História The Horror of Our Love - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Inuyasha
Personagens Kikyou, Naraku
Tags Angst, Hentai, Kikyou, Naraku, Narkik, Romance, Suspense
Visualizações 73
Palavras 7.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, pessoal... Custou, mas eu apareci \o/ Foi a magia da Pabllo Vittar que apareceu para mim gritando "RESSUSCITA!". Ou foi alguém aí que acendeu uma vela para a Nossa Senhora das Fics, vai saber...

Deem-me um desconto pelo hiatus, essa fanfic tem uma carga emocional que me deixa sob toneladas de "bad" ao escrever! E eu estive passando por uns problemas pessoais (Vô internado), então dificultou um pouco as coisas...
O capítulo de hoje terá um destaque especial (ou seja, 6.066 looongas palavras) dedicadas ao ship Inuyasha & Kagome. Por quê? PORQUE ELES MERECEM!
Perdoem eventuais erros.

Imagem da capa: "With You", da maravilhosa fanartista LenBarboza.

Boa leitura!

Capítulo 11 - I wish I had your angel tonight


Fanfic / Fanfiction The Horror of Our Love - Capítulo 11 - I wish I had your angel tonight

 

Uma hora depois, o demônio Naraku se encontrava entediado e insone, ao passo que Kikyou havia dormido, exausta. Com delicadeza, Naraku pousou a mão sobre o abdome de sua sacerdotisa. Ele achava interessante o quanto ela demonstrava se sentir à vontade ao seu lado, solícita e prestativa, como uma mulher apaixonada. Sorriu, desfrutando daquela sensação de plenitude tão nova em seu coração perverso, que palpitava um pouco mais rápido agora.

Adoraria poder compensar todo esse desvelo abnegado de Kikyou lhe dando prazer, mas...

A forma humana de Naraku, além de livre de poderes, estava combalida após a transformação e o inconveniente resfriado. Ele iniciou uma manipulação discreta em seu sexo, que não reagia; acabou rindo de si mesmo. Pela primeira vez em cinquenta anos, o hanyou se preocupava com uma ereção que não vinha. Olhou de soslaio para a jovem que dormia pesadamente; de fato, quem visse aquela expressão suave na face da sacerdotisa renascida do barro não fazia ideia do que ela, instigada por Naraku, era capaz de fazer em momentos de luxúria.

Enfim, eu a corrompi... Aliás... Isto seria mesmo corrupção? A índole dela não foi mudada... Ela continua com um caráter nobre, apesar de tudo. Eu apenas a deixei livre para desfrutar os prazeres que ela não conhecia... Continua pura e sempre será...

A mão direita do híbrido acercou-se do monte-de-vênus da jovem. Suas pernas estavam ligeiramente abertas, o que facilitou o deslizar dos dedos de Naraku por cima dos grandes lábios. Ela não esboçou reação. Afinal, de certa forma ela havia carregado um homem adulto; estava desgastada.

— Kikyou... — sussurrou ele, num misto de devoção, nervosismo e fascínio. Aspirou o cheiro do pescoço da moça, lambendo-o, não demorando também a baixar a cabeça em busca do colo e das mamas da esposa. O quarto estava em total escuridão, Logo seus lábios um pouco ressequidos encontravam o mamilo direito da sacerdotisa, beijando-o e sentindo-o endurecer em contato com sua língua. O demônio estava excitado, apesar de seu pênis permanecer adormecido. Enfim, ele não se importava com aquilo no momento; afoito, se colocou devagar sobre Kikyou, apoiado nos cotovelos e joelhos, e juntou os seios dela com as mãos, sugando os bicos já duros como se dali pudesse sair vida para ele. Ainda dormindo, a jovem suspirou.

— Eu não tinha uma vida até conhecer o seu sabor...

Oculto pelos cobertores, Naraku prosseguiu com seus beijos e afagos, descendo para o ventre da sacerdotisa. Ela, por sua vez, foi sendo arrancada de seu sono sem sonhos assim que a língua do araneídeo escorregou pelo meio de seu sexo já umedecido.

— Hmm... Ohh...

— Ainda não consigo acreditar que você hoje me pertence... — ronronou ele, abrindo-lhe as pernas já sem medo de incomodar a jovem, que sentiu um arrepio de prazer e gemeu alto, agora já totalmente desperta.

— N-Naraku, o que... O que deu em você? Ahh... Por que...

— Descobri que esta é uma bela maneira de se dizer “bom dia”, doce miko.

Por fim, Naraku separou um pouco mais os grandes lábios de Kikyou, fazendo círculos com a ponta da língua em sua vulva; em seguida, premeu a boca ao ponto nervoso hipersensível e o sugou, enlouquecendo a moça que se agarrou aos seus cabelos volumosos. Ela acabou por afastar os cobertores de sobre ambos, permitindo ao moreno enxergar um pouco seu delicado genital. Eufórico pelas demonstrações de prazer de sua querida, Naraku enrijeceu a língua e estocou-lhe a vagina por repetidas vezes, vibrando interiormente com os gemidos dela. Os fluidos femininos vertiam em sua boca e ele riu de um jeito safado, deixando a moça devastada de tesão e expectativa.

— PELOS DEUSES! Não me torture...! — uivava ela, acariciando os próprios mamilos. Naraku ergueu o tronco para vê-la, estimulando o clitóris com movimentos lentos e ritmados do indicador.

— Por que veio até mim, sacerdotisa Kikyou? — inquiriu ele, altivo, sendo que ela percebeu de chofre que ele estava a provocá-la. — Eu sou o temido youkai Naraku...

— Deixe de gracinhas... Eu... Preciso...

— ... e sacerdotisas não gostam de youkais. Por que me olha com esses olhos de mulher safada?

— Por f-favor... — implorou Kikyou.

— Uma sacerdotisa pura não deveria foder com um demônio mal-intencionado. Você se arreganha toda... Como se dependesse do meu pau arrombando sua boceta para continuar a viver.

— Pare... Pare de me provocar... E... — a jovem fez cara feia, doente de desejo. — P-por que não... Não para de apenas prometer e não me...

O hanyou olhou para baixo, atraindo o olhar da sacerdotisa, que se calou, surpresa. Seu falo havia começado a se enrijecer, mas não o suficiente para impetrar um coito. Kikyou ficou bastante confusa, fitando o rosto de Naraku, cujo rubor estava tão intenso que alcançava suas orelhas e pescoço.

— Então... Posso continuar o que estava fazendo? — indagou ele, com um sorriso sem humor.

— Mas... Não entendo, por que ele está...

— Porque, além de este meu corpo ser totalmente humano agora, eu perdi muita energia horas atrás.

— Pensei que era você quem o controlava...

