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História The light - Capítulo 2


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Notas do Autor


Acabei voltando porque estou empolgada e porque meu aniversário é hoje!
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Capítulo 2 - What are you doing?



       Eu consegui fazer tudo que Miranda havia me pedido naquele dia e isso de alguma forma me deixou aliviada, já não parecia mais tão impossível assim.
       A editora chefe estava em uma reunião com a equipe de fotografia, então me permito apenas sentar na minha mesa e respirar fundo. Passei as mãos pelos cabelos puxando os para trás levemente enquanto fazia o exercício de respiração que havia aprendido com a minha terapeuta alguns anos atrás, sempre funcionava.
     Naquele minuto de calmaria me permiti olhar os detalhes da minha mesa e do hall em que trabalhávamos. Todos os móveis eram perfeitamente harmônicos e a maneira que estavam dispostos provavelmente seguia alguma lógica do feng shui.
      Fui tirada dos meus pensamentos pelo beep do meu computador indicando que havia recebido uma notificação. Rapidamente peguei minha caneta e anotei o recado sobre as amostras de tecido terem chegado. Assim que levanto os olhos em direção ao monitor percebo o ícone do aplicativo ser enfeitado por uma bolinha vermelha com o número seis no centro, então decido clicar sobre o aviso, e no mesmo segundo a tela se expande mostrando as outras seis notificações de uma hora atrás. Não é possível que eu não tenha tido a brilhante ideia de deixar o aplicativo aberto para receber as notificações e agora eu tenho coisas para fazer correndo antes que Miranda chegue da reunião.
      A minha primeira reação foi bufar cansada e começar a anotar o mais rápido possível todas as mensagens para Miranda para então fixa-las na prancheta branca e depois coloca-la sobre a mesa da editora-chefe. Para a minha sorte apenas uma das notificações era sobre buscar alguma coisa fora da empresa, então me apressei em pegar meu sobretudo bege e sair em direção ao elevador.
     Ao colocar meus pés para fora do edifício da Elias-Clarke sinto o vento frio de outono me atingir em cheio. As pessoas apressadas desviavam do meu corpo imóvel no meio da calçada enquanto eu apenas me preocupava em descobrir onde ficaria a Calvin Klein na qual eu precisava buscar os três cintos que Miranda gostaria.
     Após uma rápida pesquisa no Google encontro o endereço da loja e sigo até lá com passos rápidos, no mesmo ritmo novaiorquino da multidão ao meu redor.
     O prédio vistoso da marca ocupava quase metade do quarteirão e aparentemente falar o nome da Miranda Priestly perto de qualquer loja relacionada a indústria da moda fazia milagres já que fui rapidamente conduzida por uma moça simpática até o escritório da responsável por enviar os pedidos para a revista.
     - Bom dia, você deve ser a nova garota da Miranda. Qual seu nome? - A mulher de meia idade me pergunta suavemente com um sorriso satisfeito no rosto.
    - Meu nome é Andy - confesso que ser chamada de garota da Miranda fez com que meu cérebro trabalhasse dobrado para interpretar aquilo. Ela tinha algum tipo de relacionamento com suas assistentes? De onde teria vindo isso?
      - Muito bem, Andy. Meu nome é Martha, muito prazer.- ela se apresentou com um movimento leve de cabeça e um sorriso largo. - Quais cintos você vai levar?
      - Bem, eu achei que já estariam separados. Miranda não falou nada - afirmei com o tom preocupado.
     - Olha, é um teste - Martha disse enquanto caminhava em direção a uma enorme porta branca de correr a qual foi aberta suavemente revelando prateleiras e prateleiras de cintos da marca. - Ela quer saber se pode confiar no seu senso e na sua capacidade de saber do que ela gostaria. Quanto tempo faz que você está trabalhando para Miranda?
     - Três dias - digo lançando um sorriso forçado em direção a mulher e pressionando minhas têmporas com os indicadores.
     - Uh, ela pegou pesado com você, então - a mulher se pôs a observar sua própria coleção de cintos para logo em seguida colocar dez modelos diferentes de cores diferentes sobre a própria mesa. - Qual desses você acha que ela gostaria?
