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História The Lost Dragon - Filho de um Semi-Deus - Capítulo 14



Capítulo 14 - A Pior Noite


Tão cedo no dia, Cast havia acordado. Estava na cozinha para fazer sozinho uma refeição para 2 pessoas e 2 animais mais inteligentes que o normal. Pegou uma frigideira no armário e algumas fatias de bacon na geladeira. Liberou o gás do fogão e colocou sua mão perto de uma das bocas. Em seguida, invocou chamas e afastou sua mão ao perceber que o fogo havia acendido.

— Legal! — Uma voz atrás dele diz.

Ele já sabia quem era. Cast virou-se. Julia estava no sofá, observando Cast começar a cozinhar. Suspirou e posicionou a frigideira e o bacon em cima das chamas.

— Eu vou chutar que você nem dormiu, já que caiu no sono ontem à tarde — comentou Cast.

— Como fez aquilo? — Sua voz estava muito mais próxima que antes.

Virou-se novamente. Julia já estava a cerca de um metro de distância de Cast.

— Fiz o quê? — perguntou.

— Acendeu o fogo com sua mão!

— É claro que acendi. É só algo que aprendi e você não pode aprender, pirralha — disse friamente.

— Não é justo! Eu quero aprender, também!

— Não é nem escolha minha, garota! Você tem que estar em uma atmosfera com muita Mana pra poder ganhar afinidade com magia, e aqui não tem nada! — explicou.

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11 de setembro de 2019

17:00

 

— Rimi... Você vai voltar pra casa? — Julia perguntou.

— Eh? Uhm... Eu não sei... É que eu gosto do Cast e da Emi... — respondeu Rimi.

— Ei... Não precisa, se não quiser, é que eu sinto sua falta...

— Eu sei... É só que... O que eles vão pensar se eu for embora assim?

— Eu conheço o Cast. Ele ficaria meio chateado se você partisse, mesmo... Bem, vamos fazer assim...

Naquele dia não havia aula. Cast aproveitou aquela tarde livre para descansar um pouco. Ele e Emi estavam na cama, Emi estava em sua forma felina, deitada de barriga para cima enquanto Cast a acariciava. Era a paz perfeita para um breve cochilo.

Mas é claro que alguém tinha de atrapalhar.

— Cast! — Abrindo a porta, uma voz chamou seu nome em um tom alto e firme. O grito assustou Cast e Emi. Ambos deram um leve salto, depois se viraram com olhares visivelmente irritados para a porta.

— O que é? — Perguntou Cast num tom um tanto ignorante.

Emi escalou seu corpo e se pôs do outro lado da cama, agora tendo melhor visão da porta.

— Tô indo pra casa da Julia hoje. Não se preoc-

— Vai — Cast a cortou.

— Eh?! Não vai nem se incomodar em se despedir?!

— Nope. Tô cansado. Divirta-se.

— Eh?! Hm! Beleza! — disse, num tom revoltado, mas infantil, então bateu a porta do quarto.

Cast pegou seu celular, que estava logo ao seu lado, para ver o horário. Emi cutucou o braço de Cast com suas patas dianteiras, com a intenção de chamar sua atenção.

— Que foi? — perguntou Cast.

Como resposta, a garota em sua forma felina se virou de barriga para cima de novo. Cast logo levou suas mãos ao corpo do gato, esfregando e coçando sua barriga. Emi mostrou gostar daquilo ao ronronar. Cast removeu suas mãos do felino e perguntou:

— Tá afim de sair?

Emi o encarou por um segundo, depois se pôs de pé e aproximou-se de seu rosto, estando alerta a alguma coisa.

— Eu perguntei se quer sair... Vai tomar um banho enquanto eu vejo onde podemos ir...

Sem dizer nada (até porque não podia em sua forma felina), Emi desceu da cama e se transformou no humanoide que era.

— É claro que quero! Eu iria até o inferno com você

—Credo! Agora eu não quero mais, sua doida!

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— Estou pronta! — Emi disse.

Cast se virou e disse:

— Ok, a gente- Oh...

Ao virar-se, Cast se impressionou com o que viu...

Emi usava uma camisa social azul claro florida de estampas vermelhas justa ao corpo, revelando bem as curvas. Também um blazer de tom claro de amarelo, com as mangas dobradas aos cotovelos, de forma que ressaltava ainda mais as curvas. Uma calça social cinza claro justa nas panturrilhas, destacando a parte inferior de seu corpo. Também usava sapatilhas de cor bege sobre meias brancas. Pra complementar, usava o colar de ovelha dos Kindred e uma pulseira simples de ouro, e na ponta de sua cauda, um laço vermelho em um nó borboleta. Também havia um brilho em seus lábios. Emi usava seu batom de sabor cereja...

Um visual como esse levou os olhos de Cast a passearem pelo corpo de Emi enquanto se mantinha levemente boquiaberto.

— Tô vendo que gostou — comentou Emi.

— É, eu gostei, sim! Você ficou muito bonita nessa roupa. Eu diria que você tá uma gata, e eu nunca uso essa expressão... e essa piada não foi proposital — disse o garoto.

