História The Lost Treasure - Capítulo 1


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Categorias Piratas do Caribe
Personagens Personagens Originais
Tags Deuses, Lutas, Magia, Mistério, Personagens Originais, Piratas, Romance
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Palavras 4.646
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI GENTEEEEEEEEE!
Eu sei que quando vocês começarem a ler, talvez fiquem muito surpresos com algumas mudanças que eu fiz na história. Mas eu vou me explicar aqui porque eu fiz isso. Essa história de TLT se tornar tipo piratas do caribe começou apenas como uma brincadeira pra eu me inspirar na escrita e quando vi já tinha três capítulos escritos, sabe? Eu fiz mais em umas duas horas do que tinha tentado fazer com TLT em meses, porque a história original não passava de 1k fazia bastante tempo. Foram muitos fatores que me atrapalharam na hora de escrever a história, mas já garanto que nenhum foi culpa de vocês, ok?
Espero que vocês gostem dessa nova versão da fic tanto quanto eu estou gostando. Adoro vocês!

Capítulo 1 - Capítulo Um - Nassau.


Fanfic / Fanfiction The Lost Treasure - Capítulo 1 - Capítulo Um - Nassau.

A jovem ruiva encarava aqueles olhos dourados que lhe encaravam com severidade. Ela não sabia o que fazer, impossibilitada de falar diante daquela situação terrível. Seus olhos ardiam, de tanto chorar. Sua garganta estava mais seca que a areia do deserto, e cada célula do seu corpo emanava uma dor excruciante. 

— Você deve consertar seu erro. — O tom autoritário da figura de olhar dourado fez seu peito se contrair de dor. Ela sabia que havia errado. E sabia o sacrifício que teria que fazer. — O novo rei dos piratas deve ser eleito. O Promise deve ter um capitão. 

Ela tentou responder, mas sua voz havia sumido. 

— Retifique seu pecado. — A figura ordenou. — E a morada dos deuses pagãos a perdoará. 

Ela só conseguiu acenar com a cabeça positivamente, sabendo que essa era sua única escolha.

— Não se esqueça. O Promise deve ter um capitão.

『✦』

— Andem, seus ratos de esgoto! Não temos o dia todo! — Lance Dragscale gritava ordens de cima do convés superior para a tripulação, que trabalhava incansavelmente. — Precisamos alcançar Nassau logo ou eu farei todos os preguiçosos dessa nau de alimento para os tubarões!

Ele percebeu que a tripulação começou a trabalhar mais rápido e deu uma risada, satisfeito com a reação que gerava nos homens. 

— Com essa motivação, chegaremos à Nassau em cinco minutos, Lance. — A voz de Jonathan Hook se fez presente ao lado do moreno, e ambos trocaram sorrisos. — Você parece especialmente ansioso para “buscar mantimentos.” — Ele fez aspas com os dedos.

— Tantos dias assim longe da terra me deixam ansioso, caro amigo. — Lance se debruçou na beirada do navio, observando a terra à vista. 

— Ansioso pelos bordéis, só pode. — Jonathan provocou o amigo, que deu uma risada. — Apenas não arrume nada com mulheres comprometidas, está bem? Principalmente de oficiais. Foi quase impossível te tirar de Saint Thomas vivo aquele dia.

— Não prometo nada, John. — Lance piscou. — Você sabe como eu sou irresistível para as mulheres, não há nada que eu possa fazer.

— Alguém está ficando incrivelmente convencido. — Uma terceira voz, desta vez feminina, se fez presente. Ambos se viraram para ver Gia Dragscale, a irmã de Lance. Ela colocou as mãos na cintura com um sorrisinho. — Do jeito que sua fama percorre os sete mares, irmão, duvido que alguma moça irá querer seus serviços na cidade. 

— E você até parece que não conhece seu irmãozão, Gi. — Lance se aproximou da irmã, estendendo o braço ao redor de seus ombros. — Não há uma mulher em todos os mares que tenha recusado os meus serviços experientes.

