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História The Legend of Snowville (JiKook) - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Após quase 3 anos, aqui estamos.
Antes tarde do que muito mais muito mais tarde!

Capítulo 17 - Só, como o homem na lua


Fanfic / Fanfiction The Legend of Snowville (JiKook) - Capítulo 17 - Só, como o homem na lua

 

            Água, cloro e famílias sorridentes. Mesas brancas fora da grama e um punhado de pessoas com seus olhos compenetrados no campo de golfe, palco de desafios e grandes tacadas. Dentre aquelas famílias estava a de Jimin no típico conforto dominical que Folkins poderia oferecer. Estar naquele clube no domingo era sagrado para sua família, bem como comer enxurradas de hot dog e disputar árduos momentos de natação na grande piscina. Momentos como aquele eram, sem dúvidas, o que o garoto mais prezava.

            “Você precisa ser mais rápido, ativar mais os braços, assim...” o padrasto movimentava os braços na água sem sair do lugar. Seu rosto abrigava vermelhidão causada pelo sol e seu nariz parecia irritado, era o que seu fungar contínuo denunciava. “Está de brincadeira? Não tem como ser rápido batendo os braços desse jeito”. Jimin rebateu enquanto sorria da cena ao mesmo tempo que imitava os movimentos. “Minhas crianças, podemos ter um momento em família que envolva a mãe, claro, fora da piscina?” Os dois rapazes reagiram da forma mais infantil que pudesse existir, conspirando contra a mulher e o vestido azul de bolinhas que trajava ao puxarem-na para a água. O olhar raivoso dela logo deu espaço para um revirar de olhos acompanhado de um riso sutil.

            Jimin nunca haveria de imaginar que dias como aquele não voltariam a se repetir. No mínimo, teria cuidado em fazê-la se sentir mais especial, quem sabe, tentado conversar mais vezes, mostrar que estava do seu lado para o que fosse, quando fosse. Como filho, ele acreditava ter desempenhado bem o papel, mas, e como amigo? Ainda que o padrasto tentasse convencê-lo de que não estava sob o controle deles tudo o que poderia ter levado sua mãe ao suicídio, Jimin não estava convicto. Tinha falhado com a pessoa que mais amava. Que ela o perdoasse, mesmo que até aquele momento ele mesmo não houvesse liberado perdão para si.

            - No mundo da lua de novo, garoto? Não é porque é domingo que não temos trabalho. Ande! Levanta essa bunda daí. – seu tio deu quebra ao momento daquela ponderação. Não esperou alguma reação do rapaz deitado na cama, optou por sair do quarto batendo a porta.

            Era verdade, Jimin vivia no tal mundo da lua, afinal havia um tremendo vazio ao seu redor. Talvez, fora isso que o primeiro homem a pisar na lua tenha sentido também, a sensação de nada, de não pertencer àquele lugar. Jimin não pertencia a Snowville, os habitantes tratavam de lembrá-lo do fato toda vez que caminhava pelas ruas. Mas isso não o afetaria, embora no fundo, sim, externamente, não. Ele teria de ser forte por sua mãe. Ainda que houvesse fracassado no passado, ele se mantinha em Snowville por ela. Era o mínimo que poderia fazer. Além do mais, a estadia na cidade não era das piores, havia Jungkook também, e este era outro motivo para a manutenção da sua sanidade em meio aquele lugar congelado e um tanto quanto hostil.

            O cômodo em que se encontrava estava frio, as hastes da janela acumulavam neve desde dias atrás. Raras eram as vezes em que Jimin decidia abri-las. O garoto não gostava daquele clima, não curtia a neve nem usar roupas pesadas, mas se fazia necessário, ele entendia, era mais confortável. Por pensar em roupas, lembrou dos casacos que teria de pôr para lavar mais tarde, que o fez lembrar de trabalho, que o fez lembrar de seu tio e sua ordem de “levantar a bunda” da cama.

            Meio cambaleante, o corpo um tanto pesado ainda do sono, Jimin se pôs a procurar os sapatos debaixo da cama. Tateando o chão seus dedos foram de encontro a cerdas de um pincel que ele pensou ter dado fim noutrora. Com o utensílio em mãos e um suspirar, ele recordava de momentos em que sua cabeça - e circunstâncias - estava mais aberta para a pintura. Ali, na casa do tio, era difícil se dedicar às artes. O senhor Park não admitiria que seu sobrinho perdesse tempo com “atividades de bichinha”, como o próprio falara para Jimin. “Você terá que trabalhar. Minha casa, meu dinheiro, minha cama que dei a você, no mínimo você deveria ser grato, garoto”. Era necessário se submeter a esses comentários, já que Jimin teria de ficar em Snowville por um tempo.

            Seria o máximo compartilhar suas pinturas com Jungkook, mostrar algumas telas que estavam guardadas em sua casa em Folkins, quem sabe até fazê-lo ser protagonista de um de seus quadros. Jimin ressaltaria o cabelo castanho do outro, o contorno de seus olhos, a leve bolsa que forma debaixo dos olhos quando ri, o formato de seus lábios, os leves ressecados causados pelo frio, os dentes sutilmente encostando no lábio inferior, a pele meio pálida... O rosto de Jungkook era nítido em sua cabeça, causando leves formigamentos na barriga. A sensação de estar apaixonado era boa.

