História The Infinite and Dark Space - Capítulo 16


Escrita por:

Postado
Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Allura, Hunk, Keith, Lance, Pidge Gunderson, Takashi "Shiro" Shirogane
Tags Keith X Lance, Klance, Voltron
Visualizações 164
Palavras 4.030
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


eita eita
nada a declarar
espero q goste~

Capítulo 16 - Estou Aqui


Fanfic / Fanfiction The Infinite and Dark Space - Capítulo 16 - Estou Aqui

• Pidge •

        Meninas lhe lançaram olhares tortos e meninos cochicharam entre si enquanto a analisavam. Pidge fingiu que não via e prosseguiu com as aulas normalmente. Porém, com o tempo, aquelas crianças se tornaram chatas, insuportáveis, abusivas e descaradas. A trataram mal por vestir roupas que não se adequavam ao padrão feminino a qual Katie Holt havia sido rotulada ao nascer. Seu psicológico se abalou e ela se obrigou a se adequar como uma garota mesmo não se sentindo bem com isso. Havia dias que odiava seus seios o traço delicado de seu corpo, havia dias que ela se sentia muito bem com esses fatores. Pidge estava começando a ficar confusa, até ocorrer uma conversa com seus pais e eles lhe dizerem que era normal para ela, nem todos eram assim, mas se ela se sentia diferente e queria se adaptar para se sentir bem, eles iriam ajuda-la. E eles lhe informaram que não era nenhuma doença o que ela passava, que Pidge era apenas gênero-fluido.

Após saber que sua família estava ao seu lado, Katie deixou de se importar com o que aqueles babacas de sua escola diziam. Ela reparou que nunca havia falado para Hunk ou Lance sobre isso, mesmo a conversa sobre tenha sido recente com os pais, no seu primeiro ano colegial. Eles sempre usaram o pronome feminino consigo, mas ela sempre se sentia como tal. Mas nos últimos dias seus seios voltaram a serem apertados com tops e suas roupas voltaram a serem mais largas. Os garotos repararam, afinal moram juntos, e como os pronomes femininos andam lhe deixando desconfortável, Pidge decidiu contar a eles, mesmo sabendo que seria confuso de início.

Contudo Lance havia levado Keith para o apartamento e seus planos de dizer a eles naquele dia foram adiados.

Pidge queria apenas que lhe chamassem por pronomes masculinos no momento e desejava que seus amigos entendessem, e como isso estava lhe incomodando, precisava conversar com eles urgente.

- Hey, Pidge? – Hunk bateu em sua porta.

- Entra aí grandão. – respondeu pausando a música no laptop. Hunk abriu  porta e sorriu.

- Você é pequenininha, poderia me ajudar com uma coisa?

Pidge piscou e respirou fundo, se coçado para não corrigi-lo. Ele assentiu e se levantou, seguindo Hunk até a cozinha.

- Deixei cair dois saleiros embaixo do armário. – o samoano agachou-se e apontou para o espaço escuro que ficava entre o armário e o chão. Pidge fez o mesmo e fitou, vendo o contorno de dois objetos. Enquanto se esticava para pega-los, Hunk perguntou: - Hey Pidge, estou quase certo de uma coisa, mas você pode me confirmar isso. Eu e Lance sabemos dos seus gostos por coisas masculinas, e do que você passou ano passado. E eu imagino que você seja...

- Ah, cara. Como você fez essa proeza de joga-los lá no fundo? – interrompeu o amigo enquanto tateava o chão gelado e esmagava a bochecha no armário. Hunk o fitou, surpreso. Após muito esforço Pidge retirou os dois saleiros do chão e se levantou. – Tome.

Hunk o observou, esperando alguma coisa a mais. Pidge não esperava ter que falar sobre isso de repente, e sem Lance junto. Ele respirou e arrumou os óculos.

- Certo, Hunk. Eu deveria ter falado isso com você há um tempo, mas enfim. Sou gênero-fluido. Eu sei que parece confuso demais, mas não se preocupe que eu não vou me chatear caso você erre algo sobre mim. Você sabe o que é gênero fluido, certo?

O samoano ajeitou seu moletom amarelo por trás do avental branco de gatinhos e aquiesceu. Pidge riu internamente.

- Acho que só pelas minhas roupas vocês já identificariam como me sinto. Isso é muito... ahn... estranho, dizer em voz alta, ainda para mim. Enfim. Precisa de ajuda em algo?