— Creio que macho algum consiga controlar o próprio órgão viril. De qualquer maneira... Eu não quero deixar de agradá-la. Permita que eu continue, minha linda.

Kikyou se sentiu culpada, lembrando-se de imediato de sua experiência íntima fracassada com o seu antigo amor. Então Inuyasha não mantivera a ereção por razões fora de seu controle, intuiu ela. Entristeceu-se pensando em como Naraku sofreria caso ela repetisse a mesma atitude condenatória com ele. “Não devo ser injusta de novo...”

Vendo-a em silêncio, Naraku se perguntou se ela estaria decepcionada, quando a sacerdotisa se sentou, logo precipitando-se em direção a ele, abraçando seu tronco.

— Amor...?!

— Não é justo que apenas eu sinta isso — murmurou ela, beijando o abdome do híbrido. — Eu... Eu quero te agradar também...

— Querida, não precisa. Eu... Ahh... — e Naraku foi interrompido ao sentir a boca suave de sua amada realizando carícias atrevidas em seu saco escrotal. Puro deleite subia-lhe pelas costas, pelos ossos; o araneídeo gemeu, uivou e deu um brado quando seu pênis latejou entre os lábios da jovem, após alguns minutos de felação. A sua ereção finalmente despontava e Kikyou soube que tinha acertado em cheio. — C-como você conseguiu me fazer...

— É a sua vez de ganhar um “bom dia”, demônio mal-intencionado.

Ser felado sendo humano era uma experiência nova, já que Naraku tinha a pele mais sensível e os impulsos bem menos controláveis. O moreno terminou por não deixar a esposa prosseguir com aquelas carícias e, um pouco estabanado, empurrou-a de volta para o futon. As pernas torneadas da sacerdotisa rodearam o quadril estreito do hanyou, que a penetrou lenta e profundamente.

— Se eu morresse hoje... Iria feliz para o inferno — grunhiu Naraku, investindo contra Kikyou.

— Não s-seja estúpido... Q-quando você morrer e for para o inferno, eu... — e a mulher, extasiada, agarrou com força as nádegas dele. — Eu v-vou atrás de você para reencarnarmos juntos...

Então o moreno se levantou, desligando-se dela, e se colocou de joelhos no futon, indicando para a jovem que a queria de quatro perante si. Ela se posicionou como ele pediu e logo sentiu seu corpo sendo invadido uma vez mais. O casal recomeçou a gemer, imersos na vívida experiência. Kikyou se arrebitou para Naraku, aceitando de bom grado a forma apressada com que ele se empurrava para dentro de si, quando sentiu um forte tapa na nádega e logo tentou se desvencilhar do marido, olhando para trás com espanto.

— AI! O que foi isso?!

— Desculpe! Não resisti — confessou o hanyou, agarrando-a para que não fugisse. — Eu... Adoro essa bunda! Adoro te... — ele aplicou outro tapa. — foder... — mais um tapa. — desse jeito! — e Naraku passou a arremeter contra a esposa com mais força e descontrole. Os tapas, ao contrário do que Kikyou esperava, lhe deram forte sensação de ser desejada e ela gemeu alto.

Desgovernado de si mesmo, Naraku gritava um sem-número de obscenidades e, ocasionalmente, desferia tapas nas nádegas e coxas da sacerdotisa. A pele da jovem estava vermelha, mas ela simplesmente não impediu o demônio de prosseguir com aquela perversão. Não demorou para que ele agarrasse os longos cabelos de Kikyou perto do couro cabeludo e os puxasse com força moderada, fazendo a moça se espantar com aquelas ideias estranhas dele. Era como se o híbrido sentisse a grande necessidade de subjugar aquela mulher tão independente e indomável. Em meio aos brados, ele ria como louco.

E a sacerdotisa, por sua vez, se derretia sob seu homem, chegando enfim ao ápice e tombando, exausta. Poucos instantes depois, Naraku se perdia no prazer do orgasmo, enchendo o canal da esposa de sua semente. Ele achou meio estranho o fato de ter expelido uma quantidade menor e mais espessa de sêmen, mas estava cansado demais para pensar no assunto. Apenas murmurou, deitado ao lado da jovem e a abraçando, meio envergonhado por seus excessos:

— D-desculpe...

— Pelo quê? — indagou a sacerdotisa, sonolenta.

— Por ter agido como um humano desvairado e sem controle...

— E o que você é, por acaso? — retrucou ela, com um meio sorriso. Seu corpo inteiro doía, mas a euforia do prazer carnal e aquela sensação doce de intimidade e carinho do pós-sexo compensavam todo o resto. — Não se preocupe, meu querido. Vamos dormir.

— ...

Foi o jeito Naraku se calar e aconchegar seu corpo ao da esposa, desfrutando dos últimos minutos em estado humano.

— Kikyou...

— Hmmm?

— A minha felicidade não tem preço... Tem o seu nome.

A sacerdotisa sorriu, beijando o dorso da mão do demônio delicadamente.

— Não sei o que dizer, Naraku... Não sou boa com palavras.

— Não é necessário dizer nada, meu amor. Sua presença ao meu lado é a mais excelsa demonstração de amor...

O sorriso de Kikyou se alargou e ela dormiu, sentindo-se muito confortável com o corpo de Naraku a envolvê-la.

 

***

 

Olhos vermelhos...

Eu já vi olhos vermelhos numa foto que o professor de Biologia mostrou para a classe. Eram olhos de uma pessoa albina, sem pigmentação na íris. Mas este par de olhos que está diante do meu rosto é estranho... As pupilas são brancas.

O nariz dessa pessoa... É o Naraku, não é? O nariz dele toca o meu. A boca toca a minha. Ainda sinto o calor dos lábios úmidos deslizando por meus lábios. A língua dele... Ei... Pare, Naraku, eu... Eu não quero beijá-lo. Eu não gosto de você. O meu primeiro beijo deveria ser... com Inuyasha... Seu maldito...

Ele está pegando no meu bumbum. Não é tão fraco, nem tão forte, é na medida certa para que eu... Não, isso não pode estar acontecendo. Ele está me deixando úmida, sinto minha calcinha toda pegajosa... Entre minhas pernas, algo lateja tanto como se houvesse um coração lá. Esse... Malvado... Por que ele me toca assim? Por que me deixa tão excitada? Pior: POR QUE eu não consigo impedi-lo?

Inuyasha... Eu quero apenas você... Me salve... Não quero ser tocada por Naraku dessa forma. Eu amo apenas você, Inuyasha. É para você que eu desejo entregar meus lábios e meu corpo... Isso também não está certo, eu não sou uma oferecida... Por que ultimamente tudo me leva a pensar em sexo? E por que Naraku não me larga?

Inuyasha, me tire de perto dele...

Inuyasha, eu...

