História The Letter - Beauany - Capítulo 7


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Capítulo 7 - O que eu perdi?


ANY POV

— O que houve com a Sina, afinal? — Shiv pergunta para o Noah.

Como de costume, estamos todos sentados em volta da mesa que fica bem no centro do pátio durante o intervalo, exceto Antonio, que está no treino de futebol, Sabina e Pepe - os pombinhos que sempre somem do nada então não é de se estranhar - e Sina, que vem faltando as aulas bastante ultimamente.

— Ela está passando mal de novo, acho que é febre ou algo assim.

— O jeito que você conhece sua namorada chega a me assustar... — Joalin fita o garoto. — Eu falei com ela ontem e ela me disse que estava vomitando e com enjoo.

— Talvez ela esteja morta e você nem sabe. — É a vez de Lamar colocar mais lenha na fogueira. Noah fica sério na mesma hora e todos nós caímos na gargalhada.

— Vira essa boca para lá, eoem! E além do mais, — Puxa o celular do bolso — eu mandei mensagem para ela hoje de manhã e... — Sua expressão calma começa a ficar preocupada. — Ela não me respondeu... Merda...

Sina e Noah estão namorando a um pouco mais de dois anos e embora eu tenha conhecido eles apenas no início deste ano, sei que Noah é um pouco distraído com essas coisas e acaba caindo nas nossas brincadeiras, então é normal ele ficar paranóico.

Ele entra no telefone para ligar para Sina.

— Hola, muchachos! — Sabina vem até nós com Pepe logo atrás.

— Oi? Amor... — Noah fala ao celular e se retira da mesa.

— O que houve com ele? — Pepe pergunta confuso apontando para o garoto que agora está longe andando de um lado para o outro.

— Nada de novo sob o Sol. — Shiv responde rindo e eles se sentam nos bancos vazios em volta da mesa. — Ok... então Any, você ainda não nos contou o que foi fazer na coordenação hoje...

— Ah, sim... Simon me chamou para falar sobre um tal evento do fim do ano.

— O Show de Final de Ano! — Todos respondem em um coro.

— Isso, ele quer que eu seja a aluna representante desse ano.

— Uhhh, boa sorte com isso! — Lamar me desanima com uma só frase.

— Lamar! Não assusta a menina assim! — Sabina o repreende. — Eu fui a representante do ano passado e tudo acabou perfeito.

— Perfeito no dia né! Porque só faltava você estrangular a gente de tanto estresse!

— Ok... Confesso que foi um pouco estressante mas eu tinha que garantir que tudo ia sair conforme o planejado. E a culpa não é minha se eram vocês que me estressavam! — Lamar levanta os braços em rendição.

— Já pensou em um tema? — Joalin me pergunta.

— Não, na verdade eu nem sei se vou aceitar. Simon me deu até o final do dia para lhe dar uma resposta.

— Bom, caso aceite, estaremos a sua disposição para te ajudar no que precisar. Não se preocupe, é um pouco cansativo mas no final tudo compensa. — Sabina tenta me convencer mas ainda não estou 100% segura do que devo fazer. — E além do mais, eu só passei de ano porque eu ganhei nota 100 para fazer média com todas as matérias.

— Isso vale ponto??? — Ok, talvez eu tenha começado a me animar...

— Mas é claro! Por quê você acha que eu aceitei??

— Porque você era uma aluna exemplar que queria fazer todas as atividades extracurriculares com todo amor e carinho. — Lamar debocha e todos começamos a rir, até Shivani olhar para o lado e mudar seu humor rapidamente.

É Josh atravessando o pátio com um garoto do terceiro ano. Os dois andam até a cantina e param para comprar alguma coisa no caixa.

— Vocês acreditam que aquele garoto teve a audácia de aparecer na minha festa mês passado?! — Sabina diz indignada mas para de falar assim que vê Noah voltando até a nossa mesa.

— Eu acabei de falar com a Sina, e adivinhem??? Ela não está morta, seus imbecis! E vocês ainda fizeram eu acordar ela, parabéns viu! — Ele se senta conosco irritado, mas volta ao seu sorriso de sempre ao cumprimentar Sabi e Pepe com um abraço nos dois e pega a metade do sanduíche que ainda resta do seu lanche.