— Ehehe... Você também tá um gato! — respondeu Emi.

Cast usava uma blusa preta com uma estampa que simulava um terno, em conjunto com calça social preta e sapatos sociais pretos. Em seu pescoço, o colar de lobo dos Kindred. Um visual bem simples comparado ao de Emi.

Naquele momento, o coração de Emi quase saltou de seu peito. Ela poderia chorar de emoção e beijá-lo ali mesmo, apenas de ver aquele pingente pendurado no pescoço de Cast.

— Vocês vão sair? — Uma voz perguntou. Rimi estava arrumada, possivelmente para dar uma volta, assim como Cast e Emi.

— Vamos. Você também vai? — perguntou Emi.

— É, eu vou pra casa da Julia. Só estamos esperando o carro que ela chamou — respondeu.

— Ah, bom... Enfim, até mais, Rimi! — Cast se despediu, já caminhando com Emi para fora de casa.

Apesar da resposta seca, Emi não questionou a ignorância de Cast com Rimi.

— Onde vamos?

— Andar por aí. Vamos só comer, primeiro.

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— Cast? Cast — Emi o chamava.

— Oi.

— Já escolheu a sobremesa?

— Ah, desculpa, nem vi, ainda... — Respondeu.

Eles já haviam decidido a refeição, só faltava uma sobremesa. Um garçom se aproximava da mesa dos dois.

— Olá! Eu sou Benedict. Vou atender vocês essa noite. Já querem pedir?

— Ah! Olá! Eu queria um peixe namorado à turquesa, mas ao invés de ser à milanesa, pode ser grelhado? — Emi pediu.

— Com fritas?

— Pode ser purê?

— Claro — confirmou.

— De sobremesa, traz dois Profiteroles Menottes, só que com pouco chantilly — pediu Cast.

— Ok, então, dois Profiteroles Menottes com pouco chantilly e o peixe à milanesa... — Benedict disse, mas foi corrigido por Emi.

— Grelhado. Cê não quer anotar?

—Não! Eu memorizo! Já querem pedir as bebidas? — perguntou.

— Suco de uva do monte, por favor — pediu Emi.

— Só uma garrafa d’água — depois, Cast.

— Gelo?

— Sem gás e sem gelo — respondeu.

— Ok, eu já trago para vocês — disse, já se retirando.

Um garçom tão simpático, mas com uma atitude duvidosa. Muito parecido com o caixa do mercado no shopping.

— Você sabe que vai vir errado — comentou Emi.

— A gente pediu pouca coisa — rebateu Cast.

—É, mas com tantos pedidos mais o fato de ele não anotar...

Rapidamente, Benedict volta com uma garrafa de água e um copo com gelo em mãos e os coloca sobre a mesa.

— Aqui está sua água — disse.

— Ah... Eu pedi sem gelo — comentou Cast enquanto abria a garrafa. Encarou a garrafa com um olhar surpreso ao ouvir um som de gás saindo, então a fechou rapidamente ao ser espirrada um pouco de água em sua roupa — E sem gás, também...

Emi lançou um claro olhar de “eu avisei”.

— Ah, claro! Perdão! — disse ao pegar o copo e a garrafa de volta. — Uhm... Seu Profiterole é com chantilly, é isso? — perguntou a Emi.

— Ah! Não! Cravache — Emi chamou Cast pelo sobrenome, algo que nunca havia feito.

— O Profiterole Cravache, é com chantilly? — perguntou Benedict.

— Não! Ele é o C- Ele que pediu o Profiterole — disse Emi, apontando para Cast.

— O Profiterole Cravache com chantilly? — insistiu o garçom.

— Não, meu nome é Cravache — disse Cast

— Eu sou Benedict, eu vou atende-los essa noite — respondeu.

— Não! Eu que pedi o Profiterole!

— O Profiterole Cravache.

— Não, caralho! Não é esse.

— Ela disse que é o Cravache — disse, se referindo a Emi.

— É que meu nome é Cravache! Quais são os Profiteroles que vocês têm aqui?

— O Original, Da Casa, Do Chef, Chocolat Noisette...

— Qual é o que tem cobertura de morango e chantilly?

— Ah! O Profiterole Menotte — O garçom respondeu.

— Isso mesmo.

— Certo! — concluiu, já se retirando novamente.

— Mas, Benedict!

— Oi?

— Benedict, sem muito chantilly.

— Beneditos, sem muito chantilly... Mas estamos sem ovinho, pode ser camarão? — indagou Benedict.

— Não! O Profiterole dele que é assim! — Emi intrometeu-se.

— Com camarão?

— Não! Com pouco chantilly! Anota, por favor!

— Sem problemas, eu memorizo! — insistiu, retirando-se.

Ambos suspiraram em frustração.

— Viu só?

— Emi, meu amor, para de esfregar na minha cara que você tava certa! — pediu Cast.

Mesmo ciente de que foi por ironia e frustração, Emi gostou secretamente que Cast a tivesse chamado de “meu amor”.

Novamente, Benedict havia voltado com o suco de Emi e a água de Cast. Os posicionou na mesa e logo se retirou. Emi provou um gole hesitante...

