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História The Magic Of The Three - Capítulo 9


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Notas do Autor


Quarta vez que tento postar esse cap pq o spirit fica de viadagi pra enviar
Só não chorem amores :)

Capítulo 9 - Tristes lembranças de papel


Fanfic / Fanfiction The Magic Of The Three - Capítulo 9 - Tristes lembranças de papel

- Vivi?

- Oi?

- Caso eu te contasse uma coisa completamente fora do normal, você iria acreditar em mim?

Estávamos no quarto, tentando arrumar a maioria das coisas que tinham espalhadas pelo local, Viian arrumava as roupas no armário, na verdade ela só pegava e jogava de qualquer jeito lá dentro, e eu varria as coisas que tinham quebrado.

- Dependendo do que fosse.

- Tipo?

- Tipo. Por exemplo. Se eu te contasse que eu sou uma alienígena vinda de outro planeta que foi destruído por uma força maligna causando a extinção da minha espécie, e que meus pais me mandaram em uma cápsula para a Terra para que eu pudesse sobreviver e que meu ponto fraco é kriptonita. Você iria acreditar?

- Talvez, se você não tivesse tirado isso do Superman!

- Heejin, nunca se sabe quando as histórias são realmente inventadas. Poderia muito bem isso ter acontecido a milhões e milhões de quilômetros da Terra, poderia muito bem ser real.

- Mas, caso fosse uma coisa sem lógica alguma?

- Você nunca saberá a minha reação se não contar.

Certo. Essa era a hora.

Deixei de lado a vassoura e sentei na beirada da cama, vendo Viian parando de jogar as roupas e sentar-se ao meu lado, um pouco inclinada, apenas para poder fitar-me melhor.

- Bom... Quando formos para sua casa, eu acabei não conseguindo dormir, e acabei tendo um... Sonho... Muito estranho.

Vi que a mais velha não se manifestou, apenas continuou a me olhar curiosa, deixando com que eu continuasse. Olhei para o chão e comecei a brincar com os dedos de minhas mãos, tudo ao olhar da chinesa.

- Não sei se estava dormindo ou acordada, apenas me lembro que meu corpo não conseguia se aquietar na cama, e por um impulso ele me levou ate a janela, onde eu posso jurar de pé junto pra você que tinha uma mulher do outro lado da rua... E olhar para ela me deixava...

- Com medo?

Ela se pronunciou pela primeira vez, com um olhar sério, não aparentando levar aquilo, por um milagre, na brincadeira.

- Eu diria... Entusiasmada. Ela parecia olhar para mim, mas os cabelos do rosto me impediam de se ver, apenas um sorriso eu conseguia, quando vi água brotando do chão e a molhar de baixo para cima, senti como um choque tivesse atingindo meu corpo e sai do quarto o mais rápido possível para poder chegar a rua.

- Por que fez isso?

- Eu não sei, apenas senti que tinha. Quando cheguei não havia nada, apenas o círculo de água na calçada, sem querer acabei pisando nele e consequentemente algo pareceu me derrubar no chão, eu pensei que iria morrer já que não tinha sentido nada depois daquilo... Acordei na cama toda suada, e o pior foi quando olhei para o teu despertador que marcava três e um da madrugada, sendo que tudo isso aconteceu às três em ponto...

- Foi só isso?

Ela perguntou com um tom de voz estranhamente calmo e atencioso, como se fosse uma psicóloga prestes a apresentar os remédios diários que o paciente tinha que tomar.

- Eu acho que n- Sim! Eu... Eu me lembro de ter escutados vozes, o que parecia ser de uma só pessoa, uma mulher. Ela dizia... Ela dizia... Dizia q- Droga! Não consigo me lembrar!

Bati na cabeça em frustação por não conseguir lembrar das frases proferidas no meu tal "sonho", olhei para Wong ainda com a mão na cabeça, vendo-a fitando o chão com seriedade.

- Não vai fazer nem uma gracinha?

Ela pareceu despertar assim que me pronunciei, voltando a sua expressão neutra assim que se levantou da cama e arqueou as costas para se esticar.

- Eu ia, mas não estou conseguindo.

- O que?

- Algo me diz para levar o assunto a sério, o que me bloqueia de fazer qualquer piadinha no momento. O que é uma pena, adoro fazer piadinha.

Ela disse em um falso tom de tristeza, se aproximou da cama e pegou o livro aberto em mãos, o estendendo para mim.

- Acho que deveria ler.

Apanhei-o de sua mão e o observei, vendo que Viian sentou-se ao meu lado novamente, perto o suficiente para poder me acompanhar na leitura.

                         "Janeiro de 1485

Gritos. Gritos e mais gritos, para todos os lados. Foi assim que despertei em plena noite de lua cheia.

