História The Kim - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Bottom!jungkook, Minjoon, Namkook, Taegust, Taekook, Top!namjoon, Top!taehyung, Triângulo Amoroso, Vkook
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Palavras 8.762
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores! Bom, estou aqui postando essa fanfic depois de anos (literalmente) com ela nas notas e, finalmente, eu consegui desenvolvê-la como eu queria e deixar tudo bonitinho.

Um pouquinho sobre The Kim: ela vai ser uma história leve, bem "familiar", porém, com bastante intrigas e conflitos.

É uma fanfic TAEKOOK, contudo, quero que fique claro de antemão que terá muito Namkook por conta do plot em si. Sim, terão cenas reservadas para Namkook e até mesmo lemons detalhados do casal. Se não gosta, por favor, não leia. Não quero ninguém xingando o ship nos comentários, okay?

Em relação ao desenvolvimento de Taekook: eu não curto muito slow burn, mas nessa fic as coisas não poderão acontecer muito rápido por motivos óbvios. Esperem que o ápice virá.

AVISO DE SUMA IMPORTÂNCIA

Não sei se isso pode ser considerado um spoiler (talvez sim) mas, em um dado momento da história, haverá um adultério. MAS CALMA! Isso não será recorrente. Traição é algo que eu não apoio, mas que será retratada na fic, mas não como algo bonito, okay? Então, estão avisados.

Ainda não sei como serão as atualizações, mas creio que semanais, assim como acontece com Sangue Secular, esta que ainda é o meu principal projeto, então sempre irei priorizá-la. Quando SS terminar, The Kim será minha fanfic principal e eu focarei 100% nela, então, por hora, vamos um pouco com calma haha.

É só isso, meus anjos. Agora fiquem com o primeiro capítulo!

Capítulo 1 - Enquanto o Tempo Passa


 

O dia estava agitado. Toda a família Kim corria de um lado para o outro na tentativa de deixar tudo pronto para o aniversário de 9 anos de Kim Namjoon, o filho mais velho dos Kim. 

O rapazinho era um tanto avançado para sua idade, porém não dispensava os festejos de uma festa de aniversário, afinal, por mais prodígio que fosse, ainda era uma criança. Os convidados aos poucos iam chegando e enchendo o belo jardim da rica família — esta composta por um renomado médico cirurgião e uma famosa publicitária, justamente com os dois filhos — que preparou tudo especialmente para ver feliz aquele menino que tanto enchia suas vidas de alegria. Convidaram todos os amigos de Namjoon, desde primos próximos e distantes à tias chatas que iriam perguntar das namoradinhas, mesmo ele tendo apenas recém completados 9 anos.

A mãe de Namjoon estava há horas correndo o risco de bagunçar o adorável penteado que usava em seus cabelos na busca pelo filho, que sabe-se lá Deus onde se encontrava. Os amigos de Namjoon já estavam quase todos lá ocupando os brinquedos alugados para animar a festa, como o divertido pula-pula que estava um pouco distante da mesa de doces. O bolo estava colocado sobre a mesa principal, a música tocava, mães e pais se cumprimentavam… Só faltava o rapazinho fujão. 

Quando Minjoo colocou o pé no primeiro degrau da escada para enfim procurar seu primogênito no andar de cima da grande casa, ela pôde ouvir o que mais tarde se tornaria um de seus maiores problemas. 

— Larga! — A voz de Namjoon pôde ser ouvida. Minjoo soltou um suspiro cansado, pois já sabia o que iria encontrar quando abrisse a porta do quarto logo a sua frente, e foi o que aconteceu. 

Namjoon segurava um sapato fielmente contra seu peito, enquanto o irmão dois anos mais novo tentava a todo custo tirá-lo de si. Kim Taehyung era seu nome, um rapazinho de cabelo tigelinha que sempre deu bem mais trabalho a Minjoo. Dava a mesma criação aos dois, mas não conseguia entender o problema que aqueles dois tinham quando se tratava um do outro. Na primeira oportunidade estavam se engalfinhando pela casa por qualquer coisa. Aquilo a preocupava. 

 

— Eu já disse pra soltar! O sapato é meu! — Namjoon gritou com o irmão, que lhe olhou zangado. 

— Não é! Esse é o sapato que a tia Jisoo me deu de natal! — Taehyung rebateu. O Kim mais velho subiu em sua cama e arqueou o sapato bem alto, assim o irmão não iria conseguir pegar. Minjoo observou a cena por alguns segundos até tomar a frente da situação. 

— Parem com isso os dois — falou baixo, mas autoritária. — O que está havendo aqui, mocinho? — Perguntou diretamente ao mais novo, que possuía já lágrimas nos olhos. 

— Bebê chorão — resmungou Namjoon ainda em cima da cama. Felizmente Taehyung não pôde ouvi-lo, caso contrário, outra briga iria se iniciar. 

— O hyung pegou o sapato que eu ia botar. Ele só fez isso pra me irritar, mamãe! — Cruzou os bracinhos, formando um bico adorável nos lábios. Sua mãe olhou feio para o mais velho, esperando uma explicação. Namjoon se indignou com a mentira que o mais novo contava, descendo da cama e ficando frente a ele. 

— Mentiroso! Você sabe que esse sapato é meu, a mamãe separou pra eu usar no MEU aniversário — mostrou a língua para Taehyung que o empurrou, logo lançando-o um olhar de fúria. 

— Já chega! — Minjoo disse, pondo um fim naquela discussão. — Namjoon, me dê o sapato — pediu na intenção de examinar o calçado e saber a quem pertencia. O mais velho lhe entregou convicto, como se soubesse que não tinha nada a temer. — Kim Taehyung, esse sapato é do seu irmão. Por que está dizendo que é seu? Por acaso não tem um armário cheio de sapatos para escolher? — A matriarca da família disse firme e Taehyung lhe olhou ainda com um bico fofo, mas que infelizmente não tinha nenhum poder com a mulher a sua frente. 

— Eu… Eu… Eu queria esse! — Esbravejou, batendo o pé no chão e deixando lágrimas escorrerem. 

— Taehyung, hoje é o aniversário do hyung e ele vai usar o sapato que é dele, filho. Nada de chorar, você já é um rapaz e não deve querer aquilo que não é seu — conversou com o filho da maneira mais didática que podia. Não deveria deixar a criança cobiçar coisas alheias, aquilo era inadmissível para ela. — Venha, vamos escolher um sapato bem bonito pra você — pegou na mãozinha do filho de apenas 7 anos. Por mais que fosse rígida com ele pela rebeldia precoce, Taehyung ainda era seu bebê. — Termine de se arrumar e desça, Namjoon — ia continuar andando, mas, vendo ainda a carinha emburrada do seu mais velho, decidiu animá-lo um pouco. — O Jeongguk já chegou, melhor se apressar — e, com essas meras palavras, o rosto do pequeno Kim se iluminou, e calçar o sapato para poder finalmente encontrar Jeongguk no andar de baixo se tornou sua missão de vida. 

Quando todos já estavam devidamente prontos, Namjoon chegou ao jardim, sendo recebido por vários convidados que lhe encheram de carinhos e presentes. Os olhinhos infantis procuravam por todo o local aquele que ele realmente queria ver, mas ainda não tinha encontrado. 