— Com açúcar, ao menos — comentou.

Cast abriu sua garrafa com cuidado.

— Sem gás...

Novamente, Benedict se aproximou da mesa.

— Peço perdão... É que estamos sem filé mignon.

Cast, Emi e Benedict se entreolharam por um tempo.

— Ninguém pediu filé mignon.

— Então tá tudo certo! — disse Benedict, já se retirando novamente.

— Benedict! Qual é o nosso pedido? — desafiou Emi.

— O da senhora é o bacalhau com batata, sem ervilha à milanesa... — respondeu.

— Não! Benedict... Anota — pediu Cast — eu quero o Profiterole Menotte com pouco chantilly e você não tá anotando, Benedict!

— S-Sim, o Profiterole... E o frango...

— Peixe — Emi o corrigiu.

— O peixe... Milanesa...

— Grelhado — de novo.

— Com batata frita.

— Purê — e de novo.

— Com purê. E a sobremesa é o Profiterole Cravache...

— Menotte — dessa vez, Cast o corrigiu.

— Menotte, sem cobertura...

— Com cobertura — e de novo...

— Com cobertura e chantilly!

— Sem chantilly...

— Cê não quer o chantilly?

— Sem chantilly, desde o começo, Benedict! É só anotar! — disse Cast, já chateado.

— Não precisa! — insistiu. — Ah, e, perdão... É que estamos sem ovinho...

— Mas ninguém pediu vinho — disse Emi.

— Vocês não pediram o peixe namorado à turquesa? — perguntou.

— O peixe vem com vinho?

— Ovinho de codorna.

— Ah! Achei que falava de vinho de beber!

— É que vocês não falaram de vinho em momento nenhum — respondeu Benedict. Logo em seguida se retirou, deixando os jovens com olhares extremamente afiados virados a ele.

— Olha, tem um Subway ali na esquina — comentou Cast.

— Ah! Tá vindo! — disse Emi, encarando Benedict à distância com uma bandeja em mãos.

Convenientemente, ele passou direto, entregou em outra mesa e disse:

— Muito bem! Um peixe namorado à turquesa grelhado com purê e, quando terminarem, eu trago a sobremesa, que é o Profiterole Menotte!

Ele havia errado a mesa. Após perceber isso, caminhou com a bandeja de volta à cozinha. No caminho, Cast o chamou.

— Benedict!

— Estamos sem ovinho — ele respondeu. Passou pela porta da cozinha.

— Beleza, vamos embora! — Cast disse, prestes a se levantar.

— Espera! — Emi segurou Cast pela mão. — Benedict!

Ele surgiu das portas da cozinha e atendeu.

— Oi?

— O namorado é meu — disse, se referindo ao peixe namorado à turquesa.

Mas Emi disse isso enquanto segurava a mão direita de Cast.

 

— Trago o vinho, então?

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— Olha só... Não foi o melhor jantar da minha vida, mas dá pra salvar esse dia — disse Cast.

— É... Claro, esse é o espírito! — Emi complementou.

Dessa vez, eles estavam num parque de diversões, sentados em um dos bancos de pedra. Haviam várias pessoas no local. A iluminação dos postes de luz combinava bem com o céu azul escuro estrelado. Já eram 7 da noite, eles saíram às 6. Emi conseguiu esquecer facilmente de sua fome assim que sentiu o braço de Cast envolvendo seus ombros, convidando-a para mais perto enquanto a outra mão estava ocupada com o celular. A mesma aproximou-se mais de Cast, o que o surpreendeu um pouco, além de despertar em si alguns desejos... Emi olhou para trás e viu algo encostado a uma estrutura de pedra.

— Cast — chamou.

— Oi?

— Ontem, você disse que sabia tocar piano, não é?

Cast pensou sobre a pergunta, depois notou o que ela estava olhando.

— Quer que eu toque?

— Eu quero uma amostra.

— Certo — disse, levantando-se.

Eles caminharam até o piano. Ao chegar, Cast sentou-se e pensou um pouco.

— Por que não toca aquela que está na sua playlist de favoritos? Acho que o nome era Animal, dos Neon Trees — sugeriu a garota.

— Você andou fuçando no meu celular? — perguntou Cast.

Cast começou a tocar. A melodia era clara, rápida e perfeita aos ouvidos de quem podia ouvir. O som dos brinquedos e das pessoas quase não era incômodo a Cast, ao contrário da maioria dos pianistas. Ele não mexia o corpo, não deixava o ritmo de rock o tomar. Estava apenas tocando, encarando o teclado e a posição de suas mãos. Aos poucos, as pessoas paravam para ouvir. Enquanto algumas ouviam um pouco e saíam, outras ficavam para ouvir até o final e, já na metade da música, uma pequena multidão rodeava o piano. Alguns até gravavam. A melodia suave agradava os ouvidos das pessoas e, no fim, a multidão aplaudiu, incluindo Emi, que o admirava de forma diferente de todos os outros.