Gia apenas revirou os olhos. — Eu não vim aqui pra escutar absurdos. — Ela suspirou. — O capitão pediu para contratarmos alguns temporários no porto, principalmente um ladrão experiente. Perdemos muitos homens no último ataque aos navios mercantes. 

— Aquele velho maluco acha que não damos conta do recado. — Lance cruzou os braços, com uma expressão mais séria. — Vou levar o Jonathan aqui e o pirralho. Ele esteve ansioso pra uma missão fora do navio faz meses.

— Isso tem tudo pra dar errado. — Gia balançou a cabeça, com um sorrisinho. — Está bem, só por favor, tentem não parar na prisão. Ou iremos sair sem vocês pela manhã. 

— Claro, maninha. Prometo que vamos nos comportar. — Lance deu um sorriso angelical para a irmã, que apenas ergueu as sobrancelhas e desceu, voltando aos seus afazeres.

— Você, se comportar? — Jonathan encarou o segundo em comando com uma expressão incrédula. — Nem você acredita nisso. 

— Claro que acredito. — Lance deu um sorriso malicioso. — Vamos nos divertir muito hoje. 

『✦』

Kaira Bellini adorava o modo como os cidadãos do porto de Nassau eram tão distraídos em relação aos seus bolsos. Com facilidade, a ruiva enchia seus próprios bolsos, com poucas libras esterlinas de bolsos de pedestres desavisados, alguns brincos de mulheres que caminhavam nas feiras e poucas joias mais preciosas de mercadores ambulantes. 

A jovem ruiva, satisfeita com a quantidade de roubo, arrebatou uma maçã de uma das barracas de frutas, se movendo agilmente para dentro de um beco. Usando alguns entulhos empilhados, ela conseguiu alcançar o telhado de um dos prédios comerciais. Mordendo mais um pedaço da maçã, ela se sentou para observar os pedestres, buscando alguma oportunidade a mais.

De repente, uma marcha foi ouvida pela rua, e todos os pedestres saíram do meio da rua. A jovem ladra também tratou de se esconder, conhecendo muito bem aquele som específico. De repente, um grande grupo do exército britânico virou a curva da avenida, marchando sobre as ruas com um ar autoritário.

Engomadinhos de merda. Kaira pensou consigo mesma, enquanto via vários homens do exército começando a confiscar dinheiro das barracas e derrubar vendendores ambulantes nas ruas. Não sou idiota de ficar aqui por mais tempo. 

Kaira se levantou furtivamente, puxando seu capuz sob a cabeça e começou a correr entre os telhados, pulando sobre enormes vãos com facilidade. Conforme se aproximava de seu destino, o luxo e a riqueza das construções foi diminuindo, e Kaira finalmente alcançou a área pobre da cidade, próxima ao porto.

Após se sentir segura, ela desceu do telhado, encontrando o cenário mais miserável da cidade com familiaridade. Ela retirou o capuz também, sabendo que o exército britânico não se importava o suficiente para aparecer por aquela zona da cidade.

Andando pelos bares, bordéis e vendas, ela finalmente alcançou um pequeno bar ao final da rua. O Caldeirão Furado era uma humilde taverna, na parte debaixo de um sobrado velho de madeira, cuja parte superior funcionava como pensão.

Ao adentrar o recinto, ela sorriu quase que automaticamente ao escutar a voz feminina melodiosa que advinha de dentro da cozinha do bar. Ela entrou silenciosamente, se sentando para escutar a canção que a jovem cantava. 

— O rei despertou a rainha do mar… — Ela escutou alguns potes sendo movidos de um lado para o outro na cozinha. — Num barco a acorrentou… Por onde andares, são teus mares, quem ouviu, remou…

Kaira assistiu a jovem ruiva distraída sair da cozinha, ainda cantando sem notar sua presença. — Yo-ho, todos juntos! Nossas cores erguei! La-

— Ladrões, e mendigos, jamais irão morrer. — Kaira completou a estrofe da música, dando um susto na outra ruiva. — Eu não me canso de escutar sua voz, Sadie. É muito bonita.

— Kai! — Sadie deu um pulo com o susto. — Você não pode entrar furtivamente assim! Eu quase morri do coração!