— P-parabéns, hyung… — Pôde ouvir uma vozinha baixa e com uma pronúncia engraçada soar aos seus ouvidos. Viu a sua frente um pacote de presente sendo apoiado por duas mãozinhas pequenas e sorriu em resposta ao garotinho envergonhado que lhe entregava o mimo. 

— Obrigado, Jiminnie — recebeu o pacote e viu as bochechinhas do garoto ficarem vermelhas. Ele usava um adorável conjuntinho de marinheiro e sapatinhos brancos que lhe deixavam mais adorável do que já era normalmente. Os olhos de Namjoon, contudo, não eram direcionados a ele, continuavam procurando a figura de outro rapazinho por aí. — Arn… Você viu o Gukie? — Indagou a Jimin que ficou um pouco confuso com o apelido, mas logo percebeu de quem o mais velho falava. 

— E-Ele tava brincando no pula-pula c-com o TaeTae — Jimin tinha um probleminha na fala que o fazia gaguejar e, desde que aprendeu a falar, sua mãe o levava à fonoaudióloga, mas a característica continuava até hoje, o que fazia o pequeno ter certa vergonha de falar com as pessoas, deixando-lhe cada vez mais tímido e introvertido.

— Eu vou lá falar com ele, tchau — sorriu uma última vez para o rapazinho e correu até o pula-pula onde iria encontrar Jeongguk e, claro, seu irmão. Deixou o presente com sua mãe no caminho e ela o colocou na cestinha onde estavam acumulados todos os presentes que havia recebido. 

— TaeTae! Tá fazendo cosquinha!  — Sorriu ao ouvir a vozinha de Jeongguk, mas seu sorriso logo morreu ao ver com quem o garoto estava brincando: Taehyung, este que mexia os dedinhos nas axilas do Jeon para que ele gargalhasse sem parar enquanto estavam deitados no pula-pula. 

— Você é chato, Taehyung. Ninguém gosta de cócegas. — Namjoon falou já subindo as escadinhas do brinquedo. Seu irmão olhou feio para ele, como se o Kim mais velho estivesse atrapalhando sua brincadeira com Jeongguk. 

— Nam! Parabéns, parabéns! — Foi pulando desengonçado até o amiguinho, o abraçando fortemente e deixando-lhe um beijinho na bochecha. 

— Chegou o estraga prazeres. — Taehyung se amuou, mostrando a língua brevemente para o irmão, este que recebia os parabéns animados do mais novo entre eles. 

Jeongguk tinha só 6 anos, mas era praticamente criado junto aos irmãos Kim. As mães dos garotos eram melhores amigas de infância e moravam no mesmo condomínio. Casaram quase na mesma época e seus filhos tinham idades parecidas, o que fazia com que Jeongguk crescesse ao lado de Taehyung e Namjoon e os irmãos e sempre adoravam a companhia do garotinho mais novo, que era sempre fofo e carinhoso com os dois. Jeongguk era mais apegado a Namjoon, apesar do primogênito ser 3 anos mais velho. Namjoon cuidava dele e o mimava, já Taehyung gostava de brincar de lutinha com o Jeon porque sabia que venceria, mas no geral, se davam bem.

— Tia Haesoo não gosta que você fique sozinho com o Gukie, você machuca ele — Namjoon, como já dito, protegeu o pequeno, que, assim como os irmãos, sentou com as pernas dobradas no pula-pula. 

— Você que tá inventando isso — Taehyung rebateu, revirando os olhinhos. Jeongguk não entendia muito bem do que estavam falando. Ele sempre ficava meio perdido no assunto dos irmãos por ser o mais novinho. 

— Não tô! Você vive querendo brigar com ele. 

— A gente brinca de luta, né, Gukie?! — O pequeno assentiu. Isso ele entendia. — Para de ser chato. 

— O Jeongguk não gosta de brincar de luta com você, ele prefere quando eu leio histórias pra ele — pegou na mãozinha do menor e olhou desafiador para o irmão que retribuiu seu olhar. 

— Ah, é?! Então vamos ver. De quem você gosta mais, Gukie? Do Tae ou do Nam? — Jeongguk pareceu meio perdido quanto a pergunta. Alternava os olhinhos de jabuticaba entre os irmãos na intenção de escolher, mas estava confuso. Precisava dizer aquilo? Não gostava mais de um do que do outro, os dois eram seus hyungs preferidos no mundo. 

— Arn… Dos dois! — Foi o que disse, e abriu um sorrisinho cheio de dentinhos de leite, esperando que aquilo fosse o bastante, mas não foi. 

— Não pode ser dos dois. Tem que escolher um só — Namjoon disse, olhando para o pequeno que começou a pensar de novo. 

— Não quero mais brincar, vamos comer bolo — Jeongguk ia se levantar, mas Taehyung puxou seu braço com pouca força para que ele ficasse onde estava. O Jeon fez uma caretinha pelo movimento repentino, o que para Namjoon já bastou. 

— Viu? Você machuca ele, seu bruto! — Taehyung ficou indignado com as palavras do irmão. Hoje estavam impossíveis. 

— Eu não machuco ele, seu idiota! Eu vou contar pra mamãe que você você fica inventando coisas!

— Ai, vocês ficam brigando — Jeongguk formou um bico bonito nos lábios. — Não gosto quando os hyungs brigam.

Namjoon e Taehyung se olharam como se percebessem o que estavam fazendo. Não queriam que seus desentendimentos afastassem Jeongguk deles, mesmo que, na época, aquilo fosse algo bem inconsciente. Deixaram o orgulho de lado por um instante e pensaram no amiguinho que já começava a se emburrar. 

— Descupa, Gukie. Não vamos mais brigar, tá bom? — Namjoon disse e Taehyung concordou com a cabeça. 

— Promete? — O pequeno pediu uma confirmação. 

— A gente promete. — Respondeu Taehyung. 

 

6 anos depois 

 

— E isso é bom? — Perguntou o jovem Jeongguk à pessoa que ele mais confiava no mundo. Namjoon estava a sua frente no sofá, olhando-o em expectativa. O Kim mal pôde acreditar quando Jeongguk chegou em sua casa há alguns minutos pedindo para que Namjoon o ensinasse a beijar. Era bem estranho o pedido do garoto, já que o Kim mais velho sempre viu o Jeon como um bebê, mas ele já estava com quase 13 anos e estava se tornando um rapaz lindo. Era normal que, nessa idade, ele começasse a querer aprender as coisas da vida, e saber que o rapazinho lhe confiava a honra de ser a primeira pessoa a tocar seus lábios era gratificante. 

— É sim, Gukie. No começo é um pouco nojento, sabe? Mas depois fica bom… Muito bom… E depois só melhora — os amigos riram, Jeongguk esquecendo por breves instantes o nervosismo que lhe consumia. 

— É que... Sei lá… — Mordeu os lábios por um instante, pensando mesmo se queria fazer aquilo. — Todo mundo na minha sala já beijou, menos eu. Não queria sair beijando qualquer pessoa, então eu pensei em você… — Sorriu pequeno. Jeongguk tinha a mania de extremos. Haviam horas em que mal se ouvia a voz do garoto, outras, ele desandava a falar. E Namjoon ouvia todas as palavras com atenção, pois tudo que Jeongguk falava era importante para ele. 