Cast levantou-se do banco do piano e caminhou até Emi. Guiou-a até um banco virado para a estrada, isolado do local. Sentaram-se e encararam o nada, lado a lado. Aquele era o lugar mais confortável e mais quieto de todo o parque. Não havia ninguém perto além de uma jovem de capuz cinza sentada na calçada com um gato no colo. Cast olhou para aquele felino de pelos pretos e notou seus olhos bicolores em rosa e azul. Pensou: “Deus que me livre...

— Sabe... Estar contigo me faz bem — Emi comentou.

Cast sentiu seu coração saltar de seu peito ao ouvir isso, então virou um pouco seu rosto para ocultar o nascimento de um leve sorriso.

— Eu quero poder ter mais tempo assim com você! Quero aproveitar mais o tempo livre e poder dar mais voltas contigo! — disse. Emi queria algo muito mais além disso, até mesmo o máximo de episódios obscenos o possível, se for uma opção.

Cast logo responde:

— Eu nunca me senti tão bem em ter alguém comigo. Tenho muito a te agradecer — respondeu.

— Ehehe! Ei! Vamos na roda gigante!

Emi levantou-se e pegou as mãos de Cast, então caminhou em direção à roda gigante.

 

Enquanto isso, aquela figura abaixava a cabeça, escondendo seu rosto ainda mais...

 

— Não quer comer algo, primeiro? Não deu pra jantar, né... E, além disso, a fila tá meio grande...

— Tem razão — Emi correspondeu, seguindo Cast, que caminhava para entre as várias barracas de comida.

Cast olhou ao redor. Notou uma barraca não muito distante que chamou sua atenção.

— Já provou um crepe? — perguntou o garoto.

— Que que é isso? Nome de peixe?

Cast riu um pouco da pergunta. Respondeu:

— Claro que não, besta! Venha!

Encaixou sua mão na de Emi e a guiou até a barraca. Ao chegarem, Cast disse:

— Olha só — pegou um cardápio e começou passar o dedo por cima das opções —, tem vários tipos de crepes, uns você vai gostar e outros não. Deixe-me ver... Esse aqui! — Cast apontou para uma imagem de um crepe com recheio doce. — Eu notei que você adora de doces, então esse é perfeito pra você! — comentou. — Sai um crepe de chocolate, Axel! — pediu.

Emi estranhou o fato de Cast chama-lo pelo nome ao fazer o pedido. Perguntou:

— Conhece ele?

— Bem, ele já deve ter decorado meu rosto, de tantas vezes que eu vim aqui — respondeu o garoto.

Depois de um tempo, o atendente entrega o pedido pronto. Cast e Emi o levaram até uma mesa e sentaram-se nas cadeiras de aço.

— Vamos! Experimente! — Cast pede enquanto sorria feito idiota para a garota, que encarava aquela comida doce.

Emi segurou o papel-toalha que envolvia parte do crepe, levou-o até sua boca e mordeu vagarosamente, a fim de aproveitar ao máximo o sabor.

— E aí?

Os olhos de Emi brilhavam para Cast enquanto ela mastigava aquele monte de massa e açúcar em sua boca.

— É a melhor coisa que eu já comi na vida — respondeu.

— Eu prefiro pizza, mas se é o que você achou...

Emi aproveitou seu crepe, dividindo alguns pedaços com Cast e, ao terminar, Emi percebeu a fila da roda gigante menor que antes, e enquanto ela guardava um local na fila, Cast decidiu pagar pelo crepe, então foi até ela. Em pouco tempo, a roda para de girar, e as pessoas das cabines descem uma por uma, até os novos passageiros poderem entrar. Cast e Emi entraram em uma delas e sentaram-se um de frente para o outro. Depois de um tempo tomado para as pessoas entrarem nas cabines, a roda começa a girar bem lentamente.

Ambos suspiraram em satisfação. Seus olhares subitamente se encontram e se desviam rapidamente. Cast tinha um objetivo especial para estar aqui com Emi e, por sorte eles pensavam e sentiam a mesma coisa: mãos geladas e tremendo, coração palpitando. Eles tinham a mesma intenção.

— Tá... — suspirou Cast.

A ficha já havia caído para ele. Era óbvio o que um sentia pelo outro, e sempre foi claro desde aquele quase-beijo à beira da piscina. Mas claro, ambos pensavam sobre a chance mínima de não ser aquilo que eles querem que seja.

Por isso, alguém tem que tomar a iniciativa.

Emi estava extremamente nervosa, com o rosto enrubescido, suando frio, forçando um pé contra o outro e agarrando algum tecido que sequer existia.

— Emi, você destruiu minha vida, sabia? — comentou Cast.

— Ehehe~ Foi mal por isso...! — disse Emi.

— Heh... Mas foi bom, sabe? Eu gosto de ter algo importante pra me ocupar — disse ele. — Eu não tô sendo muito direto, aqui... Eu te amo, Emi.

Algo havia atingido a estrutura que mantinha a cabine pendida à roda gigante, fazendo-a cair com eles ainda dentro. Cast e Emi conseguiram reagir rapidamente e saltaram da cabine, que caiu e se despedaçou no impacto com o chão.

Cast e Emi pousam e põem-se de pé.

