História The Lost Baby - Capítulo 4


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Palavras 1.829
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Famí­lia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olaaaá,alguém por aqui esperando por um capitulo novinho?
Cheguei, cheguei, cheguei, lalalalá... kkkkk
Sugestão de musica para ler o capítulo:Sozinho — versão Caetano Veloso.
Isso é tudo pessoal, espero que gostem, beijo! ♥

Capítulo 4 - Por nós.


Leninskyy Rayon, Samara – Rússia. 03 de julho de 2018.

Maria Clara Moreira:

                Eu não consegui acreditar que o Gabriel estava ali na minha frente. Já imaginei varias vezes como seria o nosso reencontro, mas eu nunca imaginei que seria dessa forma, eu não estava preparada e nem estou ainda.

                —Gabriel? –Eu disse indo em direção á mesa onde eles estavam.

                As lágrimas já inundavam o meu rosto, era como se minhas pernas não obedecessem ao meu cérebro, mas com muito esforço cheguei até a mesa. Ele já havia se posto de pé e antes de dizermos qualquer coisa apenas nos abraçamos sentindo o cheiro um do outro, como eu senti saudade desse cheiro.

                —Só um recado de “não me procure mais”? –Foi a primeira coisa que ele disse quando ele me soltou do abraço.

                —Que? – Não fui capaz de entender.

                —Agora vai se fazer de desentendida? —Ele disse com ironia.

                Helena deu sinais de que estava assustada, quando abraçou minhas pernas e eu passava a mão em sua cabeça para acalma-la. Dona Vera percebendo que a situação poderia sair do controle colocou as mãos no ombro do filho.

                —Nós temos muito que conversar, mas aqui não é o lugar.

          —Maria? –Minha madrinha chama assustada quando adentra o restaurante e me vê com o rosto molhado. –O que está acontecendo?

                —Posso sair um pouquinho? –Perguntei, e nem esperei sua resposta.

                Estava difícil respirar, todas as coisas até agora estavam passando muito rápido pela minha cabeça, tonta é a palavra que traduz como eu estava me sentindo. Sai o mais rápido que pude do restaurante, deixando para trás todos a me olhar. Sentei-me em uma das mesinhas de concreto que havia atravessando a rua do restaurante, Helena estava comigo e logo o pai dela nos alcançou.

                Gabriel nada disse, só sentou-se em um dos quatro bancos da mesa. Helena fez sinal de silêncio para ele, o que me fez sorrir em meio as lágrimas. Ela estava dedicada a me fazer parar de chorar, passou suas mãozinhas pelo meu rosto secando minhas lágrimas e jogou um beijo pra mim.

                —Eu te amo, mamãe. –Ela disse.

                —Eu te amo mais. –Eu a abracei.

                —Leninha? –Minha madrinha veio ao nosso encontro. –Vamos ver o que a dinda trouxe?

                —Mamãe tá chorando. –Ela disse justificando o motivo dela não querer ir.

                —Eu cuido dela, pode ir... –Gabriel ajudou a minha madrinha a convencê-la.

                —Cuida direito, hein? –Ela disse autoritária.

                —Pode deixar! –Ele fez sinal de sentido e piscou para ela, antes de ficarmos a sós.

                —Helena... –Ele quebrou o silêncio que havia se instalado. –Então começamos pelo ataque? Ou ela é uma boa zagueira? –Ele riu, e eu também lembrando-me dos planos que um dia fizemos.

                —A primeira palavra dela foi gol, tire suas próprias conclusões... –Eu falei e ele riu.

                —Por que você não me contou? –Ele ficou sério novamente.

                —Meu pai.

                —O que “não me procure mais” tem a ver com isso? –Ele estava ficando irritado novamente.

                —De onde você tirou isso?

                —O que você disse quando falou com a Deborah pela última vez? –Ele me encarou sério.

              — “Meu pai vai passar no laboratório, pagar e pegar o exame. Quando eu souber o resultado eu te ligo, se ele não tiver me matado ainda...” –Reproduzi algo aproximado da minha ultima despedida com a minha então, amiga.