Eu amo e desejo você, mesmo que você ame Kikyou...

Isso dói tanto... Mas é a verdade.

Inuyasha... Abrace-me, faça-me sentir que posso ser feliz...

Inuyasha...

 

Pensamentos como esses e outros fervilhavam no cérebro da garota que viera do futuro, que lentamente voltava a si. Ela ainda estava de olhos fechados, extremamente cansada. O dia estava começando: a aurora despontava no céu, preguiçosa, e os pássaros enchiam os céus com seu canto. Os minutos se passavam lentos.

Inuyasha, sozinho com Kagome, tremia. Ele estava amedrontado pela situação nova que ocorria diante de seus olhos.

A colegial, ainda dormindo, se remexia, resmungando algo ininteligível ao passo que seu rosto se contraía, como se ela quisesse chorar. Enquanto isso, o cheiro agora notável de sua feminilidade invadia as narinas do hanyou cão como uma droga alucinógena. Sob o tecido fino da blusa azul de mangas compridas, os mamilos estavam eretos, atraindo o olhar atordoado do híbrido.

O corpo de Inuyasha reagia àquilo de forma violenta e bruta, mas sua mente o fazia se sentir o mais desprezível dos vermes. Era óbvio que Kagome estava sofrendo; ele temia acordá-la, pois não sabia ao certo o que se sucedia com a mocinha.

O maldito Naraku quase a estuprou diante de todos nós... Não bastasse fazer aquilo com Kikyou, ele ousou tocar a MINHA Kagome...! Maldito!

A mente agitada de Inuyasha o deixava tonto, enquanto culpa, dor, confusão e desejo se digladiavam dentro de seu coração. E, em meio a tudo isso, uma irracional felicidade.

Kagome ainda o amava. Ele sabia que não merecia seu amor, mas ansiava desesperadamente por recebê-lo. Adoraria tomá-la nos braços, enxugar-lhe as lágrimas com seus beijos e dizer que estava tudo bem, ele não mais a deixaria só e que ambos estariam ligados para sempre através do amor. Ela o presentearia com aquele sorriso luminoso e aquele olhar azul profundo de bem-querer e ele... Ele a faria se esquecer por completo daquele incidente podre com o hanyou araneídeo.

Agora que Inuyasha não era mais virgem, ele tinha consigo uns palpites mais acertados de como dar prazer à garota amada. E, sim, ele estremecia só de imaginar o corpo da jovem sendo penetrado por si; ele se saciaria nos seios dela, aspiraria o aroma de seu pescoço, a levaria a gemer de puro prazer até que desfalecesse.

Mas... Não, ela não tinha condições de ser tomada! Por que ele estava sendo tão egoísta?! Kagome estava frágil, por culpa única e exclusiva dele. Estava ferida emocionalmente, arrasada, porque ele não esteve perto de si para poupá-la da possessão de Naraku, que surpreendera a todos. Ele estava... Fazendo amor com Kikyou.

Amor? Era amor? Luxúria? Ou a força da maldita culpa que se lhe impregnara n’alma?

E agora?

O que ele deveria fazer quando a reencarnação da sacerdotisa guardiã da Joia despertasse?

Os olhos âmbares do hanyou perscrutavam cada detalhe do corpo adolescente deitado diante de si. Por mais que Inuyasha já contasse com seus mais de duzentos anos de idade, ele se sentia inexperiente e imaturo quando estava com Kagome; chegava a se irritar, a cada momento que sua face ardia ao se perceber sendo observado pelos olhos azuis ingênuos da mocinha. Instantes assim faziam-no perder o chão, virar um menininho inseguro, principalmente agora em que ele sentia o corpo inteiro crepitar de desejo por ela, com mais intensidade do que antes.

— I-Inuyasha, por favor, fique... Eu n-não quero ficar sozinha... — murmurou ela, começando a chorar em meio ao sono. As orelhas do híbrido se eriçaram em grande expectativa.

— Kagome...

Inuyasha estava morrendo de medo do despertar de sua amada. Por ser inábil ao se relacionar com a colegial, havia magoado aquele afável coração tantas vezes que sua consciência não o deixava em paz.

Então os olhos azuis se abriram num repente, em meio a um clamor quase gritado:

— Inuyasha...!

— K-Kagome, eu... Eu e-estou aqui! — respondeu ele, meio que gritando também, nervoso.

— O... Quê? — indagou ela, totalmente confusa, esfregando um dos olhos. Só então compreendeu que estava na casa de Kaede, deitada em um futon e sozinha com o hanyou cão. — Não estou... Entendendo nada... Eu... Estava vindo do Poço e... Tudo ficou escuro...

Foi aí que uma avalanche de lembranças descoordenadas e, aparentemente, sem nexo, inundaram a mente da mocinha, cujos olhos se arregalaram em pleno estupor. Afinal de contas, que tipo de pesadelo estranho era aquele, em que Naraku beijava sua boca com lascívia desmedida...? E aqueles gritos estridentes de Sango, os brados não menos urgentes do monge... As mãos do araneídeo que a tocavam, levando-a a ansiar por mais daquela sensação de... Ela não sabia como definir aquilo, pois não conhecia o prazer.

E, céus, Inuyasha. Como ele berrava seu nome, de um jeito quase animalesco... Ela o ouvia rosnar, via de longe seu rosto convulso e machucado... E uma mágoa, uma tristeza tão voraz lhe assolava o espírito...

As mãos de Kagome tremeram e ela, vexada, baixou o olhar, sentindo o rosto queimar.

— Inuyasha... Aconteceu alguma coisa? — murmurou ela, morta de vergonha daqueles pensamentos esquisitos. — Eu... Eu estou confusa...

— ...

Confusa e nervosa, ao prestar atenção no próprio corpo e notar a roupa íntima pegajosa e úmida. A expressão facial de seu querido também não lhe esclarecia muita coisa. Então, ela deduziu que ele estava, possivelmente, irritado por estar ali consigo.

— Por que você está aqui, Inuyasha?

— Keh! Não é óbvio? — esbravejou ele, falhando totalmente em seu propósito de ser gentil com a colegial. — O maldito Naraku nos atacou e... — as orelhas dele se agitaram, enquanto seu olhar se tornava duro.

O que eu vou dizer a ela?! Ela não se lembra direito do que houve ontem e... Não, eu não posso contar agora!!

— Ele tentou... Errr... Possuir a sua alma — prosseguiu o inseguro hanyou. — M-mas nós conseguimos te salvar. Por isso você está aqui na casa da velha Kaede. Acabou desmaiando ontem.

— E-eu só me lembro de ter saído do Poço e depois... Não consigo, m-meus pensamentos estão confusos — admitiu ela.

