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História The Lost Dragon - Filho de um Semi-Deus - Capítulo 12



Notas do Autor


Qual é o nome, mesmo?
...
Ah! Eficiência!

Capítulo 12 - Limpar e Sujar


— Que droga eu fiz de errado?! Por que ficou salgado?! “2 colheres de açúcar de uma pitada de sal” tá certo! ... Oh, espera... 2 colheres de açúcar e uma pitada de sal...

9 de setembro de 2019, segunda-feira

— Bom dia, gente! Bom dia, todo mundo! — Aquela voz feminina irritante ecoava pela silenciosa sala de aula. — O que foi? Que caras são essas? Dormiram comigo hoje? — Jodie. A garota mais odiada daquela sala. — Bom dia!

— Bom dia é o meu ovo, Jodie — Cast, com certeza o mais mal humorado ali, se manifestou. — Sabe que horas são? São sete da manhã. Sete! Ninguém tem o direito de ser feliz às sete da manhã! Sabe que dia é hoje? É segunda-feira. Minha vida já é um inferno nas sextas, quando eu tenho que gastar meu pouco tempo com meus poucos amigos pra depois dormir muito e esquecer que eu tive que olhar pra sua cara a semana inteira, só pra numa segunda-feira você vir com esse sorrisinho de canto de boca de quem trepou hoje de manhã antes de vir pra cá — disse. — Não tem uma pessoa que não venha pra cá com ódio, puta da vida e com preguiça de sair da cama. Ninguém vem pra cá por que gosta. Alguém gosta de estar aqui? Não! A gente vem pra cá porque precisa. Porque isso é estudo e disciplina. Se fosse bom, não se chamaria estudo e disciplina. Se fosse bom, se chamaria suruba com uma garota de anime — continuou: — Acho que deu pra notar que eu não gosto de você., assim como eu também não gosto de segunda-feira, mas eu odeio mais você do que a segunda-feira, e as pessoas que estão aqui gostam menos de você do que eu gosto de você. Sabe por quê? Porque você é igualzinha a uma segunda-feira. Você chega sem ninguém querer, sem avisar e demora pra ir embora! Então, da próxima vez que você entrar nessa sala, entre como um bom final de semana, rápida e direta. Também tenha o mínimo de senso comum de tirar da cara esse sorriso de princesa da Disney que tomou ácido e fodeu a noite inteira com o Capitão Planeta, senta na porra da sua mesa e reclama da sua vida como qualquer pessoa normal nessa escola.

O silêncio após o discurso de Cast prevaleceu por alguns segundos, até que foi cortado por uma frase que, segundo Cast, era como um fim de semana: rápida e direta.

— Vai se foder, Cast...

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Emi caminhava pela casa, lançando um breve olhar ao interior de cada cômodo

— Parece agitada — Rimi, que estava assistindo algo na TV, comentou.

— Tem algo me incomodando...

— O que é?

— A casa tá desarrumada...

— Nenhuma vassoura tu passa no chão...

— Por favor, não canta isso.

— Tá a fim de brincar de empregada?

— Cedo ou tarde o Cast vai pedir ajuda com isso, além de que devemos uma ao Cast, ele esteve cuidando da gente por mais ou menos um mês sem receber nada além de uma ameaça de vida de um reino inteiro!

— Você tá mesmo de quatro praquele garoto, Emi? Nossa missão era apenas pegar o poder dele e ir embora! Entrar e sair! E olha só! Não conseguimos por que você se apaixonou de novo!

— Olha, não seria tão fácil pegar o poder dele, até porque eu acho que ele não é o Herdeiro.. E mais: você tá sendo babaca...

— Ah é? E por quê?

— Você continua falando mal do garoto, mas olha só tudo o que ele fez por você!

— O que ele fez por mim?

— Ele salvou a sua vida. Quando Artana abriu sua barriga com a espada, lembra? Você devia agradecer só de ele decidir lutar e treinar ao invés de afastar problemas que não são dele!

Rimi parou e teve recordações ruins daquele momento enquanto colocava a mão direita sobre sua barriga. Foi um momento de dor e desespero intensos, um momento em que ela esteva vulnerável e praticamente sozinha.

Mas então, ele a salvou...

— Ele deu tudo de si lutando contra aquelas duas para você ter tempo de se curar. Você nunca o agradeceu por isso. Eu tô mentindo? — perguntou.

— ... Não...