              —Você não ligou pra a Deborah e disse para nós não a procurarmos mais? –ele perguntou não acreditando muito na minha resposta.

              —Eu nunca liguei para ela, quem dera eu pudesse… Mas não seria isso o que eu diria. —Meu coração estava acelerado, meu rosto queimava e eu queria por fogo na loira que um dia chamei de melhor amiga… — Eu fui exilada, me tiraram qualquer forma de entrar em contato com vocês… Eu queria me despedir, na verdade eu não queria, pois eu não queria vir embora! Meu único pensamento era em poder voltar e te encontrar, mas quando eu pude já não existia uma causa pela qual valesse a pena… —As lágrimas retornaram ao meu rosto, mas dessa vez a raiva também estava presente.

                —Como assim não valia a pena voltar?

               —Você já havia suprido a minha falta com a minha melhor amiga... –Respirei fundo sentindo as lágrimas escorrerem por meus olhos. —Com a Deborah, Gabriel? —Eu disse com um tom identificável de desapontamento.

                —Você não entende. –Foi a única coisa que ele foi capaz de responder.

                —Como eu poderia entender?

                —Empatia, Maria Clara! — Ele disse aumentando o tom de voz. —Não foi eu quem abandonou o Brasil, sem nem me despedir… Você sabe o quanto doeu? Dói até hoje! —As lágrimas começavam a rolar pelo seu rosto.

                —Você realmente quer falar de dor comigo? Acha que eu sai saltitante do Brasil? Acha que foi fácil escolher entre o cara que eu amo e a minha filha com ele? Acha que foi fácil assistir de longe a vida que sonhamos juntos acontecer para você e a minha amiga? Você sabia que tudo o que te rodeia vai parar em um canal de esportes? Eu estava parindo e você literalmente estava beijando a minha amiga na frente das câmeras... Será que isso não dói? –Eu mal consegui dizer essas palavras.

                —Nós dois fomos feridos. –Ele pareceu se acalmar. –Mas nada justifica você esconder a minha filha...

            —Nunca foi minha intenção, mas o que você queria? Que eu voltasse e estragasse a sua vida que estava indo de vento e popa?

             —Não importa como minha vida estava eu tinha o direito de conhecer a minha filha. —Ele alterou a voz. — Independentemente se eu estava com a Deborah, ou com qualquer outra mulher... Antes você não tinha como entrar em contato, mas e depois?

               —E a empatia que você disse, cadê?

               —Está focada na minha filha, você não faz ideia de como é ser criado sem um pai... —As lágrimas retornam ao rosto dele.

               —Se eu não tivesse pai, talvez eu não estivesse nessa situação... –Resmunguei.

              —Você realmente não entende, né? –Ele me encarou com os olhos vermelhos. — Imagina as apresentações do colégio sem o seu pai, imagina os coleguinhas te dizendo que você não era amado e por isso o seu pai foi embora, imagina ser convocado para a seleção e não ter a figura paterna se orgulhando disso... Tudo isso dói, e por doer eu não quero que a minha filha sofra o mesmo por causa do seu orgulho. Eu posso não ter um pai para cuidar de mim, mas eu sei que serei um bom pai para cuidar de alguém! Você tirou de mim uma grande parte da vida dela, e tudo isso por quê? Porque você acha que eu estava feliz por estar com a Deborah, mas sem fazer ideia do quão destroçado meu coração estava sem você... Quer falar sobre empatia? A empatia está aqui.

                —Se não estava feliz, por que está com ela até hoje? –Disse dura.

             —Porra, Maria! –Ele disse em um grito. –Não se trata de com quem eu estou, mas sim da minha filha... Sei que não te devo explicações, mas foi na Deborah que eu encontrei o conforto que você tirou de mim, quando você partiu sem me ensinar a te esquecer.

                —Você ama ela? –Minha voz quase não saiu.

                —Você aprende a amar quem te ama...