— Fico feliz que tenha me escolhido, Jeongguk. Espero que você não se arrependa depois, não quero que você ache que não fez a coisa certa — Namjoon tentou alertá-lo, porém o mais novo negou e sorriu com aqueles dentinhos proeminentes que lhe deixavam adorável. 

— Não vou achar. Confio em você, hyung — dito isso, ambos ficaram sérios. 

Namjoon suspirou por um momento e analisou o rapaz. Jeongguk, mesmo ainda tão jovem, era incrivelmente lindo. Seus cabelos pretinhos caiam sobre a testa, os olhos eram grandes e negros como a noite. Os dentes da frente eram um tanto maiores quanto o restante, os lábios rosados naturalmente, e o sorriso… Ah, aquele sorriso de Jeongguk fazia o coração do Kim mais velho disparar.  

 

Namjoon se aproximou mais dele, tocando em sua nuca levemente, o que fez o menor fechar os olhos e suspirar, sentindo um arrepio passar pelo seu corpo. O mais velho fez um leve carinho naquela região, tentando relaxar o garoto que estava nitidamente nervoso. Namjoon cheirou seu pescoço lentamente, sentindo o aroma adocicado que Jeongguk exalava — ele sempre foi muito sensível a cheiros, então usava perfumes muito suaves — e foi levando seus lábios até a bochecha alheia, deixando um pequeno beijo naquela região, logo beijando o canto da boca do Jeon e, antes de chegar ao destino desejado, Namjoon falou: 

— Não aceite menos do que isso de ninguém. — Jeongguk prendeu a respiração e, por fim, sentiu os lábios fartos do melhor amigo se chocarem contra os seus. 

A boca de Namjoon era macia ao extremo e lhe fazia arrepiar. Quando o mais velho fez o primeiro movimento, tudo só se intensificou. Tentava seguir os movimentos lentos que Namjoon fazia e, quando o maior invadiu sua boca com a língua esperta, Jeongguk se assustou um pouquinho, mas logo entendeu que aquilo fazia parte. Ele tentou fazer o seu melhor e sugou o músculo para dentro de sua boca lentamente enquanto segurou em seus cabelos na tentativa de imitar o que o mais velho fazia.

Jeongguk só foi descobrir o que aquele movimento causou em Namjoon anos depois… 

Ficaram se beijando por mais alguns minutos, o bastante para Jeongguk descobrir que, nossa, aquilo era uma delícia. Bem, a troca de salivas não durou muito mais, já que ambos se separaram em um estalo audível quando escutaram uma voz tão conhecida. 

— Cuidado, Gukie, o Namjoon não é flor que se cheire — Taehyung descia as escadas despreocupadamente enquanto comia um sanduíche já pela metade. O peito desnudo e a samba-canção que usava lhe deixava com uma aparência desleixada, sem contar os cabelos desgrenhados caindo por seus olhos.

— T-Tae? Olha, não é nada disso que você tá pensando — Jeongguk tentou se explicar, limpando a boca molhada com sua saliva e a de Namjoon. 

— Sai daqui! — Namjoon ferveu de ódio. Taehyung tinha que estragar até um dos melhores momentos de sua vida com seu sarcasmo idiota. 

— Tá nervosinho? — passou rindo por detrás do sofá e se desviou de uma almofada que fora lançada contra ele por Namjoon. — Podem continuar se pegando, mas não venha chorar pra mim quando ele quebrar seu coração, Gukie — Jeongguk nem conseguia falar nada diante das frases cheias de humor ácido provindas de Taehyung, só sentia suas bochechas corarem.

O Jeon saltou do sofá e foi até onde o mais novo dos Kim estava, pegou em suas mãos que já se viam livres do sanduíche e olhou em seus olhos.

— Não conta pra minha mãe, hyung — formou um bico e apertou os olhos pidões, inocentemente aquilo desmanchava qualquer um. Taehyung olhou para Namjoon e via que o mais velho lhe olhava com uma expressão matadora.

— Pode deixar, Gukie, não vou falar pra ninguém. Mas se eu fosse você, não caia no papinho do meu irmão — Jeongguk sorriu pequenino, Taehyung sempre o compreendia apesar de tudo, afinal, o problema do rapaz era apenas com Namjoon.

— Obrigado, hyung — abraçou seu corpo desnudo de camisa, fazendo Namjoon sentir seu coração ficar pequenino dentro do peito. Odiava quando Jeongguk e Taehyung tinham muito contato corporal. — Não vou cair — segredou baixinho apenas para Taehyung ouvir, sorrindo logo em seguida. 

— Garoto esperto — fez um leve carinho com a ponta dos dedos na parte interna do queixo do mais novo.   

5 anos depois 

Mesmo depois da leviana promessa feita a Taehyung, Jeongguk não resistiu aos encantos do Kim mais velho e, sim, caiu em seu “papinho”.

É, seu coração não conseguiu ser forte perante às covinhas fundas e o olhar penetrante.  Ele havia roubado seu coração logo no primeiro beijo que trocaram e, depois daquele, veio outro, e depois vários, até o Kim ir até a casa da família Jeon e pedir aos pais de Jeongguk para permitirem o namoro sério dos dois, afinal, o mais novo tinha apenas 14 anos na época. O senhor Jeon relutou um pouco no início, mas logo depois aprovou, sabendo que Namjoon iria cuidar do seu garotinho, e Haesoo, sua mãe, aceitou com um sorriso no rosto, dizendo apoiar cegamente aquela relação. 

Jeongguk saiu do banho completamente exausto do dia cheio que teve no colégio. Chegou em casa já quando o crepúsculo aparecia no céu e, quando enfim pôde tomar um banho relaxante, sentiu seus nervos agradecerem. 

Ainda apenas de toalha, pegou o celular na banquinha onde ficava seu notebook e todos os seus materiais escolares e abriu no aplicativo de mensagens para poder se comunicar com o namorado.

Você: 

Boa noite, meu amor. 

Desculpa eu não ter te dado atenção hoje, o dia foi cheio :( 

Eu acabei de tomar banho e agora vou dormir, tá bom?

Eu te amo! 

Amor da minha vida: 

Tudo bem, bebê, não se preocupe.

Durma bem. 

Eu te amo muito, meu amor <3

 

Jeongguk sorriu ao ler as mensagens e enviou dois emojis de corações vermelhos, bloqueando o aparelho celular em seguida. Foi até o armário enorme e pegou uma camisa preta que ficava muito grande em seu corpo e uma calça moletom, vestindo as peças de roupa e se jogando na cama de casal do seu quarto. 

Com o cansaço, havia esquecido até mesmo de apagar a luz, deixando a lâmpada iluminar todo o grande quarto. Ele estava quase pegando no sono abraçado com seu travesseiro quando ouviu um barulho vindo da sua janela. Como sempre teve um sono leve, não custou para que Jeongguk abrisse os olhos e se atentasse ao som que vinha de fora. 

Alguém estava tentando forçar sua janela e entrar no quarto. Ele gelou. 

Suspirou e tirou as cobertas de cima do seu corpo e, lentamente, alcançou o taco de beisebol autografado pelos Los Angeles Angels que seria utilizado como arma para nocautear quem quer que estivesse querendo entrar no seu quarto. 

Chegou perto da janela justamente quando a pessoa conseguiu colocar um pé para dentro do quarto com dificuldade por conta da altura e, automaticamente, Jeongguk elevou o taco para bater naquele miserável. 