            - Foco, Jimin. Foco. – sacudiu a cabeça, afastando os pensamentos.

            Ao abrir a porta do seu quarto encontrou algumas caixas vedadas. Eram mercadorias, quais Jimin teria de precificar e organizar nas prateleiras do mercado. Juntou força para pegar em seus braços parte das caixas e já pô-las de frente às respectivas prateleiras. “O café, Jimin! O café!”, seu tio gritou da cozinha.

            - Recebemos alguns produtos, viu? – o senhor analisava a vendas de carros usados no jornal.

            A mesa para o café precisava ser posta por Jimin, coisa que este fazia todas as manhãs desde que chegara. “Não espera que um velho como eu ainda tenha que cozinhar para você, né? Você sabe, sou eu quem ponho o café na mesa...” Jimin apenas assentia.

            - A droga daqueles policiais, levaram parte do meu dinheiro. Porcaria de proibido caçar, tive que desembolsar uma grana preta. Você lembra, né? Viu como trataram a gente? Essa gentinha toda? Filhos da puta. Moro aqui desde muito tempo, sempre foram egoístas, não me admirou nada... – virou a página do jornal. – Pessoas do bem sempre se dão mal. Olha só o exemplo do garoto, o tal Hyun Min... Porra de filhos da puta, que se fodam. – cuspiu no canto da parede, que abrigava fungos. – Não vai falar nada?

            Jimin virou os ovos na frigideira. Ponderou por alguns segundos sentindo os olhos do tio cravados em suas costas.

            - Acho que não podemos prever a reação das pessoas. Não temos direito, é o que acho.

            - Então, você acha certo a porra que vêm fazendo com a gente? Por acaso você lembra das merdas que estavam escritas na parede um dia desses? Não venha com essa, garoto. Fomos acusados de assassinato. Olha só, assassinato. Você ouviu direito? Já percebeu que as vendas do mercado diminuíram?

            O garoto resolveu não rebater, não ajudaria em nada afinal. Desde o ocorrido com o cervo e a multa que seu tio teve de pagar, o homem anda de mau humor. Não que antes disso seu humor fosse diferente.

            Após pôr os pratos na mesa, com a ajuda de uma espátula despejou parte dos ovos no prato do mais velho. O café seguiu silencioso, mesmo que, vez ou outra, seu tio resmungasse sobre as contas.

            A hora do café em Folkins era a melhor do dia, sua mãe preparava os melhores sanduíches da vida, ainda mais quando acompanhados de suco de laranja. Tomavam café na varanda cedinho da manhã para aproveitar os primeiros raios de sol. O padrasto sempre acordava mais tarde, ia direto para a tv para assistir a desenhos animados. A criança da casa nem sempre era Jimin. “Fico feliz por você se dar tão bem com ele, querido”, a mulher beijava a testa do filho, acariciando de leve seu cabelo. “Sabe que amo vocês dois”. Jimin tinha certeza daquilo.

            Foi tirado de seus pensamentos quando escutou uma melodia baixinha vinda do quarto. Era seu celular. Há quanto tempo não tocava naquele aparelho? Desde que chegara em Snowville, podia lembrar. O visor exibia uma ligação. Em Jimin pairou a dúvida de atender ou não. Aquele número já havia ligado várias vezes dias passados, e como das últimas, Jimin apenas encarava a tela do celular até perder a ligação.

            A ligação foi perdida novamente.

            _________________

            Na preparação de uma festa constantemente nos deparamos com alguns impasses: quantas pessoas convidar, quem convidar, horário, cronograma do evento e etc. Tem-se certo controle de tudo, ainda assim corremos o risco de nos deparar com pessoas indesejadas, não convidadas. Há quem saiba reagir a esse tipo de situação, há quem ponha a tal pessoa para fora. Mas, o que fazer quando esse convidado indesejado é a morte? Como explicar que a não queremos? Seoyong, a faxineira, não preparara uma festa, não fizera uma lista de convidados, não encomendara o buffet, no entanto a morte se fez presente. O abraço que esta deu-lhe tirou seu fôlego, a deixou largada no chão daquele quarto.

            O corpo da moça só fora encontrado na madrugada de domingo, quando ao dar falta de sua sobrinha, a dona do estabelecimento resolvera procurá-la pelos quartos. Quase não acreditara, a menina estava ao pé da cama, os olhos arregalados como se encarassem a janela aberta, que tinha as cortinas balançando ao vento gélido. Tratara de chamar logo a polícia, mas só conseguira após um mar de lágrimas.

            Namjoon fora um dos primeiros a comparecer no local, junto a alguns policiais. Olhara brevemente o local do crime, mas não ousara mexer em nada, uma vez que a perícia de Lustmain havia sido contatada. Aproveitara para interrogar a mulher mais velha, antes que mais pessoas se aproximassem do local.

            - Seoyong não merecia isso, meu Deus. O que irei fazer sem minha sobrinha?

            - Pode me informar o nome dela e o seu completo, por favor? – Namjoon tirara um bloquinho e uma caneta do bolso interno do seu casaco de frio.

Os dois estavam na porta de frente ao quarto do ocorrido enquanto alguns policiais se prontificaram do lado externo da casa, evitando que curiosos entrassem. Pessoas usando roupões e sobretudo saíam de suas casas ao longe, pareciam pequenas por conta da distância. Algumas estavam apavoradas.

