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História The Last Chance - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Véspera de Ano Novo


31 de Dezembro, Nova Iorque.


Naruto andava apressado em mais um dia que a cama lhe havia roubado alguns minutos. Era o último dia de trabalho e só de imaginar a quantidade de trabalho que seu chefe Jiraya lhe daria, ele desejou voltar para casa. Deixou o carro no estacionamento de sempre, e mesmo que se gastasse somente cinco minutos a passos largos para o local de trabalho, a quantidade exagerada de pessoas na rua no último dia do ano fazia com que sua pequena caminhada acabasse se tornando mais demorada. 

Virou uma esquina enquanto cantarolava uma música de Natal que ainda estava em sua cabeça, desde o dia que fora ao orfanato. E apesar da alegria de festejar um natal ao lado das tão doces crianças, ele estava ansioso para beber bastante no ano novo. Iria enfim rever alguns amigos e conhecer novas pessoas, e a felicidade de uma boa confraternização sempre o animava.

Ainda distraído com uma música e com pensamentos diversos, Naruto não percebeu quando acidentalmente tropeçou em um amontoado de alguma coisa jogada no chão, e acabou caindo.

— Que diabos. – protestou indignado, ainda voltando a compostura — Quem deixa esse monte de roupa jogada assim em uma calçada? Pessoas podem se machucar.

O Uzumaki ainda protestando pela falta de consciência, já ia se virando para empurrar para um canto o que ele imaginava ser um monte de lixo, quando percebeu que se tratava de um ser humano. Se assustou com aquele homem, aparentando ter a sua idade, mas com roupas que pareciam datadas de séculos atrás, e acabou se afastando um pouco, por precaução. Esperou que o mesmo acordasse após ter sido chutado, mas não aconteceu. Então, o loiro voltou e se abaixou próximo ao homem, mas mantendo uma distância de segurança.

— Ei, amigo, não sei o quanto você bebeu e nem que tipo de festa a fantasia louca foi essa que você participou, mas você está deitado no meio de uma calçada atrapalhando as pessoas, e você pode acabar causando um acidente. – Falou, cutucando o rosto do moreno com as pontas dos dedos, com medo de que talvez o mesmo estivesse morto.

Sem resposta.

Naruto então respirou fundo e tomou uma certa quantidade de fôlego, e falou em um tom alto, mas um pouco mais baixo que um grito:

— Cara, acorda, por favor. Hoje é o meu último dia de trabalho e eu já estou atrasado, e eu realmente não quero deixar o meu chefe irritado. Por favor, que você não tenha morrido. – Naruto começou a sacudir aquele corpo ainda desacordado, o medo de aquilo ser pior do que uma ressaca já estava lhe dominando.

E então o homem se mexeu, e começou a se levantar ainda meio zonzo e perdido, abrindo os olhos com dificuldade. Naruto suspirou de alívio ao ver que ao menos ele não estava morto.

— Ei, aqui uma água. – disse, já com a voz mais calma, tirando da parte de trás uma garrafa de água levemente congelada.

E levar a água próximo ao rosto do moreno, Naruto se assustou com a reação. O mesmo começou a se arrastar pra trás, assustado demais pra falar, mas acabou parando quando se chocou com uma parede suja.

— Onde eu estou? Quem é você? – Sasuke perguntou assustado, a sensação de que o coração iria saltar pela boca a qualquer momento.

Ele realmente não fazia ideia de onde estava, como foi parar ali, e pior, não sabia quem era. A única coisa em sua mente era um nome, e uma dor indescritível por todo o corpo.

— Ei, calma. Você está no centro de Nova Iorque, e meu nome é Naruto Uzumaki. Eu estava indo para o meu trabalho quando, acidentalmente, quase quebrei o meu nariz ao tropeçar em você. Vejo que a farra ontem foi boa para você estar caído desacordado num chão tão sujo. Toma um pouco de água, vai fazer bem. – Naruto voltou a aproximar a garrafa para que o desconhecido a pegasse, e assim ele fez.

— Farra? Eu não estava em farra nenhuma, meu caro. Eu não sei como eu vim parar aqui.

Sasuke estava tão confuso que não tinha ideia de onde começar um questionário, então simplesmente decidiu pegar a água do estranho e beber. E ao dar o primeiro gole percebeu que estava com uma sede extrema, e continuou bebendo a água com certa urgência. Não demorou muito para acabar com o líquido que havia ali dentro. Olhou para o loiro a sua frente, que no momento tinha uma feição surpresa e confusa, mas ainda sim tinha um rosto acolhedor.