— Merda, isso sempre acontece quando um personagem vai se declarar...

Uma figura encapuzada caminha calmamente com as mãos no bolso da blusa de frio. Sua cauda felina balançava suavemente. Cast disse:

— Emi, só existem furries no seu mundo? Até agora, eu não vi nenhuma raça normal!

— Tá dizendo que eu não sou normal?!

— ‘ce fala como se fosse!

Era uma figura relativamente alta. Utilizava uma blusa de frio e capuz cinza levantado. Contudo, ao encarar o corpo, nota-se visivelmente uma forma feminina.

Ao retirar o capuz, surge dele uma figura feminina. Uma Neko, claro, com roupas pretas extremamente esfarrapadas, de modo que havia mais pele à mostra do que a roupa cobria. Aparentemente, deveriam ser roupas bem coladas, originalmente, e a única peça inteira de suas vestes são suas botas pretas, feitas de couro. Os cortes em sua blusa encontravam-se em um decote sucinto.

Possui pele clara, cabelos negros que brilhavam à luz do luar, longos e presos na parte posterior na cabeça, em um rabo de cavalo. Seus olhos são bicolores como os de Cast, embora em tons diferentes de azul turquesa e vermelho magenta. Além disso, possuía algumas tatuagens parcialmente visíveis na sua lateral esquerda, sendo uma de uma caveira, e a outra, em seu braço esquerdo, encontrava-se parcialmente coberta pela manga da blusa, sendo praticamente indistinguível. Usava luvas sem dedos e seu antebraço direito estava envolvido em uma espécie de bandagem enrolada.

Ela caminhava na direção dos dois, brandindo sua lâmina curta e encarando-os com um semblante temível... Ao vê-la, Emi se surpreendeu...

— Quem é ela, Emi? — indagou.

— Eu não sei...

— Então por que tá tão surpresa?

— Eu não sei...

Cast ergueu sua mão direita, rapidamente invocando chamas. Lançou uma bola de fogo em direção à figura. O impacto causou uma explosão enorme, não havia nada além de alguns breves rastros de chama e um pouco de fumaça. Todas as pessoas, já afastadas, encaram a cena.

— Deu certo? — perguntou Emi.

— Eu espero que sim, mas é óbvio que não — respondeu Cast.

Entre as cinzas, era possível ver uma silhueta humanoide caminhando calmamente. A Khajiit havia saído do monte de fumaça, aparentemente sem nenhuma ferida ou queimadura.

— Alguma explicação simples e lógica para isso?

— É uma guerreira...

— E daí?

— Ela Alcançou o ápice dessa classe. Dependendo do seu “nível”, essa classe acaba imune contra Magia de Destruição, o que significa que vai ter que ser na mão — explicou Emi.

— Beleza.

Ao dizer isso, Cast imediatamente invocou uma clava de espinhos, ao mesmo tempo, Emi invocou uma espada longa, todos já estavam preparados. Cast correu na direção da garota. Ao chegar perto o suficiente, girou enquanto balançava sua clava espectral, na tentativa de acertar a lateral da cabeça da Neko. Cast não tinha muita esperança em seu golpe, mas ele deu certo. A garota caiu no chão com o impacto.

— Sério? Tem imunidade mágica pra isso? — Cast perguntou decepcionado, em um pouco de deboche.

De repente, o corpo de dispersou em centenas de fragmentos cristalinos.

— Uhm... Cast... — Emi o chamou.

Cast encarou a mesma direção que Emi encarava. A Neko estava lá, de pé... Aproximou suas mãos e, num rápido movimento, as afastou, fazendo algo surgir ao seu redor...

— São clones! — Emi disse.

— Porra, eu odeio essas Boss Fights!

Três clones surgiram, dois com espadas longas e um com um arco. Os clones com espada se aproximaram de Cast, enquanto o outro retesava a corda de seu arco com uma flecha encaixada. Emi correu até Cast, pôs se em sua frente e refletiu a flecha para longe com sua espada.

— Cuide da original, eu cuido desses três! — Cast disse.

— Tem certeza?

— É claro que tenho certeza! Eu sou High Elo no Mordhau! — respondeu.

— Uh- Ok... Seja lá o que isso queira dizer... Toma!

Emi lançou algo para Cast. Uma máscara. A máscara de Krosis.

— Tava com isso dentro do blazer o tempo todo? — perguntou o garoto, mas Emi já havia corrido para longe. Ela correu na direção do clone com o arco, que já preparava outra flecha. Pulou sobre a duplicata, mas a mesma parecia determinada a escolher Cast como alvo principal.

Agora, Emi estava frente-a-frente com a Neko original, que realizava truques com sua adaga, girando-a em sua mão direita.

O garoto vestiu a máscara, escondendo seu rosto.

As duplicatas armadas com lâminas tentavam cercar Cast, ficando uma de cada lado e dividindo ao máximo a atenção dele. Cast caminhava para trás, tentando evitar a situação. O clone à sua direita tentou atacar, mas Cast se defendeu com a clava, prosseguindo a atacar o clone à esquerda, que preparava um golpe perfurante com a espada. Ela cancelou o ataque e decidiu se defender com a lâmina. Cast passou a arma para sua mão esquerda, tentando atacar a primeira duplicata, mas acabou se defendendo de um outro golpe.

