História The Last Few Bricks - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Pink Floyd
Personagens David Gilmour, Nick Mason, Personagens Originais, Richard Wright, Roger Waters, Syd Barrett
Tags Drama, Pink Floyd, Romance
Visualizações 12
Palavras 2.349
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Chapter V


 

Londres, Março 1983

      Pela manhã dois médicos me soltaram de meu exilio na solitária da clínica após ficar toda uma noite trancafiada na bendita sala, sentada sobre o chão úmido de mármore sem direito a qualquer refeição que fosse, nem mesmo uma mísera fatia de pão, achava ultrajante lembrar disso tendo em mente que um dia eu já fui a mais importante psiquiatra desta clínica, uma pena que tudo teve de mudar, sinto falta desses tempos, quando todos gostavam ou não de mim, mas pelo menos eu era respeitada naquela época, bons tempos que não voltam mais.

     Os dois médicos que por sua vez tinham o dobro da minha altura e de minha força me levavam pelo braço até meu quarto, ainda não entendia o porquê de tudo isso, claro que eu carregara comigo um histórico duvidoso de casos graves de agressão aos médicos, enfermeiros, empregados, até mesmo pacientes fazendo com que os agregados pensassem que estava desenvolvendo algum tipo de trauma ou até mesmo um grave quadro de esquizofrenia, que é algo que não me surpreende muito sabendo que todos suspeitavam do fato, inclusive eu mesma duvidava, mas ser carregada pelo braço...?

      Era levada pelos grandes corredores brancos até meu dormitório onde os pacientes transitavam para a área recreativa da clínica cujo ficara no jardim, a única coisa que eu não tinha costume de fazer era participar de tais atividades por questões óbvias, não tão óbvias de que não gostava de modo algum ter contato com pessoas para não ter de atirar a primeira a agulha que visse pela frente, quem dirá uma peça de xadrez feita de madeira assim como as que ficavam nas mesas do jardim. Seria capaz de matar a primeira pessoa que viesse até mim batendo com sua cabeça nas gastas teclas do grande piano branco que ficara escondido em um pequeno gazebo de madeira na parte de trás da clínica, poucas pessoas sabiam da existência do piano, no caso só eu e Syd sabíamos de sua existência, pobre Syd, agora que ele estava disposto a sair da clínica para viver sua vida acabou decidindo ficar por minha causa já que era totalmente improvável a possibilidade se sair daqui tão cedo.

- Não pense que irá escapar da recreação, você tem de fazer alguma coisa – O médico de longos cabelos loiros resmunga, me colocando no chão – Troque de roupas, viremos ao seu dormitório verificar se está aqui ou não.

- Não seja tão severo, ela pode ficar aqui, pintando ou fazendo suas costuras de ponto cruz como sempre fizera, ela é muito boa no que faz – O outro médico responde, passando suas pequenas mãos pelos ralos cabelos castanhos.

      Tudo que fiz foi soltar um longo suspiro, me voltando para a porta do quarto de Syd para que pudesse pedir algumas tintas emprestadas já que minha única agulha restante havia sido utilizada para perfurar o braço de uma empregada, mas em minha opinião foi algo extremamente merecido, vá cantar Vera Lynn na casa da santa e casta vagabunda que a pariu, todo mundo sabe que todos que cantam coisas como Rolling Stones ou Vera Lynn perto de mim acabam tendo um final trágico, não tão trágico quanto desejava, porém tinham.

      De fato por maior que fosse a desventura, eu sabia que se continuasse de tal modo eu nunca sairia daqui, na verdade não tinha mais propósito para sair daqui, minha vida toda houvera se perdido com o decorrer de todos esses anos tão malucos e turbulentos pelos quais eu passei, quer dizer, minha vida nunca foi uma das melhores por si só diga-se de passagem, desde pequena as pessoas me veem como um monstro de sete cabeças só porque metade da minha família morreu em um campo de concentração durante a segunda grande guerra, sortuda mesmo foi a minha vó que conseguiu sobreviver dentro do campo e conheceu um bom homem que por sua vez também era judeu, mas mesmo assim eu fui alvo de piadas durante minha juventude nos anos cinquenta e sessenta, com base nisso eu cresci sabendo que ninguém gostava muito de mim de verdade e foi assim por um grande tempo, eu fiquei onze anos de minha vida estudando para dar ao menos um pouco de orgulho para meus pais e realmente não serviu de muita coisa sabendo que meu irmão mais novo era o orgulho de meus pais.