Pelo jeito, Noah ainda não viu Josh aqui no refeitório. Eu olho para Lamar, que parece me entender perfeitamente quando se levanta e puxa meu braço para que eu me levante também. Nós juntamos os nossos ombros e pelo ângulo em que estamos, Noah não é capaz de ver os meninos atrás de nós.

Todos nós sabemos o quanto ele sofreu por causa do Josh, então tentar protegê-lo, de certa forma, é o mínimo que podemos fazer.

— Me deu uma câimbra na perna, sabe? — Lamar inventa uma desculpa assim que Noah nos olha confuso. Felizmente todos entendem o que estamos tentando fazer e Sabina volta a falar sobre a proposta de Simon:

— Mas enfim, meu tema ano passado foi Anos 80!

— Eu não acredito que vocês estão falando sobre o Show de Final de Ano. Essa festa deveria ser extinta de uma vez por todas. — Noah tem lá seus motivos e dessa história eu lembro muito bem.

O sinal indica que o horário do intervalo chegou ao fim e todos se despedem de Sabina e Pepe, já que são os únicos do terceiro ano e, consequentemente, ficando sempre em sala diferente da nossa.

Minha cabeça voava pelo espaço durante o tempo de filosofia e, quando eu não estava assim, pensava sobre o Show de Final de Ano. Os meninos não me ajudavam bastante nesta decisão, alguns diziam que eu devia aceitar e o resto achava que o estresse que eu supostamente vou passar não é necessário, mas uma parte de mim engrandeceu meu olhar ao saber que vale ponto. Quem em sã consciência negaria 100 pontos para fazer média com todas as matérias??

Penso em mandar mensagem para Antonio. Não vi ele desde aquele momento na coordenação e não estranho, já que o campeonato intermunicipal de futebol está chegando e ele não perde uma oportunidade para treinar, mas ele sempre dava um jeito de falar comigo no intervalo e me sinto meio boba por estar sentindo saudade disso. Peço o telefone da Joalin emprestado e o escondo embaixo da carteira de um jeito que o professor não consiga ver, desbloqueio-o e abro o Whatsapp.

Rio sozinha quando vejo o contato salvo do Antonio no celular da Joalin: Namorado escroto da Any. Já falei para ela trocar mas nada a faz mudar seu pensamento sobre ele. Mando uma mensagem perguntando por ele, avisando que sou eu, lógico.

Vejo um tumulto se formando na porta e percebo que o professor liberou a gente mais cedo. Ufa, se ele não aguentava mais olhar na nossa cara, pode ter certeza que eu não aguentava dez vezes mais.

A felicidade por sair mais cedo, e ainda não ter ninguém perambulando pelos corredores, rapidamente se transforma em um desespero porque me dou conta de que é agora que eu preciso dar uma resposta ao Simon.

Vou direto à sua sala e ando de um lado para o outro enquanto ele não me manda entrar. Eu só tenho duas opções mas tudo complica com as circunstâncias ao redor, será que vou dar conta de tudo? Será que tenho capacidade para isso? Será que eu vou acabar falhando e acabar fazendo o pior show que essa escola já viu?

Saio do meu transe assim que escuto sua voz me chamando. Entro na sala e nem me dou ao trabalho de fechar a porta, já que não pretendo estender muito o assunto. É sim ou não, Any, coragem!

— E então...? — Ele se estica na cadeira e entrelaça os dedos.

— Então... — Minha voz começa a falhar. Estou muito nervosa e sei que não devia. — E se eu ainda não tiver uma resposta?

— Any... — Ele me repreende. — Do que você tem tanto medo? Se nós te escolhemos é porque sabemos que você tem uma capacidade e um ótimo potencial para isso. Acredite, você não é a primeira a ficar confusa. Todas as vezes é sempre a mesma história de medo com tanta responsabilidade mas todos os alunos acabam sempre se superando todos os anos. — Simon até respira fundo depois do seu mini-discurso motivacional.