 — Foi o objetivo, ruivinha. — Kaira piscou para Sadie, que apenas revirou os olhos.

 — Você está toda suada. — Sadie jogou o pedaço de pano que usava para limpar o balcão no rosto da amiga. — Por onde andou?

— Centro da cidade. — Ela começou a tirar as joias do bolso, depositando-as sobre o balcão. — Esses ricassos estão ficando cada vez mais idiotas. Quem é o imbecil que carrega um colar desses?

Ela retirou um colar comprido de seu bolso, com uma pedra púrpura e de forma irregular. — Fluorita. — Kaira reconheceu. — Vale um bom dinheiro no mercado negro de Tortuga. 

Sadie suspirou, guardando as joias roubadas em um saco de pano que estava jogado pelo balcão. — Eu não gosto da ideia de você trocando coisas preciosas sozinha naquele antro de barbaridades. 

— Você sabe muito bem que eu sei cuidar de mim mesma. — Kaira retirou a adaga de seu cinto, puxando uma faca qualquer sob o balcão para afiá-la. 

— Eu sei que você pode. — Sadie encarou a outra com uma expressão preocupada. — Mas eu me sentiria muito melhor se você estivesse acompanhada. 

— Se faz você se sentir melhor… — Kaira suspirou. — Vou arrumar trabalho em alguma tripulação hoje à noite. E depois que eu voltar, nós finalmente poderemos nos mudar desse buraco e ir atrás das suas memórias.

— Eu agradeço a intenção, Kai. — Sadie pegou nas mãos da amiga, a encarando com um olhar sincero. — Porém, eu iria preferir que você saísse daqui para realizar os seus sonhos, ou buscar algo que almeja. 

— Não há nada que eu procure, Sadie. — Kaira deu um sorriso fraco. — Aquela bruxa já destruiu todos os meus sonhos. Mas ainda temos muito tempo para descobrir os seus. 

— Obrigada, Kai. — Sadie agradeceu, e ambas sorriram em silêncio por alguns segundos, até que que deu um empurrão de leve na amiga. — Agora vamos, pode pegar um avental que esse bar não vai se abrir sozinho!

『✦』

— Eu estou cansada desses ladrões sujos! — Uma mulher vestida nobremente com um vestido que deveria conter nove anáguas apontava o dedo na cara de Keith Fletcher, um dos oficiais mais novos da marinha britânica. — Isso é culpa da negligência de seus soldados na cidade! Nassau se tornou um antro de perdição!

— Madame Bellows, nossos homens fazem o possível para eliminar a criminalidade. — Keith se forçou a ser educado, quando na realidade queria apenas quebrar o pescoço daquela mulher irritante. — Porém, as organizações criminosas são sorrateiras e possuem vários meios ilegais para se esconder.

— Então entre com seus homens naquele cortiço e coloque fogo naquele lugar infernal! — A mulher ordenou, raivosa. — Aqueles ladrõezinhos sujos sairão como ratos de suas tocas! E é isso que são! Uma praga em nossa cidade, prejudicando a vida dos cidadãos de bem!

Keith apenas suspirou, querendo bater a cabeça na parede. Ele se preparou para responder de forma grossa, mas a porta foi aberta subitamente, e por ela passou Gianlucca Motta, um comodoro da marinha britânica. Ele exibia uma expressão educada, algo que era impossível de não ser visto em sua face.

— Com licença, Madame Bellows. — Ele reverenciou a mulher, tomando sua mão para depositar um beijo. — Pedimos extensas desculpas por nossa incompetência, que lhe causou um grande inconveniente. Tomaremos providências ainda hoje para realizar a prisão destes indivíduos e suas joias serão devidamente recuperadas.

— É sempre bom encontrá-lo, Comodoro Motta. Ao contrário de certos oficiais seus. — A mulher corava com a atenção do oficial, e Keith revirou os olhos, querendo vomitar. — Se for assim, ficarei descansada. Todos sabemos que podemos confiar em seu talento para colocar a corda nos pescoços destes criminosos vis.