- Certo, Seoyong tinha 24 anos, uma filha, um... – o investigador olhou para a mulher enquanto falava. – “um possível namorado”, em suas próprias palavras.

- Isso, senhor.

- Quando foi a última vez que a viu?

- Eu tinha saído para fazer algumas compras para manutenção da casa, coisas de limpeza. Me despedi dela, ela foi limpar o quarto de hospede...

- Quem alugava esse quarto? – Namjoon estreitara os olhos.

- Um homem alto, não víamos direito seu rosto, ele sempre andava de máscara, um casaco de frio. Pagou em dinheiro, pagou muito. Nossa política é dinheiro na mão, não interrogamos ele, oh Deus. Se eu tivesse ao menos tomado mais cuidado... Minha Seo.

- Temos o nome dele, senhora?

- Temos registro, senhor. Na sua primeira estadia fizemos ele preencher alguns papeis.

- Posso dar uma olhada?

- Claro, claro. – A senhora voltara a chorar ao vislumbrar o corpo de sua querida.

Namjoon a acompanhara até a sala principal da casa, no caminho passaram por mais três quartos, estes estavam de porta fechada. As paredes da sala descascavam, mas o que mais chamava atenção eram as infiltrações nos rodapés de todas as paredes. Ele se perguntara o que levaria alguém a alugar um quarto ali. Não seria nem de longe uma opção para ele.

- Aqui está, senhor. – Ela fungara. Tentava arrumar os fios loiros de seu cabelo, mas só piorava a situação. – Oh, Deus... – e voltava a chorar.

Namjoon pegara o caderno em espiral da mulher. As letras eram difíceis de entender, pois foram escritas às pressas outrora, porém, com esforço, ele conseguira captar as informações daquele papel.

- Vejamos... – ele passava as folhas até chegar na última, depois fizera o inverso. -  Certeza que anotou algo aqui?

- Sim, foi o próprio homem, está com a letra dele. – o olhar da mulher se apertou, tomando rapidamente o caderno do investigador. Estava frustrada. – Como não? Eu vi, entreguei a caneta a ele, senhor, juro. – ela insistia em chamá-lo de senhor, mesmo sendo a mais velha ali. Por respeito, ela pensava.

O investigador respirara fundo esfregando a testa com os dedos devagar. Não acreditava que a senhora fora tão boba em não fazer as próprias anotações, mas não estava a cargo dele julgá-la ou até mesmo culpá-la. Com paciência, vendo-a se desesperar ao perceber a burrada que houvera feito em confiar num desconhecido, Namjoon tocara em seu ombro, pedindo a ela que se sentasse.

- O que vocês chegaram a conversar?

Ela demorara um pouco para responder, seu olhar estava preso ao chão.

- Não muito. Ele pediu um quarto, pôs o dinheiro no balcão. Pedi... Pedi para Seoyong indicar o quarto... – mais lágrimas – Após um tempo, ele decidiu ficar aqui, foi quando dei o caderno para ele anotar seu nome e dados de endereço.

- Pode me descrevê-lo?

- É como já disse, mal o víamos. Parecia jovem por conta da voz, mas não sei dizer ao certo. Posso estar confusa nesse momento.

- Eu entendo, senhora. Mas precisa me dizer tudo o que lembra, ok? Só assim poderemos prender quem quer tenha feito isso a sua sobrinha. – Namjoon a olhara nos olhos, seu rosto estava límpido. – Por que usou “possível namorado”? Quem era? Desde quando estava com Seoyong?

- Seoyong costumava sair com muitos homens, mas esse rapaz vinha mantendo um relacionamento com ela há quase 3 meses. Não sei muito sobre ele, se chama Jongwoon.

O homem rabiscava seu bloco.

- Sabe onde ele mora?

- Não. Digo, não sei a casa, mas o bairro, sim.

- Por favor, me diga.

Namjoon perguntara ainda sobre a relação do tal namorado com a filha de Seoyong. Coletara alguns dados sobre a criança e também sobre o pai biológico desta. Anotara o nome dos amigos, familiares mais próximos, bem como os caras que a senhora havia afirmado que a sobrinha saía no passado. Por um breve momento, Namjoon se perguntara se Luna teria algo a ver com isso, ou talvez a “tal pessoa” que Luna afirmara que a coagiu a enviar aqueles e-mails.

Para aquele crime Luna tinha um álibi, afinal estava sendo interrogada quando Namjoon fora avisado da fatalidade. Porém, só teriam certeza após a perícia, pois teria como prova o horário da morte da faxineira. O investigador não tivera muito tempo para assimilar tudo o que Luna o havia dito no interrogatório, quando saíra da delegacia de Lustmain, a menina havia ficado com o responsável, seu primo.

A porta de repente fora aberta deixando as luzes dos carros de polícia adentrarem todo o ambiente da sala. O investigador e a senhora puderam ver que cada vez mais pessoas se voltavam àquela casa, até mesmo crianças estavam de olhos atentos para o que pudesse estar ocorrendo àquela hora da madrugada em meio a uma queda leve de neve. A porta da frente fora fechada no momento seguinte em que uma equipe da perícia entrava com seus equipamentos de trabalho. “O crime ocorreu no terceiro quarto. Por favor, não toquem em nada, vistam jalecos e luvas como bem sabem”, fora um homem de sobretudo preto quem falara para três de sua equipe.