— Ele também te deu um hobbie. Graças a ele, você tem algo pra se distrair nesse mundo chato e sem aventuras. Você passa horas e horas na frente da tela de um PC pressionando uma sequência de botões e, diferente do resto do mundo, ele acredita que isso é bom pra você — disse.

Rimi pensou mais um pouco...

— Cara, se ele descobrir o que você pensa dele, ele vai ficar chateado conosco, mas eu conheço aquele garoto. Ao invés de nos expulsar, ele vai tentar construir uma imagem melhor de si, só pra ter sua aprovação! Agora me diz: você é grata por conhecer o Cast?

— Acho... Acho que sim...

— Esse lar também é nosso, agora. Querendo ou não, temos que cuidar dele.

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— Cara, cê não desiste? Digo, eu praticamente destruí a escola e todos agem como figurantes de um anime de comédia, e você é um deles! — disse Cast.

Era mais uma discussão com Alex. Ele de fato não permitia mesmo ter seu orgulho ferido.

— Não é disso que eu tô falando! É por sua culpa que a Sophia terminou comigo! — assegurou.

— Não. É por sua culpa — retrucou Cast. — Se você não fosse tão otário, talvez ela ainda estivesse contigo. Do jeito que ela é, eu quis encorajá-la, por que você tem sim tamanho pra dar medo em alguém mas, enquanto eu estiver aqui, você não levante a voz para ninguém que eu conheça.

— Ah, é? E o que você vai fazer? — Alex perguntou.

— Você tá me desafiando? Sabia que eu posso fazer essa escola desaparecer em minutos?

— Só cuide da sua vida, entendeu? E você — Alex chamou a atenção de Sophia, que se encontrava por perto observando a discussão junta de outros alunos —, vai se arrepender! — Retirou-se.

Cast se aproximou da garota cabisbaixa, então se inclinou um pouco e disse:

— Aí, Sophia, enquanto eu estiver aqui, você não precisa ter medo de nada, entendeu? Muito menos daquele babaca.

Sophia não entendia as atitudes de Cast, mas eu sentimento estranho vinha sempre que ele estivesse por perto.

— O-Ok...

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— Oof!

— Cê fez o gemido do Roblox? — Rimi perguntou espantada, quase rindo.

Emi havia acabado de escorregar no chão molhado da cozinha.

— Eu fiz?

— Cê fez! — afirmou, começando a rir. — Cê fez igualzinho!

— Credo... — Emi levantou-se com alguns gemidos de dor. Disse: — eu ia organizar as coisas aqui... Pode fazer isso? Cuida da sala e a cozinha, eu posso limpar os quartos.

— Certo. Mas antes...

Rimi correu para o quarto de Cast, ao retornar, estava com seu celular e um pequeno amplificador de som em mãos. Os posicionou no balcão da cozinha. Mexeu um pouco em seu celular, até que o amplificador começou a tocar a melodia de Sam and the Womp: Bom Bom.

— Que isso, Rimi? — perguntou Emi.

— Eu ponho uma música quando to fazendo algo chato.

No início da canção, Rimi acompanhou a música com sua voz e seu corpo.

I'm the cat with bass and drum, going 'round like bom bom bom!
What's grooving? I'm moving, I like your style of womping!

Rimi dançava de forma que tentava convencer Emi a acompanha-la, encarando-a intensamente.

How charming! Just a rapper, load him up and eat that snapper!
I want sixteen pints of rum and then I go bom bom!
Glowing up in the dark in the night and so I go ooh ah ah ah ah, I

Nesse momento, Emi havia cedido. Começou a cantar e acompanhar o ritmo.

I've brought a pie in my pocket, pie in my pocket, an eye in my socket
You got life, You got style, Me got nothing on my mind
But I'm so cool, and I'm so groovy, when I go bom bom bom!

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— Esse cabelo é natural? — perguntou a atendente.

— Hm?

Cast se encontrava numa loja de graffiti. Queria comprar alguns sprays para se divertir um pouco.

— Seu cabelo. É natural? E esses olhos? Têm um tom forte, mas não parecem lentes ou uma tatuagem — Indagou.

— Ah! É tudo natural, sim! Na verdade, eu também queria saber quem foi o primeiro da árvore genealógica que tinha isso. Eu acho meio bizarro, mas pelo menos combina — comentou Cast.

— Heh! De fato!

