História The Letter - Beauany - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Quatorze


                Emily é a primeira da lista e assim que a chamo, vejo Sabina revirar os olhos e se desajeitar na cadeira cruzando os braços no mesmo instante. Não entendo tal reação, já que não conheço direito a ruiva em nossa frente, confesso que se eu já vi essa garota na escola quatro vezes foi muito.

                — Nome, série e o país que gostaria de representar, por favor. — Sina solicita com sua voz delicada e o sorriso que não sai do rosto.

                — Bom... — Ela começa a falar com timidez, olhando para os pés. — Meu nome é Emily, sou do terceiro ano, e o país que eu quero representar é o México.

                Sabina da um pulo na cadeira no mesmo instante, dando um susto até na mosca que passava no ginásio.

                — O México está indisponível, princesa. — Ela diz com um tom fofo, mas só a gente que a conhece sabe que isso quer dizer totalmente o contrário.

                — Ah ok... — A garota parece pensar. — Coreia então...? — Emily parece querer entender a situação, e tenho certeza que as meninas também. Joalin puxa Sabina para que se sente novamente, deixando a ruiva começar sua apresentação finalmente.

                Ela simplesmente a-r-r-a-s-s-o-u! Para dançar Kill this Love do BlackPink, Emily deixou toda a timidez de lado e se soltou completamente, nos deixando de boca aberta aplaudindo de pé. Sabina ainda mantinha seu humor estranho, me deixando pensativa. Tem algum caroço nesse angu, se é que vocês me entendem.

                — Você não me engana, Maria Sabina. Desembucha! — Joalin lança seu olhar penetrante sobre a morena assim que Emily sai da quadra.

                — Eu só não gosto dela ué. ­— Ela diz somente, não dando muita bola para as nossas tentativas de tirar algo dela. — Será que da pra chamar logo a próxima pessoa? Esse calor tá me matando! — Muda de assunto puxando a folha à sua frente para se abanar.

                — Oi, meu nome é Diarra e eu quero representar o Senegal.

                Essa foi a nossa última esperança depois de vir a chuva de desastres.

                Uma apresentação pior que a outra e só de nos olhar, entendíamos que isso iria durar muito mais do que a gente esperava.

[...]

                — Meus parabéns... Avisaremos assim que tivermos o resultado. — Shiv fala simpática ao garoto de número 53. — Yeah... Definitivamente não! — Ela diz assim que ele sai.

                — Definitivamente não! — Todas repetimos suas palavras rindo, talvez de nervoso.

                — Tá acabando galera, pensamento positivo! — Tento animá-las.

                — Faltam só quatro apresentações e eu não sei vocês, mas eu só gostei de duas até agora. — Sina diz provavelmente se referindo a Emily e Diarra.

                — Só gostei de uma! — Sabina bate o pezinho com sua birra de novo. Sério, o que aquela ruiva fez para ela que a gente não sabe???

                Já passam das quatro da tarde e todas apenas reviramos os olhos para não dar muito assunto ao drama da Sabina e acabar logo isso. Uma loira que me parece muito conhecida entra na quadra e se posiciona em nossa frente.

                — Número 54? — Questiono-a, já que o nome "Krystian" na minha lista não é muito comum para uma garota.

                — Eu sou o 55, o 54 ainda não chegou. — Ela fala de um jeito fofo, tenho vontade de levantar e abraça-la.

                — Ah, ok... Nome, série e país que quer representar, por favor.

                — Sofya, segundo ano, Rússia. — Sei que a conheço de algum lugar. Minha memória tem estado péssima esses dias.

                A delicadeza de sua voz não demonstra nem dez por cento da delicadeza de sua dança. Ela escolheu uma música calma e cativamente – que particularmente não conheço, mas as meninas ao meu lado cantam a melodia –, se movendo perfeitamente de acordo com as batidas da canção. É uma coisa linda de se ver e me surpreendo quando ela da um salto para logo em seguida finalizar com uma pirueta sem as mãos. 

                — Uau! — Sina responde por todas nós, que continuamos sem palavras.

                O número 56 é Bailey May, capitão do time de futebol, o qual Shivani alimenta uma paixão secreta, porém nem tão secreta assim, já que ela baba sempre que ele passa, e claro, não seria diferente dessa vez com ele dançando bem na sua frente.