[...]

O corredor que, até então não tinha uma alma viva, agora parece ser um formigueiro cheio de insetos esfomeados, que na verdade só querem dar o fora dessa prisão. Não julgo, eu sou uma delas.

Meu coração palpita e uma ansiedade começa a invadir meus pensamentos, apesar de ainda faltar três meses para o Show. Simon depositou sua confiança em mim e agora que eu finalmente disse sim, não posso desaponta-lo, eu tenho que dar o melhor de mim e é assim que vai ser.

Já virou rotina toda segunda-feira minha mãe me buscar na escola, ela está de folga então sempre é um dia de sofrimento a menos no ônibus. Avisto seu carro parado no estacionamento e ando até ele.

Minha mãe está linda como sempre. Eu só queria ter um terço da vaidade e disposição de se maquiar todos os dias que ela tem. Se eu passo um pouco rímel antes de ir para a escola eu já estou no lucro.

Ela me da um beijo na testa antes de dar a partida e eu começar a falar sobre o meu dia.

— Então o Simon quer que eu...

— Pera ai, aquele é o Josh? — Minha mãe me interrompe para apontar para o ponto de ônibus cheio de gente. Ela freia o carro e para de frente para o loiro.

— Sim mas... desde quando vocês se conhecem? — Eu pergunto mas parece que ela não me escuta, apenas abaixa o vidro da minha janela e grita para o garoto.

— Tia Priscila? — Ele vem em direção ao carro com um sorriso no rosto, um sorriso muito bonito por sinal. Repreendo meus pensamentos no mesmo instante.

— Vem, entra no carro, eu te deixo em casa! — Minha mãe destrava o carro e Josh entra na porta de trás.

O QUE EU PERDI???

— Não sabia que você estudava aqui, Josh. — Ela diz toda simpática virando o volante para voltar para a estrada. — Achei que sua mãe estivesse em Los Angeles ainda.

— Na verdade hoje foi o meu primeiro dia de aula. Eu decidi ficar um tempo morando aqui com a minha vó. — Eu o observo falar pelo retrovisor do carro, apesar de estar totalmente perdida na conversa dos dois. Desde quando eles se conhecem???

[...]

— Se eu não to enganada, essa aqui não é aquela rua que mora o seu amigo... — Minha mãe diz assim que chega ao endereço que Josh pediu para deixa-lo.

— Noah. — Eu e ele dizemos juntos e eu olho para atrás em um ato reflexo.

— Sim, sim, esse mesmo. Você se conhecem? — Ela pergunta para Josh, que fica vermelho no segundo seguinte.

— É Josh, vocês se conhecem? — Falo com a minha voz mais cínica esperando por sua resposta. Ah, essa eu quero ouvir!

— Eh, bom... — Ele gagueja. — Depois desses dois anos eu acho que não conheço mais ninguém. 

— Hm. — É a única coisa que eu digo antes dele se despedir e sair do carro quando minha mãe estaciona em frente a casa de sua vó.

Ela espera ele pegar a chave na mochila e abrir o portão para finalmente acelerar o carro e ir para casa.

— Ok... O que acabou de acontecer aqui? — Pergunto e ela arqueia as sobrancelhas como se não soubesse do que eu estou falando. — Desde quando você conhece esse garoto??

— Esse garoto... — Ela repete as minhas palavras. — foi o garoto que salvou sua vida naquela festa. Mas é claro que você não lembra, estava muito bêbada para isso!

Já faz mais de um mês mas sempre que tem a oportunidade, ela joga isso na minha cara. E não é como se eu não sofresse com isso todo dia, já que meu castigo foi ficar sem telefone desde então.

— O Josh?? — Eu solto uma risada sarcástica sem querer. — Você tá dizendo que foi o Josh quem te ligou no dia da festa?

— Sim! Por quê dessa reação?

Penso em lhe contar todas as coisas que Josh fez com o Noah, mas quando vejo sua expressão preocupada penso que de decepção, já basta eu em sua vida.

— Nada.

 



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