      Pelo menos durante meus estudos na área da medicina eu acabei conhecendo alguém que realmente gostava de mim durante meu estágio, claro que no começo nossa amizade me assustava muito já que eu nunca tive amigos que não meus familiares, seu nome era Lady Carolyne Christie, neta do segundo marquês de Zetland, sobrinha do terceiro e prima do quarto, ficava pensando no porquê de alguém como ela acabou virando minha amiga, toda elegante com seus cabelos loiros e sua família aristocrática, era tudo muito diferente para mim já que alguém como ela queria ser amiga de uma pessoa como eu que na época fazia estágio em um hospital de Londres, vai entender.

      Pensar nisso tudo só me provava o quão distraída eu era, estava parada próxima a porta do quarto de Syd enquanto pensava em tudo que estava ocorrendo em minha vida e coisas que chegaram a ocorrer, me fazendo assim concluir que a melhor atividade recreativa que poderia fazer seria retornar ao meu oficio, a escrita, não estudei por quase quatro anos jornalismo à toa, mesmo sabendo que a escrita do jornalismo é um tanto quanto diferente da escrita criativa, porém de acordo com muitas pessoas eu tinha o dom para ambas as escritas, porque não então exercê-las? Mas não faria de um modo convencional, faria de um modo que demorasse para fazer tudo, para escrever tudo, estava disposta a escrever tudo o que me aconteceu no período de 1980-81 nas paredes de meu quarto que por ventura já foram pintadas por mim com detalhes que imitam tijolinhos, deixando assim todos que me visitavam um pouco conturbados, um pouco assustados e alguns até apreciavam o conceito, já eu via aquilo como o causador de tudo isso, um muro de tijolos brancos, parecia algo bobo de primeira, mas mal sabem os agregados que se tratava na verdade do meu maior medo e que se havia feito tais pinturas era por questões de que só assim eu enfrentaria meus medos e acabou que realmente funcionou, portanto toda vez que olho fico um pouco irritada, um pouco chorosa, afinal de contas tudo isso se remetia a ele...

      Por maior que fosse a ventura, ou até mesmo desventura em certos casos, a melhor palavra que poderia descrever o que eu havia acabado de ver seria acaso, destino, a vicissitude do dia fora de presenciar a sorte se voltando ao meu favor pelo menos mais uma vez em minha vida e desta vez eu não iria desperdiçar tal oportunidade. Este era meu momento, esperei por três anos para que esse reencontro ocorresse, mesmo tendo visto seu rosto como um relance antes de ter os óculos escuros escondendo seus belos olhos verde esmeralda, o vi passar ao meu lado com seus cabelos castanhos despenteados com alguns fios brancos que se destacavam, não só isso, mas ele por si só apresentava alguns traços de descuido pessoal e cansaço, andava um pouco curvo com seus punhos cerrados e roupas aparentemente sem passar, para alguém tão narcisista como ele, duvidava de fato de que ele estava bem assim como eu presumia estar, pelo menos parecia estar o dia que o vi acompanhado por uma moça que mais parecia uma groupie do que uma namorada, aos poucos as peças se encaixavam, me fazendo mais uma vez pensar que ele havia passado por muitas coisas enquanto estive fora, sendo elas um enorme sofrimento e sentimento de solidão.

      Porém, desta vez as coisas seriam diferentes, desta vez eu iria finalmente chegar perto dele, o seguia pelos corredores silenciosamente, estava tão distraído que sequer ouvia os passos tão altos que dava com meus calcanhar que faziam um barulho um pouco alto por estar descalça em um corredor tão vazio, minha mão estendida extremamente próxima ao seu pescoço que indicava o enorme anseio de tocá-lo novamente depois de anos, suspiros baixos compunham minha respiração um pouco ofegante diante de sua presença, antes suspiros do que gritos como costumava a dar quando ouvira pessoas falar sobre ele e o quão arrogante ele estava com tudo e todos, uma relação de amor e ódio para ser mais precisa sobre o que sentia por ele, tudo o que ele precisava fazer era se virar para trás...

      O que eu não esperava era que no momento em que tive a melhor oportunidade de tocá-lo, me apoiando sobre as pontas dos pés, ele acabou acelerando um pouco seu passo, o que foi suficiente para me desequilibrar e ter de me equilibrar sobre a parede para não cair com minha cara no chão, mas nem isso fora suficiente para lhe chamar a atenção.

- Maldito seja Roger Waters – Resmungo, me recompondo.

*Roger Pov*

      Assim que cheguei em minha casa após o ocorrido dentro da clínica psiquiátrica, comecei a perceber que precisava conversar com alguém que realmente me entendesse, alguém que tivesse a paciência necessária para me ouvir e entender, ou que ao menos conseguisse me aconselhar sobre o que deveria fazer, se deveria tomar algum tipo de medicamento para evitar a depressão que estava começando a sentir aos poucos.

