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História The Kingdom of Two Crowns - Capítulo 2


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Notas do Autor


Yo!
Sei que talvez eu devesse esperar um pouco para postar um novo capítulo, mas a minha ansiedade para continuar não me permitiu. Boa leitura!

Capítulo 2 - O segundo badalar: A festividade


Um último olhar no grande espelho e um sorriso foram as coisas que Astrid fez antes de sair apressada do quarto, para encontrar com seu marido na sala do trono. Eles iriam para o país da nuvem apresentar seu menino, que agora tinha dois meses. Era um grande evento que ocorria sempre que nascia um novo príncipe de um reino importante.

Olhava para os guardas e serviçais que caminhavam às pressas pelo castelo, preparando as coisas para a partida do Rei e da Rainha do país da Esmeralda. O país que tinha o Rei mais imponente e com maior influência na tomada de decisões que ocorriam na grande assembleia dos 14 continentes. Essa assembleia foi organizada como meio de manter o diálogo entre os reinos, assim mantendo a paz.

Faziam quinze anos que não ocorria nenhuma guerra, graças à última Vitória do Rei Levi sobre o Rei Bryan. Sim, apesar de ser conhecido como “O rei de coração dourado” pela sua benevolência, não havia rei que lutasse e comandasse um exército como Levi. O seu coração dourado podia ser bem duro e insensível quando seus inimigos lhe apontavam a espada.

O mal pressentimento que o Rei tinha foi percebido por seu conselheiro que o deu um olhar cúmplice.

– Pensando sobre a festividade, meu rei? – perguntou curvando-se levemente ao lado do Rei que estava sentado em seu trono, divagando.

– Sim, não me parece uma boa ideia um reencontro com Bryan. – Disse fechando seu semblante de leve. – Ainda mais nesta situação. O meu filho vai ser recebido pelos sacerdotes com uma grande festividade, enquanto todos ignoraram o filho dele, que nasceu alguns meses antes. Como acha que um ser arrogante e orgulhoso como ele se sentiu? Consigo sentir o cheiro de queimado só de pensar.

O conselheiro suspirou fundo ao mesmo tempo que o Rei. Conheciam aquele estúpido do Rei flamejante muito bem. Quando Bryan havia recém-assumido o trono, pois o antigo rei havia morrido de velhice, declarou guerra contra o Rei do país da Esmeralda.

– Colocar alguém tão imprudente em um trono gera tanto estresse! – Comentou Zaguetti, coçando a cabeça que já ameaçava começar a doer.

– Eu espero que ele tenha crescido como homem, que não seja mais aquele jovem imprudente. – O rei olhou para Zaguetti. – Acha possível?

O melhor amigo não conseguiu mais manter a sua postura e revirou os olhos dando um sorriso de escárnio depois.

– Seria mais fácil aquele idiota fazer chover naquele maldito inferno que mora. – Cuspiu as palavras. – Se aquele pedaço de merda causa e problemas e você não fizer nada, eu mesmo vou degolar esse demônio. – O rei percebeu que aquele era o seu melhor amigo esquentado agora, não seu conselheiro. – E foda-se se você disser não, irei enfiar a minha espada tão fundo na garganta desse pedaço de bosta que ele vai implorar “Por favor, diga para ele me largar, Rei Levi" – Fez uma voz irritante para imitar o Rei do país do calor.

O rei deu então uma gargalhada alta, sendo acompanhado por Zaguetti depois do mesmo se acalmar.

– Perdão, majestade. Às vezes esqueço-me de que posso ser um cabeça quente inconsequente. – O conselheiro suspirou endireitando a postura, parecendo envergonhado de sua atitude.

– Tudo bem, meu amigo. Sei como é difícil para você se portar como o conselheiro de um rei influente. – Sorriu ladino – até que você tem se saído muito bem pelo ódio guardado até então.

O rei riu e deu uma cotovelada de leve no conselheiro que riu também. Logo ambos viram a rainha chegar à sala, acompanhada de algumas criadas. Ela segurava o bebê com uma nuvem que servia de caminha para ele, e a criança ria sentindo cócegas. A pequena nuvem voou até o Rei, que pegou a criança com cuidado. O rei deu um beijo na testa de Tarik, que sorriu para ele. 