Notei que não havia ninguém em casa, as poucas velas que serviam para iluminação da velha casa já se encontravam quase apagadas ou próximas de suas bases. A partir que fui andando devagar pelo chão barulhento de madeira, mais e mais gritos eram audíveis, eram gritos de revolta.

Pelas brechas das madeiras usadas para a construção da velha residência, era possível ver algumas luzes, não, não eram luzes e sim...  Chamas.

Quando corri para a porta e a abrindo sem enrolar, puder ver melhor do que se tratava.

- ELA É UM MONSTRO!

- MATEM-NA!

- ELA NÃO MERECE VIVER!

- ABERRAÇÃO!

- ASSASSINA!

Foram algumas das frases que eram proferidas pelas pessoas emaranhadas nas ruas, carregando tochas, armas de fogo, facões, picaretas e todos os tipos de objetos para agricultura que poderiam ser usados como armas. A escuridão do lugar dava ainda mais contrastes para o fogo carregado pelos aldeões, que iam em direção a uma enorme... Fogueira?

- QUEIMEM-NA!

Agora estava tudo fazendo sentido e a última palavra que era mais proferida por todos ali presentes foi o que levou-me a ter certeza do que realmente estava acontecendo.

- BRUXA!

Sem pensar duas vezes, acabei por me meter no meio da multidão, homens, mulheres e crianças gritando de um lado e do outro chegava a ser enlouquecedor. Com medo, tentei me espreitar pelos caminhos dificilmente proporcionados pelas pessoas, tentando achar papai, meus irmãos ou a mamãe, mas quando cheguei perto o suficiente da grande fogueira, parei de sentir tudo ao meu redor.

As vozes dos revoltosos simplesmente se tornaram apenas ruídos sem sentido para meus ouvidos, enquanto ao redor se tornava tudo embasado a medida em que meus olhos se abriam ainda mais e o ar em meus pulmões se tornava escasso.

Ela estava lá.

Minha mãe estava lá.

Amarrada sem um pingo de compaixão naquela imensa estaca de madeira que havia no centro de grande fogueira. Cabelos bagunçados, rosto e roupas sujas de sangue, suor e poeira, lágrimas escorrendo pelo rosto, que Yerim considerava ser o mais angelical de toda a face da Terra e com um pano imundo amarrado em sua boca.

- DESGRAÇADA!

- DEMÔNIO!

- SOFRA NO INFERNO!

Meus olhos rolaram para os lados, percebendo cinco homens ajoelhados no chão perto da grande fogueira, sendo fortemente segurados sem delicadeza alguma por grossas correntes velhas, o mais velho estre os cinco tentava a todo o custo se livrar das correntes e chegar perto da mulher amarrada na estaca, mas era bruscamente acertado com barras de ferro pelos membros, os homens choravam em desespero.

Meu pai e meus irmãos choravam em desespero.

Meus olhos correram pelo lados e pairaram justamente na hora mais esperada por todos. A partir daquele momento, tudo pareceu ocorrer lentamente, quando um homem alto e musculoso ergueu uma tocha, levando o público a loucura, aproximando da palha e da madeira.

O meu mundo começou a desabar assim que vi os primeiros focos de fogo evoluir para chamas altas e assustadoras, assim que eu estava prestes a me manifestar, senti algo me paralizar, olhei para cima, mamãe me olhava triste, sem contestar sobre o que estava acontecendo com si ali, como se esperasse que aquilo um dia fosse acontecer.

"Não, querida..."

Ouvi sussurrar sua voz eu meu ouvido, naquele momento eu só sentia as grossas lágrimas deixarem meus olhos rapidamente de maneira totalmente incontrolável.

"Não chore meu amor... Não quero lhe ver chorar..."

As chamas subiam rapidamente, e eu não podia fazer nada, eu não conseguia fazer nada, ela não estava me deixando agir.

Ela não queria.

"Yerim..."

Olhei para onde ela se encontrava, não se tornava mais visível ver seu corpo, mas um grito agudo e ensurdecedor vindo direto do fogo.

"Yerim..."

Cinco barulhos foram produzidos. Cinco tiros foram dados. Um mar de sangue estendeu-se pelos seus corpos já sem vida estirados de qualquer jeito ao chão.

"Yerim..."

O população gritava alegre, proferindo maldições para aquela que havia sido queimada na fogueira.

"Yerim..."

A lua cheia parecia brilhar mais aquela noite já sem estrelas no céu, era lindo e ao mesmo tempo tão triste. Olhei para o luar e fechei fortemente os olhos ainda húmidos.

Minha família.

"Fuja!"


Notas Finais


Um beijo pros meus fãs ♥


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