— E o faço com todo o prazer, sabendo que estou salvando vidas de cidadãos ilustres como a senhora. — Lucca sorriu, mas Keith percebeu a frieza em seu olhar. — Podes voltar à sua mansão tranquila, madame. Pedirei a um de nossos soldados que a escolte até lá, para se sentir mais segura.

— Agradeço sua gentileza, Comodoro. — A mulher sorriu graciosamente, não percebendo que o homem em questão praticamente a empurrava pra fora da sala. — Pois bem, então. Estarei indo. Agradeço pela audiência com seus oficiais e por me tranquilizar. 

— Pode contar conosco sempre, madame. — Ele beijou a mão da mesma novamente, e abriu a porta da sala. Em seguida, virou-se para um dos soldados que estava parado de pé no corredor. — Por favor, acompanhe a Madame Bellows até sua carruagem e chame alguns homens para a escolta até a mansão Bellows.

O soldado assentiu, tomando o braço da nobre e a guiando para longe da sala. Em seguida, Lucca voltou a entrar no escritório, encontrando Keith que lhe encarava com um sorriso sarcástico.

“Pode contar conosco sempre, madame.” — Keith imitou o tom anterior de Lucca. — Você não cansa de lamber as botas destes ricos inúteis?

— São os ossos do ofício, meu caro. — Lucca se dirigiu à uma mesa de madeira, com a superfície repleta de diversas garrafas de bebida alcoólica. Posteriormente, serviu dois copos de uísque, entregando um deles ao Fletcher. — É o dinheiro destes “ricos inúteis” que financia muitas das expedições da Coroa e da Marinha. 

— E você está fazendo promessas vazias à eles. — Keith ergueu uma sobrancelha. — Que história é essa de resolver tudo? Se fôssemos prender todos os ladrões do porto, a cidade ficaria sem habitantes.

— Só precisamos pegar um ladrão. — Lucca tomou um gole de seu uísque. — Neste caso, uma ladra. Finalmente fomos capazes de encontrar O Fantasma Rubro.

O nome soou como um tiro para Keith, que se virou bruscamente para encarar seu oficial. — Está mentindo. — A face de Lucca foi tomada por confusão perante à resposta. — Ninguém jamais foi capaz de encontrá-lo.

— Um de meus espiões me alertou sobre sua presença em uma taverna ao norte, em meio às favelas de Nassau. — Lucca explicou. — Em uma das tavernas mais frequentadas por outros de seu tipo e tripulações piratas em busca de novos membros. 

— Então vamos! — Keith colocou a mão sob o cabo da espada em seu cinto. — Está na hora desse bastardo encontrar a forca. 

— Paciência, meu jovem. — Lucca sorriu, divertindo-se com a raiva do oficial. — Nossos homens invadirão o local durante a noite, quando estiver mais cheio. 

— E então finalmente… — Keith se virou para a grande janela do escritório, cerrando os punhos. — Pegaremos este notório ladrão. E ele irá pagar por seus crimes.

『✦』

Andrew jamais sabia a roubada em que estava se metendo ao acompanhar Lance e Jonathan no porto de Nassau. O ponto baixo do dia tinha sido correr de um bando de mulheres extremamente irritadas que queriam matar Lance após terem sido enroladas pelo mesmo.

Ao cair da noite, o trio adentrou no Caldeirão Furado, dito por Lance como o bar ou taverna que servia a melhor comida do porto, e um dos locais mais discretos e livres da influência da marinha na cidade. Os três sentavam em uma das mesas próximas ao bar, e enquanto Lance e John cumprimentavam velhos conhecidos, o jovem parou para observar o local. 

Era um estabelecimento agradável, cheio de pessoas diferentes, de diversas etnias e raças. Todos pareciam pobres, com a magreza, sujeira e roupas amarrotadas ou rasgadas, mas exibiam os sorrisos mais sinceros e cheios de alegria que o jovem já havia visto. Ele não podia ver este tipo de coisa nas festas da alta sociedade para as quais era arrastado, em que todos exibiam sorrisos frios como o gelo, com palavras falsas e marcadas pelo interesse em sua fortuna, não em sua pessoa. 