– Bom dia, meu filho. – sorria como um bobo, babando no menino. – Hoje você fará sua primeira viagem. Vai ser pra um lugar bem longe, e bonito. Eu e mamãe vamos te apresentar para algumas pessoas.

Sorrindo feliz, a rainha sentou na cadeira do trono, ao lado do marido e cruzou as pernas.

– Ele já cresceu bastante, eu quase nem acredito que conseguimos... – A emoção em sua voz era evidente.

O rei sorriu para ela, sentia o mesmo. Ele se aproximou da esposa e beijou-lhe com cuidado. Eles acabam sendo interrompidos por mãozinhas curiosas na barba do pai. Riram com a doçura do momento.

– Tarik, o papai deixou você mexer na barba por horas antes de dormir, me deixe curtir a sua mamãe um pouquinho. – Como se entendesse o que o mais velho queria dizer, Tarik tirou as mãos da barba do mais velho e ajeitou-se confortavelmente nos fortes braços dele. O rei sorriu largo – Eu te amo, garoto!

A mãe estava rindo da infantilidade do seu marido, parecia o mesmo rapaz por quem tinha se apaixonado anos antes. Então, ela deu um beijo na bochecha dele depois de o repreender. Zaguetti conseguia apenas sorrir os vendo, sentia-se muito em casa junto do casal.

~X

– Espero que aproveite o tempo em que estivermos fora para cuidar de sua família, meu amigo. – Com um tapinha no ombro e sorriso sapeca, o Rei Levi despedia-se do conselheiro.

– Obrigado, majestade. Boa sorte em lidar com Bryan, espero que tenham uma viagem tranquila. – Retribuiu o sorriso.

A rainha deu a criança para seu marido e então deu um abraço apertado no conselheiro.

– Te vejo em breve, meu irmão. – Disse no abraço que foi correspondido prontamente.

Então, o Rei e a Rainha do país da Esmeralda entraram em sua carruagem de viagem, em rumo ao país da nuvem. Eram três dias de Carruagem, uma viagem verdadeiramente longa. Esperavam que seu filho pudesse se acostumar com o remexer da carruagem, mas nem tudo são flores.

O bebê passou um pouco mal durante a viagem, mas era algo já esperado pelos pais. Era a primeira vez em que o pequeno andava de Carruagem, tornando as coisas mais difíceis para eles. Mesmo com os contratempos, em um tempo de três dias e sete horas, a família finalmente chegou ao país das nuvens.

Ao desembarcarem da carruagem foram recebidos pelo sumo sacerdote, e respeitosamente cumprimentaram o velho homem. Ele tocou a testa da criança, que sorriu para ele em resposta. Após um diálogo sobre a viagem, o velho homem os levou ao lugar onde iriam descansar pelo resto do dia e noite. A festividade se iniciaria no dia seguinte pela manhã, então a família deveria descansar bem.

Passaram o resto do dia cuidando de Tarik, pois o bebê ainda estava meio mal de viagem. Tiveram o jantar em companhia dos velhos homens que cuidavam do Templo de orações principal do país da nuvem, juntamente de alguns convidados que já haviam chegado para a festividade no outro dia. Foi uma ocasião muito sagrada, aonde receberam conselhos e oraram agradecendo pela vida e comida.

– Digam-me, vocês já designaram um animal para ser o companheiro de seu filho no futuro? – Perguntou um dos convidados ao casal, enquanto carregava o bebê no colo.

– Sim, é um filhote ainda. – A mãe sorria ao ver os olhos curiosos de seu filho analisarem a pessoa que o carregava. – Uma égua de pelagem negra e olhos azuis, chamada tempestade. O que acha, escolhemos bem, Evan?

– Não poderia esperar menos de uma escolha vinda de vocês. Embora eu pense que o nome foi decidido por apenas uma pessoa. – Sorriu ladino ao ver o Rei concordar. – Bom, não lhe culpo rainha. O rei tem um péssimo gosto para nomes desde menino.

Eles riram um pouco, estavam ficando velhos. Após muitas conversas sobre como estavam indo as coisas no país da Esmeralda, Evan voltou para o marido que o aguardava para ir dormir.

– Só espero que o quarto deles não seja próximo do qual estamos hospedados. – Comentou Astrid ao ver o rubor no rosto do amigo de infância, quando chegou perto do marido.