Hunk parecia entretido sem seus pensamentos. Pidge teve que cutuca-lo para que ele respondesse que adoraria a companhia dele na cozinha. Pidge sorriu e correu até o quarto, voltando com o laptop. Enquanto Hunk fazia um belíssimo bolo, uma conversa sobre o triangulo amoroso que envolvia Lance, Romelle e Keith se desenrolou.

Pidge se sentia feliz por Hunk não ter o olhado como se fosse um bicho de sete cabeças, não que esperasse algo assim, afinal Hunk era bem compreensivo e empático. Lance provavelmente demoraria a raciocinar e acabaria dizendo algo embaraçoso, mas nada fora do normal.

- E como estão seus projetos? – perguntou Hunk. Pidge arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos por trás dos óculos grandes.

Ele havia esquecido de sua pequena criação metálica em formato triangular. Após ter finalizado, acabara por esquecer após desligar e focou sua mente em outros problemas.

- Pidge? – Hunk virou-se mas o pequeno saiu correndo para o seu quarto. Logo achou o robozinho descansado em um canto. Ligou-o e voltou correndo para a cozinha. O grandão passou as mãos sobre o avental e arregalou os olhos.

- Isso é... um robô?

Pidge pulava de felicidade. Como pôde esquecer de seu mais novo filho? Enquanto seu robozinho começava a flutuar e a brilhar, ele abriu o laptop e entrou em um chat com Matt, chamando-o, iniciando ligações que sempre acabavam ignoradas.

- Minha Nossa, Pidge! – Hunk abriu um sorriso bobo. – Como você fez isso? Como ele consegue flutuar?

- Água. Vapor d’água e aquecimentos. Dentro dele há um núcleo de água que pode durar três dias, ele é isolado dos fios. Foi um projeto complicado que... Matt! Adivinhe só! – Pidge se interrompeu assim que seu irmão aceitou a chamada de vídeo.

- Pidge... Eu estava dormindo...

- Está pronto! Rover está finalizado há... Um ou dois dias. – ele sorriu sem graça e Matt estava congelado na tela, boquiaberto. Os olhos dos irmãos brilhavam.

Matt elogiou Pidge durante vários minutos, disse que aquilo era surpreendente para uma criança ter feito. A tecnologia que ele conseguiu criar juntando as que já existiam faria os professores de sua faculdade chorarem. Pidge fez Matt prometer que Rover continuaria com ele, mesmo depois da apresentação de seu projeto.

- Venha comemorar. Papai ficará extremamente feliz. – comentou o mais velho. Pidge desligou sorridente. Parte de si pulava de felicidade, a outra estava preocupada. As chances daqueles professores loucos de Matt quererem pegar o robô e leva-lo para longe de Pidge eram enormes, e ele não queria isso. Era uma conquista sua, um filho seu.

~~*~~

• Allura •

         A vida de Allura estava corrida, e ficou ainda mais de ponta cabeça quando foi visitar seu namorado no hospital. Ela quis quebrar o outro braço de Shiro por pura raiva e preocupação. Quando ele ganhou alta, ficou ainda mais sem tempo de ir vê-lo por conta do trabalho com o pai. Naquela tarde de domingo conseguiu tempo para respirar e aproveitou para visitar o querido. Soube por mensagens que a Sra. Takashi estava muito mal, e o hospital da cidade apenas complicou as coisas, quando na verdade era para ajudar.

Ao chegar na casa dos Takashi, avisou estar entrando ao abrir a porta da frente. A casa estava mais aquecida. O dia lá fora era apenas vento gélido e pingos aleatórios de chuva, que nunca diziam se viria chuva ou não.

- Aqui. – ouviu a voz de Shiro na cozinha. Os três estavam na mesa, com copos de bebidas que exalavam fumaça e cheiro de chocolate quente. Seu namorado sorriu. Ela retribuiu, fitando a mecha branca. Ainda não acreditava como ele tivera a coragem de fazer algo assim, mas charme que combinou com Shiro era surpreendente.

Sr. e Sra. Takashi sorriram docemente para sim. A mulher tinha uma expressão cansada e corada. O homem uma expressão tensa e inquieta, indicando preocupação constantes e dias sem dormir. Allura desejava tirar a dor deles, mas não possuía esse poder nesse mundo. Ela trocou um selinho com o namorado e retirou o casaco branco, sentando-se na cadeira entre Shiro e o pai.

- Está um frio de congelar os poros da pele, lá fora.