A segunda duplicata realizou um corte no braço de Cast. O mesmo revidou com um golpe na barriga, que, dessa vez, deu certo. Ele afastou-se das duas novamente, e acabou sem saída por conta do balcão de uma barraca de jogos. Jogou-se para trás, encontrando-se dentro da barraca. Os clones o seguiram, saltando sobre o balcão e colocando-se para dentro, também.

Ambos balançaram suas espadas horizontalmente à altura do pescoço de Cast, mas ele se agachou, esquivando-se. As duplicatas estavam com suas espadas presas na parede. Cast aproveitou e golpeou uma delas na cabeça, a que não possuía o ferimento da clava na barriga. Ela tentou se defender com o braço, amenizando um pouco o impacto. Largou o cabo da espada e tentou revidar com um soco, que foi contra-atacado com um chute no estômago.

O outro clone finalmente recuperou sua espada, partindo para um golpe perfurante, mas Cast percebeu e desviou a lâmina com sua clava, fazendo-a atingir a outra duplicata. Com esse golpe mortal, a figura se dispersou lentamente. Cast aproveitou a situação para golpeá-la na cabeça. Assim, as duas se dispersaram junto com suas armas.

Virou-se lentamente, foi atingido por algo no pulmão. Cast sentiu a dor e aproveitou o recuo para balançar sua clava. Encarou seu alvo armado com um arco e arremessou sua clava, atingindo sua cabeça em cheio e transformando-a em mais um monte de fragmentos cristalinos.

Removeu o projétil de seu peito. Logo se dispersou ainda em sua mão. Pensou:

­— Uma mestra de armas...

A facilidade com qual seus clones manuseavam tanto as espadas de duas mãos, quanto o arco, entregou o fato.

Emi e a outra Neko colidiam com suas lâminas uma contra a outra, até que ambas perdem força e deixam suas lâminas escaparem de suas mãos. A adaga da Neko caiu no chão, enquanto a espada de Emi se dispersou. Ambas correram em direção à adaga no chão. Emi colidiu-se contra sua adversária, derrubando-a e conseguindo alcançar a lâmina. Pegou-a e se virou, deparando-se com um clone armado com uma espada longa.

Ele a atacou verticalmente, mas ela deu um passo para o lado, erguendo a adaga acima da cabeça, ameaçando golpeá-lo verticalmente. O clone rapidamente ergueu sua espada, defendendo-se do suposto impacto e, ao mesmo tempo, Emi desviou a lâmina e levou até a barriga do clone, deslizando-a.

O clone ignorou a dor após cerca de um segundo e ameaçou um golpe perfurante, Emi fez o mesmo, mas foi mais rápida. O golpe foi bloqueado pela grande lâmina de aço, mesmo assim. A duplicata tentou mais uma vez o mesmo golpe, mas foi interrompida por um chute na barriga, fazendo-a recuar um pouco atordoada. Emi aproximou-se, passou a adaga para a mão esquerda e a cravou no peito do clone, que se dispersou instantaneamente.

Virou-se, lá estava mais um clone, com um machado de batalha, dessa vez. Emi e o clone se atacaram ao mesmo tempo, colidindo com suas armas. O clone tentou um golpe direto em sua barriga, mas Emi perfurou seu peito antes, fazendo-o recuar. Seguiu o golpe com outro igual, mas do outro lado. O clone afastou-se. Emi arremessou a adaga, mas ele refletiu para o alto com seu machado. Emi se distraiu com o voo da adaga um pouco. Encarou o clone e correu em sua direção. A duplicata posicionou o machado horizontalmente em sua frente e Emi saltou nele. Ganhando um poderoso impulso a ponto de alcançar a adaga no ar.

Emi preparou-se para a queda, apontando seus pés ao chão. O pouso foi bem suave, mas a ação a seguir, não. O clone estava secretamente impressionado com o pouso, então Emi aproveitou e direcionou a adaga à cabeça do clone, atravessando todo o seu crânio a partir de seu queixo. O clone se dispersou imediatamente.

E finalmente, mais um clone, dessa vez com uma espada de uma mão. Emi quis acabar logo com este último. Deslizou a adaga pelo braço da duplicata, depois tentou cravá-la em seu ombro, mas foi bloqueada. Atacou mais uma vez, rasgando seu peito, e finalmente, arremessou a arma em sua cabeça.

Cast correu na direção de Emi, que estava prestes a lutar contra mais um clone, enquanto a Neko original fitava de longe, sobre uma estrutura de pedra, com um gato preto ao lado. Preparou sua clava e acertou a lateral do clone, chamando sua atenção. Emi já estava ocupada com outras duas duplicatas que acabaram de aparecer. Cast tentou um golpe vertical com a clava, mas o clone o bloqueou com seu machado de batalha.

Ambos tentavam atacar de novo e de novo, mas o outro sempre bloqueava. Até que Emi se aproximou enquanto tentava se afastar dos outros dois clones. Aproveitou sua distração e balançou sua espada horizontalmente, fazendo a cabeça da duplicata saltar dos seus ombros e se dispersar junto com seu corpo.