– Astrid! – repreendeu o rei, percebendo sobre o que a mulher se referia. – Nós estamos em um lugar sagrado, decência por favor!

A mulher riu com o rosto corando de leve, por perceber o quão alto ela tinha dito seu pensamento. Porém, conhecendo Evan como Levi conhecia, de nada se podia duvidar.

Os sorrisos que antes se encontravam nos rostos do casal que mimava sua criança, foram se desmanchando ao ver quem entrava pelo salão. O Rei do inferno havia chegado no recinto, acompanhado de um dos anfitriões do local. As suas roupas em cores pretas e vermelho decoradas com ouro e joias azuladas, chamavam muita a atenção para si. Seu peito estufado em sinal de arrogância e olhar afiado mostravam que aquele homem não havia mudado nesse período de tempo. A sua coroa era extravagante, polida das negras pedras vulcânicas de seu país e decoradas com as joias azuis do mesmo.

A esposa do homem trajava roupas escandalosas que eram inapropriadas para um local sagrado como aquele, esbanjando de um olhar de cobiça por onde passava. A criança deles se encontrava no colo da mulher, olhando curiosa para as pessoas no recinto.

– Acho que já era de se esperar que mudanças não ocorreriam nesses dois, mas... Não poderia estar menos decepcionado. – Comentou o Rei Levi para sua esposa, que concordou desanimada.

– Candia tinha tudo para ser uma mulher de postura invejável pela sua nobreza, mas estragou isso pela sua personalidade. – Suspirou Astrid, lembrando de quão difícil foi ser aceita pelos monarcas como esposa do Rei Levi.

Levi percebeu o olhar de ódio que aquele homem de cabelos rubros o lançava e decidiu sair dali com sua família, indo diretamente para o quarto aonde estavam hospedados. Olhou para seu pequeno filho, temendo o que aquele homem de sangue amargo poderia tramar.

Depois de fazer a criança se cansar e dormir, Levi cobriu seu pequeno corpo e deu-lhe um beijo na testa. Com um suspiro, dirigiu -se para a cama aonde sua mulher o esperava deitada, com uma expressão tão preocupada quanto a sua.

– Não sei se conseguirei dormir sabendo que esse homem se encontra aqui, Astrid. – Desabafou o rei, que já utilizava roupas mais confortáveis para o sono. – Ele é louco, quem sabe o tipo de maluquice que pode fazer!

Vendo a aflição de seu marido, a mulher abraçou-o carinhosamente. Dando-lhe um beijo no rosto.

– Também tenho meus medos, querido. Mas tenho certeza de que ele não nos atacaria no logo no primeiro dia. – A mulher tinha agora uma feição séria no rosto. – Sabe como Bryan pode ser ardiloso. De qualquer maneira, se ele fizer algo, não terei medo de apagar o fogo destrutivo que ele é para sempre.

O rei apertou mais o abraço, como se pedisse para que sua amada para se acalmar. Então, depois de prepararem as espadas no caso de algo acontecer, ambos se deitaram e  dormiram.

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– Meu senhor, tens certeza de que irá acometer esse crime contra aquele rei tirano? – Perguntava o rapaz aflito pela ideia de seu chefe.

– Sim, esse homem passará pela vergonha que merece. O povo não pode mais admitir sua crueldade. É por isso que somos os guerreiros conhecidos como vingadores do fogo, garoto.

O rapaz respirou fundo tentando se acalmar. Era a primeira vez em que participaria de um dos ataques contra o Rei do país do calor. Sabia o quão cruel aquele homem era, mas não tinha com o voltar atrás em sua decisão.

– Tudo bem, vamos fazer isso. – Disse como maneira de tentar convencer a si mesmo.

Então, com um comando de mão vindo do chefe do grupo, os guerreiros encapuzados apertaram o passo, ouvindo o relinchar ansioso de seus companheiros de guerra.

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No quarto aonde estava hospedada a família real do país do calor, era possível escutar a respiração dos pais dormindo tranquilamente. Já haviam planejado uma maneira de ultrajar o Rei inimigo e com isso, puderam dormir sem problemas.