  — AHHHHHHH! — Os dois gritaram na mesma hora. Jeongguk por conta da adrenalina de bater em um ladrão e a pessoa pelo susto de ser ameaçado por um taco de baseball. 

— Não me bate, sou eu! — Ergueu as mãos quando já estava completamente dentro do quarto. 

— Taehyung?! Meu Deus, seu maníaco! O que está fazendo aqui entrando pela janela?! — Jeongguk gritou, vendo a figura do seu cunhado bem na sua frente, parado de frente para si. O Jeon colocou a mão sobre o peito e suspirou aliviado, deixando o taco escorado na parede.

— Ia mesmo me atingir com seu taco dos Los Angeles Angels? — O Kim mais novo riu sarcástico, cruzando os braços sobre o peito magro. 

— Claro que eu ia! Eu achei que fosse um ladrão! — Passou as mãos pelos cabelos, sentando na cama. 

Taehyung ficou sério depois de alguns instantes, fixando seu olhar no cunhado que o mirava em busca de uma explicação.

— Agora me diz: por que está aqui? — Perguntou o mais novo. O rapaz mais velho suspirou e sentou ao lado do amigo na cama, ficando de frente para ele e pegando ambas as mãos delicadas. 

— Eu vim me despedir, Gukie — disse meio tristonho e o mais novo franzir o cenho. 

— Vai viajar? — O mais novo indagou com inocência e o cunhado negou. 

— Eu vou embora para Seul amanhã — os olhos de Jeongguk ficaram triste de repente e deixou de encarar Taehyung, olhando para as mãos juntas sobre o joelho alheio. 

— Mas assim, do nada? — Indagou com a voz quebrada. 

— Meus pais ainda não sabem — riu abafado. — Quer dizer, eles sabem que eu quero ir, mas não concordam com o curso que eu quero fazer.

— Artes cênicas, não é? — Jeongguk sabia, pois já haviam conversado muito sobre cursos e faculdades. 

— É o meu sonho, você sabe — sorriu ao falar sobre seu grande desejo. 

— Eu sei, Tae — assentiu. — Se é o que você quer, eu te apoio — sorriu pequeno e acariciou as costas das mãos alheia. 

— Amanhã vai ser uma loucura lá em casa, então eu preferi vir aqui pra me despedir com calma. Eu também queria te entregar uma coisa — colocou a mão dentro da jaqueta de couro e tirou alguma coisa de dentro do bolso interno da peça de roupa, escondendo na palma da mão. 

— O que é? — Jeongguk riu, tentando espiar, mas o Kim escondeu melhor. 

— Não vale olhar. Vai, fecha os olhos — o mais novo bufou, mas aceitou o pedido, selando as pálpebras. 

Taehyung sorriu pelo rostinho impaciente a sua frente e então pegou a mão direita do cunhado, deixando-a aberta. Lentamente depositou o objeto na mão alheia e a fechou. 

— Pode abrir agora — Jeongguk abriu os olhos rapidamente, abrindo a mão e contemplando o singelo presente que o Kim havia colocado em sua palma.

— Tae — disse com os olhos brilhantes. — Isso é lindo — sorriu abertamente ao observar o colar de prata com um pingente pequeno de uma clave de sol. 

— É pra você não se esquecer de mim, pirralho — bagunçou os cabelos pretinhos do cunhado. 

— Eu nunca vou me esquecer de você — passou os braços pelos ombros do mais velho e o abraçou apertado, afundando o rosto na curva do pescoço alheio, sentindo o cheiro masculino que ele exalava. 

— Não chora, vai — apartou o abraço, colhendo com as lágrimas que caíam dos olhos de Jeongguk com a dobra do dedo indicador. — Eu vou voltar mais cedo ou mais tarde. Vocês não vão se livrar de mim assim tão fácil.

— Idiota — deu um soquinho no ombro alheio, fungando. 

Taehyung pegou o colar da mão do mais novo e, em seguida, o ajudou a colocar o novo acessório. 

— Eu amei muito, de verdade — disse outra vez. 

— Tudo bem, chega de melação. Eu preciso ir agora — Taehyung levantou da cama e Jeongguk imitou seu gesto. 

— Vou sentir sua falta — abraçou o maior novamente, não querendo se separar do amigo de infância. 

— Eu também vou sentir sua falta, Gukie — suspirou. 

Taehyung passou as pernas pela janela novamente começou a quase fazer acrobacias pelas telhas e vigas da parte de cima da casa dos Jeon, logo em seguida caindo agachado na grama verdinha do jardim. Jeongguk riu debruçado sobre a janela, acenando para o cunhado que corria pela rua do condomínio até sua casa novamente.

Naquela noite, Jeongguk dormiu brincando com o pingente de clave de sol entre os dedos, tendo a certeza de que o Kim mais novo lhe faria muita, mas muita falta. 

(...)

— Namjoon e eu fazemos dois anos de namoro hoje. Combinei de ir jantar lá hoje e ficarmos vendo filmes até tarde, mas já tô até vendo a confusão que deve estar lá por causa do Tae — Jeongguk e Jimin, seu melhor amigo, caminhavam lentamente pelo caminho que os levava até o condomínio de classe alta onde ambos moravam. Carregavam seus materiais da escola, já que vinham do instituto. Jeongguk estava no segundo ano do ensino médio, Jimin no terceiro e tanto Namjoon quanto Taehyung já tinham se formado. O semestre estava pesado e Jeongguk quase sempre saia da escola tarde por ficar na biblioteca estudando com o Park.

— E o q-que está havendo com o T-Taehyung? — Jimin perguntou, apertando as alças de sua mochila mais fortemente, mordendo o interior das bochechas

— Ele vai embora hoje pra Seul. Quando eu falei com o Nam mais cedo, ele não falou nada sobre isso, então presumo que ele ainda esteja em casa.

— O t-tio Donghee de-deve estar louco c-com ele — o Park suspirou por conhecer como os pais do amigo não tão próximo era. 

— Sim, mas o que importa mesmo é que o Tae está seguindo o sonho dele e que eu vou passar a noite toda namorando com o meu amor — cutucou a cintura do amigo e Jimin riu um pouco forçado.

— Vo-vocês formam um casal muito f-fofo.

— Obrigado, Chim. O Namjoon é… Aí, ele é incrível! Não me arrependo de namorá-lo em nem um momento, sabe? Sinto que pertenço a ele de corpo e alma — suspirou, o sorriso não cabendo em seu rosto alegre. Sentia como se seu coração pudesse pular para fora do seu corpo só de imaginar o beijo de Namjoon. 

— E o T-Taehyung? E-ele ainda implica c-com vocês? — Jeongguk deu de ombros. Taehyung nunca foi um problema para ele, aliás, nunca deixou sua amizade com o Kim mais novo ser abalada por causa das desavenças entre os irmãos. Namjoon que se importava demais com o que o irmão achava do namoro deles. Taehyung havia se afastado de Jeongguk um pouco quando ele e Namjoon começaram a namorar, alegando que não havia espaço para ele naquela relação, contudo, o carinho que sentiam desde criança um pelo outro nunca acabou.