                — Limpa o canto da boca Shiv. — Joalin sussurra para a garota, que se da conta e da um soquinho de leve na loira.

                Preciso admitir que Bailey dança bem, maassss ainda aposto que a última apresentação pode me impressionar.

                E foi dito (ou melhor; pensado) e feito:

                — Hina, segundo ano e eu quero representar o Japão. — Ela tem traços japoneses e por isso, não poderia escolher um país que a representasse tanto.

                Igual à Sofya, Hina também tem um jeitinho fofo que se esconde totalmente na hora da apresentação, e para a nossa surpresa, ela puxa um leque – não sei de onde – e acrescenta passos mais contemporâneos à sua coreografia.

                É como dizem: o melhor sempre fica no final.

                Como fizemos com todos que se apresentaram, Sina falou com Hina que os resultados sairiam em breve, sem muitas expectativas, já que ainda precisamos decidir que vai entrar e para a minha infelicidade, temos mais do que precisamos.

                Você que lute, Any Gabrielly!

                — ACABOU??? — Sabina grita, levantando rápido da cadeira. — Eu nem acredito que isso finalmente acabou! ADIOS QUERIDAS! — Ela puxa um sotaque espanhol, saindo da quadra literalmente correndo.

                Não entendo nada, mas pelo visto não é só eu. Todas nos entreolhamos, porém é impossível saber, qualquer drama pra Sabina é pouco!

                Com todas mortas pelo cansaço – ou talvez pelo calor -, começamos a arrumar as coisas, porque se a gente deixa essas mesas e cadeiras aqui, é capaz do Simon me expulsar na segunda-feira se descobrir (e eu não to brincandokkk, é provável que ele faça de tudo para proteger essa quadra tão cuidada e amada por ele).

                As mesas são grandes e pesadas e Joalin se oferece para me ajudar a levar a primeira ao laboratório de mecânica, enquanto o resto das meninas fazem o mesmo. Nesse rolo todo de sobe e desce escada com peso fazendo um tour pela escola vazia, a palma da minha mão fica vermelha e o suor começa a escorrer pelo meu rosto.

                — Você também tá escutando isso ou eu to ficando maluca? — Joalin pergunta e eu apenas assinto com a cabeça meio confusa. É uma música que parece vir da quadra e temos a certeza disso quando estamos nos aproximando e o som se torna mais alto. 

                Assim que finalmente adentramos o lugar, damos de cara com um garoto dançando para as meninas. Ora ora, se não temos por aqui um atrasado...

                Sina percebe nossa presença e nos chama para que possamos assistir ao resto da apresentação. Ele dança bem, e talvez até muitooo bem se comparado com o histórico dessas audições.

                Ele termina sua dança e eu iria dizer de um jeito mais sutil, mas Joalin, delicada como é, apenas fala:

                — Achei que as audições tinham acabado. — Dou um soquinho nela, já que o garoto continua ali meio sem graça. Joalin da de ombros.

                — Ele teve um imprevisto, perdeu a hora... E a sorte dele é que ainda estamos aqui, certo?! — Shivani responde à loira, e se virando ao menino, diz: — Os resultados saem em breve, obrigada por participar!

 

Semana seguinte

                A última semana passou extremamente rápido. Contando com o fato de praticamente metade da escola estar me pressionando para saber os resultados das audições – o que no caso, eu ainda não os tenho -, evitar Josh no Studio tem sido constante durante esses dias.

                Minha tática infalível para buscar Davi sem conversas irritantes e desnecessárias com Josh era simples: chegar cedo no Studio. Eu pegava meu irmão junto com os responsáveis das outras crianças e saía sem mesmo olhar para a cara do querido professor do Davi.

                Hoje é quinta-feira e eu, Noah, Sina, Joalin e Lamar estamos adiantando algumas coisas para o show, como a música e até mesmo a coreografia, porque, embora ainda não tenhamos definido os integrantes restantes, perder tempo faltando um pouco mais de dois meses, não é uma opção.

                A casa de Lamar tem um espaço legal, reservado e suficiente para que fiquemos a vontade sem nos preocupar em atrapalhar uns aos outros. Sina e Joalin começam a criar os primeiros passos da coreografia, enquanto o resto de nós ajuda Noah a terminar de compor sua música. Ele já tem o refrão então nos basta apenas pensar nas primeiras estrofes da canção.