            Ele se aproximara de Namjoon e a senhora. O investigador arrumara a postura esperando cumprimentá-lo.

            - Perito criminal, Kim Seokjin. – ele estendera a mão para senhora, logo após se voltando para Namjoon, falando, então, para este. – Trabalharemos juntos a partir de agora.

            Os dois trocaram um aperto de mão ao confirmarem com um menear de cabeça. Namjoon o acompanhou até o quarto em que a vítima estava.

            _________________

            A tarde de domingo se estendia trazendo sol para snowville, os pinheiros aos redores dos montes tinham seu gelo derretendo aos poucos, quase imperceptível. Mesmo expostas ao sol, os habitantes continuavam com seus casacos e cachecóis, só os tirariam dentro de suas casas ao redor de suas lareiras. Jimin fazia parte daquelas pessoas, com a diferença de não ter o privilégio de uma lareira em casa. Para completar, o aquecedor era velho e às vezes dava problema.

            Arruma uma prateleira aqui, arruma uma outra ali... muitas mercadorias passavam da data de validade. O garoto imaginava o chilique que o tio daria mais tarde ao se deparar com o fato. O que o senhor falara no café era verdade, grande parte das pessoas deixaram de comprar no mercadinho após o assassinato de Hyun Min e a “louca” associação do crime à família Park, mesmo que dias mais tarde toda aquela confusão se mostrasse uma calúnia.

            - Jimin, aqui, pegue esse dinheiro vá ao mercado de peixes. Escolha o maior. – o senhor Park chamou sua atenção entregando-lhe algumas cédulas. O outro assentiu deixando a flanela sob o banco em que estava sentado antes.

            O caminho até o mercado era tedioso e um tanto demorado, mas entregava o vislumbre das partes mais movimentadas da cidade. Passava-se pelo parquinho, no qual crianças grandes e pequenas sorriam ao balançarem em cordas que pendiam de um playground colorido. Passava-se pela padaria, uma das únicas que ficava aberta no domingo à tarde, bem como passava-se em frente à casa de Jungkook, o qual se podia ver sentado na poltrona cinza, vestindo uma camisa de mangas longas azul, com um caderno e um lápis sobre as pernas. Ele parecia compenetrado no que quer que estivesse escrevendo ali. Jimin alargou os lábios num sorriso breve, pensando por um momento se deveria importuná-lo ou não. Em sua mente, uma cena rápida do que acontecera entre os dois no banheiro masculino da escola no dia anterior. “Será que Jungkook tem pensado nisso tanto quanto eu?”, Jimin voltava a sua caminhada.

            Na verdade, Jungkook pensara tanto nisso na noite passada, que mal conseguira pregar os olhos, e os poucos momentos que conseguira pregar, por curtos que fossem, o rosto e corpo de Jimin tomavam de conta de sua imaginação. Aquele corpo resguardo apenas por uma sunga. Jimin era lindo de morrer. Disso, Kook tinha total certeza.

            Estávamos tão perto... Mesmo em meio ao perigo de nos encontrarem ali, eu não conseguia pensar direito. Por um momento tive medo, talvez de não ser bom o bastante no que se seguiria, resultando em um Jimin se frustrando em relação a mim. Meu maior medo era deixá-lo triste.

            O lápis deixava marcas de grafite nas linhas pretas de seu caderno cinza. A letra do garoto era impecável, cursiva. Os professores sempre o elogiavam por tal feito.

            Estamos tão mais próximos. Ele olha diferente para mim agora. É o que vejo. Está sendo mais sincero, e eu gosto disso, pois me dá abertura para conhecê-lo melhor. Quero pergunta-lhe sobre seus gostos, sua comida preferida. Posso cozinhar para ele, não vejo nenhum problema nisso, afinal é o que mais gosto de fazer nas horas vagas.

            “É isso!”, ele vinha procurando uma desculpa para encontrá-lo desde que levantara da cama. Prepararia algo gostoso para o amado, assim teriam tempo para conversar e...        Jungkook fechou o caderno devagar, mordicando o lábio inferior com seu canino. E se as coisas esquentassem entre eles novamente? Aquela pergunta ficava batucando em sua mente. O garoto não gostava de ser pego de surpresa. Tudo o que fazia era pensado, punha os prós e contras na mesa e debatia em sua mente até tomar uma decisão. Seria ridículo não saber o que fazer. “Ridículo, Jungkook. Ridículo!” Teria de ser primoroso, não menos que isso. Jimin merecia tudo de bom. Kook estava convicto disso.

            O mercado de peixes não poderia ter um cheiro diferente dos produtos que oferecia, mas mesmo assim Jimin esperava que fosse um odor mais leve. Banquinhas vendiam salmão, truta, linguado, cavalinha, atum e até bacalhau. O tio não havia sido específico quanto ao seu gosto por peixe, no entanto, Jimin resolveu levar salmão para casa.

            - Esse aqui, por favor. – ele apontou para um dos maiores que repousava na lona branca.