Nem eu sua própria mansão, havia anos que uma risada ecoara por aquelas paredes frias e claustrofóbicas. Não desde a morte de sua mãe. Não desde que fora deixado com aquele monstro tortuoso. Ele se recordava das mãos gélidas de seu pai contra sua face, a cor escarlate que tomou sua visão em seguida.

“Pai, pare!” Jason gritava, desesperado.

“Não ouse me ordenar, Jason!” A voz gélida de seu patriarca o fazia tremer no chão. “Esse bastardo vai aprender a me respeitar!”

— Andrew! — Jonathan o despertou de seu transe, com uma voz urgente. — Terra para Andrew, você está com a gente, camarada?

— Foi mal. — O jovem coçou a nuca, envergonhado. — Estava perdido em meus pensamentos.

— Percebemos, pirralho. — Lance ergueu a sobrancelha. — Mas não quero que isso aconteça de novo, entendeu? Estamos em uma missão importante aqui.

— Entendi. — Andrew encarou Lance, serio. — Prometo me concentrar, Lance.

O mais velho bagunçou o cabelo do mais novo, com um sorriso. — Não se preocupe com isso, pirralho. Confio em você.

— Agora que você está conosco… — Jonathan riu. — Estava dizendo à Lance que devemos iniciar o recrutamento após a canção. Já espalhei a palavra pela taverna e temos muitos homens querendo se juntar à nós por aqui. O que acha?

— Acho ótimo, mas… — Andrew hesitou, confuso. — Que canção?

Antes que ambos pudessem responder, todos os homens sentados no recinto fizeram um silêncio repentino após ver uma garota ruiva baixa sentar-se sobre o balcão do bar. O olhar de Andrew foi rapidamente direcionado àquela bela jovem, que usava vestes simples, mas tinha um rosto incrivelmente bonito, marcado por sardas e intensos olhos azuis. Lance percebeu que o garoto estava completamente embasbacado e deu uma risada baixa.

— Aquela é a garçonete mais famosa desse bar. — Ele contou. — Ela apareceu por aqui faz quase um ano, e toda noite, ela canta para os visitantes do bar. Ninguém sabe seu nome, ou de onde ela veio. Mas ela é um doce com todos os clientes, e nunca aceita nenhum pretendente. 

— Uma das garotas inteligentes que te rejeitou. — Jonathan deu um soco forte no ombro de Lance, que nem sentiu. Ambos sorriram com a interação. 

— Vá pro inferno. — Lance devolveu o soco, desta vez mais forte. — Ela provavelmente corta pro outro lado, é a única explicação. Então nem pense em se apaixonar, pirralho. 

Andrew ficou imediatamente vermelho. — E-Eu não vou! — E tomou mais um gole da sua cerveja, mas não conseguiu evitar seu olhar de se dirigir para a jovem ruiva novamente, que de pé, começou a cantar. 

— Meu nome é Maria, sou a filha de um pescador. — Andrew arregalou os olhos ao escutar o quão melodiosa era a voz da jovem. Combina muito bem com o rosto dela. Pensou, enquanto continuava a escutar. — Eu deixei os meus pais, e três mil por ano sim senhor…

Ela começou a andar pelo bar, ainda cantando. — Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão. E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom. 

Todos no bar pareciam hipnotizados com a voz da jovem, e os companheiros de Andrew não eram diferentes. 

— Ela realmente tem a voz como a de uma sereia. — Um dos marujos ali perto falou, rendendo murmúrios de concordância daqueles ao seu redor. 

— Eu não me incomodaria de ser arrastado para o fundo do mar se fosse essa bela donzela. — O outro respondeu.

— Venham todas belas damas, aqui deste lugar… Que amam um bravo marujo, cruzando o alto mar. — Ela sorriu para as outras garçonetes. — Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão… — E pausou, respirando fundo. — E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom.

Assim que ela acabou, o silêncio foi substituído por salvas de palmas e elogios estridentes que ecoaram pelas paredes da taverna. A jovem ruiva sorriu tímida, e com uma pequena reverência, ela saiu do recinto por uma porta atrás do bar Andrew ergueu uma sobrancelha ao ver um objeto brilhante rolar aos pés da jovem, e se levantou rapidamente.