                — Acho que faz mais sentido se colocarmos "Just let it go and close your eyes, we'll be alright" depois de "Going so hot, burn to go", o que acham? — Lamar diz.

                A ideia da música ser em inglês foi totalmente do Noah, e como eu não sou a melhor aluna do idioma, concordo com tudo o que eles dizem, apenas canto algumas partes para ver se ficou ok.

                — Descobri que o Milo é um egoísta que não gosta de dividir seus brinquedos. — Davi aparece no quintal fazendo biquinho. Ele chega mais perto e nos mostra o braço vermelho com marcas de dentes.

                Joalin cai na gargalhada quando percebe o que aconteceu: Milo o mordeu. Seguro o riso e o puxo para o meu colo.

                Minha mãe está trabalhando então não podia deixar Davi em casa e aparentemente Noah não queria deixar o cachorrinho dele sozinho.

                — Será que da pra a gente ir embora logo? — Davi choraminga.

                — Só mais dez minutinhos eu prometo. — Tento convencê-lo. — Agora volta lá pra brincar com o Milo. É só você não pegar as coisas dele que ele não vai te morder de novo, ok?! — Digo e escuto os meninos rindo atrás de mim. Me viro e dou um soquinho no ombro de Lamar, o repreendendo.

                — Ai! — Ele exagera, passando a mão onde eu acertei. — Pode ligar o vídeo-game no meu quarto, se quiser. — Lamar se direciona a Davi, que na mesma hora da um pulo do meu colo correndo para dentro da casa de volta.

                — Então Any... — Sina se aproxima de nós com o suor escorrendo em seu rosto. — A gente realmente precisa saber... — Ela pega sua garrafa de água no chão antes de continuar a falar. — quem vai dançar pra organizar a coreografia.   

                — Verdade. — Joalin completa. — Não adianta nada arrumar as formações se não sabemos quantas meninas e meninos vão ser.

                — E vocês acham que eu não sei? A escola inteira tá me perturbando todo santo dia pelos resultados, mas não vai adiantar nada SE EU AINDA NÃO OS TENHO!

                — Ei... Calma ai, oh estressadinha... — Noah diz, mas se arrepende no segundo seguinte, talvez pelo olhar que eu o lanço.

                — Eu to pirando... No início eu achei o que problema seria não gostar de três, mas se tornou bem pior que isso, porque eu tenho seis nomes e eu não faço ideia de quem eu devo descartar!

                Ninguém me responde, apenas me olham com as mesmas expressões de sempre: pena. Eu sei que quem que tem que resolver isso sou eu, mas uma ajudinha não cairia mal.                      

                — Quem disse que precisa ser onze? — Joalin me questiona depois de um tempo nos entreolhando.

                — Quê?

                — É ué... Quem disse que não podemos ser quatorze? Se você gostou dos seis, não vejo problema em colocar todo mundo...

                — Hmm, concordo com a loirinha. ­— Lamar a provoca, pois sabe muito bem que ela odeia que a chamem assim.

                — Você quer apanhar agora ou depois? — Joalin tem um tom sério mas um sorriso no rosto.

                Depois disso não prestei mais atenção na conversa. Minha mente agora só pensa em uma coisa: quatorze até que não é uma má ideia.

[...]

                Não demorou muito para eu ir embora. A casa do Lamar não é tão longe da minha, então depois de conseguir arrastar Davi pra longe do vídeo-game, viemos andando e conversando sobre coisas totalmente aleatórias do tipo: Como será que as abelhas fazem xixi?

                — Eu não sei você, mas eu to cheia de fome... — Falo assim que paramos em frente ao nosso portão, já sentindo o cheiro da comida da minha mãe.

                — Você não imagina o quant... Professor? — Davi fala e eu acho que não entendi muito bem, pois me concentro em achar a chave de casa na minha mochila.

                — Quê? ­— Me viro na direção que ele correu.

                E quando eu acho que não podia mais me surpreender com as criativas perguntas do meu irmão de onze anos, vejo um certo loiro parado a uns cinco metros de mim.

                — Eai, pestinha? — Ele abraça Davi e depois me encara com aqueles olhos azuis estúpidos. — Ei... Ãhn... Será que a gente pode conversar?


Notas Finais


O que vocês acham que o Josh quer conversar com a Any, hein???


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