— Nah… Ele tá bem na dele faz tempo. O Namjoon que ainda fica desconfiado dessa calmaria toda vinda dele, mas eu acho que é só paranóia. Aqueles dois nunca se deram bem — entraram no condomínio, cumprimentando o porteiro e os seguranças que sempre estavam por ali.

— S-sei. Espero q-que fique tudo bem e-entre vocês — Jimin sorriu. Jeongguk amava muito o amigo, pois ele se mostrava ser alguém incrível quando o olhavam além da barreira comunicativa que ele tinha e se permitiam conhecer a pessoa que ele realmente era. — Te vejo amanhã no t-teatro? — Perguntou antes de destrancar a porta da sua casa. 

— Claro! Até amanhã, Chim — Jimin entrou em casa e Jeongguk continuou seguindo caminho pela ruazinha calma do condomínio. 

Via algumas crianças brincando na varanda e alguns idosos caminhando. Adorava aquele lugar. Passou pela sua casa e deu um tchauzinho para sua mãe que lhe olhou pela janela da cozinha que dava acesso à  rua, indicando que estava indo à casa dos Kim. 

Quando Jeongguk se aproximou da residência que era seu destino, ele não estranhou a barulheira que vinha lá de dentro, afinal, sabia o que deveria estar havendo. Tinha a cópia da chave que Namjoon havia lhe dado há algum tempo, então destrancou a porta da frente, suspirando com a cena que via diante dos seus olhos. 

— Eu já falei para deixar dessa loucura, Kim Taehyung! Você não vai acabar com sua vida desse jeito! — Jeongguk se encolheu em um cantinho próximo ao abajur com a voz autoritária de Minjoo. 

Taehyung descia as escadas acompanhado de uma mala enorme e uma mochila nas costas. Vestia uma camisa de alguma banda de rock e uma calça preta rasgada. Seus cabelos estavam numa outra coloração do que estava acostumado, não eram mais castanhos, e sim de um preto muito intenso, parecendo os seus. Donghee, o patriarca da família, observava a cena com as mãos na cintura e respirando fundo, como se tentasse se controlar para não cometer nenhuma besteira. Namjoon, que até então estava sentado no sofá com os cotovelos apoiados nos joelhos, tocou sua mão suavemente, pedindo para que ele sentasse ao seu lado. 

— Eu vou pra Seul estudar, mãe! Eu passei na faculdade e vou seguir o meu sonho! — Gritou, as veias de seu pescoço podendo ser visíveis. 

— Estudar para ser ator!? Não vou desperdiçar 18 anos de investimentos com você indo fazer faculdade de artes, Kim Taehyung — seu pai falava mais calmamente do que Minjoo, mas suas palavras eram tão duras quanto. 

— É isso que eu sou pra você, pai? Um investimento? Pois muito bem, fique com seu outro investimento em casa, debaixo de suas asas. Tenho certeza que seu  tesouro irá suprir as suas expectativas. Eu não preciso do seu dinheiro, eu sei muito bem me virar — Jeongguk apertou a mão de Namjoon quando Taehyung falou dele tão nitidamente. O mais velho havia decidido não se meter naquele assunto, afinal, não estava achando de todo mal o irmão sair de casa. 

— Estão nessa briga há horas… — Namjoon sussurrou para o namorado, pois não sabia que Jeongguk já estava sabendo de tudo.

— Não ponha palavras na boca do seu pai, Taehyung. Sabe de tudo que fizemos e ainda fazemos por você, filho — Minjoo disse, tentando colocar juízo na cabeça do filho.

— Não adianta mais. Eu estou indo embora, e volto quando conseguir o que eu desejo — falou com o tom de voz mais baixo dessa vez. 

— Taehyung, não saia por essa porta — Donghee disse quando Taehyung tocou a maçaneta. O rapaz parou, mas não para voltar atrás na sua decisão, mas sim para olhar para aquele que nada disse desde que se fez presente no ambiente. 

— Adeus, Gukie — sorriu pequeno para ele e o coração de Jeongguk disparou. — Cuida bem dele, mané — falou para Namjoon ainda com o sorriso em sua face.

Olhou de relance para seus pais parados no meio da sala. Suspirou, arrumou a mochila nas costas e bateu a porta atrás de si. 

Estava indo para Seul. 

 

3 anos e meio depois 

 

O outono em Seul sempre era agradável para Kim Taehyung. 

O sol de verão não queimava sua pele e a neve do inverno não era um empecilho em sua calçada. Ele gostava de ir andando para a faculdade, mesmo com o carro novo dentro da garagem do apartamento modesto. Observar o movimento frenético da cidade e pensar que, logo mais deixaria aquela realidade para voltar à vida pacata e até um pouco sem graça que levava em Busan. 

Quando saiu de casa aos dezoito anos para estudar artes cênicas na cidade grande, não imaginava que sua vida iria mudar tanto de um dia para o outro. Passou cerca de três meses incomunicável até mesmo com sua mãe e, mesmo que a mulher ligasse diariamente para ele com a preocupação maternal aflorada, ele não atendia, pois sabia que depois do “como está?” viriam inúmeras broncas e lições de moral. 

Quase quatro anos depois, contudo,a relação do caçula dos Kim com os pais havia mudado drasticamente. Depois dois três meses de orgulho, Taehyung conversou com os dois e, mesmo seus pais não sendo fãs da ideia de um filho ator, concordaram com que ele seguisse sua faculdade de artes e então passaram a visitar o filho em Seul uma vez a cada seis meses, justamente com Namjoon. Taehyung não fora à Busan nenhuma vez, apesar de tudo. 

Bom, até aque momento. 

Havia conversado com seus pais por telefone há uma semana, marcando o dia que, enfim, estaria de volta à cidade de lindas praias, já que seu curso havia acabado e ele precisava de um tempo livre do burburinho de Seul para poder trabalhar em seu temido Trabalho de Conclusão de Curso.

Um dia era o que separava Taehyung de Busan e, principalmente, de tudo que ele havia deixado para trás. Um relacionamento conturbado com seu irmão e uma amizade forte e que havia deixado saudades com Jeongguk. 

Não conversava com o cunhado há muito tempo. O máximo que faziam era curtir uma foto aqui e acolá do outro no Instagram. Sem conversas, sem ligações, sem contato. 

O Kim temia que o tempo longe tivesse feito Jeongguk esquecer de si, mesmo que o Jeon tenha prometido que nunca o faria. Na época, o mais novo era muito jovem e via o Kim caçula como um bom amigo, mas pessoas mudam o tempo todo, e ele não gostava de pensar na possibilidade de ter perdido a amizade de Jeongguk definitivamente. 

Chegou à faculdade e a primeira pessoa que viu no enorme jardim do campus foi Minsoo, uma amiga próxima que foi seu primeiro contato em Seul e que o ajudou com tudo que diz respeito ao seu curso. A garota tinha cabelos loiros cortados em um adorável chanel, deixando-a com a aparência mais jovem, mesmo que fosse bons três anos mais velha que o próprio Kim. 

— Veio se despedir dos amigos? — Perguntou Minsoo com as mãos apoiadas na grama orvalhada do jardim. As pernas cobertas por uma meia arrastão estavam estiradas e ela olhava para o Kim com uma expressão irônica. Ao seu lado, Hyungsun também olhava o terceiro integrante da turma de baixo, esperando que ele sentasse ao lado deles.

