História The Letter - Beauany - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Bem vindo de volta


Para uma plena noite de terça-feira, o Aeroporto Internacional de Los Angeles está bastante movimentado. Teria sido cômico se não fosse trágico quando esbarrei em uma mala no meio do caminho quando parei para tentar ler a placa que indica a direção do guichê de embarque, passo o olho rapidamente pelo local para tentar encontrar (e talvez xingar) o dono do objeto mas continuo seguindo meu caminho como se nada tivesse acontecido após uma falha tentativa de achar o culpado.

Após todas as burocracias de uma viagem internacional, finalmente entro no avião e com o meu bilhete indicando o assento 26-A, vou diretamente até o final da aeronave.

— Ótimo, se isso cair, pelo menos eu morro por último. — Meu subconsciente ironiza.

Ao meu lado está uma mulher morena bonita, uns 35 anos, eu diria, e uma criança, com a pele uma pouco mais clara, que acredito que seja seu filho, chuto uns 10 anos no máximo. Com meu moletom, meia e chinelo, eu estou totalmente largado em comparação ao menino, que está de calça jeans, uma camisa polo branca e um tênis, que certamente é mais caro do que o meu rim. A mulher veste um suéter bege simples, uma legging e um tênis que olhando de longe não consigo reconhecer a marca. Ela parece estar preocupada com algo mas não me dou ao trabalho de perguntar, na minha cabeça já basta os meus problemas.

Como estou sentado no assento da janela, nos primeiros minutos assim que o avião decola, a mulher se inclina sobre mim para ver algo lá embaixo. Eu digo 'algo' pois realmente eu não sei o que ela tanto quer ver, não há nada além de luzes ficando cada vez menores nos indicando que a cidade dos anjos estava ficando para trás.

— Eu não me importo se quiser trocar de lugar comigo. — Digo finalmente e ela demora um pouco para entender que estou me referindo a ela. Ok, essa mulher está ficando cada vez mais estranha...

— Ah não, obrigada. De certa forma, eu já vou dormir mesmo. — Apenas concordo afim de não prolongar uma conversa aleatória.

Só percebo que cai no sono quando abro os olhos espantado após minha cabeça se chocar contra a janela. Esfrego os olhos e demoro um pouco para lembrar onde estou. A mulher ao meu lado continua do mesmo jeito e a mini-televisão à minha frente indica que faltam um pouco mais de cinco horas para o pouso. Tento voltar a dormir e, sem nenhum sucesso, me pego conversando com a mulher, que já não parece mais tão esquisita.

Não sei como e nem o por quê, mas minutos depois eu já estava desabafando com ela, acho que não sabia que precisava tanto disso, e sei que parece brega, mas após contar sobre toda a minha vida e tudo que acontecia comigo, pude me sentir até um pouco mais "leve".

— Espero mesmo que você consiga conversar com ela e esclarecer as coisas, Josh.

— Err, eu também... — digo sem jeito.

— Tudo se resolve, apenas não se conforme! Eu tenho uma filha da sua idade e me parte o coração sempre quando vejo-a sofrer, e... aliás, eu preciso ver se ela está bem. — Ela entrega a bolsa que estava segurando para o filho, tira o cinto de segurança e se levanta.

— Espera, espera... Sua filha está aqui também? — Eu digo e me arrependo na mesma hora que ela sorri de lado maliciosamente. — Eh... Quero dizer... Eu posso trocar de lugar com ela para vocês ficarem juntos. — Por deus, essas mulheres conseguem ser muito promíscuas quando querem.

— Fique tranquilo, sei que ela tem algumas coisas para pensar e, bom, acho que eu não devo ser sua melhor companhia agora. — Ela diz e sai andando pelo pequeno corredor do avião me deixando completamente curioso.

Apenas fomos jogando conversa fora até o avião pousar e praticamente nos despedimos com um "tchau, até nunca mais".

Depois de quase dez horas de voo, eu não via a hora de finalmente sair daquele sufoco então peguei minha mochila que estava embaixo dos meus pés e sai antes de todo mundo pela porta traseira. Graças a Deus minha mala foi uma das primeiras a aparecer na esteira e assim que consigo colocá-la no chão, vou em direção a saída para pegar um táxi.

Digo o endereço para o motorista e ele da a partida no mesmo instante, procuro meu celular no fundo da mochila, mas antes de achar o mesmo, me deparo com a carta, que parece estar me amedrontando desde que sai de casa.

Ela é bonita afinal, e até formal demais para o meu gosto, ela tem selos brilhantes e uma caligrafia quase perfeita a não ser pelo pingo do "i" borrado talvez pela tinta da caneta fresca, que me da um leve toc. Já a li tantas vezes que acho que sei de cor o seu conteúdo, mas devo admitir que o mistério que parece estar sempre presente com ela me assusta. E se isso tudo não for o que eu estou pensando?

— Há um trânsito gigantesco a essa hora no centro, posso pegar a rota mais rápida? — O motorista pergunta me trazendo de volta dos meus longos pensamentos. Apenas aceno e ele entra em uma rua um pouco à frente à direita.

Volto a olhar para a carta em minhas mãos novamente mas decido que esta não é uma boa hora para pensar no assunto, apesar de saber que quanto mais eu adiar, mais vai ser pior de absorver a verdade. Guardo-a e pego meu celular, ignoro as chamadas perdidas, plugo os fones de ouvido e coloco para tocar no modo aleatório de uma playlist de músicas para chorar descendo atrás da porta, porque afinal, negativo com negativo dá positivo.

Ao chegar no meu destino, pago pelo valor da corrida e desço do carro.

Não sei se deveria estar aqui, mas era minha única opção para recomeçar e fazer as coisas do jeito que eu quero.

Tiro o telefone do bolso e respiro fundo antes de discar os números.

— Joshua? — Ela atende no segundo toque.

— Ãhn, oi vó. — Digo sem jeito.

— Ai meu Deus Josh, quanto tempo que você não dá notícias, estava até pensando em ir para Los Angeles te ver. — Ela diz toda animada. — Eu estou com tanta saudade e... Calma... você está ligando tão cedo, aconteceu alguma coisa? — Sinto a preocupação tomar conta de sua voz.

— Bom, na verdade sim mas... Acho que seria melhor se você viesse abrir o portão primeiro...


Notas Finais


Oi oii, curtem e comentem para mim saber o que vocês estão achando. Beijos, até o próximo capítulo.


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