— Ainda bem que você não se lembra — rosnou Inuyasha, comprimindo os punhos, enciumado. A mera lembrança de seu inimigo devorando aqueles lábios delicados o fazia ter náuseas. A colegial, no entanto, estava pensativa, olhando para os próprios pés.

Algo naquela narrativa não estava batendo.

— Inuyasha...

— Quêêê?

— Pelo pouco que sei, não é com armas físicas que se livra alguém de um espírito... Se Naraku esteve tentando me possuir, quem me libertou dele? Foi Miroku-sama?

— Keh! Que diferença faz? — revidou ele, consideravelmente mal humorado.

Kagome, sentada sobre os joelhos, entendeu de chofre que não havia sido Miroku o seu salvador na ocasião. Nada mais conseguia deixar o híbrido à sua frente tão consternado quanto a simples menção ou lembrança da sacerdotisa Kikyou.

Apesar de as memórias da jovem estarem desconexas, as impressões deixadas pelos sentimentos genuínos de Naraku ao obsidiá-la estavam bem vívidas em seu coração. A dor do araneídeo era grande, tão tenebrosa quanto sua própria perversidade, deprimente. Um bolo se formou na garganta da jovem, que se pôs de pé, indo até sua mochila e retirando dali uma sacola cheia de artigos hospitalares. Mesmo ainda possuída por Naraku, ela se lembrara de levar aqueles itens importantes para seus amigos.

— O que foi, caralho? — indagou Inuyasha, ainda irritado por não saber como lidar com a jovem a quem ele dedicava aquele tão poderoso amor. — Ficou doida, sua maldita? Você está fraca, sente-se aí antes que caia.

— Se f-fosse Kikyou aqui, você estaria de bom humor agora, não é? — volveu Kagome, contendo o choro. Estava farta de Inuyasha com aquela maldita mania de fazê-la sofrer.

— Mas que porra de pergunta é essa?!

Ela, no entanto, apenas se dirigiu para a porta após pegar sua mochila, sem olhar para trás. A atitude da mocinha incomodou deveras o hanyou, que logo pulou do chão para alcançá-la.

— Kagome! Mas que merda! Volta aq-

Osuwari!

— AI! Não faça isso, caralh-

Osuwari! Osuwari! OSUWARI!!! — berrou a mocinha, esganiçando-se enquanto aquela dor do nó na garganta quase a impedia de respirar.

E ela saiu correndo pelas ruelas meio vazias do vilarejo em direção ao Poço, deixando seu interlocutor esborrachado e atordoado pela violência dos golpes do kotodama; ele levaria uns cinco minutos para se recompor, já que batera a cabeça no piso de madeira.

Kagome estava quase desistindo.

Quase desistindo de permanecer ali, naquele ambiente tão mágico e, ao mesmo tempo, tão doentio, que lhe estava minando as energias. O pior, contudo, era olhar para Inuyasha e ver aquela eterna carranca — como se ele detestasse sua presença. Em seus pensamentos, tudo o que imperava era o fato de o hanyou ter optado por Kikyou. Como ela iria competir com aquilo?

Por uns vinte minutos, ela corria e andava, corria e andava, ainda frágil e se cansando com facilidade, rumo ao local onde aquela história toda poderia ter um fim.

O Poço.

Ah, aquele Poço... Onde ela havia caído, ou melhor, sido agarrada pela youkai centopeia há poucos meses atrás e, sem querer, entrara em uma dimensão absurda: sua cidade natal, Tóquio, quinhentos anos atrás.

Sem hesitar, ela pulou. Logo estaria de volta ao seu verdadeiro espaço.

Ela não pertencia à Sengoku Jidai... Então por que ainda insistia naquilo? Havia, sim, feito amigos maravilhosos que ela tanto amava. O pequeno Shippou, a corajosa Sango, o pervertido Miroku, a austera Kaede. E ele...

Inuyasha.

Mas não, aquele sentimento que ela sentira nascer em seu coração pelo hanyou cão não era de amizade e ela o sabia.

Ao entrar em casa, a mocinha cumprimentou laconicamente a família, subindo em seguida para seu quarto. Ali, sentindo-se mais à vontade, terminou de esvaziar sua mochila quando teve um susto. Em um pequenino vidro tampado, estavam dois fragmentos da maldita Joia de Quatro Almas.

— Que droga — lastimou-se ela. — Essa porcaria está aqui. Vou ser obrigada a voltar para... Devolver... E depois...

Depois seria o fim. Ela não retornaria mais à era feudal e Inuyasha não iria mais ao seu encontro, em sua residência. Tudo estaria acabado.

Kagome deu um sorriso frouxo e sem humor, se deitando para descansar um pouco.

— Como eu sou boba... O que estaria acabado? Nós sequer começamos nada... — as lágrimas vieram ligeiras. — Eu é que me iludi, achando que teria espaço no coração dele...

Recordou, então, daqueles vívidos olhos tristes de outro hanyou que, dias atrás, a encontrara no bosque. Lembrou dele a abraçando com uma ternura que com certeza era falsa, e aquelas palavras? “Eu também sinto falta de abraços”, dissera o demônio araneídeo. Aquilo só poderia ser zombaria.

Fechou com raiva as mãos em seu travesseiro.

— Eu sou t-tão miserável que até Naraku sente pena de mim...!

E Kagome recomeçou a chorar, agarrada ao travesseiro, até que dormiu rapidamente.

 

***

 

Nas imediações do Poço Come-Ossos, Inuyasha corria como um maníaco.

Ele não deixaria que sua Kagome fugisse dele. Não, ela o pertencia. Contudo...

Inuyasha, Kagome-sama tem um grande amor por você, mas lembre-se de que ela também tem livre arbítrio. Ela pode não querer se envolver, já sofreu o bastante”, havia dito o monge Miroku, há uns dez minutos atrás, enquanto ele se recuperava dos ‘Osuwari’.

— Keh! Do que está falando? Eu... — e o hanyou teve um tremor de pura comoção.

Ele a amava! E, diferente do passado, ele via agora que era de suma importância dizê-lo a ela.

— Eu... A amo, seu maldito! — exclamou ele, surpreendendo um pouco seu amigo.

— Não é exatamente uma surpresa para mim, Inuyasha, mas e Kikyou-sama?

Afinal, há cinquenta anos atrás, ele deixara a insegurança dominá-lo. Mesmo amando profundamente a jovem Kikyou, nunca se pronunciou acerca de seus sentimentos. A culpa por todo o desfecho trágico ocorrido o esmagava mesmo no momento presente.

A bem da verdade, Inuyasha não sabia o que iria dizer a Kikyou quando se vissem de novo. Como explicar que ele estava apaixonado por Kagome? A mais velha, em sua condição de vítima, sofreria muito. Não bastasse ter sido morta pelo maldito Naraku há meio século, eis que agora o araneídeo fizera algo ainda mais grave com ela. E ele... Não a protegera.

