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História The Letter - Beauany - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Audições


JOSH POV

                Eu não sou exatamente um professor de dança. Como o diretor do Studio 21, Kyle Hanagami, que fez questão de me avisar ao me contratar, disse, eu sou apenas um estagiário em fase de treinamento que está apenas substituindo os horários do antigo professor que se demitiu, porque, segundo ele, é muito arriscado dar um cargo tão grande para um adolescente de apenas dezessete anos. O que, na teoria, não tiro sua razão e até gosto assim, já que não tenho tanta responsabilidade em minhas costas.

                Quando minha mãe e minha avó entraram em um acordo e lançaram o ultimato: "Você só poderá ficar no Rio de Janeiro se continuar estudando e arrumar um emprego", achar um cartaz colado num poste no caminho da escola escrito "Procura-se um professor de dança urgentemente" foi como um sinal do céu me dizendo que é nessa cidade que eu deveria ficar. E com muita luta e insistência, consegui fazer o diretor me contratar após, mesmo com a sua negação, começar a dançar para ele ali mesmo em seu escritório.

                A coreografia que eu "apresentei" foi totalmente espontânea e eu tenho certeza que eu dei tudo de mim na hora, já que as minhas próximas opções de emprego não eram lá tão interessantes. Então você pode imaginar como foi a minha felicidade quando Kyle finalmente se rendeu e me deu o emprego, e eu não poderia estar mais feliz por estar trabalhando com algo que eu gosto desde os sete anos de idade.

                Mas apesar de tudo, eu tenho que admitir que o resto do meu primeiro dia no Studio foi bastante cansativo, já que depois da aula da turma do Davi, que é para crianças de sete à onze anos, ainda tive que dar mais uma aula para os adolescentes de doze à dezessete anos, com apenas meia hora de intervalo entre elas.

                E além, é claro, dos meus mini-sustos que eu sempre tomava por causa das presenças inesperadas de Kyle no meio das aulas. Mesmo sabendo que não estava fazendo nada de errado, era estranho estar distraído instruindo algum aluno nos passos da dança e de repente olhar para o vidro no meio da porta da sala e descobrir que estava sendo observado.

                A última aula acabou seis e meia da noite e quando consigo sair do Studio depois de arrumar as minhas coisas quase quarenta minutos depois, o céu já escureceu. O ponto de ônibus do outro lado da rua está lotado e eu olho triste para os outros professores indo embora de carro. Lei brasileira estúpida de só poder dirigir com dezoito! Bufo.

                Estou esperando o sinal fechar para atravessar a rua quando um barulho de buzina me assusta e automaticamente, dou um passo para trás subindo a calçada de novo achando estar no meio da rua demais para que os carros passem. Mas o veículo começa a parar perto de mim e proporcionalmente, meu coração a disparar. Pronto, é hoje que eu sou sequestrado!

                 No meu instinto desesperado, levanto as mãos quando o farol alcança os meus olhos, fazendo minha mochila quase cair, já que estava apoiada em apenas um lado do meu ombro. O carro com o vidro todo escuro para totalmente na minha frente e os vidros se abaixam.

                Leva tudo, mas só não me leva por favor – penso.

                — Entra aí, Beauchamp. — Kyle da um sorriso sacana. O filho da mãe sabe que me assustou, tenho certeza.

[...]

                Sabe aqueles momentos em que você pega o celular e apenas finge que está mexendo somente para disfarçar o nervosismo? Então! Este momento é um desses agora e se não fosse pela música que toca baixinho na rádio, o carro estaria um completo silêncio.

                — Então... Los Angeles, né? — O engarrafamento permite que ele tire as mãos do volante e vire para me olhar no banco da carona.

                — Sim, senhor! ­— Ele ri na mesma hora que eu digo e eu arqueio as sobrancelhas.

                — Por favor, Josh! Eu tenho trinta e três anos. Me chamar de senhor é como um insulto para mim. — Sorrio aliviado, mas com um certo receio, até porque, ele ainda é o meu "querido" chefe!

                — Bom... Eu morei lá por dois anos, mas não tinha jeito... O Rio de Janeiro nunca deixou de ser minha casa. — Tento não me aprofundar na história. Kyle volta a se focar no trânsito quando o carro da frente volta a andar. — Nessa esquina aqui, por favor. — Aponto e ele vira à direita como pedi. — Aqui está ótimo, obrigado!

                Kyle para o carro e antes que eu saia do veículo, ele me chama.

                — Josh, eu... Eu te observei o dia todo e só queria dizer que você realmente tem talento e demonstra paixão pelo que faz e eu fico feliz de estar correndo atrás disso e não desperdiçando por aí em qualquer esquina. — Ele diz olhando dentro dos meus olhos. — Então eu só te peço para que continue honrando o nome do Studio e não faça eu me arrepender por eu ter te contratado, ok? — Ele diz a última frase em um tom brincalhão e um soquinho no ombro faz eu me sentir agradecido pela sua confiança em mim.

                Agradeço e me despeço quase pulando de alegria para abrir o portão de casa.