— Ei pirralho. — Lance chamou. — Onde você vai? Precisamos trabalhar!

— Já volto! — O moreno apenas gesticulou para o mais velho, indo até o local do objeto brilhante. Se tratava de um brinco, e o mesmo deduziu que pertencesse à cantora ruiva. Ele seguiu em direção ao bar, dando de cara com uma das garçonetes.

— Com licença, senhora. — Ele chamou a mulher, que se virou com um sorriso divertido. Ela parecia muito mais velha que ele, mas sorria de forma atraente, o que deixou o garoto nervoso. — É… Aquela senhorita de antes… Ela deixou cair algo. Sabe onde ela foi?

— Sadie? — A loira perguntou, erguendo uma sobrancelha. Andrew acenou com a cabeça positivamente, esperando que esse fosse o nome da cantora. A mulher indicou uma porta lateral do bar. — Lá fora. 

— A-Ah, obrigada. — Ele curvou a cabeça levemente, e a mulher riu, o deixando vermelho. Ele decidiu seguir rapidamente a direção indicada, evitando passar mais vergonha. Por algum motivo, o jovem sempre se sentia nervoso conversando com mulheres, principalmente mulheres mais velhas.

Andrew saiu do bar, sentindo imediatamente a brisa fria marítima tocando sua face. Ele olhou de um lado pro outro, não demorando muito a reconhecer a figura de costas por seus cabelos alaranjados. A mesma estava apoiada em uma cerca do outro lado da rua de pedregulhos, encarando o porto e o oceano. 

Andrew respirou fundo, tentando controlar seu nervosismo e se aproximou devagar da jovem, não querendo assustá-la. — Com licença. — Ele chamou, e prendeu a respiração quando a jovem se virou. Seu rosto se tornara intensamente mais bonito iluminado pela luz do luar. — V-Você… É… — Ele esticou o brinco. — Deixou cair isto.

Ela ficou uns segundos o encarando, parecendo levemente confusa. Até que com um pulinho adorável na visão de Andrew, ela pareceu despertar de seu transe. — Ah, obrigada! — Ela esticou sua mão para pegar o objeto, e Andrew sentiu um tipo de choque elétrico com o singelo toque de suas mãos, até que ambos as puxaram de volta. — Eu sou tão desastrada às vezes.

— Não se preocupe. — Andrew sorriu, coçando a nuca. — Acontece com todos nós. 

Os dois ficaram em um silêncio desconfortável por alguns segundos, evitando os olhares um do outro. Seria tão fácil se eu fosse como o Lance… Andrew suspirou.

— E então, o que um pirata tão jovem como você veio fazer no porto de Nassau? — Sadie perguntou, e riu ao ver o olhar surpreso de Andrew. — Não foi difícil deduzir. E você estava junto com Lance Dragscale, o comandante do temido Treasure. 

— Ah… — Andrew riu, desconcertado. A fama de Lance realmente é grande. Pensou o jovem. — Você me notou, então.

Foi a vez de Sadie se surpreender, ficando levemente vermelha. — A-Ah… É que você nunca apareceu por aqui. — Ela se virou de volta para o oceano, parecendo nervosa. — Fiquei curiosa, apenas. 

Andrew sorriu de canto com a resposta da jovem. — Viemos recrutar alguns homens para nossa tripulação. — Ele percebeu que a ruiva voltou a observá-lo antentamente. — E faz algum tempo que estive em terra novamente. Por isso pedi para acompanhá-los.

— Deve ser incrível… — Sadie suspirou. — Poder explorar os oceanos, tantas ilhas e portos diferentes. 

— Ah, é sim. — Andrew encarou a jovem, ainda admirando seu rosto iluminado pela luz do luar. — Contudo, lhe garanto que estar preso tempo demais em uma embarcação tendo que enfaixar marujos feridos a cada cinco segundos em batalhas pode se tornar um pouco cansativo.

— Você é o curandeiro da nau? — Sadie perguntou. — Isso deve ser trabalhoso.