Salvar Cast a beneficiou, agora havia apenas um adversário para cada um, já que os outros dois clones a seguiram. Com sua espada, Emi bloqueou um golpe de espada de um dos dois clones. Cast aproveitou o tempo que o clone precisava para se recuperar do golpe falho e golpeou sua cabeça, atordoando-o um pouco. Enquanto isso, o outro tentou conseguir um golpe limpo, mas Cast o bloqueou. Emi fez o mesmo que Cast e aproveitou para decapitá-lo. Um já foi.

Cast bloqueou um golpe do clone que restava e, seguindo a técnica, Emi aproveitou e deslizou sua espada espectral pela parte de trás do joelho do clone, fazendo-o ajoelhar. Ainda seguindo a técnica, Cast aproveitou e balançou a clava na direção do queixo do clone, fazendo-o voar para longe e se dispersar.

Emi e Cast se entreolharam e acenaram com a cabeça um para o outro, em sinal de agradecimento e honra.

Mais dois clones com espadas longas se aproximavam. Estes tentaram dividir a atenção dos jovens ao tentar cerca-los. Cast e Emi substituíram suas armas por espadas longas espectrais.

O clone que tomou a atenção de Cast tentou ataca-lo verticalmente, mas Cast contra-atacou, deslizando sua lâmina contra a de seu adversário e a levando até seu pulmão, perfurando-o. Avançou para o clone que confrontava Emi, atacando-o para tirar sua atenção. O golpe foi bloqueado, e a intenção de Cast podia ter dado certo, mas o outro clone se mostrou recuperado, mesmo com o peito perfurado. Cast virou-se e desviou de ter seu peito atravessado por uma lâmina. No lugar, não passou de um corte grande, mas superficial.

O clone tentou outros dois golpes, mas foram bloqueados por Cast. Emi se aproximou e o decapitou. Ao mesmo tempo, o outro clone avançava para atacar Emi, mas Cast imediatamente entrou na frente e perfurou seu peito, pendurando-o na lâmina como um pedaço de carne no espeto.

Ambos dispersaram suas armas e se entreolharam com admiração novamente. Em seguida, encararam seus arredores. Não havia nada, sequer uma pessoa ou carro por perto. Emi e Cast procuravam pela figura humanoide. Até que algo atinge Cast, mandando-o para bem longe.

Emi alertou-se e se afastou. A Neko havia aparecido. Emi invocou um machado de batalha, enquanto a Neko sacou sua adaga.

— Isso não tá meio injusto? — comentou a Neko, já que ela estava com uma simples adaga e Emi com um machado enorme.

— Oras, cale a boca — respondeu Emi.

— Então tá...

Emi tentou um golpe vertical, mas a Neko desviou ao dar um passo para trás. A Neko tentou atacar Emi, mas ela fez o mesmo, desviando. Emi tentou novamente, mas foi bloqueada. O mesmo com a Neko. Ambas já estavam perdendo a força das mãos. Continuavam defendendo e atacando, até que Emi soltou seu machado.

A Neko aproveitou a vantagem e golpeou seu braço direito. Golpeou mais uma vez, Emi evitou grandes estragos colocando seus antebraços na frente, então um corte foi aberto em cada um. Tentou correr, mas a Neko golpeou a lateral de Emi. Ela conseguiu se afastar por alguns metros, mas caiu logo em seguida, tampando a enorme ferida e expressando dor em sua face.

A Neko se aproximou e começou a falar:

— Sente isso? Não é metade do que você merece por roubar a coroa.

— Vai se foder — Emi disse, já lacrimejando em dor.

— É, vai se foder, também... — disse antes de chutá-la, fazendo-a gemer mais ainda. — Tem medo de morrer? Todos vamos morrer um dia, então que diferença faz você morrer agora? — continuou. — Seria tão mais fácil se você se entregasse, mas decidiu chorar pro Herdeiro... Que piada! Aquele pirralho não é nada!

— Vocês... e a porra do seu Jarl... Não passam um bando de baba-ovo dele! — comentou Emi, ainda no chão.

— Concordo, mas eu só tô aqui pela recompensa. Agora, cadê aquele seu amigo? A cabeça dele também está em jogo — Perguntou.

— Por que querem o Cast? — Emi perguntou, um pouco surpresa.

— Como assim? Porque descobriram que ele supostamente é o Herdeiro. Pobrezinho. Envolveram um humano frágil e ordinário como os outros.

— Está errada —Uma voz invade a conversa.

A Neko se virou. Encarou aquela figura.

Cast estava de pé. Através do buraco dos olhos da máscara, chamas se forçavam a sair. Vermelhas do lado direito e azuis do esquerdo. Algo brilhoso estava em fluxo em seu corpo. Do centro de seu peito, uma aura surgia e corria para suas costas, onde o formato de asas e uma cauda eram perceptíveis.

A garota estava claramente espantada. Ela imediatamente percebeu: Cast não era o Herdeiro, e sim algo mais estupendo.