No entanto, Naraku não se contentou em violar Kikyou e, de alguma maneira desconhecida, havia possuído Kagome e a apalpado... Beijado seus lábios! A lembrança fazia Inuyasha ter o mais puro nojo. No entanto, Kikyou salvara a colegial... Apesar de que a expressão dela no momento do disparo assustou Inuyasha. Ele chegou a pensar que ela queria na verdade matar a jovenzinha possessa. Chegou quase a ODIAR sua antiga amada por isso.

— A culpa sempre foi minha — resmungou ele, trêmulo, comprimindo as mãos. — Eu... Não a protegi...

— O que, Inuyasha? Não entendi o que você disse — redarguiu Miroku, confuso. Mas o hanyou cão simplesmente o largou para trás, correndo para o Poço. Ele tinha certeza de que ela havia ido embora.

Enquanto Inuyasha corria, o som da voz jovial e límpida da jovem que viera do futuro ecoava em suas memórias. Ela rindo, ela discutindo consigo, ela o derrubando com os ‘Osuwari’, ela confortando seus amigos.

Ele então chegou ao Poço e mergulhou lá dentro.

Precisava de Kagome mais do que nunca.

 

***

 

Kazuko Higurashi, a mãe de Kagome, havia ido à rua para comprar alguns legumes para o jantar. Ela havia visto o olhar deprimido da filha, mas não a forçou a se explicar. Os últimos meses haviam transformado e muito sua garotinha, que tão rápido amadurecera, criara um enorme senso de responsabilidade, além de aflorar ainda mais seu senso de justiça. Desde criança, Kagome era uma pessoa altruísta e generosa, além de independente, e Kazuko não achava isso ruim. Se a colegial tinha uma nova e diferente missão a cumprir naquele local desconhecido de onde surgira aquele youkai comilão e rabugento com orelhas caninas, não seria ela a impedi-la.

Ao chegar ao topo da longa escadaria que dava para o templo e a casa da família, Kazuko se assustou. Diante da Goshinboku, o novo e estranho amigo de sua filha estava parado, fitando a árvore com uma fisionomia tão deprimida quanto a da jovem.

Foi ali, naquele tronco, que ele permanecera semimorto, selado pela flecha de Kikyou. E, naquele mesmo tronco, ele vira os olhos azuis e puros de Kagome. Aquela árvore tinha inúmeros significados para ele... Seu coração batia com dores. A dor da culpa, a dor do medo, a dor da rejeição. Sentiu-se observado por alguém, mas se quedou inerte.

— Inuyasha?! — chamou Kazuko.

Lentamente, ele a encarou. Aos olhos da senhora Higurashi, aquele indivíduo não era um demônio maligno, como dizia seu sogro, e sim um jovenzinho imaturo e meio desorientado. Ela gostava muito de Inuyasha e fazia de tudo para agradá-lo como podia.

— E-eu cheguei agora — comentou ele, rubro. — Err...

— Você quer ver Kagome-chan, eu sei — respondeu ela, serena. — Olha, ela estava dormindo quando eu saí. De qualquer forma... — a mulher tocou de leve no braço do hanyou, indicando a ele o banco de ardósia que ficava ao lado da bela árvore.

Morto de timidez, Inuyasha aceitou o convite de Kazuko para se sentarem juntos. Sem pressa, a mulher comentou serenamente:

— Não faz muito tempo que me sentei aqui com Kagome-chan. Eu havia dito a ela que, quando estou perto dessa árvore, sinto uma magia diferente. Uma coisa especial, que me faz sentir mais verdadeira comigo mesma e o meu coração mais puro.

— Ela é especial, sim — concordou o hanyou, sem olhar para a mulher ao lado.

— Inuyasha... Eu não sei o que tem preocupado você. Mas, cá para nós, não acha que seria bom você abrir o coração para Kagome-chan?

— C-como assim?

— Você é muito importante para ela. Imagino que, quando não esconder mais o que sente, você se sentirá melhor.

— E-eu... Eu não entendo o que v-você tá dizendo.

— Eu sei que ela é importante para você também — volveu a senhora Higurashi, sem meias palavras. — Você tem um jeito especial de olhar para ela, parece gostar da companhia de Kagome.

Um bolo se formou na garganta do hanyou. Que inferno, aquela mulher parecia ler seus pensamentos. E ele se sentia tão incapaz de simplesmente ir até a jovem e dizer que...

— Eu só q-queria dizer para ela que sinto muito por tê-la magoado.

— Então por isso que ela chegou aqui triste? Você a magoou?

Só então Inuyasha teve um súbito estalo: estava dizendo à mãe de sua querida que era o responsável por seu sofrimento! Aquela mulher ficaria revoltada contra ele (como Sango, Kaede e Shippou já estavam).

— E-eu não queria ter dito aquelas coisas — desconversou ele, tentando camuflar o tamanho do estrago que havia feito. — Vim p-pedir desculpas... Você deixa?

Para sua surpresa, a mãe de Kagome deu um pequeno e genuíno sorriso.

— Vocês jovens são tão previsíveis. É claro que pode, se ela quiser recebê-lo. Agora, que tal me ajudar com essas sacolas? Talvez você até me ajude a picar os legumes para a sopa. São muitos...

Orelhas se agitaram no topo da cabeça do híbrido; se ele tivesse cauda, a estaria sacudindo também. Inuyasha gostava muito de se sentir útil e aquele pedido de Kazuko o fez se sentir aceito por ela. Animado, ele sacou a Tessaiga transformada, assustando a mulher.

— Posso picar quantos legumes você quiser! — respondeu ele, orgulhoso da herança de seu pai. — Com minha Tessaiga eu posso cortar até cem youkais de uma vez só e...

— N-não, é melhor picar com as minhas faquinhas mesmo, filho. Venha, vamos entrar.

Tímido mas risonho, o híbrido tomou da mulher as sacolas e a seguiu para dentro de casa.

 

***

 

Kagome enfim despertou da soneca. O sol estava se pondo; ela permaneceu de olhos fechados, ainda aturdida com a imensa quantidade de memórias estranhas que lhe assaltavam a mente.

Por fim, suspirando, ela decidiu se levantar e tomar um banho. Tinha prova naquela semana, trabalhos atrasados. Ela temia ser reprovada, dadas as ausências na escola.