 

— Vim ver as caras feias de vocês pela última vez — acomodou-se ao lado de Minsoo, vendo a loira esquecer qualquer tipo de protocolo feminino que, em tese, deveria seguir, e colocar as pernas sobre as coxas do melhor amigo. 

— Última vez nada, a gente ainda vai à sua casa mais tarde — o Kim sorriu com as palavras da garota.

— Que tortura pra você, Kim. Trocar as baladas de Seul pelas praias sem graça de Busan — Hyungsun jogou uma bolinha de papel amassado em Taehyung, esta que foi prontamente pega pelo Kim. 

— Não me importo com as baladas, mas vou sentir falta da carne daquele restaurante aqui perto. Minha mãe cozinha muito mal — os amigos riram e Minsoo apertou o queixo do amigo, fazendo com que ele a encarasse.

 — Se não me mandar mensagem todos os dias, eu juro que cortou seu pinto fora da próxima vez que te ver — ameaçou, soltando o queixo alheio logo em seguida. 

— Você não iria cortar o seu brinquedo preferido — foi ácido e Minsoo partiu os lábios em indignação, porém com um tom de riso em suas expressões engraçadas. Hyungsun colocou a língua para fora completamente enojado. 

— Meu Deus, você é podre, Kim Taehyung — Minsoo deu um soco com pouca força no braço do amigo que apenas riu. — Eu não tô mais nessa. Isso daí, querido — apontou para a parte íntima do Kim. — Não me interessa mais nem um pouco. É carne de segunda pra mim. 

— Até parece — Taehyung debochou. — Sei que você ainda sonha com nossas noites do pijama — Minsoo revirou os olhos.

— Amados? Estamos em um lugar público. Será que podem ser menos promíscuos? — Hyungsun fez uma intervenção necessária. 

— Você sabe que o Taehyung adora se vangloriar dessa coisa molenga que ele tem no meio das pernas, reclama só com ele. 

— Molenga, é? Eu vou te mostrar o que é molenga — Taehyung puxou Minsoo as pernas de Minsoo que estavam sobre suas coxas e a deixou estirada na grama úmida, atacando a cintura da loira com cócegas, fazendo-a espernear. 

— Ai, Jesus amado, eu mereço? — Hyungsun revirou os olhos, observando a cena tosca que os amigos protagonizavam. 

Depois de Minsoo ficar sem ar e quase chutar a cara do amigo umas três vezes, Taehyung parou a punição, deixando-a se recompor. 

— Eu te odeio! Pode ir embora agora, não vamos sentir sua falta — a garota disse, arrumando a franja que caia bagunçada sobre a testa. 

— Diga por você, Minsoo — Hyungsun chegou perto de Taehyung, envolvendo os ombros dele com um dos braços. — Eu vou sentir muitas saudades de você.

— Ai, gente, eu vou voltar — o Kim tirou o braço do amigo do seus ombros. — Não tô indo pro exército, eu vou ficar fora só uns três meses.

— Credo, insensível — Hyungsun o empurrou.

— Viu só? É por isso que eu bato nele. Homem dessa qualidade tem que apanhar mesmo — a loira brincou e Taehyung ameaçou voltar com as cócegas. — Não se atreva! 

— Ai, tudo bem, eu admito: talvez eu vá sentir falta de vocês. Mais do Hyungsun do que da Minsoo, é claro — a garota lhe mostrou o dedo.

Eles passaram o resto da manhã organizando algumas coisas do fim do semestre e, no final da tarde, Taehyung voltou para o seu apartamento para terminar de organizar suas malas. Minsoo e Hyungsun apareceram lá por volta das oito e fizeram o Kim maratonar alguns filmes clássicos. Minsoo chorou quando teve de ir embora, mesmo secando as lágrimas rapidamente para não ser descoberta. Os amigos se despediram e deixaram o Kim com sua rotineira e agradável solidão, pronto para, no dia seguinte, voar até Busan e reencontrar o que havia deixado para trás.

+

O dia amanheceu tranquilo em Busan. Os passarinhos cantavam e o sol ameno banhava pele de todos aqueles que passeavam pela ruazinha do condomínio. Jeongguk sorriu quando uma senhorinha lhe cumprimentou brevemente enquanto ele caminhava pelo ambiente tão conhecido por si. Vivia naquele condomínio desde que nasceu e não tinha vontade de mudar dali tão cedo, talvez apenas quando casasse com Namjoon daqui alguns anos. Falando no Kim, Jeongguk caminhava justamente para sua casa enquanto carregava consigo várias sacolas em seus mãos. 

 

O Jeon conseguiu convencer o namorado a lhe ajudar com o figurino de uma pequena peça que estava organizando com sua companhia de teatro. Costurar, bordar, retalhar… Jeongguk gostava dessas coisas, e Namjoon lhe ajudava sempre que podia, ou sempre que era obrigado, mas isso ninguém precisava saber. Precisava para ontem confeccionar as roupinhas das crianças de um orfanato que a companhia ajudava filantropicamente, iriam fazer uma peça  para animar os pequeninos que não tinham muita diversão. 

 

Ao chegar na grande casa, tirou as chaves do bolso do short moletom leve que usava pelo dia de calor. Destrancou a porta e colocou as muitas sacolas sobre um dos sofás da sala. 

 

— Namjoon? — Falou um pouco alto. Não tinha ninguém em casa naquele horário, todos estavam trabalhando, afinal, seus sogros eram pessoas ocupadas em suas respectivas áreas de atuação.

 

— Oi, amor! — Pôde avistar o rapaz no topo da escada, provavelmente estava em seu quarto estudando quando o namorado chegou. 

 

Namjoon estudava filosofia na faculdade e sonhava em ser um grande professor universitário no futuro, não podendo amar mais o seu curso. O Kim desceu as escadas vislumbrando o sorriso doce que Jeongguk lhe dava lá de baixo. Quando chegou ao seu encontro, envolveu a cintura fina com os braços fortes e o beijou de forma apaixonada, sentindo as mãos do seu menino acariciarem sua nuca brevemente. Ao final do beijo, Namjoon sorriu para ele cheio de covinhas, aquecendo o coração do Jeon. 

 

— Meus pais não estão em casa, vamos pro meu quarto? — Namjoon disse já cheio de segundas intenções, cheirando o pescoço do namorado e distribuindo beijinhos naquela área. Jeongguk gargalhou da cara de pau do namorado, afastando-se do seu corpo.

 

— Se acha que vai escapar da sua tarefa hoje, está muito enganado, Kim Namjoon — o mais velho fez um bico e deixou os braços caírem ao lado do corpo ao ver o namorado já mexendo nas sacolas em cima do sofá. — Eu tenho 10 crianças esperando por essas roupas e você vai me ajudar com esses tecidos.

 

— Baby, por que não podem simplesmente comprar roupas prontas? Costurar é um saco! — jogou-se no sofá desleixadamente, arrancando um olhar matador de Jeongguk. 

 

— É uma entidade filantrópica, amor! Não podemos ser capitalistas até nisso, você estuda Karl Marx o dia todo, deveria concordar comigo — Namjoon deu de ombros ao ter seu argumento contrariado. — Vamos, quanto mais cedo começarmos, mais cedo terminamos e mais tempo teremos para fazer outras coisinhas antes dos meus amados sogrinhos chegarem — Jeongguk conseguia ser bastante persuasivo quando queria algo, por isso Namjoon sempre atendia a tudo que o mais novo lhe pedia, pois com propostas tão tentadoras, era difícil dizer não para o rapaz. 