— Sou apenas um aprendiz no momento. — Ele deu de ombros. — Eu acabei tendo que aprender sozinho a como cuidar de ferimentos.

A jovem ruiva percebeu uma expressão dolorosa assumir o rosto do rapaz, mas que logo foi substituída por um sorriso alegre. — Eu deveria voltar, ou serei ordenado a esfregar o convés a noite inteira para compensar por minha ausência.

Ambos riram com o comentário do jovem pirata. — Eu imagino que isso deva ser realmente problemático. — Apontou Sadie. 

Andrew começou a andar de volta para o bar, mas parou ao escutar a voz da ruiva. — Com licença. — Ele se virou quando ela o chamou. — Eu nunca soube seu nome. 

O moreno sorriu de forma amigável. — Andrew. Só Andrew.

— Está bem, Só Andrew. — Sadie ergueu uma sobrancelha, provocando uma risada no jovem com seu comentário. — Boa sorte em seu recrutamento. 

— Obrigada, Sadie. — O mesmo respondeu, surpreendendo a mesma. Percebendo a reação dela, ele reuniu toda sua coragem e piscou para ela, posteriormente voltando ao bar. 

Ela ficou ali, parada por mais alguns segundos de forma estática, se perguntando como diabos aquele jovem misterioso havia descoberto seu nome. Ele deve ter ouvido de alguém lá dentro. Sadie sorriu consigo mesma, balançando a cabeça e olhando para o brinco que o garoto trouxera.

— O mundo realmente está cheio de pessoas interessantes. — Disse, consigo mesma, enquanto observava o oceano, desviando seu olhar para o resto do porto de Nassau, iluminado.

Foi quando algo a chamou a atenção perto da entrada da zona mais pobre da cidade, há uma distância pequena do Caldeirão Furado. Muitas luzes em conjunto avançavam pela região, e ela apertou os olhos para enxergar melhor. Tochas. Pensou, e arregalou os olhos ao ver que dezenas de soldados as carregavam, e invadiam os diversos bares e casas que encontravam pela frente. 

Pelos deuses. Ela pensou. Preciso avisar Kaira!

『✦』

Alguns minutos antes, dentro do bar…

Após a saída de Andrew atrás de Sadie, Lance suspirou. — Aquele moleque preguiçoso precisa esfregar mais o convés pra aprender. 

Jonathan riu, balançando a cabeça. — Deixe-o, Lance. Aposto que o pobre coitado jamais sequer encostou em uma garota. Ele precisa dessa experiência. 

— Ele poderia transar depois de trabalhar. — Lance se virou para a fila de marujos bêbados que se formavam para dançar e rodar, revirando os olhos. 

— Não importa, só temos candidatos bêbados e imbecis até agora. — Jonathan se recostou na cadeira. — Eu não sei por que o capitão precisa de um ladrão “experiente”, de qualquer maneira. 

— Então é isso que estão buscando. — Uma voz feminina atraiu a atenção de ambos. Eles se viraram para uma garota ruiva, alta e de belos olhos azuis. Ela mantinha um sorriso sarcástico em seu rosto e vestia roupas pretas compridas. — Acho que posso os ajudar.

Lance analisou a jovem, principalmente sua forma física, marcada por curvas e músculos dos braços definidos. Seu olhar era determinado e decidido e o comandante sorriu consigo mesmo. Essa tem fogo. 

— Como você poderia nos ajudar? — Lance perguntou, sorrindo desafiadoramente. — Eu pessoalmente adoraria sua ajuda em um dos quartos lá em cima, milady. 

A ruiva emitiu um tch com os lábios. — Não estou interessada, desculpe. — Lance ergueu uma sobrancelha com a resposta. — Me referi ao “ladrão experiente” que buscam. Não vão encontrar alguém melhor que eu nesse porto inteiro. 

— Como você é convencida, ruivinha. — Lance se debruçou sobre a mesa, se aproximando da jovem. — Precisarei ser convencido de suas habilidades para acreditar.

A mesma apenas revirou os olhos, retirando de seu bolso um brinco com uma esfera púrpura e um bracelete de ouro com desenho de dragão. A dupla de piratas arregalou os olhos, reconhecendo seus pertences. 

