir, assim como tudo o que estava a levando exatamente para aquele ponto, um ponto escuro, novo e desconhecido.


Notas Finais


Será que Growthwind é lendária ou real? E se estamos indo até lá o que será que iremos encontrar? Alguma coisa está acontecendo nesta ilha misteriosa e eventos importantes vão se mostrados nessa grande engrenagem.
Próxima postagem voltaremos a Black Castle e veremos como se desenrola a guerra, mas a sequência após a batalha trata todos os mistérios e o toda a relação de Rey com esse povo misterioso novamente.
Obrigada pelo apoio, nós esperamos que tenham gostado do capítulo e que possam nos apoiar no projeto! Para quem estiver de quarenta e principalmente quem estiver nas ruas, por favor estejam atentos às normais de segurança! Vamos atravessar essa crise difícil contra o Covid-19!
Até a sequência!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...