- Imagino. Sirva-se, querida. – disse a mulher, indicando a caneca de chocolate. Houve alguns minutos de silêncio saboroso com fumaças de bebidas quentinhas. Allura podia ler a expressão inquieta do namorado. Aquilo lhe agonizava.

- Então, Senhor-Eu-Acho-As-Motos-Seguras, como está a vida com um braço? – Allura esticou a mão morena e apertou de leve a de Shiro, que retribuiu.

- Com licença, mas eu nunca disse que motos são seguras. – ele arqueou as sobrancelhas. – Mas estou me virando bem, não é tão complicado.

- E a prótese? Já viu o quão cara é? Você terá que dar o outro braço para comprar uma.

- Seu pessimismo me dá calafrio.

Eles riram. Shiro explicou então que Matt, seu amigo, iria ajuda-lo com a prótese. No final poderia sair mais barata. Sr. Takashi comentou que os Holt eram amigos da família há um tempo, mas após a formatura da universidade dos meninos, deram uma afastada. Contudo, Shiro podia confiar em Matt e na qualidade da tecnologia que o garoto mexia.

Conversaram mais um pouco sobre como seria a cirurgia de Shiro, até a conversa levar aos exames da Sra. Takashi e a atmosfera se tornar quase palpável de tão tensa.

- Ahn... Deve haver um jeito de a senhora fazer esses exames sem ter que pagar esse absurdo de preço. É estupido e desumano.

- Keith disse quase a mesma coisa. Ele ficou tão furioso que o mandei ir esfriar a cabeça. – Shiro suspirou pesadamente e passou a mão pelo rosto, tomando o resto de seu chocolate.

- Está muito frio. Deveria ligar para ele para que volte. – disse Sra. Takashi.

- Desde quando Keith tem celular? – riu-se Allura.

- Comprei um para ele. Mas ele quase não usa. Às vezes o vejo mandando mensagens, contudo ele ainda não me falou nada sobre amigos.

Shiro puxou seu celular e começou a digitar.

- Bom, uma vez veio dois garotos aí. Imaginamos que seja os novos amigos. – comentou Sr. Takashi, levantando-se.

Allura sabia que Keith era um garoto complicado, mas ele era legal e com certeza teria arrumado amigos. Bom, e ainda tinha o crush dele.

- Oh... – soltou Shiro arqueando as sobrancelhas para a tela do celular.

- O que foi? – perguntou os demais e Shiro riu.

- Ele está bem e dentro de um lugar quente. Aposto que é quente.

Allura arregalou os olhos e o empurrou.

- Shiro! Olhe a privacidade do garoto.

Os pais ali presentes se entreolharam.

- Ele disse que logo voltará. – Shiro sorria e Allura negou com a cabeça. Seu namorado conseguia ser realmente um bobo.

Rezava para que os deuses ajudassem aquela família. Ela era a sua segunda. Não queria nem imaginar o que aconteceria com aqueles quatro se ocorresse a pior das hipóteses.  

~~*~~

• Keith •

         O japonês respirou fundo e fechou os olhos, abrindo-os ao suspirar. De repente um travesseiro lhe acertou em cheio no rosto e ele olhou surpreso para Lance.

- O bebê está muito tenso. – zombou e Keith riu internamente.

- Cale a boca, seu dançarino de segunda. – Keith devolveu o travesseiro e Lance riu alto.

- Você ao menos já me viu dançando, o Senhor-Todo-Perigoso?

- Olha, na verdade... Não, nunca vi. – Keith apoiou-se sobre os joelhos em cima da cama e esticou um sorriso de deboche. Lance preparou-se para um ataque. – Mas olha, acho que eu gostaria.

Lance sorriu, travesso.

- Eu te deixaria tão hipnotizado que você até esqueceria do próprio nome. – ambos se encararam em posições de ataque, como se a qualquer momento Lance fosse jogar aquele travesseiro em Keith e começaria uma guerra.

- Ah, sei. Da mesma forma como você fazia nas suas falhas tentativas de mágica quando pequeno? – Keith sentou-se sobre os pés.

- Minha Nossa, você lembra disso. – McClain riu alto e Keith não conseguiu segurar um sorriso sinceramente contente. – Bom, aposto que eu era tão bom em hipnotizar naquela época quanto você era no arco e flecha de plástico.

- Olha, não venha você falar das minhas habilidades de alvo!

Lance curvou-se, sorrindo com desafio.

- Está dizendo que eu sou ruim com alvos?

- Eu não sei. A carapuça serviu? – Keith sorriu com seus caninos, desafiador.