                —E eu? Você ainda me ama?

          Não sei o porque perguntei isso, mas talvez seja o meu subconsciente querendo saber se existe reciprocidade no meu sentimento, ou se tudo se desfez com o tempo. Confesso que fiquei com medo da possível resposta dele.

                —Eu não sofreria tanto se não a amasse.

                Eu não sabia o que responder, eu estava atordoada, eu também o amo, mas são tantas coisas... Precisei respirar fundo para colocar meus pensamentos no lugar.

              Antes de eu dizer qualquer coisa fomos interrompidos pelo celular de Gabriel, a tela mostrava o nome de Deborah junto a uma foto dos dois, doeu, mas foi necessário para que eu acordasse para a vida, é com ela a vida dele agora.

             Ele se afastou para atender ao telefone, aproveitei para respirar fundo e me recompor. Mesmo eu tentando com todas as forças não prestar atenção na conversa, foi mais forte do que eu:

              —Não, estamos em Samara ainda... –Ele respondeu.

            —Por que tanta preocupação? Sabe de alguma coisa que eu não sei? –Ele questionou após escutar o que a namorada disse do outro lado da linha.

             —Quem te disse? –Ele perguntou calmo, mas só quem o conhece sabe que ele estava irritado.

             —Ela que te ligou para dizer isso?

             —Sim, precisamos conversar! Só queria saber, como você pôde?

             Gabriel desligou o telefone, e levou as duas mãos a cabeça antes de retornar para mais perto de mim.

             —Tudo bem? –Perguntei.

           —Ela sabe que você mora aqui... “Se você a ver lembre-se do ultimo pedido dela”. –Ele respirou fundo. —Como ela pôde ser tão falsa? Eu cheguei a pensar em casar-me com ela.

             —O que? –Perguntei.

          —Ela me deu um ultimato, ou nós noivamos ou nos separamos... Ela me deu o período da copa para pensar, por isso ela não veio. –Ele explicou. —Encontrar você foi o sinal que eu pedi a Deus.

           —Não toma decisões precipitadas, conversa com ela. – Disse em defesa dela, por mais que eu não devesse.

Não quero ser usada como motivo para a separação, mesmo sabendo de todas as circunstâncias que nos trouxeram até ali. E se ela sabe onde eu estou é certo de que tenha dedos dos meus pais nessa história, ela merece a chance de se explicar. E eu sei que por mais que nós dois assumimos sentimentos um pelo outro, não teremos o que tínhamos antes de eu partir assim do dia para a noite.

—Eu estou com muita raiva pelo o que você fez, mas eu ainda te amo. –Ele tentou questionar.

—Mas ainda há sentimentos entre vocês, não é possível você estar com ela até hoje se não existisse sentimento— Eu argumentei. –Eu também te amo, por isso eu te aconselho só tomar a decisão final quando tiver certeza... Sua filha vai estar sempre aqui, e sempre me terá como uma boa amiga...

—Mas você sabe que eu te quero, não como amiga...

—Não estou dizendo que nunca iremos ficar juntos novamente, mas nós dois sabemos que não é o momento certo, avalie suas opções e pese os seus sentimentos...

     —E a nossa filha? –Ele me perguntou.

     —Sempre será nossa!

     —Como eu vou saber que você não vai fugir de novo?

     —Confia em mim.

      —Foi confiando em você que você veio parar aqui... –Foi a única coisa que ele respondeu.

      —O que você quer que eu faça?

    —Vem comigo até o final da copa? –Assustei-me com a proposta. –Eu tenho direito de ficar perto da minha filha depois de todo esse tempo...

  Sabendo que o Gabriel tinha razão, eu acabei aceitando a proposta, por mim, por Helena, por nós. Gabriel pode ter pouca idade, mas ele sabe assumir as responsabilidades, e é bom poder dividir a responsabilidade de uma filha com ele.

                              

 

 

 

               

               

 


Notas Finais


E esse reencontro?
Gostaram?
Até logo!


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