Enquanto separava roupas limpas para vestir após o banho, por acaso o olhar da colegial caiu sobre o calendário. Seu coração se apertou — aquela noite era de lua nova. Inuyasha ficaria indefeso e poderia passar por problemas. No entanto, ela franziu o cenho, irritada por se preocupar com ele. Ela não queria pensar nele, não queria mais ser magoada. Contudo, não estava sendo nada fácil: ela pensava nele o tempo inteiro. Sentiu uma imensa saudade de vê-lo como humano, seus cabelos negros, a face rubra de quem estava morrendo de vergonha de estar com aquela aparência que, aos olhos de Kagome, era tão bela quanto a original.

Será que eu conseguirei esquecer Inuyasha um dia?”, pensava a jovem, sob a água morna do chuveiro. “Ele está tão presente em meus pensamentos que parece até que estou ouvindo sua voz, vinda de algum lugar aqui perto...”.

 

***

 

— Inuyasha, por favor me passe os pimentões verm- KAMI-SAMA! — fez Kazuko, apavorada.

— Inu-no-onii-chan... O que aconteceu com as suas orelhas? — balbuciou o filho caçula da dona da casa.

— Rapaz, você está amaldiçoado! Fique parado, eu vou exorcisar o mal que lhe deixa com orelhas de cachorro. Onde estão os meus pergaminhos? Preciso dos meus pergaminhos! — exclamava o vovô Higurashi, com olhos enormes. Souta, boquiaberto, deixara o celular cair no chão quando, do nada, Inuyasha perdeu a aparência youkai diante dos olhos deles, ainda com o vasilhame de pimentões vermelhos picados na mão.

O hanyou estivera tão ansioso que havia se esquecido daquela condição inusitada que o acompanhava desde que nascera, a cada primeira lua nova do mês. Como era de se esperar, ele ficou profundamente envergonhado e quis correr para fora da cozinha, mas foi impedido pela senhora Higurashi.

— Keh! Me deixe ir embora! — esbravejou ele, totalmente vermelho. — Minha aparência...

— Não, deixe de bobagens. É claro que sua aparência não significa nada para nós...

Não era o que os olhares assombrados de Souta e do avô de Kagome diziam.

— Mas... Eu não posso ficar aqui com essa forma humana! Perdi todos os meus poderes e não posso proteger nenhum de vocês se um youkai nos atacar! — exclamou Inuyasha, trêmulo.

— Pare de pensar em confusão, querido — volveu a mãe de Kagome, conduzindo-o delicadamente para dentro da cozinha de novo. — Aqui não temos esses problemas. Você vai ficar, sim, e vai jantar conosco.

— Ora, garoto, o que está dizendo? — intrometeu-se o velho. — Eu sou um sacerdote e posso muito bem proteger este templo com os amuletos sagrados que estão espalhados pela casa e...

— Ah, vovô, para com isso. Inu-no-onii-chan, você é legal com ou sem orelhas de cachorro — afirmou Souta, já tranquilo. — Olha só que legal, você agora está igual a todo mundo. É como se fosse um de nós.

— Ele já é um de nós por ser nosso amigo, Souta — redarguiu afetuosa a dona da casa. — Todos nós gostamos de você, Inuyasha. Não importa de que jeito apareça aqui.

O hanyou permanecia estático, ainda muito tímido, porém com o coração cheio de gratidão para com aquela família. Era interessante como tudo relacionado a Kagome, até mesmo seus familiares, o fazia se sentir tão bem. Então ele coçou a nuca e encarou Kazuko, como um menino sapeca pego em flagrante peraltice.

— Keh! Tá bom, eu fico. Tô morrendo de fome mesmo.

A mulher acabou rindo. A interação entre eles recomeçou, entre diálogos triviais e risos.

Kagome, que havia descido as escadas, estava paralisada atrás da parede, ouvindo os últimos cinco minutos de conversa.

Ele... Ele veio buscar os fragmentos em plena lua nova?! Eu sabia que ele não queria nada comigo mesmo, mas... Já era para ele ter aparecido no meu quarto e tomado os fragmentos... E ido embora...”

Ela cerrou os punhos, ansiosa, irritada e sem saber ao certo o que fazer. Por fim, decidiu-se e andou devagar até à cozinha, arrastando os chinelos e fazendo-se sonolenta.

— Boa noite... — cumprimentou ela, tentando agir com naturalidade.

— Olhe só quem acordou! — saudou-a sua mãe, sorridente. — Temos um convidado especial para o jantar, querida.

Mas o olhar da mocinha estacionou nas íris castanho-escuras, quase negras, de Inuyasha, que parecia ter perdido o fôlego ao vê-la. Mesmo sem a acuidade visual apurada de youkai, ele perscrutava com o olhar todo o corpo dela, como se estivesse descobrindo um tesouro valiosíssimo. Aquela forte e rápida troca de olhares não passou despercebida à mãe de Kagome, que serviu um prato de lámen para o hanyou. Este, já entusiasmado pelo aroma da comida, se permitiu relaxar e disfarçar seu desconforto.

— Você não vem comer não? — chamou Inuyasha com seu costumeiro jeito impaciente.

— Ah... Mamãe, você pode vir aqui um minuto? — pediu ela, ignorando o híbrido. Kazuko, que já estava servindo os demais membros da família, pediu licença e foi até a filha, sob o olhar atento de Inuyasha.

Ambas caminharam em silêncio até a sala; Kazuko observou os olhos da filha se enchendo de lágrimas enquanto elas tomaram assento no sofá.

— M-mãe, o que ele está fazendo aqui?

— Ele disse que veio te ver, querida.

— Eu não quero falar com ele — sussurrou a jovenzinha, mordendo o lábio. — Ele só veio aqui para dizer que decidiu ficar com Kikyou...

— Quem?

— É a outra garota de quem ele gosta... Eles já tiveram um namoro no passado que não deu muito certo e agora ela apareceu de novo — ela recomeçou a chorar, baixinho, enquanto abria seu coração. — Eu tenho certeza, mamãe, ele sempre a amou... E... Eu não consigo parar de amá-lo. Como vou conseguir lidar com isso?! Eu estou s-sobrando...

— Ah, filha...

A mais velha abraçou Kagome. Sempre soube que sua filha nutria sentimentos por aquele exótico e atraente hanyou tímido.

— Infelizmente, a vida nem sempre é como esperamos. Mas é cedo para tirar conclusões acerca de Inuyasha, em minha opinião.

— Não, mamãe, você não entende...

— Querida, eu já tenho idade suficiente para entender muitas coisas — interrompeu-a Kazuko com um ar divertido, fazendo um cafuné em sua cabeça. — Olha, faça o seguinte: deixe que ele desabafe e exponha o que quiser. Ouça-o sem julgá-lo. Ele está aqui há horas aguardando você acordar! Acha justo não lhe dar uma chance de ser ouvido?

— Mas...

— Kagome-chan, eu confio muito em você. Você é muito nobre e justa...