- Ora, seu...! – Lance pegou o travesseiro e jogou-se em cima do japonês.

Keith caiu para trás rindo e sentindo o peso do corpo de Lance sobre sua cintura. Suas mãos agarraram os pulsos de Lance, fazendo-o frouxar o travesseiro que Keith retirou em seguida de seu rosto, apenas para perde o folego no meio da risada com o rosto de McClain tão perto do seu. O cubano ria de olhos fechados e os cabelos castanhos caiam para baixo, encostando na testa de Kogane. Keith momentaneamente se esqueceu da posição embaraçosa que se encontravam e o sorriso bobo e distraído grudou em seus lábios como chiclete. Suas mãos ainda seguravam os pulsos de Lance, que apoiava a mão no colchão. O cubano se acalmou e abriu os olhos. Keith queria contar as estrelas perdidas naquele olhar. Ele se esforçou em ignorar o rosto corado. O sorriso de Lance sumiu e ambos sabiam que seus rostos estavam a menos de sete centímetros um do outro. Keith sentia a respiração de Lance em sua face e o coração dele batendo sobre seu peito. Nunca ficara tão perto de alguém na sua vida e nunca tivera aquela sensação de adrenalina e ansiedade com alguém.

Kogane fitou os lábios finos de McClain e reparou que ele fazia o mesmo com os seus. Os centímetros entre seus rostos começaram a diminuir com os segundos que se passavam e Keith sentia que seu coração pararia uma hora. Lance mexeu suas mãos lentamente sobre as suas, colando suas palmas e quase entrelaçando seus dedos. Um centímetro. Keith já não podia dizer qual respiração era de quem ali. O cheiro de amaciante e protetor solar misturou-se com o seu perfume adocicado e então...

O celular em seu bolso vibrou. Teria ignorado, se tivesse vibrado apenas uma vez. Mas fora mais de três em sequência. Lance levantou o olhar de sua boca para seus olhos e Keith notou-o corar. O cubano se levantou, ficando sobre sua cintura e então jogou a perna direita para o lado e saiu completamente de cima de si, ficando em pé. Ele pigarreou algumas vezes e Keith sentou-se, puxando o celular do bolso.

Pelos sete infernos! Nós íamos... Nós realmente... Ah, Deus!

Era uma mensagem de Shiro, perguntando onde ele estava, se estava bem e vários pontos de interrogação. Kogane cerrou o punho e os dentes. Se Shiro não fosse alguém tão especial para si, iria faze-lo dormir de novo em uma cama de hospital quando saísse dali. Respondeu as mensagens com os dedos trêmulos e levantou-se.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Lance, puxando algo de uma das gavetas.

- Ahn? Ah... N-Não. – a vergonha enorme começava a se posar de Keith e ele desejou sair dali o quanto antes.

- Ainda bem. Ahn... Bom, tome. É velha, gasta, mas... Importante. – Lance virou-se para ele com uma foto em mãos. Keith não a reconheceu, mas a pegou.

McClain o acompanhou até a porta e da cozinha, Hunk gritou:

- Mas já? Não quer esperar o bolo ficar pronto, Keith? Não vai demorar. – o grandão apoiou-se no balcão que dividia a sala da cozinha e Pidge fitou-os da mesa.

- Eu... Eu tenho que ir. Quem sabe na próxima. – Keith apenas abaixou o olhar e abriu a porta. Lance o levou até o elevador e os dois trocaram olhares constrangedores. – Lance, eu...

- Não precisa dizer nada. – riu-se o cubano. – Nos vemos amanhã? Ainda tem alguns trabalhos, né?

- É, eu acho.

Eles trocaram sorrisos amarelos e a porta do elevador se fechou. Kogane encostou-se na parede revestida de pano vermelho e esfregou o rosto, jogando a franja para trás. Seu coração ainda estava acelerado e suas mãos tremiam. Não acreditava que aquilo realmente havia acontecido. Não chegaram nem a sequer encostar os lábios, mas só toda a situação, já poderia gritar como um gay perdidamente apaixonado e doido.

O elevador parou e a porta se abriu.

Ah, Vida. Como você é uma puta sacana.

- Novato? – a loura à sua frente arqueou as sobrancelhas e Kogane desejou morrer ali mesmo. Por Hades e Lúcifer, esquecera daquela garota intrometida. Se não fosse por ela, ele e Lance já estariam na terceira etapa de sua relação. Porra, McClain, por que tão burro também?  