A jovem funcionária da loja encarava as características físicas de Cast. Seus cabelos castanhos cacheados, que se estendiam aos seus ombros, e olhos verdes como esmeraldas combinavam com o tom escuro de sua pele. Usava uma regata preta com a estampa branca de uma caveira, escrito “Seek and Destroy” em cima, em conjunto com seu short jeans e seus tênis All Star pretos. Eram visíveis alguns piercings em sua orelha esquerda e um em seu nariz, além de tatuagens médias em seu braço direito.

— O que vai fazer com tudo isso? — perguntou enquanto passava os produtos pelo scanner.

— Só encher o saco.

— “Encher o saco”, é? Heh... 69 dólares e 98 centavos.

Cast logo tratou de pagar com seu cartão. Ao agradecer, começou a caminhar para fora, mas parou no caminho:

— Desculpa, eu não vou tirar isso da minha cabeça se eu não comentar — virou-se —, é que eu te achei muito bonita!

                                                                      ⋆          ⋆          ⋆

— Tá, agora eu quero um banho — disse Emi.

— Eu também...

O som de uma porta abrindo foi ouvido. As orelhas de ambas as garotas se viraram para a direção do som antes de seus rostos.

— Ah, é você — Emi caminhou na direção do garoto, envolvendo-o num abraço, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Eh? Que foi? Sentiu saudades? — perguntou, retribuindo o gesto.

— Digamos que sim — Emi respondeu, jogando todo seu peso sobre ele.

Durante aquela troca de calor, Cast notou que, mais no interior da casa estava Rimi, encarando a cena enquanto sorria. Cast igualmente sorriu para ela. Logo após cessar o abraço, Cast encara seus arredores.

— Vocês limparam a casa? — perguntou.

— Ehehe, achamos que estava um pouco desarrumada — disse Emi.

— A ideia foi toda da Emi.

— Oh...

Cast sorriu para Emi. Passou a mão em sua cabeça e disse:

— Valeu por isso! Não precisava.

— Esse é nosso lar, também! — disse em alto tom, mas, depois, sua voz baixou um pouco. — Faz quase um mês que você cuida da gente... É o mínimo que poderíamos fazer pra compensar...

Cast pensou um pouco. De fato, já fazia quase um mês que eles moram na mesma casa, e o fato de que elas não são exatamente humanas e não são exatamente desse mundo já havia simplesmente desaparecido da consciência de Cast.

— O que você trouxe?

Cast segurava duas sacolas de plástico, uma maior que a outra.

— Ah, isso? São só alguns sprays, uma câmera e um tripé — respondeu.

— Pra quê? — indagou Rimi.

— Por que, só porque eu não gosto de um cara, a gente vai fazer uma cena clichê de filme adolescente e pichar a casa e o carro dele, beleza?

 

Hudson Yards

 

A casa de Alex é uma casa bastante genérica. Tudo o que formava sua fronte era genérico de algum modo. A cor branca genérica coloria as paredes feitas de tábuas de madeira, ao centro, possui uma porta de madeira escura com janelas representantes do cúmulo da arquitetura e estilo, um telhado genérico, também de madeira escura, e uma pequena chaminé de tijolos que desse se projetava...

Também havia um carro na frente da casa. Cast jogou Forza o suficiente pra saber que aquele era um Ford Raptor azul escuro. Armou o tripé e a câmera na calçada oposta ao da casa de Alex. Parecia vazia, perfeita para o momento. Ele havia trago a máscara de Krosis. Vestiu e levantou seu capuz. Ao olhar para Emi e Rimi, percebeu que já estavam encapuzadas e com as latas de spray em mãos.

Ligou a câmera, a encarou por um tempo e correu enquanto sacudia a lata em sua mão direita.

— Agora é a hora em que eu faço uma piada de comparação... Bom, a casa é branca como uma tela de pintura, então... Foda-se, vambora.

 

Depois de alguns minutos, haviam vários desenhos coloridos e escritas nas paredes. Após o trabalho feito com a tinta, Cast encarou o carro estacionado de Alex e teve uma ideia...

Concentrou-se e invocou um martelo de guerra espectral.

— O que vai fazer? –Perguntou Emi.

— Não me pergunte, eu acho que eu enlouqueci.

Começou a correr com o martelo em mãos. O chão em sua frente se tornou gelo, auxiliando-o em sua corrida. Começou a girar, aproveitando que deslizava na direção do carro, então atingiu o farol esquerdo num poderoso e único golpe. Isso fez o alarme soar.