— Perdão pela água, senhor. Eu realmente não imaginei que estaria com tanta sede.

— Não tem problema, água não me falta. Mas então, qual o seu nome? Você tem algum dinheiro ou documento? Posso pedir um táxi para você no meu celular se quiser.

— Eu não sei.

— Não sabe? Do que não sabe?

— De nada.

— Nada? Nem do seu nome você se lembra? O quanto você bebeu, garoto?

— Eu não bebi, senhor Uzumaki. Eu simplesmente não sei quem sou. A única coisa que tenho em mente é o nome Sasuke Uchiha. Só.

Naruto ficou um pouco surpreso. Uchiha? Não era esse o sobrenome de Itachi? Seria Sasuke um parente distante que Naruto não conhecia? Precisava ligar para o outro Uchiha e perguntar, mas antes talvez conseguisse obter mais alguma informação.

— Bom, então você tem um nome. Esse nome parece ser seu, eu acho. Você combina com ele.

Naruto coçou a cabeça. Estava encurralado. A sua frente havia um homem sem nome, sem documento e sem um lar, pelo menos enquanto sua memória não voltava. Estava ferrado, e ele sabia disso. Não pelo homem em si, mas sim pelo fato de que, com certeza, já haviam mensagens demais no celular, e sua orelha já começara a queimar, e ele sabia que era porque seu chefe estaria o almadiçoando de todas as formas devido ao seu extremo atraso.

— Você sabe a sua idade? Eu tenho vinte e um.

— Creio que vinte, senhor.

— Olha só, eu realmente preciso ir, e vejo que você não está em condições de ir para a casa, nem para um hospital sozinho. Ligarei para um conhecido meu, e pedirei para que o leve para um médico, ok? Mas preciso que me diga uma coisa, Sasuke. Você é parente de um homem chamado Itachi Uchiha?

— Este nome não me vem a mente, então creio que não. – Ele respondeu com um suspiro de descontentamento. Como ele simplesmente não consegue lembrar de nada?

O Uzumaki tirou o celular do bolso e se afastou um pouco, afim de realizar uma ligação. Não demorou muito para que voltasse com um sorriso no rosto e certo alívio.


— Pronto. Ele logo chega. Ele mora aqui perto. Eu ficarei aqui com você até que ele chegue, para que nada aconteça com você. Quer mais água? – Naruto perguntou, puxando a mochila e tirando dali mais uma garrafa cheia de água.

— Sim, por favor. – Sasuke pediu, um pouco surpreso ao ver o quanto o seu salvador era hidratado.

*

Depois que o outro homem apareceu, Sasuke se despediu de Naruto e foi levado em direção ao médico. No carro, ele tentava de alguma forma se lembrar de algo, mas nada vinha a sua mente. Somente seu nome e sua idade.

Ele observou Itachi pelo retrovisor, e se assustou quando viu que também era observado com certo olhar de reprovação. Então se encolheu um pouco mais no banco e virou seu rosto para a janela, observando as ruas e avenidas. Ele sentia, de alguma forma, que já viu aquele lugar, mas não conseguia saber se era só uma alucinação ou uma lembrança bem antiga.

Pensou que ele e Itachi não trocariam nenhuma palavra, mas o outro Uchiha quebrou o silêncio.


— Você deveria controlar mais o álcool, rapaz. Não costumam ter pessoas boas como o Naruto no mundo.– Itachi falou, e Sasuke tentou analisar de havia qualquer resquício de raiva em seu tom de voz, mas ele parecia mais um irmão mais velho o advertindo. — Ele perdeu o horário somente pra te ajudar. E depois sou eu que tenho que aturar ele reclamando de como aturou o seu chefe.

— Senhor, eu realmente não bebi ontem a noite. Não sei como cheguei naquele lugar e não sei pra onde ir também. Eu estou totalmente perdido.