Keith não respondeu e passou reto. Era um costume seu com pessoas que desgostava ou com estranhos. Romelle era do mesmo colégio que ele, então levaria aquilo como comum.

 

Ao chegar em casa, os presentes na cozinha lhe receberam com sorrisos. Keith havia perdido o animado ao ver que Romelle estava indo visitar Lance logo após ele ter saído. Sua mãe estava doente e Allura estava ali, precisava esquecer isso, mesmo que as cenas no quarto de Lance ainda estejam flutuando em sua mente e a sensação da cintura dele sobre a sua ainda faça sua coluna arrepiar.

- Minha Nossa, parece que atropelaram um gato na sua frente. – Shiro riu baixinho e Keith revirou os olhos.

- Oi. – Allura sorriu para si e Keith deu um meio sorriso rápido, servindo-se da bebida quente. Os demais de entreolharam.

O celular de Shiro vibrou sobre a mesa e Kogane segurou-se para não pega-lo e jogá-lo pela janela da cozinha. Se não fosse por aquele aparelho, as coisas teriam ido para melhor no quarto de Lance. Shiro atendeu. Pela conversa, era algo importante que lhe deixou animado. Ao desligar, disse:

- Matt disse para eu ir na uni amanhã de manhã para medirem meu braço esquerdo. Ele disse que conseguiu o material e um profissional na área. Eu terei um braço robótico. – ele sorriu animado. Allura e os pais comemoraram.

- Será que seu braço novo vai ter habilidades especiais? Como lançar lazer pela palma? – Keith bebericou de seu chocolate.

- Ah, com certeza. Até por que, será bem útil. Dã. – Shiro revirou os olhos e Keith riu baixinho.

Kogane fitou a mãe de canto. Ela estava mais pálida e seu rosto com expressões cansadas. Seu coração, que havia se acalmado, doeu no peito. Ainda teria que pensar numa forma de ajudar a pagar os exames dela.

~~*~~

• Lance •

- O que foi? – o cubano sentou-se à mesa. Pidge cruzou os braços e encostou-se na cadeira, estreitando os olhos. – O que há?!

Hunk riu e puxou o bolo de dentro do forno.

- Você denuncia amasso, seus olhos denunciam contato próximo. Ouvimos algumas risadas altas e então um silêncio repentino.

- Credo, gente. – Lance franziu o cenho e encostou o queixo na mesa. – Os sons escapam tão altos assim?

- Minha Nossa, espero que não. Imagine... Não quero estar aqui quando você e Keith estiverem indo para sei lá, terceiro ou quarto passo dessa relação.

- Katie! – berrou o cubano corando até as raízes do cabelo. Os olhos de Pidge flamejaram e ele retirou os óculos. Hunk virou-se para eles. – Ah, meu Deus, você fica pensando nisso.

- Foi só um comentário. – riu-se ele, revirando os olhos. – E não me chame de Katie, Lance. A propósito, sou gênero-fluido.

Hunk sorriu, arqueando as sobrancelhas e começou a fatiar o bolo. Lance abriu a boca, mas tornou a fecha-la e franziu o cenho.

- Gênero... O que?

- Sabia. – riu-se o pequeno, voltando a mexer as pernas embaixo da mesa. Hunk virou-se para eles e colocou sobre a mesa o bolo. – Hm, isso parece delicioso.

- Não querendo me gabar, mas está mesmo. – Hunk sorriu empolgado e abocanhou um pedaço. Lance continuou parado, com uma clara expressão de confuso.

Seu coração havia se acalmado dos momentos anteriores e sua mente até então nebulosa e embraçada, focou-se no que Pidge havia dito. Sabia o que era gênero-fluído. E suspeitava que Pidge realmente fosse. Mas era algo que ele não dava muita importância. Aquela declaração lhe pegou desprevenido.

- Ah... Então hoje, pelo que posso ver... Ahn...

- Num precisa faze sacara, Linci. – riu-se Pidge, com a boca cheia de bolo. Lance piscou. – Com o tempo você se acostuma.

- Ah, ok...

Eles saborearam o bolo em silêncio. Lance imaginou como teria sido se tivesse beijado Keith. O que teriam feito depois e se eles estariam comendo bolo juntos agora. A campainha tocou, lhe interrompendo.

- Eu atendo. – disse Hunk, levantando-se.

Lance fitava a porta. Era Romelle.