            A dona daquela banca o olhou por alguns segundos, analisou-o de cima abaixo, seu lábio se movia minimamente ao formar um bico de reprovação. A senhora da banquinha ao lado percebeu o ato da colega, cutucando-a com o ombro, seu rosto também assumiu um ar de desprezo. Jimin havia percebido aquilo, mas tratou de olhar para os peixes como forma de evitar os olhares incriminadores.

            - Aqui. – a mulher estendeu a sacola de plástico a ele, mas no momento em que o rapaz foi receber, ela soltou em cima da mesa. Sorriu para a colega, esperando que ela concordasse com sua ação.

            Jimin juntou forças para não contestar o que havia acontecido. Tomou a sacola em suas mãos e entregou as notas referente ao valor daquele peixe. Sua respiração acelerou relativamente. Ao dar as costas, comentários como “Não sabia que criminosos comiam salmão no jantar” foi ouvido por ele. E por conta daquele dito as pessoas começavam a se voltar para o rapaz, analisando-o como a mulher da banca tinha feito segundos atrás. Alguns cochichos, outros sorrisinhos disfarçados... Jimin queria correr dali, evaporar se fosse possível.

            De repente por onde ele passava todos o olhavam indiferentes, ficou mais que na cara que ele estava sendo a atração daquele mercado. Assim, travou o maxilar e se encaminhava à saída quando uma voz gentil falou-lhe.

             - Jimin, certo?

            Ele girou os calcanhares, dando de cara com uma senhora mais baixa do que ele. Sacolas pendiam dos braços magros e pintados aqui e acolá de sardas. Era Mirah, ele a reconheceu.

            - Não dê ouvidos, jovem. – nem ela saberia explicar o porquê de estar sendo tão complacente com aquele que todos julgavam. Apenas pensava em seu neto Kook, e em como ele gostaria que ela desse um voto de confiança à pessoa que ele gostava.

            Os dois, juntos, se dirigiam à saída do mercado, causando burburinhos e olhares pasmados. Mirah sabia que seria julgada também, mas não se oporia à decisão de Jungkook em confiar naquele garoto, e se seu neto confiava em Jimin, ela não via o porquê não confiar também. Mirah estaria sendo sensata ao pensar daquela forma?

            - Deixe que eu ajudo você.

            - Oh, obrigada, mocinho. – A senhora passou algumas sacolas para Jimin. – Como vai o seu tio?

            - Ele está bem na medida do possível.

            Calaram por um momento. Só o que ouviam eram seus passos e o farfalhar das sacolas ao vento frio. Jimin apertou o casaco contra o corpo. Mirah notou de esguelha, rindo sem som.

            - Não está acostumado com o clima de Snowville, certo?

            - Não mesmo. – O garoto retribuiu o riso, fingindo bater os dentes.

            - Deve ser difícil. De onde você é? – Mirah viu a oportunidade de saber um pouco mais sobre aquele ser. – Há quanto tempo está aqui?

Desde que chegara na cidade, Jimin tivera o pensamento de passar despercebido, esquivava de perguntas para não ter de respondê-las e acabar se comprometendo. A escola fora seu pior monstro a enfrentar, uma vez que não buscava amizades, e muito menos romance. A escola era necessária somente para se aproximar de alguém, ainda que até aquele momento ele não houvesse conseguido. Teria de se esforçar mais. Mas, ali, conversando com Mirah, ele se sentia bem, não se importaria em respondê-la. Era um privilégio para ele tê-la ao lado na caminhada. Era um privilégio não ser tratado como um embuste para variar.

- Sou de Folkins. Estou aqui há quase um mês.

- Mesmo? Nunca havia notado você, rapaz. E olha que rapazes bonitos não passam despercebidos por meus olhos. – ela não se importou em elogiá-lo, já que não mentia. Jimin era, sim, um garoto bonito tanto quanto seu neto. A cena do beijo entre os dois assolou sua mente por um momento a desconsertando. – Bem, percebi que estuda com o meu neto.

- É, isso mesmo. Jungkook é uma cara muito legal. Sabe, foi o único que se dispôs a me conhecer de verdade... Quero dizer, os comentários...

- Claro, claro. Meu kook é um garoto de ouro, não tenha dúvidas. Seu coração é do tamanho de um mar sem fim. – a senhora pigarreou. – Não irei mentir para você, Jimin.

O garoto ao seu lado enrijeceu os músculos do pescoço esperando não receber algum tipo de rejeição por parte daquela com quem caminhava.

- Nem sempre tive essa visão despreocupada em relação a você, no entanto, acredito que as pessoas não devam condenar alguém para sempre. Ainda mais você, que não teve culpa de nada que seu tio fez. Falo sobre o cervo, eu ouvi no rádio.

Jimin assentiu sentindo-se um pouco mais relaxado.

- Não concordo com o que falaram para você. Foi horrível. As pessoas estão tentando arranjar um culpado, estigmatizaram você, rapaz. Seja forte, isso logo passa, mas tenha cuidado. E por favor... – ela sentiu um aperto por ter de falar daquela forma. – Não arraste Jungkook para confusões. Ele já anda preocupado demais esses dias.