Itachi suspirou, mas preferiu não fala mais nada. Olhou pelo retrovisor e viu aquele garoto, perdido, com o olhar para fora daquele carro, além dos prédios da cidade. A roupa tão antiga fazia-o pensar em como a noite anterior deve ter sido louca a ponto de fazê-lo perder a memória. Mas algo nele parecia errado. Os olhos, o jeito, a fala, não era como se ele estivesse bêbado. Ele nem mesmo exalava cheiro de bebida. Na verdade, não exalava nada. Não tinha um cheiro específico vindo dele. Um ar pesado pairava sobre aquele outro Uchiha, fazendo os pelos de Itachi se arrepiarem ao pensar na ideia.

#

Quando chegaram ao hospital, Itachi ajudou Sasuke a descer, e achou engraçado o fato dele ter certa dificuldade de abrir a maçaneta. Foi até a recepcionista e informou o nome do paciente, dizendo que ele era o seu irmão, mas que não havia nenhum documento com ele, pois, ao ir para uma festa, ele bebeu além da conta e perdeu a carteira. Ao ouvir o outro dizer que ele bebeu além da conta, Sasuke levantou o dedo para protestar, mas foi atingido com um chute na canela dado por Itachi, então acabou por ficar calado. Uma médica apareceu rápido e o encaminhou para uma sala. Sasuke se deitou numa maca e foi examinado, enquanto Itachi esperava do lado de fora, já um pouco impaciente. Não demorou muito para que uma médica aparecesse para lhe informar sobre o estado do seu falso irmão.


— Senhor Uchiha, pelo que foi me dito, Sasuke havia bebido além da conta ontem e acabou por esquecer várias coisas, mas não há resquício nenhum de álcool no organismo dele, mas ele realmente não se lembra de nada, nem mesmo de coisas antes da suposta festa, o que não é normal para o caso. Você não sabe se houve algum tipo de estresse ou trauma com ele na noite de ontem? Porque não há também nenhum tipo de ferimento na cabeça dele, o que me leva a imaginar que pode ter sido algo psicológico.

— Não sei. Meu irmão é um pouco rebelde, sai muitas vezes de casa, quase nunca tenho notícias. Mas me diga, você acha que a memória dele possa vir a voltar com o tempo?

— Creio que sim, mas não posso te dar um tempo exato. Levá-lo a lugares que ele já visitou ou é familiarizado podem fazer com que a memória dele volte, por exemplo. Mas tenha calma, cada cérebro reage de um jeito.

— Compreendo. Muito obrigado, doutora. Levarei ele pra casa. Feliz ano novo para você – Itachi falou, já suspirando por pensar no quão grande era o problema que Naruto havia se metido, e levando ele junto.

*

Sasuke foi questionado por todo o trajeto até a casa de Itachi sobre onde morava, o que fazia, quem era sua família, se ele tinha amigos ou qualquer lembrança. Nada. Sasuke simplesmente respondia "não" a todas as perguntas, e percebeu que aquilo deixava o outro desconfiado e sem paciência para lidar com ele. Quis descer do carro e correr em cada sinal de trânsito que paravam, e por mais que o trajeto fosse curto, parecia longe demais pra ele. 

Quando chegaram, Sasuke desceu com a respiração ofegante, e só então percebeu que estava prendendo o ar por todo esse tempo.


— Você tá' bem? Por favor, não passa mal agora. Já estamos em casa e logo o Naruto chega, Sasuke. Não sei lidar com pessoas desse jeito, isso é trabalho do Uzumaki. – Itachi disse, já pensando em correr e deixar o garoto pra fora de casa. Ele realmente nao conseguia lidar com pessoas passando mal.

— Estou bem, senhor. Eu só perdi um pouco o ar. Eu peço-lhe perdão por estar fazendo com que vocês se ocupem comigo, mas te juro que realmente não me lembro de nada. Eu não tenho nem um lar para onde ir. Meu corpo ainda dói, e nem consigo expressar o quanto a minha cabeça está confusa. Perdão, de verdade. – Sasuke queria chorar, mas não queria parecer mais louco ou fraco do que já se sentia.

— Ok, primeiro, não me chame de senhor. Eu tenho somente quatro anos de diferença de idade de você e esse papo formal me deixa meio irritado. Mas por favor, se acalma. Vamos entrar, você toma um banho, eu te empresto uma roupa minha e logo o Naruto chega. Você também está com uma cara péssima e com certeza deve estar com fome. Vou cozinhar algo enquanto você se banha. Mas só não surta, ok?

— Ok, senhor. – Sasuke respondeu, sentiu um pouco de alívio por Itachi estar o acolhendo. — Digo, ok, Itachi.



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