— Cê não gosta mesmo dele, huh? — Rimi comentou. Invocou vários espinhos de gelo, que flutuavam sobre sua cabeça, então as lançou na direção do carro, atingindo o para-brisa e o capô.

Os três juntos destruíram e picharam o carro, e ainda gravaram. Depois disso tudo, Cast verificava o vídeo sozinho, vendo quais partes ele deixaria e quais ele tiraria. Ele com certeza lançaria isso na internet.

Eles já haviam voltado para casa. Todos haviam se divertido bastante, para compensar tudo o que já aconteceu.

Notou Rimi surgindo da porta dos fundos trás da casa, aproximando-se dele.

— Agora me diz... O que ele fez?

— Nada, eu me medi na vida dele e vi que ele é um pau no cu, então eu decidi que eu quero que ele se foda muito — respondeu.

— Primeiro que você não devia se meter na vida dos outros — comentou Rimi.

— Eu sei, mas o fato de ele ser um babaca me dá todo o direito de ferrar com a vida dele — respondeu Cast.

— Esse é seu argumento?

— É!

— Hm... Você é tão chato com tudo... A Emi tá te chamando no quintal — disse a garota.

— Tá, eu já vou.

Cast deixou seu celular na mesa da sala e caminhou para a cozinha. Passou pela porta de vidro, vendo a garota de orelhas e caudas felinas sentada na borda da piscina. Se aproximou e sentou-se ao lado da mesma.

— Achei que gatos não gostassem de água — comentou. — Por que me chamou?

— Estava entediada — respondeu.

Depois de algum tempo de silêncio, Emi diz:

— Cast, eu adoro você, sabia?

Ele não disse nada, decidiu que iria apenas ouvir.

— Não é nada demais, eu gosto de estar com você! E eu tenho muito a te agradecer... Você me ofereceu seu lar e seu mundo, e isso faz quase um mês! Parece até que foi ontem — citou.

— Na verdade, parece que faz quase um ano...

— Hm? Como assim?

— Nada, brisei um pouco — disse. — Eu também adoro estar com você... Adoro poder ensinar sobre meu mundo... Eu estive sozinho por tanto tempo que acreditei que não me importava, até que vocês duas apareceram... E eu nunca mais quero ficar sozinho... Então... Também tenho muito a agradecer a vocês duas...

Emi perdeu um pouco as esperanças... Cast gostava igualmente das duas, e isso era sinal de que seria apenas uma amizade comum.

Até que...

— Sabe... Alguns traumas me ensinaram a nunca mais oferecer tratamento especial a ninguém... Acabei não acreditando mais em amor e passei a apenas odiar todo mundo, mas essa solução se provou funcional, mas não a melhor... Mesmo que demore anos, eu vou perceber que ninguém é 100% rejeitado pela sociedade, e que eu vou encontrar alguém que me ame de verdade... E eu espero que esse alguém esteja ao meu alcance...

Mesmo que tenha sentimentos iguais por todos, Cast deixou claro que procurava alguém para amar. Aquilo, sim, podia ser uma mensagem indireta para Emi...

— Cast...

Os dois se entreolharam. O olhar esperançoso de Emi deixou Cast secretamente feliz. Ela havia entendido.

— Como foi melhor dia da sua vida? — perguntou, com um sorriso singelo.

Após alguns segundos em silêncio, Cast respondeu:

— Acho que foi quando eu te conheci...

Emi começou a aproximar seu rosto do de Cast. Ambos fecharam lentamente seus olhos enquanto sentiam o calor um do outro ficando cada vez mais forte. Aquilo não fazia muito sentido. Cast não tinha sentimentos fortes. A solidão, que durou 3 anos, havia o tornado alguém frio. Tão frio quanto o tom branco de seu próprio cabelo. Ele não sentia quase nada, mas queria provar que ali dentro existe um coração...

— Pessoal! Estamos na TV! — Rimi apareceu de repente.

— Eh?! Como assim?! — Cast perguntou, cessando o clima entre os dois.

— Aquele lance do mercado! Venham ver!

Cast se levantou e correu para dentro da casa. Emi, ainda sentada na borda da piscina, estava um tanto inexpressiva. Seus seios pesados elevaram e desceram num suspiro profundo e melancólico enquanto ela encarava seu próprio reflexo na água da piscina.

— Porra... Por que eu ainda me incomodo?



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