— Os roubei de vocês assim que entraram no bar. — A jovem riu das expressões incrédulas dos piratas. — Achei que como piratas vocês sentiriam falta de objetos preciosos. 

Lance ficou encarando a ruiva por alguns segundos, até que saiu de seu choque, rindo e balançando a cabeça. — Eu admito, estou impressionado. 

— Fico feliz. — Kaira sorriu levemente. — E então, estou contratada?

— Você não quer saber o que vai roubar? — Lance perguntou, curioso.

— Não ligo. — Ela deu de ombros. — Eu preciso de trabalho fácil e vocês de mim. Na hora eu saberei.

Lance encarou Jonathan, que apenas deu de ombros. — É a primeira candidata decente da noite.

Lance então sorriu para a ruiva. — Acho que você está contratada, então. Senhorita…?

— Kaira. — Ela respondeu e Lance esticou sua mão para um cumprimento, que Kaira aceitou relutantemente. 

— Seja bem vinda à tripulação do Treasure, Kaira. — Lance piscou pra ela. — Sou Lance e esse é o Jonathan. Pode chamá-lo de John ou simplesmente ignorá-lo.

— Vá pro inferno. — John revirou os olhos, sorrindo para Kaira em seguida. — Prazer em conhecê-la. Quem você tem que ignorar é esse idiota mulherengo aqui. 

— Prazer em conhecer você também. — Kaira deu um sorriso leve, se virando para Lance em seguida. — E então, quando saímos?

— Estávamos pensando em sair pela manhã, nosso navio-

— O EXÉRCITO! — Sadie entrou no bar, gritando alto o suficiente para interromper a conversa e música. — Eles estão invadindo todas as casas e estabelecimentos!

Todos os homens se levantaram e começaram a correr para fora, pelas saídas do bar. Lance se virou para Kaira, com urgência em seu olhar. — Acho que vamos sair agora, então! Jonathan! Andrew!

— Espere! — Kaira chamou a atenção de Lance para Sadie. — Não posso deixá-la aqui para lidar com eles!

— Isso não fazia parte do acordo! — Lance rebateu.

— Agora faz. — Kaira respondeu em um tom autoritário.

—  Vocês podem parar de discutir e focar que não temos para onde ir?! — John olhou ao redor, com a mão no cabo de sua espada.

— Sadie! — Kaira chamou a amiga, que se virou pra ela. — O túnel.

Sadie voltou eu olhar para a cozinha, correndo para dentro. — Me sigam! 

Lance lançou um olhar curioso para Kaira, que assentiu. — Vamos.

O grupo seguiu a ruiva, que começou a pisotear o chão da cozinha de forma confusa para o resto dos indivíduos, exceto por Kaira. 

— Estava por aqui! — Ela olhou para o chão enquanto continuava a pisotear, até que uma das madeiras fez um barulho diferente. — Aqui está! — A ruiva se abaixou, puxando as tábuas com facilidade para revelar um alçapão. Ela o abriu, revelando um buraco levemente profundo iluminado nada iluminado.

— Que diabos é isso? — Lance perguntou enquanto Kaira esperava Sadie descer pela escada de madeira encostada na parede do buraco. 

— Túneis de contrabando que o antigo dono usava. — Kaira explicou. — Deixamos por aqui em caso de algum incidente e pelo visto com razão. Andem!

— É bom não acabarmos em algum buraco mais cheio de soldados. — Lance reclamou, entrando no buraco logo em seguida e Kaira apenas revirou os olhos. 

Espero que eu esteja fazendo a coisa certa. Pensou Kaira de maneira apreensiva, enquanto entrava atrás dos piratas no túnel, sem saber que aquela noite decidiria seu destino para sempre.

Continua.


Notas Finais


E então, gostaram? Como o capítulo ficou muito grande e eu queria ver o que vocês achavam dando apenas um gostinho eu acabei cortando pelo meio. Se vocês curtirem, continuo, se não, voltamos a história original que eu tinha e vou me esforçar para tentar outra abordagem com a fic.
Beijos!


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