— Estou errada, é? Por que? — perguntou.

Cast suspirou e respondeu:

— Esquece... Depois eu falo.

Emi aproveitou esse tempo de distração para tentar se curar lentamente.

— Vamo lá... Por que você tá lutando? — perguntou.

— Você obviamente não entenderia. Se seu reino parar de nos incomodar, eu prometo — respondeu enquanto começava a caminhar.

—  Sério? É essa garota? Sabo tudo o que ela fez?

— Acha que você é a primeira que me faz essa pergunta?

A Neko se aproxima...

— Qual é o seu nome? — Cast perguntou.

— Alice. E o seu?

— Pode me chamar de Cravache.

— Cravache?

— Significa “Chicote”, em francês.

Cast levou suas mãos de baixo para cima, aparentando fazer força. De repente, várias criaturas surgem do solo. Dehogs da Tempestade. Monstros de pedra cujas articulações são formadas por alguns raios. Alice imediatamente se clona várias vezes, ocupando os Dehogs, mas até terminar de se clonar, Cast já havia sumido da vista.

— Eu posso fazer isso a noite toda! — Alice disse.

— É, eu também — Sua voz se fez presente à esquerda.

Ao olhar, Alice foi atingida. Abriu os olhos e viu que estava voando. Cast a carregava pelo pescoço. Então aquelas asas eram, de fato, materiais e físicas.

Cast a soltou e começou a golpeá-la ainda no ar, a milhares de pés de altura. Capturou-a novamente e se lançou como um míssil ao chão. Cast e Alice caíam como um único meteoro. Após atravessarem novamente as nuvens, a cidade se materializava na frente deles. Cast a manteve todo o tempo direcionada ao chão, até o momento do impacto.

A poeira dos blocos de pedra quebrados foi lançada ao ar. De dentro do monte de fumaça, Alice foi lançada, impactando contra uma estrutura de pedra, a mesma onde estava o piano. Cast também saiu de dentro da fumaça, impactando contra Alice e destruindo aquela estrutura.

Cast a capturou ainda no ar, aproximou seus rostos e disse:

— Não vou te matar. Você tem uma mensagem a dar para seu tão aclamado Jarl. Quero que ele venha me enfrentar. Que venha ele e todo seu exército. Eu vou acabar com todos. Um por um — Ele agia irracionalmente, e estava completamente ciente disso, mas aquilo não importava, pois sua raiva era maior que qualquer outro sentimento na cabeça de Cast

As asas de Cast bateram mais lentamente, permitindo-o pousar. Soltou-a e caminhou na direção de Emi. Alice estava perplexa com a situação. Respirava com certa dificuldade, já que metade das suas costelas haviam sido quebradas.

Sem pensar muito, sacou sua adaga e saltou na direção de Cast. Ele rapidamente virou-se e balançou sua suposta “cauda espectral” atingindo e cortando o pescoço de Alice, fazendo sua cabeça saltar de seus ombros.

Cast olhou para o lado. O gato. O mesmo gato que a garota sentada na calçada acariciava estava olhando para ele. Cast aproximou-se, se agachou e removeu a máscara.

As chamas em seus olhos estavam menores e afiadas. Disse:

— Dê aquela mensagem pra mim, sim? E não se faça de besta, ou vai sobrar pra você.

Tornou a caminhar na direção de Emi enquanto o gato ia para o lado oposto. À medida que se aproximava, aquelas características sumiam. A aura, as asas, os chifres... O local estava mais quieto. Os Dehogs e os clones de Alice haviam sumido...

Agachou-se perto de Emi, acariciou seus cabelos e disse:

— Fique calma...

Posicionou suas mãos sobre o ferimento na barriga de Emi e começou a curá-la.

— Eu só queria ter uma noite divertida... E acabou que eu tive a pior noite da minha vida... Destruí um de meus lugares favoritos... Não conseguimos sequer jantar por causa de um garçom idiota...

Ao terminar, fez o mesmo com o braço e antebraços.

 — Nos machucamos demais... Desculpa ter que fazer você passar por isso — continuou.

Emi sentou-se no chão, encarou-o por um tempo... Se aproximou e envolveu seus braços no corpo de Cast, encostando a cabeça em seu peito.

— Ninguém nunca mais vai te machucar... Eu juro te proteger com minha vida, assim como você fez.

Depois de alguns segundos, Era possível ouvir o choro de Emi.

— Cast... Eu só quero ir pra casa...

Cast sentiu um golpe em seu coração ao ouvir aquilo... Aquele choro, aquela voz repleta de medo... Mas ao menos ele percebeu que Emi confiava nele...

O garoto olhou para o lado, viu a cabeça de Alice caída no chão, com os olhos mortos virados para ele...

— Eu também... Vamos para casa...

Lágrimas corriam o rosto de Cast. Ele estava com medo, pois aquela cabeça decepada o lembrava que uma enorme batalha estava por vir...

Mas ele entendeu na hora que era algo extraordinário, e que precisava de toda a verdade naquele momento.

Cast Cravache, o Dragão Perdido, repousa seu olhar sobre seu novo reino, e sua fúria queima...



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