Ethan, o bebê, olhava para as próprias mãozinhas. Não sentia sono, e não sabia falar para chamar os pais. Então, silenciosamente brincava com os próprios dedos. Tinha cinco meses agora, já era um bebê grande. Seus cabelos que começavam a nascer, eram vermelhos como os de seu pai. Já seus olhos, eram caramelos como os de sua mãe.

Ouviu um ruído baixo vindo da porta, e um homem encapuzado entrar. Seus pais pareciam não ouvir nada. Sem entender o que estava acontecendo, ele se pôs sentado e olhou para o homem. Sentiu medo.

Aquele homem o olhava de uma maneira ameaçadora que nunca tinha visto antes, nem mesmo vindo de seu pai. Queria chorar, mas sentia seus olhos pesados. Era como se algo estivesse o obrigando a dormir. A última coisa que vou antes de apagar, foi uma lâmina brilhante em direção ao seu pescoço.

O rapaz dentro do quarto, sentia suas mãos tremer e as lágrimas escorrer pelo seu rosto. Pedia desculpas à criança por pagar pelos erros dos pais. Tudo tinha sido planejado por aqueles rebeldes. Um deles se infiltrou entre as pessoas que preparavam a comida, e preparou algo que faria todos dormirem profundamente até o outro dia. Um sonífero.

Pegou um papel que tinha no bolso, e uma pena. Usou o sangue da criança como tinta para escrever: “Vida longa ao rei”. Era uma completa ironia, assinada com o símbolo dos rebeldes. O rapaz deixou o bilhete ao lado do falecido bebê, saindo do cômodo sem olhar para trás.

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O rei Bryan acordou com o som irritante de sua esposa chorando. Franziu o cenho e levantou-se para encarar a mulher. Quando iria perguntar o que havia acontecido, olhou para o lugar onde seu filho deveria estar dormindo. Os lençóis brancos estavam tingidos em vermelho escarlate, e seu menino tinha um corte atravessando sua garganta.

Ficou em choque por alguma segundos, até que desviou os olhos para o bilhete que se encontrava ao lado da criança morta. “Vida longa ao rei", escrito no papel sujo com o sangue de seu filho. Reconheceu o símbolo dos rebeldes que viviam em seu país, sentindo uma fúria ardente queimar o seu peito. Seus planos de usar o filho para matar seu inimigo estavam arruinados. Ele deu um soco com toda a sua força na parede do quarto, ouvindo os murmúrios e soluços vindos de sua mulher.

Respirou fundo, pensando no que fazer. Então, com um estalo de ideia, se aproximou de Candia. Mesmo sendo um carrasco orgulhoso, abraçou-a lhe dando certo conforto. Afinal, não é todo dia que se vê tal desgraça.

– Candia, se recomponha. – Ordenou depois de se afastar. – Temos de nos apressar, pois acabo de ter um novo plano.

Ela arregalou os olhos ainda lacrimejantes, ajeitando a postura em seguida. Sendo a esposa do Rei mais cruel de todos os 14 continentes, sabia que algo perigoso viria pela frente.

– O que planeja, meu rei? – Perguntou, tentando parar o choro.

– Vamos roubar a criança de Levi. – Disse sério, fazendo-a se assustar. – E então, voltaremos ao nosso país o mais rápido possível. Apressa-te, pois partiremos logo.

A mulher assentiu, secando suas lágrimas antes de se levantar e procurar por suas roupas e capa rapidamente. O rei fez o mesmo, se dirigindo silenciosamente até o quarto aonde estava a família real do país da Esmeralda. Abrindo cuidadosamente a porta, viu que todos dormiam tranquilamente.

Havia consigo um forte tranquilizante que usava em si mesmo quando tinha de controlar seu furor. Então, sem demora fez o bebê engolir o líquido, para ter certeza de que não acordaria.

Enquanto isso, sua esposa ainda chorosa pedia ao guarda pessoal dela que achasse uma maneira de levar o menino morto para ser enterrado em seu país.

Com Tarik já em seus braços e pronto para partir, o Rei Bryan pôs um sorriso psicótico no rosto, indo até sua carruagem e fugindo do país da nuvem enquanto o sol começava a raiar.


Notas Finais


Que triste final para o Ethan, ele poderia ter sido diferente do pai :(
Não me joguem pedras, o Tarik não tá morto! Qualquer dúvida sobre o capítulo, pode perguntar nos comentários.
Até o próximo!


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