 

A costura estava indo de vento em polpa. Namjoon furava os dedos sempre que precisava costurar um tecido mais grosso e Jeongguk ria na cara dura, fazendo o mais velho se emburrar de brincadeira. O Jeon tinha bastante habilidade com a tarefa de recortar e juntar os tecidos até eles virarem adoráveis roupinhas de crianças. 

 

Era isso que ele amava fazer. Trabalhava por esporte com sua companhia de teatro desde que tinha 14 anos. Descobriu na arte uma paixão e se dedicava de corpo e alma à atuação e a dança, que eram seus pontos fortes. Sempre organizava apresentações de caridade para comunidades carentes e que precisavam de um pouco de alegria e aquilo incendiava seu coração, pois ver o sorriso de pessoas simples encantadas com sua arte era seu maior presente. 

 

Havia terminado a escola há algum tempo, mas ainda não tinha ingressado em uma faculdade. Seus pais não o pressionavam pra isso e ele não tinha pressa alguma. Aos 19 anos, ele estava tranquilo; ia ao teatro ensaiar com as crianças uma vez por semana com seu melhor amigo Jimin, malhava na academia do condomínio quando tinha vontade, estudava por prazer, via suas séries, lia seus livros e, o melhor de tudo, namorava muito. Ele não podia reclamar da vida. 

 

— Que fome… Você bem que podia fazer um sanduíche pra gente, né, seu preguiçoso? — Jeongguk falou quando enfim terminaram o que tinham que fazer naquele dia. Namjoon lhe olhou malicioso, vendo o rapaz suspirar cansadinho pelo trabalho de outrora. 

 

— Poderia… Mas agora eu quero comer uma outra coisa — não esperou a resposta do outro e jogou os pedacinhos de tecido que haviam pelo sofá no carpete da sala, puxando os tornozelos do namorado e ficando entre suas pernas ao deitarem. 

 

— Sem vergonha! Você só me ajuda quando tem algo em troca. Vou começar a anotar, tá ouvindo? — tentava ficar bravo com o Kim, mas não conseguia quando tinha aquele homem em cima dele, com aqueles braços que a cada dia ficavam mais grossos pela malhação constante e aquele cheiro masculino que lhe tirava do sério. 

 

— Acho que não, não estou conseguindo me concentrar — movimentou o quadril lentamente, fazendo Jeongguk suspirar pelo contato entre suas pélvis. Ambos usavam peças de roupas muito finas, o que só intensificava o contato entre suas intimidades. 

 

— Eu dizia que… — Namjoon agarrou sua coxa desnuda e a trouxe mais para junto de si, começando a beijar seu pescoço lentamente, soprando o hálito quente por trás de sua orelha. Todos os pelos do corpo de Jeongguk se eriçaram com o contato, principalmente porque o Kim sabia onde tocá-lo para fazê-lo ficar completamente entregue. Eram 5 anos de namoro, 5 anos conhecendo o corpo um do outro. Sabiam exatamente o que fazer um com o outro para que ambos delirassem de prazer. 

 

Namjoon lambeu uma faixa de pele na base do pescoço, fincando as unhas curtas na coxa que segurava. Jeongguk puxou o ar por entre os dentes, fazendo um barulho que foi o ápice para o namorado. O Kim atacou seus lábios com volúpia, movendo-os em ondas sincronizadas com as do namorado abaixo de si. 

 

Pararam o beijo por milésimos de segundos apenas para as mãos afoitas de Jeongguk puxarem a camisa do namorado por sobre seus ombros e deixar o peito e as costas do mais velho livres para suas unhas passearem sem impedimentos. Namjoon movimentava seu quadril com destreza sobre Jeongguk, que apertava os dedos contra a tez amorenada. O Kim começou a lamber e a morder a pele do pescoço alheio novamente, logo sentindo as mãozinhas espertas do namorado tirarem o cinto da bermuda que usava e desabotoa-la.

 

Jeongguk adentrou a bermuda alheia e começou a massagear a ereção de Namjoon por cima da cueca, apenas para atiçá-lo ainda mais. Sentia os beijos passearem pela extensão do seu pescoço enquanto respirava pesadamente e prendia seus gemidos quando mordia os lábios vermelhinhos.

 

— Porra, Jeongguk — Namjoon xingou quando ele intensificou os movimentos de sua mão em seu pênis. Jeongguk amava quando ele xingava, pois a voz grossa banhada de prazer lhe enchia os ouvidos e seu corpo de tesão. 

 

— Suas mãos estão nas minhas coxas... — o Kim lhe olhou com esta fala. — Coloque-as em um lugar melhor — disse isso e atacou seus lábios novamente, logo sentindo as mãos do namorado apertarem sua bunda com ainda mais desejo.

 

Jeongguk impulsionou seu corpo para frente, fazendo com que o mais velho ficasse sentado consigo em seu colo. Começou a ondular o quadril por cima da ereção do namorado ainda coberta pela bermuda. Namjoon ainda apertava com força a bunda redondinha e discreta do mais novo, este que o beijava com desejo. 

 

— Tira — Jeongguk disse e quase não controlava mais a sua respiração. Pedia pro mais velho tirar seu short, o que foi feito sem muitas delongas. Namjoon salivou com cueca branca que o namorado usava, colocando suas mãos por dentro dela para sentir a pele macia da bunda alheia. — Eu quero você, amor — Jeongguk disse à beirada de seu ouvido, fazendo o Kim arrepiar e seu coração falhar uma batida. Sempre era assim quando estava com Jeongguk. Sempre era intenso e não importava quantas vezes eles transassem, sempre seria como se fosse a primeira vez. — Dentro de mim — sussurrou a última parte com a voz mais sensual que tinha e aquilo foi o bastante para Namjoon, que achou não aguentar mais a pressão dentro de sua cueca. 

 

Deu beijos molhados no pescoço do menor enquanto se preparava para colocar seu membro para fora, contudo, seu coração quase parou ao ouvir o som da porta sendo aberta. 

 

O sofá em que estavam ficava de frente para a porta de entrada. Jeongguk estava de costas e, na posição que Namjoon estava, ele pôde dar de cara com a figura fantasmagórica que estava a sua frente lhe olhando com o sorriso mais cafajeste que já havia visto. 

 

— Puta que pariu! — Namjoon falou afobado, assustando o namorado que automaticamente pulou de seu colo e sentou-se no sofá. Já se preparava para uma vergonha mortífera ao ter de encarar seus sogros que presenciaram a cena de Jeongguk rebolando no colo do filho deles, mas quem ele viu superou todas as suas expectativas. 

 

— Oi, Nam — Kim Taehyung proferiu aquelas palavras cheias de sarcasmo ao ver seu irmão abotoar a bermuda aberta e vestir a camisa que antes habitava seu corpo, não antes de olhar para o namorado mudo que ainda observava atônito aquela situação. 

 

Jeongguk e Taehyung se encararam por breves instantes, ambos sem saberem como agir diante da figura do outro. Quase quatro anos haviam se passado e, ainda que o Jeon achasse que o Kim era apenas um bom amigo do passado, seu coração acelerou como há muito tempo não fazia.