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O garoto estava em frente ao fogão preparando seu chocolate quente. Sua avó havia saído há um tempo, mas até então nada da senhora chegar. Ele ficaria preocupado, caso não tivesse a cabeça ocupada pela mesma pessoa desde dias passados. Por aonde Jimin estaria andando? O que estaria fazendo? Por dentro torcia para que o cara de cabelo preto não estivesse se metendo em mais brigas, como afirmara estar. Jimin não merecia ter o olho e as costas machucadas por quem quer que fosse, era precioso demais para Jungkook.

Por estar perdido em seus pensamentos, não notou quando o leite achocolatado transbordara da leiteira virando uma grande meleira no fogão. “Droga!” Procurou por um pano, que pudesse auxiliá-lo na limpeza, dentro das gavetas do armário, mas o que encontrou foi o livro de receitas que ele confeccionara no ano passado. Alguma daquelas receitas teriam de servir para agradar Jimin.

Jimin não perderia por esperar.

O que Jimin não esperava mesmo era a visita “daquela pessoa” em sua casa. O visitante estava apoiado no balcão do caixa, rindo para o senhor Park, que, por incrível que pudesse parecer, retribuía os risos, sacudindo de leve os ombros de quem lhe parecia ter contado uma bela de uma piada. Era Yoongi quem estava ali. Seu cabelo havia mudado, exibia algumas mechas verdes.

- Oh, aí está ele. – o tio falou, ainda segurava um riso nos lábios. – o jovem Min veio lhe procurar.

Aquela situação estava muito estranha. Primeiro pela reação do seu tio em relação a Yoongi. Segundo por Yoongi está ali procurando-o. O que mais estava para acontecer?

Jimin pediu licença para ir até a cozinha guardar a compra. Ao voltar, seu tio não estava mais no balcão, mas sim numa das últimas prateleiras ao fundo do mercado olhando, o que Jimin imaginava ser, as perdas de mercadorias. Yoongi continuava parado no mesmo lugar de antes, diferindo apenas seu modo de cutucar as cutículas do polegar com a unha do dedo indicador.

- Vim em paz. – tratou de falar, logo que percebeu que Jimin não tomaria a frente da conversa. – Pensei no que fiz ontem e vi que não foi legal com você.

- Não foi legal com a gente. – Jungkook até brigara com a amiga por causa do alarde de Yoongi. Jimin ao relembrar o fato se sentiu mal.

- Certo, certo. Me desculpe. Amigos? – Yoongi estendeu a mão torcendo muito para que Jimin a tocasse nem que por um milésimo de segundos. – Vamos lá, prometo... – ele olhou para o senhor Park arrumando as prateleiras, baixando o tom da sua voz. – prometo não contar para ninguém o que vi naquele banheiro.

O que importava a boca grande de Yoongi? Jimin se perguntava. Quais consequências teria? No que atrapalharia seus planos? Por que confiar nele? Que prova tinha de sua lealdade?

- Tudo bem. Fique tranquilo. – Jimin apertou firmemente a mão do outro, este lhe lançou um riso exuberante.

- Bem, feitas as pazes... Que tal um passeio? – Yoongi arrumou sua jaqueta verde musgo, voltando a assumir sua postura desinibida.

- Foi mal, tenho que ajudar meu tio.

- Pode ir! Não precisarei de você por agora.

Jimin quase não pôde acreditar no que ouvia, na verdade, não acreditava em nada do que estava acontecendo ali ao seu redor. Não havia motivos para o Park mais velho estar sendo tão amigável, e mais, amigável com Yoongi. Qual a relação dos dois? Suas ações não indicavam que acabaram de se conhecer, pelo contrário.

O garoto de mechas verdes guiava o caminho. Jimin não conhecia aquela trilha, mas não podia negar que era bastante agradável aos olhos. Ao longe, no alto, podia-se ver os montes cobertos do branco da neve. Poucos eram os pontos visíveis de relva verde. A torre de transmissão ficava no alto de um daqueles montes, algumas faixas amarelas estavam envoltas da estrutura de ferro. Havia também um lago congelado à direita do caminho, sobre o lago uma cabana de lona e mais à frente três homens com varas de pesca, tentando a sorte naquele buraco que, provavelmente, fizeram.

- Já pescou?

- Na verdade, não. – Jimin não tirava os olhos das varas e de seus donos.

- Como não? Posso auxiliá-lo. Se quiser, claro. – Yoongi juntou as mãos na frente do corpo para esquentá-las. Jimin não lhe deu uma resposta.

- Como conhece meu tio? – perguntou ao invés disso.

- Imaginei que surgiria essa pergunta. Meu pai é um grande amigo do senhor Park. Ele nunca falou sobre isso?

- Ele não é de falar muito, se é que me entende.

- Hm. Então, você se parece com ele. – Yoongi desviou de umas pedras, chocando seu ombro no ombro do outro. – É de família. Tudo bem, então.

- Aonde estamos indo afinal? – Jimin resolveu perguntar, após notar que estavam se afastando das casas gradativamente.

- Relaxa. Você verá.

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A delegacia de Lustmain parecia estar mais vaga àquela hora do domingo. Dentro de uma daquelas salas branco gelo, Namjoon se encontrava concentrado em seu notebook. Passara algumas informações de seu bloco de anotações para uma pasta do computador na madrugada, mas teria ainda de redigir seus relatórios, bem como transcrever alguns áudios que gravara noutrora em seus interrogatórios, esses deveriam ser enviados para seus superiores em Folkins.