- Olá, galerinha. Desculpe ter vindo sem avisar. – ela sorriu, aproximando-se. Algo dentro de Lance começou a soar como arrependimento. O que aconteceu com Keith, teria sido uma traição? Podemos considerar aquele quase beijo uma traição? – Amorzinho, está tudo bem?

Lance arqueou as sobrancelhas e a olhou, forçando um sorriso despreocupado.

- Sim, só estava pensando na minha apresentação.

- Ah, não vejo a hora de te assistir dançando. Você é muito bom nisso. – ela sentou ao seu lado.

- Talvez no final ele quebre a perna? – Pidge encheu a boca de bolo.

- Vou quebrar a sua. – murmurou Lance e o outro riu.

- Já avisou seus pais? – perguntou Hunk, se aproximando.

- Oh... Irei fazer isso amanhã. – respondeu ele e sua coluna se arrepiou só no pensamento de ter que ver o pai.

Romelle e os demais entraram em conversas, mas Lance não conseguia tirar sua mente do quarto. Nunca havia ficado com um garoto, e o fato de o primeiro ser, supostamente o amor da sua vida, lhe dava frio na barriga. A culpa em relação a Romelle pousou em seu ombro. Droga, precisaria conversar com ela. Depois do que houve, Lance percebeu que não conseguiria levar aquele relacionamento dado ao fracasso por mais tempo. Precisava poupar Romelle de um sofrimento maior. De canto, reparou que Pidge havia percebido sua inquietude e entrou na conversa.

Amava um garoto, e precisava de desculpar com uma garota. Sua apresentação de dança estava próxima e precisava praticar e se focar. Além de engolir o medo e ir ver sua família, para convida-los para o show.

 

Na manhã seguinte, entre o intervalo da segunda aula, McClain entrou no banheiro e fitou seu reflexo. Precisava acumular coragem para falar com Ro e ir ver o pais depois da escola. Estava prestes a partir o coração de sua melhor amiga e enfrentar seu pai depois de semanas. Lance não fazia ideia do que esperar.

- Olha, um tritão perdido por aqui.

O cubano fitou o reflexo de Keith e um sorriso involuntário abriu e seu rosto. Calma... Havia algo errado.

- O que é isso no seu rosto? – Lance virou-se e se aproximou de Keith, que imediatamente levou a mão ao rosto. Havia um machucado em seu maxilar que ia quase até a bochecha, do lado direito. Kogane se afastou um passo.

- Nada. – sua expressão fechou-se.

- Alguém aqui do colégio te machucou? – insistiu, franzindo do cenho. Keith também o fez e fechou os olhos.

- Esqueça. Não é da sua conta.

- Kogane, está na sua cara que algo muito ruim aconteceu. Você sabe que pode contar comigo.

Os minutos de silêncio foram quebrados pelo sinal tocando. Porém nenhum dos dois se mexeu. Lance se sentia apreensivo. Sabia que as pessoas naquele colégio poderiam ser homofóbicas, e isso lhe deixou ainda mais preocupado.

- Keith...

- Foi uns caras. Eu já estou acostumado com isso.

- Daqui?

- Não, dá rua. Eu já os conhecia do tempo em que estava no orfanato. São uns cretinos, nada mais. Se irritaram por eu ter virado “filhinho de papai”, e quiseram descontar a raiva.

- E você revidou.

Keith riu nervoso e revirou os olhos.

- Óbvio. Eu já estava frustrado com umas coisas, também descontei neles.

Lance respirou fundo e passou a mão pelo cabelos, apoiando a outra na cintura. Keith cerrou os punhos e franziu o nariz. Ele estava segurando sentimentos pesados demais. Talvez Lance não entendesse, mas não aguentava o ver assim. Keith não era de demonstrar sentimentos assim, na frente de alguém. Ele estava abalado demais. Inconscientemente puxou Kogane e o abraçou. De início, o japonês ficou tenso, recusando o contato, até seus braços se largarem ao lado do corpo e um soluço escapar dos lábios. Lance o apertou contra si.

- Tudo bem. Eu estou aqui. Por favor, conte comigo.

•  •  •


Notas Finais


Cara ficar com blockcriativo é um sacooooo
nossa quase chorei de frustração
me desculpem se ficou ruim, eu particularmente até gostei~
e aparentemente quando as coisas estão bem elas PIORAM
nossa podem me bater uhdsajbakba

AAA MDS E CHEGAMOS A +100 FAVS
OBG MEUAMORESFADASLINDAS AMO VCS SZSZSZ
TO MT FELIZ RSRSRS <3

espero q tenham gostado
até o próx~


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...