Kazuko fez a filha encará-la e acrescentou, com firmeza:

— Como eu já lhe disse uma vez, enquanto estávamos sob a Goshinboku, você é quem tem o poder de escolher em que acreditar. Eu estarei disposta a ajudá-la, mas não tomarei decisão alguma em seu lugar. Entende?

— Entendo, mamãe.

As duas se abraçaram novamente. Kagome, então, enrubesceu.

— Ah... Mãe, eu posso te perguntar uma coisa?

— Sim, meu amor.

— É que ultimamente eu... Ando tendo uns s-sonhos meio esquisitos com... Umas... Situações indecentes... — a menina olhou para o chão, muito vexada. — Mas eu não fico pensando nessas coisas não, tá, elas vêm à minha c-cabeça sem que eu...

A mãe de Kagome riu, bagunçando o cabelo da colegial vermelha.

— Olhem só, minha garotinha se tornando mulher. Estou ficando velha... Daqui a pouco vou ter que me inscrever no clube da terceira idade com o vovô.

— Poxa, mãe... — ia protestando a jovem.

— Calma, Kagome-chan. Está tudo bem. Isso é normal... Faz parte da vida, do seu crescimento. São os seus hormônios.

— Mas, mamãe, e-eu não gosto muito disso. Eu não sou uma sem-vergonha para ter esses sonhos e...

— Meu bem, TODO MUNDO passa por isso na vida. Rapazes, moças... O jeito é você encarar a realidade de que está ficando adulta. Eu esperava pelo dia em que você viria me dizer algo do gênero.

— Hein?! Esperava mesmo?!

— Sem dúvida, querida. E, como você está apaixonada por Inuyasha, mais cedo ou mais tarde perceberia que seu corpo reage de forma diferente quando ele está perto, coisa que não aconteceria se você fosse uma criança.

— Ah, mãe... Eu pensei que você me dar uma bronca... — suspirou a colegial, visivelmente mais tranquila mas ainda com vergonha daquilo.

— De forma alguma, Kagome-chan. Na verdade eu fico imensamente satisfeita ao saber que você confia em mim a ponto de expor suas dúvidas — volveu a mais velha, compreensiva. — Só espero que não esteja fazendo sexo com Inuyasha sem preservativos, você é muito jovem para engravidar.

— MÃE! Não fale essas coisas! Eu... Nunca ao menos beijei ninguém!

— Oh, menos mal. Mas, caso decida se entregar a ele, espero que o faça consciente de que é algo muito sério, que envolve o seu corpo e seus sentimentos. Não quero bancar a moralista, mas você é muito doce para se entregar ao sexo casual. Eu ficaria triste se soubesse que vocês fizeram algo a mais sem que houvesse amor da parte dele. Você não merece isso.

— Corta essa, mamãe... Eu... Eu não penso em ter esse tipo de intimidade com ele... Aliás... Duvido que ele ao menos pense nessas coisas — revidou Kagome, cujo rubor chegara até às orelhas. A compreensão de sua mãe a fazia ficar mais sem graça do que uma possível repressão por parte da mais velha.

— Como eu disse... Não tire conclusões precipitadas, querida. Então, vamos jantar?

— Não... Eu não estou muito bem. Vou voltar para meu quarto e depois desço para comer, tá?

— Tudo bem, meu amor — disse Kazuko, abraçando de novo a filha. — Obrigada por confiar em sua mãe. Espero que esteja melhor.

De fato, ela estava melhor, apesar de ainda insegura sobre a conversa que Inuyasha queria ter consigo...

 

***

 

A noite estava fresca, o que levou Kagome a se arrepiar enquanto estava sentada à sua escrivaninha, estudando um livro de matemática. Absorta, demorou a perceber batidas à porta. Com certeza, seria sua mãe a convidando para comer.

— Entre, mamãe.

— Com licença — anunciou a mulher, abrindo a porta. — Seu jantar, Kagome-chan.

— Obrigada...

— E salada de frutas também... Foi Inuyasha que preparou. Inuyasha, pode vir — completou Kazuko, levando a colegial a congelar sobre a cadeira. Lentamente, o hanyou colocou a cabeça para dentro do quarto, tão vermelho quanto seu quimono. Nas mãos dele, uma bandeja com um prato de comida e um vasilhame com a salada de frutas.

— K-Ka-Kagome, eu p-posso servi-la? — indagou ele, de um jeito cômico, o rosto quase todo escondido pela farta franja negra. À mocinha só restou dizer que sim, podia. Enquanto ele se aproximava com os alimentos, a mãe de Kagome se afastou, dizendo:

— Fiquem à vontade. Estou na torcida por vocês.

— Mas, mamãe... — ia dizendo Kagome, espantada.

— Ei, sua doida, espere! — protestou Inuyasha, nervoso ao ver que a mulher simplesmente piscou para ambos e saiu, fechando a porta.

O hanyou, então, depositou a bandeja sobre a escrivaninha e se sentou no chão, atrás da jovem. Ela, bem incomodada, virou-se para ele com uma expressão irritada.

— O que você está fazendo aí?

— Keh! O que acha? Esperando você comer, idiota. Você está pálida e não quis jantar conosco...

— Eu não estou com fome...

— Você tem que comer!

— Eu não quero! Não vou ter sossego enquanto você não me disser o porquê não pegou ainda os fragmentos da Joia que estão comigo e não voltou para sua amada Kikyou!

De um salto, Inuyasha se colocou de pé, colérico. Kagome se levantou também, fitando-o diretamente, o coração pesaroso.

— Estou aqui porque me importo com você, porra! Será que você, além de chata, é tão burra que não conseguiu perceber isso?

— É mentira! — e, por mais que ela se esforçasse, não conseguia mais segurar o choro. — Você não liga para mim, você... Só me vê como um detector de fragmentos...

— Cale a boca!

— Não calo! Já chega, Inuyasha, você não está nem aí para o que sinto! Eu estou cansada de você! Eu... Não gosto mais de você!

As mãos dele se fecharam e ela notou o quanto ele parecia um selvagem com aquele olhar faminto que a intimidava. E...

Que olhar é esse?”, perguntou-se ela, sem compreender o quanto o interior do híbrido borbulhava com os muitos sentimentos conflitantes.

— Você está mentindo, Kagome — revidou Inuyasha, dando um passo à frente. — Você não me engana, seu amor por mim não acabou de um dia para outro — completou ele, enfatizando a palavra “amor”, atordoando a colegial. Ela, aos poucos, começou a se afastar em direção à parede.

Ele sabia bem que o sentimento de Kagome por si era o mais puro e valioso amor.