Redigidas algumas de suas obrigações, Namjoon parou para ler novamente os e-mails que supostamente Luna havia enviado para Anna Jang. Ao voltar do ocorrido em Snowville, o perito avaliara a hora da morte de Seoyong entre 22:20 e 23:00 do sábado, sendo que Luna esteve sob inquérito das 21:30 até 22:40. O álibi era certo, o investigador não poderia negar.

Namjoon se pegou lembrando da cena do crime. Ele só fora autorizado a entrar meia hora depois que Jin, o perito, tirara fotos de vários ângulos do corpo da vítima, bem como de todo o quarto e objetos ao redor.

- O jaleco, por favor. – Jin alertara a Namjoon, que apenas obedecera.

- Algo importante foi deixado para trás?

- Não muito. Encontramos essa luva preta debaixo do guarda-roupas. – o perito observara se o investigador usava as luvas brancas para, então, deixá-lo tocar no plástico que protegia o material. – Parece estar intacta, mas mandaremos para análise, talvez consigamos algum DNA nela.

Namjoon lembrara do fato que as facas usadas contra as duas últimas vítimas não continham DNA do assassino. Seria o caso dessas luvas pertencerem ao mesmo agressor?

- Mas, veja só. – Jin mostrara algumas fotos para o outro. Uma foto em especial revelava o rosto da vítima, os olhos abertos opacos, sem vida. – Aqui na bochecha esquerda, viu? Tem uma marca fragmentada. A forma lembra um círculo. Talvez um anel. O assassino deve ter socado o rosto da vítima. E aqui – ele apontara para um resíduo preto perto do nariz da moça. – se parece com o material da luva, não é? Diria que ao socar o rosto dela, a luva tenha rasgado por conta do anel. Guarde essa informação.

Namjoon olhara ao redor, tomando cuidado para não pisar errado e acabar tirando algum objeto do local. Percebera que não havia nenhuma arma pelo chão. Ao se aproximar um pouco mais do corpo de Seoyong, ele vira marcas em seu pescoço, deduzindo que ela houvera sido estrangulada. “Talvez não se trate do mesmo assassino”, ele pensara, “ ou talvez só tenha mudado a mecânica de seus crimes”.

- Acha que ela sofreu algum abuso sexual? – o investigador tomara seu bloco do bolso do casaco.

- Sua roupa não parece ter sido tirada em algum momento, isso também saberemos após a autópsia.

Percebi que você não saiu dessa sala desde que voltamos de Snowville. Era a voz de Jin e ela o tirou do local do crime, trazendo Namjoon de volta àquele cômodo da delegacia abarrotado de mesas e computadores.

- Muito trabalho. – ele respondeu, passando a mão no rosto como forma de espantar a cansaço de sua feição.

- Percebi e concordo. Mas acho que você deve concordar, também, que precisa se alimentar. – Jin o chamou com a cabeça. – Conheço um restaurante muito bom e barato. Vamos lá.

O investigador moveu os ombros para cima e para baixo, também alongando o pescoço. “Por que não?”

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- Kook, querido?

- Sim?

- Podemos conversar agora?

- Claro.

Jungkook largou a espátula suja de ovos na pia, lavou-a, como também as mãos. A avó do garoto olhava para a pequena janela da cozinha, o vidro embaçava com sua respiração.

- Hoje estive com seu amigo. Jimin.

Um arrepio leve tomou de conta do corpo de Kook, o garoto virou para a avó, umedecendo o lábio inferior. Esperou-a continuar.

- Sabe, querido, as pessoas podem ser muito cruéis, quer percebam quer não.

- O que está tentando dizer?

- Não sei bem se deveria dizer isso para você.

- Oh, por favor, minha avó. Agora fiquei curioso. – “e preocupado”, ele queria dizer. – O que tem o Jimin? – Será que Mirah havia descoberto sobre a face assassina de seu amor? Ela estaria de plano entregá-lo para a polícia?

- Quero dizer, fico preocupada com você em relação a ele.

“Sim, ela sabe. Com certeza ela sabe, droga! Como defendo ele? O que digo?”

- Ele deve ter seus motivos, eu sei disso. Temos que ficar do lado dele, eu prometi a mim mesmo. Eu não posso falhar com ele. O Hyun Min...

- Que? O que você tá falando, menino? – um ponto de interrogação se fez perceptível no rosto da senhora, que virou para Jungkook ao franzir os olhos. – O que Hyun Min tem a ver com Jimin. Jungkook, o que você sabe?

Como Jungkook falaria para sua avó que, possivelmente, Jimin assassinara aquele rapaz, e mais, como olhar nos dela e mostrar que ele não se importava com a realidade? Que ele não era mais aquele menininho que tinha medo de tudo e da opinião de todos? Que ele estava disposto a ir até o fim por Jimin, mesmo que isso lhe trouxesse exclusão dos demais, mesmo que a própria avó virasse as costas para ele e vice versa? Na verdade, ele não precisou se explicar, não naquele momento.

Um ringtone vinha de cima, descendo as escadas e se introduzia na cozinha chamando atenção dos dois. Mirah nem por um momento pensou que os laços entre Jungkook e Jimin pudessem ser tão fortes, não era possível, não fazia tanto tempo que se conheciam. Era possível?