      Eu hesitei. Não estava a fim de contar para uma mulher que havia acabado de conhecer sobre meu problema com as cores e muito menos confessar que não ligava muito para cintos coloridos da Calvin Klein já que estava na Runway apenas pela experiência na carreira jornalística.
     - Bom, eu diria que esse - disse enquanto levantava um cinto amarelo em tom pastel. - Talvez esse também - separo outro cinto, dessa vez em uma cor próxima ao marsala. - E esse. - Termino com um tom beirando a dúvida e com um cinto branco na mão.
    Martha deu um sorriso de canto tirando a minha última escolha das minhas mãos antes de dizer:
    - Escolheu bem, querida. Exceto por esse, Miranda não acha que cintos brancos devessem existir - a mais velha colocou um novo cinto na minha mão, talvez seja verde, mas não consigo identificar com precisão - agora sim.
     - Meu Deus, eu não sei nem como te agradecer. Acho que você salvou meu emprego - sorrio genuinamente para a mulher a minha frente.
     - Não precisa agradecer, eu sei como Miranda é.
     O som do meu celular apitando fez com que ambas desviassemos o olhar para o bolso do meu sobretudo. Vejo o nome brilhando na tela e deslizo o dedo para atender rapidamente, era Emily.
      - Por que eu não estou vendo você sentada na minha frente em sua mesa? - A ruiva disse em um tom ameaçador.
     - Eu vim até a Calvin Klein buscar os cintos - me justifico.
     - Eu estou cobrindo você por 25 minutos, no máximo.
     - Obrigada, você é ótima. Já estou indo.
     Enfio o celular de volta no bolso e olho para mulher a minha frente me estendendo os cintos já organizados dentro de uma caixa branca. Apenas assinto em agradecimento e saio dali o mais rápido que consigo.
       Gastei exatamente dezoito minutos no caminho até a revista, então ainda estava com vantagem.
     Quando Emily me viu chegando pelo corredor, ela se levantou dando a volta na própria mesa para me conduzir em direção a sala de Miranda seguindo logo atrás de mim, sem me dar tempo de dizer nada.
      Assim que coloquei os olhos na editora-chefe, prendi a respiração e encarei o chão. Miranda não havia nem notado que estávamos ali ou, se havia notado, preferiu ignorar, mas era impossível estar indiferente na sua presença. A mulher de cabelos cinzentos exalava poder e competência, me fazendo temê-la e, ao mesmo tempo, adimirá-la.
      - Miranda, aqui estão os cintos - Emily diz em um tom controlado enquanto puxava a caixa branca das minhas mãos para direcioná-la rumo a mesa da mulher de cabelos platinados.
     Miranda assentiu minimamente, abriu a caixa e voltou o seu olhar para mim. Não é como se eu soubesse ler as expressões daquela mulher, mas eu podia jurar que seu olhar tinha um traço de desafio, é como se ela quisesse saber se eu tinha sido capaz de adivinhar o que ela queria.
     - Em qual planeta seria aceitável minhas melhores modelos usando esses cintos? - Miranda disse sem alterar um decibel sequer em sua voz.
     - Miranda, eu achei que - minha tentativa de justificar a escolha foi interrompida pela mulher mais velha.
     - Não tenho interesse nas suas justificativas, elas não vão mudar esses cintos - Miranda afirma friamente.
     - Certo. - Digo vencida.
    Vejo Emily fazer um movimento em direção a caixa branca, a qual estava aberta diante da editora, antes de me virar para sair dali e antes que pudesse alcançar a porta ouço Miranda dizer em um tom quase inaudível:
     - Deixe. Isso é tudo.
     Logo a primeira assistente se junta a mim fora da sala da mais velha e eu me permito bufar em desgosto. Acho que nunca senti tamanha frustração na minha vida, é como se ela estivesse me dizendo com todas as letras que eu era incapaz de fazer até as coisas mais simples como buscar malditos cintos de marca.
        Após rodear a minha mesa e deixar meu corpo cair dramaticamente na cadeira giratória, levanto a cabeça olhando para a mesa a minha frente e vejo Emily me direcionando um sorriso discreto, um simples levantar de lábios.
      - O que foi? - Pergunto sem ânimo algum.
      - Ela não odiou os cintos - Emily disse tão baixo que se eu não estivesse olhando para ela não conseguiria entender. - Ela está apenas mostrando como as coisas funcionam por aqui.
       - Que diabos de aprovação é essa? - Questiono.