 

— Cubra-se, amor. Vamos ter uma conversinha, Tae — a voz de Namjoon era grossa e firme, não parecia nada feliz, mas também não estava exaltado. Na real, Jeongguk não sabia o que esperar da tal “conversinha”. 

 

Viu o namorado puxar o braço do irmão que lhe olhava inexpressivo na direção da cozinha. Jeongguk corou fortemente com a situação, vestindo o short que deixou largado por aí. Deixaria os dois conversarem um pouco, depois iria até lá. Além do mais, teria um tempo para raciocinar o que estava acontecendo.

 

— O que deu em você? Achei que só chegaria à noite! — Namjoon esbravejou com o Kim mais jovem que tinha um cínico sorriso nos lábios avermelhados.

 

O mais velho apoiou as mãos no balcão de mármore da enorme cozinha enquanto via Taehyung abrir a geladeira em busca de comida e tirar de lá algumas coisas para fazer um sanduíche rápido. 

 

— Meu voo saiu mais cedo, ué — Disse na maior tranquilidade, fazendo Namjoon partir os lábios em indignação. 

 

— E por que não avisou? Telefones existem por uma razão e evitam cenas constrangedoras como essa, seu mané! 

 

— E eu lá ia saber que a primeira cena que eu veria ao chegar à Busan ia ser o Jeongguk rebolando no seu colo? — passava algo que parecia manteiga em um pão de forma enquanto conversava com o irmão como se partilhassem informações sobre o tempo. Namjoon bufou com o cinismo do irmão.

 

— Que seja — Namjoon já parecia um pouco mais calmo, mas não menos frustrado por ter tido um possível coito interrompido.

 

— Mas e aí? Onde estão meus lindos pais? — perguntou despreocupadamente, colocando os frios dentro do pão. 

 

— O papai tá de plantão, chega por volta das 14h e a mamãe está no mercado comprando ingredientes para o seu jantar cafona — Namjoon disse, se referindo ao jantar de boas-vindas que seus pais estavam planejando para receber o filho mais novo.

 

Taehyung deu uma risada anasalada, percebendo que sua mãe tentava dar uma de durona, mas era uma manteiga derretida. 

 

— A mamãe vai cozinhar? Misericórdia — Taehyung com um ar de humor e Namjoon fingiu que ia atirar um enfeite que estava no balcão em sua direção.

 

— Pelo menos finge que vai gostar da comida. Ela dispensou a Hyewon hoje porque queria ela mesma cozinhar pra você — disse compadecido da amada mãe que queria fazer o melhor para o filho mais novo.

 

— Tudo bem, juro que vou fingir que está uma delícia, mas você sabe que a comida dela é horrível — mordeu um pedaço do seu sanduíche.

 

— Cadê suas malas? — Namjoon perguntou, vendo que o mais novo não carregava nenhuma bolsa. 

 

— Estão lá fora. Fiquei com preguiça de trazê-las para dentro — Namjoon abafou uma risada, porque aquilo era mesmo a cara do irmão. Ele não havia mudado nada em três anos e meio.

 

— Tomara que o couro derreta no sol — provocou. — Preguiçoso. 

 

— Para de me jogar praga, idiota — mais uma mordida em seu sanduíche e uma piscadela irônica.

 

Entretidos com a conversa, nem perceberam os passos tímidos de alguém que chegava à cozinha.

 

— Nam… Eu estou indo — Jeongguk apertou a barra da camisa do namorado, chamando sua atenção para lhe comunicar baixinho que estava indo embora. 

 

A face do garoto de cabelos pretos estava coradinha pela vergonha de ter sido pego por Taehyung em um momento íntimo com seu namorado, além da falta de reação perante ao Kim mais novo.

 

Costumavam ser amigos, os melhores, mas, depois de três anos e meio sem contato, não saberia dizer o que eram. Conhecidos? Talvez, mas ambos desejavam ardentemente um maior contato.

 

— Mas já, amor? Nem esperou eu fazer o seu lanche… — respondeu no mesmo tom, tocando a face do garoto com ambas as mãos. 

 

Jeongguk olhou de soslaio para Taehyung que comia seu sanduíche tranquilamente, a face do Kim mais novo fixada em si lhe deixa ainda mais nervoso.

 

— Eu volto pro jantar, lembra? A tia Minjoo me convidou — Jeongguk havia sido convidado para o jantar de boas-vindas e, mesmo que soubesse que o Kim estaria de volta, não tinha noção que o reencontro dele fosse tão… peculiar.

 

— Tem razão, então eu te vejo à noite — sorriu pequeno para o namorado. 

 

— Então quer dizer que meu irmão conseguiu mesmo fazer minha caveira pra você, Gukie? — Taehyung devorou o último pedacinho do sanduíche e olhou para o Jeon com uma sobrancelha arqueada, achando que o sarcasmo talvez fosse a melhor maneira de quebrar aquele gelo. — Nem vai me cumprimentar? 

 

— Que? Não! Tipo… Não, Tae, é só que… — buscava palavras que justificassem o fato de não ter direcionado nem uma palavra ao amigo de infância. Mas estava bem óbvio, não? Haviam se encontrado no momento mais inoportuno de todos e, além do mais, os anos de incomunicação haviam deixado-o bastante travado.

 

— Tudo bem, Gukie… Vem cá e me dá um abraço, já que o hyung nem pra isso serve — abriu os braços e Jeongguk, ainda com muita vergonha e sob o olhar reprovador de Namjoon, se aninhou nos braços fortes de Taehyung. 

 

Sentiu os mesmos braços lhe rodearem a cintura e os cabelos fazerem cócegas em seu pescoço. O cheiro que emanava de Taehyung era muito bom, cheiro de perfume masculino e outras coisas que não saberia identificar. Ficaram abraçados por meros segundos até se separarem com a sensação de nostalgia vívida em seus peitos.

 

— Foi bom te ver, Tae, até mais — sorriu pequeno para o mais velho, logo se virando para Namjoon. — Te amo — deu um selinho rápido no maior. 

 

— Eu te amo, baby — segredou Namjoon, vendo o namorado pegar as sacolas no sofá e cruzar a porta. 

 

— Não sei como ele aguenta esse seu grude todo. Bonito do jeito que ele é, deve ter um monte de gente atrás dele e desde os 12 anos que ele fica atrás de você. Eu mesmo já teria enjoado — Taehyung fingiu desdenhar, revirando os olhos. 

 

— Pode até ter voltado pra esta casa, Taehyung, mas não vou abrir espaço pra você no meu relacionamento com o Jeongguk. Não temos mais 12 anos, não somos mais um trio. E nem pense em olhá-lo com outros olhos. Estaria morto antes mesmo de tentar encostar nele — Namjoon deixou seu recado, virando as costas para o irmão que não teve como rebater as acusações sem fundamento e tão repentinas do mais velho. 

 

Ficou estático olhando para os ingredientes do sanduíche na mesa, pensando que, talvez, Namjoon ainda levasse o ciúmes que sentia de Jeongguk com ele à sério demais.

 

Contudo, Taehyung estava definitivamente de volta à Busan e à a vida de Namjoon. Não seria nenhuma surpresa se as rixas do passado pudessem se repetir em uma mais alta escala nos dias atuais. 


 


Notas Finais


Não esqueçam de comentar o que acharam <3


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