— P-pois está enganado. Eu n-não amo você — gaguejou ela, se sentindo acuada e tentando fazê-lo desistir daquela conversa que já a estava desesperando. No entanto, um involuntário movimento da língua de Inuyasha nos próprios lábios fê-la estremecer por dentro. E, ao ouvi-lo falar mais baixo com sua voz cheia de emoção, ela se arrepiou:

— Kagome, sua maldita... Você admitiu que me amava mesmo quando o maldito Naraku te fez apontar uma flecha para me matar, ontem.

— Eu o quê?!?!

Evidentemente ele não diria a ela o que mais aconteceu e só expôs o que achava conveniente.

— É isso mesmo. Ele te enfeitiçou e te fez tentar me acertar com uma flecha purificadora. E... — os olhos dele brilharam, enquanto ele admirava cada detalhe daquele rosto adolescente diante de si. — E você disse para ele que não o faria, porque me amava.

Kagome desatou em soluços. Inuyasha fez menção de se aproximar, porém ela correu em direção à porta, querendo fugir. Apesar de estar em forma humana, os reflexos do hanyou ainda eram mais rápidos e ele a puxou pelo braço, postando-se perigosamente próximo. Ele a levou à parede e envolveu seu pulso na mão, sentindo que seu corpo explodia com aquelas inúmeras sensações novas devido à proximidade com Kagome. Ela, nervosa e chorosa, tentava se livrar dele a custo.

— Me s-solta! — soluçou a colegial. — Eu cansei, cansei! Não q-quero mais sofrer por sua causa! Pare com isso!

— Você não consegue mentir para mim — rouquejou ele de volta, meio desvairado, falando descontroladamente. — Sua chata do caralho... Você me traz um bem-querer, me faz feliz... Acalma a minha alma... Me faz sorrir... Aí, eu me lembro de que não posso sorrir e ser feliz sabendo que Kikyou morreu por minha causa e que ela voltou a esse mundo depois de tudo o que sofreu...

Ele agarrou Kagome pelos braços e a obrigou a fitá-lo. Em seus olhos agora muito humanos, uma amargura sem medida. Só então a jovem notou que ele também sofria.

— Você sabe, sua desgraçada, o quanto me sinto culpado? Ela morreu por estar comigo! Eu sou responsável pela morte dela. Você não sabe os planos que tínhamos, não sabe o quanto me feriu vê-la tão ferida, aqueles rasgos no pescoço e aquele olhar de ódio para mim... E, hoje, eu nem sei mais onde foi parar o sentimento bonito que a gente tinha um pelo outro. É só dor, só culpa. Ela quer que eu morra para que possamos ficar juntos no outro mundo... Eu não consigo me desligar dela, do nosso passado...

— Inuyasha...

— Mas eu não quero mais morrer por ela.

A afirmação fez Kagome ficar assombrada, enquanto arregalava seus olhos azuis em puro choque.

— Você o quê?

— Eu quero viver, Kagome — e Inuyasha deu mais um passo à frente, seu rosto a pouco mais de um palmo de distância do da morena. — Eu não sei direito o que sinto por Kikyou hoje em dia, mas sei bem... — o tom de voz baixou. — O que sinto por você.

— Saia de perto de mim — retrucou ela, trêmula. — Eu... Eu não quero nada com você, seu...

— Vá tomar no cu, maldita! Você um dia me disse que queria me ver feliz... E NÃO DÁ para eu ser feliz sem você, sua retardada!

— N-não...

Kagome estava a um passo de uma síncope, tal o seu torpor. O pior era ouvir aquelas palavras e sentir o corpo inteiro se retesar, naquele desejo incontido e louco de que Inuyasha a tocasse. Mas, não... Ele poderia fazê-la sofrer de novo e...

— Você me ama, Kagome... — reiterou ele, alvoroçado e ansioso. — E eu... Eu te am-

Osuwa- MMMMF! — a mão do hanyou foi mais rápida e tapou com força os lábios da mocinha.

— Keh! Vá se foder, sua maldita, eu não vou deixar você estragar esse momento... — ralhou Inuyasha, enfim puxando-a para si com o outro braço e colando-se nela, enquanto seu ser inteiro fervilhava com aquela emoção incontrolável. — Eu amo você, Kagome Higurashi... Sua burra...!

E a boca de Kagome foi destapada para ser coberta pelos lábios trêmulos e meio tímidos do híbrido, que a apertava em um abraço capaz de fazê-lo arrebentar de pura paixão. Paixão, entrega, amor. A mocinha, depois de alguns instantes paralisada, começou então a retribuir com singelos selinhos pousados com dulçor na boca carnuda e urgente que a fazia sucumbir ao descompasso do próprio coração.

O beijo fora breve e doce; interiormente o moreno comemorava o fato de ela demonstrar total inexperiência em relação àquilo. Para imensa satisfação de Inuyasha, ao que tudo indicava, este SIM era o primeiro beijo de Kagome, não aquela atrocidade cometida por Naraku no dia anterior.

E, agora que ele admitira seu amor por Kagome, se sentia bem mais livre. Mais intenso, mais destemido... E aceso, em todos os aspectos.

Ele queria viver!

Viver para ser feliz, sorrir, celebrar... Com ELA.

E Inuyasha, mesmo com toda a sua timidez e insegurança, decidiu que tomaria Kagome e a possuiria a fim de que ela conhecesse, além do prazer que ele lhe ofereceria, a vastidão de seu tão imenso amor.

 

***


Notas Finais


Hehe... Hehehehe...
Hehe HEHEHEHE HEHEHEHE HEHEHEHE ♫♪
https://www.youtube.com/watch?v=B-kx9YgItFY
E eu só na vibe da risadinha de retardado de Lord Voldemort #ViciadaEmMemesBobos HAUHAUHAUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAU

Cadê as leitoras NINJAS para comentar sobre um detalhezinho minúsculo que poderá mudar radicalmente o destino de um dos personagens envolvidos no desenrolar do enredo?!?!?!

Pessoal, sério. Eu tenho minhas dúvidas quanto à qualidade deste capítulo. Sei lá... Angst envolvendo uma personagem como Kagome me dá trabalho, acho difícil compor. Em todo caso, aguardo ansiosamente pelos pareceres de vocês.

[ENEM DA OKAASAN 2017] SOBRE UM POSSÍVEL HENTAI COMPLETO INUYASHA & KAGOME, O QUE VOCÊ LEITOR(A) DIZ?
( ) Não, uns rela-rela tá bom
( ) Sim, essa fic só tem nego furunfando mermo
( ) Não, fiquem só nos beijim mesmo e tá bom, chega de pootaria
( ) Não, eu só shippo Inuyasha & Kikyou e ainda torço pra eles ficarem juntos no final

AHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHUAH

Sério, não consigo parar de rir do vídeo do Voldemort! HEHE-HEHE! HEHE-HEHE!

Beijinhos da Mamãe @Okaasan


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