      - Chama-se La Priestly e milhões de garotas se matariam para passar por isso. - Emily concluí já olhando em direção ao próprio monitor.
      Miranda era difícil, eu já havia notado, e para a Andy de alguns anos atrás isso seria motivo de reclamações diárias, mas para a Andy que agora morava em Nova Iorque em busca dos seus sonhos, isso era como um desafio pessoal. A adrenalina de conseguir agradar Miranda poderia ser algo viciante e esse risco eu estou totalmente disposta a correr.
       Após o ocorrido com os cintos, não houveram mais chamadas de Miranda para mim, então apenas me limitei a anotar os recados e fixa-los na prancheta para que a mulher mais velha pudesse ler.
     Por volta das seis da tarde, Miranda abre a porta de sua sala em um rompante e se põe a andar em direção ao elevador parando na minha frente, contudo sem dirigir nenhuma palavra ou olhar a mim. Sem saber ao certo o que fazer, apenas a encaro enquanto espero por algum comando. A figura a minha frente me impedia de ver Emily, ou seja, eu estava sozinha nessa.
      Apenas um minuto se passou até que a rainha da moda dissesse, com o tom de voz calmo e indiferente:
      - Eu não acho que meu casaco vá sair do armário sozinho e magicamente vir até mim.
     Foi como se uma luz tivesse se acendido na minha cabeça. É claro que ela precisava do casaco. Eu nunca me movimentei tão rápido quanto naquele momento. Simplesmente dei um salto da cadeira e fui em direção ao armário a minha esquerda pegando a bolsa e o casaco pesado da editora e estendendo em direção a ela, já que a regra número dois das assistentes me impedia de tocar em Miranda.
       A mulher de cabelos brancos estendeu as mãos para pegar os objetos e lançou um olhar rápido em minha direção antes de se dirigir para o elevador e desaparecer por trás das portas metálicas. Se eu não estivesse totalmente atenta a tudo naquela mulher, eu poderia acreditar que era algo da minha cabeça, mas não, ela havia me notado.
       - Está liberada por hoje, você sobreviveu. - Emily diz com um tom de falsa empolgação.
      - Oh, que ótimo! - Saio dos meus pensamentos e me viro em direção a ruiva. - Você não vai agora também?
    - Tenho que esperar o livro para levar até a casa da Miranda, então não, não vou agora.
     - Que livro? - Questiono.
    - Meu Deus, Andrea. - Emily adquire um tom indignado. - O livro é o rascunho da próxima edição a ser lançada e todo dia o setor de criação o finaliza e me entrega para que Miranda veja e faça as anotações.
       - Entendo. Que horas costuma ficar pronto?
      - Depende de muita coisa, mas algum horário entre às oito e às dez da noite.
      - Isso é muito tarde. - Digo surpresa.
   - É, mas alguém precisa garantir a publicação, não é mesmo?
    - Parece que sim. - Eu já recolhia meus pertences e desligava o computador enquanto finalizava aquele diálogo. - Bom, então até mais. - Aceno para a britânica enquanto me dirigia ao elevador.
       - Até. - Ela se limita a dizer.
       Assim que tenho a certeza de estar sozinha na caixa metálica me dou o prazer de suspirar aliviada. Eu havia passado pelo meu primeiro dia como assistente oficial de Miranda Priestly sem ser demitida.
       O sorriso satisfeito ainda estava nos meus lábios quando coloquei os pés né calçada e me virei para caminhar em direção ao meu apartamento.
       Nate me esperava sentado no sofá mexendo em seu celular. O moreno estava pronto para sair vestindo uma jaqueta jeans sobre uma blusa branca que estava sutilmente colocada para dentro da calça preta. Ele estava lindo, claramente.
      - Oi querido, consegui sair agora da revista porque Miranda acabou de ir para casa. - Digo enquanto me livro do sobretudo e da bolsa e sigo em direção ao banheiro.
        - Que bom que a sua chefe te liberou pra mim, hein?
       - Eu só preciso de um banho para estar novinha em folha. Me espere aí.
       Eu entro no pequeno cômodo, tiro minhas roupas e entro no banho quente. Sinto meus músculos relaxarem aos poucos e todas as minhas energias sendo recarregadas enquanto a água escorre pelos meus ombros.
      
    


Notas Finais


Eu esqueci de falar sobre a música da fic!
É minha música favorita, então sejam gentis
https://open.spotify.com/track/3YlJKAnvDjHNFjFVy2MXMG?si=8XPHJthJTiqZcShLJ75-tQ


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