                Pego as chaves no bolso pequeno da minha mochila e entro em casa pelos fundos porque a porta da frente sempre fica fechada, e se você me perguntar o porquê disso, eu não vou saber te responder, apenas coisas de vó...

                — Vó? Cheguei... —Tento encontrá-la e estranho quando não recebo uma resposta de volta. Passo pela cozinha e vou em direção à sala, ainda nada... Vou para o seu quarto e acho-a finalmente. — Oi vó, bença? Você não vai acreditar no que aconteceu hoje... — Falo animado perto da porta e ela, sentada na cama ainda de costas, não responde e nem se vira, continua com a cabeça abaixada. Olho-a confuso.

                A gaveta na sua frente está aberta e têm algumas fotos e outras coisas espalhadas pela cama, me aproximo e vejo uma fotografia em suas mãos. Coloco minha mão em seu ombro esquerdo e ela continua intacta, me abaixo em seu lado e meu coração aperta imediatamente quando vejo seu rosto todo inchado e algumas lágrimas descendo de seu olho.

                Levanto e sento do seu lado, puxando-a para um abraço. Ela corresponde e me aperta, escondendo seu rosto em meu peito. Quando os soluços começam, eu não aguento: começo a chorar também. Mesmo sem saber o motivo, ver alguém próximo sofrendo sempre me comove.

                — Hoje faz um ano, Josh... — Ela diz em meio às lágrimas e eu demoro para entender, mas consigo abaixar o olhar e me deparo com foto ainda em suas mãos.

                É meu avô. Ele está apoiado no ombro da minha vó, olhando-a enquanto a mesma cozinha. Eu me lembro dessa foto, até porque fui eu que tirei. Eu era muito boiola pelos dois, eles se amavam tanto e talvez este seja o único motivo pelo qual eu ainda acredito no amor.

                — Eu acho que nunca pedi perdão... Perdão por não estar aqui! — Ela se afasta para me olhar, segurando meu rosto com as duas mãos e, logo depois, passando o polegar pela minha bochecha secando meu rosto.

                Quando eu recebi a notícia de que meu avô tinha morrido, parecia que eu não tinha chão, meu mundo parecia ter desabado e embora ele não fosse meu avô de sangue, era tratado como tal. Fazia pouco tempo do novo emprego da minha mãe em Los Angeles, portanto, segundo ela, era muito arriscado pedir um recesso para vir ao Brasil. Então foi isso que fizemos, ficamos em casa apenas consolando minha vó por chamadas de vídeo.

                — Tá tudo bem. — Ela diz tentando sorrir, mas no fundo eu sei que não está nada bem.

                Ficamos abraçados ali por um bom tempo, e depois do clima um pouco mais tranquilo, comecei a falar sobre o meu dia para tentar distraí-la, de certa forma.   

ANY POV – SEXTA-FEIRA

                A sexta-feira chegou, e com ela, meu telefone de volta também. O castigo de um pouco mais de um mês finalmente chegou ao fim e o tanto de notificações até trava meu celular assim que o ligo.

                Além disso, hoje é o dia das audições do Show de Final de Ano. O que, para falar a verdade, estou bastante animada, mas ao mesmo tempo preguiçosa, já que tenho em minhas mãos uma lista de quase sessenta alunos interessados em participar do evento.

                 — Tem uma fila gigantesca do lado de fora do ginásio! Você está de parabéns, Any Gabrielly, conseguiu fazer essa gente querer se matar para participar de um evento da escola!  — Joalin diz impressionada, ou indignada, voltando com duas garrafas de água na mão como eu tinha pedido.

                Depois de muita insistência, conseguimos a autorização do Simon para fazer as audições do show na quadra e digamos que a galera tem estado bastante empolgada desde que lancei o "desafio" para a escola inteira há dois dias atrás, apesar de estarmos buscando apenas por mais três integrantes para completar os onze necessários na coreografia, já que não deixaria nenhum dos meus amigos de fora - a não ser Pepe, que bateu o pé dizendo que não participaria de jeito nenhum. Cabendo aos alunos mesmos decidirem qual país queiram representar.

                — Obrigada!  — Agradeço pela água. — Mas ainda faltam dez minutos... E eu deixei bem claro que seria por ordem de inscrição!

                — Vai entender... — Sabina diz puxando Joalin para que a loira sente na cadeira do seu lado.

                Eu chamei as meninas para me ajudarem nas audições, porque eu sei que se dependesse só de mim, ficaria com pena de todo mundo e acabaria dando um jeito de colocar trezentas pessoas em uma só coreografia.

Com a ajuda delas, pegamos algumas mesas dos laboratórios e arrumamos uma fileira reta com cadeiras para que todas consigam avaliar os alunos. Antes de começar, combinamos de evitar ao máximo demonstrar nossas emoções durante as apresentações para que os alunos não se iludam ou até mesmo, não se magoem, se for o caso.

E com todas em seus lugares, me levantei para chamar a primeira vítima:

Emily.

 



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