      Chegava a ser engraçado pensar que estava adoecendo mentalmente por algo que eu mesmo causei desde o começo, só provava que eu era de fato a pessoa mais doentia e mal intencionada a pisar na terra, de todos os problemas que causei desde jovem, esse havia sido o pior pois, não só tirou uma vida, mas sim a vida de minha amada e fez com que meu coração já tão machucado e ferido parasse de bater como antes, o que essa mulher fez em minha vida havia sido algo que ninguém sequer conseguiu, me fez sentir alguém que não estava apenas vagando sozinho no mundo, mas sim que meu problema acompanhava outros e sempre fui egoísta o suficiente para não perceber.

      Logo que cheguei, fui direto para meu escritório pois, sabia que minha mãe havia passado por minha casa e a limpado para mim pelo simples fato de que as paredes onde India tinha o costume de desenhar com giz estavam novamente limpas, algo que eu não tinha o hábito de fazer já que ela voltaria a desenhar novamente. Passei a mão por minha mesa de madeira escura para ter certeza que estava limpa, mais uma vez acertando meu palpite da presença de minha mãe que tinha um costume curioso de limpeza, me fazendo mais uma vez lembrar de Sophie, não lembrava de que quando estávamos apaixonados vivíamos pensando na amada sempre que visse algo, era ridículo de certo modo, mas não tinha escolha, sentia sua falta, a falta de olhar todos os dias seus cabelos curtos azuis que eram curiosamente da mesma cor de seus olhos brilhantes que viviam escondidos atrás de um óculos retangular preto, tudo nela era perfeito, como ela se irritava quando chegávamos perto de sua máquina de datilografia, como ela sorria ao passar sempre o mesmo batom vermelho sangue, ou até mesmo como ria de minha cara quando impulsivamente a atacava. Não conseguia entender se ela havia romantizado algo em sua cabeça quando eu a atacava, não achava isso algo saudável para alguém de sua natureza, sempre muito quieta ou argumentativa que aparentemente nunca havia sequer se relacionado com alguém, uma digna puritana que aguardava pela pessoa certa, aquilo que queria ter sido para ela e nunca fui, pelo contrário, fui errado ao ponto de fazê-la desistir de sua vida.

       Me sentei em minha cadeira giratória e me aproximei com os pés até a mesa, olhando os porta-retratos onde haviam fotos das pessoas mais importantes de minha vida, incluindo uma foto de Sophie no dia do casamento de Rick e Nick, ela havia sido pega de surpresa na foto ao ponto que seus olhos brilharam de tão envergonhada, era linda até surpresa, olhar aquela foto me fez abrir um sorriso discreto, mesmo diante de um dia tão fúnebre ela conseguia me encantar. Apoiado ao porta retrato, estava o colar de brilhantes que ela sempre carregara consigo, curioso o fato de que não estava em seu pescoço durante sua morte, era como se ela quisesse que fosse encontrado e entregue a alguém como a fita VHS, era surpreendente o fato de que sua morte havia sido tão planejada sendo até um pouco suspeito de certo modo, mas não iria duvidar do fato de que aconteceu, não iria perturbar sua paz, não mais.

Ainda diante daquilo tudo, decidi que deveria de tal modo desabafar, mesmo não tendo com quem fazer isso, pelo menos eu pensava que não sendo que a própria uma vez havia me dito que não há ninguém melhor para se desabafar do que consigo mesmo e foi o que decidi fazer. Peguei em minha gaveta o caderno onde costumava a compor minhas músicas sendo uma delas relacionada a minha amada e comecei a fazer aquilo que deveria ter feito a muito tempo, comecei a desabafar comigo mesmo, porém o único problema disso tudo era o fato de que não estava sozinho em minha mente e pensamentos, havia um indesejado morando comigo mesmo depois de todo esse tempo, aquele que ria de meus pensamentos melancólicos, que me fazia sentir o maior idiota por pensar nela.

      Eu George Roger Waters, sou o culpado pela morte de Sophie Turner, fiz com que ela se matasse com uma corda no pescoço por negar o fato de que sentia algo por ela, por tê-la tratado mal, tê-la desmerecido e esnobado, menosprezado seu trabalho e a usado, o que me resta hoje é apenas o sofrimento da perda e o fato de que não posso me juntar a minha amada hoje devido minhas responsabilidades como pai e músico, mas o que não me falta é a vontade de tê-la em meus braços novamente para passarmos a eternidade juntos onde quer que estejamos.



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