Jungkook apenas deixou-a ali pensando no que quer que fosse. Que não fosse coisas ruins sobre Jimin, pelo menos.

Era seu celular que tocava. Foi uma luta para pegá-lo debaixo da cama, dentro de uma caixa de sapatos. O número era desconhecido.

- Alô? – a voz de Kook soou meio preocupada, ainda estava mexido com o lance de Mirah e Jimin.

Jungkook, oi. Sou eu, Taehyung. Que bom poder falar com você novamente, mas não foi para isso que liguei. Pode me encontrar qualquer dia desse?

- Como assim, o que houve?

Decide o dia e o local e me manda uma mensagem. Estarei aguardando.

A pessoa na outra linha encerrou a ligação. O garoto de cabelo cor de chocolate ficou parado por um mísero tempo encarando o telefone, tentando digerir o que havia acontecido, o porquê de Taehyung ligá-lo. Afinal, quando ele havia pego seu número?

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- Então, o que acha?

Pararam em frente a um grande carvalho. A árvore era uma das mais antigas da cidade, a neve deveras denegria seus galhos grossos com o passar dos anos, mas ainda assim a árvore se mantinha firme em seu lugar. Era poético pensar nisso, filosofia ponderar sobre o fato.

- Está congelada.

- ah, vamos lá, Jimin, sei que você pode melhorar seu comentário. Pensa um pouco vai...

- Está congelada, mas está viva?

- Desisto de você. – Yoongi socou seu ombro.

- E é bem distante de casa também. Tudo bem estarmos aqui?

- Do que você tem medo? De mim? – as mechas verdes balançavam ao vento calmo. – Do que posso fazer com você?

Jimin se manteve ereto no local que estava, enquanto Yoongi se encostava na madeira, olhando fixamente em seus olhos. Jimin não desviou seu olhar também.

- Você namora o Jungkook?

- Me trouxe aqui para isso?

- Não. – Yoongi enfim redirecionou a visão para os pés. Ao mesmo tempo que era invasivo, também era desconfiado, como se as palavras apenas saíssem de sua boca, momentos depois fazendo com que ele se arrependesse. – Quero conhecer você melhor, só isso. E alertá-lo sobre a pessoa que você acha que Jungkook é.

- Acho que posso descobrir isso sozinho.

- Pode, claro. Mas o baque pode ser maior.

- O que você quer dizer, Yoongi? – Jimin cruzou os braços, achando todo aquele papo muito nada a ver.

- Olha – ele se aproximou do outro, encostando levemente seu peito na lateral do corpo de Jimin de forma que pudesse sussurrar em seu ouvido. – pergunte a ele sobre o acampamento de dois anos atrás. Depois me diz o que você acha. – deixou um beijo no lóbulo da orelha dele.

Jimin não queria levar aquelas palavras a sério, mas não era o que sua mente faria.

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- Kook? Está aí? – Mirah bateu na porta algumas vezes na porta do quarto do neto.

 A noite se aproximava e com ela uma nevasca também, era o que a previsão informara. A porta se abriu minimamente. O garoto não estava na cama, muito menos perto da janela, como às vezes costumava ficar, porém, o barulho de água caindo indicava que ele estava no banho.

A avó adentrou o quarto e sentou-se na cama do menino. O quarto estava escurecendo ao cair da noite. Ela o esperaria sair do banho para tentar arrumar o que quer que estivesse fora do eixo entre eles dois. Jungkook pareceu não a ter escutado entrar no quarto, visto que nada falara do banheiro.

Mirah passou a olhar todos os cantos, cada parede, teto. Aquele quarto tinha o cheirinho bom de Kook, as fronhas, ela cheirou rapidamente, tinha cheiro de shampoo de erva doce. Ao abrir o guarda-roupas, bem... O cheiro não era tão bom assim.

Ela tateou a madeira um tanto envelhecida, pensou ser por conta do mofo, mas logo percebeu que não era só por causa dele. No fundo, bem no fundo, e no alto, uma caixa parecia estar apodrecendo. Ela se assustou quando uma larva “pulou” de cima do compartimento. Com cuidado e temor, a senhora tomou aquela caixa em suas mãos, e o cheiro que adentrou suas narinas a fez retorcer o nariz. O fundo da caixa se desfez e mais larvas surgiram juntamente ao podre de sangue e os restos de um pobre pássaro em decomposição.

Mirah levou as mãos à boca, afastando-se assustada daquela coisa horrenda no chão. A maquete-do-sexo de Jungkook havia se tornado a maquete-necrófaga.

Os olhos da senhora viraram dentro de sua cavidade. Jungkook saiu do banheiro a tempo de ver sua pobre avó cair desacordada no chão.


Notas Finais


Que eu havia desisto da Fanfic um tempo atrás não é segredo para ninguém. Tentei escrever várias vezes, mas não conseguia alcançar nada concreto. Estou voltando a engatiar. Desculpem-me, mesmo! No mais, é assim mesmo. Não é todo dia que se abadona uma fic e depois de anos volta, né? Muitos que acompanhavam TLOS ão estarão mais aqui, sinto muito por isso, mas aos que continuam... Aqui estamos e vamos até o fim!
Beijos e até o próximo capítulo!

Lly <3

P.S: Viram nosso novo personagem Jin? Que que acham?


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